quinta-feira, abril 16, 2009

Blogue aberto ao deputado Moisés Diniz

Deputado, antes de mais nada, não farei uso do pronome de tratamento; minha sinceridade será informal.

Sua resposta a meu texto publicado na TRIBUNA e neste inexpressivo blogue fugiu à questão, qual seja: a morfologia de uma palavra segundo a escola e não conforme os políticos.

Pois bem, digo-lhe que não conto com a oposição acriana para enriquecer a democracia ou as ideias apaixonantes sobre qualidade de ensino porque essa oposição padece de anencefalia. Mais: ela perdeu o mouse da história. A sociedade civil, por sua vez, encontra-se em letargia. E o movimento sindical parou.

Restou a mim, ainda, a Frente Popular, digo, os representantes da multiesquerda que habitam nesse grupo político. Entretanto, erguida por mortais, duas esquerdas, PT e PC do B, apresentam falhas e contradições.

De tão crítica, ela agora só se elogia. Você mesmo, Moisés, elogia-se e elogia a Frente Popular quando escreveu sobre educação pública para se opor ao que eu escrevi. Há quase 12 anos no poder, o discurso sobre educação pública petrificou-se; você, entretanto, não percebeu essa paralisia.

Abaixo, tecerei minhas observações bem pequenas sobre teus argumentos.

Texto do deputado Moisés Dinis (PC do B), líder do governo

Em dois lugares distintos, com o mesmo objetivo, o professor Aldo Nascimento desautoriza a Assembléia Legislativa do Acre a discutir o adjetivo gentílico acreano ou acriano. Veja o que ele diz:

Obs 1: Desautoriza? Deputado, longe de seu circunlóquio, eu fui muito claro "como a água do Saerb" em meu texto. Ora, não posso desautorizar uma instituição quando essa mesma instituição não possui a função social de falar sobre morfologia. À escola, cabe ensinar que "acriano" é a forma correta. Isso está muito claro: aprende-se a escrever na escola e não em assembleias legislativas.


1. “Agora, se deputados desejam escrever “acreano” mesmo com o Acordo Ortográfico, escrevam, mas deixe a escola fora disso, porque não é na Assembleia Legislativa que se aprende a escrever”.

2. “Aos deputados acrianos, digo-lhes o seguinte: lutem na Assembleia Legislativa por um Acre justo, lutem por uma escola pública melhor. "Acriano" ou "acreano" não é da competência de suas sessões, mas da escola. É a escola, com bons professores, que ensina a escrever”.

Estimado professor Aldo Nascimento,

Nós, deputados estaduais do Acre, pedimos desculpa por não termos pedido autorização a vossa senhoria. É que nós aprovamos algumas leis ligadas à educação, sem a vossa devida autorização:

a) Dobramos o salário dos professores, através da aprovação do PCCR, levando o Acre a pagar um salário melhor do que São Paulo;


1. Um exemplo possível. João dos Santos, formado há uma semana, deseja lecionar na rede pública. Ontem, ele se submeteu a um concurso e passou para ser professor do Estado. O novo professor da rede pública encontra-se na letra A. Com um só contrato, seu salário inicial é pouco para manter sua família, uma esposa e um filho. João terá que esperar alguns anos para se submeter a outro concurso e, se passar, assinará seu segundo contrato. Outra questão, o custo de vida em São Paulo não se assemelha ao do Acre;

2. Se o salário de um professor iniciante é tão bom, pague a seu assessor o que um professor iniciante recebe por mês com um único contrato; e

3. Por outro lado, eu, mais de anos no Estado, recebo bem mais do que colegas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Nós, nesse sentido, damos um banho no PSDB e no PMDB. Prefiro ganhar minha vida como professor no Acre a ter que lecionar em escolas públicas gaúchas ou cariocas. Claro que devemos receber mais, porém, havendo bom salário, havendo escolas equipadas, o corpo docente deve se empenhar para obter bons resultados com a Secretaria de Educação. Em outras palavras, mesmo com suas contradições, a Frente Popular deve ficar no poder até quando não souber se superar. E espero que sempre se supere.



b) Aprovamos a implantação do ensino médio nos municípios isolados;

1. Eis aqui a função da assembleia: legislar. Mas o que tem a ver isso com morfologia?

c) Instituímos a isonomia salarial;

1. Eis aqui a função da assembleia: legislar. Mas o que tem a ver isso com morfologia?

d) Aprovamos os cursos de nível superior para todos os professores do Acre, incluindo os professores rurais e indígenas;

1. Eis aqui a função da assembleia: legislar. Mas o que tem a ver isso com morfologia?

e) Aumentamos de 25 para 30% os recursos destinados à educação, um exemplo para o Brasil;

1. Eis aqui a função da assembleia: legislar. Mas o que tem a ver isso com morfologia?

f) Autorizamos a reforma e a reconstrução de nossas escolas, tornando-as belos lugares de produção do saber.

1. Eis aqui a função da assembleia: legislar. Mas o que tem a ver isso com morfologia?;

2. Sua defesa da educação pública acriana, como eu disse antes no início, petrificou-se no tempo porque não aponta novos caminhos. A esquerda é mais do que reforma escolar, mais do que aumento salarial; e

3. Moisés, qualidade da disciplina LÍNGUA Portuguesa passa pela gestão escolar? A democracia escolar não precisa ser aprimorada? Não é preciso redefinir as funções do coordenador de ensino? A escola pública não deveria ser administrada por quem é formado em administração?

