domingo, maio 05, 2013

A decadência de um feminismo

05/05/2013 - 02h45

Ana Paula Padrão escreve livro, fala da dor de perder um bebê e diz que é "quase doce"

DE SÃO PAULO
Ao rever uma reportagem sobre o "badernaço", manifestação que acabou em confronto em Brasília, em 1986, Ana Paula Padrão percebeu como sua voz era diferente no começo da carreira. "Fiquei chocada em ver como havia incorporado um padrão vocal masculino", relata à repórter Eliane Trindade.
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Ana Paula Padrão diz que hoje é uma mulher "quase doce"

Karime Xavier/Folhapress


A jornalista Ana Paula Padrão posa para a coluna no hotel Fasano, nos Jardins, em São Paulo
A ficha caiu em 2002, quando a jornalista fazia uma série de reportagens sobre mulheres no mundo do trabalho para o "Jornal da Globo". Ocupava também a bancada do telejornal do fim de noite desde que voltara de uma temporada como correspondente em Nova York.
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A mudança embutia mais do que amadurecimento do timbre ou maior segurança. Personalizava o que a fonoaudióloga Maruska Rameck descreveu em um estudo sobre o falar das mulheres poderosas: menos ar e menos espaço entre as palavras e o tom mais grave. "Ao pesquisar a voz de mulheres em posição de comando, a conclusão foi a de que mudamos a voz para chegar ao poder."
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As angústias de Ana Paula encontraram eco em Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia. Uma entrevista que deveria durar 15 minutos virou conversa de uma hora e meia sobre o resgate de valores do universo feminino no mercado de trabalho.
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Ela repete as palavras da futura presidente: "Se a mulher só vive para o tempo da produtividade, que é diferente do tempo de educar uma criança, por exemplo, está pensando errado a vida familiar". Outra frase de Dilma calou fundo: "A vida sem um companheiro, sem alguém para amar, sem filhos e família, é uma vida pobre".
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Na época, aos 35 anos, Ana Paula, hoje com 47, contabilizava um casamento fracassado, não tinha filhos e vivia para o trabalho. "Que sentido tinha ser super respeitada, estar numa das bancadas mais gloriosas da tevê e ter uma carreira sensacional, se não tinha vida pessoal?", diz a apresentadora.
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Foi em um encontro profissional que conheceria o futuro marido, o economista Walter Mundell, 59. "No final da entrevista me deu um clique: essa é a mulher da minha vida. Vou atrás dela até o fim do mundo", recorda-se ele, 11 anos depois de ter ido a Paris só para jantar com Ana Paula. Ela estava na capital francesa a caminho de Seul, onde iria cobrir a Copa do Mundo na Coreia em 2002.
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No segundo jantar, rolou o primeiro beijo e o pedido de casamento. O sim dela só viria 45 dias depois, quando acabou o Mundial. "O que gastei de telefone dava para comprar um carro", brinca Walter, que foi buscar Ana no aeroporto. "Nunca mais nos separamos. Era fim de julho e marcamos o casamento para setembro", diz ela.
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Protagonista de um conto de fadas moderno, a princesa do telejornalismo passou a viver os dilemas cantados por Chico Buarque em "Ela É Dançarina": "O nosso amor é tão bom/o horário é que nunca combina/eu sou funcionário/ela é dançarina".
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A ex-bailarina cansou das piruetas para conciliar o casamento com uma função que a fazia chegar em casa às 2h da manhã. "Walter já estava dormindo. Por quase três anos, a gente viveu em fusos horários diferentes", diz.
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Em 2005, Ana Paula trocou a Globo, onde estava havia 18 anos, pelo SBT, em um lance que trouxe para o primeiro plano sua vida pessoal.
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"Mudei de emprego porque queria ser mulherzinha. Queria tempo para ficar com meu marido. Não via sentido em envelhecer como uma 'mulher carreira'."
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O fato de ter sofrido um aborto foi determinante. "Eu estava mexida. Vinha de quatro tentativas de fertilização in vitro e de um aborto."
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A corrida tardia pela maternidade, com a ajuda das modernas técnicas de fertilização assistida, foi um duro aprendizado. "Só aparecem as fotos dos bebês risonhos dos casos de sucesso. Nas clínicas, encontrei mulheres que estavam na décima tentativa e nada."
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Em uma pausa do tratamento, engravidou naturalmente, mas perdeu o bebê no terceiro mês de gestação. "Quando cheguei ao consultório, o coração dele já não batia. Fiquei três dias internada. Walter e eu chorávamos desesperadamente. Foi uma dor absurda."
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Ana Paula ainda fez outras duas tentativas de fertilização. "Aí, cheguei à conclusão de que estava criando um ponto de infelicidade numa vida muito feliz. O quarto vazio do bebê, as viagens adiadas para o caso de engravidar. Resolvi não tentar mais. A vida não me deu um filho, mas me deu muitas outras coisas", afirma. O quarto que seria do bebê deu lugar a uma biblioteca.
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Expor suas fragilidades aproximou a jornalista de vez do público feminino. As mudanças profissionais e pessoais são a matéria-prima de uma autobiografia. "Eu uso a minha história para mostrar como as mulheres da minha geração chegaram a um momento de querer a todo custo retomar a mulher que existia dentro delas."
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O livro da apresentadora, que, em março, deixou a bancada do "Jornal da Record" após 27 anos de carreira na televisão brasileira, deve ser lançado ainda no segundo semestre deste ano pela editora Paralela.
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Falar dos desafios femininos virou trabalho para ela, que é dona do portal Tempo de Mulher. "É uma empresa de comunicação e de desenvolvimento de produtos e serviços voltados para o público feminino. A mulher hoje no Brasil é um grande negócio."
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No mês passado, a jornalista recebeu 28 convites para fazer palestras. Falou para diretoras de Recursos Humanos e para mulheres empreendedoras. Em outubro, promoverá um seminário internacional sobre a presença feminina no mercado de trabalho. "O ambiente corporativo não é confortável para a mulher", afirma.
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Com base nos princípios de empoderamento feminino propostos pelas Nações Unidas, Ana Paula está formatando um prêmio para as empresas que melhor tratam as suas funcionárias no país. É um parceria com a Itaipu Binacional, agraciada pela ONU por práticas que levaram 22% dos postos de gerência a serem ocupados hoje por mulheres.
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Os novos projetos devem afastá-la definitivamente da televisão. "Nunca digo nunca, mas estou comunicando ao mercado que quero fazer outras coisas na vida." Uma delas é curtir férias com o marido. O casal embarca no final deste mês para uma viagem de barco pela Sicília, na Itália, a convite de amigos italianos que acabaram de comprar uma embarcação que pertencia ao ator americano George Clooney.
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"Hoje, eu definitivamente sou mais mulherzinha, quase doce", afirma Ana Paula Padrão, que se sentiu poderosa em um vestido de noiva e adora cozinhar.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

