segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Meninas da Playboy 4
Meninas da Playboy 2
Meninas da Playboy 1
sábado, fevereiro 10, 2007
Vírgula, um detalhe
- Matei o jornalista.
Jornalismo Educacional
O jornalismo educativo - um tipo de material de imprensa que não é jornalismo sobre educação - tem sido meu trabalho na última década e meu objeto de estudo. Parto do pressuposto de que existem muitas diferenças entre fazer jornalismo sobre Educação e jornalismo educativo, mas neste artigo pretendo me deter apenas na questão da construção da linguagem naquilo que venho chamando de interface da Comunicação com a Educação e que é o objeto do meu projeto de doutorado.E que resumo em: Levar notícia para a sala de aula e labrir a sala de aula para além da escola, sempre no formato de notícia; levar além da informação, formação, atualização com elementos colhidos no próprio universo educacional em geral e escolar em particular, sem perder de vista o pano de fundo da política educacional. Tanto na forma de material impresso, quanto televisivo ou ainda nos modernos suportes da informática, o jornalismo educativo guarda uma cumplicidade estreita com o ensino.Partindo de um pressuposto, que é também um princípio (no sentido ético) - quem sabe educação é o educador - o papel dos jornalistas seria fazer a mediação entre os dois mundos, equalizando as abordagens e buscando uma linguagem que unisse os dois universos teóricos e semânticos.Um trabalho que envolve o exercício constante de apropriações de saberes e linguagens e a construção e reconstrução de representações que se tem — no senso comum e na profissão de jornalista — do que seja o educador e a educação.
O lugar do jornalista
"Toda ordem de conhecimento, (...) pressupõe uma prática e uma atmosfera que lhe são próprias e lhe dão corpo. E, também, sem dúvida alguma, um papel particular do indivíduo conhecedor. Cada um de nós preenche de modo diferente esse papel quando se trata de exercer o seu ofício na arte, na técnica ou na ciência, ou quando se trata da formação de representações sociais".Serge Moscovici - que tem sido um referencial teórico importante nas minhas reflexões sobre a interface comunicação-educação — começa o item 2 do primeiro capítulo de A representação social da psicanálise , descrevendo, desta forma muito simples, o lugar onde o jornalista está colocado no momento em que pensa, cria imagens, constrói opiniões, seleciona temas, elabora pautas, busca, identifica e relata "experiências em sala de aula", levadas a cabo por professores da rede pública de ensino de 1o. Grau que imaginamos modelos a serem seguidos.Para dar conta dessa construção, o jornalista envolvido na produção de um programa ou de um texto jornalístico educativo precisa _ em primeiro lugar _ ter muito claro quem é seu público-alvo, delimitado pelo conceito de segmento. Se o trabalho estiver voltado para o professor, sua linguagem terá que passar por um processo de despojamento e apropriações de conceitos e linguagens, exatamente no sentido a que se refere Roger Chartier.Para Roger Chartier, a história cultural tem como objeto principal "identificar o modo como em dife-rentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler". Para chegar a isso, é necessário que nos detenhamos sobre como a sociedade percebe e aprecia o real e, para tanto, é preciso entender como se dá a organização dessa apreensão, essa apropriação. Esse entendimento passa pela identificação das classes sociais ou o meio intelectual a que o grupo pertença.É deles que surgem os "esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras graças às quais o presente pode adquirir sentido, o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado". É exatamente isto que acontece no momento em que se constrói o discurso de um programa educativo de natureza jornalística. O que nos chama a atenção no trabalho de Chartier é a possibilidade de ver com mais clareza esses momentos de apropriação e reconstrução, no dia a dia do trabalho do jornalista que atua nessa área. Como jornalista participei de dois projetos _ um impresso, outro televisivo _ destinados à atualização do professor e dos estudantes do Curso de Formação do Magistério. Ambos pressupunham a imersão nas práticas de sala de aula, para em seguida divulgá-las, agregando-lhes o embasamento teórico e apontando de forma sistemática as possibilidades e dificuldades didáticas.