E não podemos discutir a nossa própria memória lingüística?

1. Deputado, a questão, primeira, é a palavra em si, ou seja, sua morfologia, sua lógica interna, o que se ensina na escola, na faculdade.

O que é isso, professor?

1. Deputado, avançamos muito, nossos índices educacionais estão melhorando, reconheço e elogio. Aquele Acre, não quero revê-lo outra vez na Secretaria de Educação. Isso, entretanto, não exclui minhas críticas, que devem ser sensatas e éticas; e

2. Só criticamos quando, pelo menos para mim, sabemos que o criticado tem capacidade para melhorar ainda mais. Em um passado recente, eu não criticava: ria deles, dos desgovernos. Nunca ri da Frente Popular. Quanto à sua condição de deputado, acredite, eu aprecio seu caráter, sua fome de justiça, sua integridade como homem público; mas, como digo, eu amo minha mãe, e critico-a, reconhecendo suas virtudes.

quarta-feira, abril 15, 2009

Texto jornalístico

Lixeiro de Redação de jornal, eu, um revisorzinho, não passo disso. Quando o vacilo gramatical do repórter passa, sou ridicularizado. "Olha só o que o Aldo fez" embora eu não tenha escrito.

Se sai tudo bem, texto limpo, as glórias pertencem ao jornalista que erra demais. O revisor existe, portanto, para sustentar a vaidade do jornalista: "Fui eu que escrevi." E o revisor retifica: "Fui eu quem escreveu."

Entre os textos corrigidos por mim e os erros que são publicados, há uma distância enorme. O revisor também existe para o jornalista não passar vergonha.

Abaixo, em dois parágrafos, muitos equívocos não foram publicados no jornal impresso, talvez poucos. Minha obrigação, e a obrigação do jornalista é escrever muito bem para eu ficar desempregado.

O Acre é o quinto Estado no ranking de exploração da mão de obra infantil. O Estado fica atrás apenas do Tocantins, Rondônia, Piauí e Maranhão. De acordo com dados revelados ontem durante entrevista coletiva com o procurador do trabalho, Bernardo Mata, mais de trinta mil crianças e adolescentes, com idades entre cinco e dezessete anos, são explorados, de forma direta ou indireta, no trabalho infantil.

De acordo com o procurador, a própria Constituição Federal proíbe que pessoas com menos de 17 anos exerçam qualquer tipo de trabalho, nos quais não estejam na condição de aprendiz. Só que essa norma não é respeitada, o que resulta em, aproximadamente, quatro milhões e oitocentos mil adolescentes e crianças inseridas no mercado de trabalho.

terça-feira, abril 14, 2009

Reposição de aula

Sindicalista tem hábito de pensar que professor é burro. Para mim, o hábito da fala não é verdade. Serei claro: "professor não entra em greve". Não? Claro que não, "professor repõe aula". Sindicalista me cansa.

Sinteac promete greve para maio
De
Freud Antunes

Com a falta de um acordo entre governo do Estado e servidores, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Manoel Lima, disse que a categoria poderá entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 12 maio.

A informação sobre a mobilização foi dada na manhã de ontem durante uma assembleia com diretores e com gestores de escola no Colégio Acriano.

De acordo com o sindicalista, em assembleia, os professores e funcionários administrativos decidiram que a greve será deflagrada se não houver uma proposta por parte dos gestores.

“Vamos parar no dia 24 deste mês como advertência, e a categoria já decidiu organizar outra mobilização também em maio, podendo ser uma greve por tempo indeterminado”, confirmou Manoel Lima.

O presidente do Sinteac informou que, ao todo, foram apresentadas 14 reivindicações aos técnicos que representam o Estado e as prefeituras, mas até o momento não houve resposta.

“Queremos a aplicação do piso nacional de R$ 950 para professores com ensino médio, um salário inicial de R$ 550 para os trabalhadores administrativos, que atualmente recebem menos de um salário-mínimo, ou seja, R$ 420”, detalhou Manoel Lima.

Nas propostas da categoria, ainda está à volta do pagamento da gratificação de 30% sobre a regência, benefício similar de 30% aos técnicos, o reenquadramento e o reajuste salarial de acordo com as inflações de 2007 e 2008.

segunda-feira, abril 13, 2009

Qual o diagnóstico da redação?

De Aldo Nascimento
Na semana passada, a Secretaria Estadual de Educação aplicou uma avaliação diagnóstica no ensino médio para as disciplinas Língua Portuguesa e Matemática. Li as provas de Língua Portuguesa e, entre as questões, a ausência de produção textual. A secretaria não elaborou uma questão sequer relacionada à redação. Os alunos não escreveram.

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no vestibular da Universidade Federal do Acre (Ufac), há redação; porém, no Programa de Avaliação Diagnóstica, a Secretaria Estadual de Educação não quis que alunos do ensino médio escrevessem, sabendo que as redações de nossos alunos são muito ruins por causa de um sistema que funciona para o aluno não escrever e não reescrever em sala de aula.

Se tivesse sido diagnosticada pela secretaria, saberíamos quais os problemas e as soluções para a redação. Isso, entretanto, foi ignorado pelos profissionais da secretaria, e nós sabemos que a redação representa um problema muito sério na rede pública de ensino.

