quinta-feira, janeiro 17, 2013
terça-feira, janeiro 15, 2013
Finalmente retornou. Vou comprar
Lançamento: O arco e a lira, de Octavio Paz
jan 15th, 2013 | Autor Toinho Castro | Categoria: Hoje na Blooks
Super lançamento para que aprecia poesia! Publicado originalmente em 1956 e fora das prateleiras há bastante tempo O arco e a lira, do poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz (1914-1998), ganha uma belíssima reedição pela Cosac Naify, num acordo com a editora mexicana Fondo de Cultura Económica. A parceria promete mais literatura de primeira ao longo de 2013, inclusive com lançamento de mais um título de Paz, Filhos do lodo, espécie de continuação de O arco e a lira.
O arco e a lira é uma profunda reflexão sobre o fazer poético, um dos ensaios mais importantes da literatura mundial. Tê-lo de volta às prateleiras é importante pelo valor de uma obra como essa mas também pelo que ela traz de valor à própria poesia, como objeto da atenção dos leitores e editores. O livro é simples: a poesia é importante. O poeta, esse mensageiro estranho, precisa ser ouvido e sua mensagem processada, refletida, colocada na ordem da vida. Viva a presença da obre de Paz entre nós.
A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Idéia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular c minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!Como não reconhecer em cada uma dessas fórmulas o poeta que as justifica e que, ao encarná-las, lhes dá vida? Expressões de algo vivido e padecido, não temos outro remédio senão aderirmos a elas – condenados a abandonar a primeira pela segunda e esta pela seguinte. Sua própria autenticidade mostra que a experiência que justifica cada um desses conceitos os transcende. Será preciso, portanto, interrogar os testemunhos diretos da experiência poética. A unidade da poesia só pode ser apreendida através do trato desnudo com o poema.Um poema é uma obra. A poesia se polariza, se congrega c se isola num produto humano: quadro, canção, tragédia. O poético é poesia em estado amorfo; o poema é criação, poesia que se ergue. Só no poema a poesia se recolhe e se revela plenamente. É lícito perguntar ao poema pelo ser da poesia, se deixamos de concebê-lo como uma forma capaz de se encher com qualquer conteúdo. O poema não é uma forma literária, mas o lugar de encontro entre a poesia e o homem.O poema é um organismo verbal que contém, suscita ou emite poesia. Forma e substância são a mesma coisa. Mal desviamos os olhos do poético para fixá-los no poema, aparece-nos a multiplicidade de formas que assume esse ser que pensávamos único. Como nos apoderarmos da poesia se cada poema se mostra como algo diferente e irredutível?A forma mais alta da prosa é o discurso, no sentido estrito dessa palavra. No discurso as palavras aspiram a se constituir em significado unívoco. Esse trabalho implica reflexão e análise. Ao mesmo tempo introduz um ideal inatingível, já que a palavra se nega a ser mero conceito, significado sem outra coisa mais. Cada palavra – à parte suas propriedades físicas – encerra uma pluralidade de sentidos. Assim, a atividade do prosador se exerce contra a natureza própria da palavra.A palavra, finalmente em liberdade, mostra todas as suas entranhas, todos os seus sentidos e alusões, como um fruto maduro ou como um foguete no momento de explodir no céu. O poeta põe em liberdade sua matéria. O prosador aprisiona-a.O poema, sem deixar de ser palavra e história, transcende a história. Sob condição de examinar com mais atenção em que consiste esse ultrapassar a história, podemos concluir que a plural idade de poemas não nega, antes afirma, a unidade da poesia.
O Acre não existe
Conversando com um parente, ele me disse que o Acre não existe. Concordei. E aqui, meu primo, digo-lhe o porquê de o Acre não existir.
