Josafá, só vc para me fazer rir de homens que se dizem sérios pela graça de uma fortuna bancária.
sábado, janeiro 19, 2013
Quando o PT acriano não sabe brincar (3)
Quando trabalhei nos jornais Página 20 e A Tribuna,sempre escrevia a respeito do Carnaval com a finalidade de oferecer ao leitor uma compreensão simbólica da Festa de Momo.
Minha preocupação era devolver a essa belíssima festa popular o significado original de seus significantes.
Minha escrita tinha como mestres ótimos autores. No final dos textos, deixava indicação bibliográfica.
No Acre, em verdade, nunca houve a vivência do Carnaval autêntico, mesmo porque essa festa nunca foi organizada de forma livre, criativa, original, isto é, sem o controle do dinheiro público.
Minha preocupação era devolver a essa belíssima festa popular o significado original de seus significantes.
Minha escrita tinha como mestres ótimos autores. No final dos textos, deixava indicação bibliográfica.
No Acre, em verdade, nunca houve a vivência do Carnaval autêntico, mesmo porque essa festa nunca foi organizada de forma livre, criativa, original, isto é, sem o controle do dinheiro público.
Quando o governo anuncia que cancelará o Reino de Momo neste ano por falta de grana, adianto-me e publico aqui o texto que um dia deixei nas páginas de jornais acrianos.
O Reino desencantado de Momo
Comercializada e descaracterizada pelo lucro do comércio e pela ignorância do poder público, Momo dança ao som do pagode mais brega, canta a letra mais vulgar do Tchan, se diverte numa festa que não é mais dele; seu Reino, o da Carnavalização, sem mais nenhum sentido histórico e alegórico, massificou-se; perdeu qualquer referência com o passado.
“O Carnaval para mim é um momento que eu me divirto por divertir, é uma festa que eu quero esquecer os problemas, beber muito, muito mesmo”, conta Ricardo, um folião rio-branquense. “No carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.
Como muitos, Ricardo é só mais um que irá “brincar”, de maneira inconsciente, mais uma vez no Carnaval. Representante maior de um reino desfigurado, Momo governa por três dias um mundo deserdado de qualquer significação histórica.
Opondo-se ao discurso oficial, ou seja, à linguagem que regula as desigualdades sociais, o Carnaval promove a ascensão do avesso, porque faz emergir a força subversiva do mundo inferior (o Inferno), do mundo baixo, que, ao receber as chaves do prefeito por meio do Rei Momo, estimula a circulação do Riso, da Brincadeira, da Paródia, do Escárnio, da Ironia, da Máscara, do Louco, da Festa – palavras que foram excluídas pela disciplina do trabalho (o dia, a luz) e das instituições (razão reguladora).
Se o trabalho arranca o suor do rosto, se é sacrifício e exploração; se a lei não pune os ricos, a Festa de Momo rebaixa quem domina e explora, visto que, por ser Festa, ri, provoca pilhéria, escárnio; faz uso da máscara, da fantasia para desvelar as aparências da classe dominante.
Profundo conhecedor da função política do Carnaval, o marxista russo Mikhail Bakhtin dá um sentido original à Festa de Momo, negando a ela qualquer aproximação com o vulgar ou a massificação.
“O motivo da máscara é mais importante ainda. É o motivo mais complexo, mais carregado de sentido da cultura popular. A máscara traduz a alegria das alternâncias e das reencarnações, a alegre relatividade, a alegre negação da identidade e do sentido único, a negação da coincidência estúpida consigo mesmo”, diz Bakhtin.
Nesse sentido, o mundo social, regulado pela classe dominante, não coincide com ele mesmo no Carnaval: é metáfora – fantasia que inverte, distorce, altera, re-apresenta, mostra, revela a face oculta do opressor.
Outro estudioso dessa Festa Profana, o antropólogo Roberto DaMatta explica. “Na fantasia carnavalesca, que revela muito mais do que oculta, já que uma fantasia, representando um desejo escondido, faz uma síntese entre o fantasiado, os papéis que representa e os que gostaria de desempenhar”.
Assim, conduzindo o Reino da Carnavalização, o Rei Momo, na condição de um aristocrata (aristo = os melhores e crata = poder), recebe a chave e convoca todo o poder político do Carnaval para reinterpretar a ordem social regida por uma classe social que domina e explora. Se essa mesma ordem discrimina e cria as desigualdades entre classes, Momo provoca o Riso a fim de nivelar a opressão à condição do comum e do vulgar. A Festa de Momo, portanto, destrona a classe dominante.
“O riso foi enviado à Terra pelo diabo, apareceu aos homens com a máscara da alegria e eles o acolheram com agrado. No entanto, mais tarde, o riso tira a máscara alegre e começa a refletir sobre o mundo e os homens com a crueldade da sátira”, finaliza Bakhtin. “O Carnaval (repetimos, na sua acepção mais ampla) liberava a consciência do domínio da concepção oficial, permitia lançar um olhar novo sobre o mundo; um olhar destituído de medo, de piedade, perfeitamente crítico, mas ao mesmo tempo positivo e não niilista, pois descobria o princípio material e generoso do mundo, o devir, e a mudança, a força invencível e o triunfo eterno do novo, a imortalidade do povo”.
Filho do Sono e da Noite, Momo, oposto à exploração do trabalho, deseja o ócio, assim como os sacerdócios, só que o ócio de Momo não é sagrado: é profano, isto é, seu ócio (palavra que vem do grego “sxolé”, donde deriva escola, lugar onde se adquire saber) promove a corrosão do Riso, da Máscara, da Festa, da Paródia – palavras cujas funções invertem a “normalidade” do mundo.
Gordo, digo, excessivamente gordo, no Reino de Momo, o da Festa, prevalece o Exagero, o Excesso, a Abundância, a Fartura, para que todos possam, alegres, se deliciar. No Reino de Momo, Riso, Paródia, Fantasia, Brincadeira negam nos três dias as diferenças entre ricos e pobres para que seja devolvido aos mortais uma Louca confraternização.
