TCU acaba com farra em carros oficiais na Advocacia-Geral da União no Acre
De Ana Paula Batalha
Consta no relatório de outubro e divulgado recentemente pela auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) o uso indevido de um bem público a serviço de uma funcionária. O caso foi levado ao órgão após gravações do servidor público federal Getúlio França de Almeida, do quadro de pessoal da Advocacia-Geral da União (AGU), na Secretaria de Controle Externo no Acre.
Nas gravações, constam informações e documentos circunstanciando possíveis práticas de irregularidades em relação ao uso de veículo locado pela AGU.
Segundo o relatório, no final de 2006, a Procuradoria da União no Estado do Acre (PU-AC) teve aumentada sua frota de veículos locados, de dois para quatro carros, o que seria desnecessário à medida que os dois veículos atendiam toda demanda da procuradoria.
No caso, um automóvel atendia ao gabinete do procurador-chefe, conduzindo-o a audiências, além de transportar os servidores a serviço. O outro veículo, que deveria atender aos demais serviços do órgão, atendia com exclusividade Sueli Alves Marques, coordenadora da Procuradoria da União no Estado do Acre.
“Com o incremento da frota, em desvio de finalidade, o veículo Corsa, placas AOI-9474, passou a atender unicamente a funcionária, com utilização abusiva para fins particulares durante e fora do expediente”, diz o relatório.
O relatório diz ainda que a servidora passou a conduzir o veículo até a sua residência, guardando-o em sua garagem residencial, além de utilizá-lo em lugares proibidos por lei, como supermercado, casa de diversão, boate, restaurantes e aeroporto e a disponibilizá-lo para o uso pessoal de seu filho. Essas condutas foram demonstradas em diversos vídeos.
Não bastasse isso, foram apresentadas provas que, além de não portar os dizeres exigidos pelas normas - serviço público federal, uso exclusivo em serviço -, o veículo circulava na cidade exibindo conteúdo publicitário de evento festivo a ser realizado na boate Excalibur (Miss Mister Excalibur).
O documento ressalta ainda que as razões apresentadas por Sueli não trazem justificativas aceitáveis para a utilização do veículo fora das situações de serviço. Com base nos elementos constantes nos autos — especialmente nos boletins mensais de controle dos veículos, nos DVDs anexados à contracapa dos autos principais e nas justificativas trazidas pela representada —, conclui-se, segundo o documento, que todos os quilômetros rodados foram custeados pela Advocacia-Geral da União uma vez que a quilometragem inicial registrada em um determinado dia sempre coincide com a quilometragem final referente ao dia útil anterior.
A servidora afirma que o uso do veículo não se deu de forma ilegal uma vez que o valor da franquia (estipulada em 2,5 mil km-mês) não foi ultrapassado.
“Ela dá a entender que, como alcançou no período considerado apenas 65% da quilometragem mensal contratada, os demais 35% poderiam ser utilizados livremente, não trazendo qualquer prejuízo ao erário, porque a franquia contratual cobria tudo”, consta.
A servidora, pelo que consta no relatório, deixou de utilizar o veículo locado fora do horário de expediente a partir de novembro de 2007.
Por esse motivo, o TCU adotou aplicação da multa à servidora pelo uso irregular para fins particulares do veículo locado pelo órgão, além de ter determinado à Procuradoria da União no Estado do Acre tomar providências especificadas quanto às irregularidades encontradas.
quinta-feira, novembro 13, 2008
A desembargadora está errada?
quarta-feira, novembro 12, 2008
Máquina pública
"Vocês que são diretores de divisão levem para seus setores o que está acontecendo aqui e ponham todos a barbinha de molho. Vocês não têm o direito de trabalhar mal. Estão ganhando muito bem. Uma FC3, R$ 1.200 em média a mais para trabalhar mal. Ai, que é isso tem tanta gente que não tem o que comer aí fora, querendo trabalhar. Vocês viram quantas pessoas foram demitidas do gabinete da doutora Marli a bem do serviço público pela doutora Marli?".Pegando carona no blogue do Altino Machado, a desembargadora Marisa Santos (foto), do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, tem lá suas razões, e elas estão bem claras nas palavras acima.
A máquina pública é eficiente?
