segunda-feira, novembro 19, 2007

Democracia não é só eleição

De ALBA ZALUAR

BASTA TER ELEIÇÕES para um país ser considerado democrático? Não, dizem os cientistas políticos que comparam regimes pela história afora. Adam Przeworski argumenta que só é democrática a eleição em que há contestação porque há mais de um partido competindo pelo poder.

E, claro, alternância de partidos no poder. Outro modo de comparar países é a maturidade de seu regime político. A idéia é que um país acumula experiências de resolução democrática de conflitos pelos anos ininterruptos de democracia. Isto quer dizer respeito às regras estabelecidas no jogo democrático, sem mudanças de última hora para servir aos interesses dos poderosos.

A idade da Constituição torna-se importante porque revela o respeito que os competidores têm pelas regras do jogo ali estabelecidas. O país que muda as regras ao sabor dos interesses eventuais e momentâneos, de quem pode manipular o Legislativo com o seu poder, não pode ser considerado um país de democracia consolidada.

Por fim, como nos jogos esportivos em que todos os participantes, inclusive o público torcedor, não optam por vencer a qualquer custo, o que importa é a confiança nas instituições envolvidas e a cooperação entre os parceiros.

Quando não confiam nos parceiros, as pessoas procuram tirar o máximo de proveito pessoal sem se importar com a legitimidade dos seus atos, nem com os efeitos perversos deles sobre os demais. Vale tudo: oportunismo, blefes, doping, clientelismo, manipulação, o que pode chegar às raias de uma tirania mal disfarçada quando é comandada por um projeto político secreto e opaco.

E é principalmente o tempo (constitucional, legal) que conta para transformar os indivíduos em parceiros confiantes e cooperativos. Porque é assim que se aprende como todos ganham quando respeitam as regras e agem para fazer prevalecer a ética da confiança e da cooperação. Impossível pensar em combate à desigualdade sem esta ética. Só as sociedades organizadas para obter o bem comum, mesmo que a longo prazo, livram-se dos predadores que só agem em busca de resultados imediatos.

Só nas sociedades em que o jogo parlamentar é limpo, transparente e previsível, a crença dos eleitores em seus representantes nutre a confiança nas instituições do país e suas leis. Só assim deixa de ser imprescindível a coerção constante da polícia legitimamente armada, porque bastam os limites internos que cada um carrega dentro de si. Só assim, sem o uso excessivo da força nem a manipulação do poder, evitam-se as violações e a autofágica prevalência dos interesses individuais dos predadores habituais.

ALBA ZALUAR escreve às segundas-feiras nesta coluna.

sábado, novembro 17, 2007

Duas questões de prova

Questão 1

1.2 Vírgula - Retirado do portal http://educaterra.terra.com.br/literatura/index.htm. (0,8)

Nas últimas décadas do século 18, o Romantismo já está mais ou menos anunciado pelas obras do filósofo Rousseau, especialmente por sua teoria do "bom selvagem", e pelo movimento Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), constituído ( ) nos anos de 1770 ( ) por jovens alemães que valorizam o folclórico, o nacional ( ) e o popular em oposição ( ) ao universalismo clássico. Também a publicação de Os cantos de Ossian, pelo inglês Macpherson, em 1760, torna-se uma referência fundamental para os futuros românticos.

Comentário
Nas minhas provas, o aluno sabe quanto a questão vale e, às vezes, ela se relaciona a outro conteúdo, nesse caso, à literatura. Aqui, ele colocará as vírgulas quando elas forem necessárias. Repare que ele lerá o texto para, aí então, colocá-las. Não são frases soltas.