A busca da interface
Do ponto de vista jornalístico, a idéia central do trabalho do jornalista é mostrar reportagens sobre experiências de ensino que estivessem dando certo.Uma idéia simples e aparentemente fácil de executar. Ver, ouvir, fotografar, filmar. A interface, no entanto, precisa de mais que técnicas jornalísticas.Quando uma equipe envolvida nesse processo descobre que o jornalismo sozinho não dá conta de resgatar os processos que se passam na sala de aula, em geral realiza um mergulho no aprendizado do que é pedagógico.As equipes em que trabalhei realizaram esse mergulho, em cursos, leituras, freqüentando congressos etc. A apropriação de conhecimentos da pedagogia, no entanto, não garante o resultado. Toda produção de programas desse tipo passa pelo dilema: ou o programa fica extremamente pedagógico e perde o jornalismo, ou se prende ao jornalismo de superfície, distanciando-se do pedagógico e do didático. Acaba não respondendo COMO as coisas acontecem. Não chega perto dos processos e, muito menos, da teoria.A barreira que separa Educação e Comunicação leva tempo para dar os primeiros sinais de fissuras, para que os sujeitos dos processos de ensino/aprendizagem fiquem claros, dentro dos paradigmas teóricos que se acredita darem conta dessa caminhada. Ou seja, envolve um processo em que a equipe se dá conta, toma consciência, de quem é o sujeito do saber e também se apercebe da representaçãoconservadora que nós, jornalistas, temos do educador _ unicamente como portador de conteúdos estáticos repassáveis e não como o facilitador, que realmente é, do processo de aprendizagem.Ao se apropriar da pedagogia, os jornalistas, no entanto, correm o risco: elaboram de tal forma a linguagem, costuram conceitos recentes e acabam pecando pelo excesso. Corremos o risco de nos afastar do público-alvo na medida em que se torna a narrativa hermética. Em vez de abrir para o entendimento, a repetição de conceitos, vazios muitas vezes, fecha. Vira chavão sem conteúdo. Além da apropriação dos conceitos e da sua recolocação na linguagem jornalística, sem abrir mão do rigor acadêmico, a equipe trabalha o tempo todo revendo suas representações do que seja aprender/educar.Existe - com certeza - a representação da Educação como missão, tarefa, que se dá com o uso dos verbos fazer, dever, sempre conjugados no imperativo negativo ou afirmativo, mas sempre embebidos de uma legitimidade, de uma autoridade do que sabe para o que não sabe. Uma representação da Educação como algo imbuído de espírito altruísta, filantrópico, salvacionista. E se corre o grande risco de ter essa representação impregnando o discurso jornalístico.Outra frente delicada desse trabalho, além da escrita, quer seja de textos de matérias quer seja dos roteiros de CD ROM ou de TV, é o uso da câmera. Sobretudo na TV, o uso construtivista da câmera pode trazer um enriquecimento enorme ao programa, relevando detalhes nunca antes imaginados por quem fica fora da sala de aula.Todas essas considerações, no entanto, apontam para um processo que ainda está em construção em qualquer dos veículos que em nossos dias se dedicam ao jornalismo educativo ou a produtos que estão inseridos na interface da Comunicação com a Educação. Ainda estamos buscando.
Ana Mascia LagôaJornalista e ProfessoraUniversidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Brasil
Autor do Artigo
Ana Mascia Lagôa
Inf. sobre o artigo
Jornal "a Página"Nº 88
Ano 8 Fevereiro 2000
Pag. 23
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Um guarda e uma desembargadora
Os indivíduos não podem estar acima das instituições. Nem guarda. Nem desembargadores. Antes, no Acre, não havia medida para isso. O indivíduo era o poder; situava-se acima da lei.
Polícia Militar, Ciatran e Corpo de Bombeiros agiram de forma correta, porque um guarda na sociedade não é menos importante que uma desembargadora ou menos humano. Merece respeito tal qual um juiz.
Ainda sonho com uma pátria justa.
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Matéria de Josafá Batista
Policiais defendem agente que multou marido de desembargadora
Agentes da Polícia Militar, da Companhia de Trânsito (Ciatran) e do Corpo de Bombeiros se uniram ontem em solidariedade ao agente de trânsito que multou o advogado Raimundo Menandro de Souza.
Segundo eles, o policial não dirigiu sequer a palavra à desembargadora Eva Evangelista Araújo e Souza, esposa de Menandro, e que o acompanhava no incidente.
Ainda na versão do policial, era Menandro e não Eva que ocupava a direção do veículo, cuja placa não tinha o lacre de segurança. Por isso, o breve diálogo teria acontecido apenas com o motorista.
A desembargadora, que ocupava o banco da frente, teria se limitado a sair do veículo pouco depois do agente anunciar a Menandro a retenção do automóvel. A retenção sumária é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
“Há uma padronização das abordagens no trânsito. Ela diz que a fala deve ser dirigida ao motorista, com requisição de documentos do veículo e do próprio. Esse policial faz esse mesmo serviço há 14 anos e é um exemplo para nós. O que está acontecendo é uma infâmia, já que ele não dirigiu a palavra à desembargadora”, argumenta o presidente da Associação dos Militares do Estado do Acre (Ame-AC), Natalício Braga.
Segundo Braga, o episódio, ocorrido nesta quinta-feira, está causando comoção entre os militares. Eles aguardam o desfecho com preocupação.
Ontem, os jornais acreanos trouxeram várias notas de solidariedade à desembargadora, assinadas por instituições representativas dos magistrados.
No mesmo dia, o automóvel da desembargadora, um Corolla, já não estava mais no pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Para Wherles Rocha, vice-presidente da Ame-AC, o policial também está recebendo solidariedade de instituições ligadas aos policiais militares do Acre. O agente, que não quis se identificar, é considerado um modelo de comportamento na corporação.
“Ele é muito respeitado e tudo isso está abalando o exercício da função de fiscalização do trânsito como um todo. Essa polêmica é um episódio muito triste e não podemos deixar que alguém seja atingido injustamente”, finaliza.
A retenção de veículos sem lacres de segurança nas placas é estabelecida em lei, no artigo 230, inciso 1º, do CTB.
Enem dos Estados
---------Prova Objetiva & Prova de Redação-----------------
1º RGS - 39.29 -------------------1º RGS - 57.22
2º MG - 37.34 --------------------2º SC - 53.29
3º DF - 36.77 ---------------------3º MS - 53.15
4º PR - 36.28---------------------4º PR - 53.13
5º SP - 36.00---------------------5º DF - 52.39
6º ES e SC - 35.91-----------------6º MG - 52.36
7º RJ - 35.88----------------------7º RJ - 51.73
8º GO - 33.66---------------------8º ES - 51.10
9º MS - 33.65---------------------9º SP - 51.09
10º CE - 33.08--------------------10º BA - 51.02
-------------------------------------27º TO - 45.26
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
A educação acreana
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2006
A pontuação do Enem vai de 0 a 100. O ranking abaixo refere-se à media da prova de redação e às escolas estaduais de Rio Branco.
