quinta-feira, maio 07, 2009
Demanda reprimida
quarta-feira, maio 06, 2009
O novo ensino médio
A intenção é eliminar a atual divisão do conteúdo em 12 disciplinas no ensino médio e criar quatro grupos mais amplos Proposta será discutida hoje pelo Conselho Nacional de Educação; União planeja incentivos financeiros para obter adesão dos Estados.
FÁBIO TAKAHASHIDA
REPORTAGEM LOCAL
O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio, o antigo colegial. A proposta do governo é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grupos mais amplos (línguas; matemática; humanas; e exatas e biológicas).
Na visão do MEC, hoje o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola e a qualidade do ensino.A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados (responsáveis pela etapa), pois a União não pode impor o sistema. O Conselho Nacional de Educação aprecia a proposta hoje e amanhã e deve aprová-la em junho (rito obrigatório).
O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas.
Liberdade
Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar seus currículos, desde que sigam as diretrizes federais e uma base comum. Poderão decidir a forma de distribuição dos conteúdos das disciplinas nos grupos e também o foco do programa (trabalho, ciência, tecnologia ou cultura).
O governo Lula pretende que já no ano que vem, último ano da gestão, algumas redes adotem o programa, de forma experimental. No médio prazo, espera que esteja no país todo."A ideia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, com 12 disciplinas, em que os meninos dominam pouco a leitura, o entorno, a vida prática", disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar.
Está previsto também o aumento da carga horária (de 2.400 horas para 3.000 horas, acréscimo de 25%)."A mudança é positiva. Hoje, as disciplinas não conversam entre si", afirmou Mozart Neves, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente-executivo do movimento Todos pela Educação."A análise de uma folha de árvore, por exemplo, pode envolver conhecimentos de biologia, química e física. O aluno pode ver sentido no que está aprendendo", disse Neves.
A implementação, no entanto, será complexa, diz o educador. "Precisa reorganizar espaços das escolas e, o que é mais difícil, mudar a cabeça do professor. Eles foram preparados para ensinar em disciplinas. Vai exigir muito treinamento."O MEC afirma que neste momento trabalha apenas o desenho conceitual. Não há definição de detalhes da implementação ou dos custos.O relator do processo no conselho, Francisco Cordão, disse que dará parecer favorável. "Talvez seja preciso alguns ajustes. Mas é uma boa ideia. Hoje o aluno não vê motivo para fazer o ensino médio."
segunda-feira, maio 04, 2009
Estudantes vão à biblioteca para matar
A Biblioteca Estadual, tão charmosa, não foi atingida pela leitura de alunos, mas por balas disparadas por alguns estudantes. Bem mais que um fato em si, trata-se de um acontecimento simbólico.
PM prende três adolescentes que dispararam contra estudantes
Matéria de FREUD ANTUNES
A PM prendeu três estudantes do Colégio Estadual Barão do Rio Branco (Cerb) acusados de atirar contra dois adolescentes da mesma escola no final da tarde de ontem, no Centro de Rio Branco.
De acordo com testemunhas, P.S.D.M. (17 anos), E.R.S. (16 anos) e T.C.L. (16 anos) abordaram as vítimas, apontando um revólver, calibre 22, e uma peixeira, assustando os dois rapazes que procuraram refúgio na Biblioteca Pública.
Com a fuga, P.S.D.M. apontou a arma e disparou duas vezes na porta principal do prédio, atingindo de raspão um dos adolescentes.
O barulho chamou a atenção de policiais militares que começaram a perseguir o jovem, sendo detido na frente da Secretaria da Fazenda (Sefaz).
Durante o tumultuo e o socorro às vítimas, o vigia identificou E.R.S. e T.C.L., que tentavam se misturar à multidão de curiosos, mas acabaram flagrados como coautores do crime e presos. Quando revistados, os agentes descobriram que eles portavam uma peixeira em uma mochila.
As vítimas foram encaminhadas para o pronto-socorro; e os acusados, para a Delegacia de Proteção ao Menor.
No local, uma testemunha confirmou uma desavença entre os jovens que brigaram na quinta-feira.
Justiça
De GILBERTO LOBO
Familiares e amigo de Carlos Augusto de Vasconcelos, de 43 anos, protestaram, na manhã de ontem, em frente ao prédio dos juizados especiais cíveis, pedindo justiça. Carlinhos, como era conhecido, foi vítima de acidente de trânsito no início de fevereiro deste ano. Sua moto colidiu com um carro, conduzido pela defensora pública Wânia Lindsay. Ontem, foi a audiência de conciliação.
De acordo com a mãe de Carlinhos, Eliuda Araújo, a defensora não fugiu do local do acidente, mas nenhum boletim de ocorrência foi registrado. Isso levantou a suspeita de que Wânia teria sido favorecida por ser defensora pública.
