Operação Se não Estudar, Apanha
prende deputados acreanos
Ontem, à tarde, policiais do Departamento de Morfologia invadiram o prédio da Assembleia Legislativa do Acre para prender deputados que se opõem ao Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
Comandada pelo capitão Evanildo Bechara, a operação desarticulou o crime organizado sou acreano. Segundo o capitão, os deputados são muito violentos, cometendo todo tipo de agressão contra a língua portuguesa.
“Eles criam blogues contra policiais acrianos, homens que trabalham para manter a ordem cívica ortográfica. Já os deputados são uns criminosos gramaticais que em seus blogues cometem todo tipo de violência contra a crase, as vírgulas”, observou o capitão Bechara.
Segundo o comando da Polícia Morfológica (PM), todos fazem parte do Movimento meu Povo é Pobre mas é Acreano (MPPA), uma organização que desejava matar todos os professores de Língua Portuguesa que ensinam acriano em sala de aula.
Por causa disso, foram conduzidos à unidade de recuperação Celso Cunha. Nessa unidade de segurança máxima, eles ficarão trancados em uma sala de aula e, de segunda a segunda, aprenderão a Língua Portuguesa com o major Celso Pedro Luft e com o tenente Rocha Lima.
“Isso é para eles aprenderem que deputados não estão acima do decreto de um presidente e, além de tudo, aprenderem que Assembleia Legislativa não é escola”, observou o capitão Evanildo Bechara.
domingo, março 29, 2009
Ronda Gramatical
sábado, março 28, 2009
Princesinha perdeu o encanto
Ex-companheira de luta de Chico Mendes
diz que Xapuri passa por seus piores dias
De Gilberto Lobo
Dona Francisca Macedo, de 43 anos, é uma senhora batalhadora e, com todas as dificuldades oferecidas nos anos de combate à expansão pecuarista pelos quais passou Xapuri, cidade símbolo da luta pela preservação do Meio Ambiente, ainda conseguiu ingressar na Universidade Federal do Acre (Ufac), tornando-se bacharela no curso de Geografia.
A ex-secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, participante ativa dos empates da década de 1980, uma das companheiras de luta do ex-líder seringueiro Chico Mendes, também conclui pós-graduação em educação ambiental.
Ela denuncia a situação de abandono pela qual está passando “a princesinha do Acre” e, principalmente, o bairro Sibéria.
“Se as coisas estavam ruins antes, agora estão piores. Nunca tivemos tão sozinhos”, lamenta Francisca Macedo.
A professora explica que a Estrada Petrópolis, via de escoamento de vários seringais, está intrafegável, impossibilitando os produtores rurais de levar a produção ao comércio da cidade.
“Voltamos ao tempo em que usávamos animais para o transporte. Não há carro para nada, nem para levar os doentes ao hospital.”
Lixo e lama
Outro problema denunciado por Francisca é a falta de limpeza pública no Centro de Xapuri e no restante dos bairros. Segundo a ex-secretária de Chico Mendes, o lixo se mistura com a lama das ruas sem asfalto. Em frente às escolas, há depósitos de lixo da prefeitura virados. “Moro no Sibéria, mas trabalho no Centro, passo por esse tipo de coisa todos os dias.”
“Só a dengue é quem lembra da gente. Os casos aumentam a cada dia. Nos postos de saúde não há remédios. Meus filhos pegaram dengue e tive que comprar os remédio. Não tem nem aqueles pacotinhos de soro”, desabafou dona Francisca.
A professora diz que a população pede uma solução à prefeitura, mas o atual prefeito explica apenas que não há dinheiro. “Ele só vive com choro, dizendo que a prefeitura está falida e não fala de solução.”
“Na última reunião que tivemos com o prefeito, ele não mostrou nenhuma saída. E se antes estava ruim, agora está pior. Essa é a nossa pior fase. Só queremos que o atual prefeito faça alguma coisa pela gente”, ressaltou Macedo.
