quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Criança terminal

Que decente é viver em um país onde crianças, de 9 anos, não vendem doces em terminal de ônibus.
O poder público, eficiente, proíbe no Carnaval pais com seus filhos menores depois das 22 horas, mas crianças podem trabalhar à noite, porque o trabalho dignifica o homem, digo, a criança.
Antônio José, de 9 anos, disse que fica até as 23h30 no terminal. O Conselho Tutelar e a Promotoria da Infância e da Juventude não sabem sobre isso?
Deus sabe. Rezarei por Antônio para que o milagre aconteça, porque já estou farto dos "milagres" dentro das igrejas.

Um trabalhador



Considero meu amigo Enílson Amorim um talento quando o assunto é desenho. Já disse a ele que não o admiro como chargista, mas, como desenhista, o cara é bom.

Com seus desenhos, Enílson poderia expor a caricatura do poder, dos ricos e a realidade desumana da pobreza.

Mas, para tanto, falta loucura a esse artista acreano.

Bloguista, repare só na parada de ônibus. Há grupo político nesta terra que nem faz questão de oferecer à população uma parada de ônibus à altura do dinheiro público.

Na época, a prefeitura de Rio Branco propagou que as paradas de ônibus dariam cidadania ao rio-branquense.

O prefeito Angelim, do PT, construiu ótimas paradas na capital, mas não em todo canto. No Aeroporto Velho, no ponto final do Ginásio Coberto, por exemplo, não existe cobertura na parada de ônibus.

Se chover, Enílson e os trabalhadores do Ginásio Coberto tomam banho fora do banheiro, sem água quente, sem chuveiro e sem toalha para se secar.

De Enílson Amorim


Há pessoas que não me levam a sério. Brincam comigo. Curtem. O Enílson, cartunista da TRIBUNA, resolveu fazer isso.
Pode brincar, pode me caricaturar. Não existe algo tão sério quanto o riso.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Razão e Sensibilidade


Leia a inteligência
de Renato Janine Ribeiro.
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Filósofo e estudioso do iluminismo,
Renato Janine Ribeiro
repensa a pena de morte à luz da morte de João Hélio

RENATO JANINE RIBEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Escrever sobre o horror em estado puro: assim vivi o convite para participar deste número do Mais!. É insuportável pensar no crime cometido contra o menino João Hélio. E é nisso que mais penso, nestes dias. Não me saem da cabeça duas ou três coisas. A primeira é o sofrimento da criança.


Se há Deus, e acredito que haja, embora não necessariamente antropomorfo, como admite Ele esse mal extremo, gratuito, crudelíssimo? Se a alma ou o espírito tem um destino após a morte, chame-se esse de juízo eterno ou de uma série de reencarnações, como poderá esse infeliz menino ser recompensado pela vida que lhe foi ceifada, não apenas tão cedo, mas, além disso, de modo tão bárbaro? Essas são questões religiosas, ou melhor, de fé. E quanto aos assassinos?


A outra coisa que não me sai da cabeça é como devem ser punidos. Esse assunto me faz rever posições que sempre defendi sobre (na verdade, contra) a pena de morte. Anos atrás, me convidaram a escrever um artigo para uma revista de filosofia contra a pena de morte. Perguntei então: mas alguém escreverá a favor? E me responderam que era possível, por que não? Acabei escrevendo meu artigo (contra a pena capital), mas este caso horrível me faz repensar ou, melhor, não pensar, sentir coisas distintas, diferentes.

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Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga;
torço para que a recebam de modo demorado e sofrido
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Se não defendo a pena de morte contra os assassinos, é apenas porque acho que é pouco. Não paro de pensar que deveriam ter uma morte hedionda, como a que infligiram ao pobre menino. Imagino suplícios medievais, aqueles cuja arte consistia em prolongar ao máximo o sofrimento, em retardar a morte.


Todo o discurso que conheço, e que em larga medida sustento, sobre o Estado não dever se igualar ao criminoso, não dever matar pessoas, não dever impor sentenças cruéis nem tortura -tudo isso entra em xeque, para mim, diante do dado bruto que é o assassinato impiedoso. Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga; torço para que a recebam de modo demorado e sofrido.