Conheço diretores de escolas que se ausentam durante dias e ainda privilegiam funcionários públicos, ofertando a eles as famosas dobras, mas só que muitos nem comparecem às escolas.
Conheci servidor público que usava dinheiro público de instituição de ensino superior para promover festinhas na faculdade.
Conheço servidor público que trabalha para qualificar o erário e conheço servidor público que trabalha para não qualificar o erário, mas recebem o mesmo salário. Trabalhar mal ou bem mantém o servidor na máquina mesmo assim, ele não será "demitido".
A desmbargadora disse: "Vocês não têm o direito de trabalhar mal. Estão ganhando muito bem. Uma FC3, R$ 1.200 em média a mais para trabalhar mal".
Semelhança
segunda-feira, novembro 10, 2008
Os canalhas deveriam ir primeiro
Em casa, o celular registra um toque às 13h35. É Alessandra, editora-chefe da TRIBUNA. Conheci Pheyndews no Página 20, em 1996. A última vez que nos reencontramos foi na Redação da TRIBUNA, ano passado. Se a morte retira de nós qualquer sopro de arrogância, a ida eterna de um bom colega de trabalho é injusta. Haveria justiça se os canalhas fossem na frente, sempre na frente.Jamais vi Pheyndews triste. Às vezes, seu humor crítico expunha um Acre sem infância: “Aqui, Aldo, perde-se a virgindade com a chupeta”. Com piadas ácidas, ele era um acreano que não ocultava as imperfeições de sua terra com frases feitas ou com ufanismo de tolos.
Quando ele disse que crianças perdem a virgindade com chupetas, não havia ainda a internete no Acre para constatar por meio de imagens uma realidade socioeconômica que deformava a infância e a pré-adolescência. No Acre de hoje, como em várias partes deste “berço esplêndido”, meninas de 10 anos abrem as pernas em uma rede de orcute, expondo em seus prostíbulos virtuais fotos de um erotismo infantil diante do rosto velado da Justiça.
“Dizem sempre que quem bebe a água do rio Acre não vai embora daqui, eu não acredito nisso. Eu, na verdade, não aconselho nem beber a água desse rio, porque está muito poluída”, e ria. Com sua morte, além da ironia, perde-se parte da memória política deste Estado, a política que jornais não publicam. Sepultar essa memória me incomoda, porque a fala subterrânea de políticos, a fala ocultada pelo silêncio, só alguns a ouviram, e Pheyndews foi um deles. Mas, no lugar de um livro, uma lápide para sua memória.
Pheyndews faz parte de uma época em que não precisava passar pela faculdade para ser jornalista. Seu texto imprimia personalidade, postura que muitos recém-formados evitam por medo, por alienação. Quando saem da faculdade, focas se acomodam com frases feitas, comestruturas sintáticas e semânticas empobrecidas pela repetição de outros. Diferente desses acadêmicos, Pheyndews não era clichê.
Entre nós, quando nos encontrávamos, havia um cumprimento muito acima da formalidade, do padrão, do comum. No lugar de um forte aperto de mãos entre dois machos, nós dávamos um pulinho bem gay e batíamos as mãozinhas no alto com um gritinho mais gay ainda. Eu gostava muito dele. Estive no velório e vê-lo em um caixão foi se deparar com uma profunda tristeza. Gente boa, esse “Pheyndews”.
No ambiente de trabalho, ele não armava para prejudicar os outros, porque não escorria por sua boca o muco da arrogância. Nunca me desdenhou na Redação. Há nesta terra pessoas por quem oferto admiração, apreço, o Pheyndews sempre será um desses acreanos por quem terei afeição. Como escrevi antes, os canalhas deveriam ir primeiro, sempre primeiro.
sábado, novembro 08, 2008
quarta-feira, novembro 05, 2008
Pedofilia e Morte

Duas notícias me perturbaram hoje.
No Paraná, uma criança de 9 anos foi estuprada e esquartejada, os restos foram colocados em uma mala.
Na Bahia, um menino de 8 anos foi estuprado, e, para matá-lo, os anormais desgraçados atiraram 40 vezes.
Em 2011, Antônio Manoel, condenado por estuprar menores, entrará em regime semi-aberto. De graça, comeu à custa do dinheiro do contribuinte.