Nesse período de chuvas, os extrativistas xapurienses não podem cortar seringa e nem coletar castanha. O resultado é a falta de dinheiro e condições mínimas de sobrevivência, de acordo com a especialista em educação ambiental.
sexta-feira, março 27, 2009
quinta-feira, março 26, 2009
Muito índio

Um dos bons valores que o Acre ofertou a mim foi o vegetal. Bebi pela primeira vez em Cruzeiro do Sul, o município mais lindo deste Estado e um dos mais atrasados politicamente.
Depois de sentir o que senti, igrejas de pastores e de padres não se comparam ao céu sul-cruzeirense e muito menos seus sermões, que não se comparam aos de Antônio Vieira, encantam como as vozes interiores que a bebida proporciona.
Nativos amazônidos, esses sim sabem o que é religiosidade.
Teatro & Teatro
REAPRESENTAÇÃO DE PIQUENIQUE NO FRONT NESTA SEXTA FEIRA, DIA 27 DE MARÇO, EM COMEMORAÇÃO AO DIA MUNDIAL DO TEATRO, NO TEATRO PLÁCIDO DE CASTRO, ÀS 20:00 HORAS.
INGRESSOS a R$ 10,00 E R$ 5,00.
Piquenique no Front é a primeira peça escrita pelo autor espanhol Fernando Arrabal, referência do Teatro do Absurdo e é uma crítica à bestialidade da guerra.
O espetáculo “Piquenique no Front”, de Fernando Arrabal, com direção de Nonato Tavares, reapresenta-se no dia 27 de março de 2009, às 20:00h, sexta-feira, no Teatro Plácido de Castro.
A apresentação será em comemoração ao Dia Mundial do Teatro numa realização da Fetac – Ponto de Cultura Inter – Arte - Ação, parceria do Curso de Artes Cênicas da Ufac e apoio da FEM, FGB e Ministério da Cultura.
Senhor e senhora Tépan resolvem fazer um piquenique com seu filho, o soldado Zapo, em pleno front de batalha. O mais interessante é a forma como o casal se porta em relação à situação, encarando-a como um "belo passeio no campo".
É, sem dúvidas, um espetáculo mágico e de grande riqueza de detalhes e símbolos, onde o inusitado nos impressiona a todo o momento, de maneira bem humorada, mostrando como nada é impossível quando buscamos a paz, ainda que em meio a uma guerra.
A peça serve de metáfora para o mundo contemporâneo, que já incorporou tantos conflitos na vida cotidiana, tornando-os banais e imperceptíveis aos nossos olhares. Escrita há mais de meio século, essa fábula antibélica permanece atual.
A montagem conta com a participação dos atores Lenine Alencar, Claudia Toledo, André César, Yuri Montezuma, Sandra Buh e Dino Camilo, e marca o primeiro trabalho efetivo da Cia. Visse & Versa de Ação Cênica.
O projeto de montagem foi contemplado pela Lei Estadual e Municipal de Incentivo a Cultura de 2008 e tem o patrocínio da Uninorte e da VLG. Os Ingressos estarão à venda no dia da apresentação no Teatrão e terá valor de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
Informações 3224 6890 ou 3223 9725
quarta-feira, março 25, 2009
Boa entrevista
Evanildo Bechara 1
Evanildo Bechara 2
"Veja bem: à altura em que nós estamos, com a implementação iminente do acordo, tenho a impressão que ainda prematuro a pessoa fazer qualquer movimento nesse sentido."