1º Meta --------------------------------------------- 53.37 (particular)
2º Lato Sensu ---------------------------------------52.73 (particular)
3º Instituto Imaculada Conceição ------------------- 50.46 (particular)
4º Prof. José Rodrigues Leite ----------------------- 43.94
5º Fundação Bradesco ------------------------------ 43.92 (particular)
6º Barão do Rio Branco ----------------------------- 39.57
7º Glória Perez ------------------------------------- 37.05
8º Instituto Lourenço Filho ------------------------- 36.07
9º José Ribamar Batista ---------------------------- 35.44
10º Profª. Heloísa Mourão Marques ---------------- 35.15
11º Dr. João Aguiar ---------------------------------34.96
12º Humberto Soares da Costa --------------------- 33.04
13º Centro de Educação de Jovens e de Adultos -----32.78
14º Henrique Lima --------------------------------- 32.09
15º Leôncio Carvalho ------------------------------- 30.76
16º Maria Chalub Leite ----------------------------- 28.69
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Aceçores


segunda-feira, fevereiro 05, 2007
As igrejas de Deus

sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Chico Science & Nação Zumbi


quarta-feira, janeiro 31, 2007
Cruz e Sousa

Para encantar os círculos da Vida
E ser tranqüilo, sonhador, confiante,
Sempre trazer o coração radiante
Como um rio e rosais junto de ermida.
Beber na vinha celestial, garrida
Das estrelas o vinho flamejante
E caminhar vitorioso e ovante
Como um deus, com a cabeça enflorescida.
Sorrir, amar para alargar os mundos
Do Sentimento e para ter profundos
Momentos e momentos soberanos.
Para sentir em torno à terra ondeando
Um sonho, sempre um sonho além rolando
Vagas e vagas de imortais oceanos.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
O ProFessOr está sempre ErradO

É jovem, não tem experiência;
velho, está superado;
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia";
Fala em voz alta, vive gritando;
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Brinca com a turma, é metido a engraçado;
Não brinca com a turma, é um chato;
Chama à atenção, é um grosso;
Não chama à atenção, não sabe se impor;
A prova é longa, não dá tempo;
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Não falta ao colégio, é um "Caxias";
Precisa faltar, é um "Turista";
Conversa com os professores, está "malhando" os alunos;
Não conversa, é desligado;
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos;
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Escreve muito, não explica;
Explica muito, o caderno não tem nada;
Fala corretamente, ninguém entende;
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário;
Exige, é rude...
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição;
O aluno é aprovado, "deu mole";
É, o professor está sempre errado, mas...
Se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele ! (texto anônimo)
Crash & Filosofia do Tédio
Professor norueguês mescla cultura pop e filosofia para explicar o tédio e como lidar com eleElias Koteas e Deborah Kara Unger em "Crash", filme de David Cronenberg em que personagens preenchem seu tempo com fantasias automobilístico-sensuais
Do caderno MAIS!
O norueguês Lars Svendsen, professor da Universidade de Bergen, cuja "Filosofia do Tédio" tornou-se best-seller em seu país, é um dos autores que apresentam a filosofia ao grande público em estilo pop. "Escrevi um ensaio, à maneira de Montaigne", define o autor, apartando sua obra de sucessos da auto-ajuda filosófica como "As Consolações da Filosofia", de Alain de Botton, ou "Mais Platão, Menos Prozac", de Lou Marinoff. Para Svendsen o tédio é um fenômeno moderno, apesar da ligação com conceitos tradicionais da história da filosofia como a acídia (ou, simplesmente, "preguiça") e a melancolia. Autor de outros ensaios temáticos (sobre o amor, o mal e a moda), Svendsen argumenta que o tédio não é evitável, mas que sua compreensão pode ajudar o indivíduo moderno a lidar com esse estado. Leia a entrevista concedida à Folha:
FOLHA - A abordagem pop é responsável pelo sucesso do livro? LARS SVENDSEN - É grande parte desse sucesso. O livro é de certo modo uma análise da cultura contemporânea, portanto faz sentido usar fontes da cultura contemporânea. Usar esse tipo de material pareceu mais relevante do que me prender à bibliografia acadêmica. Mas não usei essas fontes com intenção de obter sucesso. É que, durante meu doutoramento, me sentia vestindo uma camisa-de-força, pouco podia trazer dos meus interesses à pesquisa. Quis fazer o oposto da tese acadêmica neste livro. FOLHA - Portanto o sr. já deve estar acostumado a comparações com Alain de Botton ou Lou Marinoff. Como compara sua obra à deles? SVENDSEN - Meu livro é muito mais acadêmico que os deles, por exemplo toda a parte do livro sobre a fenomenologia do tédio. Uma coisa comum entre eles é a intenção de abordar o público geral. Quando escrevi o livro, não pensei muito nisso. Escrevi um ensaio, à maneira de Montaigne em seus "Ensaios" -escrever de um ponto de vista mais subjetivo, usando muitas fontes diferentes, criando um tipo de "colagem". FOLHA - Por que se demorou tanto em "Crash" [filme de David Cronenberg baseado em livro de J.G. Ballard] e Heidegger no ensaio? SVENDSEN - Heidegger é simplesmente o filósofo que escreveu a mais detalhada análise do fenômeno do tédio. Acabo por dispensar