Deputados federais não alteram leis, crianças são estupradas e assassinadas. O bom de tudo isso é que não foi com o teu filho, não é mesmo? Somos um dos países mais cristãos da Terra. Além disso, em 2014, a Copa do Mundo será no Brasil. Seremos hexacampeões.
Peço a Deus que proteja a minha filha e a tua; mas, segundo Nietzsche, Deus está morto. Eu acho que os assassinos são brasileiros e mataram-no em algum canto escuro do Congresso. Para mim, futebol não é paixão nacional. Paixão nacional é a impunidade ou penas leves como as mãos de certos políticos.
terça-feira, novembro 04, 2008
domingo, novembro 02, 2008
Intervenções Urbanas
De Aldo NascimentoAtrás do palco, a Candelária compunha o cenário político que se completava com uma avenida populista, a Getúlio Vargas. O deus Tempo contava 1989, ano em que assisti no Rio de Janeiro ao comício de Lulalá, candidato a presidente da República.
Se era muito difícil chegar a Brasília, sonhava com o Partido dos Trabalhadores no poder estadual ou municipal para promover uma transformação radical na cultura. Mas o PT no Rio de Janeiro se complicou e só pude ver o partido de Henfil no poder quando, anos depois, em 1994, já no Acre, Jorge Viana deixou suas digitais na prefeitura da capital e depois no Palácio Rio Branco.
Mas o sonho de ver uma transformação radical na cultura não se realizou, porque, quando o cenário é o teatro, o Partido dos Trabalhadores apresenta-se de forma conservadora, acanhada. Não me refiro à Usina de Cultura João Donato, espaço à margem do centro e delimitado por paredes. Refiro-me a intervenções no espaço urbano por meio da ficção, por meio da voz do teatro. Uma ação estética imprópria para amadores.
Quem apreciei realizando essa ação no espaço urbano foi Ivan de Castela. O PT, contudo, apropriou-se desse nome para ser imagem de governo. Enquadraram-no. Reconfiguraram o artista. O poder calou a voz ficcional. Em seu lugar, burocratas remunerados da cultura emitem seus ruídos pela TV, pseudo-intelectuais escolhidos pelo dedo descriterioso da amizade ou pelo lastro genético de famílias tradicionais acreanas. Há exceções, eu sei, são poucas.
Ontem, pela manhã, entrei no ônibus para trabalhar no centro de Rio Branco. Recebo pouco menos de R$ 500 por mês, e meu trabalho me aliena. Vindo do bairro Calafate, a rotina realista guia meu destino há anos. Hoje, porém, a surpresa abriu meus olhos, tocou em meus ouvidos.
Com roupas coloridas, diferentes do comum, dois artistas falaram da vida, das injustiças, da ordem do mundo e, no final, já no terminal de ônibus, disseram nomes que nunca ouvi: Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Cruz e Sousa, Paulo Leminski.
Depois, com muita calma, explicaram: “Essa apresentação foi uma maneira de mostrar a vocês poetas que precisam estar vivos na vida, porque suas palavras raras dizem o que o mundo cala.” Colocou a mão no bolso e retirou um papel. “Chamamos ‘atrás da folha’ verso, isto é, por meio do verso, lemos o que está atrás das coisas, do mundo, da realidade.”
Mas a surpresa não tinha chegado ao fim. Quando saí do ônibus, já no terminal de ônibus, muitos, mais de 30 Ivans, com seus trajes de artistas, expressaram outras poesias por meio de vozes que me emocionaram.
Quem bom saber que o PT surpreende os trabalhadores com um ótimo teatro de rua. O PT mostrou ser diferente de outros partidos quando o assunto é cultura. Nesse aspecto, ele é revolucionário.
Duas vezes por semana, essas intervenções ocorrem em Rio Branco, porque, sem os versos desses poetas consagrados, o ônibus que vem dos lugares sem teatro conduz tristezas, emudecimento, a morte das palavras. São passageiros empobrecidos pelo cansaço de uma rotina que desencanta a vida.
Sonho... ainda sonho.
sábado, novembro 01, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
Quem é deficiente?
