quinta-feira, abril 15, 2010

O Sinplac não aprende

Não houve aula hoje na escola Heloísa Mourão Marques por causa da paralisação do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac. Marcada para as 8 horas, a assembleia deu sinal de vida somente 15 minutos antes das 9 horas. Esperei 1 hora.

Depois de tanto falatório inútil - houve pouca exceção -, formou-se uma comissão para negociar com o governo da Frente Popular. Às 12h20, terminada a negociação, a presidente do Sinplac informou que o governo se recusou a repor as perdas salariais.

Segundo o Sinplac, há 5 mil professores filiados, mas nem 10% deles encontravam-se na assembleia. Mesmo assim, mesmo sendo minoria da minoria, os professores votaram a favor de uma "greve". Já assisti a esse filme.

Se uma minoria vota pela maioria, qual pode ser o resultado disso? O Sinplac não aprende e, por isso, reproduz como autômato práticas inúteis de luta sindical, por exemplo, uma minoria vota por todos.

Penso que, em cada escola, deveria haver uma urna para que o professor votasse a favor ou não de uma greve. Dessa forma, a votação seria expressiva para negar ou afirmar uma paralisação. Preso a uma prática ilegítima, isto é, uma minoria é a voz de todos, o Sinplac se condiciona a não renovar o atual modelo sindical, repetindo as formas do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac.

Por causa de sua atual estrutura, o Sinplac não conseguirá êxito com essa "greve". Nem todos aderiram. A forma como organiza os professores e como se organiza é um erro. Um dia parado equivale-se a um dia de reposição de aula.

O tempo mais uma vez denunciará o fracasso dessa "greve". O Sinplac não aprende com o tempo.

quarta-feira, abril 14, 2010

O salário da educação estadual

No Acre, em início de carreira, o professor recebe hoje R$ 1.675,79, o bruto, para lecionar em cinco turmas, 30 horas-aulas.

Em 30 anos, um educador receberá R$ 3.184,00, 30 anos depois.

Em 2005, o professor recebia R$ 1.400,00. Três anos depois, R$ 1.675,79, o bruto. Em três anos, portanto, um aumento de R$ 275,79.

E dizem que a situação do professor no Acre é boa. Deus é testemunha!!!

sábado, abril 10, 2010

Que o anjo do Senhor os mate

As cenas trágicas em Niterói, segundo informações da imprensa, foram causadas pelos políticos do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. A eles, dedico estas palavras.

Seus pulhas com fantasias de terno e gravata, suas línguas de promessas deveriam estar sob os escombros do Morro do Bumba porque suas vidas inúteis de homens públicos valem menos do que o lixo que soterrou inocentes e pobres.

Canalhas, marginais protegidos por suas leis, eu sei que o Mal não se manifesta em igrejas e nem se chama diabo, mas se senta em assembleias legislativas e em câmaras de vereadores para ser chamado de autoridade.

Irmãos da injustiça social e da miséria, vocês desobedecem a Deus porque são inimigos do Senhor. Sendo assim, "por chuva da tua terra, o Senhor te dará pó e cinza; dos céus, descerá sobre ti, até que sejas destruído". E, uma vez destruído o diabo-político, "o teu cadáver servirá de pasto a todas as aves dos céus; e ninguém haverá que os espante", diz a mim Deuterônimo 28, versículos 24 e 26.

Enquanto esses malditos legislaram em causa própria regalia, conforto, patrimônio, riqueza, uma avalanche de descaso público assassinou assalariados, pais de assalariados, filhos de assalariados, avós de assalariados.

Pior do que permanecerem impunes, é saber que seus ternos e suas gravatas ainda vivem. Autoridades, vocês são mais úteis mortos, sem missa de sétimo dia e sem sepultamento digno. Cova rasa e coletiva com o lixão do Morro do Bumba.

Que o anjo do Senhor crave a espada de sua ira em suas bocas e, somente depois disso, dessa morte redentora, Niterói festejerá sobre seus túmulos.

quinta-feira, abril 08, 2010

Esses sindicalistas não aprendem

Terminou a greve do professores de São Paulo. Mais uma vez, os sindicalistas escrevem na lousa a palavra fracasso. Velhas práticas não respondem ao século 21.

Segundo o UOL, no final da quarta-feira (7), a Apeoesp reconheceu que caiu a adesão à greve. Em reportagem da Folha de S. Paulo, a presidente afirmou: "Tenho de admitir que a adesão diminuiu", disse Maria Izabel Noronha.

Segundo o levantamento da entidade, a paralisação chegou a abranger 63% dos docentes em março. Para a Secretaria da Educação, nunca atingiu 1%. O sindicato não divulgou novo balanço de paralisação. Afirmou apenas que há "significativos índices de adesão, afetando todas as regiões do Estado".

