segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Crianças terminais







Quando meus pés pisaram o Acre em 1992 pela primeira vez, logo observei que faltavam calçadas na capital e praças com brinquedos para as crianças. A ordem pública ignorava os pedestres e esquecia-se da inocência.

No passado? Crianças, ainda, continuam à margem, por exemplo, Thaísa, de 10 anos, e Fábio, de 8 anos, seu irmão. Elas são crianças terminais.
Trabalham no terminal urbano de Rio Branco como vendedores de doces com seus seus rostos desfigurados pela amargura da vida.
A mãe recebe menos de um salário mínimo por mês, também, como vendedora de doces. "Preciso ajudar a minha mãe", disse a menina, magra e triste. Thaísa freqüenta a escola, a 3a série. No banco, os dois, a foto registrou a hora do expediente infantil: 21h09.
Prender a mãe? Não. É preciso libertar o mundo infantil. Chamem o Ministério Público.






Meninas da Playboy 4



Essa coelhinha chegou ontem à Redação da TRIBUNA. Tímida, até hoje, não disse seu nome, mas pela foto já disse para que veio.

Meninas da Playboy 3



Coelhinha Aldo, menor de idade, a mais cachorra de todas.

Meninas da Playboy 2



Essa se chama coelhinha Josafá, 21 aninhos, a única que mostra os dentinhos.

A mãe da figura viu a foto do filho em meu blog. Passa bem no hospital.

Meninas da Playboy 1



Elas têm um sonho como coelhinhas, além do desejo, é claro, de comer uma cenoura. Elas querem ser capa da Payboy.
Primeiro, ela: coelhinha Freud, 18 anos. Prendada, essa coelhinha costura e passa roupa para fora, para dentro, para fora, para dentro, para fora, para dentro. (Ufa!!!)

sábado, fevereiro 10, 2007

Amorim, do jornal Correio do Povo (RS)


Aroeira, do jornal O Dia (RJ)


Vírgula, um detalhe

Na Redação, um bom jornalista perguntou-me o porquê de colocar a vírgula nesta situação: "Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo."
    1. Matei o jornalista.

Jornalismo Educacional

A Construção da Linguagem no Jornalismo Educativo

O jornalismo educativo - um tipo de material de imprensa que não é jornalismo sobre educação - tem sido meu trabalho na última década e meu objeto de estudo. Parto do pressuposto de que existem muitas diferenças entre fazer jornalismo sobre Educação e jornalismo educativo, mas neste artigo pretendo me deter apenas na questão da construção da linguagem naquilo que venho chamando de interface da Comunicação com a Educação e que é o objeto do meu projeto de doutorado.
E que resumo em: Levar notícia para a sala de aula e labrir a sala de aula para além da escola, sempre no formato de notícia; levar além da informação, formação, atualização com elementos colhidos no próprio universo educacional em geral e escolar em particular, sem perder de vista o pano de fundo da política educacional. Tanto na forma de material impresso, quanto televisivo ou ainda nos modernos suportes da informática, o jornalismo educativo guarda uma cumplicidade estreita com o ensino.
Partindo de um pressuposto, que é também um princípio (no sentido ético) - quem sabe educação é o educador - o papel dos jornalistas seria fazer a mediação entre os dois mundos, equalizando as abordagens e buscando uma linguagem que unisse os dois universos teóricos e semânticos.
Um trabalho que envolve o exercício constante de apropriações de saberes e linguagens e a construção e reconstrução de representações que se tem — no senso comum e na profissão de jornalista — do que seja o educador e a educação.