Conheci o sr. Masataka Ota, pequeno empresário cujo filho pequeno foi assassinado. Entrevistei-o para meu programa de ética na TV Futura (episódio "Justiça e Vingança"). Masataka perdoou os assassinos, isto é, embora pudesse matá-los, não o fez. Quis que fossem julgados e lamenta que já estejam soltos, poucos anos após o crime hediondo, mas ele é um caso raro -e admirável- em não querer se vingar, em não querer que os assassinos sofram mais do que a pena de prisão.


Confesso que não seria a minha reação. Quem é humano? Penso -porque ainda consigo pensar, em meio a esse turbilhão de sentimentos- também que há diferentes modos de impor a pena máxima. A punição com a morte se justifica ora pela gravidade do crime cometido, ora pela descrença de que o criminoso se possa recuperar.


No caso, as duas razões comparecem. Parecem irrecuperáveis, e seu crime é hediondo. Não vejo diferença entre eles e os nazistas. Creio que só um insensato condenaria as execuções decretadas em Nuremberg. Há, hoje, quem debata se Luís 16 deveria ou não ter sido guilhotinado: dizem alguns que o melhor seria reduzir o último rei absoluto da França a um cidadão privado, um pouco como a China (curiosamente, campeã em execuções) fez com Pu Yi, seu derradeiro imperador.


Mas Luís era culpado apenas de ser rei. Pessoalmente, era um homem bom. Os nazistas foram culpados do que fizeram. Optaram pelo mal. Como esses assassinos. Em países como os Estados Unidos, a demora na execução é ela própria uma parte -talvez involuntária- da pena. Alguém passa 20 anos no corredor da morte, e é executado quando já pouco tem a ver com quem foi.


Na Inglaterra, antes de abolir a pena de morte, era diferente: dois ou três meses após o crime, o assassino era enforcado. Nos dois países, a garantia de todos os direitos de defesa ao réu faz parte, por curioso que pareça, da engrenagem que diz ao acusado: você terá todos os direitos, mas não escapará. No Brasil é diferente. Não temos pena de morte, na lei. A Constituição a proíbe.


Mas provavelmente executamos mais gente que o Texas, o Irã ou a China. É que o fazemos às escondidas. Quando penso que, desses infanticidas, os próprios colegas de prisão se livrarão, confesso sentir um consolo. Mas há algo hipócrita nisso. Se as pessoas merecem morrer, e se é péssimo o Estado se igualar a quem tira a vida de outro, por outro lado é uma tremenda hipocrisia deixar à livre iniciativa dos presos ou aos justiceiros de esquina a tarefa de matar quem não merece viver.


Abrimos mão da responsabilidade, que pode ter uma sociedade, de decidir -no caso, quem deve viver e quem merece morrer. Tudo isso traz questões adicionais. É-se humano somente por se nascer com certas características? Ou a humanidade se constrói, se conquista -e também se perde? Alguém tem direito, só por ser bípede implume, de fazer o que quiser sem perder direitos? A todos assiste o direito da mais ampla defesa.


Mas, garantida esta, posso fazer o que quiser sem correr o risco da pena última? Isto, que relato, põe em questão meu próprio papel como intelectual. Intelectual não é apenas quem tem uma certa cultura a mais do que alguns outros. É quem assina idéias, quem responde por elas. Tive, na graduação, uma amiga que teve bloqueio de escrita. Mas, na verdade, ela até fazia trabalhos -de graça- para outros colegas.


Seu bloqueio não era de escrita, mas de assinatura. Talvez possa dizer: o cientista escreve, o intelectual assina. O intelectual é público. Só que, para ele cumprir seu papel público, é preciso acreditar no que diz. Ora, quantas vezes o intelectual afirma aquilo em que não acredita? Quantos não foram os marxistas que se calaram sobre os campos de concentração, que eles sabiam existir? Por isso, o mínimo que devo fazer, se sou instado a opinar, é dizer o que realmente penso (ou, então, calar-me).