O Ministério Público Estadual (MPE) está investigando o caso. O acidente aconteceu por volta das 21horas de 3 de abril de 2009, na avenida Nações Unidas, sentido Centro-bairro. Carlinhos ainda foi socorrido por uma equipe de paramédicos do Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no pronto-socorro de Rio Branco. A defensora pública não foi encontrada para falar sobre o assunto.
domingo, maio 03, 2009
O carteiro e o poeta, e os meus alunos
Depois que valores do eu-lírico foram colocados em sala de aula, um filme para eles perceberem a palavra encarnada em personagens. Não gosto que assistam a filmes em sala de aula, porque a percepção não é a mesma e, com efeito, o filme não é o mesmo.
Depois da reforma, a Biblioteca Estadual ficou ótima, um espaço de cinema em uma capital onde não há a cultura do cinema. Em Rio Branco, só há o espaço Cine João Paulo.
O governo do PT possibilitou um belíssimo espaço para os estudantes. Confortável, bonito e organizado, o espaço da Biblioteca Estadual é o melhor.
quinta-feira, abril 30, 2009
Os primeiros de maio serão os últimos
Meu alimento sobre esta mesa
confessa
que não é meu trabalho
em si
que me alimenta.

Ouço vozes: são caroços de feijão.
Bem negros e pobres,
eles dizem que não é o meu trabalho
em si
que me alimenta:
dependo de mulheres
de crianças
de homens
que estão à mesa neste lar.
De outra forma,
estão no prato:
MARIAS
SILVAS
SEVERINOS
JOSÉS
DOLORES
CHICOS
Semea(dores) de terra,
boias-frias
em meu prato quente de comida.
Tantos cabem neste espaço fundo de louça
que meu garfo
orgulhoso
suspende a nação
e sente o peso de mãos para o terçado
de dedos para a marmita
de corpos para o latifúndio
de choros ressecados em rostos rachados de exploração imensa
de filhos não deitados em nenhum berço esplêndido.
Esta (re) feição
denuncia a história
(sem) feição
de uma gente.
Agora compreendo:
não é meu trabalho
em si
que me alimenta:
são estes resíduos de Nação
entre meus dentes.
TCU apura sobrepreço em anel viário de Rio Branco
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a instauração de quatro tomadas de contas especiais após detectar orçamentos supervalorizados na obra do anel viário em Rio Branco (AC).
O projeto prevê construção, duplicação e restauração do Rodoanel na BR-364, em torno da capital acreana. A apuração do Tribunal refere-se a quatro contratos para obras em um trecho de 15,90 km que deviam ter sido corrigidos por determinações anteriores do TCU. O Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) concluiu a obra, mas não fez as correções dos valores e pagou os serviços contratados com preço supervalorizado.
A construção do trecho com sobrepreço foi dividido em quatro lotes. No primeiro, sob responsabilidade da empresa Marts Transportes e Serviços Ltda., o dano apontado é de R$ 207.334,85. No segundo, executado pela Empresa de Engenharia em Eletricidade e Comércio Ltda. (Etenge), o dano é de R$ 1.048.122,13. O terceiro lote ficou com as empresas Serviços de Engenharia e Construções Ltda. (SEC) e Cidade Construtora Ltda. e o valor do dano é de R$ 670.690,56. No último lote, o sobrepreço pago à empresa Slump Engenharia Ltda. pela execução da obra foi de R$ 1.569.070,78.
As empresas beneficiadas com pagamentos indevidos e os responsáveis pela licitação, pelo contrato e pelos pagamentos deverão ser informados da decisão para apresentar esclarecimentos ou ressarcir o dano.
O TCU fará nova fiscalização para verificar a correção e a qualidade final do empreendimento, incluindo pavimentação, equipamentos de drenagem de água da chuva, sinalização das pistas e cumprimento de exigências ambientais.
Cabe recurso da decisão. O relator do processo foi o ministro Augusto Sherman Cavalcanti.
quarta-feira, abril 29, 2009
Enem, Calixto e Heloísa
Homens públicos enaltecem tanto a ensino público, mas, quando o assunto é resultado, eles pagam para ver as boas notas das escolas particulares no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No Brasil e no Acre, mais uma vez, escolas pagas significam o topo, isto é, as melhores. Agora, leitor, responda-me: por que vereadores, deputados, senadores e governadores colocam seus filhos no ensino pago?
No Brasil, a melhor escola, batizada com o nome São Bento, no Rio de Janeiro, foi abençoada com a nota 80.58. A melhor pública estadual colocada é o Instituto de Aplicação Fernando da Silveira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com 75.11, na 19ª posição.
No Acre, o Lato Sensu levou o bicampeonato, com 61.27, mas, na classificação nacional, sua posição é a 1.772ª. Antes privada, o agora estadual Instituto São José ficou por cima, com 52.0. Na colocação nacional, seu número é 5.437. A escola Prof. José Rodrigues Leite, que sempre ficou em primeiro lugar entre as escolas públicas acrianas, caiu para segundo, com 50.81, estando na 6.386ª posição da classificação nacional.