O lugar do jornalista

"Toda ordem de conhecimento, (...) pressupõe uma prática e uma atmosfera que lhe são próprias e lhe dão corpo. E, também, sem dúvida alguma, um papel particular do indivíduo conhecedor. Cada um de nós preenche de modo diferente esse papel quando se trata de exercer o seu ofício na arte, na técnica ou na ciência, ou quando se trata da formação de representações sociais".
Serge Moscovici - que tem sido um referencial teórico importante nas minhas reflexões sobre a interface comunicação-educação — começa o item 2 do primeiro capítulo de A representação social da psicanálise , descrevendo, desta forma muito simples, o lugar onde o jornalista está colocado no momento em que pensa, cria imagens, constrói opiniões, seleciona temas, elabora pautas, busca, identifica e relata "experiências em sala de aula", levadas a cabo por professores da rede pública de ensino de 1o. Grau que imaginamos modelos a serem seguidos.
Para dar conta dessa construção, o jornalista envolvido na produção de um programa ou de um texto jornalístico educativo precisa _ em primeiro lugar _ ter muito claro quem é seu público-alvo, delimitado pelo conceito de segmento. Se o trabalho estiver voltado para o professor, sua linguagem terá que passar por um processo de despojamento e apropriações de conceitos e linguagens, exatamente no sentido a que se refere Roger Chartier.
Para Roger Chartier, a história cultural tem como objeto principal "identificar o modo como em dife-rentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler". Para chegar a isso, é necessário que nos detenhamos sobre como a sociedade percebe e aprecia o real e, para tanto, é preciso entender como se dá a organização dessa apreensão, essa apropriação.
Esse entendimento passa pela identificação das classes sociais ou o meio intelectual a que o grupo pertença.É deles que surgem os "esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras graças às quais o presente pode adquirir sentido, o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado".
É exatamente isto que acontece no momento em que se constrói o discurso de um programa educativo de natureza jornalística. O que nos chama a atenção no trabalho de Chartier é a possibilidade de ver com mais clareza esses momentos de apropriação e reconstrução, no dia a dia do trabalho do jornalista que atua nessa área.
Como jornalista participei de dois projetos _ um impresso, outro televisivo _ destinados à atualização do professor e dos estudantes do Curso de Formação do Magistério. Ambos pressupunham a imersão nas práticas de sala de aula, para em seguida divulgá-las, agregando-lhes o embasamento teórico e apontando de forma sistemática as possibilidades e dificuldades didáticas.

A busca da interface

Do ponto de vista jornalístico, a idéia central do trabalho do jornalista é mostrar reportagens sobre experiências de ensino que estivessem dando certo.Uma idéia simples e aparentemente fácil de executar. Ver, ouvir, fotografar, filmar. A interface, no entanto, precisa de mais que técnicas jornalísticas.
Quando uma equipe envolvida nesse processo descobre que o jornalismo sozinho não dá conta de resgatar os processos que se passam na sala de aula, em geral realiza um mergulho no aprendizado do que é pedagógico.
As equipes em que trabalhei realizaram esse mergulho, em cursos, leituras, freqüentando congressos etc. A apropriação de conhecimentos da pedagogia, no entanto, não garante o resultado. Toda produção de programas desse tipo passa pelo dilema: ou o programa fica extremamente pedagógico e perde o jornalismo, ou se prende ao jornalismo de superfície, distanciando-se do pedagógico e do didático.
Acaba não respondendo COMO as coisas acontecem. Não chega perto dos processos e, muito menos, da teoria.A barreira que separa Educação e Comunicação leva tempo para dar os primeiros sinais de fissuras, para que os sujeitos dos processos de ensino/aprendizagem fiquem claros, dentro dos paradigmas teóricos que se acredita darem conta dessa caminhada. Ou seja, envolve um processo em que a equipe se dá conta, toma consciência, de quem é o sujeito do saber e também se apercebe da representaçãoconservadora que nós, jornalistas, temos do educador _ unicamente como portador de conteúdos estáticos repassáveis e não como o facilitador, que realmente é, do processo de aprendizagem.
Ao se apropriar da pedagogia, os jornalistas, no entanto, correm o risco: elaboram de tal forma a linguagem, costuram conceitos recentes e acabam pecando pelo excesso. Corremos o risco de nos afastar do público-alvo na medida em que se torna a narrativa hermética. Em vez de abrir para o entendimento, a repetição de conceitos, vazios muitas vezes, fecha. Vira chavão sem conteúdo.
Além da apropriação dos conceitos e da sua recolocação na linguagem jornalística, sem abrir mão do rigor acadêmico, a equipe trabalha o tempo todo revendo suas representações do que seja aprender/educar.
Existe - com certeza - a representação da Educação como missão, tarefa, que se dá com o uso dos verbos fazer, dever, sempre conjugados no imperativo negativo ou afirmativo, mas sempre embebidos de uma legitimidade, de uma autoridade do que sabe para o que não sabe. Uma representação da Educação como algo imbuído de espírito altruísta, filantrópico, salvacionista. E se corre o grande risco de ter essa representação impregnando o discurso jornalístico.
Outra frente delicada desse trabalho, além da escrita, quer seja de textos de matérias quer seja dos roteiros de CD ROM ou de TV, é o uso da câmera. Sobretudo na TV, o uso construtivista da câmera pode trazer um enriquecimento enorme ao programa, relevando detalhes nunca antes imaginados por quem fica fora da sala de aula.
Todas essas considerações, no entanto, apontam para um processo que ainda está em construção em qualquer dos veículos que em nossos dias se dedicam ao jornalismo educativo ou a produtos que estão inseridos na interface da Comunicação com a Educação. Ainda estamos buscando.