O folião ( folie em francês) significa loucura. Ora, o que faz o louco senão colocar do avesso a normalidade do mundo. Uma vez sem a censura da razão cínica, a mesma razão que nos guia à luz do sol, o folie, à noite, regido pela lua, faz vir à tona valores, falas e comportamentos censurados pela “normalidade” do dia. Em seu Reino, Momo, gordo, significa o excedente roubado pelo trabalho e pela lei.
“A loucura tem uma força maior do que a razão, porque, muitas vezes, aquilo que não se pode conseguir com nenhum argumento se obtém com uma chacota”, nos ensina Erasmo de Rotterdam. “Que é, afinal, a vida humana? Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesmo; cada qual representa o seu papel sempre mascarado, pelo menos enquanto o chefe dos comediantes não o faz descer do palco. O mesmo ator aparece sob várias figuras, e o que estava sentado no trono, soberbamente vestido, surge, em seguida, disfarçado em escravo, coberto por miseráveis andrajos. Para dizer a verdade, tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência”.
Pois bem, o Carnaval, des-cobrindo as aparências, destrona o rico, a lei que não o pune; rebaixa quem oprime e rouba com a maior desfaçatez. Nesse sentido, a Festa de Momo é popular.
Esse Carnaval, entretanto, que teimam em chamar de popular, não existe em Rio Branco. Momo, aqui, está morto, ou melhor, ressurgiu das cinzas a serviço da cultura de massa, cuja função é deformar tudo em mercadoria vulgar. Nessa indústria cultural, cultura de consumo, Momo não passa de objeto, carcaça sem sentido histórico e alegórico. Coisificado pela cultura de massa, Momo reina, pois, num reino desencantado – “No Carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.
Nesse detrito cultural do entretenimento, a banalidade deposita no espaço público ruínas simbólicas; espalha a chaga da alienação; faz da rua um depósito para entulhar indigentes culturais. Sem identidade, no reino desencantado de Momo (e no Acre não se usa fantasia, máscara - não há metáfora), mediante este processo, ninguém se reconhece em seu reino.
“A cultura de massa preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências”, conclui Theodor W. Adorno
Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto DaMatta, editora Guanabara
O Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam, editora Abril
O Fetichismo na Música, de Theodor W. Adorno, editora abril
O Riso, de Henri Bergson, editora Guanabara
Quando Momo receber as chaves do prefeito, mais uma
vez ele abrirá as portas da cidade para o Carnaval, e uma multidão sem rosto
irá se aglomerar em frente à prefeitura para ouvir a Banda Sam Brasil. Aquilo
que o poder público habituou-se a chamar de festa popular, vai para as ruas ao
som da cultura de massa.
Comercializada e descaracterizada pelo lucro do comércio e pela ignorância do poder público, Momo dança ao som do pagode mais brega, canta a letra mais vulgar do Tchan, se diverte numa festa que não é mais dele; seu Reino, o da Carnavalização, sem mais nenhum sentido histórico e alegórico, massificou-se; perdeu qualquer referência com o passado.
“O Carnaval para mim é um momento que eu me divirto por divertir, é uma festa que eu quero esquecer os problemas, beber muito, muito mesmo”, conta Ricardo, um folião rio-branquense. “No carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.
Como muitos, Ricardo é só mais um que irá “brincar”, de maneira inconsciente, mais uma vez no Carnaval. Representante maior de um reino desfigurado, Momo governa por três dias um mundo deserdado de qualquer significação histórica.
MOMO, O REI DA CARNAVALIZAÇÃO
Opondo-se ao discurso oficial, ou seja, à linguagem que regula as desigualdades sociais, o Carnaval promove a ascensão do avesso, porque faz emergir a força subversiva do mundo inferior (o Inferno), do mundo baixo, que, ao receber as chaves do prefeito por meio do Rei Momo, estimula a circulação do Riso, da Brincadeira, da Paródia, do Escárnio, da Ironia, da Máscara, do Louco, da Festa – palavras que foram excluídas pela disciplina do trabalho (o dia, a luz) e das instituições (razão reguladora).
Se o trabalho arranca o suor do rosto, se é sacrifício e exploração; se a lei não pune os ricos, a Festa de Momo rebaixa quem domina e explora, visto que, por ser Festa, ri, provoca pilhéria, escárnio; faz uso da máscara, da fantasia para desvelar as aparências da classe dominante.
Profundo conhecedor da função política do Carnaval, o marxista russo Mikhail Bakhtin dá um sentido original à Festa de Momo, negando a ela qualquer aproximação com o vulgar ou a massificação.
“O motivo da máscara é mais importante ainda. É o motivo mais complexo, mais carregado de sentido da cultura popular. A máscara traduz a alegria das alternâncias e das reencarnações, a alegre relatividade, a alegre negação da identidade e do sentido único, a negação da coincidência estúpida consigo mesmo”, diz Bakhtin.
Nesse sentido, o mundo social, regulado pela classe dominante, não coincide com ele mesmo no Carnaval: é metáfora – fantasia que inverte, distorce, altera, re-apresenta, mostra, revela a face oculta do opressor.
Outro estudioso dessa Festa Profana, o antropólogo Roberto DaMatta explica. “Na fantasia carnavalesca, que revela muito mais do que oculta, já que uma fantasia, representando um desejo escondido, faz uma síntese entre o fantasiado, os papéis que representa e os que gostaria de desempenhar”.
Assim, conduzindo o Reino da Carnavalização, o Rei Momo, na condição de um aristocrata (aristo = os melhores e crata = poder), recebe a chave e convoca todo o poder político do Carnaval para reinterpretar a ordem social regida por uma classe social que domina e explora. Se essa mesma ordem discrimina e cria as desigualdades entre classes, Momo provoca o Riso a fim de nivelar a opressão à condição do comum e do vulgar. A Festa de Momo, portanto, destrona a classe dominante.
“O riso foi enviado à Terra pelo diabo, apareceu aos homens com a máscara da alegria e eles o acolheram com agrado. No entanto, mais tarde, o riso tira a máscara alegre e começa a refletir sobre o mundo e os homens com a crueldade da sátira”, finaliza Bakhtin. “O Carnaval (repetimos, na sua acepção mais ampla) liberava a consciência do domínio da concepção oficial, permitia lançar um olhar novo sobre o mundo; um olhar destituído de medo, de piedade, perfeitamente crítico, mas ao mesmo tempo positivo e não niilista, pois descobria o princípio material e generoso do mundo, o devir, e a mudança, a força invencível e o triunfo eterno do novo, a imortalidade do povo”.