  1. Amaral (32)
    (06h32) há 2 horas
    A estabilidade financeira e a carreira são coisas importantes, mas existem coisas muito mais importantes ainda.
    O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
  2. Depaula (950)
    (08h54) há 19 minutos
    Não há nada na vida pessoal nem na profissional, além dos padrões, que justificam palestras, livro, etc. Virou lugar comum 'escrever' livro..$. Se vai ser lido e se há conteúdo, pouco importa$.
    O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
  3. guriatã (468)
    (08h21) há 53 minutos
    Ela era bastante amiga de FHC.
    O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

domingo, abril 28, 2013

Amanhã

Amanhã, dia de enfrentar os rostos anônimos da cidade. Mas ainda me sensibilizo quando não ouço a cidade.

Na caminhada até meu destino, música aos meus ouvidos enquanto a multidão me atravessa.



   

Quando a educação me comove

Depois de ter lido minha última postagem,

Sérgio escreveu:




África está para Angola assim como o continente americano está para o Brasil? Não se confunda, África é continente com 54 países e América do sul com 13 países. Dizer que Angola é África é burrice que invalida toda a sua informação. Uma dica: mude a porcaria do título.



Você
mostrou profundo conhecimento de 

geografia. Estou maravilhado!!!


Eu nem sabia que Angola ficava na África, e eu

pensei que África fosse até um país.



Obrigado por você ter me mostrado, com muita

educação, o correto.



Mas o título fica assim
mesmo.

sábado, abril 27, 2013

África não quer evangélicos

27/04/2013 - 04h00

Angola proíbe operação de igrejas evangélicas do Brasil

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO
O governo de Angola baniu a maioria das igrejas evangélicas brasileiras do país.
Segundo o governo, elas praticam "propaganda enganosa" e "se aproveitam das fragilidades do povo angolano", além de não terem reconhecimento do Estado.

"O que mais existe aqui em Angola são igrejas de origem brasileira, e isso é um problema, elas brincam com as fragilidades do povo angolano e fazem propaganda enganosa", disse à Folha Rui Falcão, secretário do birô político do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e porta-voz do partido, que está no poder desde a independência de Angola, em 1975.