1. O rio Tietê não é rio. O rio Tietê é esgoto a céu aberto. Nesse sentido, São Paulo não existe;
2. No Acre, assaltante jamais explodiu caixa eletrônico;
3. No Acre, no interior, quem planta nunca passa fome;
5. No Acre, ônibus não é assaltado;
6. No Acre, no interior, não existe miséria, e a pobreza é mais rica do que a pobreza de São Paulo e do Rio de Janeiro;
7. No Acre, a saúde pública é melhor do que a saúde pública do Rio de Janeiro;
8. No Acre, a vida de índio é melhor do que a vida de assalariado de São Paulo e do Rio de Janeiro;
9. No Acre, não existe bala perdida;
10. Realmente, meu primo, o Acre não existe.
1. O rio Tietê não é rio. O rio Tietê é esgoto a céu aberto. Nesse sentido, São Paulo não existe;
2. No Acre, assaltante jamais explodiu caixa eletrônico;
3. No Acre, no interior, quem planta nunca passa fome;
4. No Acre, motorista não fica três horas em engarrafamento, porque não existe engarrafamento;
6. No Acre, no interior, não existe miséria, e a pobreza é mais rica do que a pobreza de São Paulo e do Rio de Janeiro;
7. No Acre, a saúde pública é melhor do que a saúde pública do Rio de Janeiro;
8. No Acre, a vida de índio é melhor do que a vida de assalariado de São Paulo e do Rio de Janeiro;
9. No Acre, não existe bala perdida;
10. Realmente, meu primo, o Acre não existe.
domingo, janeiro 13, 2013
A importância do PT e a sua inutilidade
Durante 20 anos, morei no Acre. Vinte anos. Cheguei em 13 de março de 1992 para lecionar na Universidade Federal do Acre.
A pessoa com quem falei ao telefone para saber sobre a vida no Acre foi a professora Afra, da Ufac.
Se não mentiu, pelo menos ocultou a verdadeira realidade social do Acre naquela época. Dessa forma, sem saber onde pisaria, viajei de avião pela Varig.
Só não retornei porque conheci dois GRANDES amigos: o casal Lucinéa e Matheus. Em 1994, fui morar em Rio Branco, onde presenciei a administração do petista Jorge Viana.
Continuei então no Acre para esperar a administração petista no governo de estado. Valeu a pena esperar.
A Frente Popular transformou um canto de meu país. Isso deve ser reconhecido. Sou apaixonado por essa terra simples, farta, lugar onde não se passa fome no interior, onde a terra faz brotar fartura.
O PT possui sua importância; no entanto, no campo da educação, para sar um exemplo, sua política caduca. Parece que seus membros padecem de inteligência para imprimir a laser ideias originais nas escolas.
O PT acriano é um partido que construiu o Acre (prédios, pontes, viadutos, escolas), mas um governo não pode se reduzir a isso.
Escola, diferente de viaduto, tem representação simbólica; porém, quando um grupo ignora o que isso significa, escola não passa de cimento e de tijolos.
Entretanto, para esse mesmo grupo, quando sua propaganda de governo entra nas casas pela televisão, o viaduto é progresso, é desenvolvimento.
As boas ideias elevam-se acima dos partidos, do poder, dos interesses de grupo. Por deixar boas ideias tradicionais de lado e por ignorar ideias modernas, o PT acriano, aos poucos, vai se tornando inútil.
Só não retornei porque conheci dois GRANDES amigos: o casal Lucinéa e Matheus. Em 1994, fui morar em Rio Branco, onde presenciei a administração do petista Jorge Viana.
Continuei então no Acre para esperar a administração petista no governo de estado. Valeu a pena esperar.
A Frente Popular transformou um canto de meu país. Isso deve ser reconhecido. Sou apaixonado por essa terra simples, farta, lugar onde não se passa fome no interior, onde a terra faz brotar fartura.
O PT possui sua importância; no entanto, no campo da educação, para sar um exemplo, sua política caduca. Parece que seus membros padecem de inteligência para imprimir a laser ideias originais nas escolas.
O PT acriano é um partido que construiu o Acre (prédios, pontes, viadutos, escolas), mas um governo não pode se reduzir a isso.
Escola, diferente de viaduto, tem representação simbólica; porém, quando um grupo ignora o que isso significa, escola não passa de cimento e de tijolos.
Entretanto, para esse mesmo grupo, quando sua propaganda de governo entra nas casas pela televisão, o viaduto é progresso, é desenvolvimento.
As boas ideias elevam-se acima dos partidos, do poder, dos interesses de grupo. Por deixar boas ideias tradicionais de lado e por ignorar ideias modernas, o PT acriano, aos poucos, vai se tornando inútil.
Uma dica, Leminski
A obra de Paulo Leminski está ausente há muitos anos no mercado. A editora Iluminuras relançou em 2010 sua prosa experimental, "Catatau". Uma obra. O todo encontra-se ocultado.
Para sair desse silêncio editorial, a Companhia das Letras lançará em fevereiro "Toda poesia", livro que acolherá toda obra desse curitibano.