Sei que a falta de perspectiva ou de futuro é o que mais leva pessoas a agirem como os infanticidas. Sei que devemos reformar a sociedade para que todos possam ter um futuro. Creio que isso reduzirá a violência. Mas também sei que os pobres são honestos, mais até do que os ricos. A pobreza não é causa da falta de humanidade. Quer isso dizer que defenderei a pena de morte, a prisão perpétua, a redução da maioridade penal? Não sei. Não consigo, do horror que sinto, deduzir políticas públicas, embora isso fosse desejável.


Mas há algo que é muito importante no exercício do pensamento: é que atribuamos aos sentimentos que se apoderam de nós o seu devido peso e papel. Não posso pensar em dissonância completa com o que sinto. A razão, sem dúvida, segura muitas vezes as paixões desenfreadas.


Quantas vezes não nos salvamos do desespero, do desamparo, do ódio e da agressividade, apenas porque a razão nos acalma, nos contém, nos projeta o futuro? Que crimes o amor desprezado não causaria, não fosse ele contido pela razão? Mas isso vale quando a dissonância, insisto, não é completa.


Se o que sinto e o que digo discordam em demasia, será preciso aproximá-los. Será preciso criticar os sentimentos pela razão -e a razão pelos sentimentos, que no fundo são o que sustenta os valores. Valores não são provados racionalmente, são gerados de outra forma. Afinal de contas, o que vivemos no assassínio bárbaro de João Hélio, como meses atrás quando queimaram viva uma criança num carro, não é diferente do nazismo. Dizem uns que o Brasil está como o Iraque. Parece, pior que isso, que temos algumas mini-auschwitzes espalhadas pelo território nacional.

RENATO JANINE RIBEIRO é professor de Ética e Filosofia Política na USP e autor de, entre outros, "A Ética na Política" (ed. Lazuli).


Violência segundo o jornalista

"Pelo menos, 14 corpos foram conduzidos ao IML durante o Carnaval. A cúpula da Secretaria de Segurança Pública ficou preocupada. Foram quatro homicídios, três afogamentos, três mortes no trânsito, dois suicídios, um carbonizado e uma vítima de choque elétrico. Há ainda um caso suspeito e um feto deixado em uma lixeira, no Taquari."
Cortei muito nesste texto. O repórter colocou mortes sem relação com o policiamento no Carnaval. Qual relação, por exemplo, entre a Secretaria de Segurança e suicídio?
Convidei o repórter a passar alguns dias no Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa para alguns deslumbrados acreanos de classe média.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Rei Momo e Cinderela na Floresta Encantada



O Carnaval de Cinderela
De Aldo Nascimento

Dias antes de Momo receber a chave da cidade de Rio Branco, o poder público vai à TV para falar somente de segurança, de camisinha e da programação do Carnaval. Para piorar o nosso imaginário, durante a festa, sempre aparece aquele repórter da TV a perguntar se o folião está alegre no baile.

Programada pelo Estado e pela Prefeitura da capital, a festa de Momo aqui se assemelha a uma “alegria paraestatal”, porque ela não encarna espontaneamente a irreverência popular.

O tempo carnavalesco no Acre, por exemplo, regulado por instituições públicas, recebe a ordem de que Momo deverá parar de brincar à meia-noite. Argumenta-se que é para evitar índices maiores de violência. Mas uma festa acreana, cujo índice de violência é maior, não termina à meia-noite. O lucro que a Expoacre gera dura cinco dias.

Nosso Carnaval é programado e domesticado pelo poder público. Não se trata de uma manifestação que se espalha pela cidade como corpo social motivado pelo Riso, pela Máscara, mas se concentra, por exemplo, no calçadão da Gameleira até meia-noite. Por isso, nossa festa recebeu o apelido de Carnaval de Cinderela.

A Fundação Garibaldi Brasil, da Prefeitura de Rio Branco, e a Fundação Elias Mansour, do Estado, nunca apresentaram alguém para falar na TV Aldeia sobre a importância imaginária e social do Carnaval.