Evanildo Bechara 3
"A rigor não acontece nada. Apenas os alunos que fizerem concursos para as instituições oficiais, se o professor não aceitar o apelo popular e ficar na estrita decisão oficial, os alunos serão penalizados com uma falta ortográfica. E ainda mais, o que é mais grave, porque não sabem escrever o nome da sua cidade ou região. É como antigamente a palavra Brasil, não é? A palavra Brasil, por influência inglesa, era escrita com “z”. Ainda no início de nossa Academia, ela era uma “Academia Brazileira”, com “z”. O nosso Rui Barbosa sempre escreveu o nome dele com “y”, mas acontece que a Fundação Casa de Rui Barbosa, instalada na casa onde ele morava, a fundação escreve Rui Barbosa, com “i”, de acordo com a decisão ortográfica de 1943. Todo mundo tem o direito de escrever como imagina, como quer. Há muita gente que ainda escreve filosofia e fósforo com “ph” etc. É um direito que lhe cabe. Ao lado desse direito pessoal existe um compromisso social e a ortografia é um compromisso social."
Evanildo Bechara 4
"Defender acreano porque termina por “e” é um erro de história da língua. Veja bem: em acreano esse “e” não faz parte do radical. Então esse “e” desaparece. Por exemplo: Camões. Também tem um “e” no fim, mas quando se faz o adjetivo camoniano, esse “e” tem que ser passado pra “i”. É o que acontece com Açores, que também tem “e”. Mas quando se faz um derivado, ele passará a açoriano, com 'i'."
Evanildo Bechara 5
"Sim, é uma opção deles. É uma opção que está sujeita, por exemplo, numa prova de um aluno, ao professor dizer: 'Você não saber escrever o nome do seu próprio estado?'. A pessoa pode passar por esse dissabor."
Evanildo Bechara 6
"Eu interpreto como uma boa vontade de atender aos seus eleitores, mas cometendo um erro de ciência lingüística. Então a pessoa fica na opção entre cometer um erro por amor à forma e demonstrar um desconhecimento de um fato de língua. É como o poeta que acha que lágrima devia ser escrito com “y” porque o “y” lembra o rolar da lágrima pela face."
"Mas como técnico da língua, vejo em acreano com 'e'um erro de história da língua. Quer dizer, nós estamos defendendo acreano em nome da história da cidade, mas contrariando a história da língua. Então é uma história da língua, que é universal, contra a história dos acreanos, que é digna de respeito e admiração, mas é muito pontual. Mas vamos ver. É como os portugueses, lá em Portugal, que são contra o acordo porque eles se dizem os donos da língua. Nós somos apenas condôminos da língua. Mas a verdade é que o destino da língua portuguesa hoje está mais no Brasil do que em Portugal."
terça-feira, março 24, 2009
Escrever & Reescrever
treino é o caminho seguro para uma boa redação
Ana Okada
Simone Harnik
Em São Paulo
Muitos estudantes se prendem a diversas regras na hora de escrever redações para o vestibular mas se esquecem de algo fundamental: a escrita. Leitura, conhecimentos de gramática e de atualidades ajudam muito na hora de redigir um texto, mas só o treino é que faz com que o estudante domine as técnicas para poder expressar suas idéias com precisão.
"Podemos comparar a escrita à habilidade de tocar violão: ninguém diz que é um bom instrumentista sabendo só a teoria musical, é necessário ter a prática", explica o professor Eduardo Antonio Lopes, do cursinho Anglo, em São Paulo.
Unanimidade: treino é o caminho seguro para uma boa redação, dizem professores
professora Célia Passoni, do cursinho Etapa, em São Paulo, também ressalta a importância do treino para a escrita e diz que não há segredo ou milagre na hora da redação:
"Não dá para o estudante achar que vai 'baixar um santo' na hora de escrever. Redação é treino: é preciso exercitar com vontade".
Como estudar redação?
Os professores aconselham os estudantes a verificar os temas das redações dos vestibulares dos anos anteriores e as melhores redações dos aprovados:
"Os exemplos respondem nossas dúvidas. Eles nos mostram, por exemplo, que não há um padrão para colocar parágrafo, mas também que é impossível haver um texto sem divisões", salienta Lopes. Ele ressalta que a redação serve para avaliar se o candidato tem "maturidade a ponto de mostrar um texto autoral; e não um texto que foi feito 'por acaso'".