Desde o início da paralisação, o governo tucano diz que não negociará enquanto os grevistas não voltarem ao trabalho. "O governo se mostra intolerante. Com esse panorama, as pessoas vão desanimando", afirmou a líder sindical.

No Acre, sindicalistas da educação estão mortos e não sabem. Foram sepultados em uma cova rasa e coletiva da burrice.

Os blogues da escola HMM

Diretora-professora Osmarina, estou fascinado com os blogues que alunos da escola Heloísa Mourão Marques criaram. Minha nossa, uma mistura de beleza com inteligência, imagens de puro gosto e de impuras inquietudes.

Alguns professores permanecem com apodrecidas práticas em sala, mas os alunos criam mais do que seus mestres. Que juventude!!!

Osmarina, bem que a sua direção poderia premiar os melhores blogues da escola. Os caras estão mandando bem!!! As garotas estão destruindo!!!

Parabéns, vocês são... são... apaixonantes!!!

quarta-feira, abril 07, 2010

Um currículo homossexual


Conae - Livros didáticos e escolas terão de incluir temática LGBT

Escrito por Portal UOL - Simone Harnik

Quinta, 01 de Abril de 2010

Os temas sobre orientação sexual e homossexualidade terão de aparecer nos livros didáticos e nas salas de aula. Pelo menos, foi essa a decisão da Conae (Conferência Nacional de Educação), que acontece em Brasília até quinta-feira (1º).

Segundo o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, o movimento LGBT está satisfeito com a conferência. “Saímos vitoriosos. Se o país cumprir o que foi aprovado, a homofobia na escola está com os dias contados”, afirma.

A Conae pretende traçar diretrizes para a educação do país, que podem ser incorporadas no Plano Nacional de Educação. É este plano que define o que será prioridade no ensino brasileiro nos próximos dez anos.

Além da presença nos livros escolares, a temática LGBT deverá ser ensinada nas faculdades e cursos de formação de professores. Além disso, de acordo com Reis, a conferência definiu que o livro didático não poderá ter conteúdos que discriminam homossexuais. “É o fim das piadas sobre gays nos livros”, diz.

Propostas LGBT na conferência

O movimento LGBT levantou três propostas na Conae: o fim da homofobia na escola; que travestis possam usar o nome feminino nas salas de aula; e que a discriminação a homossexuais seja considerada crime no Brasil. “Hoje temos uma preocupação especial com a situação das travestis, que são as que sofrem mais discriminação na escola”, acrescenta.

Segundo Reis, entidades nacionais apoiaram os projetos, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras).

Agora a ABGLT pretende utilizar a decisão da Conae como uma referência para pressionar por mudanças. “Queremos avaliar, monitorar, e acompanhar de forma propositiva as políticas públicas”, diz Reis.

A revolução que faltou ao encontro

Postaram estas palavras, elas se referem à "Revolução do PT faltou ao encontro", texto escrito por mim. Escreve-se:

Além disso, outras questões para as quais o PT fez-se de cego e surdo em relação à educação:

* Elaborar e fazer circular material didáico regionalizado;
Esta questão é muito interessante. Os currículos regionais partiram do governo federal e, até hoje, a Secretaria de Educação do Acre, administrada pela Frente Popular há quase 12 anos, jamais rascunhou uma possibilidade.

Não temos, por exemplo, uma produção textual de alunos analisada pelo próprio corpo docente da área que leciona na escola, ou seja, o que ocorre na escola não se transforma em material didático.

* Promover nas escolas o "tempo do diálogo", pois a falta disso tem-nos feito emburrecer a cada dia;
O cotidiano escolar permanece congelado com práticas carcomidas pela tristeza de lecionar, pela ausência de reflexões. Uma observação irônica: o emburrecimento também alegra as pessoas.

* Premiar os bons alunos, não de forma esporádica, mas como programa permanente e contínuo;
A escola pública acriana é o lugar perfeito onde não se reconhece o melhor aluno.

* Estabelecer para a escolha dos coordenadores das escolas não o critério político ou do apadrinhamento, mas sim o da inteligência e o da competência.
Há 12 anos na rede pública estadual de ensino, nunca conheci coordenadores de ensino que transpirassem um pouco de inteligência. Peças indicadas por direções arbitrárias e incompetentes, os coordenadores de ensino fazem parte de uma paisagem sem cor, sem vida, sem paixão para transformar o ensino-aprendizagem.

Se a coordenação de ensino deveria ser o cérebro da escola, ela sempre foi anencefálica, fútil, tola, cômoda, preguiçosa. Não me refiro à escola Heloísa Mourão Marques, hoje.