Há, por parte dessas instituições, a necessidade inconsciente de substituir a desobediência do Riso por um didatismo que enquadra Momo em um espaço restrito, em um horário limitado e em blocos carnavalescos domesticados.

Se nossas fundações culturais não vão à TV com sua fala desconcertante, irreverente, ouvimos então aquele representante da Polícia Militar falar sobre segurança e aquela jornalista perguntar ao folião sobre o que acha do Carnaval deste ano.

Cinderela

Até meia-noite, o povo voltará a ser Gata Borralheira, e sem direito a sapatinho de cristal. O mito de Ciderela, que tem três versões [a chinesa, a dos Irmãos Grimm (estética romântica) e outra de Charles Perrout (estética clássica)], chegou a nós modelada pela ideologia clássica, e Walt Disney tratou de industrializar.

Cinderela simboliza uma personagem limpa, muito bem-comportada, uma jovem que não anda à margem da sociedade. Cinderela é obediente. Nesse sentido, batizaram o Carnaval de Rio Branco de Carnaval de Cinderela, porque à meia-noite Momo perde seus encantos.

Sobre esse desejo do poder disciplinar o Riso, de conter uma manifestação popular e marginal, Georges Monois registra no livro História do Riso e do Escárnio.

“Em 1538, nas cidades flamengas, o imperador interdita a festa do Rei dos Bobos, como em Lille, em 1540, e um cronista de Valenciennes justifica essas medidas pelo fato de que esses regozijos ‘induzem o povo a fazer badernas e derrisões contra nossa santa religião’”.

Nesse período da história, os Carnavais não só atentaram contra a religião católica como também ameaçaram a ordem pública, degenerando, às vezes, em conflitos armados. Assim, como Rei Momo representa um conflito contra a aparência ética dos sacerdotes, dos reis, dos políticos, o século 16 marca uma época em que o Carnaval precisava ser domesticado. Escreve Monois.

“Para essa elite, a festa torna-se celebração didática e séria de uma ordem, isto é, o inverso da festa popular”, e continua. “Os valores da sensibilidade subjetiva, o gosto do prazer, os frutos da ‘natureza’ foram rejeitados em nome de uma subordinação a uma concepção ética.” Cinderela, na condição de princesa, ensina bons modos a Rei Momo.

Momo

Filho da Noite, da sombra, do sono, esse deus personifica a “maledicência”, o comentário maldoso. A história de Momo representa uma história que difama aqueles que têm poder. Sua festa, em sua origem, ri de quem oprime os humilhados.

“Particularmente ridículos são aqueles que se julgam importantes, porque, no mais alto trono do mundo, só estamos sentados sobre o cu”, diz Momo quando abre a porta para os loucos (os foliões).

Na condição de sombra, sua festa noturna inverte a opressão do trabalho, realizado de dia. Se o fruto do trabalho não paga uma vida digna, resta zombar de quem explora e, assim, distribuir o excesso, o exagero, a desmedida, por isso o corpo de Momo, gordo, representa simbolicamente esse excesso, a fartura.

O Riso, esse excesso, como concebe Henri Bérgson em seu livro O Riso, coloca do avesso as diferenças sociais por meio da paródia, da fantasia. “Assim rimos do acusado que dá lição de moral ao juiz”, observa o autor.

Outro nome, Roberto DaMatta, em Carnavais, Malandros e Heróis, analisa essa cultura popular com maestria, tecendo uma comparação entre o Carnaval, o Dia da Pátria e a Procissão. Sua descoberta, por exemplo, sobre a palavra brincar é interessante.

“E brincar significa literalmente ‘colocar brincos’, isto é, unir-se, suspender as fronteiras que individualizam e compartimentalizam grupos, categorias e pessoas”, interpreta DaMatta. “Criamos, então, um espaço especial onde as rotinas do mundo diário são rompidas e de onde se pode observar, discutir ou criticar o mundo real visto de pernas para o ar.”