Lopes afirma que uma boa redação depende de três fatores: da leitura da proposta, do repertório linguístico e do repertório de conhecimentos do aluno. Antes de começar a escrever, é preciso primeiro ter clareza de qual é a discussão da proposta e de qual é a tese que o estudantes vai defender.
Só assim o texto terá progressão, conceito definido pelas seguintes condições: remissividade (o texto deve remeter a elementos anteriores, sem repeti-los), complementaridade (deve acrescentar informações relevantes) e direcionalidade (todos os elementos do texto devem se dirigir à conclusão).
Para saber como lidar com todos esses pré-requisitos, o vestibulando pode estudar as estratégias adotadas nas melhores redações, propor novas soluções e se expor a diferentes modelos de texto. Lopes acredita que o ideal seria o estudante fazer uma redação por semana e dá-las a um leitor critíco para avaliá-las:
"Deve ser alguém que consiga identificar se o texto está de acordo com a proposta, se tem coerência e coesão etc. Não precisa ser um professor, pode ser um colega".
O que é necessário?
Com o texto em mente, o estudante deve adequá-lo à forma da redação, que pede os seguintes requisitos:
Título: deve ser centralizado. Pular linha é opcional;
Tamanho: cerca de 30 linhas, que podem ser divididas em um parágrafo de introdução, dois ou três de desenvolvimento e um de conclusão;
Grafia: o texto deve ser legível;
Similaridade: o ideal é que os parágrafos inicial e final tenham o mesmo tamanho;
Coesão: as partes do texto devem sustentar a conclusão;
Coerência: as parte do texto deve estar ligadas.
Para a professora Célia, o estudo de todas as disciplinas também contribui bastante para uma boa redação:
"A redação é interdisciplinar. Candidatos que têm certa abrangência de conhecimentos conseguem, com mais facilidade, embasar seus argumentos com exemplos e citações, como podemos ver nos exemplos das melhores da Fuvest".
Onde está a LÍNGUA (da) Portuguesa?
Das outras vezes, estive em algumas aulas... muito ruins. Doutores de outros estados recebem muito bem para lecionar aulas tão inexpressivas sobre a disciplina LÍNGUA portuguesa na rede pública de ensino.
Dinheiro público que não retornará em forma de qualidade nas salas de auka. Existe um problema na rede pública de ensino muito sério; entretanto, como a educação acriana passou por uma revolução, não há mais problema, não é verdade? Sinplac e Sinteac, por sua vez, são sindicatos que não sabem se organizar para propor e exigir qualidade de ensino de LÍNGUA portuguesa.
Pensei em marcar um suicídio para não comparecer a esse anencefálico curso. Revólver, corda ou veneno para rato? Acho que usarei um objeto direto preposicionado em meu coração.
segunda-feira, março 23, 2009
"Acreano", uma mentira morfológica

escrita tantas vezes que acabou virando verdade.
De Aldo Nascimento
Em 20 de março de 2009, em uma sala da Assembleia Legislativa do Acre, representantes da Academia Acreana de Letras, das Faculdades de Letras e de História da Universidade Federal do Acre, das Fundações Culturais Garibaldi Brasil e Elias Mansour, da Biblioteca Pública Estadual, do Sindicato dos Jornalistas, do governo do Estado, da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do Acre reuniram-se para formalizar uma contestação contra a supressão de “acreano” no Acordo de Ortografia Simplificada entre Brasil e Portugal para a Lusofonia.
Uma reunião por causa de uma palavra. Em Antônio Houaiss e em Aurélio, habitam as palavras “acriano” e “acreano”. Se meu aluno quiser escrever “acriano” em sua redação, ele tem o apoio de dois dicionários embora “acreano” prevaleça nos jornais, nos documentos, na comunidade linguística local. Todos podem escrever “acreano”; porém, ao consultar Houaiss, Aurélio ou Celso Pedro Luft, meu aluno escreve “acriano”.