Apae pode fechar suas portas
De Gilberto Lobo
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Acre (Apae) e o Colégio Dom Bosco podem ser fechados. O projeto da Secretaria Estadual de Educação (SEE) é inserir todos os alunos com necessidades especiais na rede pública de ensino para promover a inclusão social. Dessa forma, os órgãos que trabalham com os excepcionais passariam a ser, apenas, centros de saúde especializados.
Mas o problema desse tipo de trabalho de inclusão, atualmente utilizado em Minas Gerais, pode não dar certo no Estado.
“A nossa realidade é outra. Lá, eles têm o incentivo da iniciativa privada, bancado o transporte para levar as crianças com necessidades especiais à escola, e as escolas públicas já estão adequadas para recebê-los, com rampas de acesso e com professores capacitados”, explicou a diretora da Apae, Raimunda Souza, que há seis anos trabalha com ensino especial.
Agora, para tentar contornar a situação, de acordo com a diretora, os pais de alunos e a diretoria da Apae terão que elaborar uma contraproposta, um conteúdo com novas propostas de ensino e as dificuldades por que alguns excepcionais passarão para se adaptar a esse projeto de inclusão.
“Aqui, temos um aluno com síndrome de down de 27 anos, que é muito carinhoso, muito amoroso, mas têm dias que ele fica violento e é difícil contê-lo. Ele bate em todo o mundo. Como será um aluno que passa por esse tipo de dificuldade no meio dos outros? Vai ser complicado”, detalhou.
Problemas
Outro problema com esse tipo de projeto é o pré-conceito que pode ser gerado, porque as salas de aulas que forem receber esse tipo de aluno terão que reduzir o número de vagas. Isso pode gerar conflitos com a comunidade.
“Na hora do intervalo, como uma criança com deficiência física irá se sentir quando vir as outras correndo e brincando? Quando não conseguir acompanhar o desempenho da turma, ele vai se sentir inferior, e isso pode causar um mal irreversível.
“Fechamento”
A Apae, atualmente, tem 250 alunos. Todos com necessidades especiais. Eles têm, além do ensino básico e fundamental, aulas de informática, artesanato e acompanhamento médico. Os funcionários, alimentação e parte das despesas são pagos pelo Estado.
“Temos que oferecer tudo que uma escola comum oferece e um pouco mais, mas sem recurso, mas, como dependemos do governo para nos manter, pedimos que o Estado compreenda a nossa situação, porque queira ou não a transformação da Apae em centro de saúde é quase um fechamento”, desabafou.
“Não sou contra a inclusão, mas isso deve ser feito aos poucos, com cuidado. Temos alunos que saíram daqui para a rede pública de ensino. Eles estão bem e são ainda acompanhados, assim pode dar certo”, explicou Raimunda Souza.
domingo, outubro 26, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
Dinheiro público pelos ares
Convênio entre Governo do Estado e Ministério da Justiça foi publicado no Diário Oficial da União
O policiamento no Estado do Acre terá o auxílio de um helicóptero, especialmente nas áreas de fronteira. O extrato de convênio para a compra da aeronave foi publicado no Diário Oficial da União, fruto do empenho do governador Binho Marques e sua equipe junto ao ministro Tarso Genro, e integra o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci).
2. Especialmente deveria estar entre vírgula; e
3. E "junto ao" significa que o governador e sua equipe estão perto do ministro. O correto é com o ministro.
O valor do convênio ultrapassa R$ 6 milhões e tem contrapartida do Governo do Estado. Após a licitação, a aeronave será fabricada e entregue à Secretaria de Estado de Segurança Pública.
"Esse é um processo demorado, mas após o fechamento da licitação faremos todos os esforços possíveis junto à empresa vencedora para agilizar a fabricação e entrega do helicóptero", disse o secretário de Segurança Pública, Antônio Monteiro.
1. Quer dizer que "faremos todos os esforços possíveis perto da (junto à) empresa vencedora". O correto é com a empresa vencedora.
De acordo com o secretário, a fronteira acreana tem mais de dois mil quilômetros de extensão e foi uma das causas principais da adesão do Acre ao Pronasci. "A fronteira tem pontos de fragilidade que serão mais bem monitorados com o auxilio do helicóptero. Dois policiais já estão em treinamento para atuar no pelotão aeropolicial e mais profissionais serão preparados para o trabalho."