sua análise como não-funcional. Acho que ele procura por algo no tédio que na verdade não se encontrará. Quanto a "Crash", é o ponto de partida do livro. Vi o filme e ele me tocou profundamente. Quis saber por que esse filme me atingiu, um filme que tanta gente acha tedioso ou desagradável. Escrevi primeiro uma análise de "Crash". Depois veio a análise de "Psicopata Americano" [filme baseado no romance de Bret Easton Ellis]. FOLHA - Seus pontos de partida são representações de comportamento anormal. Sua intenção era afastar as pessoas de comportamentos anormais advindos do tédio? SVENDSEN - Uma coisa sobre o tédio é que é influente em levar pessoas a fazer coisas que realmente não deveriam fazer. É uma das razões por que os velhos padres, como São Tomás de Aquino, viam a acídia, o tédio pré-moderno, como o pior dos pecados capitais. Eu uso esses exemplos como versões extremas de nós, para descobrir por que pensamos como pensamos. Grande parte da cultura contemporânea tem um fascínio pela violência. Já que você é brasileiro, posso falar: o jiu-jitsu brasileiro, o vale-tudo são um dos meus interesses mais "não-filosóficos". FOLHA - Não quis tratar das respostas "zen" ao problema do tédio? SVENDSEN - Ou sentar e ouvir uma peça de John Cage? Não estou certo de que essa opção esteja disponível para todo mundo. Falei também da estética como resposta. A felicidade estética é como as drogas: pode ser ótima, mas não dura. A modernidade tem sido isto: romper com velhas tradições. Isso tem lados bons e ruins. Um lado ruim é ter criado o "problema do sentido". Levou a um individualismo tão forte que fica difícil pensar em algo mais comum que o individualismo. Como na "Vida de Brian" [filme do grupo cômico britânico Monty Python]. Brian não quer ser profeta: "Vocês são todos indivíduos". "Somos todos indivíduos", respondem em coro. O indivíduo é aquele sujeito posto no mundo para realizar a si mesmo, esse é o grande projeto do sentido da vida para eles. E muitos de nós falhamos miseravelmente. O tédio pode ser visto como uma voz da consciência, que diz que sua vida não é nada, que sua carência de sentido precisa ser suprida. A conclusão é que o tédio pode ser uma fonte de autoconhecimento. FOLHA - É por isso que não traz uma resposta pronta. SVENDSEN - Isso é relacionado ao meu conceito de filosofia. No fim das contas, trata-se de auto-exame, de reflexão. Ler filosofia deve ser algo trabalhoso. É provavelmente mais uma diferença entre meu livro e outros, como o de De Botton: ele não deixa espaço para o leitor trabalhar por si. FOLHA - Seu texto atinge alguma conclusão ética ou moral? SVENDSEN - Acho que há uma conclusão moral -em sentido existencial. Acabo dizendo: "Não gaste sua vida tentando escapar do tédio. Apenas o aceite como parte da vida". Ao aceitar-se o tédio, ele deixa de ser aquele fenômeno grande e assustador do qual precisamos fugir. Aceitar o tédio faz com que ele se torne menor. O problema de Heidegger é que ele acha que, se você pensar profundamente o bastante sobre o tédio, então o sentido da vida vai se desvelar para você. Acho isso simplesmente errado, pois não acredito que exista algo como o grande sentido da vida. Há muitos sentidos na vida, muitas fontes de sentido: família, trabalho, hobbies... podem ser suficientes. O problema com a busca do grande sentido é tender a desprezar todas essas fontes de significado. Fernando Pessoa, que tanto cito, fala do tédio das grandes cargas de tarefas. O problema do tédio é o de encontrar um sentido pessoal nas coisas. FOLHA - E por que diferencia tédio de melancolia, nesse caso? SVENDSEN - É difícil fazer uma distinção. Como filósofo, o tédio é mais tentador. "Melancolia" já foi roubado pela estética; "depressão", pela psiquiatria. "Tédio" estava disponível.Mas é interessante: quando alguém pergunta às pessoas, muito mais homens que mulheres reclamam de tédio. E muito mais mulheres do que homens reclamam de depressão. Será que um gênero chama de "tédio" o que o outro chama de "depressão"?
sábado, janeiro 27, 2007
Ele & Ele

São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar da alegria terrestre e da plena satisfação dos instintos da vida.
Pré-Vestibular Ideal
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Erich Fromm


Iniciei a leitura de A Arte de Amar, de Erich Fromm (1900-1980), porque meus alunos do ensino médio lerão essa obra dissertativa comigo em sala de aula, neste ano letivo. Para mim, eles precisam ler um texto maduro sobre o amor para que alguns deixem de ser infantis e vulgares sobre esse elaborado sentimento. Havendo essa leitura como base, eles assistirão aos filmes relacionados ao mesmo tema. Penso em três: Tristão e Isolda, Lavoura Arcaica & Fale com Ela. Eles relacionarão a leitura com os filmes. Filme com narrativa simples (Tristão e Isolda) e filmes mais complexos (Lavoura Arcaica e Fale com Ela). Pretendo que, no final do curso, saibam relacionar conceitos às imagens.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
- fizeram a retiradas das famílias -
- Bastava "retiraram as famílias".
- homens do Corpo de Bombeiros -
- O mesmo repórter ainda escreve "homens do Corpo de Bombeiros". Bastava "bombeiros".
- de água que recebeu em decorrência das chuvas -
- O que passa na cabeça de um repórter para escrever assim? Coisa muito ruim. Bastava "por causa do grande volume de chuva".