Se esses autores consagrados confirmam “acriano”, não importa se a maioria impõe a grafia “acreano”. Até 31 de dezembro de 2012, as duas grafias permanecerão; depois, somente “acriano”.
A professora-doutora Luísa Galvão Lessa, pessoa por quem tenho a mais sincera admiração, disse-me que, “em termos de linguagem, o uso consagra a forma”. Concordo, mas faço uma concessiva: embora o uso tenha consagrado a forma “acreano”, eu, diferente da comunidade linguística, posso escrever “acriano” por discordar da maioria.
Ora, a maioria não sabe o que Antônio Houaiss, Aurélio e Celso Pedro Luft sabem. Para mim, neste caso, não está em jogo “o uso que consagra a forma”, mas o saber de estudiosos renomados que não consagrou o uso “acriano”. Opto, portanto, não pelo uso que consagra a forma, mas opto pelo saber erudito de autores tão bem ignorado pela maioria.
Por que se registra arque-ano e não arqui-ano ? Bem, a palavra derivante é “Arqueu” e, por haver nela um ditongo tônico com base -e- (-eu), o -e- permanece no radical: “arque + ano”. Isso ocorre também quando a silaba tônica do derivante é -e, por exemplo, “Daomé”, por isso registramos “daome-ano”. Coreano ou coriano? Porque a lei morfológica que rege “Arqueu” e “Daomé” também reina em “Coreia”, escreve-se “coreano”.
Quem nasce em “Cabo Verde” é “cabo-verdeano” ou “cabo-verdiano”? Nesse caso, como o derivante “Cabo Verde” tem a sílaba tônica “ver-”, o -e- não permanece no radical da palavra derivada, havendo em seu lugar uma vogal de ligação: “cabo-verdiano”. Esse mesmo fenômeno ocorre com a palavra “Acre”. A sílaba tônica é “A-cre” e, dessa forma, por ser átono o -e- de “Acre”, ele não permanece no radical da palavra derivada, havendo a vogal de ligação -i- para acomodar o radical “Acr-” ao sufixo “-ano”: “acriano”.
O fenômeno morfológico que há em “acriano” é o mesmo que ocorre em “comtiano” (Comte), em “açoriano” (Açores), em “ciceroniano” (cicerone). No hino do Estado, entretanto, registrou-se “acreano”, o que para mim representa um erro, porque, por ser hino oficial, deveria prevalecer a forma clássica, erudita, ou seja, o uso vernáculo. Por se tratar de um texto poético que representa o ideal do Estado, a palavra tem o dever cívico de ser lapidada pelo saber erudito.
Divergindo de Francisco Mangabeira, autor da letra do Hino Acriano, o Acordo de Ortografia Simplificada, em sua Base V - Das vogais átonas -, levou em consideração “o sufixo misto de formação vernácula -iano”, ou seja, prevaleceu a etimologia (etimon: o verdadeiro). “Acreano” foi uma mentira morfológica escrita tantas vezes que acabou virando verdade. O uso [errado] consagrou a forma [errada].
Tantas instituições reunidas por causa de uma mentira morfológica, tantos preocupados com uma só palavra. Muito mais do que uma palavra isolada, essas instituições deveriam se reunir contra palavras erradas em redações escolares, contra um sistema público de língua portuguesa que permite o aluno de ensino médio escrever como se estivesse no início do ensino fundamental.
Mais: a Assembleia Legislativa deveria se pronunciar contra deputados que escrevem errado em seus blogues (sim, aportuguesei). O Sindicato dos Jornalistas deveria se colocar contra faculdades que formam alunos sem conhecimento elementar de um bom texto. O governo do Estado deveria corrigir assessores que publicam vergonhas gramaticais.
Lutar contra uma palavra é mais fácil.
sexta-feira, março 20, 2009
Tensão ou tenção?
Sou imperfeito e gosto quando apontam minhas imperfeições gramaticais.