O major da Polícia Militar Paulo César ressaltou que o helicóptero vai auxiliar também no policiamento das rodovias que dão acesso ao Estado, além de agilizar o combate ao narcotráfico e furto de veículos.
terça-feira, outubro 21, 2008
A literatura segundo os comunistas
Há muitos anos, não ouço daquela esquerda palavras de ordem contra “políticas neoliberais”. Hoje, adequada à economia de consumo neoliberal, essa esquerda não protesta contra a mais-valia na forma de uma Hilux. Ignora-se, entretanto, que o neoliberalismo permite ao indivíduo o que comunistas não permitiram na história: a liberdade de criar.
Se tivesse nascido no berço da economia de mercado, a arte de Vladimir Maiakóvski teria seguido outro destino. Os burocratas comunistas não apreciavam sua arte, por isso entre eles os choques foram inevitáveis. Em 14 de abril de 1930, Maiakóvski suicida-se com um tiro. Tinha apenas 37 anos.
Não há mais União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS), mas os versos desse fascinante poeta permanecem vivos. O Estado comunista ruiu. Maiakovski não: “Nesta vida/morrer não é difícil/o difícil/é a vida e seu ofício”, poetizou. Para quem ainda pensa que suicídio é ato de fraqueza, digo que, no caso de Maiakóvski, o suicídio foi apenas a confissão de que a existência não valia a pena em um Estado totalitário.
Devo aqui, entretanto, reconhecer que Lênin admitia que o trabalho literário “não é possível de nivelamento mecânico, de um domínio de uma maioria sobre a minoria”. Para ele, deveria haver “o máximo de espaço à iniciativa individual e às inclinações individuais, o máximo de espaço ao pensamento e à fantasia, à forma e ao conteúdo”. Para a desgraça de Maiakovski, entretanto, Lênin morre antes que seu pensamento fosse uma realidade política.
Sob a tutela de Stálin, em 17 de agosto de 1934 – pouco mais de quatro da morte de Maiakóvski -, o 1º Congresso de Escritores Soviéticos coroa, por meio de Andrei Jdanov, o “realismo socialista” como doutrina oficial, mesma doutrina com que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) asfixiaria a liberdade de criação com as mãos rudes de uma ideologia que não admitiria a imaginação, as inquietações da forma.
Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, não suportaram a pressão do PCB e, como resposta, arrancaram as mordaças da anticriação literária. Outro dissidente foi Graciliano Ramos. Em 1935, o autor de Vidas Secas envia uma carta ao crítico Oscar Mendes, dizendo: “Acho que transformar a literatura em instrumento de propaganda política é horrível. Li umas novelas russas e, francamente, não gostei.”
Sem imaginação, preso à objetividade, o realismo socialista de Andrei Jdanov fechou a palavra em si mesma, evitando a polissemia ou enfraquecendo-a por meio de um discurso autoritário. Assim, sem pluralidade, o monólogo panfletário de comunistas sacramentou um jogo parafrásico a fim de sepultar a ficção.
Por que domesticar a imaginação? Por que comunistas identificaram-se com o realismo? Por que eliminar a ficção? Em um pedaço de jornal, impossível responder. Posso, isso sim, deixar esta ótima dica para quem deseja (des)cobrir essa caça ao texto ficcional: A Trilogia do Controle, um denso livro do professor Luís Costa Lima.
Boa leitura!!!
Raionery, obrigado!
______________________________
Raionery, lembro-me de ti e é bom saber que deixei algo em você. Fico feliz com tuas palavras, sei que são verdadeiras. Bom saber que você segue um caminho correto para melhorar a vida das pessoas. Estude, leia muito, compre livros, erga uma bibloteca aos poucos em tua casa e, quando entrar em sala para lecionar, alegre teus alunos para transformar o destino.
Um grande abraço em tuda vida e, por favor, mande uma foto para eu perceber como você é hoje. Vida longa aos que são inquietos! Vida longa aos que lutam contra a ignorância e a alienação!
sexta-feira, outubro 17, 2008
Escola pública: não leia na escola (1)
.jpg)
.jpg)
A questão é que o conselho deveria funcionar segundo o que uma coordenadora tem como objetivo, como meta. Sem meta, sem objetivos, sem uma ação educacional clara, os conselhos não têm vida. O Plano Político Pedagógico, como sabemos, depende também do funcionamento dos conselhos.