Resta-me supor. Aplica-se uma prova de redação para diagnosticar a produção textual de nossos alunos. No primeiro ano do ensino médio, diagnostica-se que mais de 90% de nossos estudantes ignoram o uso correto da vírgula e do ponto contínuo. Com a avaliação diagnóstica em mão, a secretaria então elabora um material com problemas redacionais de alunos do primeiro ano do ensino médio. Depois, entrega esse material a cada gestor escolar do último ciclo do ensino fundamental, determinando que professores não permitirão que alunos cheguem ao primeiro ano do ensino médio sem saber usar vírgula e ponto contínuo. No ano seguinte, outra avaliação diagnóstica constatará se a escola conseguiu ou não ensinar aos alunos o uso correto da vírgula. Caso consiga, os professores receberão um abono, o que muito mais difícil.

Entretanto, como a secretaria ignorou por meio de sua consultoria a produção textual na prova diagnóstica, a redação na rede pública permanece sem rumo. Se houvesse avaliação diagnóstica de redação, mapear-se-iam problemas textuais no ensino médio. Sem cartografia, repito, a redação na rede pública encontra-se sem rumo.

Não só a produção textual, a Literatura também perdeu seu rumo na rede pública de ensino. Em verdade, nunca houve Literatura entre as quatro paredes de uma escola estadual, mas tão somente história da Literatura. Na condição de texto ficcional, o que desejamos com a Literatura no ensino médio?

Em sua avaliação, prova do primeiro ano, a secretaria pede ao aluno que releia o poema - na mesma questão chama de poesia – para que ele “indique a opção que identifica o número de estrofes e versos que compõem o poema”. Qual a relação dessa questão com a gramática no texto? Com essa questão, o que pretendemos com a disciplina Literatura no ensino médio? Será que é aprender a contar?

Há quase 12 anos na Secretaria de Educação, a Frente Popular nunca proveu um encontro entre professores de Literatura e de Língua Portuguesa para apresentar problemas e soluções. Indiferente a esses profissionais, paga-se a consultores e a professores, por exemplo, de São Paulo e do Rio de Janeiro para que falem enquanto professores estaduais permanecem emudecidos.

Avaliação diagnóstica. Mas quem avalia as ações da secretaria? Não há equívocos? Um deles, este: não ouvir seu corpo docente.

Ronda Gramatical

Nesse feriado santo, a vida de Particípio Regular de Jesus, de 33 anos, transformou-se em um inferno. No conjunto Esperança, seu corpo foi encontrado com um tiro na língua. Pai de cinco filhos, ele era casado com Maria das Virtudes, de 23 anos.

Conforme testemunhas, Leandrinho, elemento que jamais pisou o chão de uma escola, analfabeto de pai, de avô e de bisavô, discutiu com Particípio no bar do Gerúndio depois que o marginal, à margem da gramática, disse que Particípio pagou de forma errada uma dívida.

“Leandrinho disse que ele não tinha pago uma dívida de R$ 20, era uma dívida de sinuca, de um jogo que aconteceu no dia 25 de dezembro do ano passado ”, lembra Everaldo Nunes, um dos que se embriagam no bar.

Quando o marginal disse isso, Particípio perdeu a paciência. “Seu inculto, não é tinha pago, o correto é tinha pagado”, e disse mais. “Você não diz tinha morto, tinha vivo, tinha falo, tinha compro, tinha pago; mas você, seu ignorante, diz tinha morrido, tinha vivido, tinha falado, tinha comprado, tinha pagado.”

Contrariado, sem condições de colocar a mão em Celso Cunha ou em Evanildo Bechara, Leandrinho meteu os dedos em um 38, cano longo. Bastou um tiro na língua para Particípio cair morto. Leandrinho fugiu.

“Não podemos deixar que um marginal, ainda mais ignorante, fique solto depois de matar um pai de família, um trabalhador, um acriano que conhecia muito bem os segredos da gramática”, afirmou o tenente Pasquale.

TV anticultura

Pessoal,
gostei que fosse trazido este asunto das TV's Educativas.

Aqui no Rio Grande o governo do Estado pretende que a TVE TV Educativa e a FM Cultura sejam emissoras dos Gaúchos. para isso pretende que elas se igualem com as emissoras privadas, talvez agregando à programação futebolística, também, os programas de auditório, tipo faustão & Cia.

O orçamento para a Fundação Piratini, que gerencia a TVE e a FM Cultura é irrisório e já estão veiculando comerciais, a exemplo da TV Cultura.

Aqui a TVE está quase que só retransmitindo os Programas da TV Cultura. Menos Mal. Ultimamente, colocaram às segundas-feiras um programa de comentários e atualidades de futebol da terra às 20h00, tipo o que a Cultura transmite às quintas-feiras, também nesse horário.

Do modo que vai em breve teremos futebol, "faustão", pegadinhas e sei lá mais o que. Além, é claro, de reclames das casas bahia!!!!!!!!!

Por último, e não por isto menos importante, tem coisas muito positivas: o programa infantil Pandorga (premiadíssimo) a nova série juvenil Tudo que é Solido Pode Derreter e o debate Direito & Literatura que está voltando no seu segundo período. Bem vindos.

Sidnei

domingo, abril 12, 2009

A crise e as despesas

A Assembleia Legislativa do Acre é uma das mais fechadas do país quando o assunto é "gasto público".