Soube que o deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PC do B, insiste na ideia de que "tencionamento" é uma palavra correta em seu blog.
Em seu texto, conforme o significado do parágrafo, não cabe a palavra "tenção" (intenção, devoção, tema, assunto ou briga) mas "tensão" (pressão, difícil, preocupante).
Posso estar errado? Ele escreveu:
________________________
"A vantagem do não tencionamento eleitoral é contrabalançada com o rigor da cobrança por parte dos que terão muita energia a gastar apenas com a vigilância oposicionista."
______________________________
No texto, está clara a ideia de "pressão", ou seja, de "tensão". Além disso, esse "tencionamento" foi mal usado como advérbio.
quinta-feira, março 19, 2009
"Pai, já estou no México"

Em outros tempos, nunca pensaríamos que parlamentares do PT abusariam do erário, porque uma marca do Partido dos Trabalhadores sempre foi a diferença. Foi. O senador sabe que errou e assumiu. No PT, desde que chegaram ao poder, muitos erraram quando usaram dinheiro público.
O senador oculta o que deveria ser público. O poder seduz. Como homem público, o senador deveria informar à democracia que o elegeu o valor da conta de telefone.
Copa de 2014 em Rio Branco
Novelas da Globo empacam no ibope
De Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
Outra grande aposta da Globo que até agora não impressiona no ibope é "Caminho das Índias", de Gloria Perez. Seus últimos capítulos têm registrado no máximo 36 pontos. Ontem chegou a cair para 34. Claro que são obras longas, que podem disparar de uma hora para outra, dependendo da criatividade de seus autores. Mas criatividade não é o que se tem visto nas obras desses dois novelistas. Um voltou ao tempo de "Pantanal"; a outra, só faz repetir a fórmula de "O Clone".
terça-feira, março 17, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
A poesia é inútil
De Aldo NascimentoCom a revolução industrial, ocorrida em meados do século 18, a máquina submete a vida ao desencanto. Nas fábricas, operários suportam nas costas uma carga acima de 14 horas diárias de trabalho alienado. Com o surgimento da indústria, a engrenagem mecaniza destinos; inicia-se a coisificação da vida.
Contra esse capital industrial, emerge o sentimento intenso de poetas. Hölderlin [1770-1843], um deles, coloca seus versos “românticos” contra uma realidade social infiel à espiritualização dos homens. Contra as fábricas, a beleza de sentidos – poesia.
Chateaubriand [1768-1848], outro romântico, afirma que a existência é pobre, seca e desencantada. “Habitamos um mundo vazio com um coração cheio e, sem termos utilizado nada, somos desiludidos de tudo.”
Esse romantismo, emerso no final do século 18, acometeu-se contra um cotidiano que impôs ao homem o cansaço de si mesmo, que, acovardado diante das pressões sociais, acaba preferindo vegetar na banalidade, vivendo por meio de ideias acomodadas e inalteráveis. Esse sentido original da escola romântica, entretanto, foi deformado.
Embora o romantismo tenha expressado uma luta estética contra a despoetização da vida, ele a expressou em vão, porque a brutalidade normal das coisas grudou-se à linguagem, aos gestos, ao comportamento, ao gosto das pessoas. Nunca fomos tão vulgares.
Em vários bairros de Rio Branco, por exemplo, encontra-se embrenhada a ausência da beleza, do sensível. Objetos, mercadorias, são eles que predominam na paisagem; eles que intermedeiam as relações humanas.
Pela TV, com seus discursos previsíveis, governo e empresários associam desenvolvimento ao consumo, às mercadorias, à renda, às necessidades básicas, como se teatro, imaginário ou poesia não fossem vitais à existência. Em verdade, sepultaram a beleza há anos, por isso somos tão violentos – pais engravidam filhas, homens eretos espancam mais mulheres, população carcerária avoluma-se, drogas entorpecem o sentido da vida.