- para ser utilizados na remoção de -
- Hoje, em um jornal, o repórter escreveu demais. Bastava "estão prontos para remover as famílias".
segunda-feira, janeiro 22, 2007
A esquerda em seu labirinto
RAUL JUSTE LORES
Os quatro países que querem adotar o socialismo do século 21 têm em comum décadas de partidos corruptos, instabilidade e relações próximas com os EUA.
sábado, janeiro 20, 2007
- à serviço -
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Literatura e Cinema


A Literatura precisa ser lida em sala de aula. Professor de Literatura deve ler em sala um romance e negar os estilos de época.Como extensão, os alunos precisam conceituar as imagens; dar a elas um sentido por meio de conceitos. Não podemos negar o cinema na escola. Assistir aos filmes em lugar apropriado para a recepção dos sentidos.Sobre conceitos, três autores são fundamentais: Nietzsche, Mikhail Bakhtin e Roland Barthes.
Literatura & Cinema


Quando lecionei no Souza Marques, uma escola batista em Madureira, Rio de Janeiro, havia a leitura de um romance e, depois, esse romance reaparecia na tela. Era 1990.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Alunos, os meus


Houve uma época em que eu lecionei para 11 turmas. Em uma, havia mais de 40 alunos.
Hoje, por causa da política educacional da Frente Popular, leciono para duas turmas.
A turma da foto pertence ao ensino médio, é o pessoal da B, manhã. Nela, há 14 alunos. E aí eu pergunto: por que certos professores não qualificam o ensino público?
Com 14 alunos, há professores que não lecionam Redação como deveria ser, porque, como já ouvi, "cansa muito".
terça-feira, janeiro 16, 2007
- Chico está de férias ou em férias? -

Para Eduardo Martins, do jornal O Estadão, tanto faz, mas ele opta por "em férias". O Chico, que nem está aí para a gramática e nem se encontra em Rio Branco,, curte as praias de Crato, no Ceará. Muito cansado de trabalhar, suas férias representam o mérito de um homem que não mede esforços para transformar o Brasil em barranco.
- à você -
- - à você - Como pode um jornalista escrever assim? Não há acento grave, indicador do fenômeno da crase.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
- mal tempo -


"Mal tempo fecha aeroporto e vôos são cancelados"
- - Mal tempo - Um jornal local publicou "mal tempo". Não é "bem tempo". O correto é "bom tempo" e, se é "bom tempo", podemos substituir por "mau tempo"; e
- - e vôos cancelados - Como se trata de sujeitos diferentes, prefiro colocar uma vírgula antes do "e".
"Mau tempo fecha aeroporto, e vôos são cancelados"
sábado, janeiro 13, 2007
Literatura & Língua Portuguesa

Tenho a certeza de que somos melhores professores na escola pública, porque ela oferta a nós esta liberdade - a de sermos responsáveis pela vida de nossos alunos.A gestora da escola Heloísa Mourão Marques, professora Lúcia, aceitou a idéia dos Conselhos de Disciplina desde 2006 e, hoje, mais uma vez, os professores se reuniram para construir a "imagem" de Literatura e de Língua Portuguesa para a escola.O processo é lento, mas não há outro caminho quando pulsa a relação humana. Brigamos, discutimos, criticamos, mas não somos desleais, canalhas ou indiferentes à vida, à educação, à escola pública. No segundo semestre de 2006, o professor Tadeu - sentado ao lado da gestora Lúcia - organizou as reuniões do Conselho de Literatura e de Língua Portuguesa, e um item importante foi registrado e assinado pelos professores, qual seja: em sala, não haverá mais os estilos de época, mas tão-somente textos literários lidos, estudados, analisados, interpretados.Os estilos de época serão cobrados em trabalhos escritos.Da escola, saem os juízes, os médicos. Tudo começa por ela, a educação. sexta-feira, janeiro 12, 2007
Falta & Falta

Certa vez, na escola Heloísa Mourão Marques, alunos seriam reprovados por falta, mas algumas pessoas - e não seria ético dizer nomes - levaram os estudantes ao Conselho Escolar e, contrariando a LDB, passaram uma borracha em suas faltas. Outra Boa Entrevista de Josafá Batista
A Amazônia real
Historiador diz que Galvez e Plácido eram mercenários
Se a narrativa da história do Acre contar com a versão boliviana, muito bem ocultada por mais de um século de “ladainhas sobre bravos heróis da floresta”, muita coisa terá que ser reescrita.
Para começar, o Acre foi sim “doado” ao Brasil em troca de um cavalo. E mais: o puro-sangue, um mimo estratégico do governo brasileiro ao ditador da Bolívia, Mariano Melgarejo, foi acompanhado de duas medalhas... de latão.
Os detalhes desse e de outros trechos nada gloriosos da famosa e misteriosa “Questão do Acre” são expostos com farta documentação por um historiador boliviano. Aos 84 anos, Hernán Messutti Rivera, professor de História da Universidad Mayor de San Andréas, em La Paz (Bolívia), é pioneiro na pesquisa e na documentação do conflito que gerou o Estado, onde, hoje, vivem todos os acreanos.
Autor do livro El Desmembramiento de La Bolivia, ainda sem tradução no Brasil, Rivera apresenta uma nova e polêmica versão: a de que Luís Galvez e Plácido de Castro eram mercenários, isto é, homens pagos pelo governo do Amazonas com um único objetivo: enfraquecer a Bolívia, recém-saída de uma derrota em uma guerra contra o Chile. Para o historiador, a ambição brasileira, justificada pela explosão do mercado da borracha, era só uma: la plata.
Confira os detalhes da entrevista exclusiva.
É verdade que o senhor é o primeiro, do lado boliviano, a estudar a famosa “Questão do Acre”?