Para os amantes da poesia e para os que estudam a linguagem poética, ler Paulo é, por inúmeros motivos, uma obrigação, também, estética.
Escrever bem depende também de ler ótimos autores, um exemplo, ele, o cara: Paulo Leminiski.
Para sair desse silêncio editorial, a Companhia das Letras lançará em fevereiro "Toda poesia", livro que acolherá toda obra desse curitibano.
Para os amantes da poesia e para os que estudam a linguagem poética, ler Paulo é, por inúmeros motivos, uma obrigação, também, estética.
Escrever bem depende também de ler ótimos autores, um exemplo, ele, o cara: Paulo Leminiski.
sexta-feira, janeiro 11, 2013
A escola e a igreja
Durante os anos lecionados na escola estadual Heloísa Mourão Marques, no Acre, entrei em sala com "sejam bem-vindos ao inferno".
Pais evangélicos, crentes ou protestantes crucificaram-me. A palavra "inferno", propriedade da igreja, jamais poderia ser usada como recepção.
Muitas vezes, fui conduzido à direção escolar.
Vendo isso hoje, percebo a fraqueza da instituição escola diante de pessoas que são educadas por pastores. Os livros na escola não têm importância quando as páginas da Bíblia são abertas nos cultos pelos incultos.
No Acre e em muitos lugares do Brasil, são as igrejas que ensinam a palavra, cabendo à escola a entrega do diploma.
Passamos quatro anos na faculdade e dedicamos boa parte do tempo aos livros para, na escola, lugar das ideias, um professor valer menos do que um pastor inculto, fanático e intolerante, que diz, a fiéis mais incultos, mais fanáticos e mais intolerantes, que "inferno" é o lugar do diabo, que este possui chifre, cauda.
Se pastores ignorantes pregam a palavra de Deus conforme sua escolaridade e condição social, se esses pastores interpretam a palavra segundo a tolice dos superficiais, por que na escola, por meio das disciplinas história, literatura e filosofia, a Bíblia não pode ser lida e interpretada?
Penso que a temática "homossexualismo" deveria passar por essas disciplinas, porque a igreja, segundo pastores intolerantes, usa a Bíblia para disseminar a violência (semântica).
Em 2012, 338 foram assassinados. Em 2011, 266. Em 2005, 81 homossexuais perderam a vida por causa de uma intolerância iniciada também nas igrejas evangélicas.
Imagino uma escola pública em que alunos lerão uma bela obra literária de Oscar Wilde (homossexual) e conhecerão sua vida por meio da literatura.
Na aula de história, por sua vez, estudarão o período vitoriano, época de Oscar Wilde.
E a filosofia? Os alunos estudarão conceitos, por exemplo, religiosidade, ética.
Depois, no final do semestre, um filme autoral para os alunos lerem os conceitos nas imagens.
Mas não terminei: para as três disciplinas, um livro escrito por um religioso culto e reconhecido por sua obra, por exemplo, o padre Daniel A. Helminiak.
Jovens deveriam aprender palavras em boas escolas públicas, não em igrejas incultas.
Mas o contrário se reproduz como capim no pasto. Sejam bem-vindos ao inferno (da ignorância)
Pais evangélicos, crentes ou protestantes crucificaram-me. A palavra "inferno", propriedade da igreja, jamais poderia ser usada como recepção.
Muitas vezes, fui conduzido à direção escolar.
Vendo isso hoje, percebo a fraqueza da instituição escola diante de pessoas que são educadas por pastores. Os livros na escola não têm importância quando as páginas da Bíblia são abertas nos cultos pelos incultos.
No Acre e em muitos lugares do Brasil, são as igrejas que ensinam a palavra, cabendo à escola a entrega do diploma.
Passamos quatro anos na faculdade e dedicamos boa parte do tempo aos livros para, na escola, lugar das ideias, um professor valer menos do que um pastor inculto, fanático e intolerante, que diz, a fiéis mais incultos, mais fanáticos e mais intolerantes, que "inferno" é o lugar do diabo, que este possui chifre, cauda.
Se pastores ignorantes pregam a palavra de Deus conforme sua escolaridade e condição social, se esses pastores interpretam a palavra segundo a tolice dos superficiais, por que na escola, por meio das disciplinas história, literatura e filosofia, a Bíblia não pode ser lida e interpretada?
Penso que a temática "homossexualismo" deveria passar por essas disciplinas, porque a igreja, segundo pastores intolerantes, usa a Bíblia para disseminar a violência (semântica).