No sítio Transparência Brasil, podemos constatar essa ausência de transparência.

No Acre, infelizmente, não há um trabalho de blogueiros para revelar os gastos da assembleia. Deveria, porque os jornais impressos são indiferentes a isso. Quais são os gastos reais da Assembleia Legislativa do Acre?

A nossa assembleia aumentou seus gastos em 22.7%, a oitava colocação entre as 27 assembleias. Aumentou mais do que Minas Gerais.

A Câmara de Vereadores de Rio Branco não informou ao sítio Transparência Brasil. Leia o motivo:

"No sítio de Internet da Prefeitura (www.pmrb.ac.gov.br/v3/) há apenas a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2009, mas não a Lei Orçamentária propriamente dita. Contacto telefônico com a Secretaria de Planejamento levou ao Departamento de Orçamento: (68) 3211-2225. A pessoa que atendeu justificou a ausência da LOA 2009 na Internet pela presença de vírus nos computadores da Secretaria. Comprometeu-se a enviar o documento por e-mail, o qual, porém, não foi recebido. Procurado novamente, o funcionário atribuiu o extravio do e-mail também à presença de vírus nos equipamentos. Foi solicitado então que se enviasse fax com o documento, mas, alegando grande volume de trabalho, o funcionário disse que tentaria mais uma vez por e-mail. Até o final da tarde de quarta-feira (4 de fevereiro), porém, a mensagem não havia sido recebida."

Aumento de gastos com servidores supera inflação
GUSTAVO PATUDA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Despesas com funcionalismo em Estados sobem 25,2% em 2 anos, ante IPCA de 10,6%Nas capitais, avanço foi de 26%, ante 26,2% da União; alta inclui governos do PSDB e do DEM, partidos que atacam expansão da folha sob Lula GUSTAVO PATUDA SUCURSAL DE BRASÍLIA Governadores e prefeitos que hoje fazem lobby por mais um pacote de socorro federal promoveram, nos últimos dois anos de explosão de receitas, uma ampliação dos gastos com o funcionalismo público a taxas bem superiores à inflação do período.

Levantamento feito pela Folha nos Estados, no Distrito Federal e nas capitais aponta uma tendência suprapartidária de aumento das despesas com pessoal, incluindo administrações do PSDB e do DEM -partidos que, na política nacional, atacam a expansão da folha de pagamentos no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

A prática nos anos de bonança ajuda a explicar por que a repentina queda da arrecadação, consequência dos efeitos recessivos da crise econômica global, ameaça agora os caixas estaduais e municipais. De 2006 a 2008, os gastos com os servidores do Executivo cresceram 25,2% nos Estados e 26% nas prefeituras das capitais, para uma inflação de 10,6% medida pelo IPCA.

O quadro de pessoal responde pela maior parcela, de longe, dos orçamentos estaduais e municipais -cerca de 51% dos primeiros e de 46% dos segundos, se incluídos todos os Poderes. E, como a legislação só permite a demissão de funcionários públicos em situações excepcionais, trata-se de uma despesa que não pode ser reduzida a curto prazo.

Pelo menos 15 dos 26 governadores elevaram os gastos com os servidores do Executivo em ritmo superior ao da União. Candidato mais bem colocado nas pesquisas à sucessão de Lula, o tucano José Serra responde por um aumento de 25% da folha paulista até o ano passado, praticamente empatado com os 26,2% do petista. No governo mineiro, do também potencial candidato do PSDB à Presidência Aécio Neves, a alta é de 33,2%.

Nas principais vitrines democratas, os percentuais superam a inflação, a expansão do Produto Interno Bruto e os índices federais. Na prefeitura paulistana de Gilberto Kassab, os gastos subiram 29,9%; no Distrito Federal, José Roberto Arruda patrocinou um crescimento de 41,9%.

Descontados os sotaques ideológicos, as explicações para o aumento de gastos são semelhantes -o objetivo foi valorizar recursos humanos, recompor salários defasados e ampliar serviços de saúde, educação e segurança.

"Esse crescimento dos gastos com pessoal é decorrente de reajustes salariais concedidos ao longo de 2007 e 2008 para a polícia militar e civil, professores e servidores da Educação e do ensino técnico, profissionais da saúde, servidores da área meio, pesquisadores científicos, área de apoio agropecuário, agentes penitenciários e de escolta, defensores públicos, procuradores", segundo lista um texto enviado à Folha pelo governo paulista.

A administração da petista Luizianne Lins em Fortaleza, onde o gasto subiu 48,6%, maior taxa entre as capitais, cita entre os motivos "reconhecimento dos direitos dos servidores reprimidos em gestões passadas e aumento do poder de compra dos servidores com ganho reais acima da inflação, recuperando parte significativa da defasagem salarial de dez anos ou mais".

sábado, abril 11, 2009

Blogue aberto ao senador Tião Viana

Senador,

Sou seu eleitor. Um eleitor. Dos milhares de votos que o senhor obteve no Acre, meu voto não passa de UM. Desde já, reconheço minha democrática insignificância. Minha pequenez, entretanto, não se reduz a um voto. Como professor da rede pública de ensino, meu status social não se equipara ao de um médico, ao de um advogado, ao de um político.