A METÁFORA DE MOMO
Filho do Sono e da Noite, Momo, oposto à exploração do trabalho, deseja o ócio, assim como os sacerdócios, só que o ócio de Momo não é sagrado: é profano, isto é, seu ócio (palavra que vem do grego “sxolé”, donde deriva escola, lugar onde se adquire saber) promove a corrosão do Riso, da Máscara, da Festa, da Paródia – palavras cujas funções invertem a “normalidade” do mundo.
Gordo, digo, excessivamente gordo, no Reino de Momo, o da Festa, prevalece o Exagero, o Excesso, a Abundância, a Fartura, para que todos possam, alegres, se deliciar. No Reino de Momo, Riso, Paródia, Fantasia, Brincadeira negam nos três dias as diferenças entre ricos e pobres para que seja devolvido aos mortais uma Louca confraternização.
O folião ( folie em francês) significa loucura. Ora, o que faz o louco senão colocar do avesso a normalidade do mundo. Uma vez sem a censura da razão cínica, a mesma razão que nos guia à luz do sol, o folie, à noite, regido pela lua, faz vir à tona valores, falas e comportamentos censurados pela “normalidade” do dia. Em seu Reino, Momo, gordo, significa o excedente roubado pelo trabalho e pela lei.
“A loucura tem uma força maior do que a razão, porque, muitas vezes, aquilo que não se pode conseguir com nenhum argumento se obtém com uma chacota”, nos ensina Erasmo de Rotterdam. “Que é, afinal, a vida humana? Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesmo; cada qual representa o seu papel sempre mascarado, pelo menos enquanto o chefe dos comediantes não o faz descer do palco. O mesmo ator aparece sob várias figuras, e o que estava sentado no trono, soberbamente vestido, surge, em seguida, disfarçado em escravo, coberto por miseráveis andrajos. Para dizer a verdade, tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência”.
Pois bem, o Carnaval, des-cobrindo as aparências, destrona o rico, a lei que não o pune; rebaixa quem oprime e rouba com a maior desfaçatez. Nesse sentido, a Festa de Momo é popular.
A PERDA DE SENTIDO
Esse Carnaval, entretanto, que teimam em chamar de popular, não existe em Rio Branco. Momo, aqui, está morto, ou melhor, ressurgiu das cinzas a serviço da cultura de massa, cuja função é deformar tudo em mercadoria vulgar. Nessa indústria cultural, cultura de consumo, Momo não passa de objeto, carcaça sem sentido histórico e alegórico. Coisificado pela cultura de massa, Momo reina, pois, num reino desencantado – “No Carnaval, quero beber até cair e comer muita mulher, porque no Carnaval dá muita mulher”.
Nesse detrito cultural do entretenimento, a banalidade deposita no espaço público ruínas simbólicas; espalha a chaga da alienação; faz da rua um depósito para entulhar indigentes culturais. Sem identidade, no reino desencantado de Momo (e no Acre não se usa fantasia, máscara - não há metáfora), mediante este processo, ninguém se reconhece em seu reino.
“A cultura de massa preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências”, conclui Theodor W. Adorno
Bibliografia
A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento,
de Mikhail Bakhtin, editora Hucitec
Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto DaMatta, editora Guanabara
O Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam, editora Abril
O Fetichismo na Música, de Theodor W. Adorno, editora abril
O Riso, de Henri Bergson, editora Guanabara
Quando o PT acriano não sabe brincar (2)
O prefeito de Rio Branco, Marcos Viana (PT), e o governador do Acre, Tião Viana (PT), não colocarão um centavo na Festa de Momo.
O PT acriano, desde que começou a administrar prefeitura e estado, jamais soube colocar para a população o verdadeiro significado cultural do Carnaval.
A TV Aldeia, por sua ignorância, por seu aparelhamento, por suas escolhas desqualificadas, transmitiu a Festa de Momo de forma (e de conteúdo) sempre burra, ela nunca soube transmitir o original sentido histórico do Carnaval com seus repórteres inocentes e incultos.
Quando ocorre a Parada Militar, a população dá significado a ela; mas, quando acontece o Carnaval, essa mesma população não sabe o sentido de "Momo", "fantasia", "máscara", "riso".
Como o Carnaval perdeu o seu sentido simbólico no Acre, evangélicos ainda o satanizam, e o governo com a imprensa local a cada ano reafirma a ideia de ser uma festa violenta.
Nada contra as suas pessoas, mas Dudé e Nena, funcionários que organizam a festa popular, são muito responsáveis pela morte simbólica do Carnaval acriano.
Triste é a população que tem festa popular organizada pelo poder público.
O PT acriano, desde que começou a administrar prefeitura e estado, jamais soube colocar para a população o verdadeiro significado cultural do Carnaval.
A TV Aldeia, por sua ignorância, por seu aparelhamento, por suas escolhas desqualificadas, transmitiu a Festa de Momo de forma (e de conteúdo) sempre burra, ela nunca soube transmitir o original sentido histórico do Carnaval com seus repórteres inocentes e incultos.
Quando ocorre a Parada Militar, a população dá significado a ela; mas, quando acontece o Carnaval, essa mesma população não sabe o sentido de "Momo", "fantasia", "máscara", "riso".
Como o Carnaval perdeu o seu sentido simbólico no Acre, evangélicos ainda o satanizam, e o governo com a imprensa local a cada ano reafirma a ideia de ser uma festa violenta.
Nada contra as suas pessoas, mas Dudé e Nena, funcionários que organizam a festa popular, são muito responsáveis pela morte simbólica do Carnaval acriano.
Triste é a população que tem festa popular organizada pelo poder público.
Quando o PT acriano não sabe brincar (1)
Foto e legenda retiradas da rede social.