Em 2012, 338 foram assassinados. Em 2011, 266. Em 2005, 81 homossexuais perderam a vida por causa de uma intolerância iniciada também nas igrejas evangélicas.
Imagino uma escola pública em que alunos lerão uma bela obra literária de Oscar Wilde (homossexual) e conhecerão sua vida por meio da literatura.
Na aula de história, por sua vez, estudarão o período vitoriano, época de Oscar Wilde.
E a filosofia? Os alunos estudarão conceitos, por exemplo, religiosidade, ética.
Depois, no final do semestre, um filme autoral para os alunos lerem os conceitos nas imagens.
Mas não terminei: para as três disciplinas, um livro escrito por um religioso culto e reconhecido por sua obra, por exemplo, o padre Daniel A. Helminiak.
Jovens deveriam aprender palavras em boas escolas públicas, não em igrejas incultas.
Mas o contrário se reproduz como capim no pasto. Sejam bem-vindos ao inferno (da ignorância)
quinta-feira, janeiro 10, 2013
A morte de uma página
A página virtual da escola HMM não funciona mais. Morreu. A direção, nessa página, pertence ainda à professora Osmarina.
Deus está nos detalhes.
Deus está nos detalhes.
Senadores acrianos querem mais e mais grana
Suplicy muda de ideia e decide devolver salário extra ao Senado
ANDREZA MATAIS
GABRIELA GUERREIRO
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quinta-feira que reviu sua posição e decidiu devolver o dinheiro do salário extra que recebeu em dezembro do Senado.
Reportagem da Folha de hoje mostrou que, embora tivessem apoiado projeto que extinguiu o pagamento do 14º e 15º salários, 68 dos 81 senadores embolsaram o dinheiro, incluindo Suplicy.
| Carlos Cecconello -1º.jul.2011/Folhapress |
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| Suplicy disse que vai abrir mão de salário extra |
O senador afirmou que sua ideia era doar o salário extra de R$ 26,7 mil para um projeto social, mas, após a reportagem, avaliou que os eleitores e a população poderiam considerar que estava fazendo uso particular do valor e que decidiu, portanto, devolver o dinheiro ao Senado.
Na votação do projeto que acaba com os pagamentos, em maio, Suplicy afirmou: "Em nome do PT, recomendo o voto 'sim', uma vez que, para o conjunto dos trabalhadores, não há algo dessa natureza". O projeto ainda precisa ser aprovado na Câmara. Até isso ocorrer, o pagamento é legal.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também informou, por meio da assessoria, que irá devolver o dinheiro.
O Senado informou, nesta quinta-feira, que 13 senadores decidiram devolver o salário extra já recebido ou a receber em fevereiro, quando têm direito a mais um extra. No total, os dois salários extras somam R$ 53.400 a mais nos contracheques.
Veja a lista de quem se recusou a receber o salário extra:
Ana Amélia (PP-RS)
Ana Rita (PT-ES)
Antonio Russo (PR-MS)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
João Capiberibe (PSB-AP)
João Costa (PPL-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Pedro Taques (PDT-MT)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Você viu algum senador acriano na lista?
Você viu algum senador acriano na lista?
quarta-feira, janeiro 09, 2013
Fugidos à
"Nos anos seguintes, muitos artistas europeus, fugidos à guerra, procuraram refúgio ali, (...)."
Trecho do livro Milagrário Pessoal, do angolano José Eduardo Agualusa, o habitual é escrever fugidos da guerra.
Em certas situações, fugidos à cai muito bem, cujo sentido é o mesmo de fugidos da.
terça-feira, janeiro 08, 2013
A função social de Marcos, não sua pessoa
Marcos Afonso esteve no Programa da Jô para falar de leitura. Fique bem claro que não tenho nada contra a pessoa de Marcos, ser humano íntegro, manso, gente boa.
Mas a questão não é a sua pessoa, e sim sua função dentro da sociedade acriana. Marcos é diretor de uma biblioteca. Por causa de sua função social, ele pode merecer críticas, porque políticas públicas dependem dele e de seu grupo político.
Devemos saber separar a pessoa de sua função social.
Nesse sentido, ou seja, como diretor, Marcos vai a um programa para exaltar a leitura enquanto em escolas públicas não há nem salas de leitura.
Marcos deveria saber mobilizar a sociedade (Ufac, Academia Acriana de Letras, escolas) para que metas de leitura fossem cumpridas pelos governantes.