Cerca de 15% da população angolana é evangélica, fatia que tem crescido, segundo o governo.
Em 31 de dezembro do ano passado, morreram 16 pessoas por asfixia e esmagamento durante um culto da Igreja Universal do Reino de Deus em Luanda. O culto reuniu 150 mil pessoas, muito acima da lotação permitida no estádio da Cidadela.

O mote do culto era "O Dia do Fim", e a igreja conclamava os fiéis a dar "um fim a todos os problemas que estão na sua vida: doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja, problemas na família, separação, dívidas."

O governo abriu uma investigação. Em fevereiro, a Universal e outras igrejas evangélicas brasileiras no país -- Mundial do Poder de Deus, Mundial Renovada e Igreja Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém-- foram fechadas.

No dia 31 de março deste ano, o governo levantou a interdição da Universal, única reconhecida pelo Estado.

Mas a igreja só pode funcionar com fiscalização dos ministérios do Interior, Cultura, Direitos Humanos e Procuradoria Geral da Justiça. As outras igrejas brasileiras continuam proibidas por "falta de reconhecimento oficial do Estado angolano". Antes, elas funcionavam com autorização provisória.
As igrejas aguardam um reconhecimento para voltar a funcionar, mas muitas podem não recebê-lo. 

"Essas igrejas não obterão reconhecimento do Estado, principalmente as que são dissidências, e vão continuar impedidas de funcionar no país", disse Falcão. "Elas são apenas um negócio."

Segundo Falcão, a força das igrejas evangélicas brasileiras em Angola desperta preocupação. "Elas ficam a enganar as pessoas, é um negócio, isto está mais do que óbvio, ficam a vender milagres."

segunda-feira, abril 22, 2013

Jorge Viana não foi oportunista

O petista Jorge Viana, vice-presidente do Senado, discursou da tribuna contra o projeto de lei emenda à proposta. Concorda com as restrições. Mas quer adiar sua vigência para depois das eleições de 2014.


Antes disso, declarou Viana, “casuísmo” e “esperteza”. “Temos de ser justos, mexer nas regras do jogo com o jogo em andamento não vale”, ele acrescentou. Eleito pelo Acre, o Estado de Marina Silva, Viana é um amigo fraternal da ex-petista. Considerou “legítimo” o esforço que ela empreende para armar a sua Rede, nova legenda pela qual planeja disputar a Presidência.
Viana mencionou também o MD (Movimento Democrático). Surgido da fusão do PPS com o PMN, o partido flerta com o apoio ao projeto presidencial de Eduardo Campos (PSB). Contra todas as evidências, o senador disse descrer da versão segundo a qual o PT e o Planalto patrocinam a asfixia às novas agremiações.
Ouça-se Viana: “Ora, sou vice-presidente do Senado, sou do PT e, pelo menos comigo, ninguém falou sobre tal assunto. O estranho é que ficam pondo isso na conta do governo e da presidenta Dilma.” Disse isso quatro dias depois de o ministro petista Gilberto Carvalho ter defendido o projeto sob refletores.
“Nunca ouvi falar que fidelidade partidária seja oportunismo. Não tem que ter pressa em ficar criando partidos. Nós temos que respeitar a institucionalidade partidária e fortalecer os partidos e não fazer um processo sem fim de criação de partidos para acomodar interesses, aí sim, meramente eleitorais”, declarou o doutor Gilbertinho.
Em ritmo de toque de caixa, o texto-base do projeto que embala a polêmica foi aprovado na semana passada na Câmara. Nesta terça (23), os deputados devem votar as emendas que ficaram pendentes. Só então a proposta seguirá para o Senado. Se for modificado, como propõe Viana, o texto terá de voltar para a Câmara, para nova votação.

domingo, abril 14, 2013

Tem gay no partido de Feliciano


Secretário Nacional do PSC é a favor do casamento gay e revela que partido tem homossexuais 
 