Marcos Viana (prefeito de Rio Branco) e Tião Viana (governador do Acre), ambos do PT, não brincarão no Carnaval porque não haverá a Festa de Momo. Não há dinheiro.
No entanto, sempre o governo injeta dinheiro público na Expo-Acre, justificando que ela gera milhões ao estado. Mas, para o Carnaval, não há dinheiro.
Hoje, o jornal O Globo publicou ontem que o governo federal fez o segundo repassa do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O valor distribuído foi de R$ 774,8 milhões segundo o Ministério da Fazenda.
O Bando do Brasil, que faz o repasse, chegou a informar mais cedo que o repasse chegou a R$ 968,5 milhões.
O primeiro repasse, em 10 de janeiro, o valor foi de R$ 2,68 milhões.
Na nota do Tesouro, o governo informa que que foram repassados R$ 774,8 milhões para os estados por meio do FPE, e outros R$ 810,6 milhões por meio do Fundo de Participação dos Municípios.
Ainda há repasse de recursos do IPI-Exportação e do Fundeb.
Mas os gastos públicos não pertencem à vontade da sociedade organizada, mas a um grupo político que "privatiza" o erário, por exemplo, dando emprego a parentes no setor público, como é o caso do governado Tião Viana segundo a revista Veja.
Na foto acima, lá está a pessoa que está construindo um posto de gasolina só seu, sem que tenha salário para tanto.
Outro secretário constrói um hotel na quarta ponte.
Crise?
No entanto, sempre o governo injeta dinheiro público na Expo-Acre, justificando que ela gera milhões ao estado. Mas, para o Carnaval, não há dinheiro.
Hoje, o jornal O Globo publicou ontem que o governo federal fez o segundo repassa do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O valor distribuído foi de R$ 774,8 milhões segundo o Ministério da Fazenda.
O Bando do Brasil, que faz o repasse, chegou a informar mais cedo que o repasse chegou a R$ 968,5 milhões.
O primeiro repasse, em 10 de janeiro, o valor foi de R$ 2,68 milhões.
Na nota do Tesouro, o governo informa que que foram repassados R$ 774,8 milhões para os estados por meio do FPE, e outros R$ 810,6 milhões por meio do Fundo de Participação dos Municípios.
Ainda há repasse de recursos do IPI-Exportação e do Fundeb.
Mas os gastos públicos não pertencem à vontade da sociedade organizada, mas a um grupo político que "privatiza" o erário, por exemplo, dando emprego a parentes no setor público, como é o caso do governado Tião Viana segundo a revista Veja.
Na foto acima, lá está a pessoa que está construindo um posto de gasolina só seu, sem que tenha salário para tanto.
Outro secretário constrói um hotel na quarta ponte.
Crise?
sexta-feira, janeiro 18, 2013
O sangue de Jesus tem poder... econômico
A fé de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, rendeu a ele uma fortuna de R$ 2 bilhões.
2 bilhões de reais.
A crença de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, faturou para ele R$ 400 milhões.
400 milhões de reais.
A devoção de Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, lucrou R$ 300 milhões.
300 milhões de reais.
Existem mais pastores na revista Forbe, mas paremos por aqui, porque cabe uma pertinente pergunta: quanto Jesus Cristo tinha no banco?
Poucos sabem, mas o Messias, um grande cobrador de dízimo, aplicou muito a sua grana no banco Império Romano Ltda. Jesus não só pregava a palavra como também empregava muito dinheiro no sistema financeiro de Jerusalém.
Não só.
O Senhor também investia em micro e pequenas empresas, por exemplo, na carpintaria de José, seu pai, que se enriqueceu por causa do empréstimo do Filho, mesmo com juro (do) altíssimo.
Jesus também investiu muito na produção pesqueira de Simão. Depois de lançar ao mar a rede de pesca, Jesus abriu o comércio Peixes da Galileia, tornando-se sócio de Pedro.
Tempos depois, o apóstolo negou o Mestre três vezes antes que o galo cantasse, com a finalidade de ser o único dono da peixaria.
Nessa época, Jesus Cristo, é bem verdade, era menos rico do que Edir Macedo e Silas Malafaia; mas, mesmo assim, o Messias tinha um largo e divino patrimônio, avaliado, em moeda romana da época, em torno de 50 milhões de áureos, algo um pouco acima de 200 milhões de reais.
A crença de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, faturou para ele R$ 400 milhões.
400 milhões de reais.
A devoção de Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, lucrou R$ 300 milhões.
300 milhões de reais.
Existem mais pastores na revista Forbe, mas paremos por aqui, porque cabe uma pertinente pergunta: quanto Jesus Cristo tinha no banco?
Poucos sabem, mas o Messias, um grande cobrador de dízimo, aplicou muito a sua grana no banco Império Romano Ltda. Jesus não só pregava a palavra como também empregava muito dinheiro no sistema financeiro de Jerusalém.
Não só.
O Senhor também investia em micro e pequenas empresas, por exemplo, na carpintaria de José, seu pai, que se enriqueceu por causa do empréstimo do Filho, mesmo com juro (do) altíssimo.
Jesus também investiu muito na produção pesqueira de Simão. Depois de lançar ao mar a rede de pesca, Jesus abriu o comércio Peixes da Galileia, tornando-se sócio de Pedro.
Tempos depois, o apóstolo negou o Mestre três vezes antes que o galo cantasse, com a finalidade de ser o único dono da peixaria.
Nessa época, Jesus Cristo, é bem verdade, era menos rico do que Edir Macedo e Silas Malafaia; mas, mesmo assim, o Messias tinha um largo e divino patrimônio, avaliado, em moeda romana da época, em torno de 50 milhões de áureos, algo um pouco acima de 200 milhões de reais.
Só Jesus salva...
a sua conta bancária. Muito bem-sucedido no mundo sagrado das finanças, o homem que veio ao mundo para nos salvar dos juros baixíssimos da poupança deixou exemplo de como investir em banco, por isso a fé dos pastores Edir Macedo e Silas Malafaia é muito bem aplicada em mercado de ações, em renda fixa, em câmbio, títulos do governo, em ouro e, principalmente, neles: os fiéis.