Senhores, não estamos nos céus, isso aqui não é a Suíça, a escola pública não é Assembleia Legislativa e o PT jamais revolucionou a educação pública. As coisas estão apenas em sua enfadonha ordem.





segunda-feira, abril 05, 2010

Que livro!

Cara, certos autores merecem nossos olhos, merecem nossa atenção. Seu texto exala um perfume poético incomum embora tenha sido escrito por um filósofo. Eu o conheci há oito anos, digo conheci no sentido de ler suas palavras.

Depois, em 2006, eu o reli. Deixei no livro marcas de minha leitura e, após quatro anos, meus olhos debruçaram-se outra vez sobre o parapeito de suas palavras para ver melhor a paisagem, o mundo, a vida.

Hoje, 2010, abro outra vez a janela. Sensual, envolvente, sensível, charmoso, meus olhos são seduzidos mais uma vez por ele, este francês, homem esguio que sabe ser fino com as palavras; que escritor, sim, seu nome, este: Maurice Merleau-Ponty. O livro, A prosa do mundo, de 1969.

Bom apetite!

Leia isto:

"Mas o livro não me interessaria tanto se me falasse apenas do que conheço. De tudo que eu trazia ele serviu-se para atrair-me para mais além. Graças aos signos sobre os quais o autor e eu concordamos, porque falamos a mesma língua, ele me fez justamente acreditar que estávamos no terreno já comum das significações adquiridas e disponíveis. Ele se instalou no meu mundo. Depois, imperceptivelmente, desviou os signos de seu sentido ordinário, e estes me arrastam como um turbilhão para um outro sentido que vou encontrar."

sábado, abril 03, 2010

A revolução petista faltou ao encontro

Muito acima de partidos e de militância, existem ideias que só desejam ser livres, porque não suportam as grades da obediência inútil ou as cadeias superlotadas da adulação. Como coro de anjos, jornalistas colocam a educação pública acriana nos céus. Mas anjos são mentiras.

Nesses 12 anos de Partido dos Trabalhadores no Acre, o PT não revolucionou a educação pública embora políticos da Frente Popular acreditem nisso. Mas é muito fácil crer nesse mito quando político não leciona em salas sem ares-condicionados e quando muito menos recebe salário de professor.

Tanto não revolucionou que seus filhos não estudam em escola pública. O modo petista de governar, nesses 12 anos, não deslocou os filhos da classe média ou dos políticos às salas do ensino público. Deputados e vereadores trabalham pouco e recebem muito para colocar suas crianças em ótimas escolas particulares daqui e fora daqui.

Neste ano, a inteligência humana se apequenará por causa da campanha política. Trata-se de um momento em que a vida perde sentido porque as boas ideias ficam suspensas, por exemplo, as boas ideias sobre educação pública.

E o PT acriano contribui para isso, deixando de pensar nisto:

1) Após 12 anos, o partido não colocou as escolas estaduais na rede de computadores, fazendo com que o professor lance nota como há mais de 50 anos;

2) O atual modelo de democracia escolar não escolhe o que é melhor para o erário, mas legitima conveniências de grupos que visam ao corporativismo e não ao bem público;

3) O tempo do aluno na escola deve ser integral;

4) Se o PT quer qualidade de ensino, deve pensar também que o professor com um contrato deve ter duas turmas, sendo que em cada turma deve haver no máximo 20 alunos;

5) Se educação é prioridade, um professor não pode iniciar sua carreira no Estado com menos de R$ 1.500,00 por mês, lecionando para 5 turmas;

6) É preciso criar na rede pública de ensino os conselhos de disciplina e de turma;

7) O PT precisa instituir nas escolas uma forma de os melhores alunos avaliarem seus professores;

8) Os cursos de aperfeiçoamento para professor são infecundos, impróprios, ineficientes, não passando de um gasto público desnecessário;

9) No lugar desses cursos, a escola de magistério, ideia criada pelo PSDB de São Paulo.

Narciso, olhando para sua própria imagem, diz que é belo. O PT é perfeito. A educação pública acriana é revolucionária.

Este blogue é que não sabe o que escreve sobre educação embora seu autor lecione na rede pública estadual há 12 anos.

quarta-feira, março 31, 2010

O Homem que eu Amava

De Aldo Nascimento

Nesses meus anos, jamais ouvi um homem afirmar que ama outro homem. Quando criança, quando adolescente, o sexo masculino aprende na rua a bater em outra criança, em outro adolescente.

Assim, pelas mãos rudes de ser macho, esculpimos em nós a negação do sensível. Entre homens, não se propaga “eu te amo”, por isso somos homens.