Questão 2

2.2 Como um dos maiores pensadores do século 20, Theodor W. Adorno escreveu O Iluminismo como mistificação das massas para analisar a indústria cultural. Esse alemão é um crítico profundo da razão iluminista, a mesma que gerou o “desencanto do mundo” por meio da industrialização. Em seu texto intitulado acima, diz: “(...). O particular, ao emancipar-se, tornara-se rebelde, e se erigira, desde o Romantismo até o Expressionismo, como expressão autônoma, como revolta contra a organização (...).” Ora, o simbolismo também representa uma arte contra a organização industrial, entendo como organização industrial a objetividade. Em outro livro seu, Lírica e sociedade, Adorno declara que o que ganha voz na lírica é um eu que se determina e se exprime como oposto à coletividade, à objetividade (...). Após essas observações de Adorno, escreva sobre a oposição da arte simbolista à organização industrial.

Comentário

Daqui a dois anos, o aluno poderá estar em uma universidade e, no ensino médio, não colocamos autores que eles poderão estudar, no caso, Adorno. Aqui, nessa questão, o aluno, mais uma vez, deve ler e entender, mas, caso não entenda, o professor deve explicar.

Fica claro que a questão coloca o conflito entre o processo industrial e o simbolismo. A aluno deverá desenvolver a idéia-conceito do simbolismo para estabelecer esse conflito. Ele pode tirar dúvidas em sala, porque, para mim, o que importa é que ele organize seu texto de forma clara, consultando o dicionário antes para evitar erros ortográfico.

Em minhas provas, eu exijo muito que ele desenvolva o raciocínio dissertativo a partir de conceitos, nesse caso, a oposição entre objetividade e subjetividade.

A maldade humana






















Dar visibilidade à escola pública

Nesta semana, das eleições mais importantes de uma nação, as das escolas públicas do Acre não receberão destaques nos jornais. Carros que batem em postes e drogas apreendidas são notícias todo dia, mas a educação pública não serve como pauta para as redações.

Pela primeira vez no Acre, a escola pública evidenciou-se por meio de um blog. Tive a coragem de expor não os erros de uma unidade de ensino, mas os limites de uma gestão. Tenho a certeza de que não usei adjetivos para desqualificar a gestora, mas, a partir de fontes e de falas ocultas na escola, expus o que não se fala às claras.

Evidenciei fatos, por exemplo, acordos em reuniões entre gestão e corpo docente que não se transformaram em qualidade de ensino.

Penso que gestor de escola é tão importante quanto Edvaldo Magalhães ou Naluh Gouveia, mas aquele não tem importância para a imprensa. A escola é uma instituição que vive seus problemas internos à sombra. Não pode ser assim.

Câmeras

Defendo a idéia de reuniões entre gestão e professores gravadas para serem expostas por meio de um site escolar. Imagine um pai de aluno acessando em uma lan house imagem de uma reunião do Conselho Escolar. Imagine um aluno que grava as aulas de um professor para serem colocadas em um orkut, em um blog.

Podem gravar as minhas.

Um aluno gravou uma reunião em que alguém fala muito mal de mim. Se eu quisesse, colocaria em meu blog a gravação do aluno, mostrando uma pessoa que tentou colocar turmas contra mim.

Contra a lei?

Não há lei municipal que regulamente isso.

Defendo a total visibilidade das ações de servidores públicos em uma escola, porque, quando se fala a verdade, quando o professor só tem uma cara e sabe o que fala, ele não tem medo de se expor às câmeras.

Além de ata, o Conselho Escolar precisa registrar suas reuniões e expô-las em um blog hospedado em um site escolar.

Sorria, você está sendo filmado!

Quadro de professores

Em 2009, a quantidade de salas da escola Heloísa Mourão Marques será reduzida, isto é, com o quadro de professores reduzido, alguns não permanecerão.

Até agora, a direção não comunicou ao corpo docente os critérios para o professor A sair e para o professor B ficar. Os critérios precisam ser claros, porque, se for segundo a subjetividade da gestora, professores não ficarão porque eles não têm olhos azuis, por exemplo, eu.

Trata-se de uma questão muito séria.

Prévia de alunos e de funcionários (2)

Pela manhã, 250 alunos e 7 funcionários votaram.