Em Rio Branco, as pernas, entretanto, pertencem a ela - Cinderela.
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Indicações para uma boa leitura
sobre as representações simbólicas de Rei Momo

História do Riso e do Escárnio, de Georges Minois, editora Unesp;

Comicidade e Riso, de Vladimir Propp, editora Ática;

O Riso, de Henri Bérgson, editora Guanabara;

Mitologia Grega (volume 2), de Junito de Souza Brandão, editora Vozes;

A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin, editora Hucitec;

Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto DaMatta, editora Guanabara

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Frase-oracional de uma doutora

Às vezes, fotografamos placas a fim de apontar erros gramaticais de pessoas muito humildes e muito humilhadas pela vida.
A frase-oracional abaixo não foi escrita por uma pessoa que nem concluiu o primário, mas por uma doutora que trabalha em faculdades de Rio Branco. Ei-la:
"Em fevereiro de 1988, foi nomeado a juiz de direito substituto."
Quando se consulta um livro de Regência Nominal, por exemplo, o de Celso Pedro Luft, o termo "nomeado" admite duas preposições, quais sejam: para e como.
O correto, portanto, é "em fevereiro de 1988, foi nomeado como juiz de direito substituto".
Para quem se forma em direito, escrever muito bem é obrigação, menos para os que não tiveram a oportunidade sagrada de estudar.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Nomes dos secretários

Nossos jornalistas políticos desejavam tanto os nomes que comporiam o governo do petista Arnóbio Marques. Nomes. Bem, eles foram apresentados.
Especularam-se os nomes e se esqueceram do mais importante: as idéias.

A vida social está errada






Os erros gramaticais são insignificantes ou uma conseqüência natural de brasileiros que não tiveram oportunidade de estudar.

Júlio, atrás, não concluiu o ensino fundamental, e José Carlos não terminou a antiga 3a série.

José, você estudou?
Meu pais eram pobres. Comecei a trabalhar com 12 anos e saí do Paraná com 16 anos para andar pelo Brasil. Parei na 3a série.

Você lê?
Lia muito a Bíblia, mas hoje eu não leio nem mais a Bíblia.

Seus pais eram cristãos?
Meus pais eram bóias-frias, eram muito pobres. A gente se levantava às 5 horas da madrugada e voltava às 5 horas da tarde. A vida era muito difícil e não tive oportunidade de estudar.
E aí, em um jornal de Rio Branco, um jornalista publica:
"(...) não foi levado em conta a capacidade individual de cada um dos indicados."

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Crianças terminais







Quando meus pés pisaram o Acre em 1992 pela primeira vez, logo observei que faltavam calçadas na capital e praças com brinquedos para as crianças. A ordem pública ignorava os pedestres e esquecia-se da inocência.

No passado? Crianças, ainda, continuam à margem, por exemplo, Thaísa, de 10 anos, e Fábio, de 8 anos, seu irmão. Elas são crianças terminais.
Trabalham no terminal urbano de Rio Branco como vendedores de doces com seus seus rostos desfigurados pela amargura da vida.
A mãe recebe menos de um salário mínimo por mês, também, como vendedora de doces. "Preciso ajudar a minha mãe", disse a menina, magra e triste. Thaísa freqüenta a escola, a 3a série. No banco, os dois, a foto registrou a hora do expediente infantil: 21h09.
Prender a mãe? Não. É preciso libertar o mundo infantil. Chamem o Ministério Público.






Meninas da Playboy 4



Essa coelhinha chegou ontem à Redação da TRIBUNA. Tímida, até hoje, não disse seu nome, mas pela foto já disse para que veio.

Meninas da Playboy 3



Coelhinha Aldo, menor de idade, a mais cachorra de todas.

Meninas da Playboy 2



Essa se chama coelhinha Josafá, 21 aninhos, a única que mostra os dentinhos.

A mãe da figura viu a foto do filho em meu blog. Passa bem no hospital.

Meninas da Playboy 1



Elas têm um sonho como coelhinhas, além do desejo, é claro, de comer uma cenoura. Elas querem ser capa da Payboy.
Primeiro, ela: coelhinha Freud, 18 anos. Prendada, essa coelhinha costura e passa roupa para fora, para dentro, para fora, para dentro, para fora, para dentro. (Ufa!!!)

sábado, fevereiro 10, 2007

Amorim, do jornal Correio do Povo (RS)


Aroeira, do jornal O Dia (RJ)


Vírgula, um detalhe

Na Redação, um bom jornalista perguntou-me o porquê de colocar a vírgula nesta situação: "Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo."
    1. Matei o jornalista.

