quinta-feira, março 27, 2008

Xuxa, maior educadora do país








Em seu programa muito educativo, o entrevistado Leonardo mostra a importância de seu cérebro aos jovens.

A maior pedagoga do Brasil














Referência para milhões de baixinhos, Xuxa é muito bem desmistificada no livro O Cabaré das Crianças, de Gilberto Felisberto Vasconcellos, editora Espaço e Tempo.

quarta-feira, março 26, 2008

Da repórter Angélica Paiva












"
O quadro operacional
da Polícia Militar contém
distorções neoliberais
."

Às vezes, quando posso, minha paciência tibetana ouve textos de alguns repórteres televisivos.

Confesso que a repórter Angélica Paiva surpreende-me em certos momentos. Ela foge a padrões, mas nem sempre sua pessoalidade textual acerta, por exemplo, "distorções neoliberais".

Influência comunista? Espero que a camarada repense alguns conceitos em sua suas matérias. Como exemplo, sugiro os textos da charmosa repórter Neide Duarte (foto). Aprecio muito sua forma por causa da pessoalidade. Suas matérias não se submetem ao fato objetivo, porque ela sabe muito bem dosar elementos poéticos.

Ganhadora de inúmeros prêmios nacionais, Neide surpreende com sua subjetividade textual na justa medida.

PMDB & DEM

Folha de São Paulo






A gestão de Cesar Maia não informou o orçamento de 2007 e 2008; já o governo de Sérgio Cabral aplicou apenas R$ 704 mil neste ano

RAPHAEL GOMIDEDA
SUCURSAL DO RIO

O governo Sérgio Cabral (PMDB) reduziu em 48,6% (R$ 19,2 milhões) a previsão de gastos em prevenção e combate à dengue para este ano no Rio. Passou de R$ 39,5 milhões (valores atualizados) em 2007 para R$ 20,3 milhões em 2008.

A prefeitura de Cesar Maia (DEM) não planejou nenhuma ação direta ou programa de trabalho específico contra a dengue no Orçamento de 2007, embora tenha previsto R$ 37 milhões para "ações indiretas".

Dos R$ 20,3 milhões orçados para 2008, o Estado aplicou só R$ 704 mil na área até 24 de março -na fase crítica da epidemia, que já matou 49 pessoas. Isso equivale a 3,5% do previsto. Mantido esse ritmo, até o fim do ano 14% da verba terá sido aplicada. Tanto o Estado quanto o município do Rio reduziram os valores aplicados no controle da dengue nos últimos anos.

No Estado, desde 2004, foram cortadas as verbas de "vigilância epidemiológica (de doenças)" e "vigilância em saúde", de R$ 45,6 milhões (valores corrigidos pelo IGP-M) para R$ 39,5 milhões (2007). O montante liquidado pela prefeitura caiu de R$ 48,2 milhões (2003) para R$ 23,9 milhões (2006), em valores atualizados. A prefeitura não revelou os gastos de 2007 e os de 2008.

O vereador Carlos Eduardo (PSB) entrou com representação ontem no Ministério Público contra o prefeito Cesar Maia por "desvio de finalidade". Maia, disse ele, aplicou em outros programas uma verba do Ministério da Saúde destinada ao setor de vetores (transmissores de doenças, como o mosquito da dengue, por exemplo).

O vereador diz que Maia desviou mais da metade da verba de R$ 12 milhões destinada em 2006 ao combate à dengue - para ações de repressão à doença - na locação de ambulâncias e na limpeza de hospitais. O prefeito não comentou.
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Se os números estiverem corretos, PMDB e DEM (ex-PFL) são os únicos responsáveis pelas mortes ocorridas no Rio de Janeiro. Espero que tais partidos jamais administrem o Acre, porque estamos muito bem sem eles.

Ele, Antônio, o Carlos


"Em seguida com um dos assaltantes no volante, dirigiram-se á Estrada do Amapá, já que a vítima mesmo com o rosto encoberto conseguiu ver quando passava pela terceira ponte e entrava na Via Verde."

O cara era paranormal.

Esses repórteres...

"As instituições responsáveis buscam junto às comunidades, que vivem dentro ou próximas as APA’s, parceiras para a preservação e ( ) proteção das unidades."