Alunos

Professora Rosânglea: 10 votos

Professora Lúcia: 14 votos

Professor Aires: 58 votos

Professora Osmarina: 61 votos

Professor Gleidson: 107 votos


Funcionários


Professor Gleidson: 1 voto

Professora Lúcia: 6 votos

A postura de um comunista

Houve uma época em que alguns diziam que comunista comia criancinha. Rascunhei críticas ao comunismo, por exemplo, à ditadura do proletariado. De lá para cá, o mundo mudou; e os comunistas, também.

Em "minha" escola pública, há pessoas de esquerda - por exemplo, eu -, há pessoas de direita, há pessoas indiferentes à política e há uma coordenadora de ensino, a professora Gisele.

Na coordenação, há uma ata que guarda um conteúdo negativo à minha pessoa. Pois bem, a coordenadora pegou essa ata para apresentá-la ao comunista Josenir Calixto -responsável pelo ensino médio do estado do Acre.

Eu nem sei o que escreveram na ata sobre mim, mas o documento encontra-se na escola à mercê de quem ocupa posição em uma unidade de ensino para exercer arbitrariedade.

Além de não comer criancinha, o comunista não aceitou o documento, porque o procedimento da coordenadora de ensino não se submeteu aos trâmites legais, por exemplo, eu deveria tomar ciência.
A coordenadora Gisélia foi aconselhada a tomar medidas justas para poder, se quiser, me excluir da escola, mas ela não retornou.

Anos atrás, período em que a arbitrariedade políticas imperavam neste estado, outro teria aceitado a ata para me prejudicar, mas isso não é justo, isso renega a democracia, o direito à defesa.

Um comunista nega o ilegal, o que não é correto. A coordenadora é evangélica e deveria trilhar os caminhos da justeza e não da arbitrariedade.

Posso falar muito, posso me expor, posso ser chato, posso ter muito defeitos, mas os meus procedimentos na escola são muito claros; posso até errar, mas não erro tramando, não erro com duas caras, não erro como um cínico, não erro como pessoa falsa para prejudicar alguém.

Registro esse fato no blog LÍNGUA porque obtive a informação por meio de duas ótimas fontes. Tomarei providências.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Prévia dos professores (1)

Hoje, pela manhã, houve uma prévia eleitoral com os professores da escola Heloísa Mourão Marques, turno da manhã.

Votaram 36 professores.

Branco: 5

Professor Jorge Braun: 2 (não é candidato)

Professora Lúcia: 2

Professor Aires: 8

Professor Gleidson: 4

Professora Osmarina: 15

Blog aberto à gestora Lúcia

Estão me fazendo de palhaço,
mas não sou palhaço


1. Professora-gestora Lúcia, na última eleição da escola Heloísa Mourão Marques, a senhora recebeu 98 votos de professores e de funcionários e 435 votos de pais e de alunos, totalizando 61.02%. O segundo candidato obteve 25.03%. Sua vitória, portanto, esmagadora.

2. A senhora teve absoluto apoio para transformar a escola. Idéias, e muitas, e tantas, e várias, foram ofertadas à sua gestão. Registrei neste diário virtual que a senhora reunia os professores para aprovar procedimentos escolares; entretanto, no dia seguinte, a escola permanecia inalterada.

3. Poderia reescrever o que aprovamos em reuniões, mas penso que seja desnecessário, basta ir aos arquivos deste blog.

ENFERMA

4. Só desejo me reportar ao último fato, eu disse isto: fato. Pelo período de um mês e duas semanas, a senhora se ausentou. Informaram a mim que se encontrava em casa por estar enferma.

5. Aos professores, a senhora não deu nenhuma satisfação. Procurei me informar. No Conselho Escolar, nenhum documento, a senhora apresentou para justificar seu afastamento. Na administração, idem.

6. Enquanto professores e funcionários se dedicam à escola, a senhora encontrava-se "enferma" em um salão de beleza, cuidando das mãos, dos cabelos, da sua aparência. Digo isso porque pessoas a viram e me disseram. Pessoas que, quando se afastam da escola, apresentam documento à coordenação.