Jornalismo Educacional

A Construção da Linguagem no Jornalismo Educativo

O jornalismo educativo - um tipo de material de imprensa que não é jornalismo sobre educação - tem sido meu trabalho na última década e meu objeto de estudo. Parto do pressuposto de que existem muitas diferenças entre fazer jornalismo sobre Educação e jornalismo educativo, mas neste artigo pretendo me deter apenas na questão da construção da linguagem naquilo que venho chamando de interface da Comunicação com a Educação e que é o objeto do meu projeto de doutorado.
E que resumo em: Levar notícia para a sala de aula e labrir a sala de aula para além da escola, sempre no formato de notícia; levar além da informação, formação, atualização com elementos colhidos no próprio universo educacional em geral e escolar em particular, sem perder de vista o pano de fundo da política educacional. Tanto na forma de material impresso, quanto televisivo ou ainda nos modernos suportes da informática, o jornalismo educativo guarda uma cumplicidade estreita com o ensino.
Partindo de um pressuposto, que é também um princípio (no sentido ético) - quem sabe educação é o educador - o papel dos jornalistas seria fazer a mediação entre os dois mundos, equalizando as abordagens e buscando uma linguagem que unisse os dois universos teóricos e semânticos.
Um trabalho que envolve o exercício constante de apropriações de saberes e linguagens e a construção e reconstrução de representações que se tem — no senso comum e na profissão de jornalista — do que seja o educador e a educação.

O lugar do jornalista

"Toda ordem de conhecimento, (...) pressupõe uma prática e uma atmosfera que lhe são próprias e lhe dão corpo. E, também, sem dúvida alguma, um papel particular do indivíduo conhecedor. Cada um de nós preenche de modo diferente esse papel quando se trata de exercer o seu ofício na arte, na técnica ou na ciência, ou quando se trata da formação de representações sociais".
Serge Moscovici - que tem sido um referencial teórico importante nas minhas reflexões sobre a interface comunicação-educação — começa o item 2 do primeiro capítulo de A representação social da psicanálise , descrevendo, desta forma muito simples, o lugar onde o jornalista está colocado no momento em que pensa, cria imagens, constrói opiniões, seleciona temas, elabora pautas, busca, identifica e relata "experiências em sala de aula", levadas a cabo por professores da rede pública de ensino de 1o. Grau que imaginamos modelos a serem seguidos.
Para dar conta dessa construção, o jornalista envolvido na produção de um programa ou de um texto jornalístico educativo precisa _ em primeiro lugar _ ter muito claro quem é seu público-alvo, delimitado pelo conceito de segmento. Se o trabalho estiver voltado para o professor, sua linguagem terá que passar por um processo de despojamento e apropriações de conceitos e linguagens, exatamente no sentido a que se refere Roger Chartier.
Para Roger Chartier, a história cultural tem como objeto principal "identificar o modo como em dife-rentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler". Para chegar a isso, é necessário que nos detenhamos sobre como a sociedade percebe e aprecia o real e, para tanto, é preciso entender como se dá a organização dessa apreensão, essa apropriação.
Esse entendimento passa pela identificação das classes sociais ou o meio intelectual a que o grupo pertença.É deles que surgem os "esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras graças às quais o presente pode adquirir sentido, o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado".
É exatamente isto que acontece no momento em que se constrói o discurso de um programa educativo de natureza jornalística. O que nos chama a atenção no trabalho de Chartier é a possibilidade de ver com mais clareza esses momentos de apropriação e reconstrução, no dia a dia do trabalho do jornalista que atua nessa área.
Como jornalista participei de dois projetos _ um impresso, outro televisivo _ destinados à atualização do professor e dos estudantes do Curso de Formação do Magistério. Ambos pressupunham a imersão nas práticas de sala de aula, para em seguida divulgá-las, agregando-lhes o embasamento teórico e apontando de forma sistemática as possibilidades e dificuldades didáticas.