No entanto, Marcos, para se manter em sua função, faz o trivial, o cômodo, o óbvio, o normal, o televisivo.
O poder imobiliza a desobediência.
Folha de São Paulo
Vladimir Safatle
08/01/2013 - 03h30
O fim do mensalão
O retorno de José Genoino à Câmara dos Deputados é sintoma de uma bizarra compulsão de seu partido em relação ao chamado mensalão.
É compreensível levantar discussões sobre a extensão e a profundidade das penas, assim como sobre a necessidade de punir com o mesmo rigor a vertente tucana do escândalo. Não é aceitável, porém, agir como se nada tivesse ocorrido, como se o julgamento fosse simplesmente um complô urdido contra a esquerda brasileira.
Ao afirmar que os condenados no mensalão não seriam desligados do partido, ao aceitar organizar uma contribuição para auxiliar tais condenados a pagarem as multas aplicadas pelo STF e, agora, ao achar normal que alguém condenado em última instância assuma uma vaga no Congresso, o PT age como um avestruz que coloca a cabeça na terra e erra de maneira imperdoável.
O mínimo a ser feito depois do julgamento era apresentar uma autocrítica severa para a opinião pública. Tal autocrítica não deveria ser apenas moral, embora ela fosse absolutamente necessária.
Ela deveria ser também política, pois se trata de compreender como o maior partido de esquerda do Brasil aceitou, em prol do flerte com as práticas mais arcaicas de "construção da governabilidade", esvaziar completamente as pautas de transformação política do Estado e de aprofundamento de mecanismos de democracia direta.
Desde que subiu ao poder federal, planos interessantes, como o orçamento participativo, sumiram até mesmo da esfera municipal do PT, o que dirá a discussão a respeito da superação dos impasses da democracia parlamentar.
No seu lugar, setores do partido acharam que poderiam administrar a política brasileira com os mesmos expedientes de sempre e, ainda assim, saírem ilesos. Agora, mostram-se surpresos com o STF.
Para que todos não paguem por isso diante da opinião pública, há de se dizer claramente que não é a esquerda brasileira que foi julgada no mensalão, mas um setor que acreditou, com uma ingenuidade impressionante, poder abandonar a construção de novas práticas políticas sem, com isso, se transformar paulatinamente na imagem invertida daquilo que sempre criticaram.
Se uma autocrítica fosse feita, o Brasil poderia esperar que certos atores políticos começassem, enfim, uma reflexão sobre a necessidade do aprofundamento da participação popular como arma contra a corrupção do poder.
Ela deveria ser também política, pois se trata de compreender como o maior partido de esquerda do Brasil aceitou, em prol do flerte com as práticas mais arcaicas de "construção da governabilidade", esvaziar completamente as pautas de transformação política do Estado e de aprofundamento de mecanismos de democracia direta.
Desde que subiu ao poder federal, planos interessantes, como o orçamento participativo, sumiram até mesmo da esfera municipal do PT, o que dirá a discussão a respeito da superação dos impasses da democracia parlamentar.
No seu lugar, setores do partido acharam que poderiam administrar a política brasileira com os mesmos expedientes de sempre e, ainda assim, saírem ilesos. Agora, mostram-se surpresos com o STF.
Para que todos não paguem por isso diante da opinião pública, há de se dizer claramente que não é a esquerda brasileira que foi julgada no mensalão, mas um setor que acreditou, com uma ingenuidade impressionante, poder abandonar a construção de novas práticas políticas sem, com isso, se transformar paulatinamente na imagem invertida daquilo que sempre criticaram.
Se uma autocrítica fosse feita, o Brasil poderia esperar que certos atores políticos começassem, enfim, uma reflexão sobre a necessidade do aprofundamento da participação popular como arma contra a corrupção do poder.
Ao que parece, no entanto, precisaremos de muito mais escândalos para que tal pauta seja, um dia, colocada em cena.
VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às terças na Página A2 da versão impressa.