Ana Mascia LagôaJornalista e ProfessoraUniversidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Brasil

Autor do Artigo
Ana Mascia Lagôa


Inf. sobre o artigo
Jornal "a Página"Nº 88
Ano 8 Fevereiro 2000
Pag. 23


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Um guarda e uma desembargadora

Os indivíduos não podem estar acima das instituições. Nem guarda. Nem desembargadores. Antes, no Acre, não havia medida para isso. O indivíduo era o poder; situava-se acima da lei.

Polícia Militar, Ciatran e Corpo de Bombeiros agiram de forma correta, porque um guarda na sociedade não é menos importante que uma desembargadora ou menos humano. Merece respeito tal qual um juiz.

Ainda sonho com uma pátria justa.
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Matéria de Josafá Batista

Policiais defendem agente que multou marido de desembargadora

Agentes da Polícia Militar, da Companhia de Trânsito (Ciatran) e do Corpo de Bombeiros se uniram ontem em solidariedade ao agente de trânsito que multou o advogado Raimundo Menandro de Souza.

Segundo eles, o policial não dirigiu sequer a palavra à desembargadora Eva Evangelista Araújo e Souza, esposa de Menandro, e que o acompanhava no incidente.

Ainda na versão do policial, era Menandro e não Eva que ocupava a direção do veículo, cuja placa não tinha o lacre de segurança. Por isso, o breve diálogo teria acontecido apenas com o motorista.

A desembargadora, que ocupava o banco da frente, teria se limitado a sair do veículo pouco depois do agente anunciar a Menandro a retenção do automóvel. A retenção sumária é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Há uma padronização das abordagens no trânsito. Ela diz que a fala deve ser dirigida ao motorista, com requisição de documentos do veículo e do próprio. Esse policial faz esse mesmo serviço há 14 anos e é um exemplo para nós. O que está acontecendo é uma infâmia, já que ele não dirigiu a palavra à desembargadora”, argumenta o presidente da Associação dos Militares do Estado do Acre (Ame-AC), Natalício Braga.

Segundo Braga, o episódio, ocorrido nesta quinta-feira, está causando comoção entre os militares. Eles aguardam o desfecho com preocupação.

Ontem, os jornais acreanos trouxeram várias notas de solidariedade à desembargadora, assinadas por instituições representativas dos magistrados.

No mesmo dia, o automóvel da desembargadora, um Corolla, já não estava mais no pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Para Wherles Rocha, vice-presidente da Ame-AC, o policial também está recebendo solidariedade de instituições ligadas aos policiais militares do Acre. O agente, que não quis se identificar, é considerado um modelo de comportamento na corporação.

“Ele é muito respeitado e tudo isso está abalando o exercício da função de fiscalização do trânsito como um todo. Essa polêmica é um episódio muito triste e não podemos deixar que alguém seja atingido injustamente”, finaliza.

A retenção de veículos sem lacres de segurança nas placas é estabelecida em lei, no artigo 230, inciso 1º, do CTB.