7. Hoje, após sua longa ausência e indiferença, a senhora ressurge para reunir os alunos do segundo ano, os meus alunos. Permiti que a minha aula fosse interrompida para a senhora se pronunciar. Antes de sair, disse aos jovens que não agredissem, que só ouvissem o que a gestora tinha a dizer e quem quisesse protestar usasse nariz de palhaço.

8. Senhora Lúcia, criticar é uma arte nobre para quem sabe e a crítica ética, sabemos, fortalece a democracia, mas injúria, difamação, isto é, espalhar mentira como se fosse verdade, bem, uma pessoa pode ser processada por isso. Reli o que escrevi neste blog e não ataco a sua pessoa, mas critico, com idéias, a gestora, a funcionária pública, a servidora do estado do Acre.

9. Pois bem, cedo minha aula a suas falas e sou avisado de que a senhora, diante de meus alunos, afirma que eu os chamo de burro, de idiotas. Retornei ao auditório, interrompi sua reunião para perguntar aos alunos se os chamo de burro, e a senhora ouviu um NÃO bem alto -e a sua enfermidade não é auditiva.

10. Depois disso, não permitirei que a senhora ocupe meu espaço para falar, porque suas falas não importam mais que as minhas. Minhas falas, gestora, não fogem a compromissos; minhas falas, sedentas de sonho e famintas de paixão, desejam transformar o mundo, e ele começa na sala de aula, na minha.

11. São quase 20 anos lecionando e jamais considerei a sala um fardo, por isso só me ausento sob estas três condições: suicídio, homicídio e enfermidade grave e comprovada. Fora isso, sou tarado por aula. E são quase 20 anos lecionando.

12. Há anos, meus alunos respondem a um questionário sobre minha conduta em sala e sobre minha relação com eles. Afirmo-lhe que os resultados são os melhores. Sem se identificarem, muitos pedem para eu lecionar no terceiro ano. Mesmo assim, preciso lecionar melhor.

13. A escola não é o professor, mas a relação entre eles para edificar um processo de ensino-aprendizagem. Lembra quando argumentei sobre a importância dos conselhos de disciplina e dos conselhos de turma?

14. Este blog é um meio que encontrei para dar visibilidade a gestores que não cumprem com seus deveres segundo as leis da educação. Sou favorável também à minha exposição, porque devo satisfação à sociedade acreana.

Blog aberto a Josenir Calixto

Reponsável pelo ensino médio da rede estadual de ensino, o professor Josenir Calixto, jovem do PC do B, tem a oportunidade de transformar, dentro do possível, a escola pública. A esquerda sempre deve buscar o melhor, sempre.

Por isso, Josenir, escrevo-lhe para encontrar outros caminhos referentes, por exemplo, ao gestor escolar. Eu não entendo o porquê de o gestor não ser avaliado pela escola segundo critérios da Secretaria de Educação.

Há gestores que durante dois anos não contribuíram para qualificar o ensino público; gestores que não comparecem à escola pelo prazo de um mês e duas semanas, mas, mesmo assim, esses pseudo-administradores, submetidos a um exame da Secretaria de Educação e aprovados, estão habilitados novamente para ser candidatos a gestores de escola pública.

Josenir, o exame institucional deve surgir, primeiro, na escola, submetendo o gestor a uma avaliação dos professores, dos alunos, dos funcionários administrativos e dos funcionários de apoio.

Eu queria entender o porquê de isso não ocorrer.

terça-feira, novembro 13, 2007

Seu garçom, por favor!













O deputado Moisés Diniz, do PC do B, é flagrado quando pedia a número 1 na Assembléia Legislativa.

O fotógrafo foi malicioso.


Açeçôr de Inpremçá (2)


"Quanto às críticas, ainda dos oposicionistas, de que a entrega dos kits de combate à doença estaria a privilegiar determinadas famílias, o líder do governo responde: está acontecendo todo um levantamento técnico para atender à todos os moradores das comunidades contempladas."