Rivaldo Riveiras (741)
(11h25) há 2 horasFinalmente uma coluna sensata.....Agora, o que é importante dizer é que essa lambança toda é causada pelo conceito de "infalibilidade das esquerdas" ou então "o que é de esquerda é bonito".PÊTÊ, militantes, intelectuais, filósofos, etc sempre assinam embaixo e apóiam qualquer coisa que esse pessoal apronta em nome do tal progressismo vermelho.Do asqueroso mollusko, passando pelo Marco Antonio Garcia e chegando ao Genoíno, tudo vale porque é PÊTE...O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagemNELSON GOMES AFFONSECA JUNIOR (388)
(08h45) há 4 horasOpinião serena de um articulista com pendores simpatizantes à esquerda que, no entanto, tem pruridos morais, para ao contrário de Jânio de Freitas que em artigo recente, de forma desavergonhada dava conta de que os problemas do partido do mensalão são de natureza de assessoria de imprensa, hoje ruim e que de forma diferente daria outra imagem. Propunha Goebbels, enfim. Vladimir sabe que a questão moral ainda não foi tocada e o mea culpa público é mais que necessário, essencial.O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagemM.V Valvemark (457)
(11h35) há 2 horasCaro Vladimir, Parabéns!!É bem por aí mesmo, políticos mal intencionados devem ser punidos, independentemente do partido a qual pertençam, inclusive os do P/S/D/B, partido do qual eu me simpatizo!!Somos cidadãos e não torcedores de facções politicas e partidárias!!O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
O velho de novo
Passar a imagem de pessoa comum por estar ele, o prefeito Marcus Alexandre, de Rio Branco, sendo servido e por se sentar em um local onde todos podem estar.
A foto política registra o momento em que a distância entre governante municipal e contribuinte anula-se, passando a ideia de homem simples, humilde.
Marcus Alexandre não me convence, porque tudo no homem que exerce o poder tem a intenção de tirar alguma vantagem.
domingo, janeiro 06, 2013
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Jorge Viana e sua pensão vitalícia
Li a entrevista de Ray Melo, concedida pelo senador Jorge Viana ao ac24horas.com em 3 de janeiro de 2013.
Comentarei.
Jorge Viana defende pensão de ex-governador e diz que Sérgio Nakamura “é acusado porque trabalhou honestamente”
3 de janeiro de 2013 - 7:34:47
Ray Melo,
da redação de ac24horas
O senador Jorge Viana (PT) se tornou especialista em defender o indefensável. Depois de fazer apologia aos petistas mensaleiros condenados pelo STF, Viana defendeu na noite de quinta-feira, 02, o ex-diretor do Deracre, Sérgio Nakamura (condenado pelo TCU por desvio de verbas públicas) e a aposentadoria de ex-governador, em entrevista no programa Gazeta Entrevista, da TV Gazeta, aliada da Rede Recorde.
Ao ser questionado pelo apresentador Alan Rock, que o STF colocaria na pauta de julgamentos a extinção da aposentadoria de ex-governador, que no Acre consome quase de R$ 5 milhões por ano, Jorge Viana afirmou que a aposentadoria é perfeitamente legal. O senador disse ainda, que teria 30 anos de serviços prestados ao Acre, o que o credenciaria a receber o benefício.
“Eu fiquei oito anos, como governador, quatro como prefeito e economizei tudo que pude. Nunca paguei meia hora de jatinho, por exemplo. Tinha governador que só andava de jatinho. Foram oito anos, fazendo um governo franciscano para realizar todas as obras, mas as pessoas as vezes não sabem e nem têm a obrigação de saber, quanto de cuidado tenho que ter pelo resto de minha vida”, disse Viana ao defende sua pensão que acumular como salário de senador da República.
Comentário
Jorge Viana justifica sua aposentadoria de ex-governador, com os valores que seriam supostamente pagos pela sua segurança. O senador disse que precisa de proteção, já que tomou decisões que contrariaram pessoas e teria acabado com o crime organizado no Acre. “Quanto custa isso? Quem vai pagar isso? Para que eu pudesse tomar as medidas que tomei, de baixar os atos que baixei, de livrar o Acre do crime organizado”, indagou ao lembrar do esquadrão da morte.
Então são mais de R$ 20 mil para segurança? Não creio.
Comentário
Então é isso, pelo fato de o voto popular o ter
escolhido por oito anos como governador, o senhor e outros ex-governadores têm o direito a uma pensão vitalícia.
Oito ano de trabalho garantem, portanto, dinheiro publico para toda vida.
Então, por ter feito um governo franciscano - o que é uma obrigação -, por causa dessa religiosidade política, merece como recompensa uma pensão como ex-governador.