Entretanto, contra essa violência de “não dizer eu te amo”, exponho neste blogue o meu amor pelo Homem, entenda, não confesso aqui o Amor pelo “meu homem”, mas meu Amor pelo Homem, porque eu não amaria qualquer homem. O Amor, sabemos, exige qualidade.

O Homem a quem me refiro encarnava qualidades. Alto, corpulento, olhos azuis, a sua beleza, entretanto, não morava na casa das aparências ou na superfície vã de sua imagem. A lembrança eterna do Amor não habita na pele perecível mas nela: a Alma.

Que Alma grandiosa esse Homem tinha! Generosas como criança, suas mãos delicadas sempre se estendiam para acolher seu semelhante. Sempre.

Quando eu o conheci em 1992, ele apareceu no alojamento da faculdade de Cruzeiro do Sul para me convidar a almoçar em sua casa. Ofertar o alimento, eu o conheci como oferenda, como quem se oferece como amigo.

Ontem, recebi a notícia de que o Homem que eu amava faleceu. Existe o Amor de pai. Existe o Amor de filho. Existe o Amor de esposa. Existe também o Amor de amigo. O médico Matheus foi meu amigo-irmão, um ser humano raro, Homem por quem eu tinha carinho, ternura, respeito. Amor.

terça-feira, março 30, 2010

Soneto do Amor Total












Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

domingo, março 28, 2010

Melhor a tradição

No dia 21 de março, recebi uma aluna de uma escola pública acriana. Ela pediu transferência depois de um mês.

Olhei seu caderno e não havia sequer uma redação. No segundo do ensino médio, ela não tinha refeito um texto em sala.

Para não ficar só nisso, as aulas de literatura não têm relação com os atuais parâmetros curriculares. Li no caderno o nome Gonçalves Dias e suas características, e chamam isso de literatura. Pior ainda é que a escola, dizem, é modelo.

A aluna sai de uma escola e, quando entra em outra escola pública, percebe que não há relação de conteúdo entre as duas unidades de ensino. O sistem não funciona.

Se é para permanecer assim, melhor retornar ao modelo clássico de currículo formal.

sábado, março 27, 2010

Renato, o Russo

Neste domingo, irei a muitas igrejas para pedir a Deus que devolva a certos jovens o bom gosto musical. Perderam o paladar auditivo, por isso ouvem os ruídos de Cavaleiros do Forró, de Calcinha Preta, de Dejavu, de Aviões do Forró. Que o Senhor tenha piedade de seus tímpanos!!!

Creio que esse mau gosto ou mesmo a falta dele é coisa do diabo, só pode ser. O tinhoso se apossa da audição e, no interior do ouvido, age em nome de um horrendo pecado sonoro.

Oremos! Rezemos!
Para que o mal saia de seus tímpanos, para que a salvação eleve e leve-os a boas letras, a bons ritmos, a boas harmonias, peço ao Senhor que neste dia esses jovens sintam as letras de Legião Urbana na voz inconfundível dele, Renato Russo, que hoje chegaria ao mar inquieto de seus 50 anos.

Saia, diabo, desses ouvidos porque eles não te pertencem!

terça-feira, março 23, 2010

De objeto a signo

Lembro-me das aulas de gramática em minha adolescência. Lá estavam os termos em condições de sujeito, de objeto direto preposicionado. Analisávamos. Classificávamos. Estudar a língua portuguesa assemelhava-se à matemática: analisar.

Analisávamos porque as palavras eram objetos, não pertenciam à vida, ao sentido. Distantes de nós, elas eram sujeitos e predicados, porém sujeitos e predicados não existiam nas ruas, em casa, nos livros, nas poesias de Drummond; sujeitos e predicados existiam somente na escola.

Revisitando Proust e os Signos, de Gilles Deleuze, onde os signos não são objetos, o autor me diz que "alguém só se torna marceneiro tornando-se sensível aos signos da madeira". Em Deleuze, a arte e a filosofia, Roberto Machado abre ainda mais meus olhos quando afirma que "o sentido, ou a essência, vive enrolado no signo, no que nos força a pensar, e só é pensado quando somos coagidos ou forçados".

Escrever jamais foi sujeito oculto.

domingo, março 21, 2010

A bebida dos deuses

O caderno Mais!, da Folha de São Paulo, publicou um ótimo texto sobre ayahuasca. Leia-o!

A viagem
Autora de "Fumaça Negra", musicóloga Margaret de Wys diz que os médicos não acreditam que tenha se curado com hoasca; feito de cipó e arbusto, chá alucinógeno lança altas doses de serotonina no sistema nervoso central

A hoasca confere status de realidade às experiências interiores

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

O poder da ayahuasca sobre a vida de uma pessoa pode ser devastador -em geral, para o bem. A americana Margaret de Wys que o diga. Depois do contato com a bebida alucinógena originária da Amazônia, conhecida no Brasil como hoasca, sua carreira de compositora sofreu um baque e o casamento acabou, mas ela se curou de um câncer de mama.