Escrever neste blogue, portanto, representa minha incapacidade de interromper, por exemplo, uma ligação telefônica. Ainda sim, o sólido silêncio seria pior. Muito mais do que me incomodar, uma conta telefônica de R$ 14 mil, que seria paga com dinheiro público, debocha da condição de eu ser seu eleitor. Não pensei que meu voto fosse para isso.

No México, curtindo as férias, sua filha gastou R$ 14 mil em 20 dias, e o contribuinte, que não é mexicano, pagaria esse valor caso a imprensa nacional não (des)cobrisse. (Des)coberto, o senhor afirmou que tiraria de seu bolso para pagar. Parcelou.

Senador, o que houve com o PT?

Independente da resposta, eu, seu eleitor, não posso deixar de crer na esquerda, isto é, em partidos que representam os anseios da justiça popular. Ainda sou petista, mas sem DAS, sem adulação, sem amiguinhos no poder; sou petista que leciona em escola pública sem revolução educacional; sou petista que vota em Tião Viana e se decepciona.

Sou um petista... insignificante.

sexta-feira, abril 10, 2009

No Lugar da Reflexão, Jogos

Conforme o interesse do governo, Jorge Henrique, Anibal Diniz e Itaan Arruda programam a TV Aldeia. Aos domingos, tiraram de meus olhos Café Filosófico, da TV Cultura, e, no lugar da reflexão, deram às minhas retinas tão fatigadas jogos de futebol.

Por quase 20 minutos, assisti a uma partida, porém não vi os jogadores porque fiquei interessado pelas arquibancadas vazias. Onde estavam os torcedores do Rio Branco? E os do Nauas? Jogos sem torcidas, ou seja, arrecadação que não paga a iluminação do Arena da Floresta.

Quem paga? O dinheiro público, isto é, o contribuinte. Segundo informação de três jornalistas esportivos, com jogo ou sem jogo, o governo do Estado retira do contribuinte R$ 60 mil por mês para manter o Arena da Floresta. Em um ano, R$ 720 mil. Não custa repetir: vazio, o Arena vale por mês R$ 60 mil para ser sustentado pelo dinheiro público.











Na foto de Debora Mangrich, a miséria de quem torce fora do Arena por justiça social rápida como a jogada de um atacante.











Nesta outra foto de Debora Mangrich, o menino brinca com um pneu porque furtaram sua bola de futebol. Seu sonho, como o de muitos meninos, é ser jogador. Um dia, ele jogará no Arena pelo Rio Branco contra o Juventus diante de uma arquibancada vazia.

Depois, o craque será vendido para um grande time do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Como é importante o dinheiro público ser aplicado em prioridades sociais.

Café Filosófico, agora eu entendo, não é prioridade.

segunda-feira, abril 06, 2009

Prazer

De Aldo Nascimento

Criado para ser encontro, o Corpo sussurra na pele do ser apaixonado a mais profunda carência. Sozinho, o corpo seria triste porque negaria sua própria natureza, que é se sentir, sentindo-se, em outro corpo. O Prazer nos alegra!

E é assim que a desejo e é assim que, aos poucos, me aproximo. Em gestos delicados, condenso agora toda emoção em um toque, mas, antes que eu a tocasse, precipitei-me em suor. As mãos gelaram-se. Meu Corpo, orgulhoso, estremeceu-se. Ao te tocar, perceba: fragilizo-me.

Sim, eu sinto. Mais: por meio de ti, eu me sinto. Se não fosse você, sozinha, eu desconheceria a desmedida de minha felicidade, que é, sob os desvios de tuas carícias, sentir minha carne suavizar-se.

Tua pele... na minha... minha carne, já molhada e febril, confessa: ofereces a mim o prazer de estar onde sempre desejei estar – em teu Corpo, lugar-carne que me acolhe; extrai de mim a certeza de que estou viva, imensa, alegre. Quase infinita.

Perceba. Sou oferenda entregue a essa humana carência de ser desejada por ti. Feliz carícia que desliza. Fragiliza-me. Retira-me da solidão. Por causa de ti, faço-me presente para não mais, a mim, pertencer. Olhe, escute-me, eu o amo!

Imerso em suor e entre gemidos, eu, também, a amo, mais ainda quando meu Corpo está em transe, mais ainda quando minha carne se declara insana. Corpo que se contorce. Agiganta-se. Foge ao controle. Rebela-se. Transpira. Geme. Grita. Exagera.

Já pressinto o gozo, sensação de que irei, por alguns segundos, me desencarnar. Minha carne já pode sentir o sabor suado dessa vertigem. Quando gozamos, tenho a impressão de que somos lançados ao não-lugar, restando a essa breve viagem fechar os olhos e... hummmmmmmm! Deus, Deus, milagre!

Agora, após o êxtase, meu Corpo, cansado e feliz, tomba sobre o teu, e, ao teu ouvido, sussurro que, sem você, eu jamais poderia sentir, sozinho, o que senti em minha carne e em meu espírito. Tu foste o caminho por onde cheguei, mais sensível, a mim mesmo. Por meio de ti, sou devolvido a mim muito mais feliz. Só o Outro, você, essa minha diferença, possibilitou o excesso.

Saboreando tua carne, movimentando-me ao seu bel-prazer, vivi a alegria de não mais a mim pertencer. Fui teu. Saborosamente, teu.

sexta-feira, abril 03, 2009

Conselho de Turma













À mesa, professores e alunos no Conselho da Turma 2A. Desde 2004, tenho defendido a criação dos conselhos de disciplina e de turmas, mas uma ideia só vinga quando amigos com-par-tilham-na. Amigo que é hoje coordenador de ensino (professor Gleidson). Amiga que é hoje gestora escolar (professora Osmarina).