Jorge Viana justifica sua aposentadoria de ex-governador, com os valores que seriam supostamente pagos pela sua segurança. O senador disse que precisa de proteção, já que tomou decisões que contrariaram pessoas e teria acabado com o crime organizado no Acre. “Quanto custa isso? Quem vai pagar isso? Para que eu pudesse tomar as medidas que tomei, de baixar os atos que baixei, de livrar o Acre do crime organizado”, indagou ao lembrar do esquadrão da morte.
Então são mais de R$ 20 mil para segurança? Não creio.
Não votamos em candidato para governador com a finalidade de ele receber depois uma pensão vitalícia.
“A gente tem que olhar um pouco as coisas, porque as vezes as aparências enganam. Particularmente, as pessoas as vezes me encontram e dizem: mas Jorge, você é dono de tal coisa. Não sou dono absolutamente de nada; eu trabalhei para servir ao povo do Acre, não para me servir. Agora, como as pessoas estão acostumadas a dizer que tudo quanto é político é igual, que vai lá para roubar, para se fazer…”
Sem terminar o raciocínio sobre a justificativa de receber a pensão de ex-governador, Jorge Viana lembrou de Sérgio Nakamura, que teve as contas reprovadas recentemente pelo Tribunal de Contas do Acre (TCE), sendo condenado a devolver R$ 2,6 milhões aos cofres do Estado.
“Esses dias, eu vi uma pessoa, um irresponsável, lá de Cruzeiro do Sul acusando o Sérgio Nakamura nas redes sociais. É um irresponsável, merece um processo nas costas. Sérgio Nakamura, o Acre deve muito a ele. É uma das pessoas mais injustiçadas que eu conheço aqui no Acre, porque vem sendo acusado por alguns veículos de comunicação, injustamente. É acusado porque trabalhou honestamente, está fora, está no setor privado, trabalha de manhã, à tarde e à noite. Tem competência e está ganhando seu dinheiro com muito sacrifício, mas de vez enquando é acusado, isso é nojento, mas sabe quem mais acusa? Os que roubaram o Acre, os que saqueavam o Acre, os que montaram impérios econômicos às custas do Acre. A gente trabalhou com mãos limpas, só faz quem trabalha honestamente”, disse Jorge Viana.
O senador acreano não fez alusões ao Tribunal de Constas da União (TCU), que condenou Nakamura por desvio de dinheiro público e ao Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC), que reprovou as contas do ex-gestor do Deracre e o condenou a devolver mais de R$ 2 milhões aos cofres do Estado. Também não falou sobre a polêmica venda do helicóptero para o governo do Acre quando foi diretor da Helibras.
Veja vídeo
domingo, dezembro 30, 2012
Deus também tem seu próprio inferno
Quando ouvi pela televisão o ritmo funk a serviço do lucro gospel, fiquei imaginando Jesus Cristo no palco cantando e balançando o corpo.
Se o mercado religioso permanecer assim, o Messias não virá sentado à mão direita de Deus, mas descerá dos céus catando um hits divino ao microfone celeste. Jesus agora é pop. E, se é pop, se é funk, Jesus é profano.
A coisa está tão insólita que uma pastora vende xampu com esta marca: Jesus, ou seja, o Salvador deixa seus cabelos mais sedosos.
Como escreveu Nietzsche, Deus também tem seu próprio inferno, que é amar aos homens.
O Jesus amado por mim não dança funk e muito menos canta em palcos. O meu Jesus é o Senhor de palavras que eu leio no livro "Teologia da Libertação".
Creio em um Jesus acolhido pelos livros de Leonardo Boff, de frei Beto, do rabino Nilton Bonder.
A oração ao meu Jesus é poesia de Carlos Drummond de Andrade.
Se o mercado religioso permanecer assim, o Messias não virá sentado à mão direita de Deus, mas descerá dos céus catando um hits divino ao microfone celeste. Jesus agora é pop. E, se é pop, se é funk, Jesus é profano.
A coisa está tão insólita que uma pastora vende xampu com esta marca: Jesus, ou seja, o Salvador deixa seus cabelos mais sedosos.
Como escreveu Nietzsche, Deus também tem seu próprio inferno, que é amar aos homens.
O Jesus amado por mim não dança funk e muito menos canta em palcos. O meu Jesus é o Senhor de palavras que eu leio no livro "Teologia da Libertação".
Creio em um Jesus acolhido pelos livros de Leonardo Boff, de frei Beto, do rabino Nilton Bonder.
A oração ao meu Jesus é poesia de Carlos Drummond de Andrade.