1. Erro primarial. O verbo "atender", segundo Celso Pedro Luft, em Dicionário Prático de Regência Verbal, admite "atender a" (Transitivo Indireto) e "atendê-lo" (Transitivo Direto);

2. por exemplo, "atender a uma explicação" ou "atender uma explicação. No entanto, ele diz que, "se o complemento for um pronome pessoal referente a PESSOA, só se empregam as formas objetivas diretas. O diretor atendeu os interessados, ou aos interessados, mas apenas: O diretor atendeu-os (...)";


3. entretanto, para incomodar, o professor Celso, por exemplo, cita "... a bênção de lhes atenderdes"; e

4. sendo moradores, poderia ser "atendeu aos moradores" ou "atendeu os moradores", mas o fenômeno da crase inexiste antes de "todos", porque não cabe o artigo "a" antes dele, havendo, portanto, só o "a" da preposição do verbo "atender". Sem essa união (crase) entre vogal e preposição, não há o fenômeno da crase.

Açeçêr de Inpremçá (1)




"Foi essa mobilização que levou os deputados da oposição à criticarem na sessão desta terça-feira, 13, o evento no Juruá."

1. Querido aluno, se você for amigo de político, fique tranqüilo, não precisa saber escrever, basta ser amigo de;

2. Como um assessor pode cometer um erro desse, minha nossa!!! Coloca-se um acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de verbo. Isso é o mesmo que 2 + 2= 5.

Desilusão


"Vou fechar o blog" e "Velhos companheiros, novos inúteis"

Li o blog de Altino Machado e de Gean Cabral e meus olhos se abriram para a desilusão. Mesmo discordando daquele por alguns motivos, reconheço sua importância para o jornalismo acreano. Este, em seu blog http://kabrow.blogspot.com/, revelou sua amargura.

No caso de Gean Cabral, esse acreano por quem tenho enorme apreço, fico triste quando vejo seu talento de caricaturista ser ignorado pela cultura deste estado. A inteligência de Gean é digna de um DAS à altura daqueles que não são medíocres. E há muitos no governo estadual e municipal que simulam inteligência, porém permanecem no poder por uma doença chamada adulação.

Por outro lado, eu critico Altino e Gean, porque desejam ser reconhecidos pelo poder. Pessoas como vocês só podem esperar isto: a boa solidão, a escura e segura solidão. E que ela venha com o seu sólido breu para que possa ser iluminado pelo caráter dos inquietos, dos irreverentes.

Faça, Gean, sem a esperança de receber algo em troca, por exemplo, elogios. Pior: o reconhecimento. A vida nos recompensa com a morte e com o esquecimento de outros; entretanto, ainda sim, devemos viver mais e mais, sempre.

Se chegarmos ao fundo do poço, cavemo-lo mais ainda até encontrar a fonte de água límpida.

Exemplo














Com o papel sobre a perna, blusa azul, Izanilde é uma das coordenadoras da escola Heloísa Mourão Marques.
Simples, sempre educada, essa colega de trabalho faz o que pode.

Em um momento tão ruim na escola, Izanilde tem sido muito companheira dos professores.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Provão do Fantástico

O programa Fantástico testou 270 alunos do ensino médio de todas as capitais. Os alunos responderam a cinco perguntas de cada disciplina e dissertaram em dez linhas. Não houve questão de múltipla escolha.

Dez alunos da maior escola de cada estado foram escolhidos por acaso. De cada cinco provas, uma recebeu nota zero. Só houve seis nota 10.

O resultado é péssimo para o país. No Acre, o provão ocorreu com alunos do Colégio Barão do Rio Branco.