O pastor-deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, começa a encontrar posições contrárias às suas dentro do comando do próprio partido.
Secretário nacional do Partido Social Cristão, membro da executiva e presidente do diretório em Minas – onde foi fundada a legenda – Antonio Oliboni revelou que é a favor do casamento gay e que o PSC tem homossexuais assumidos em seus quadros – no Rio, Bahia e Paraná. Diz ter “muitos amigos gays”, mas frisou que pessoalmente é contra a adoção de crianças por casais gays.  ”A criança tem que ter a presença das figuras paterna e materna”.
Deve-se a Márcio Lima, de Belo Horizonte, a entrevista com o secretário-nacional, cedida ao blog. Conheça aqui o site do repórter.
As palavras não só vão de encontro às ideias de Feliciano como têm o peso do comando do partido. Oliboni falou autorizado pelo presidente , Vítor Nósseis.  O secretário-nacional ainda emendou que, se fosse deputado, votaria a favor da união homoafetiva.
As declarações, no entanto, não indicam que o PSC vai pressionar Feliciano, há o respeito à ideologia pessoal do deputado. “O Marco Feliciano é um bom rapaz e sua atuação como pastor tem sido confundida com sua atuação como político”, comentou. Perguntado sobre o fato de Feliciano ter dito em pregações ser o negro “amaldiçoado”, Oliboni o defendeu com o argumento de que isto poderia ter sido “uma afirmação que ele fez num culto, talvez para explicar alguma mensagem específica a alguns de seus fiéis naquele momento”.
A exemplo de outros partidos, o PSC grava filmes para inserções permitidas por lei na televisão em rede nacional. O partido não vai fugir à polêmica da presença do deputado Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Oliboni vai convidá-lo para reunião em BH para ajudá-lo na implementação “de uma agenda positiva”.

terça-feira, abril 09, 2013

O tricotar do poder


No Altino Machado. 


SEGUNDA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2013


DIVISÃO DE APOIO A PRIMEIRA DAMA

Era o que faltava


Quem lembra? Em outubro do ano passado, neste blog, em nota intitulada "Nepotismo casado", revelei que, em fevereiro de 2011, o então diretor geral do Deracre, Marcus Alexandre, candidato do PT à prefeitura de Rio Branco, havia nomeado a mulher dele, a engenheira Gicélia Viana da Silva, para responder pelo Departamento de Construção da Infraestrutura de Transporte - cargo de confiança CEC–5, cujo salário era de R$ 5,6 mil.

O Diário Oficial do Acre desta segunda-feira traz decretos em que o prefeito Marcus Alexandre estabelece a estrutura organizacional básica de várias secretarias.

Dessa vez, para não voltar a ser acusado de nepotismo, o prefeito criou na Secretaria Municipal da Casa Civil a "Divisão de Apoio a Primeira Dama".

A primeira dama não faz parte oficialmente dos cargos da administração pública. Como o prefeito cria uma divisão para atender exclusivamente alguém que não faz parte da administração?

Atualização às 11h05 para destacar comentário do senador Anibal Diniz (PT-AC):

- Caro Altino, ainda que a primeira dama do município de Rio Branco, Gicélia Viana, não seja nomeada na Prefeitura, não há dúvida de que ela tem prestado relevantes serviços para a comunidade, como pude constatar pessoalmente durante os dias em que as famílias vítimas da alagação ficaram abrigadas no Parque de Exposição. É natural que a primeira dama, mesmo atuando como voluntária, possa contar com alguma estrutura da prefeitura para as realizações das quais venha a fazer parte. Portanto, da minha parte, considero inteiramente legítimo que o prefeito Marcus Alexandre tenha criado uma divisão especificamente para dar suporte a atividades que venham a ser desenvolvidas pela primeira dama, que, justiça seja feita, tem tido um comprometimento exemplar com o povo de Rio Branco ao lado de seu esposo, o prefeito Marcus Alexandre.


4 comentários:

Sara Daniela disse...
De volta à LBA.
Gleiciane disse...
Estou na contramão do slogan da Rede de supermercados Araújo: Tenho vergonha de ser acriana.
Beneditino disse...

"Divisão de Apoio a Primeira Dama" não significa nada na língua portuguesa. Esse item é letra morta. É um amontoado de palavras sem sentido algum. Se estivesse escrito em português seria "Divisão de Apoio à Primeira Dama"
Lazaro Barbosa disse...
Tudo que era imoral, agora virou legal. Como o Poder muda a ideologia dos nossos "lideres".

O Rio e a Cultura da Desordem

Por obrigação, vou me acostumando à engrenagem velha da cidade do Rio de Janeiro. Um pedra inútil me olha com sua cristã indiferença, é o Cristo Redentor que não abençoa a cidade, uma ironia acima de todos.

O jornal "O Globo" publicou editorial no sábado com o título "O Rio e a Cultura da Desordem".

Policiais militares são os mais corruptos do do Brasil.

Entre 40 cidades turísticas, o Rio é 9ª mais suja do mundo.