Profetizo manhãs para os que saibam
haurir o mel, a flor, a cor do céu.O mar darei a todos, de presente,
junto à praia, e o crepúsculo sinfônico
pulsando sobre os montes. Um vestido
estival, clarocarne, passará,
passarino, aqui, ali, e quantos ritmos
um pisar de mulher irá criando
na pauta de teu dia, meu irmão.
Oráculo paroquial, a meus amigos
e aos amigos de outros ofereço
o doce instante, a trégua entre cuidados,
um brincar de meninos na varanda
que abre para alvíssimos lugares
onde tudo que existe, existe em paz.
haurir o mel, a flor, a cor do céu.O mar darei a todos, de presente,
junto à praia, e o crepúsculo sinfônico
pulsando sobre os montes. Um vestido
estival, clarocarne, passará,
passarino, aqui, ali, e quantos ritmos
um pisar de mulher irá criando
na pauta de teu dia, meu irmão.
Oráculo paroquial, a meus amigos
e aos amigos de outros ofereço
o doce instante, a trégua entre cuidados,
um brincar de meninos na varanda
que abre para alvíssimos lugares
onde tudo que existe, existe em paz.
segunda-feira, dezembro 24, 2012
Feliz Nata!!! e Feliz Ano Novo!!!, PT.
Houve uma época em que a felicidade do indivíduo dependia da felicidade da cidade ou da pólis. O mundo de um eu anônimo era mais amplo, extenso, porque ele e cidade formavam uma só unidade.
Não se pensa mais assim. Acredita-se que, embora a cidade apresente sintomas de doenças graves, podemos ser felizes em casa, e que se dane a pólis.
Eu desejo que o meu Acre seja feliz, mas sua felicidade depende tão somente de homens públicos.
Ninguém consegue ser feliz se a água não chegar todo dia em casa, se a luz for muito cara, se a escola pública for ruim, se o posto de saúde não tiver médico, se o teatro servir só para discurso político.
Os homens públicos são responsáveis por água, por luz, por escola, por saúde, por teatro. E, quando digo homens públicos, refiro-me aos que governam o Acre, neste caso, aos homens do PT, aos homens do PC do B, aos homens do PSB, aos homens e mulheres da Frente Popular.
Hoje, após as últimas eleições, metade de Rio Branco e do Acre é feliz, e a outra, infeliz com o governo petista.
Neste Natal, como há alguns anos, uma metade alegra-se com o saco de presente do PT, e outra está de saco cheio das falas de Aníbal Diniz, de Tião Viana, de Jorge Viana, de Edvaldo Magalhães, de Moisés Diniz.
Os meninos da Frente Popular envelheceram, mas tentarão obter aparência de novo na pele de Marcus Alexandre como gestor do dinheiro público da capital.
Eu creio em Papai Noel, não creio nos bons velhinhos do PT para, por exemplo, qualificar o ensino de língua portuguesa ou para as contas públicas tornaram-se transparentes a tal ponto de haver participação popular.
Enquanto estiver no poder, espero que o PT saiba espalhar a felicidade para muito além da metade da população.
Eu desejo que o meu Acre seja feliz, mas sua felicidade depende tão somente de homens públicos.
Ninguém consegue ser feliz se a água não chegar todo dia em casa, se a luz for muito cara, se a escola pública for ruim, se o posto de saúde não tiver médico, se o teatro servir só para discurso político.
Os homens públicos são responsáveis por água, por luz, por escola, por saúde, por teatro. E, quando digo homens públicos, refiro-me aos que governam o Acre, neste caso, aos homens do PT, aos homens do PC do B, aos homens do PSB, aos homens e mulheres da Frente Popular.
Hoje, após as últimas eleições, metade de Rio Branco e do Acre é feliz, e a outra, infeliz com o governo petista.
Neste Natal, como há alguns anos, uma metade alegra-se com o saco de presente do PT, e outra está de saco cheio das falas de Aníbal Diniz, de Tião Viana, de Jorge Viana, de Edvaldo Magalhães, de Moisés Diniz.
Os meninos da Frente Popular envelheceram, mas tentarão obter aparência de novo na pele de Marcus Alexandre como gestor do dinheiro público da capital.
Eu creio em Papai Noel, não creio nos bons velhinhos do PT para, por exemplo, qualificar o ensino de língua portuguesa ou para as contas públicas tornaram-se transparentes a tal ponto de haver participação popular.
Enquanto estiver no poder, espero que o PT saiba espalhar a felicidade para muito além da metade da população.
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