1. "Junto à" é "perto das" - Nossos jornalistas abusam. As instituições buscam "perto das" comunidades? Não. Elas buscam "com as" comunidades.

2. , que - Nesse caso, há vírgula antes de "que"?. Não são todas as comunidades, mas somente as que vivem dentro ou próximas. Não há vírgula.

3. Chega.

terça-feira, março 25, 2008

Eu & Maria

Hoje, à Maria, apresentei alguns problemas redacionais dos alunos do primeiro ano do ensino médio e que se repetem nos textos dos alunos do segundo e do terceiro ano.

Em suas introduções, há muita presença dos verbos "ser", "estar", "ter", por exemplo, e insistente presença incomoda-me, porque pertence a uma regra viciada, fácil.

Além de eles usarem dicionário em sala, precisamos criar exercícios específicos para uso adequado dos verbos, massificá-los. Sugeri à professora de Leitura-Literatura dez introduções bem escritas, mas sem os verbos e, uma vez compreendidos os textos, encontrar os verbos apropriados a partir de relações internas da introdução.

Esse material didático precisa ser criado por nós.

A Língua

Na escola Heloísa Mourão Marques, a professora-gestora Osmarina popôs a divisão de Língua Portuguesa e de Literatura. Para esta, Leitura e Literatura; e, para aquela, Produção Textual e Gramática.

A princípio, números surgiram, porque eu lecionaria para quatro turmas, 160 alunos, e não mais para duas, 80 alunos. Concordei por este motivo: uma experiência nova.

Por um lado, mesmo com mais alunos, eu me dedicaria a duas disciplinas, havendo mais tempo para elaborar material. Não se trata de mudar grade curricular, mas de alterar a forma. Por esse caminho, haveria, em tese, uma relação pedagógica entre o professor de Literatura-Leitura e o professor de Produção Textual-Gramática.

Entretanto, infelizmente, não foi assim que a Secretaria de Educação compreendeu. Segundo me informaram, esse caminho deverá ser rejeitado no próximo semestre.

Nossa Escrita (não é assim)



A Secretaria de Estado de Educação do Acre publica um informativo bimestral com ótima diagramação, mas, na capa do informativo de fevereiro-março deste ano, a imagem da língua portuguesa foi arranhada.

"Professora, Lenilda Soares, trafega em áreas de difícil acesso, e chega a passar 15 dias distante da família."

Quando meus alunos me perguntam se existe uma forma correta de falar, eu digo que não há, porque, caso existisse, o "ocê", que pertence à fala do mineiro, seria um erro. A gíria seria outro erro.

A língua, sabemos, é também marginal, desobediente, dependendo da situação.

Ora, para quem se dedica ao estudo da língua portuguesa, sabe que a preposição é conseqüência do "erro" popular, do latim vulgar, de sua desobediência.

A preposição surge do genitivo do latim clássico, negado pelo falar "errado" da população comum.

Entretanto, quando se trata de instituição, a gramática tradicional deve ser seguida à risca. Uma secretaria de educação deve escrever de forma exemplar. O uso errado de vírgula no informativo não pode ocorrer.

Informativo é mais que aparência, e a língua portuguesa, uma vez a serviço de uma instituição, deve sempre passar uma ótima imagem.

segunda-feira, março 24, 2008

Esses repórteres...

"Alguns funcionários da área de saúde também falaram sobre os riscos, os sintomas e a importância do tratamento para a população presente no local. No local, também foi disponibilizado um telescópio para que a população pudesse ver o bacilo de Koch, bactéria que causa a tuberculose."

Se não fosse a editora-chefe, o revisor teria deixado passar. Meu cérebro, confesso, não tem capacidade de corrigir o que nos assusta, o que nos surpreende e o que insulta a língua portuguesa no jornal.

Isso quer dizer que a população verá o bacilo na lua por meio de um telescópio. Esta a função do revisor: apagar a vergonha de quem escreve.

Obrigado, editora-chefe!!!

PMDB

DE Garotinho a Rosinha, o Rio de Janeiro submeteu-se há 12 anos da administração do PMDB. Cabral, outro modelo de PMDB, foi picado pelos mosquitos da dengue e ainda terá que solucionar uma problema gravíssimo na educação estadual - segundo o jornal O Globo, faltam 26 mil professores . Eis o legado da família Garotinho.