Matemática
Acre no ranking nacional (27 capitais): 19º

Norte

1. Roraima: 3,0
2. Tocantins: 2,5
3. Rondônia: 2,4
4. Amazonas: 2,4
5. Acre: 1,6
6. Pará: 1,4
7. Amapá: 0,9
______________________

Português
Acre no ranking nacional:
14º

Norte

1. Amazonas: 6,8
2. Rondônia: 5,8
3. Acre: 5,0
4. Tocantins: 4,9
5. Roraima: 4,7
6. Amapá: 4,3
7. Pará: 3,6

______________________

Geografia

Acre no ranking nacional: 15º

Norte
1. Tocantins: 4,0
2. Pará: 3,6
2. Amapá: 3,6
3. Rondônia: 3,1
4. Amazonas: 2,6
5. Acre: 2,2
6. Roraima: 1,8
_____________________

História
Acre no ranking nacional: 18º

Norte
1. Rondônia: 3,7
2. Roraima: 3,5
3. Amazonas: 3,4
4. Amapá: 3,2
5. Tocantins: 2,5
6. Acre: 2,4
7. Pará: 1,9

_______________________

Redação
Acre no ranking nacional: 7º

Norte
1. Rondônia: 5,3
2. Amazonas: 5,2
3. Acre: 4,0
4. Tocantins: 3,2
5. Pará: 2,5
6. Amapá: 2,3
7. Roraima: 2,3
_________________________

Todas as disciplinas
Acre no ranking nacional: 15º

Norte
1. Rondônia : 4,1
2. Amazonas: 4,1
3. Tocantins: 3,4
4. Roraima: 3,1
5. Acre: 3,0
6. Pará: 2,9
7. Macapá: 2,9

sábado, novembro 10, 2007

Um apelo eleitoral

Não lanço palavras a alunos que nunca estudaram comigo, porque esses me ignoram, só ouvem falar de meu fantasma.

Falo aos que vivem comigo entre as quatro paredes da escola Heloísa Mourão Marques, sem ar-condicionado; profiro aos que, diante de mim, saboream minha virtude e aos que sentem o gosto amargo de meus defeitos.

Querido aluno, a eleição de gestor se aproxima para definir o que desejamos com a nossa escola pública. Teu voto representa uma escolha para os próximos quatro anos. O teu destino prende-se a teus estudos, pois, sem estes, aquele está condenado ao fracasso.

Não podemos mais suportar uma escola sem direção, sem proposta educacional, sem vontade de transformar a tua preciosa vida por causa de alguns que permanecem indiferentes e cínicos. Alguns.

Um gestor sensível, inteligente, franco, ético, ou seja, um pessoa que não se reduza à aparência das palavras, à dissimulação. Um gestor que trabalhe mesmo, que saiba apontar novos caminhos com todos e para todos. Um gestor que saiba exigir e que saiba ser amável com equilíbrio e com perseverança.

Aluno, aluna, por favor, vamos transformar a escola Heloísa Mourão Marques para o bem de nossos destinos, porque, como escreveu o poeta Affonso Romano de Sant'Anna,

"Uma coisa é um país,
outra um ajuntamento
".

E, para nós,

Uma coisa é uma escola,
outra um ajuntamento.

Professor e Professora, assistam!!!













Hoje, madrugada, assisti a este bom filme do diretor americano Richard LaGravenese, Escritores da Liberdade.

Com sua narrativa simples, sem nenhuma pretensão de ser um filme autoral ou filme-arte, Escritores da Liberdade reproduz uma realidade que ocorreu em uma escola dos Estados Unidos, na última década do século 20.


Essa película une-se aos filmes Ao Mestre com Carinho, Sociedade dos Poetas Mortos e O Sorriso de Mona Lisa, formando um quadrívio exemplar sobre a escola.

Professora de Literatura, Erin apresenta Homero em sala de aula, mas, conforme os conflitos tomam dimensões maiores, ela opta por um livro que se relaciona à vida social desumana e violenta dos alunos.

Para isso, eles lerão
O Diário de Anne Frank. Amável e rígida, sensível e austera, Erin mostrou o que venho afirmando há tempo, que o ensino de literatura no ensino médio é distorção, é anacrônico, com sua divisão histórica: Barroco, Arcadismo, Romantismo, Parnasianismo.

Quando ela escolhe O Diário de Anne Frank, a disciplina Literatura deixou de ser indiferente às relações socioexistenciais dos jovens. Erin tematiza, isto é, ela não generaliza o conhecimento e, assim, não o fragmenta, mas, especificando-o, vasculha conceitos, reflete. Em outras palavras, aprofunda-se sobre o conceito violência.