A busca da interface

Do ponto de vista jornalístico, a idéia central do trabalho do jornalista é mostrar reportagens sobre experiências de ensino que estivessem dando certo.Uma idéia simples e aparentemente fácil de executar. Ver, ouvir, fotografar, filmar. A interface, no entanto, precisa de mais que técnicas jornalísticas.
Quando uma equipe envolvida nesse processo descobre que o jornalismo sozinho não dá conta de resgatar os processos que se passam na sala de aula, em geral realiza um mergulho no aprendizado do que é pedagógico.
As equipes em que trabalhei realizaram esse mergulho, em cursos, leituras, freqüentando congressos etc. A apropriação de conhecimentos da pedagogia, no entanto, não garante o resultado. Toda produção de programas desse tipo passa pelo dilema: ou o programa fica extremamente pedagógico e perde o jornalismo, ou se prende ao jornalismo de superfície, distanciando-se do pedagógico e do didático.
Acaba não respondendo COMO as coisas acontecem. Não chega perto dos processos e, muito menos, da teoria.A barreira que separa Educação e Comunicação leva tempo para dar os primeiros sinais de fissuras, para que os sujeitos dos processos de ensino/aprendizagem fiquem claros, dentro dos paradigmas teóricos que se acredita darem conta dessa caminhada. Ou seja, envolve um processo em que a equipe se dá conta, toma consciência, de quem é o sujeito do saber e também se apercebe da representaçãoconservadora que nós, jornalistas, temos do educador _ unicamente como portador de conteúdos estáticos repassáveis e não como o facilitador, que realmente é, do processo de aprendizagem.
Ao se apropriar da pedagogia, os jornalistas, no entanto, correm o risco: elaboram de tal forma a linguagem, costuram conceitos recentes e acabam pecando pelo excesso. Corremos o risco de nos afastar do público-alvo na medida em que se torna a narrativa hermética. Em vez de abrir para o entendimento, a repetição de conceitos, vazios muitas vezes, fecha. Vira chavão sem conteúdo.
Além da apropriação dos conceitos e da sua recolocação na linguagem jornalística, sem abrir mão do rigor acadêmico, a equipe trabalha o tempo todo revendo suas representações do que seja aprender/educar.
Existe - com certeza - a representação da Educação como missão, tarefa, que se dá com o uso dos verbos fazer, dever, sempre conjugados no imperativo negativo ou afirmativo, mas sempre embebidos de uma legitimidade, de uma autoridade do que sabe para o que não sabe. Uma representação da Educação como algo imbuído de espírito altruísta, filantrópico, salvacionista. E se corre o grande risco de ter essa representação impregnando o discurso jornalístico.
Outra frente delicada desse trabalho, além da escrita, quer seja de textos de matérias quer seja dos roteiros de CD ROM ou de TV, é o uso da câmera. Sobretudo na TV, o uso construtivista da câmera pode trazer um enriquecimento enorme ao programa, relevando detalhes nunca antes imaginados por quem fica fora da sala de aula.
Todas essas considerações, no entanto, apontam para um processo que ainda está em construção em qualquer dos veículos que em nossos dias se dedicam ao jornalismo educativo ou a produtos que estão inseridos na interface da Comunicação com a Educação. Ainda estamos buscando.

Ana Mascia LagôaJornalista e ProfessoraUniversidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Brasil

Autor do Artigo
Ana Mascia Lagôa


Inf. sobre o artigo
Jornal "a Página"Nº 88
Ano 8 Fevereiro 2000
Pag. 23


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Um guarda e uma desembargadora

Os indivíduos não podem estar acima das instituições. Nem guarda. Nem desembargadores. Antes, no Acre, não havia medida para isso. O indivíduo era o poder; situava-se acima da lei.

Polícia Militar, Ciatran e Corpo de Bombeiros agiram de forma correta, porque um guarda na sociedade não é menos importante que uma desembargadora ou menos humano. Merece respeito tal qual um juiz.