Para os professores que lecionam, Cabral deu a eles notebooks, cada um custou para o Estado R$ 1.903. Dos cofres, saíram R$ 70 milhões para o projeto. As máquinas são equipadas com placa de acesso à web sem fio. Cada educador recebeu um CD de ensino a distância com quatro módulos.

Segundo a secretária de Educação, Tereza Porto, os professores poderão levar os computadores para casa. Ironia: temos tecnologia, mas não há professores.

quarta-feira, março 19, 2008

Semana Profana 2

O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais profano que a miséria, a pobreza? O que pode ser mais contra Deus?

Ela ainda sorri.

Foto de Selmo Melo, A TRIBUNA

Semana Profana 1









Foto de Selmo Melo, A TRIBUNA

Pela quantidade de peixe, 700 quilos, o comerciante Raimundo Micael não crê nenhum pouco em Jesus Cristo e muito menos põe fé nos devotos da Semana Santa.

Se Jesus sofreu na cruz, Raimundo botaria os consumidores cristãos a sofrer à mesa com peixe podre, tudo em nome do lucro mais diabólico.

Esse "milagre dos peixes podres multiplicados" ocorreu em Rio Branco, no Mercado Novo, tudo transportado por meio do batelão Irmãos Bruno.

Não sabemos se Raimundo pagará esse pecado na igreja mais próxima ou diante de Deus, mas, com certeza, pagará uma multa na sede da Vigilância Sanitária.

Ao Francisco

Meu querido, que belas palavras você jogou neste blog e são mais ainda porque nelas pulsa a intensidade de um caráter. Após alguns anos nesta Terra, tenho a mais pesada serena certeza de que a vida é deixar boas lembranças nos outros.

Um beijo em tua alma e um abraço fraterno em teu destino.

terça-feira, março 18, 2008

Exemplo de Negro (2)

Para você que debruça teus olhos sobre este insignificante blog, esta bolha, oferto estes versos de Cruz e Sousa. Hoje, 19 de março, 110 anos de sua morte carnal, prove de suas palavras.

Sorriso interior

O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsia e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tu em derredor oscila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe esta glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!




Exemplo de Negro (1)















Não sei se Matilde Ribeiro leu Cruz e Sousa, mas, se o poeta negro tivesse um cartão corporativo, não teria envergonhado a raça. Disse-me esse negro aos meus olhos: "Que importa que morra o poeta? Importa que não morra o poema!"

Hoje, 19 de março de 1898, faleceu João da Cruz e Sousa. Ele nasceu em 24 de novembro de 1861 em Nossa Senhora do Desterro, capital da Província de Santa Catarina, atualmente, Florianópolis.

Texto abaixo do portal http://www.spectrumgothic.com.br/

O nome João da Cruz é uma alusão ao Santo homenageado no dia de seu nascimento, San Juan de la Cruz. Filho dos escravos alforriados Guilherme, pedreiro; e de Eva Carolina da Conceição, cozinheira e lavadeira, João da Cruz foi criado pelo Coronel Guilherme Xavier de Sousa (que viria tornar-se Marechal) e sua esposa Clarinda Fagundes de Sousa, que não tiveram filhos.

Assim, acabou por herdar o nome Sousa e obteve uma educação proporcional à educação dos brancos abastados de seu tempo. Com apenas 9 anos de idade, já escrevia e recitava seus poemas para os familiares. Com o falecimento de seu protetor em 1870, as condições de vida tornaram-se menos confortáveis para o jovem João da Cruz.

Em 1871, entrou no Ateneu Provincial Catarinense. A partir de 1877, lecionava aulas particulares por necessidade financeira e impressionava seus companheiros de estudo pela capacidade intelectual.

Conhecedor profundo de francês, chegou a ser citado numa carta do naturalista alemão Fritz Muller. Nesta carta dirigida ao próprio irmão em 1876, o naturalista citava João da Cruz como um exemplo contrário das teorias de inferioridade intelectual dos negros.