O que a escola pública pensa sobre leitura? Cada professor irá responder no papel para depois entregar à coordenadora de ensino? Se não há outra idéia melhor, eu tenho proposto há anos a reunião sistemática dos conselhos de disciplina. Eu disse SISTEMÁTICA. Quem define leitura na escola é o corpo docente por meio do conselho. Escola é ação conjunta.
Na escola Heloísa Mourão Marques, o conselho deliberou há mais de um ano que leitura em sala deve existir. Não sei se houve registro em ata e muito menos onde está essa ata, o fato é que detalhes sobre essa leitura não ficaram especificados. Retirar o que da leitura?
Se sou criticado por ler em sala de aula para meus alunos, ignora-se, por outro lado, o que cobro deles embora o conselho não tenha determinado o que cobrar. Sem saber o que leciono e como leciono, escrevei à minha crítica sobre minha leitura em sala.
LerLerLerLer
Ora, tais observações textuais não são dadas ao relento, ao acaso, mas porque se relacionam à produção textual dos alunos, ou seja, em suas redações, surgem problemas verbais e pronominais. No desenvolvimento redacional, cobrarei o uso de pronome oblíquo para evitar a repetição do substantivo.
Fora essas observações, o sentido da leitura. Por que ler Rebeldes? A violência avoluma-se em nossa realidade, e esse romance apresenta um mundo ficcional que expõe a violência de adolescentes.
Na condição de leitor, desejo compreender o porquê dessa violência, o que não ocorre no filme Sociedade dos poetas mortos. Por qual motivo os adolescentes desse filme não cultuam a violência? Em uma prova dissertativa, eles compararão o livro ao filme. Quero que compreendam a importância da ordem (no filme) e as conseqüências da desordem (no livro).
Bem, depois me dizem que livro lido em sala não tem importância, só para quem não se habitou a ler.
terça-feira, outubro 14, 2008
Casa de Chico Mendes não era do Chico
Matéria de Gilberto Lobo
A verdadeira proprietária da Casa de Chico Mendes, um dos maiores símbolos do Estado, é a professora aposentada Carmem Rodrigues Moreira, de 68 anos. Ela afirma que há quase 20 anos está com um processo na Justiça para reaver o imóvel, que ainda está registrado no nome do falecido marido, Raimundo Pereira Bastos.
A aposentada explicou que tentou vender a casa a Chico Mendes, um ano antes de seu assassinato, por 400 mil cruzeiros, mas só recebeu 150 mil. “Ele disse que estava de viagem marcada para o estrangeiro, para receber um prêmio e, quando chegasse, pagaria o restante da dívida”, disse.
Mas, quando retornou da viagem, o ambientalista não pagou o restante da dívida. Dívida essa que se somou aos aluguéis pagos apenas com a amizade entre a professora e o sindicalista. “Nunca o cobrei, porque eu gostava muito dele. Ele era uma boa pessoa, preguiçoso, mas uma boa pessoa. Pagou apenas três meses de aluguei e nunca mais”, enfatizou.
“Eu precisava do dinheiro da venda da casa em Xapuri para poder terminar de pagar o local onde estava morando na capital. Se eu fosse esperar, até hoje, também, estaria devendo a minha casa. Disse a ele que já estava fazendo um bom desconto: o preço era 500 mil cruzeiros e, para ele, acabei passando por um valor menor”, desabafou a viúva.
Arquivado
Dona Carmem disse ainda que, para lutar contra a sombra do herói Chico Mendes, conhecido em todo o mundo como o defensor do meio ambiente, foi difícil. Uma das barreiras foi conseguir um advogado que assumisse a causa.
“Tentei vários e eles sempre me diziam que não iam comprar briga com isso. E, quando, finalmente, consegui encontrar um, parece que ele não resistiu à pressão por muito tempo. Há tempo, peço ao advogado que me devolva a documentação anexada no processo, mas não consigo. Por último, me disse que estava no arquivo geral do Estado. Chegando lá, não me deixaram pegar a documentação. No entanto, confessaram que estava realmente lá,” lembra.