Que diga a "bispa" Sônia, da Igreja Renascer. Com uma fortuna cristã abençoada em R$ 120 milhões, ela não fez, como Jesus, o milagre do pão e do peixe ou de transformar água em vinho - ninguém é perfeito -, mas fez o milagre em 2007 de transformar a palavra do Senhor, a Bíblia, em mil reais não declarados e encontrados pelo FBI, a polícia federal norte-americana.
Só Jesus salva a conta bancária
Com fortuna de R$ 2 bilhões, Edir Macedo é o pastor evangélico mais rico do Brasil, diz revista
Do UOL, em São Paulo
Forbes lista os seis líderes evangélicos mais ricos do Brasil
"Religião sempre foi um negócio lucrativo." Assim começa uma reportagem da revista americana "Forbes" sobre os milionários bispos fundadores das maiores igrejas evangélicas do Brasil.
A revista fez um ranking com os líderes mais ricos. No topo da lista, está o bispo Edir Macedo, que tem uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, segundo a revista.
Em seguida, vem Valdemiro Santiago, com R$ 400 milhões; Silas Malafaia, com R$ 300 milhões; R. R. Soares, com R$ 250 milhões; e Estevan Hernandes Filho e a bispa Sônia, com R$ 120 milhões juntos.
OS SEIS LÍDERES EVANGÉLICOS MILIONÁRIOS, SEGUNDO A "FORBES"
| Nome | Fortuna | Igreja |
| Edir Macedo | R$ 2 bi | Igreja Universal do Reino de Deus |
| Valdemiro Santiago | R$ 400 mi | Igreja Mundial do Poder de Deus |
| Silas Malafaia | R$ 300 mi | Assembleia de Deus Vitória em Cristo |
| R.R. Soares | R$ 250 mi | Igreja Internacional da Graça de Deus |
| Estevam Hernandes Filho e bispa Sônia | R$ 120 milhões | Igreja Renascer |
- Fonte: "Forbes"
Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser o pastor mais rico do Brasil, possui templos até nos Estados e um jatinho particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões.
Macedo tem 10 milhões de livros vendidos, alguns deles extremamente críticos à Igreja Católica e a algumas religiões africanas.
Seu maior movimento aconteceu na década de 1980, quando adquiriu a rede Record, a segunda maior emissora do Brasil. Além disso, é dono do jornal "Folha Universal", que tem uma circulação de 2,5 milhões de exemplares, e da gravadora Record News.
Seguindo os passos de Macedo, Valdemiro Santiago é ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Após se desentender com o chefe, ele fundou sua própria igreja: a Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem 900 mil seguidores e mais de 4.000 templos, muitos deles adornados com imagens dele. Sua fortuna é estimada em R$ 400 milhões.
Silas Malafaia é líder da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal brasileira. Entre os pastores, ele é o mais polêmico, e se envolve frequentemente em controvérsias com a comunidade gay do Brasil, já que declara ser o maior opositor ao casamento gay.
Ele também é uma figura proeminente no Twitter, onde possui mais de 440 mil seguidores.
Em 2011, Malafaia, cuja fortuna é estimada em R$ 300 milhões, lançou uma campanha a fim de arrecadar R$ 1 bilhão para a sua igreja, com o intuito de criar uma emissora de televisão global, que seria transmitida em 137 países. Os interessados podem contribuir com somas a partir de R$ 1.000, e em troca receberão um livro.
Já o cantor, compositor e televangelista Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, é possivelmente o mais multimídia entre os pastores brasileiros. Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares é uma das faces mais regulares da TV brasileira.
Ele também é ex-membro da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser cunhado de Macedo. Autointitulado "missionário", tem uma fortuna estimada em R$ 250 milhões. Seu jatinho particular, de modelo King Air 350, custa "apenas" R$ 10 milhões.
Fundadores da Renascer em Cristo, o "apóstolo" Estevam Hernandes Filho e sua mulher, a "bispa" Sônia, possuem mais de mil igrejas no Brasil e no exterior – várias delas na Flórida, nos Estados Unidos.
Com uma fortuna estimada em R$ 120 milhões, o casal foi manchete dos jornais internacionais em 2007,quando foram presos em Miami sob a acusação de levarem consigo mais de R$ 100 mil não–declarados. Algumas notas estavam escondidas em meio às páginas da Bíblia, segundo agentes norte-americanos.
Eles voltaram ao Brasil um ano depois, onde respondem por outros crimes, entre eles a queda do teto de um de seus templos, que deixou nove pessoas mortas em 2009.
Entre seus ex-fiéis mais conhecidos, está o jogador de futebol Kaká, que doou mais de R$ 2 milhões no período em que frequentou a igreja. Ele deixou a instituição após as denúncias de fraude envolvendo o casal Hernandes.
Ser um pastor evangélico no Brasil é o sonho de muitas pessoas, de acordo com a Forbes. Diferente de muitas igrejas protestantes, que requerem que seus pastores tenham uma graduação, as igrejas neopentecostais brasileiras oferecem cursos intensivos para "criar" pastores com um custo de R$ 700, para poucos dias de aula.
Não é apenas uma questão de dinheiro – Malafaia, por exemplo, chega a pagar salários de R$ 20 mil a seus pastores mais talentosos – mas também de poder, segundo a reportagem.
Muitos pastores brasileiros conseguiram passaportes diplomáticos nos últimos anos. Alguns, especialmente os mais ricos, são cortejados por políticos em época de eleições. Para finalizar, igrejas são isentas de impostos.
Crescimento os evangélicos
A Forbes também destaca o crescimento dos evangélicos no Brasil --de 15,4% para 22,2% da população na última década--, em detrimento dos católicos. Hoje, os católicos romanos somam 64,6% da população, ou 123 milhões de brasileiros. Os evangélicos, por sua vez, já somam 42 milhões, em uma população total de 191 milhões de pessoas.
Para a revista, um dos motivos do crescimento de religiões evangélicas se dá graças à teologia da prosperidade, segundo a qual o progresso material é resultado dos favores de Deus. Enquanto o catolicismo ainda prega um olhar conservador sobre o além-vida, os evangélicos --sobretudo os neopentecostais-- são ensinados a ter prosperidade nesta vida.