Mas se aprofunda não só de forma racional, sistemática, Erin promove o lúdico, promove a razão do sensível, muito bem escrita por Maurice Merleau-Ponty.

Momento Pô-Ético (1)


















Sob meus olhos, a poesia de Affonso Romano de Sant'Anna, Que país é este?, para outro conteúdo.

Uma coisa é uma escola,

outra um ajuntamento.

Uma coisa é uma escola,
outra um fingimento.

Uma coisa é uma escola,
outra o aviltamento.

Ronda Gramatical


Respeite a gramática, a norma padrão pede passagem

Seja consciente, dê preferência à crase,

à vida

Livro Didático



Nesta semana, para minha surpresa, vi esses livros didáticos na escola estadual Heloísa Mourão Marques.
Não me lembro da última reunião entre professores de Literatura e de Língua Portuguesa para eles escolherem o livro didático.

Reunião com ata e filmada.

Pois bem, como resultado, o livro de Literatura e de Língua Portuguesa que chega aos alunos de uma escola pública é muito ruim.

É preciso compreender que os conselhos de área devem estar no processo de construção do Plano Político Pedagógico.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Matéria de Josafá Batista


Foto de Selmo Melo










Faltam agulhas,
e pacientes ficam sem hemodiálise na Fundhacre

Jorge Martins do Nascimento, 52, professor. Maria Antônia Moraes Souza, 40, agricultora. Maria Martins de Oliveira, 54, dona-de-casa (foto).

Os nomes, as idades e as profissões são diferentes, mas os três têm a mesma necessidade: o serviço de hemodiálise oferecido na Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre). Ontem, porém, os três ajudavam a aumentar uma fila de dezenas de pessoas. Motivo: faltaram agulhas no hospital.

Além de não terem dinheiro para pagar hemodiálises, Jorge, Maria Antônia e Maria Martins compartilham a mesma dificuldade para acessar o serviço público. Horas de caminhadas, ônibus superlotados, caronas mal-humoradas e outras humilhações são suportadas por esses e outros cidadãos que têm RG e CPF. A lembrança de horas de espera no hospital foi só um item a mais.

“Tenho que vir fazer esse tratamento três vezes por semana, quatro horas por sessão. Quando falta, sinto dores pelo corpo e vários problemas de saúde. O pior é que se a situação se normalizar muita gente vai perder a condução de volta pra casa. Muitas vezes, isso é feito como um favor de amigos mais próximos ou vizinhos”, revela Jorge Martins, que está de licença-prêmio para fazer o tratamento.

A possibilidade de publicação, nos jornais, de histórias de usuários do serviço como Jorge Martins ou Maria Antônia - que três vezes por semana caminha 22 quilômetros entre a sua casa, na zona rural, e a Fundhacre - mobilizou a diretoria do hospital. Por volta das 14 horas, o problema havia sido resolvido, e o subsecretário estadual de Saúde, Sérgio Roberto Gomes de Souza, atendeu gentilmente a reportagem.

Atraso no fornecimento

Perguntado por qual razão a Fundhacre não comprou agulhas suficientes para atender os pacientes da hemodiálise, Sérgio Roberto disse que houve um atraso para entregar parte do fornecedor do produto.

“A Fundhacre comprou agulhas em quantidade suficiente, o que houve foi uma demora no fornecimento do produto. Nós trabalhamos com um prazo máximo de entregas, numa quantidade suficiente para atender o intervalo até a próxima entrega, mas, infelizmente, nesse último caso, houve um atraso além do prazo máximo. Como resultado, faltaram agulhas”, justificou.

O subsecretário garantiu, mesmo assim, que todas as famílias serão atendidas.

“Não vamos deixar ninguém sem atendimento, é um compromisso que assumimos de atender todos os que estavam esperando”, afirmou.