Ainda sonho com uma pátria justa.
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Matéria de Josafá Batista

Policiais defendem agente que multou marido de desembargadora

Agentes da Polícia Militar, da Companhia de Trânsito (Ciatran) e do Corpo de Bombeiros se uniram ontem em solidariedade ao agente de trânsito que multou o advogado Raimundo Menandro de Souza.

Segundo eles, o policial não dirigiu sequer a palavra à desembargadora Eva Evangelista Araújo e Souza, esposa de Menandro, e que o acompanhava no incidente.

Ainda na versão do policial, era Menandro e não Eva que ocupava a direção do veículo, cuja placa não tinha o lacre de segurança. Por isso, o breve diálogo teria acontecido apenas com o motorista.

A desembargadora, que ocupava o banco da frente, teria se limitado a sair do veículo pouco depois do agente anunciar a Menandro a retenção do automóvel. A retenção sumária é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Há uma padronização das abordagens no trânsito. Ela diz que a fala deve ser dirigida ao motorista, com requisição de documentos do veículo e do próprio. Esse policial faz esse mesmo serviço há 14 anos e é um exemplo para nós. O que está acontecendo é uma infâmia, já que ele não dirigiu a palavra à desembargadora”, argumenta o presidente da Associação dos Militares do Estado do Acre (Ame-AC), Natalício Braga.

Segundo Braga, o episódio, ocorrido nesta quinta-feira, está causando comoção entre os militares. Eles aguardam o desfecho com preocupação.

Ontem, os jornais acreanos trouxeram várias notas de solidariedade à desembargadora, assinadas por instituições representativas dos magistrados.

No mesmo dia, o automóvel da desembargadora, um Corolla, já não estava mais no pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Para Wherles Rocha, vice-presidente da Ame-AC, o policial também está recebendo solidariedade de instituições ligadas aos policiais militares do Acre. O agente, que não quis se identificar, é considerado um modelo de comportamento na corporação.

“Ele é muito respeitado e tudo isso está abalando o exercício da função de fiscalização do trânsito como um todo. Essa polêmica é um episódio muito triste e não podemos deixar que alguém seja atingido injustamente”, finaliza.

A retenção de veículos sem lacres de segurança nas placas é estabelecida em lei, no artigo 230, inciso 1º, do CTB.

Enem dos Estados

------------A fonte é do Ministério da Educação---------------
---------------Pontuação é de 0 a 100-----------------------
---------Prova Objetiva & Prova de Redação-----------------

1º RGS - 39.29 -------------------1º RGS - 57.22
2º MG - 37.34 --------------------2º SC - 53.29
3º DF - 36.77 ---------------------3º MS - 53.15
4º PR - 36.28---------------------4º PR - 53.13
5º SP - 36.00---------------------5º DF - 52.39
6º ES e SC - 35.91-----------------6º MG - 52.36
7º RJ - 35.88----------------------7º RJ - 51.73
8º GO - 33.66---------------------8º ES - 51.10
9º MS - 33.65---------------------9º SP - 51.09
10º CE - 33.08--------------------10º BA - 51.02
11º PE - 32.98---------------------11º CE - 50.67
12º RN - 32.71---------------------12º RN - 50.29
13º MT - 32.44---------------------13º AP - 50.20
14º BA e RO - 32.33----------------14º PE - 49.84
15º SE - 32.17----------------------15º AM - 49.74
16º PB - 32.16----------------------16º GO - 49.39
17º PA - 32.07----------------------17º PA - 49.13
18º PI - 31.57-----------------------18º PB - 49.06
19º RR - 31.43----------------------19º RO - 48.99
20º AL - 31.28----------------------20º MA - 48.72
21º AP - 31.20----------------------21º SE - 48.05
22º MA - 31.00---------------------22º PI - 47.85
23º AM - 30.65---------------------23º AC - 47.10
24º AC - 30.27--------------------24º AL - 46.88
25º TO - 29.96---------------------25º MT - 46.85
-------------------------------------26º RR - 45.78
-------------------------------------27º TO - 45.26