A fórmula parece estar funcionando. De acordo com a revista, os evangélicos formam uma parte da nova classe média brasileira, conhecida como classe C. Enquanto isso, os mais ricos e os mais pobres permanecem católicos.
Os evangélicos não só usufruem de seus bens como doam uma parte de sua renda à igreja – prática conhecida como "dízimo" e que também está presente em outras religiões cristãs. Isto faz com que certas igrejas pentecostais sejam negócios altamente lucrativos, e seus líderes, milionários. É a chamada "indústria da fé".
O Acre e a Gramática
No Acre, político desconhece o que seja escola e muito menos o que seja sala de aula.
A Prefeitura de Rio Branco tem obtido crescimento gradual segundo o IDEB, mas os números somente correspondem ao primeiro ciclo do ensino fundamental, não havendo índice para o último.
Embora haja crescimento gradual do IDEB, que políticos usam para seus interesses, isso não significa ótimas condições de trabalho para o professor e muito menos qualidade de leitura e de escrita entre as quatro paredes.
Para piorar a situação, técnicos da Secretaria de Educação do Acre disseminaram nas escolas públicas que o aluno não precisa estudar gramática.
Isso significa que aluno desconhece orações subordinadas adverbiais, não precisa delas, porque ele as aprenderá por meio de gêneros textuais. O mesmo ocorre com o uso do fenômeno da crase, ele aprenderá por meio de gêneros textuais.
Um absurdo uma secretaria afirmar, por meio de técnicos, que a gramática é desnecessária. Eu, até hoje, consulto gramáticas para escrever conforme o padrão da língua, o mesmo padrão exigido pelo Enem.
Escrever bem depende, TAMBÉM, da gramática tradicional.
quinta-feira, janeiro 17, 2013
terça-feira, janeiro 15, 2013
Finalmente retornou. Vou comprar
Lançamento: O arco e a lira, de Octavio Paz
jan 15th, 2013 | Autor Toinho Castro | Categoria: Hoje na Blooks
Super lançamento para que aprecia poesia! Publicado originalmente em 1956 e fora das prateleiras há bastante tempo O arco e a lira, do poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz (1914-1998), ganha uma belíssima reedição pela Cosac Naify, num acordo com a editora mexicana Fondo de Cultura Económica. A parceria promete mais literatura de primeira ao longo de 2013, inclusive com lançamento de mais um título de Paz, Filhos do lodo, espécie de continuação de O arco e a lira.
O arco e a lira é uma profunda reflexão sobre o fazer poético, um dos ensaios mais importantes da literatura mundial. Tê-lo de volta às prateleiras é importante pelo valor de uma obra como essa mas também pelo que ela traz de valor à própria poesia, como objeto da atenção dos leitores e editores. O livro é simples: a poesia é importante. O poeta, esse mensageiro estranho, precisa ser ouvido e sua mensagem processada, refletida, colocada na ordem da vida. Viva a presença da obre de Paz entre nós.
A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Idéia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular c minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!Como não reconhecer em cada uma dessas fórmulas o poeta que as justifica e que, ao encarná-las, lhes dá vida? Expressões de algo vivido e padecido, não temos outro remédio senão aderirmos a elas – condenados a abandonar a primeira pela segunda e esta pela seguinte. Sua própria autenticidade mostra que a experiência que justifica cada um desses conceitos os transcende. Será preciso, portanto, interrogar os testemunhos diretos da experiência poética. A unidade da poesia só pode ser apreendida através do trato desnudo com o poema.Um poema é uma obra. A poesia se polariza, se congrega c se isola num produto humano: quadro, canção, tragédia. O poético é poesia em estado amorfo; o poema é criação, poesia que se ergue. Só no poema a poesia se recolhe e se revela plenamente. É lícito perguntar ao poema pelo ser da poesia, se deixamos de concebê-lo como uma forma capaz de se encher com qualquer conteúdo. O poema não é uma forma literária, mas o lugar de encontro entre a poesia e o homem.O poema é um organismo verbal que contém, suscita ou emite poesia. Forma e substância são a mesma coisa. Mal desviamos os olhos do poético para fixá-los no poema, aparece-nos a multiplicidade de formas que assume esse ser que pensávamos único. Como nos apoderarmos da poesia se cada poema se mostra como algo diferente e irredutível?A forma mais alta da prosa é o discurso, no sentido estrito dessa palavra. No discurso as palavras aspiram a se constituir em significado unívoco. Esse trabalho implica reflexão e análise. Ao mesmo tempo introduz um ideal inatingível, já que a palavra se nega a ser mero conceito, significado sem outra coisa mais. Cada palavra – à parte suas propriedades físicas – encerra uma pluralidade de sentidos. Assim, a atividade do prosador se exerce contra a natureza própria da palavra.A palavra, finalmente em liberdade, mostra todas as suas entranhas, todos os seus sentidos e alusões, como um fruto maduro ou como um foguete no momento de explodir no céu. O poeta põe em liberdade sua matéria. O prosador aprisiona-a.O poema, sem deixar de ser palavra e história, transcende a história. Sob condição de examinar com mais atenção em que consiste esse ultrapassar a história, podemos concluir que a plural idade de poemas não nega, antes afirma, a unidade da poesia.
O Acre não existe
Conversando com um parente, ele me disse que o Acre não existe. Concordei. E aqui, meu primo, digo-lhe o porquê de o Acre não existir.