Quando o novo vestibular bater à porta de nossas escolas não pagas, homens públicos não medirão esforços para pagar o ensino de seus filhos, porque o processo da qualidade de ensino na escola pública não é proporcional ao acúmulo de suas riquezas.
Ainda que eu tece neste espaço virtual críticas à política educacional da Frente Popular – leia-se PT e PC do B -, o atual trabalho deve continuar para que possamos alçar novas possibilidades. Critico e, por outro lado, reconheço avanços e limites.
Coordenador do ensino médio
Em uma semana de abril, estive na Secretaria Estadual de Educação para retirar uma dúvida com uma funcionária, mas, sem querer, o coordenador do ensino médio, professor Josenir Calixto, encontrou-se comigo. "Poxa, você me queimou em seu blogue", reclamou.
Josenir, você sabe que eu o critico - não queremos alunos críticos? - por você ser uma pessoa séria. Dos que não são, eu só rio. Você sabe que minhas críticas são leais porque sei que podemos melhorar mais. A crítica é uma forma de exigir mais, sabendo que a minha é propositiva.
Não fique chateado. Reconheço a sua inalienável virtude de querer o bem para a educação acriana, você é um cara da esquerda que luta muito por isso e trouxe transformações significativas para a rede pública. A questão só é esta: quero mais, mais sempre.
Crítica propositiva
Há muito tempo, mais de cinco anos, eu tenho dito - e está no arquivo deste blogue - dos conselhos de disciplina. Você me disse que eles existirão na rede pública depois - é o que acho - de ter pagado a uns consultores. E eu falei sem cobrar.
Heloísa Mourão Marques
Do Enem de 2008, entristeceu-me o resultado da escola Heloísa Mourão Marques, onde leciono há seis anos. Caímos 25 posições. Em 2007, entre as 40 escolas do Estado que se submeteram ao Exame Nacional do Ensino Médio, Heloísa ficou na 15a posição. Em 2008, entre 53 escolas, a escola deixou o ano na 40a posição.
Alguns preferem culpar alunos, eu prefiro assumir a minha culpa. Assumindo-a, digo a mim que preciso trabalhar melhor. Esse resultado me incomodou.
53 Escolas do Acre no Enem
2. RIO BRANCO - MAX REINO ENCANTADO - Particular - 59,54
3. RIO BRANCO - META - Particular - 58,8
4. RIO BRANCO - ENSINO MEDIO E TÉCNICO PLÁCIDO DE CASTRO - Particular -58,045.
5. CRUZEIRO DO SUL - INST ORFANOLÓGICO SANTA TERESINHA - Particular - 55,28
6. RIO BRANCO -INSTITUTO IMACULADA CONCEIÇAO - Particular - 55,27
7. RIO BRANCO - COLÉGIO ALTERNATIVO - Particular - 53,3
8. RIO BRANCO -INSTITUTO SÃO JOSÉ - Estadual -52
9. RIO BRANCO - PROF. JOSÉ RODRIGUES LEITE -Estadual - 50,81
10. RIO BRANCO - FUNDAÇAO BRADESCO - Particular - 49,93
11. RIO BRANCO - COLEGIO DE APLICAÇAO Federal 49,54
12. CRUZEIRO DO SUL - DOM HENRIQUE RUTH - Estadual - 48,11
13. CRUZEIRO DO SUL - FLODOARDO CABRAL - Estadual - 47,59
14. RIO BRANCO - ARENA DA FLORESTA - Estadual - 47,27
15. RIO BRANCO ESC JORNALISTA ARMANDO NOGUEIRA - Estadual - 46,54
16. RIO BRANCO - ALCIMAR NUNES LEITÃO - Estadual - 46,27
17. RIO BRANCO - LUÍZA CARNEIRO DANTAS - Estadual - 46,27
18. RIO BRANCO - COLEGIO ESTADUAL BARAO DO RIO BRANCO - Estadual - 46,16
19. BUJARI - SÃO JOAO BATISTA - Estadual - 45,92
20. SENADOR GUIOMARD - 15 DE JUNHO - Estadual - 45,82
21. PORTO ACRE - EDMUNDO PINTO DE ALMEIDA NETO - Estadual - 45,69
22. RIO BRANCO - JOSE RIBAMAR BATISTA - Estadual - 45,6
23. PORTO ACRE - JADER SARAIVA MACHADO - Estadual - 45,5
24. BRASILEIA - KAIRALA JOSE KAIRALA - Estadual - 45,31
25. RIO BRANCO - HENRIQUE LIMA - Estadual - 45,2
26. EPITACIOLÂNDIA - JOANA RIBEIRO AMED - Estadual - 45,07