Nesta foto, nossa primeira reunião. Pauta: falta e comportamento inadequado de alunos. De forma coletiva, registramos as faltas em cada disciplina para entregá-las ao coordenador.

Destaco a presença de duas alunas: Raíssa e Paloma. Alunos sérios são capitais nestas reuniões, porque poderão apresentar problemas que envolvem a relação entre professores e alunos. O conselho não deve se reduzir a professores que só reclamam de alunos. Alunos devem e podem exigir qualidade de ensino de forma ética, justa e sensível nos conselhos. E mais: os conselhos devem ser filmados para que alunos exponham essas reuniões em seus blogues escolares.

Democracria implica também claridade, ou seja, os professores devem ser expostos por meio da tecnologia. Acima de tudo e de todo, o bem da escola pública, isto é, debater ideias e fazer com que sejam cumpridas.

quinta-feira, abril 02, 2009

Depois da campanha...












nunca mais vi Bocalom, do PSDB, em um ônibus. O que é "política".

Pronome

Ênclise não ocorre com verbos no particípio

Por Thaís Nicoleti

"Pelo fato de seu filho ter andado com a arma, levado-a à escola, exibido-a, o pai do adolescente poderá ser acusado de negligência."

Segundo os princípios da colocação pronominal vigentes na norma culta do português, a ênclise (pronome átono depois do verbo) não ocorre em duas situações: com as formas verbais conjugadas no futuro (do presente ou do pretérito) e com os particípios.

Vemos, no fragmento em questão, o emprego da ênclise com o particípio, opção do redator para evitar a repetição do verbo auxiliar. Ocorre que o verbo auxiliar (no caso, o "ter") não pode ser suprimido nesse caso exatamente porque é a ele que se prende o pronome átono.Também não ficou boa a relação entre os termos "filho" e "pai" na frase.

Do modo como foi redigido, o texto afirma que o "filho do pai do adolescente" fez algo. Abaixo, a colocação pronominal corrigida em duas construções possíveis (o leitor pode, é claro, encontrar outras formulações adequadas):

Pelo fato de seu filho ter andado com a arma, tê-la levado à escola e tê-la exibido, Fulano de Tal poderá ser acusado de negligência.

Pelo fato de o jovem ter andado com a arma, tê-la levado à escola e tê-la exibido, seu pai poderá ser acusado de negligência.

terça-feira, março 31, 2009

Entre o “e” e o “i”

De Aldo Nascimento

Na última terça-feira, dia 24, publiquei neste jornal o artigo “Acreano, uma mentira morfológica", onde, de forma muito detalhada, expliquei o porquê de escrever acriano. Sobre isso, uma pessoa disse-me: “Tanta pobreza neste Estado e pessoas perdem tempo com algo que já foi decretado pelo presidente da República”, criticou. “Isso é insignificante.”

Concordo, é insignificante, não será por causa de um fonema (unidade mínina não significativa) que a memória e a identidade de uma gente se perderão. Todavia, por outro lado, entre o “e” e o “i” oculta-se uma palavra que deveria nos ensinar: escola. Saber escrever depende, primeiro, dela.

Quando políticos defendem “acreano” em um blogue - sim, aportuguesei - da Assembleia Legislativa do Acre, eles menosprezam o ensino de Língua Portuguesa na escola. Um professor, caso tenha boa formação acadêmica, lecionará a morfologia correta, qual seja: acriano. Mais: afirmará que Francisco Mangabeira, por desconhecimento, quando registrou acreano no belo hino, cometeu um erro morfológico. Não cabe à Assembleia Legislativa, portanto, ser escola.

Assim como um bom professor de História não admite diante de alunos que houve revolução acreana, um bom professor de Língua Portuguesa não pode ensinar a seus pupilos que “acreano” representa o vernáculo. “Acreano” foi um desvio morfológico cometido pela ignorância, verdade mantida pelos usuários, ou seja, verdade fora da palavra.

A língua, entretanto, eu seu, vive de seu próprio erro. Se a comunidade registrou “gols” ao longo do tempo, quem se atreve a escrever “goles” ou “gois” em uma matéria esportiva? A própria preposição surgiu do latim impuro, vulgar, ou seja, surgiu do erro. Regências verbais não são fixas, digo, são vivas e, por causa disso, transformam-se no tempo. Se dizemos obedecer ao pai, podemos dizer também obedecer o pai; mas, dependendo do lugar, falamos obedecer ao pai e não obedecer o pai.

Como desvio, erro morfológico, “acreano” existe; porém, por não representar o vernáculo, não deveria estar no hino ou em documentos do Estado, porque essa forma se opõe ao saber escolar, à língua padrão, à gramática normativa. Sou favorável a “acreano” desde que permaneça à margem de registros institucionais, de registros oficiais.

Agora, se deputados desejam escrever “acreano” mesmo com o Acordo Ortográfico, escrevam, mas deixe a escola fora disso, porque não é na Assembleia Legislativa que se aprende a escrever.

segunda-feira, março 30, 2009

Tanto por muito pouco

Nesta terça, a assessoria da deputada federal publicou matéria nos jornais acrianos. Neste blogue, entetanto, há uma diferença: comentarei.