No ano de 1877, suas obras poéticas passaram a ser publicadas em jornais de Santa Catarina. Ao lado dos amigos Virgílio Várzea e Santos Lostada, João da Cruz fundou um jornal literário intitulado "O Colombo", em 1881. No ano seguinte fundo a "Folha Popular".

Nesta mesma época, partiu em excursão pelo Brasil com uma companhia teatral e declamava seus poemas nos intervalos das apresentações. Também se engajou na luta social e passou a liderar conferências abolicionistas.

Em 1883, foi nomeado promotor da cidade de Laguna. Mas não chegou a assumir o cargo devido ao furor preconceituoso de chefes políticos da região.

Em 1885 publica seu primeiro livro de co-autoria de Virgílio Várzea, intitulado Tropos e Fantasias. Até 1888 atuou em jornais, revistas e no centro da Imigração da Província de Santa Catarina. Neste mesmo ano, viajou para o Rio de Janeiro a convite de Oscar Rosas.

Em 1891 transferiu-se definitivamente para a então capital da República, Rio de Janeiro. A partir daí entrou em contato com novos movimentos literários vindos da França. Neste caso, João da Cruz e Sousa identificou-se especialmente com o chamado Simbolismo. O negro sulista que se enveredava pelos caminhos do Simbolismo, sofria duras críticas do meio intelectual de sua época; já que nesse momento, o Parnasianismo era a referência literária emergente.

Em novembro de 1893 casou-se com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos africanos. Deste matrimônio nasceram quatro filhos, Raul, Guilherme, Reinaldo e João. Mas todos faleceram de tuberculose pulmonar. Sua esposa, ainda sofreu de distúrbios mentais que chegaram a refletir até mesmo nos escritos do poeta.

Ainda em 1893 publicou dois livros: Missal (influenciado pela prosa de Baudelaire) e Broquéis; obras que marcaram o lançamento do movimento simbolista brasileiro. Em 1897, concluiu um livro de prosa poética denominado Evocações. Quando preparava-se para publicá-lo, viu-se abatido pela tuberculose e partiu para Minas Gerais em busca de tratamento. Faleceu em 19 de março de 1898 aos 36 anos de idade.

Seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro num vagão para transporte de gado. O amigo José do Patrocínio pagou as despesas com o funeral e o enterro no cemitério São Francisco Xavier. No ano de sua morte ainda foi publicado Evocações. Em 1900, Faróis; e em 1905, o volume de Últimos Sonetos.

O negro que contrariou o preconceito racial e se pôs a liderança do Simbolismo brasileiro, é autor de uma obra que traz versos como: "Anda em mim, soturnamente / Uma tristeza ociosa / Sem objetivo, latente / Vaga, indecisa, medrosa" (Tristeza Do Infinito - Últimos Sonetos). Além de: "De dentro da senzala escura e lamacenta / Aonde o infeliz / De lágrimas em fel, de ódio se alimenta / Tornando meretriz" (Da Senzala – O Livro Derradeiro).

Percebe-se num primeiro momento o sofrimento de uma alma que ecoou diretamente em sua obra. Mas posteriormente, a consciência social e humanista de um cidadão. Cruz e Sousa, o Dante Negro ou Cisne Negro, foi um poeta Simbolista que ainda não obteve o reconhecimento literário devido, mas agrega em sua obra a essência única de um autor que cativa e comove por sua autenticidade.

"Amigo-urso"

Tempo atrás, chamaram-me de "amigo-urso". Sei que tenho um defeito: sou claro, muito mais do que a água do Saerb; não compactuo com o cinismo a fim de tirar proveito de algo ou de alguém. No meu trabalho, não articulo por trás para derrubar alguém. Sempre exponho idéias à luz do dia e, à noite, sempre levo vela ou lanterna.

Você que me chamou de "amigo-urso" deveria escrever para este blog, publicando quando e como fui falso com algum colega de profissão. O "amigo-urso" não fica em cima do muro. Minhas posições sempre foram evidentes.

Se eu fosse falso, acredite, seria tão perfeito que você nem perceberia, porque meus olhos leram mais de uma vez O Príncipe, de Maquiavel. Se eu fosse falso, faria um trabalho irreparável como fazem os canalhas.