27. RIO BRANCO - LOURIVAL SOMBRA PEREIRA LIMA - Estadual - 44,92
28. SENA MADUREIRA ESC DOM JULIO MATTIOLI - Estadual - 44,83
29. FEIJÓ - JOSE GURGEL RABELO - Estadual - 44,82
30. MÂNCIO LIMA - ANTONIO OLIVEIRA DANTAS - Estadual - 44,64
31. ACRELANDIA - MARCILIO PONTES DOS SANTOS - Estadual - 44,3
32. XAPURI - DIVINA PROVIDENCIA - Estadual - 44,3
33. RIO BRANCO - GLORIA PEREZ - Estadual - 44,15
34. PLÁCIDO DE CASTRO - JOAO RICARDO DE FREITAS - Estadual - 44,11
35. RIO BRANCO - LEONCIO DE CARVALHO - Estadual - 43,52
36. CRUZEIRO DO SUL - MANOEL BRAZ DE MELO - Estadual - 43,08
37. TARAUACA - DR DJALMA DA CUNHA BATISTA - Estadual - 42,9
38. RIO BRANCO - DR JOAO BATISTA AGUIAR - Estadual - 42,73
39. RIO BRANCO - LOURIVAL PINHO - Estadual - 42,71
40. RIO BRANCO - PROF. HELOÍSA MOURAO MARQUES - Estadual - 42,54
41. RIO BRANCO - INSTITUTO DE EDUCAÇAO LOURENÇO FILHO - Estadual - 42,42
42. ASSIS BRASIL - PROF. IRIS CELIA CABANELLAS ZANNINI - Estadual - 42,09
43. CAPIXABA - ARGENTINA PEREIRA FEITOSA - Estadual - 42,03
44. RIO BRANCO - HUMBERTO SOARES DA COSTA - Estadual - 42,02
45. RIO BRANCO - PROF BERTA VIEIRA DE ANDRADE - Estadual - 41,81
46. RIO BRANCO - DR SANTIAGO DANTAS - Estadual - 41,79
47. CRUZEIRO DO SUL - MARCILIO NUNES RIBEIRO II - Estadual - 41,72
48. CRUZEIRO DO SUL - CRAVEIRO COSTA - Estadual - 40,63
49. PORTO WALTER - BORGES DE AQUINO - Estadual - 40,46
50. MANOEL URBANO - NAZIRA ANUTE DE LIMA - Estadual - 40,38
51. ACRELÂNDIA - SANTA LÚCIA III - Estadual - 39,85
52. PLÁCIDO DE CASTRO - SÃO LUIZ GONZAGA - Estadual - 39,52
53. JORDÃO - JAIRO DE FIGUEIREDO MELO - Estadual - 39,02
terça-feira, abril 28, 2009
Para eles, meus alunos

Sábado, dia 2 de maio, assistiremos, em um ótimo espaço da Biblioteca do Estado, ao filme O Carteiro e o Poeta.
Por que oferto a teus olhos, aluno, esta película?
Para você crer na vida. Para você ver e ouvir o que Faustão ou Sílvio Santos ocultam aos domingos. Para você se sensibilizar. Para você crer na amizade entre dois homens, para crer na honra do amor por uma mulher, para crer na dignidade da morte, para crer na ação transformadora da poesia. Repito: para crer na vida.
Fique atento ao carteiro, homem simples, pouco alfabetizado, ser humano que em sua bicicleta levará cartas, digo, palavras ao poeta Pablo Neruda. No começo, ele, na condição de carteiro, carregará as palavras; porém, em outro momento, por causa do poeta, ele será carregado por elas para chegar à sua amada. A poesia o conduzirá para anular a brutalidade dos homens.
Para tanto, para chegar ao poeta, para entregar as cartas, ele, com a bicicleta, sobe um morro, ou seja, a poesia encontra-se no alto para o carteiro, claro, elevar-se.
Assista, não passa na Tela Quente.
segunda-feira, abril 27, 2009
Não nãO nÃo não NãO NÃO
Com a Reforma Ortográfica, não há mais hífen depois de não. Antes, se houvesse um prefixo antes da palavra, colocava-se não com hífen. Se escrevíamos ametal, registrávamos não-metal.Pois bem, consultando o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), hífen depois de não deixa de existir. Agora, escreve-se não metal.
domingo, abril 26, 2009
Olhos do Rio Grande do Sul
O prédio é o da Biblioteca Pública, no centro de Porto Alegre, uma construção da década de 10,Seus olhos são do Rio Grande do Sul e encontraram na rede minhas palavras lançadas do Acre.
Professora da rede estadual, os olhos a que eu me refiro pertencem à Ivone Bengochea, uma amiga virtual que leciona Filosofia no ensino médio e na faculdade. Seu olhar sobre o PT gaúcho, sobre o PSDB. Uma entrevista breve como uma piscada.
Sem aspas, ela fala.