Eu era pioneiro quando comecei há mais ou menos 30 anos. Escolhi esse tema porque aqui ainda não havia consenso sobre a guerra, apenas alguns relatos muito antigos dos eventos. Mas foram escritos pouco depois da revolução, são mais documentos da época do que propriamente livros. Mas os historiadores não estudavam esse tema, por isso o escolhi.
O senhor também consultou fontes brasileiras?
Sim, viajei em busca de documentos a Rio Branco, ao Rio de Janeiro, a Manaus e a Brasília. Fui inclusive até o Itamaraty em busca de documentos para pesquisar os detalhes sobre a guerra.
O senhor usa sempre a expressão “guerra” em vez de “revolução”, por quê?
Porque o exame cuidadoso dos fatos mostra que foi uma guerra. Quando o senhor fala em revolução, o senhor fala do povo lutando contra o seu próprio governo. Fala do povo não muito contente pela maneira como é conduzido o governo. Por isso, revolução é sempre contra o seu próprio governo e não contra um governo estrangeiro. Um ato belicoso contra um governo de outro país chama-se guerra. Está tudo no dicionário.
Alguns historiadores brasileiros refutam esse argumento, dizendo que era uma revolução devido à posse da Bolívia na região. Não faz sentido? Não foi a revolução de pessoas que viviam dentro do território boliviano contra o governo boliviano?
Não, porque não foi feita por bolivianos, mas por brasileiros. Isso faz toda a diferença. O território era boliviano, sim, mas a guerra foi feita por brasileiros.
Como essa guerra começou na sua opinião?
O Tratado de São Ildefonso, de 1777, estabelecia o limite oeste do Brasil no sul de onde hoje fica o Estado do Amazonas. Daí para baixo, era tudo da Bolívia. Em 1867, o ditador boliviano Mariano Melgarejo, que era analfabeto e que não tinha legitimidade para representar o nosso país, deu um brinde de 540 mil quilômetros quadrados para o governo brasileiro.
Por quê?
Porque o governo brasileiro havia lhe dado um lindo cavalo e também duas medalhas de latão. Era uma estratégia, na verdade, porque o governo brasileiro não queria que o Brasil apoiasse o Paraguai em outra guerra em que se metera, por isso ofereceu o presente. E teve sucesso.
Mas 540 mil quilômetros quadrados, doados assim, é muita coisa, não?
Essas terras para os bolivianos não tinham significado algum. Eles preferiam morar lá no alto, a oeste, nos altiplanos andinos. Essas terras baixas, quentes, com bichos e doenças não eram do agrado dos bolivianos.
Então é correto dizer que o Acre foi trocado por um cavalo?
Sim, os cavalos foram um brinde do Brasil ao tirano Melgarejo. Um cavalo e duas medalhas. E ele retribuiu com as terras, assinando o famoso Tratado de Ayacucho.
E por que o senhor acha que o Brasil teria interesse nessa área, sendo que a Bolívia não tinha?
O Brasil era bem maior, tinha uma economia mais desenvolvida e percebeu que o preço da borracha vinha crescendo. Houve uma explosão do preço do látex, na verdade. Ela atingiu um preço altíssimo. Um quilo de borracha custava o equivalente a cinco dólares de hoje, preço tão tentador que vinham aqui aventureiros de todo o mundo.
Quem eram eles?
Eles integravam companhias estrangeiras, mas usavam nomes brasileiros e andavam com brasileiros. Veja, tanta ambição despertada se devia a um único fato: o Acre era o único lugar no mundo onde se produzia o látex. E também no sul do Amazonas, mas em escala desprezivelmente menor.
No Acre, está sendo exibida uma minissérie sobre a guerra.
Sim, eu fui entrevistado por uma equipe da televisão brasileira sobre essa produção. Parte da novela é baseada no famoso Luíz Galvez, esse aventureiro espanhol que criou a República do Acre. No entanto, algumas pessoas não sabem, outras não querem saber, mas o Galvez era pago pelo governador do Amazonas, Ramalho Júnior. Por isso, ele queria fazer um país independente.
Um herói pago?
Não, um aventureiro mesmo. Os documentos da época mostram de tudo um pouco. Era escroque, mulherengo, ladrão, enfim, fazia várias bobagens, mas ele tinha carisma e conquistava as pessoas. Fazia com que elas aderissem à sua causa, sabia conquistá-las. Mas era pago, e muito bem pago, por isso.
E Plácido de Castro?
Plácido era militar. Ele começou a carreira e ascendeu muito, mas, quando chegou à certa patente, percebeu que sua vocação não era aquela, porque ele queria ganhar dinheiro. Então veio para a Amazônia. Em Manaus, foi contratado para fazer incursões, limitando o tamanho dos seringais, mas contraiu malária e voltou a Manaus. Foi então que o governador José Néri, sucessor do Ramalho Júnior, contratou-o para fazer uma demonstração de força do Brasil para a Bolívia. A idéia era fazer os bolivianos desistirem de defender essa região. Por isso, ele foi enviado e também foi pago muito bem.
A sua versão de Plácido de Castro bate de frente com a versão dos acreanos. Lá, ele é um herói, com monumentos em sua homenagem.
Para os brasileiros, Plácido pode ser um herói, mas, para os bolivianos, ele foi um mercenário. Um herói é alguém que dá sua valentia, sua vontade, seu suor por amor à pátria sem compensações. Mas uma pessoa que faz um trabalho de guerra, sendo paga para isso, chama-se mercenário, isso desde a Idade Média. Ele condicionava o seu proceder ao dinheiro que recebia. Um mercenário.