A viúva de Chico, Ilzamar Mendes, foi em algumas audiências com a professora aposentada, no entanto, afirmou, diante do juiz, que não a conhecia e que a denúncia não era verdadeira.
“Esculhambei com essa mulher. Eles não tinham nada quando foram morar juntos, sequer tinham comida. Eu os ajudei, eles viviam em minha casa, sempre lhes tive muito respeito. Como ela disse que não me conhece? Esse bem é herança dos meus filhos e ela ganhou dinheiro com a morte do Chico e não quis pagar a dívida. Só quero que me paguem e fica tudo bem”, detalhou a senhora com seus cabelos grisalhos, com sérios problemas de circulação sanguínea.
“Vou até o final com minha luta. Isso não pode e nem vai ficar assim”, finalizou num tom de revolta a professora aposentada e proprietária da Casa de Chico Mendes, o mais importante ponto turístico de Xapuri.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Blog aberto ao deputado Calixto
Li com muita atenção seu texto sobre minha postagem a respeito de uma ex-aluna minha. Ela me chamou e me disse que ainda se recordava de minhas aulas. Lembrou-se quando eu li em sala de aula o livro Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach.
O fato de eu ter sido lembrado só me revelou a paixão que possuo por lecionar, por lecionar há 20 anos. Sei que, na condição de professor, posso muito pouco, bem menos que um deputado. Uma lembrança, um livro, meu limite para transformar a vida de uma pessoa, quase nada.
O destino dela tem suas particularidades, algo ignorado por nós dois. Ex-alunos meus conseguiram ingressar na Universidade Federal do Acre (Ufac) depois de estudaram na escola pública acreana, reorganizada pela Frente Popular. Penso que sua observação sobre essa ex-aluna entregar panfleto na rua é pertinente, mas superficial quando joga a culpa no Partido dos Trabalhadores. Como eu disse, repito, ex-alunos meus estudam na Ufac, não entregam panfleto em rua.
Sabe, deputado, como simples professor deste Estado, minha situação profissional é bem menos pior do que no passado ou bem melhor do que antes. O PT apontou outros caminhos para a educação, melhores. Não sou estúpido a ponto de dizer não. Votei e votarei sempre no PT para lecionar na escola pública de hoje. Leciono neste meu Estado, parte de minha Pátria, há 16 anos, 11 nas escolas públicas, e sei o que tenho hoje e o que não tenho.
Não se trata de ser petista, pois seria pouco, trata-se de ser um professor que pensa, acima de tudo, na educação pública por eu me dedicar a ela. A oposição, entretanto, não pensa nessa educação, porque se limita a agredir ou a desqualificar o governo em nome de um estéril maniqueísmo nocivo à democracia.
A oposição, com seu agouro, gralha aos ouvidos da pobreza, mas os pobres já foram seduzidos por um Acre e por um país menos injusto. Os índices sociais acreanos são melhores. Queria muito, deputado, que não houvesse pobreza neste Estado para que a oposição começasse a ter idéias inteligentes sobre educação, por exemplo. Sem a pobreza - pobreza que o PT não ergueu neste Acre -, a oposição morre. Alguns se alimentam politicamente de cadáveres.
Sim, eu sei, o PT apresenta falhas na educação, questões bem específicas a ela, ignoradas por uma oposição que não sabe elevar o debate acima de uma ex-aluna que entrega panfleto na rua ou de um ex-aluno que hoje estuda na Ufac.
Sobre ser petista, mantenho com o PT acreano uma relação ambígua, e isso não que dizer ter duas caras. Digo ambígua no sentido de reconhecer e de criticá-lo com equilíbrio a fim de querer sempre o melhor para quem precisa mais do que eu. Tenho fome de justiça, deputado; mas, no passado, políticos superfaturam o prato de comida com o "sopão enche o bucho".
Não mudei o destino dessa minha ex-aluna - e, como o senhor escreveu, nem o PT -, mas, pelo menos, ela reconheceu em mim a paixão de lecionar em um Estado que não me humilha mais em sala de aula.
O Cavaleiro Andante

Texto de Aldo Nascimento
Montagem de Gilberto Lobo
No início do século 17, em 1605, Miguel de Cervantes Saavedra publicou sua obra-prima, Dom Quixote de la Mancha, supõe-se que tenha escrito na prisão. Na primeira página, em seu primeiro parágrafo, leio que esse personagem é seco de carnes, enxuto de rosto e amigo da caça.