Eu coordeno o Centro de Estudos de Filosofia e Humanidades, o Pensare. Nasci no município de Rio Grande, num lugarejo chamado Corujas, talvez o destino tenha me guiado para a Faculdade de Filosofia. Meu avô era escrivão, registrava tudo e me ensinou a gostar da palavra escrita.
Abin -Agência Brasileira de Inteligência
Moro em Porto Alegre, desde do final da década de 70, vivenciei o calor da luta pela liberdades democráticas, onde aprendi muito, participei da primeira greve do magistério, em 1979, tudinho registrado na ficha da Abin.
Amigos
Percorri o Brasil nos encontros de professores e na luta pelo retorno obrigatório da Filosofia e da Sociologia. Gosto de andar pelas ruas da cidade, de conversar com os amigos no café - sou movida a amigos, não sei viver sem eles.
Trabalhei na escola pública por 25 anos, paralelamente no ensino privado universitário. Atualmente, sou pesquisadora e oficineira e presto assessoria na área do ensino de filosofia e do potencial das cidades como espaços educativos. Algumas coisinhas publicadas e outras à procura de um editor
LÍNGUA - No Rio Grande do Sul, houve um período em que o PT governou. Foi então que perguntei sobre quais transformações o PT realizou na escola pública.
Sobre a vida, eu deponho à esquerda. O PT representou a esperança, o alento da nossa geração na caminhada pela democracia. Quando o PT ganhou a prefeitura, a cidade, aconteceram transformações interessantes: o orçamento participativo, grandes eventos na área da cultura, criação de espaços públicos de discussão. A rede pública municipal foi ampliada, com experiências educacionais inovadoras como o construtivismo e o sistema de ciclos etc. As escolas municipais ficam na periferia urbana, em comunidades muito carentes. Cumprimento do plano de carreira que a gestão anterior tinha deixado. No estado, quando o PT assumiu a educação, deixou a desejar, não foi exitosa como a da Prefeitura. Dói muito lembrar o que aconteceu.
LÍNGUA - Hoje, qual o salário de professor?
Tanto no Estado como no município, a carga horária é de 20 e 40 horas. Um professor do município de Porto Alegre inicia sua carreira, com 20 horas semanais, em torno de 1.200,00. Mesmo sendo um salário razoável, o fim da bimestralidade (retirada ainda no último governo do PT) tem causado desgaste econômico. No Estado, o professor inciante recebe em torno de 500,00 por 20 horas, existe um estratagema chamado parcela autônoma que complementa para não ficar abaixo do salário mínimo. O último governo do PT na prefeitura retirou a bimestralidade, foi um dos desgastes da gestão petista.
LÍNGUA - Se o PT realizou um trabalho tão bom em Porto Alegre, por que tem perdido eleições?
Uma pergunta complexa é muito difícil de responder, vou tentar. A cultura e a política gaúcha foi muito influenciada pelo Positivismo de Augusto Comte, aqui e no Rio de Janeiro tem templo positivista, onde se cultuam a doutrina positivistas. Temos registros iconográficos como monumentos, arquitetura e governos como Julio de Castilhos Borges de Medeiros, a nossa Constituição até 1989 era nitidamente castilista. Getúlio Vargas era influenciado pelo positivismo. Se, por um lado, tivemos movimentos pela Legalidade, por exemplo, existem forças ultraconservadoras. Geisel, Costa e Silva eram gaúchos, Figueiredo estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, o general Golbery também. Porto Alegre, como as demais capitais, era área de segurança, o primeiro governo eleito pós-64 foi o de Collares, PDT, em 1985, populista mas autoritário, depois veio o PT. Foi uma aposta que deu certo. Mas, nos 16 anos, muita coisa aconteceu. O poder é afrodisíaco, muitos militantes deslumbraram-se, aproveitaram e esqueceram que existe a roda inexorável do poder. Uns ganham, outros perdem. Não leram Maquiavel certamente ou leram mal. O governo Lula teve reflexos negativos por aqui. O PT se isolou, correu sozinho. A oposição se uniu: PMDB, PDT, PTB, PSDB, PPS, Democratas contra PT e o minúsculo PC do B. Ganharam e reelegeram o Fogaça. O PT é ainda uma força política considerável, mas precisa costurar as alianças para retornar ao governo do Estado.
LÍNGUA - Como tem sido o governo atual do PSDB?