Ora, não somos mais humanos porque saciamos necessidades básicas ou porque consumimos objetos na Expo-Acre; não somos mais humanos porque associamos o desenvolvimento à circulação de mercadoria ou a ruas asfaltadas; porém, por ser irreal tal como o amor, a honra, o sonho, a poesia nos torna melhores. Humaniza-nos.
Os versos de Vinícius de Moraes lutam contra a coisificação do sexo. As estrofes de Drummond assaltam a alienação social. A poesia de Baudelaire não se sujeita à miséria humana. Mas quem os lê? Quem os ouve recitados em praça pública? Quem os vê como teatro de rua? A poesia, senhores, é inútil – vou ver Faustão ou Sílvio Santos.
sábado, março 14, 2009
O vigor estético de um poeta

já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.
quinta-feira, março 12, 2009
Ronda Gramatical

De Edvaldo Solto
Meu amigo e minha amiga, a bruxa da tua mãe tá solta e a fada madrinha tá presa no presídio de segurança máxima. Coisa tá feia em Rio Branco, só não tá mais feia do que eu e aquele diagramador da TRIBUNA. Olha só, muita atenção para esta notícia. A repórter Lênilda Lê tem as informações. Imagem.
Repórter
- Edvaldo Solto, eu estou no blog do deputado João Edvaldo Amazonas Magalhães neste momento para mostrar que ele revolucionou a língua portuguesa. Do meu lado, está o capitão Celso Cunha, foi ele quem prendeu o deputado com a droga do erro na mão esquerda.
Policial
- Positivo e operante. Desde a Revolução Russa, a Polícia Ortográfica Brasileira monitora comunistas no Acre e, após anos, encontramos uma ação subversiva em um blog da foi-se o martelo. O deputado cometeu um crime contra a LÍNGUA-PÁTRIA quando escrevinhou... (a repórter interrompe)
Repórter
- Telespectador, eu interrompi o capitão para pedir que os alfabetizados se retirem da sala, a cena é forte, as crianças que não frequentam escola podem ficar.
Policial
- Pois bem, ele escrevinhou que “a vantagem do não tencionamento eleitoral é contrabalançada com o rigor da cobrança por parte dos que terão muita energia a gastar apenas com a vigilância oposicionista”. Quando encontramos a droga “tencionamento” em seu blog, ordenei que a Polícia Gramatical o prendesse, porque essa palavra não existe, sua intenção é disseminar desacordos ortográficos.
Repórter
- Direto do blog, Lênilda Lê, com imagens de João Glaucomatoso. Edvaldo Solto, agora é com você.
Meu amigo e minha amiga, se você está preso no Francisco D’Oliveira Conde e deseja fugir porque a tua pena passou do prazo de validade, passe pela concessionária Recol e fuja com um carro zero-quilômetro. Aproveite nossas condições, confira as ofertas antes de pular o muro do presídio.
A coluna chegou ao fim da picada. Na próxima terça-feira, se o Arquiteto permitir – e ele há de querer -, reformarei minha casa e estarei de volta. Fiquem com Deus e com nossos patrocinadores.
Cocô na "florestania"
Não sou simpático ao programa Gazeta Alerta por ser uma cópia de programas paulistas e cariocas, e estes já são ruins. Prefiro transmissões originais. Entretanto, em certos momentos, a equipe acerta.
Hoje, não publicaram imagens de presos no Francisco D'Oliveira Conde, mas a violência que essa unidade prisional comete contra a natureza. Desta vez - que ironia!!! -, o presídio é o criminoso.
Segundo a ótima matéria do repórter Adaílson Oliveira, o Francisco D'Oliveira Conde, mantido com o dinheiro público, despeja fezes de presos, merda de policiais, cocô de oficiais e bosta de seus diretores no igarapé São Francisco. A matéria revelou que o Estado joga muita merda na natureza.
Pensei: será que é para adubar a terra?