O tumor havia sido diagnosticado em 1999. Com simpatia pelo xamanismo, De Wys (pronuncia-se "di uaiz"), rumou para a Guatemala. Queria buscar uma cura entre os participantes de uma cerimônia maia de caráter ecumênico, com curandeiros de vários países. Ali encontrou o equatoriano Carlos e, por suas mãos, a hoasca.

"Eu enxergo dentro de você -suas veias, seus órgãos, seu sangue, suas células", anunciou-lhe Carlos, da etnia shuar (ou jivaro), na cerimônia em que beberam o preparado do cipó Banisteriopsis caapi e das folhas de Psychotria viridis.

"A fumaça negra está presa em seu peito. Venha para o Equador e eu a curarei."

"Black Smoke - A Woman's Journey of Healing, Wild Love, and Transformation in the Amazon" (Fumaça Negra, ed. Sterling, 240 págs., US$ 19,95, R$ 36) é o título do livro que a professora do Bard College, de Nova York, publicou há um ano sobre "a jornada de cura, amor selvagem e transformação de uma mulher na Amazônia", como diz o subtítulo.

"Carlos" é um nome fictício que ela deu, na obra, à sua paixão sul-americana. Após a publicação, De Wys passou a organizar pequenos grupos de americanos para conhecer os poderes do shuar (a primeira viagem, em fevereiro, tinha cinco pessoas).

Entre a Guatemala e o Equador, ela se submeteu a uma lumpectomia (retirada de tumor e tecidos adjacentes) nos EUA. Não seguiu, contudo, o tratamento prescrito pelos médicos americanos: seis semanas de radioterapia e cinco anos do antitumoral tamoxifeno.

"Fico aterrorizada com remédios ocidentais", diz, "por causa dos efeitos colaterais".

Todos os anos ela faz exames para verificar se o tumor voltou, e o resultado é sempre negativo. "Você não tem mais nada no peito, não enxergo nada", disse-lhe Carlos há poucos meses, durante sua última visita ao Equador.

"Nem eu", respondeu-lhe a compositora. "Mas os médicos não acreditam em cura."

Na iniciação com "natem" (nome shuar para a hoasca) há dez anos, porém, De Wys viu de tudo. Suas "mirações", como se diz entre praticantes brasileiros do Santo Daime e da União do Vegetal, incluíram entrar na boca de uma sucuri do tamanho de uma garagem.

Numa das alucinações, uma onça macho invadiu o corpo de Carlos, e outra, fêmea, o da americana. "O jaguar em Carlos era selvagem e brutal", contou De Wys à jornalista Roberta Louis em entrevista publicada pela "Bomb Magazine".

Hoje, sua relação com o equatoriano é estritamente profissional, ressalva.

Olhos bem fechados
O poder da hoasca sobre a mente deriva dos potentes alcalóides presentes no cipó B. caapi e no arbusto P. viridis empregados no preparo do chá.

O arbusto é rico na substância alucinógena dimetiltriptamina (DMT), que não tem efeito quando ingerido. Mas a DMT conta com a ajuda da harmina e da harmalina do cipó para chegar ao sistema nervoso central, onde juntas iniciam a subversão da consciência.

O mecanismo básico é uma inundação de serotonina, neurotransmissor com múltiplos e complexos efeitos no corpo e no cérebro.

Pessoas deprimidas, por exemplo, costumam ter baixos teores de serotonina. A fluoxetina (Prozac) consegue melhorar sua vida porque impede a recaptação (retirada) do neurotransmissor no espaço livre entre os neurônios, reforçando a comunicação entre eles.

Há uma tradição de pelo menos duas décadas de pesquisa sobre a hoasca no Brasil.

Uma equipe de dez neurocientistas da USP de Ribeirão Preto, do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e do Centro IBM JB Watson (Nova York) tem apresentado em congressos um trabalho com algumas revelações surpreendentes sobre a beberagem. Seis deles já experimentaram a hoasca.

Draulio de Araujo, Sidarta Ribeiro e seus colegas trabalharam com dez usuários frequentes do chá. Todos eram membros do grupo de Mestre Pelicano (irmão do cartunista Glauco) em Ribeirão Preto. O manuscrito tem o título "Vendo com os Olhos Fechados".

O grupo de pesquisa registrou imagens de atividade cerebral obtidas por ressonância magnética funcional durante tarefas visuais antes e depois da ingestão de 0,2 litro do chá.