O PSDB não é partido grande aqui no Estado, ganhou com a s alianças e o isolamento do PT. A Yeda Crusius sempre foi uma deputada conservadora, não tem trajetória como o José Serra. É autoritária, seu governo é permeado pela polêmica interna,ela e o vice José Feijó dos Democratas são adversários. Desde que assumiu trocou várias vezes o secretariado, alguns assessores diretos indiciados em corrupção como a do DETRAN. A Brigada Militar é extremamente repressiva com os movimentos sociais. Professores, sindicalistas, os sem-terra tiveram confrontos resultando em pessoas feridas. O plantio desmedido de eucaliptos tem devastado o ambiente, enfrentamos catástrofes ecológicas com estiagem etc. Na educação, o confronto é direto com investidas pela modificação do plano de carreira, fechamento de escolas, salas de aulas lotadas, falta de professores em várias disciplinas. A secretária de Educação é a professora Mariza Abreu, ex militante política e dirigente do CPERS-Sindicato. Ironia.
sábado, abril 25, 2009
Ufac e a alegria das gratificações

De Freud Antunes
O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Jonas Filho e seus assessores a pagar multas que chegam a R$ 27 mil. O motivo do castigo seria o descumprimento da ordem de realizar um levantamento dos pagamentos irregulares da gratificação chamada vantagem pessoal nominalmente identificada (VPNI).
De acordo com os auditores do órgão fiscalizador, o benefício que era dado a todos os servidores de funções comissionados (FC) e de funções gratificadas (FG) rendeu um prejuízo de R$ 22.952.413,77 aos cofres da instituição de ensino entre os anos de 2006 e 2008.
As gratificações estavam sendo oferecidas de forma indiscriminada, o que foi averiguado pelos técnicos do TCU, que solicitaram que Jonas Filho tomasse providências em 2005.
Na época, o reitor pediu um prazo maior que o oferecido pelos técnicos, o que foi acatado, mas o levantamento e a suspensão não foram realizados. O gestor então foi cobrado novamente.
Para mostrar que o caso estava sendo apurado, o representante da Ufac determinou a abertura de processo administrativo, criando uma comissão composta por Rosemir Santana de Andrade Lima, Rosemary de Almeida Gomes, Roberto Feres, José Ronaldo Melo, Falbernandes Mendes de Farias e Pedro Ferreira Cavalcante Filho, que não conseguiram concluir o estudo.
Os auditores voltaram a cobrar o reitor, que apontou o grupo de servidores como responsáveis pelo trabalho de cálculo das gratificações.
Cobrado pelo TCU, o presidente da comissão, Falbernandes, informou que o tempo oferecido para o levantamento seria insuficiente, pois a averiguação estava sendo realizada de forma individual, atingindo todos os contracheques.
A resposta não foi acatada pelos técnicos do tribunal, que encaminharam o caso ao ministro-relator do processo, Aroldo Cedraz.
Com isso, o relator decidiu que a atual reitora da Ufac, Olinda Batista, terá 30 dias, a partir do dia 25 de março, para realizar o levantamento do prejuízo e suspender os pagamentos.
Aroldo Cedraz ainda determinou que o caso das irregularidades no pagamento das gratificações deva ser incluído na prestação de contas de 2009 da instituição de ensino.
Enem
Em 1911, boa memória era sinônimo de inteligência. Até dá para entender. Naquela época, quando o governo brasileiro tornou o vestibular obrigatório para universidades públicas e particulares, conhecimento era coisa para poucos.
Ter um baú de informações na cabeça já permitia a qualquer um ser pelo menos um bom profissional. Então não era surpresa que os vestibulares se preocupassem em testar basicamente a capacidade de memorização. Um século e muita decoreba depois ela continua sendo uma habilidade louvável, mas não é nem nunca foi a mais importante – só a mais fácil de testar numa prova.
Coisas fundamentais, como o raciocínio e a criatividade, ainda são menos levadas em consideração do que deveriam na hora de selecionar quem entra na universidade. Não é de espantar, então, que muita gente deseje a morte dos testes tradicionais.
E não é desculpa de estudante burro: o próprio Albert Einstein dizia que a obrigação de decorar fórmulas foi a maior, e mais inútil, tortura pela qual passou na vida. Por isso mesmo todo mundo interessado no assunto vibrou quando o Ministério da Educação anunciou uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio para substituir e unificar as provas das universidades federais.
A exemplo do Enem antigo, ela promete exigir muito mais análise e raciocínio lógico do que informação bruta a ser decorada. Está aí a solução para o tormento? Vamos ver. O MEC admitiu que inspirou-se no americano SAT (sigla em inglês para Teste de Medição Escolar), que é aplicado 7 vezes por ano (por enquanto aqui é só uma, mas a ideia é alcançar 7 também).
Em duas versões: uma de raciocínio, que avalia matemática, leitura crítica e redação, e outra que testa o aprendizado de matérias específicas – física, história etc. Ambas reconhecidas pela qualidade das questões, que obrigam o aluno a de fato raciocinar. Mas a grama do vizinho não é tão verde assim.
Apesar de bem formulado, o SAT é o terror mais profundo dos estudantes. Igualzinho ao que ocorre aqui, existe por lá toda uma indústria de cursinhos especializados em dicas e macetes para que os alunos se saiam bem nas provas. E há quem garanta que são necessários anos para esquecer o trauma do exame.