E o Bolivian Syndicate? Até onde é verdadeira a história de arrendamento do Acre para o capital internacional? Foi isso que precipitou os fatos que levaram à guerra na versão brasileira.
Aconteceu o seguinte. A Bolívia não tinha dinheiro para desenvolver seu território, porque perdeu o mar e enfrentava diversos conflitos. Então, o governo planejou participar de uma sociedade anônima para a exploração dos recursos naturais, que, estes, sim, eram vastos. Foi algo parecido com a Lei de Exploração de Florestas recentemente aprovada no Brasil, mas com a diferença de ações para venda. Pelas regras, a Bolívia ficava com 50% da exploração e o restante era vendido a quem quisesse comprar.
Mas isso não foi um atentado à soberania boliviana?
Não, porque o que se negociava era apenas o direito de explorar economicamente as terras, e não de possuí-las. E, como eu disse, o governo boliviano tinha 50% das ações, o que, em tese, impediria qualquer tentativa tresloucada de invadir o território para assaltá-lo. Era uma idéia boa para os bolivianos e para os empresários da época, que inclusive se interessaram.
Quem se interessou?
Quem não se interessou foi o Brasil, que foi convidado, mas não quis. O governo taxou a idéia de maluca. Então, a Bolívia ofereceu à Europa e aos Estados Unidos, onde os industriais mais ricos compraram as ações.
Quais industriais?
Os mais ricos. Deixe-me lembrar. Rockefeller, Kennedy, Ford, Vanderbilt e outros. Todos compraram ações. A família do presidente Roosevelt também comprou ações, havia muitos interessados exatamente devido à borracha. O problema é que, quando o chanceler do Brasil, que nessa época ainda não era o Barão do Rio Branco, era José Paranhos da Silva, viu que a idéia daria certo, resolveu espalhar boatos e assustar os investidores.
Estratégia de mercado?
Isso mesmo. Assustando os investidores, aproveitando-se da sua proximidade na região para espalhar boatos inverídicos sobre desgraças naturais, índios carniceiros, doenças incuráveis e outras coisas, o Brasil conseguiu não apenas a desistência de muitos investidores, mas também comprar as ações a um preço baixíssimo.
Quanto?
Menos de quarta parte do valor original. O governo brasileiro agiu assim até comprar os 50% destinados ao mercado. As ações valiam cerca de um milhão de libras esterlinas. O Brasil comprou todas por 50 mil libras esterlinas.
Então, o Brasil comprou o Bolivian Syndicate?
Isso mesmo.
Mas, convenhamos, o senhor não acha que parte dessa estratégia se devia à preocupação com brasileiros que já viviam na região?
Se assim fosse, se a preocupação fosse essa, o Brasil teria aceitado a primeira oferta e comprado ações para empregar o seu povo. Não havia problema algum. O que a Bolívia queria era investir esse dinheiro em uma indústria poderosa da borracha na própria Bolívia. Quando se trata de mercado, é fácil negociar essas coisas, especialmente porque os bolivianos não moravam nessa região, como eu já citei. A Bolívia precisaria e contrataria mão-de-obra brasileira, pacificamente, mas o Brasil infelizmente queria guerra. O governo de vocês queria a posse das terras.
Mas, se na versão brasileira o argumento mais forte da revolução ou guerra foi exatamente o Bolivian Syndicate, então por que Plácido de Castro usou esse argumento?
Ele mentiu, é claro. E isso confirma a narrativa histórica dele. Quando Plácido dizia que estava lutando pelo Acre para impedir a intromissão dos grandes capitalistas norte-americanos, isso era falso, porque nessa época o Brasil já havia comprado todas as 50% das ações do Bolivian Syndicate.
Mas, se o Brasil havia comprado, por que fazer guerra?
Porque o seu país comprou o direito de trabalhar dentro, apenas. Não tinha a posse da terra. O Bolivian Syndicate nunca negociou a soberania boliviana.
Por que os parceiros comerciais não ajudaram a Bolívia?
Porque eles compravam borracha dentro do Brasil, diretamente. Havia toda uma cadeia de exportação da borracha, burlando-se impostos ao governo federal brasileiro e outras irregularidades. Se fosse pela Bolívia, os compradores teriam que pagar todos os impostos, mas isso não acontecia no Brasil. Então, eles estavam envolvidos demais economicamente para qualquer tomada de posição pró-Bolívia.
Então houve uma certa omissão internacional nesse conflito, é isso?
Houve, porque a borracha era vendida às grandes indústrias de pneus. A indústria do automóvel na época crescia enormemente e precisava de borracha para os pneus. E o único lugar do mundo onde se produzia borracha era aqui, no Acre. E, nessa época, já havia muitos brasileiros na região.
Então, o senhor está dizendo que houve toda uma conjugação de interesses econômicos e que, para mantê-los, o Brasil invadiu um território de outro País e o tomou, usando mercenários pagos. É isso?
Esse é o resumo de tudo. Veja, o governador do Amazonas, Ramalho Júnior, ganhava desse território com a produção e importação de borracha cerca de um bilhão de contos de réis por ano. Se ele perdia esse território, devolvendo-o à Bolívia, ele perderia tudo. E Ramalho precisava, porque gastava muito, inclusive, com malversação de recursos públicos. Ele simplesmente não podia perder essa mina, inclusive, para manter sua influência e poder.
Por que a Bolívia não denunciou tudo à comunidade internacional?
Denunciar para quem? Não existia ONU nem Liga das Nações nessa época. Pior: a Bolívia não podia fazer muito esforço econômico, porque acabávamos de sair da guerra com o Chile. Nessa guerra, nós perdemos 50 mil soldados. A economia boliviana estava quebrada e, logo em seguida, veio esse problema. Não tínhamos recursos para fazer nada e, quando resolvemos fazer, recebemos um ultimato do governo brasileiro.