1. O rio Tietê não é rio. O rio Tietê é esgoto a céu aberto. Nesse sentido, São Paulo não existe;
2. No Acre, assaltante jamais explodiu caixa eletrônico;
3. No Acre, no interior, quem planta nunca passa fome;
5. No Acre, ônibus não é assaltado;
6. No Acre, no interior, não existe miséria, e a pobreza é mais rica do que a pobreza de São Paulo e do Rio de Janeiro;
7. No Acre, a saúde pública é melhor do que a saúde pública do Rio de Janeiro;
8. No Acre, a vida de índio é melhor do que a vida de assalariado de São Paulo e do Rio de Janeiro;
9. No Acre, não existe bala perdida;
10. Realmente, meu primo, o Acre não existe.
1. O rio Tietê não é rio. O rio Tietê é esgoto a céu aberto. Nesse sentido, São Paulo não existe;
2. No Acre, assaltante jamais explodiu caixa eletrônico;
3. No Acre, no interior, quem planta nunca passa fome;
4. No Acre, motorista não fica três horas em engarrafamento, porque não existe engarrafamento;
6. No Acre, no interior, não existe miséria, e a pobreza é mais rica do que a pobreza de São Paulo e do Rio de Janeiro;
7. No Acre, a saúde pública é melhor do que a saúde pública do Rio de Janeiro;
8. No Acre, a vida de índio é melhor do que a vida de assalariado de São Paulo e do Rio de Janeiro;
9. No Acre, não existe bala perdida;
10. Realmente, meu primo, o Acre não existe.
domingo, janeiro 13, 2013
A importância do PT e a sua inutilidade
Durante 20 anos, morei no Acre. Vinte anos. Cheguei em 13 de março de 1992 para lecionar na Universidade Federal do Acre.
A pessoa com quem falei ao telefone para saber sobre a vida no Acre foi a professora Afra, da Ufac.
Se não mentiu, pelo menos ocultou a verdadeira realidade social do Acre naquela época. Dessa forma, sem saber onde pisaria, viajei de avião pela Varig.
Só não retornei porque conheci dois GRANDES amigos: o casal Lucinéa e Matheus. Em 1994, fui morar em Rio Branco, onde presenciei a administração do petista Jorge Viana.
Continuei então no Acre para esperar a administração petista no governo de estado. Valeu a pena esperar.
A Frente Popular transformou um canto de meu país. Isso deve ser reconhecido. Sou apaixonado por essa terra simples, farta, lugar onde não se passa fome no interior, onde a terra faz brotar fartura.
O PT possui sua importância; no entanto, no campo da educação, para sar um exemplo, sua política caduca. Parece que seus membros padecem de inteligência para imprimir a laser ideias originais nas escolas.
O PT acriano é um partido que construiu o Acre (prédios, pontes, viadutos, escolas), mas um governo não pode se reduzir a isso.
Escola, diferente de viaduto, tem representação simbólica; porém, quando um grupo ignora o que isso significa, escola não passa de cimento e de tijolos.
Entretanto, para esse mesmo grupo, quando sua propaganda de governo entra nas casas pela televisão, o viaduto é progresso, é desenvolvimento.
As boas ideias elevam-se acima dos partidos, do poder, dos interesses de grupo. Por deixar boas ideias tradicionais de lado e por ignorar ideias modernas, o PT acriano, aos poucos, vai se tornando inútil.
Só não retornei porque conheci dois GRANDES amigos: o casal Lucinéa e Matheus. Em 1994, fui morar em Rio Branco, onde presenciei a administração do petista Jorge Viana.
Continuei então no Acre para esperar a administração petista no governo de estado. Valeu a pena esperar.
A Frente Popular transformou um canto de meu país. Isso deve ser reconhecido. Sou apaixonado por essa terra simples, farta, lugar onde não se passa fome no interior, onde a terra faz brotar fartura.
O PT possui sua importância; no entanto, no campo da educação, para sar um exemplo, sua política caduca. Parece que seus membros padecem de inteligência para imprimir a laser ideias originais nas escolas.
O PT acriano é um partido que construiu o Acre (prédios, pontes, viadutos, escolas), mas um governo não pode se reduzir a isso.
Escola, diferente de viaduto, tem representação simbólica; porém, quando um grupo ignora o que isso significa, escola não passa de cimento e de tijolos.
Entretanto, para esse mesmo grupo, quando sua propaganda de governo entra nas casas pela televisão, o viaduto é progresso, é desenvolvimento.
As boas ideias elevam-se acima dos partidos, do poder, dos interesses de grupo. Por deixar boas ideias tradicionais de lado e por ignorar ideias modernas, o PT acriano, aos poucos, vai se tornando inútil.
Uma dica, Leminski
A obra de Paulo Leminski está ausente há muitos anos no mercado. A editora Iluminuras relançou em 2010 sua prosa experimental, "Catatau". Uma obra. O todo encontra-se ocultado.
Para sair desse silêncio editorial, a Companhia das Letras lançará em fevereiro "Toda poesia", livro que acolherá toda obra desse curitibano.
Para os amantes da poesia e para os que estudam a linguagem poética, ler Paulo é, por inúmeros motivos, uma obrigação, também, estética.
Escrever bem depende também de ler ótimos autores, um exemplo, ele, o cara: Paulo Leminiski.
Para sair desse silêncio editorial, a Companhia das Letras lançará em fevereiro "Toda poesia", livro que acolherá toda obra desse curitibano.
Para os amantes da poesia e para os que estudam a linguagem poética, ler Paulo é, por inúmeros motivos, uma obrigação, também, estética.
Escrever bem depende também de ler ótimos autores, um exemplo, ele, o cara: Paulo Leminiski.
sexta-feira, janeiro 11, 2013
A escola e a igreja
Durante os anos lecionados na escola estadual Heloísa Mourão Marques, no Acre, entrei em sala com "sejam bem-vindos ao inferno".
Pais evangélicos, crentes ou protestantes crucificaram-me. A palavra "inferno", propriedade da igreja, jamais poderia ser usada como recepção.
Muitas vezes, fui conduzido à direção escolar.
Vendo isso hoje, percebo a fraqueza da instituição escola diante de pessoas que são educadas por pastores. Os livros na escola não têm importância quando as páginas da Bíblia são abertas nos cultos pelos incultos.
No Acre e em muitos lugares do Brasil, são as igrejas que ensinam a palavra, cabendo à escola a entrega do diploma.
Passamos quatro anos na faculdade e dedicamos boa parte do tempo aos livros para, na escola, lugar das ideias, um professor valer menos do que um pastor inculto, fanático e intolerante, que diz, a fiéis mais incultos, mais fanáticos e mais intolerantes, que "inferno" é o lugar do diabo, que este possui chifre, cauda.