Perpétua Almeida anuncia recurso à ABL
contra gentílico “acriano


“Queremos salvar o jeito acreano de ver o mundo e nos apresentar como um povo consciente de suas verdades, tradições e cultura.” Assim se pronunciou a deputada Perpétua Almeida (PC do B), na tarde desta segunda-feira, no plenário da Câmara Federal, ao confirmar o recurso a ser movido por um grupo de intelectuais e políticos do Acre à Academia Brasileira de Letras contra a imposição do gentílico “acriano”. Desde janeiro, o termo define o cidadão nascido no Estado.

Comentário 1: tanta pobreza neste país e a minha deputada comunista resolve lutar contra o fonema "i". Em seu pronunciamento, eu entendi que, havendo o "i" em "acriano", a minha filha, Lara Velentina, de 11 anos, nascida em Rio Branco, deixará de ver o mundo com o jeito "acriano", além de perder a verdade, as tradições e a cultura de sua terra. Sinceramente, não acredito que uma deputada tenha lapidado algo que não tem a ver com algo. Minha acriana filha não perderá suas marcas caso escreva "acriana".

O recém-criado “Fórum de Defesa da Nossa Acreanidade”, que reúne jornalistas, escritores, historiadores, professores, representantes do Governo do Estado, da Universidade Federal do Acre e da Academia Acreana de Letras, não vê como insubstituível a nova regra ditada pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Afinal, os dicionários brasileiros mais tradicionais, o Aurélio e o Houaiss, embora reconhecendo a grafia com “i” como sendo a mais correta, apresentam como aceitável a grafia com “e”, usada há mais de 100 anos. Ao aderir ao movimento que tenta preservar a grafia tradicional, o próprio governador Binho Marques determinou que seja mantido o gentílico “acreano” em todos os textos produzidos pela Agência de Notícias do Acre.

Comentário 2: penso que não deveria haver uma só forma. Uma pergunta: o que ensinar na escola? Ensina-se o correto, e o correto é "acriano".

Repúdio no mesmo sentido partiu do presidente da Assemblíea Legislativa, deputado Edvaldo Magalhães, que não se considera “acriano”.

Comentário 3: cabe à escola dizer o correto. A assembleia deveria aprovar leis que qualificassem o ensino, pois, havendo qualidade, os alunos escreverão "acriano", o correto.

O recurso
“Vamos recorrer à ABL e, se assim os acreanos preferirem, a este parlamento e até ao Supremo Tribunal Federal”, avisou a deputada, que idealizou a criação do fórum. Não pensem se tratar de um capricho sem fundamento. A nossa Língua é a nossa pátria, como disse Fernando Pessoa. E, ademais, a Gramática tem sido injusta com o Acre. Até hoje, ao consultarmos, no Aurélio, a definição do verbo ‘morrer’, vemos, inquietos, a expressão ‘Ir para o Acre’. Não concordamos, claro, mas aceitamos como se fosse uma licença cultural do Brasil baseada numa época em que as adversidades ambientais matavam aventureiros nordestinos”, disse Perpétua Almeida. “Nasci no Acre, vou morrer acreana”.

Reações
A deputada citou, em seu pronunciamento, reações diversas assinadas por acreanos respeitados que aceitaram compor o “Fórum em Defesa da Nossa Acreanidade”.

“Eu havia decidido ignorar essa reforma. Como escritor, não necessito dela: uso meu idioma, aquele que aprendi de meu povo e que vou aperfeiçoando e adaptando às minhas preferências. É um lindo idioma, com origens diversas”, escreveu o jornalista Antônio Alves.

Comentário 4: respeito Toinho, mas seus equívocos aqui são imensos. Diria mais: são inocentes.

“Quem elabora a evolução, quem faz a língua, contrariando, às vezes, a forma proposta pelos gramáticos e filólogos, é o falante, e este ainda não decidiu nada. E desde que o Acre é Acre sempre se escreveu acreano.”, assinalou a doutora em Língua Portuguesa, professora Luisa Galvão Lessa.

Comentário 5: querida Luísa, na escola, o professor deve ensinar o vernáculo, a forma fixa, pois tal forma pertence à Língua. Cabe ao Estado, acolher a gramática normativa, não os desvios da Língua, cometidos pela Fala.

“Os seringueiros que ocuparam a região a partir das duas últimas décadas do século XIX, pouco afeiçoados ao linguajar indígena não pronunciavam corretamente o nome Aquiry, por isso aos poucos a toponímia indígena foi sendo corrompida. Aquiry, Acri, Acre.”, conta o historiador Marcos Vinícius Neves, presidente da Fundação Garibaldi Brasil.

Comentário 6: sim, há mudanças internas, leis internas na palavra, mas o Estado deve manter em seus documentos a gramática tradicional, porque essa gramática é irmã do discurso oficial.

O fórum
Compõem o fórum, membros do Sindicato dos Jornalistas, Fundação Cultural do Acre, os jornalistas Silvio Martinelo, Toinho Alves e Altino Machado, os historiadores Marcos Vinícius e professor Carlos Vicente, os membros da Academia, professoras Clara Bader, Luisa Lessa e o professor Clodomir Monteiro, Presidente da Academia, o Presidente da Assembléia, deputado Edvaldo Magalhães, entre tantos outros que estão se juntando.