A tarefa tinha três passos: contemplar uma imagem familiar por 21 segundos, depois fechar os olhos e imaginar a foto mostrada, e, por fim, olhar uma versão embaralhada da mesma imagem.

Três testes psiquiátricos padronizados avaliaram sintomas psicóticos, despersonalização/desrealização e sintomas maníacos dos participantes. Como era de esperar, todos tiveram aumento de sintomas depois de tomar o chá.

Todos também relataram aumento da capacidade de imaginação no segundo passo da tarefa, com as cenas tornando-se muito mais vívidas e reais -apesar dos olhos bem fechados. As áreas cerebrais mais ativadas estão associadas com a recuperação de memórias episódicas (fatos, lugares, pessoas), a ação intencional e o processamento visual.

Sua ordem unida, contudo, é reorganizada pela hoasca. Na vigília sem o chá, sensações interiores são intencionalmente interpretadas à luz de memórias e servem de base para a ação, a cada momento.

Revelações místicas
Sob a ação do chá, a imaginação chega ao poder, de certo modo, com a área visual primária (BA17) tomando a dianteira da ativação das áreas frontais envolvidas na vida consciente. Nessa sequência, as imagens compostas pela imaginação sem peias aparecem para a mente como fatos.

"A hoasca confere status de realidade às experiências interiores", resumem os neurocientistas. "É compreensível, portanto, por que a hoasca foi culturalmente selecionada ao longo de muitos séculos por xamãs da floresta tropical para facilitar revelações místicas de natureza visual."

"As mirações são tão reais quanto a percepção visual de elementos externos, pelo menos no que diz respeito à modulação observada no sistema visual primário", explica Draulio de Araujo.

"Foi uma baita surpresa", afirma Sidarta Ribeiro. "Esperávamos que as áreas frontais assumissem a liderança."

Tais conclusões, no entanto, "explicam" (aspas de Ribeiro, em comunicação por e-mail) como ocorrem as mirações, sem excluir nem confirmar interpretações místicas.

-----------------------------------------
No Brasil, a hoasca foi retirada em 1987 da lista de substâncias proibidas
É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína

-----------------------------------------

Na tradição de pesquisa sobre a hoasca, ganhou fama um artigo publicado em fevereiro de 1996 por cientistas brasileiros, americanos e finlandeses no periódico "The Journal of Nervous & Mental Disease".

Tinha como primeiro autor Charles Grob, da Universidade da Califórnia.

Era tudo de bom: 15 usuários do chá na União do Vegetal, comparados com 15 não usuários no grupo de controle, se mostraram mais reflexivos, leais, estoicos, frugais, ordeiros e persistentes. E ainda mais confiantes, relaxados, otimistas, despreocupados, desinibidos, enérgicos...

O estudo chegou a ser usado em tribunais americanos na batalha iniciada em 1999 por Jeffrey Bronfman em favor da legalidade da hoasca. Representante da União do Vegetal nos EUA e um dos herdeiros do império Seagram de bebidas alcoólicas, Bronfman teve três tambores da bebida confiscados como droga ilegal.

O caso só se encerraria em fevereiro de 2006, quando a Suprema Corte confirmou decisões anteriores determinando a devolução da hoasca e a legalidade de seu uso em contexto religioso.

No Brasil, a hoasca foi retirada da lista de substâncias proibidas em 1987, e a decisão sofre contestações desde então. No entanto, foi reconfirmada em 25 de janeiro deste ano pela resolução nº 1 do Conad (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas).

Apesar do reconhecimento da legitimidade do uso religioso do chá, parece haver consenso de que se trata, sim, de uma droga. "Certamente, como o LSD, a maconha, o álcool e o café", afirma o neurocientista Sidarta Ribeiro.

"É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína, pois não há overdose conhecida, nem adição [vício] pronunciada."

Potencial perturbador
Henrique Carneiro, especialista em história de alimentos e bebidas da USP, concorda que o chá não é fisiologicamente perigoso: "Psicologicamente, depende. É uma substância com potencial perturbador para quem não é experiente, ou dependendo do ambiente -um ambiente sereno tende a garantir boas experiências".

Para Ribeiro, a hoasca não deve ser dada a quem estiver no limiar de psicose, grávida ou for criança. "Pessoas com tendências psicóticas? Mentes frágeis? Esquece!", sentencia De Wys, que não admite gente desse tipo em seus grupos.

Mas ela sustenta que Carlos já curou esquizofrenia com a hoasca -e até gangrena.

Seu fascínio pelas curas que evita chamar de "miraculosas" -pois, para os xamãs, elas e os espíritos envolvidos fazem parte da ordem natural do mundo- também a trouxe "quatro ou cinco vezes ao Brasil".