Não vejo a hora de sair desta Merda Maravilhosa.  

domingo, março 31, 2013

O Acre que a oposição não vê

Para mim, a questão não é atacar o Partido dos Trabalhadores do Acre, mas criticar [do grego krinein, que significa julgar] o dinheiro público aplicado por grupos partidários, ou seja, julgar, porque essa grana também é minha. Tua.

Hoje, levei à minha esposa a uma UPA do Rio de Janeiro. Um contêiner. Uma demanda muito acima da oferta, a ponto de o acompanhante (eu) ser obrigado a permanecer fora do contêiner.

No Acre, o sistema de saúde é melhor do que esta merda carioca. Sinto-me humano em uma UPA do Acre. Aqui, na Cidade Maravilhosa, perto do Cristo Redentor, sinto-me um objeto dentro de um contêiner.

Meu sogro, que sempre precisou do serviço público acriano, só deixou de falar mal da saúde depois que a Frente Popular transformou a Fundhacre.

O dinheiro público melhorou a saúde pública acriana. Se algum acriano pensa que não, eu o convido a fazer um turnê hospitalar na Cidade do Rio de Janeiro.  


quarta-feira, março 27, 2013

O ler e o escrever da Secretaria de Educação do Acre


Recebo algumas vezes postagens de colegas de profissão. Neste mês, entre algumas, selecionei estas duas:

Professora

Perfeito! Adorei artigo sobre avaliação diagnóstica de Redação. Como professora de Língua Portuguesa, Redação e Literatura já havia me questionado sobre a ausência desses conteúdos. O governo exige tanto do profissional da Educação e se esquece, que é ele que ditas as regras dentro de uma sala de aula. Infelizmente, nossos alunos escrevem mal e se quer sabem estruturar um texto dentro do seu gênero textual. Acredito que quem elabora esses projetos nunca entrou numa sala de aula, talvez, por isso, o excesso de utopia.Se diagnóstica a Língua Portuguesa pela Redação, o emissor colocará com certeza, se conhece ou não à norma culta e outros quesitos gramaticais, conhece seu aluno pelo que escreve. Eis a verdade!

A professora comentou sobre um texto que postei em 2009. É uma pessoa que em sua vida cotidiana escolar deve apresentar suas inquietações, discordando da forma "silenciosa" como o governo acriano conduz a educação pública.

Assim como eu, ela é mais uma ignorada pelo governo, mas que, aos poucos, com o passar das lentas horas, forma o rosto da anônima "Opinião", que se dissemina na cidade e que governo algum consegue alterar por meio de propagandas oficiais.

Professor


Professor, veja só a última vinda dos "gênios" da Educação (MEC e SEE/AC): A Secretaria de Educação e Esportes do Acre divulgou há duas semanas algumas medidas para "melhorar" os índices obtidos pelo alunado acriano nas avaliações externas. Dessas medidas, as únicas válidas, na minha opinião, são o reconhecimento do despreparo dos gestores assim como dos coordenadores pedagógicos das escola públicas do estado (mas isso eu vi divulgado em apenas um jornal televisivo; na impresna escrita não há menção há isso). As outras duas (ridículas) medidas são as seguintes: 1. Aumentar gradualmente o tempo de permanência em sala de aula dos alunos, começando pelo terceiro ano do ensino médio. Na prática isso equivale ao sexto tempo de aula. Ora, convenhamos, não é o aumento do tempo de estudo que vai, da noite para o dia, tornar os nossos alunos especialistas em leitura. Não nas condições em que somos obrigados a lecionar. Na verdade, essa ideia "maravilhosa" pode ser, eu penso assim, antiprodutiva. Se não, vejamos: na escola Leôncio de Carvalho, entre os meses de agosto a novembro, praticamente todos os dias há alunos passando mal devido ao insuportável calor. Há salas de aula que têm apenas um ventilador funcionando precariamente. Sendo assim, eu pergunto: De que adianta aumentar o tempo em sala de aula se não há condições adequadas para isso? Se não há, como você já nos falou inúmeras vezes, salas adequadas à leitura na escola? Vejo nisso a antiga ideia capitalista da escola como fábrica na qual tempo é igual a produtividade. Uma ideia burra a meu ver, pois os nossos alunos ÑÃO SÃO produtos finais de uma linha de montagem. 2. A segunda ideia ridícula consiste em um caderno de atividades fornecido pela SEE/AC para os professores de língua portuguesa e matemática. Esse caderno foi produzido pela fundação Abaporu e na sua capa está escrito "Atividades Complementares". A SEE pressiona os gestores das esocla e os gestores das escolas pressionam os professores para aplicarmos essas atividades. Na prática isso equivale a dizer que as nossas aulas já estão prontas, pois se formos aplicar tais atividades, sobrará pouco tempo ou nada para exercermos nossa autonomia. Isso mesmo, os textos e atividades já foram escolhidos por outros que não o próprio professor da matéria. Se eu quiser falar sobre a tragédia grega, como eu pretendia, terei que "encaixar" isso entre uma e outra atividade do livro. A autonomia do professor torna-se, assim, secundária, deixando claramente a entender que nós não estamos sabendo elaborar nossas aulas e por isso os baixos índices nas avaliações externas. A maior parte do amterial, como você já pode supor, diz respeito aos gêneros textuais e perguntas como "O que você entendeu do texto?". Lamentável. Ainda para piorar o quadro, a SEE deixo ao encargo das escolas providenciar as cópias para os alunos, consumindo assim a cota anual de fotocópias que deveria ser distribuida para os professores de todas as áreas. Qual a sua opinião sobre isso?