Conversando com Itaan Arruda, ex-assessor de comunicação do governo, ele disse-me que o governador Binho Marques jamais censurou a imprensa acriana. Acreditei, a matéria de Adaílson Oliveira, a prova.
Se este governo não põe sua mão reguladora na Redação de jornal, sobrou para os jornalistas publicarem boas matérias; no entanto, para isso, é preciso haver repórteres bons - e Adaílson Oliveira mostrou por meio dessa matéria que é um deles.
terça-feira, março 10, 2009
CQC voltou! & TV Aldeia

Ontem, FINALMENTE, o CQC retornou, único programa INTELIGENTE da TV brasileira, mais os programas da TV Cultura, é claro.
Que prazer eu sinto quando O RISO diminui a importância de certos políticos. Rir deles, rir e rir. Ontem, eu ri muito de um Congresso que gasta por minuto mais de R$ 11 mil, o mais caro do mundo.
E a TV Aldeia? Com o retorno do Campeonato Acriano, não assisto mais ao programa Café Filosófico. TV Aldeia, com isso, deixou de ser CULTURA para ser TV Esporte. O culpado disso: Jorge Henrique, Anibal e Itaan Arruda.
Por favor, deixem que eu assista ao Café Filosófico. Quem quiser assistir ao jogo vai ao estádio.
segunda-feira, março 09, 2009
É fantástico não haver chuchu no Jordão

Não poderia deixar de escrevinhar sobre a falta de chuchu no Jordão. Hoje, A TRIBUNA publica este artigo.
De Aldo Nascimento
Uma pessoa tem um sonho. “Quando crescer, serei jornalista.” A pessoa cresce. Estuda. Estuda. Estuda. Entra na faculdade de jornalismo. Estuda. Estuda. Estuda. Conclui a faculdade. Estuda. Estuda. Estuda. Pós-graduação. Finalmente, depois de tantos anos, consegue trabalhar na Globo. Vai para o interior do Acre e, aqui, depois de estudar tanto na faculdade, sua audiência divulga no Brasil que Jordão não conhece chuchu. A isso dão um nome: fantástico.
Depois, eu me perguntei: qual a relação entre não conhecer um chuchu e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH? Outra dúvida: se o cálculo do IDH leva em consideração a expectativa de vida, o nível de educação e a renda da população, o que a falta de chuchu em Jordão estava fazendo em uma matéria sobre IDH? Última pergunta: qualidade de vida tem a ver com o consumo de chuchu?
Ficou a impressão de que quem não conhece chuchu é atrasado ou motivo de chacota. Mas ficou também a impressão de que o jornalista global não conhece o seu próprio país, passando pelo Jordão como turista. Assim, na condição de repórter-turista, sua matéria só poderia ter transmitido isto: superficialidade sobre nós.
Esperar de uma TV comercial e de um repórter-turista o registro de nossa identidade, convenhamos, seria anormal. O normal tem sido - que ironia! - os jornais acrianos ignorarem o interior deste Estado; tem sido desconhecerem o homem rural que nunca viu um chuchu.
Para uma Redação de Rio Branco, tão condicionada a ser aquário, Jordão não passa de um mapa. Se leitores daqui não encontram em nossos jornais o que é o Acre em Feijó, em Mâncio Lima ou em Assis Brasil, outros publicam o que não encontram no Jordão, neste caso, um chuchu. Se nossos jornalistas publicam matérias que ocultam o interior deste Estado, outros descobrem a falta de chuchu e riem de nós.
Após uma semana de o Fantástico rir do Acre, não houve um jornal da capital que tenha tomado a iniciativa de retirar do Jordão “a chacota do chuchu". O repórter-turista plantou nesta terra uma matéria para colher chuchu, e as redações acrianas só cultivam um jornalismo que desconhece Rodrigues Alves, Capixaba, Plácido de Castro. Do Rio de Janeiro, a Globo nos conhece “melhor”. Plim-plim!!!