Os chineses que o digam. Por lá, a pressão para se sair bem em uma prova semelhante, que também é unificada e ocorre uma vez por ano, é tão forte que o vestibular está entre as causas das altas taxas de suicídio no país, de até 3,5 milhões de pessoas por ano. Na Dinamarca, a prova simplesmente não existe: o que conta são as notas obtidas durante todo o ensino médio.
Se o curso pretendido é engenharia, os examinadores levam mais em conta as notas do candidato nas aulas de matemática. Se a ideia é cursar letras, não tem muita importância ter passado raspando em química por 3 anos. Um sistema correto, mas também desesperador: quem é bom, mas repetiu o 1º colegial por alguma bobeira de adolescência, pode se complicar na hora da seleção.
Como não dá para voltar no tempo e mudar as notas, o jeito é mudar de país. Quem sabe para a Argentina, a Bélgica ou a França. Nesses, o acesso é garantido sem vestibular nem currículo: basta ter um diploma de nível médio, pelo menos para entrar nas faculdades menos concorridas (é o que acontece na prática por aqui também, já que os “processos seletivos” de algumas das nossas particulares permitiriam a matrícula de um babuíno).
Mas o acesso automático não garante nada em alguns casos: na Argentina, ao fim do primeiro ano de curso, há uma prova para decidir quem segue na faculdade ou não. Entre as universidades mais disputadas do mundo, o método é mais complexo. É o caso das que fazem parte da Ivy League, o grupo das 8 americanas de elite (entre as quais Yale, Harvard, Colúmbia e MIT).
Elas até levam em conta as notas do SAT, mas também avaliam currículos, exigem cartas de recomendação, fazem entrevistas pessoais... até a personalidade do candidato entra em jogo. Tudo conta: participação em grêmio estudantil, viagem de mochilão, trabalhos comunitários... Na Universidade de Colúmbia, por exemplo, o que os examinadores olham mesmo são os trabalhos que o candidato desenvolveu na escola nos 4 anos anteriores.
Para conquistar uma vaga no MIT, entre outras coisas o aspirante precisa fazer uma lista das 5 atividades mais importantes que considera já ter feito na vida. E pode ainda optar por falar sobre isso ao vivo, em uma entrevista com um examinador da universidade, o que pode aumentar significativamente as chances de admissão.
Tudo isso, por sinal, não existe só para o bem do aluno. Mas para o da própria instituição. Um diploma de Harvard foi importante para a carreira de Barack Obama. Mas ter formado um Barack Obama que virou presidente é ainda mais valioso para Harvard, pois aumenta o prestígio que a universidade já tem.
Daí a importância de uma seleção realmente precisa. Mas claro que, por melhor que seja, o novo Enem não vai transformar nossas federais em Harvards. Será apenas mais justo que os vestibulares-decoreba de sempre. Mas, se você acha que isso vai deixar as coisas mais fáceis, pode tirar o gabarito da chuva.
Neste ano, cerca de 5 milhões de estudantes vão concluir o ensino médio no Brasil, mas há menos de 300 mil vagas nas faculdades públicas, as mais concorridas. Nos 5 cursos mais disputados das 5 universidades top de linha, são só 1 300 vagas. Um baita funil, que vai continuar duro de atravessar.
Além disso, não importa o quanto o vestibular, ou mesmo a educação como um todo, melhore: sempre vai haver um punhado de instituições preferidas por alunos, professores e pelo mercado de trabalho. O caso dos EUA é emblemático: entre as mais de 4 mil universidades de lá, só aquelas 8 são objetos de desejo para valer. E, se é numa das favoritas que alguém quer entrar, não tem jeito: vai ter que ralar para mostrar mérito. Ainda bem.
sexta-feira, abril 24, 2009
Deputado se defende de acusação de emitir passagens para o exterior
O deputado Nilson Mourão (PT) se defendeu na manhã de ontem da acusação de concessão de passagens aéreas para o exterior à sua filha e a seus amigos. A denúncia foi divulgada na edição do jornal A TRIBUNA desta sexta-feira.
O parlamentar afirmou que decidiu doar os tíquetes apenas para ajudar Cláudio Ezequiel Passamani e Luziane de Souza Santos que foram para Paris, França.
O legislador ainda afirmou que a viagem de sua filha Lidiane Mourão foi realizada por meio de milhagens, mas, mesmo com essa resposta, ele não informou como o nome dela foi parar na lista publicada pelo sítio www.congressoemfoco.com.br
O parlamentar ainda informou que a sua ida para Caracas, Venezuela, foi uma missão oficial, autorizada pela mesa-diretora da câmara e que acabou sendo descrita em um relatório publicado na internete.
Na relação, o deputado aparece com a emissão de cinco passagens, deixando o parlamentar em segundo lugar no Acre. O primeiro lugar ficou com Ilderlei Cordeiro (PPS), com seis viagens autorizadas. A Perpétua Almeida (PC do B) autorizou apenas a ida para Buenos Aires, Argentina.