Enem dos Estados

------------A fonte é do Ministério da Educação---------------
---------------Pontuação é de 0 a 100-----------------------
---------Prova Objetiva & Prova de Redação-----------------

1º RGS - 39.29 -------------------1º RGS - 57.22
2º MG - 37.34 --------------------2º SC - 53.29
3º DF - 36.77 ---------------------3º MS - 53.15
4º PR - 36.28---------------------4º PR - 53.13
5º SP - 36.00---------------------5º DF - 52.39
6º ES e SC - 35.91-----------------6º MG - 52.36
7º RJ - 35.88----------------------7º RJ - 51.73
8º GO - 33.66---------------------8º ES - 51.10
9º MS - 33.65---------------------9º SP - 51.09
10º CE - 33.08--------------------10º BA - 51.02
11º PE - 32.98---------------------11º CE - 50.67
12º RN - 32.71---------------------12º RN - 50.29
13º MT - 32.44---------------------13º AP - 50.20
14º BA e RO - 32.33----------------14º PE - 49.84
15º SE - 32.17----------------------15º AM - 49.74
16º PB - 32.16----------------------16º GO - 49.39
17º PA - 32.07----------------------17º PA - 49.13
18º PI - 31.57-----------------------18º PB - 49.06
19º RR - 31.43----------------------19º RO - 48.99
20º AL - 31.28----------------------20º MA - 48.72
21º AP - 31.20----------------------21º SE - 48.05
22º MA - 31.00---------------------22º PI - 47.85
23º AM - 30.65---------------------23º AC - 47.10
24º AC - 30.27--------------------24º AL - 46.88
25º TO - 29.96---------------------25º MT - 46.85
-------------------------------------26º RR - 45.78
-------------------------------------27º TO - 45.26

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A educação acreana

Chegou aos meus ouvidos que a Secretaria Estadual de Educação do Acre sentiu-se incomodada com os números do Enem de 2006.
Ora, todos nós sabemos que a média nacional, mesmo a de 2005, não foi boa. Sendo assim, por que a média acreana deveria ser?
Reconheço que houve melhoras em nossa educação, mas desejar que os números educacionais sejam sempre favoráveis a nós é pedir demais.
A educação pública acreana tem problemas e precisamos pensar sobre eles de forma séria e equilibrada.
Por exemplo, os alunos saem do ensino fundamental sem saber colocar ponto contínuo no texto. Como qualificar o ensino de Língua Portuguesa?
Mesmo se estivesse em primeiro lugar, o ensino público acreano teria uma média ruim, porque a média nacional é reconhecida pelo Ministério da Educação como ruim.
De 0 a 100, a média nacional chegou a 34.94 (prova objetiva) e a 51.23 (prova de redação). Esse número refere-se a 2006.
As escolas públicas acreanas obtiveram as médias de
30.27 (prova objetiva) e de 47.10 (prova de redação).
O Rio Grande do Sul, em primeiro lugar, ficou com 39.29 (prova objetiva) e com 57.22 (prova de redação)
.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2006

Mais uma vez, a escola Prof. José Rodrigues Leite, embora com menos ponto do que em 2005, ficou em primeiro lugar entre as escolas estaduais.
A pontuação do Enem vai de 0 a 100. O ranking abaixo refere-se à media da prova de redação e às escolas estaduais de Rio Branco.

1º Meta --------------------------------------------- 53.37 (particular)
2º Lato Sensu ---------------------------------------52.73 (particular)
3º Instituto Imaculada Conceição ------------------- 50.46 (particular)
4º Prof. José Rodrigues Leite ----------------------- 43.94
5º Fundação Bradesco ------------------------------ 43.92 (particular)
6º Barão do Rio Branco ----------------------------- 39.57
7º Glória Perez ------------------------------------- 37.05
8º Instituto Lourenço Filho ------------------------- 36.07
9º José Ribamar Batista ---------------------------- 35.44
10º Profª. Heloísa Mourão Marques ---------------- 35.15
11º Dr. João Aguiar ---------------------------------34.96
12º Humberto Soares da Costa --------------------- 33.04
13º Centro de Educação de Jovens e de Adultos -----32.78
14º Henrique Lima --------------------------------- 32.09
15º Leôncio Carvalho ------------------------------- 30.76
16º Maria Chalub Leite ----------------------------- 28.69