Em tempos hodiernos, o meu Dom Quixote também é seco de carnes, enxuto de rosto e amigo da caça, e sua arma, para pegar a presa, tem sido o sonho. Meu sonhador caça, há muitos anos, o voto para ser vereador de Rio Branco. No lugar do cavalo Rocinante, uma bicicleta. No lugar de Sancho Pança, Deus. No lugar de Dulcinéia, a vida.
Cabides sempre estiveram nas instituições
Neste ano, com 2.117 votos caçados, Manoel Waldir Teixeira de Souza foi um dos 14 escolhidos para trabalhar pouco e ganhar muito na Câmara de Vereadores de Rio Branco. Muitos, entretanto, manifestaram surpresa. Muitos. “Como pode tamanha criatura com 1m44 de altura representar a coisa pública?!”.
Confesso que a surpresa não chegou a mim, porque, há muitos anos, cabide sempre esteve na Assembléia Legislativa, na Câmara de Vereadores, no Poder Judiciário. Sim, sempre houve cabide de emprego. Agora, nada mais justo do que o verdadeiro Cabide ocupar seu espaço no erário para fazer justiça com as próprias eleições, digo, com as próprias mãos.
Políticos se enriquecem
No sítio www.politicosdobrasil.com.br, acessamos o patrimônio de políticos acreanos que se multiplicou por dez no período de oito anos. Em nome do povo, da justiça social, enriquecem-se com o dinheiro público. Mas, se Cabide é povo, a justiça não veio para ele. Começará a vir em janeiro quando entrar na Casa Legislativa. “Não tenho minha casa ainda, moro com um amigo de infância”, disse o Dom Quixote acreano. Um de seus sonhos pessoais, este: construir sua casa. Cabide é o povo que não escolheu seu representante de esquerda ou populista, mas o povo escolhido ou que se escolheu para conseguir sua moradia, trabalhando muito pouco.
Vamos encher o Legislativo de Cabides?
Já pensou 14 Cabides eleitos nas próximas eleições municipais? Imagino a propaganda eleitoral: “Vote em mim, eu sou o povo, só quero ficar quatro anos na Câmara de Vereadores para construir minha casa, prometo meter a mão só no meu salário para comprar tijolos, pagar o cimento. Vote em mim, porque, nas próximas eleições, o sorteado poderá ser você, que é pobre igual a mim, igual a Cabide.”
Que voto de protesto?
Seria voto de protesto? Pela TV, não vi nenhuma pessoa ao lado de Cabide com rostinho de quem protesta contra alguma coisa. Assisti, isso sim, ao povão querendo tirar vantagem, por meio de Dom Quixote, da mufunfa que circula na Câmara de Vereadores. Muitos desejam ser assessores. Muitos querem se pendurar no Cabide. Não houve nenhum protesto, só risos, euforia.
Morreram-se as ideologias
Em uma época de pós-ideologia, quando João Amazonas (PC do B) senta-se à mesa com Roberto Campos (PP) por meio da Frente Popular, Márcio Batista (PC do B), pastor Jonas (PSB), Concita (PT) não convenceram os eleitores; porém, com sua fala de caipira, fala de quem fica à margem da gramática normativa, um pobre seco de carnes, enxuto de rosto, ele, Cabide, nos comove.
Espero que Dom Quixote não seja modelado pela formalidade, às vezes falsa, do poder institucionalizado como alguns da esquerda já foram. Ainda quero ver Cabide ir à Câmara de Vereadores com sua bicicleta. Ainda desejo ouvir seus discursos com uma LÍNGUA portuguesa que desobedece à norma gramatical. Que o poder formal não o deforme, não tire desse autêntico acreano quixotesco a verdade pura de ser humilde. Se Manoel Waldir Teixeira de Souza não for seduzido pelas aparências do poder, Cabide terá caçado mais um voto:) o meu.
domingo, outubro 12, 2008
O poeta

Só tenho pena auditiva de alguns alunos meus, eles escutam ruídos fecais de um Calypso, de um Calcinha Preta.
Um pedaço de uma letra da Legião Urbana
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto
Isso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?