Quem a atraiu foi o médium João de Deus, de Abadiânia (GO), mas ela aproveitou para conhecer terreiros de umbanda. Tudo para escrever um novo livro, concentrado em curandeiros do Brasil e da África do Sul.

Para a americana, Carlos e João de Deus, de certo modo, têm práticas similares, na medida em que se comunicam com espíritos ou os incorporam para realizar as curas.

Há uma grande diferença, porém: Carlos o faz de forma "consciente".

É ver para crer.

sábado, março 20, 2010

Pedagogia, a primeira semana

Na segunda semana de março, minhas aulas na faculdade de pedagogia iniciaram-se com a origem da gramática, tendo como base "Crátilo", de Platão, e "A vertente grega da gramática tradicional", de Maria Helena.

Platão definitivamente submeteu a palavra à condição de objeto, analisando e classificando-a. Não só isso. Como representante da razão clássica, ele, conforme sua concepção de língua, organizou a ação do corpo docente na escola.

Hoje, essa organização inexiste porque o modelo platônico foi desmoronado pela presença do texto e da leitura em sala de aula.

Com o fim da tradicional organização escolar, quando professores lecionavam fonologia, morfologia e sintaxe, o professor de leitura e de texto, passando por momento de crise, precisa se reorganizar fora de sala para fundamentar na prática um novo currículo oculto.

Se a palavra não passava de objeto para Platão, Bakhtin rompe com essa tradição em "Estética da criação verbal".

Bem, clique em Faculdade Euclides da Cunha e leia o conteúdo da aula.

quinta-feira, março 18, 2010

de 28 para 13

Às vezes, transformar significa colocar algo ou alguém em seu devido lugar. Transformar pode ser, portanto, colocar na ordem. Em um passado recente, na escola Heloísa Mourão Marques, as coisas estavam fora do lugar.

Em 2008, a ordem começou a tormar forma, a ter rosto. Nesse ano, houve 28 ocorrências policiais. Um ano depois, 13 ocorrências. Esses números são a consequência de gestora que encarna a imagem da autoridade (antipática). "Uma coisa que eu sei fazer é mandar", disse certa em uma reunião com os professores.

No passado, sem a imagem da autoridade, a violência domesticava alunos e, para evitar essa violência, o policial, não o gestor, é quem colocava ordem. "Hoje, as ocorrências na nossa escola têm mais um caráter educativo", observou a gestora.

Heloísa Mourão Marques é outra...

domingo, março 14, 2010

Makro vende mais barato

Hoje, comprei em dois locais: Makro e Araújo. Sem a menor dúvida, o Makro vende mais barato.

Em Rio Branco, Acre, Araújo e Gonçalves não são mais referências de supermercados que vendem mais barato.

Veja os números.

Nescau
Araújo: R$ 3.79
Makro: R$ 2.76
R$ 1.03

Azeite Galo
Araújo: R$ 17.59
Makro: R$ 15.45
R$ 2.14

1 quilo de açúcar
Araújo: R$ 2.44
Makro: R$ 2.37
R$ 0.07

Papel higiênico
Araújo: R$ 6.50
Makro: R$ 5.56
R$ 0.94

Sabão líquido
Araújo: R$ 0.98
Makro: R$ 0.94
R$ 0.04

Sabão em pó
Araújo: R$ 2.99
Makro: R$ 2.39
R$ 0.60

Amaciante
Araújo: R$ 5.35
Makro: R$ 3.99
R$ 1.36

Atum
Araújo: R$ 4.69
Makro: R$ 3.96
R$ 0.73

Ingrediente de feijoada
Araújo: R$ 10.69
Makro: R$ 7.50
R$ 3.19

Arroz Urbano
Araújo: R$ 12.98
Makro: R$ 9.55
R$ 3.43

Macarrão
Araújo: R$ 1.79
Makro: R$ 1.69
R$ 0.10

Sulco Dell Vale
Araújo: R$ 4.49
Makro: R$ 3.58
R$ 0.91

Só com esses produtos, a economia chega a R$ 14.54. Com essa sobra, compra-se mais de 1 quilo de alcatra.

quinta-feira, março 11, 2010

A democracia é 10

Há mais de uma semana, um cartaz do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado do Acre, o Sinteac, encontra-se colado na entrada da escola Heloísa Mourão Marques, ao lado externo da porta da sala dos professores.

No cartaz, o corpo docente é convocado a uma paralisação.

O sinal toca, e os alunos caminham às salas. Enquanto isso, os professores reúnem-se para aprovar em cima da hora uma paralisação. O cartaz estava colado há dias, há mais de uma semana.