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Aceçores




Iniciou-se o ano político e, como ele, aparecem os textos dos "aceçores" de gabinete. Mesmo "aceçor", ele deve ganhar muito bem para "aceçorar" deputados federais.
Hoje, escreveram assim:
"Inspirada no Movimento Amazônia para Sempre, criado por artistas que participam da mini-série 'Amazônia – de Galvez à Chico Mendes', o deputado está propondo uma Frente Parlamentar supra-partidária em defesa da Amazônia Brasileira."
Essa é a ignorância ornamentada de quem ganha muito bem como "aceçor" para escrevinhar tão mal. O dinheiro público mantém "aceçor".
Na foto, o homem, que não é assessor de deputado, ou seja, que não recebe dinheiro público, escreve fora dos padrões.
O erro, no entanto, não se está na placa atrás dele. O erro é a sua condição social, causada por uma nação que usa o dinheiro público muito mal, por exemplo, em gabinete de deputado.



segunda-feira, fevereiro 05, 2007

As igrejas de Deus






Houve uma época em que o sagrado e a arte comungavam da mesma idéia.
Havia beleza (musical, arquitetônica) no templo a fim de separar o vulgar do divino.
Houve um tempo em que Deus, por meios dos homens, não foi chulo, precário.
Meu colega Enílson Amorim disse-me certa vez que Salomão convocou os melhores artistas para esculpir o templo de Deus. Está em 2 Crônicas (2,9): "(...), porque a casa que edificarei há de ser grande e maravilhosa". Abaixo, a construção não é maravilhosa.
Acima, a Igreja de Santa Clara, em Portugal. Há, também, traços barrocos nela. Para edificar o templo, Salomão recebe um homem sábio de grande entendimento, a saber, Hirão-Abi.
Houve uma época em que havia beleza para adorar a Deus. Empobreceram o Senhor.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Chico Science & Nação Zumbi




Hoje, faz dez anos que Chico Science saiu de cena, deixando uma identidade cultural ímpar. Chico não gostava de copiar os modelitos de São Paulo e do Rio de Janeiro, por isso ouviu o Nordeste, o Norte, Pernambuco, Maranhão, o som da metáfora do mangue. Sua música fascina, mistura ritmos. Seu grupo, Nação Zumbi.
Grupo pernambucano que surgiu com destaque no cenário da música a partir do movimento manguebeat, na década de 90, acompanhando o cantor e compositor Chico Science.
Com ele, a Nação Zumbi gravou dois discos, "Da Lama ao Caos" (94) e "Afrociberdelia" (96), graças aos quais conquistaram a fama no Brasil e excursionaram no exterior.
Alguns dos maiores sucessos foram "Rios, Pontes e Overdrives", "A Cidade", "Da Lama ao Caos", "Macô", "Corpo de Lama" e a versão para "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, grande sucesso na voz de Gilberto Gil na década de 70.
Depois da morte de Science, num acidente de carro em 1997, em 2 de fevreiro, os integrantes da Nação Zumbi continuaram o trabalho, lançando logo em 1998 o álbum duplo "CSNZ" (ainda vinculado ao nome do ex-líder), incluindo um CD de músicas inéditas e ao vivo e um outro de remixes.
Oferto, agora, bloguista, aos teus olhos uma letra de Chico, ei-la: ela: A Cidade
O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Cruz e Sousa



Para encantar os círculos da Vida
E ser tranqüilo, sonhador, confiante,
Sempre trazer o coração radiante
Como um rio e rosais junto de ermida.

Beber na vinha celestial, garrida
Das estrelas o vinho flamejante
E caminhar vitorioso e ovante
Como um deus, com a cabeça enflorescida.

Sorrir, amar para alargar os mundos
Do Sentimento e para ter profundos
Momentos e momentos soberanos.

Para sentir em torno à terra ondeando
Um sonho, sempre um sonho além rolando
Vagas e vagas de imortais oceanos.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O ProFessOr está sempre ErradO


Quando...