Se pastores ignorantes pregam a palavra de Deus conforme sua escolaridade e condição social, se esses pastores interpretam a palavra segundo a tolice dos superficiais, por que na escola, por meio das disciplinas história, literatura e filosofia, a Bíblia não pode ser lida e interpretada?
Penso que a temática "homossexualismo" deveria passar por essas disciplinas, porque a igreja, segundo pastores intolerantes, usa a Bíblia para disseminar a violência (semântica).
Em 2012, 338 foram assassinados. Em 2011, 266. Em 2005, 81 homossexuais perderam a vida por causa de uma intolerância iniciada também nas igrejas evangélicas.
Imagino uma escola pública em que alunos lerão uma bela obra literária de Oscar Wilde (homossexual) e conhecerão sua vida por meio da literatura.
Na aula de história, por sua vez, estudarão o período vitoriano, época de Oscar Wilde.
E a filosofia? Os alunos estudarão conceitos, por exemplo, religiosidade, ética.
Depois, no final do semestre, um filme autoral para os alunos lerem os conceitos nas imagens.
Mas não terminei: para as três disciplinas, um livro escrito por um religioso culto e reconhecido por sua obra, por exemplo, o padre Daniel A. Helminiak.
Jovens deveriam aprender palavras em boas escolas públicas, não em igrejas incultas.
Mas o contrário se reproduz como capim no pasto. Sejam bem-vindos ao inferno (da ignorância)
Pais evangélicos, crentes ou protestantes crucificaram-me. A palavra "inferno", propriedade da igreja, jamais poderia ser usada como recepção.
Muitas vezes, fui conduzido à direção escolar.
Vendo isso hoje, percebo a fraqueza da instituição escola diante de pessoas que são educadas por pastores. Os livros na escola não têm importância quando as páginas da Bíblia são abertas nos cultos pelos incultos.
No Acre e em muitos lugares do Brasil, são as igrejas que ensinam a palavra, cabendo à escola a entrega do diploma.
Passamos quatro anos na faculdade e dedicamos boa parte do tempo aos livros para, na escola, lugar das ideias, um professor valer menos do que um pastor inculto, fanático e intolerante, que diz, a fiéis mais incultos, mais fanáticos e mais intolerantes, que "inferno" é o lugar do diabo, que este possui chifre, cauda.
Se pastores ignorantes pregam a palavra de Deus conforme sua escolaridade e condição social, se esses pastores interpretam a palavra segundo a tolice dos superficiais, por que na escola, por meio das disciplinas história, literatura e filosofia, a Bíblia não pode ser lida e interpretada?
Penso que a temática "homossexualismo" deveria passar por essas disciplinas, porque a igreja, segundo pastores intolerantes, usa a Bíblia para disseminar a violência (semântica).
Em 2012, 338 foram assassinados. Em 2011, 266. Em 2005, 81 homossexuais perderam a vida por causa de uma intolerância iniciada também nas igrejas evangélicas.
Imagino uma escola pública em que alunos lerão uma bela obra literária de Oscar Wilde (homossexual) e conhecerão sua vida por meio da literatura.
Na aula de história, por sua vez, estudarão o período vitoriano, época de Oscar Wilde.
E a filosofia? Os alunos estudarão conceitos, por exemplo, religiosidade, ética.
Depois, no final do semestre, um filme autoral para os alunos lerem os conceitos nas imagens.
Mas não terminei: para as três disciplinas, um livro escrito por um religioso culto e reconhecido por sua obra, por exemplo, o padre Daniel A. Helminiak.
Jovens deveriam aprender palavras em boas escolas públicas, não em igrejas incultas.
Mas o contrário se reproduz como capim no pasto. Sejam bem-vindos ao inferno (da ignorância)
quinta-feira, janeiro 10, 2013
A morte de uma página
A página virtual da escola HMM não funciona mais. Morreu. A direção, nessa página, pertence ainda à professora Osmarina.
Deus está nos detalhes.
Deus está nos detalhes.
Senadores acrianos querem mais e mais grana
Suplicy muda de ideia e decide devolver salário extra ao Senado
ANDREZA MATAIS
GABRIELA GUERREIRO
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quinta-feira que reviu sua posição e decidiu devolver o dinheiro do salário extra que recebeu em dezembro do Senado.
Reportagem da Folha de hoje mostrou que, embora tivessem apoiado projeto que extinguiu o pagamento do 14º e 15º salários, 68 dos 81 senadores embolsaram o dinheiro, incluindo Suplicy.
| Carlos Cecconello -1º.jul.2011/Folhapress |
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| Suplicy disse que vai abrir mão de salário extra |
O senador afirmou que sua ideia era doar o salário extra de R$ 26,7 mil para um projeto social, mas, após a reportagem, avaliou que os eleitores e a população poderiam considerar que estava fazendo uso particular do valor e que decidiu, portanto, devolver o dinheiro ao Senado.
Na votação do projeto que acaba com os pagamentos, em maio, Suplicy afirmou: "Em nome do PT, recomendo o voto 'sim', uma vez que, para o conjunto dos trabalhadores, não há algo dessa natureza". O projeto ainda precisa ser aprovado na Câmara. Até isso ocorrer, o pagamento é legal.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também informou, por meio da assessoria, que irá devolver o dinheiro.
O Senado informou, nesta quinta-feira, que 13 senadores decidiram devolver o salário extra já recebido ou a receber em fevereiro, quando têm direito a mais um extra. No total, os dois salários extras somam R$ 53.400 a mais nos contracheques.
Veja a lista de quem se recusou a receber o salário extra:
Ana Amélia (PP-RS)
Ana Rita (PT-ES)
Antonio Russo (PR-MS)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
João Capiberibe (PSB-AP)
João Costa (PPL-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Pedro Taques (PDT-MT)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Você viu algum senador acriano na lista?
Você viu algum senador acriano na lista?
quarta-feira, janeiro 09, 2013
Fugidos à
"Nos anos seguintes, muitos artistas europeus, fugidos à guerra, procuraram refúgio ali, (...)."
Trecho do livro Milagrário Pessoal, do angolano José Eduardo Agualusa, o habitual é escrever fugidos da guerra.
Em certas situações, fugidos à cai muito bem, cujo sentido é o mesmo de fugidos da.
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