Votos contados, dez professores aprovam a paralisação. Os alunos retornam às suas casas.

"Tudo bem que a maioria votou a favor, mas o cartaz está na escola há dias e só agora vocês se reúnem para não haver aulas quando os alunos já estão em sala, isso é uma desconsideração pelos alunos", disse a professora-diretora Osmarina.

Minha crítica

Vindo do grego krinein, "crítica" implica julgamento. Interessante observar que "julgar" tem a mesma origem de "judiciário". "Criticar" significa, segundo Houaiss, "avaliar", "ponderar".

Escrita, lanço minha crítica aos olhos de dez professores que votaram, conforme eles acreditam, em uma paralisação. É preciso considerar, no entanto, que a paralisação da educação não se assemelha à paralisação bancária. Esta não repõe os dias parados. Aquela adia o fim do ano letivo à medida que o professor não leciona.

Parece ser uma verdade absoluta: o professor para um dia e, depois, repõe a aula. Nesse sentido, que pressão a rede pública de ensino pode exercer sobre a secretaria se está garantida a reposição de aula? O ano letivo será atrasado, mas isso é problema dos professores.

Pois bem, pessoas que passaram por uma faculdade votaram em uma "reposição de aula" porque estão convictas de que, com essa "paralisação", o sindicato pressionará o governo. Serei eufêmico: pouco inteligente. Paralisação ou greve de escola pública não passa de um erro crasso contra o bom senso.

Democracia

Entre nós, o critério da democracia é o número, ou seja, a maioria, neste caso, 10 professores votaram a favor da paralisação. Mas será isso democracria? Será democracia o desejo de uma maioria?

Democracia não é a maioria se manifestar, mas a melhor ideia prevalecer muito acima do desejo de grupo. A ideia. O melhor. O justo. O bom senso. Repor aula é bom senso? Votar em uma paralisação que não pressiona o poder é a melhor ideia?

Em minha pura tolice, cheguei a pensar que, quando formado, quando passasse por uma faculdade, bons debates e inquietantes reflexões sedimentariam ideais na escola. Enganei-me: a escola não é lugar de ideais, por exemplo, democráticos.

Ela é o lugar onde a democracia, sem bons debates e sem inquietantes reflexões, não passa de uma maioria que impõe não apenas o seu corporativismo, mas a incapacidade de perceber que as velhas formas de luta do Sinteac caducaram no século 19.

Escrevo em vão. Na escola, democracia é maioria, é isto: número - tudo a ver com uma época que vive "A era do vazio", de Gilles Lipovetsky.

Prolongaram o calendário escolar.

terça-feira, março 09, 2010

À amiga virtual do Rio Grande do Sul

Ivone, não existe igualdade entre o sexo masculino e o sexo feminino. Não existe igualdade porque, por meio dessa diferença entre esses dois sexos, o menino aprende com a menina.

Você já reparou que o menino alegra-se quando exibe seu pênis? Tenho uma filha com 12 anos e eu não receberia nada bem a notícia de que a Lara exibiu seu órgão genital em sala de aula. Você concorda comigo que ele pode exibir o pênis, mas ela não pode exibir sua vulva. A diferença existe.

Imagine agora um menino de 5 anos mostrando seu pipiu aos coleguinhas. Imaginou, Ivone? Repare como ele, por meio de seu pequeno órgão, inibe as meninas, constrange-as. O seu pipiu pode sair da calça, pode ser balançado, apontado, ou seja, o pênis dessa criança pode se impor publicamente.

Esse mundo, Ivone, pertence ao masculino e discordo dele. Se eu soubesse que meu filho tinha exibido seu pênis em uma sala de aula, ele aprenderia com a mãe e com um pai de alma feminina os valores nobres da mulher , um deles: a compostura ou, se quiser, o decoro público, ou, se quiser ainda, não violentar, ou, se quiser ainda, o respeito pelo outro.

Penso estar sendo muito claro em meu texto. Outro exemplo, eu encontro no filme O contador de histórias. Na Febem, Roberto Carlos aprende a ser violento em um espaço onde é marcante a ausência não da mulher, mas de signos que representam o domínio simbólico do feminino.

A única mulher que encarna esses signos é Margherit, uma pedagoga francesa. O garoto, submetido à devassidão do mundo masculino, isto é, à destruição, conhece essa educadora para aprender um outro valor simbólico do gênero feminino: a delicadeza. E entenda: delicadeza significa a força de edificar o bom, o belo.

Ivone, eu poderia tecer mais e mais sobre o assunto, mas acredito que neste limite está bem clara a minha exposição, a de que não existe igualdade entre os sexos. Os meninos devem aprender com as meninas por não haver igualdade entre eles.