Como assim?
Quando a Bolívia venceu um conflito com as tropas de Plácido de Castro, em Puerto Alonso, o governo brasileiro colocou em cena o Barão do Rio Branco. Ele enviou uma carta ao governo boliviano com negociações, mas, quando o governo boliviano respondeu que não aceitava, ele mandou essa resposta: “Isso não é uma negociação. É uma ordem!”. E também avisou que 50 mil brasileiros, das Forças Armadas do Brasil, estavam prontos para invadir La Paz e tomar a Bolívia. E estavam mesmo.
Isso está documentado?
Está. Tudo o que estou lhe falando está documentado, com fontes brasileiras e bolivianas. Na segunda edição do meu livro, vou publicar a carta completa do Barão do Rio Branco com o ultimato à Bolívia. Todos poderão conferir como se deu esse assalto, porque foi disso o que se tratou - um assalto.
Mas o governo brasileiro não pagou dois milhões de libras esterlinas pela posse do Acre?
O Brasil nunca pagou essa dívida. Aliás, pagou sim, mas com uma estrada de ferro que nunca foi concluída e dentro do território brasileiro, com gente brasileira e que sequer chegava à Bolívia nem mesmo no projeto. É como se eu tivesse uma dívida com o senhor, comprasse um aparelho de som no mesmo valor da dívida e lhe dissesse: “Eu paguei aquela dívida com um aparelho de som. Está lá em casa. Quando quiser ouvir som, passe por lá”.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Ele (1902-1987)
A Polícia Federal e a Linguagem
Uma liminar, expedida pelo juiz federal substituto da 1ª Vara de Guarulhos, Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que a União Federal fiscalize a utilização da língua portuguesa no comércio de produtos e de serviços, inclusive, nas ofertas publicitárias em vitrines, prateleiras, balcões ou anúncios.
Segundo a determinação, os anúncios que utilizarem termos como "sale", "off", "summer", entre outros, deverão ser acompanhados de tradução, no mesmo destaque.
Expressões em língua estrangeira deverão ser traduzidas com texto correspondente na língua portuguesa. Além disso, os anúncios deverão ter clareza e precisão ao se referirem às características, qualidades, quantidade, composição, preço (também condições de pagamento e descontos), garantia, prazos de validade, origem, riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.
Na opinião de Antônio Mascarenhas de Souza, o artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor é claro: "oferta e apresentação de produtos ou serviços devem exteriorizar-se por meio de informações em português".
"Qualquer fornecedor que se utilize dos termos 'sale' ou 'off' objetiva propor ao consumidor a aquisição de seus produtos ou serviços, tornando-os mais atrativos, relacionando tal informação diretamente à diminuição do preço, ao seu barateamento."
Para o juiz, somente a publicidade que não tiver algum tipo de oferta é que poderá usar indiscriminadamente qualquer símbolo, palavra ou gesto, "desde que esteja dentro das regras dos artigos 36 a 38 do CDC, que proíbem a mensagem enganosa ou abusiva."
Souza esclarece que a oferta, publicitária ou não, é meio de interlocução com o consumidor para convencê-lo e atraí-lo, mediante realce de elementos contratuais do negócio.
"Em conseqüência, nesse aspecto, suprir-lhe a comunicação na própria língua significa negar os objetivos expressos no Estatuto de Defesa do Consumidor e dificultar o acesso de compreensão para boa parte [senão a maioria] da população brasileira."
Quem não respeitar as regras, segundo decisão do juiz, deverá ser penalizado de acordo com o artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, com multa, apreensão do produto, cassação do registro, entre outras penas.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Tonivan & Tonivan & Tonivan
Há quase 10 anos, tenho a amizade e os bons serviços de Tonivan, responsável pela filmoteca, pelos filmes que passam pela escola pública. Após a leitura de um romance em sala de aula, passo para meus alunos a imagem-palavra do que foi lido. São filmes relacionados à temática da narrativa romanesca. Neste ano, após a leitura de Admirável Mundo Novo, assistimos aos filmes Tristão e Isolda, Triunfo do Amor e O Sorriso de Mona Lisa. Falei sobre os conceitos relacionados ao Romantismo "expostos" pela imagem a fim de compará-lo como valores opostos ao livro Admirável Mundo Novo. Se não existissem funcionários como Tonivan, seria impossível. Muto obrigado! Sempre precisamos do Outro. Itaan & a Imprensa
terça-feira, janeiro 09, 2007
Os SindicaTos se CalaM
Durante toda a vida, ex-governadores acreanos receberão uma pensão que, por mês, retira dos cofres públicos mais de R$ 350 mil. "Governador" não é profissão. "Professor" é.
O Supremo Tribunal Federal recebeu parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, que considera inconstitucional o pagamento de pensões vitalícias a ex-governadores.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Município cria regras para avaliar eficácia da alfabetização
De olho na eficácia dos programas de alfabetização nas escolas de ensino infantil, a Prefeitura de Rio Branco acaba de criar um procedimento para avaliar a eficácia dos professores em sala de aula. As novas medidas pretendem avaliar os professores a partir da aprendizagem dos alunos.Seis avaliadores, sendo quatro professores e dois integrantes da Divisão de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Educação (Seme), irão compor o quadro de avaliadores. As avaliações serão feitas duas vezes por ano, sendo o primeiro ao final dos cem dias letivos e o segundo a partir do 200 dias.
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