“Que prevaleça a verdade de nossas tradições. Nascemos no leito generoso do Aquiri. Andamos nos varadouros da vida, produzimos borracha com a seiva da seringueira, bebemos da caiçuma, da ayahuasca e nos fizemos fortes para resistir aos ditames da natureza. Domamos o sentimento do medo para poder ouvir na noite longínqua o ronco da onça, o zumbir do carapanã, o deslizar aquático e aparentemente inofensivo do puraquê”, finalizou a deputada.

Comentário 7: o que tem a ver isso com morfologia?

A íntegra do pronunciamento da deputada pode ser conferido no site da parlamentar (www.perpetuaalmeida.org.br).

domingo, março 29, 2009

Ronda Gramatical

Operação Se não Estudar, Apanha
prende deputados acreanos

Ontem, à tarde, policiais do Departamento de Morfologia invadiram o prédio da Assembleia Legislativa do Acre para prender deputados que se opõem ao Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.

Comandada pelo capitão Evanildo Bechara, a operação desarticulou o crime organizado sou acreano. Segundo o capitão, os deputados são muito violentos, cometendo todo tipo de agressão contra a língua portuguesa.

“Eles criam blogues contra policiais acrianos, homens que trabalham para manter a ordem cívica ortográfica. Já os deputados são uns criminosos gramaticais que em seus blogues cometem todo tipo de violência contra a crase, as vírgulas”, observou o capitão Bechara.

Segundo o comando da Polícia Morfológica (PM), todos fazem parte do Movimento meu Povo é Pobre mas é Acreano (MPPA), uma organização que desejava matar todos os professores de Língua Portuguesa que ensinam acriano em sala de aula.

Por causa disso, foram conduzidos à unidade de recuperação Celso Cunha. Nessa unidade de segurança máxima, eles ficarão trancados em uma sala de aula e, de segunda a segunda, aprenderão a Língua Portuguesa com o major Celso Pedro Luft e com o tenente Rocha Lima.

“Isso é para eles aprenderem que deputados não estão acima do decreto de um presidente e, além de tudo, aprenderem que Assembleia Legislativa não é escola”, observou o capitão Evanildo Bechara.

sábado, março 28, 2009

Princesinha perdeu o encanto

Ex-companheira de luta de Chico Mendes
diz que Xapuri passa por seus piores dias

De Gilberto Lobo

Dona Francisca Macedo, de 43 anos, é uma senhora batalhadora e, com todas as dificuldades oferecidas nos anos de combate à expansão pecuarista pelos quais passou Xapuri, cidade símbolo da luta pela preservação do Meio Ambiente, ainda conseguiu ingressar na Universidade Federal do Acre (Ufac), tornando-se bacharela no curso de Geografia.

A ex-secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, participante ativa dos empates da década de 1980, uma das companheiras de luta do ex-líder seringueiro Chico Mendes, também conclui pós-graduação em educação ambiental.

Ela denuncia a situação de abandono pela qual está passando “a princesinha do Acre” e, principalmente, o bairro Sibéria.

Se as coisas estavam ruins antes, agora estão piores. Nunca tivemos tão sozinhos”, lamenta Francisca Macedo.

A professora explica que a Estrada Petrópolis, via de escoamento de vários seringais, está intrafegável, impossibilitando os produtores rurais de levar a produção ao comércio da cidade.

Voltamos ao tempo em que usávamos animais para o transporte. Não há carro para nada, nem para levar os doentes ao hospital.

Lixo e lama

Outro problema denunciado por Francisca é a falta de limpeza pública no Centro de Xapuri e no restante dos bairros. Segundo a ex-secretária de Chico Mendes, o lixo se mistura com a lama das ruas sem asfalto. Em frente às escolas, há depósitos de lixo da prefeitura virados. “Moro no Sibéria, mas trabalho no Centro, passo por esse tipo de coisa todos os dias.

Só a dengue é quem lembra da gente. Os casos aumentam a cada dia. Nos postos de saúde não há remédios. Meus filhos pegaram dengue e tive que comprar os remédio. Não tem nem aqueles pacotinhos de soro”, desabafou dona Francisca.

A professora diz que a população pede uma solução à prefeitura, mas o atual prefeito explica apenas que não há dinheiro. “Ele só vive com choro, dizendo que a prefeitura está falida e não fala de solução.

Na última reunião que tivemos com o prefeito, ele não mostrou nenhuma saída. E se antes estava ruim, agora está pior. Essa é a nossa pior fase. Só queremos que o atual prefeito faça alguma coisa pela gente”, ressaltou Macedo.

Nesse período de chuvas, os extrativistas xapurienses não podem cortar seringa e nem coletar castanha. O resultado é a falta de dinheiro e condições mínimas de sobrevivência, de acordo com a especialista em educação ambiental.

quinta-feira, março 26, 2009

Muito índio

Montagem de Werverton Silva











Um dos bons valores que o Acre ofertou a mim foi o vegetal. Bebi pela primeira vez em Cruzeiro do Sul, o município mais lindo deste Estado e um dos mais atrasados politicamente.

Depois de sentir o que senti, igrejas de pastores e de padres não se comparam ao céu sul-cruzeirense e muito menos seus sermões, que não se comparam aos de Antônio Vieira, encantam como as vozes interiores que a bebida proporciona.

Nativos amazônidos, esses sim sabem o que é religiosidade.