Li o material didático do governo de Tião Viana (PT), escrito pela professora baiana Edleise Mendes. Ela esteve no Acre em 2010 para ministrar dois módulos do curso de "capacitação", além de fazer parte da Fundação Abaporu.

Serei breve.

1. Por questão política, e não educacional, a Frente Popular busca resultados para que políticos como o senador
Aníbal Diniz vá à televisão e diga que a educação pública acriana está muito bem;
2. Para tanto, um material didático feito por alguém que é muito bem pago para isso. Esse material surge depois de o ensino médio apresentar péssimos resultados;
3. Nesse material, Redação e Literatura não existem. Essas disciplinas não existem na sala de aula acriana;
4. Esse material é a confissão de que a "máquina escolar" permanecerá como está. A forma da vivência escolar permanece inalterada, por exemplo, os professor não criam um material didático regional de redação.
5. Depois de tantos anos no poder, o PT não se superou.
6. Em outro momento, comentarei mais. Agora, tenho hora marcada com o suicídio.




domingo, março 24, 2013

www.brasiliana.usp.br

Neste sábado (23), foi inaugurada, na Universidade de São Paulo (USP), a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O acervo conta cinco séculos de história do Brasil e foi doado à USP pelo empresário, quatro anos antes de morrer.
O prédio foi construído para receber o acervo de 60 mil volumes. No local, a temperatura é estável, a umidade é baixa e há pouca incidência de luz, tudo para preservar a maior coleção particular de obras de brasileiros ou de estrangeiros falando sobre o nosso país. A arquitetura da biblioteca permite que todos possam ver os livros. Um pedido do empresário José Mindlin, que morreu em fevereiro de 2010. O neto dele, Rodrigo Mindlin Loeb, foi um dos arquitetos responsáveis pelo projeto.
“Ele tinha uma paixão absoluta pelos livros e uma paixão maior ainda em compartilhar esse conhecimento que tinha com todos”, conta.
Mindlin comprou seu primeiro livro antigo aos 13 anos. E durante as oito décadas seguintes, garimpou uma coleção impressionante.
Para inaugurar a biblioteca, foi montada uma exposição com destaques do acervo. Entre eles a primeira edição de “O Guarani”, de José de Alencar, uma obra que José Mindlin perseguiu durante quase 15 anos. Cada livro exposto tem um comentário de Mindlin. São preciosidades e raridades como a primeira prova de “Vidas secas”, corrigida à mão por Graciliano Ramos. Foi quando o título original, "O mundo coberto de penas", foi substituído por “Vidas secas”.
Entre os livros de autores estrangeiros está um do alemão Hans Staden, de 1557. O primeiro relato impresso sobre o Brasil.
“Temos livros também importantes para pensar a história da imprensa no Brasil. Temos a primeira folha impressa na imprensa régia, em 1.808, quando veio para cá a família real”, revela o diretor da biblioteca, Pedro Puntoni.
A biblioteca é aberta ao público. O acesso aos livros, restrito a pesquisadores. Mas as obras estão sendo digitalizadas e 3,6 mil já estão na internet.
“É um jeito de ponta de pesquisar. Um jeito mais fácil, mas rápido e com acesso ao acervo inteiro”, comenta a coordenadora de pesquisa Maria Clara de Souza.
Foi previsto espaço para a chegada de outras obras. Quem sabe o gesto de Mindlin inspire novas doações.