Todos os casos foram notificados entre 2007 e 2008.
De acordo com o Congresso em Foco, dos 513 deputados, 261 realizaram turismo em outros países.
Com a falta de controle, a câmara desembolsou R$ 4.765.946,91 com o benefício, sendo que desse total foram gastos R$ 1.744.388,93 com taxas de embarque.Na contabilidade, foram 2 mil trechos para 13 destinos diferenciados.
quinta-feira, abril 23, 2009
Ministro Joaquim Barbosa
Falta a nós um CQC
Hoje, à tarde, conversando com um jornalista acriano, ele disse-me que a Assembleia Legislativa não trabalha e, como prova, tem acompanhado as sessões."É a assembleia mais cara do Norte, sendo que o Acre é o menor Estado da região, esses caras não trabalham e ganham muito." Ele prepara um material para publicar na rede.
Infelizmente, nem sítios (site) e muitos menos blogues monitoram a produção da assembleia. Não há um acompanhamento apurado com requintes de inteligência. Creio que um sítio bem criativo poderia registrar com fatos e com críticas saborosas o que deputados pensam, aprovam, defendem, criticam, sem a necessidade de atualização diária.
Para leitores virtuais, faltam matérias incomuns sobre o Poder Legislativo com textos bem criativos. Guardadas as devidas comparações, a falta um CQC acriano na rede.
Falta...
segunda-feira, abril 20, 2009
Blog ou blogue?
Óbvio que nós, brasileiros, somos falantes da LÍNGUA portuguesa. Nossa identidade linguística difere-se da LÍNGUA inglesa. Blog, como sabemos, pertence à cultura norte-americana e inglesa. Trata-se, portanto, de um micro-organismo gráfico estranho a um corpo social que fala português.
Há duas semanas, comprei o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, páginas que deveriam estar sobre a mesa de nossos jornalistas. Os imortais registraram blogue, não prevalecendo, pois, a grafia inglesa em minha LÍNGUA-PÁTRIA.
Ao longo dos anos, aprendi a olhar algumas palavras não só como estrangeiras, mas como indivíduos forasteiros que invadem com nosso consentimento a cultura linguística de minha amada Pátria. Em Lisboa, não há um só comércio com nome inglês. Por pertencer à cultura inglesa, os portugueses nem falam e muito menos escrevem gol mas golo. Com efeito, não dizem goleiro, e sim guarda-redes. Na França, seus falantes escrevem Hollywood como a palavra é pronunciada em francês. Por que isso ocorre? Entre outras, esta resposta: guerras contra a dominação de uma nação sobre a outra na história do continente europeu.
No Brasil - e aprendemos com o padre José Anchieta desde 1587 -, o processo de colonização da igreja católica infiltrou-se nas palavras do povo tupi para alterar o comportamento desses nativos. Sei que o inglês blog não alterará nosso comportamento, porém me sinto bem quando visto essa palavra com as roupas de nosso significante: b-l-o-g-u-e. Se fôssemos portugueses, substituiríamos blog por bolha; se fôssemos lusitanos, escreveríamos sítio e não site. Por que não escrevemos? Porque fomos colonizados; e os portugueses, colonizadores.
Em Rio Branco, o governo do Estado, que não é inglês ou norte-americano, nomeia um espaço do Parque da Maternidade com a grafia “circuito skate”. Se a palavra já foi aportuguesada, se já existe a conversão, o governo deveria ter registrado “circuito esqueite”. O aportuguesamento é um processo natural, mas alguns insistem na norte-americanização de nosso idioma.
Como escrevi antes, a Academia Brasileira de Letras registrou blogue no VOLP; entretanto – e aí eu não entendi – deixou a grafia internet. Quem registra internete é o gramático Celso Pedro Luft. Se nomes consagrados aportuguesaram, não há sentido manter a escrita segundo a cultura de outro país. Já pensou se nós escrevêssemos faux-bourdon e não forró? E se ainda registrássemos shampoo e não xampu? Pena que não há registro oficial de xou para substituir show, mas podemos escrever espetáculo no lugar da palavra inglesa.
“É bom saber que você está preocupado com a forma de escrever”, e desliguei o telefone. É preciso muita paciência com os alfabetizados funcionais.
Uma nova escola pública
Hoje, a escola HMM é outra. O Instituto da Cidadania Brasil e a CNI-Sesi premiarão a Heloísa com Honra ao Mérito por causa do projeto escolar A Importância da Água para Sobrevivência da Espécie Humana.
Esse projeto envolveu seis disciplinas: Português, Biologia, Química, Geografia, História e Artes. Heloísa é oura escola.
sábado, abril 18, 2009
O que posso fazer?
Queria ser promotor para sair em coluna social, acho muito chique. Na foto, o promotor Aldo e Aires. Pena, não sou promotor. Não passo de um professor. E Aires, de um pedinte sem infância.