É jovem, não tem experiência;
velho, está superado;

Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia";

Fala em voz alta, vive gritando;
Fala em tom normal, ninguém escuta.

Brinca com a turma, é metido a engraçado;
Não brinca com a turma, é um chato;

Chama à atenção, é um grosso;
Não chama à atenção, não sabe se impor;

A prova é longa, não dá tempo;
A prova é curta, tira as chances do aluno.

Não falta ao colégio, é um "Caxias";
Precisa faltar, é um "Turista";

Conversa com os professores, está "malhando" os alunos;
Não conversa, é desligado;

Dá muita matéria, não tem dó dos alunos;
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Escreve muito, não explica;
Explica muito, o caderno não tem nada;

Fala corretamente, ninguém entende;
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário;

Exige, é rude...
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição;
O aluno é aprovado, "deu mole";

É, o professor está sempre errado, mas...
Se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele ! (texto anônimo)

Crash & Filosofia do Tédio

Professor norueguês mescla cultura pop e filosofia para explicar o tédio e como lidar com ele

Elias Koteas e Deborah Kara Unger em "Crash", filme de David Cronenberg em que personagens preenchem seu tempo com fantasias automobilístico-sensuais

ERNANE GUIMARÃES NETO

Do caderno MAIS!
Se a filosofia nasce do ócio criativo, então um livro sobre o tédio escrito por um professor de filosofia deve ser uma contribuição à epistemologia contemporânea... ou pode ser um livro sobre cinema hollywoodiano e variedades.
O norueguês Lars Svendsen, professor da Universidade de Bergen, cuja "Filosofia do Tédio" tornou-se best-seller em seu país, é um dos autores que apresentam a filosofia ao grande público em estilo pop.
"Escrevi um ensaio, à maneira de Montaigne", define o autor, apartando sua obra de sucessos da auto-ajuda filosófica como "As Consolações da Filosofia", de Alain de Botton, ou "Mais Platão, Menos Prozac", de Lou Marinoff.
Para Svendsen o tédio é um fenômeno moderno, apesar da ligação com conceitos tradicionais da história da filosofia como a acídia (ou, simplesmente, "preguiça") e a melancolia. Autor de outros ensaios temáticos (sobre o amor, o mal e a moda), Svendsen argumenta que o tédio não é evitável, mas que sua compreensão pode ajudar o indivíduo moderno a lidar com esse estado. Leia a entrevista concedida à Folha:

FOLHA - A abordagem pop é responsável pelo sucesso do livro?
LARS SVENDSEN - É grande parte desse sucesso. O livro é de certo modo uma análise da cultura contemporânea, portanto faz sentido usar fontes da cultura contemporânea. Usar esse tipo de material pareceu mais relevante do que me prender à bibliografia acadêmica. Mas não usei essas fontes com intenção de obter sucesso. É que, durante meu doutoramento, me sentia vestindo uma camisa-de-força, pouco podia trazer dos meus interesses à pesquisa. Quis fazer o oposto da tese acadêmica neste livro.
FOLHA - Portanto o sr. já deve estar acostumado a comparações com Alain de Botton ou Lou Marinoff. Como compara sua obra à deles?
SVENDSEN - Meu livro é muito mais acadêmico que os deles, por exemplo toda a parte do livro sobre a fenomenologia do tédio. Uma coisa comum entre eles é a intenção de abordar o público geral. Quando escrevi o livro, não pensei muito nisso. Escrevi um ensaio, à maneira de Montaigne em seus "Ensaios" -escrever de um ponto de vista mais subjetivo, usando muitas fontes diferentes, criando um tipo de "colagem".
FOLHA - Por que se demorou tanto em "Crash" [filme de David Cronenberg baseado em livro de J.G. Ballard] e Heidegger no ensaio?
SVENDSEN - Heidegger é simplesmente o filósofo que escreveu a mais detalhada análise do fenômeno do tédio. Acabo por dispensar sua análise como não-funcional. Acho que ele procura por algo no tédio que na verdade não se encontrará. Quanto a "Crash", é o ponto de partida do livro. Vi o filme e ele me tocou profundamente. Quis saber por que esse filme me atingiu, um filme que tanta gente acha tedioso ou desagradável. Escrevi primeiro uma análise de "Crash". Depois veio a análise de "Psicopata Americano" [filme baseado no romance de Bret Easton Ellis].
FOLHA - Seus pontos de partida são representações de comportamento anormal. Sua intenção era afastar as pessoas de comportamentos anormais advindos do tédio?
SVENDSEN - Uma coisa sobre o tédio é que é influente em levar pessoas a fazer coisas que realmente não deveriam fazer. É uma das razões por que os velhos padres, como São Tomás de Aquino, viam a acídia, o tédio pré-moderno, como o pior dos pecados capitais. Eu uso esses exemplos como versões extremas de nós, para descobrir por que pensamos como pensamos. Grande parte da cultura contemporânea tem um fascínio pela violência. Já que você é brasileiro, posso falar: o jiu-jitsu brasileiro, o vale-tudo são um dos meus interesses mais "não-filosóficos".
FOLHA - Não quis tratar das respostas "zen" ao problema do tédio?
SVENDSEN - Ou sentar e ouvir uma peça de John Cage? Não estou certo de que essa opção esteja disponível para todo mundo. Falei também da estética como resposta. A felicidade estética é como as drogas: pode ser ótima, mas não dura. A modernidade tem sido isto: romper com velhas tradições. Isso tem lados bons e ruins. Um lado ruim é ter criado o "problema do sentido". Levou a um individualismo tão forte que fica difícil pensar em algo mais comum que o individualismo. Como na "Vida de Brian" [filme do grupo cômico britânico Monty Python]. Brian não quer ser profeta: "Vocês são todos indivíduos". "Somos todos indivíduos", respondem em coro. O indivíduo é aquele sujeito posto no mundo para realizar a si mesmo, esse é o grande projeto do sentido da vida para eles. E muitos de nós falhamos miseravelmente. O tédio pode ser visto como uma voz da consciência, que diz que sua vida não é nada, que sua carência de sentido precisa ser suprida. A conclusão é que o tédio pode ser uma fonte de autoconhecimento.
FOLHA - É por isso que não traz uma resposta pronta.
SVENDSEN - Isso é relacionado ao meu conceito de filosofia. No fim das contas, trata-se de auto-exame, de reflexão. Ler filosofia deve ser algo trabalhoso. É provavelmente mais uma diferença entre meu livro e outros, como o de De Botton: ele não deixa espaço para o leitor trabalhar por si.
FOLHA - Seu texto atinge alguma conclusão ética ou moral?
SVENDSEN - Acho que há uma conclusão moral -em sentido existencial. Acabo dizendo: "Não gaste sua vida tentando escapar do tédio. Apenas o aceite como parte da vida". Ao aceitar-se o tédio, ele deixa de ser aquele fenômeno grande e assustador do qual precisamos fugir. Aceitar o tédio faz com que ele se torne menor. O problema de Heidegger é que ele acha que, se você pensar profundamente o bastante sobre o tédio, então o sentido da vida vai se desvelar para você. Acho isso simplesmente errado, pois não acredito que exista algo como o grande sentido da vida. Há muitos sentidos na vida, muitas fontes de sentido: família, trabalho, hobbies... podem ser suficientes. O problema com a busca do grande sentido é tender a desprezar todas essas fontes de significado. Fernando Pessoa, que tanto cito, fala do tédio das grandes cargas de tarefas. O problema do tédio é o de encontrar um sentido pessoal nas coisas.
FOLHA - E por que diferencia tédio de melancolia, nesse caso?
SVENDSEN - É difícil fazer uma distinção. Como filósofo, o tédio é mais tentador. "Melancolia" já foi roubado pela estética; "depressão", pela psiquiatria. "Tédio" estava disponível.Mas é interessante: quando alguém pergunta às pessoas, muito mais homens que mulheres reclamam de tédio. E muito mais mulheres do que homens reclamam de depressão. Será que um gênero chama de "tédio" o que o outro chama de "depressão"?

sábado, janeiro 27, 2007

Ele & Ele



São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar da alegria terrestre e da plena satisfação dos instintos da vida.