As agulhas utilizadas desde ontem para suprir a deficiência fazem parte de um fornecimento especial. A estimativa do governo é que a entrega atrasada deve ser feita por volta do meio-dia desta segunda-feira.

Ronda Gramatical

"O Exército e as Polícias Federal, Civil e Militar apreenderam mais de 128 quilos de cocaína, armas, munição e a elucidação da chacina na quarta-feira, no Ramal Progresso. Três homens foram executados."

1. Da forma com está escrito, Exército e policiais apreenderam a elucidação. O correto é "e elucidaram a chacina".

Obrigado, Evandro!

Aldo, te parabenizo pelo blog. É uma delícia. Minhas filhas não vão à escola sem antes te ler. Dizem que escrevo razoavelmente, talvez por ser humilde o suficiente para acompanhar críticas como as tuas, assim como sempre consulto meu amigo professor-doutor Francisco Dandão.

Um grande abraço,
Evandro Cordeiro
_________________________

Evandro, todos, sem exceção, têm seus limites. O que me desagrada são eles se acomodarem. Há jornalista que representam a idade da pedra, os caras pensam que, para escrever, basta ser alfabetizado. São figurinhas petrificadas, congeladas. Textos previsíveis.

Se não fossem os revisores, nossos jornais seriam impublicáveis, porque os caras estacionaram mal no tempo e foram multados pela ignorância. Há exceções, poucas.

E ainda são arrogantes. Para essas pessoas, sim, também sou.

Queria um tempo a meu favor para escrever com mais calma e com um conteúdo melhor, mas a realidade se impõe, nem sempre, nem sempre.

Obigado por tuas educadas palavras.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Ao talentoso Enilson Amorim



Não considero Enilson um chargista, porque seus traços, na verdade, são caricaturais. Trata-se de um acreano talentoso quando o assunto é retrato e caricatura.

À margem dos que estão no poder, Enilson paga o preço de não receber incentivo. Não existem filhos da terra. Existem, isso sim, os interesses diferentes dos filhos da terra.

Um abraço em tua vida, Enilson!!! Crie, meu irmão, crie para muito além das dificuldades.

Com sua caricatura, deforme a imagem de nossos políticos.

Açeçôr de Inpremsá

Carvalho almoçou com o secretário de agricultura do município, Sebastião Saraiva e com o diretor da COPEL, vereador Xixico de quem recebeu uma sexta contendo os principais produtos da cooperativa.

Procura-se!

Quanto vale a indiFerenÇa?

Quanto custa tomaR conta só da próPria viDa?

Qual o preço do siLênciO?

Qual a vantagem do ciNisMo?

O preço de publicar a verdade, algumas, as pequenas, ainda sim, é alto. Ao redor de ti, uma plêiade de antipáticos à sua pessoa sustentam a leveza das aparências. Nunca é bom dizer a verdade.

A não ser que você... que você...

bem, que você não tenha negociado com Satanás - senhor da mentira, da dissimulação. Não me submeti à plástica de Ivo Pitanguy, quer dizer, não tenho duas caras e escrevo com palavras que olham no olho.

Gestora

A gestora da escola Heloísa Mourão Marques, enferma, muito doente, pediu licença para cuidar de sua combalida saúde. Eu também estive mal. No semestre passado, um leito do hospital Santa Juliana me acolheu por quase duas semanas. É humano, ficamos doentes.

Mas, como vivo em sociedade, como leciono em uma escola pública estadual, não posso me afastar sem, antes, dar satisfação por escrito. Devo satisfação.

Eu devo.

Mas a gestora Lúcia não deve satisfação a quem votou nela ou à escola pública. Perguntei ao presidente do Conselho Escolar, e ele me disse que a gestora não apresentou sequer um documento para legalizar seu afastamento. Perguntei ao setor administrativo e... a gestora não apresentou documento.

Gestor é mais bonito que professor? Não sei se é mais bonito, mas duas alunas me disseram que viram a gestora Lúcia não em posto médico, mas em um salão de beleza cuidando de sua saúde estética. Escrevo para (des)cobrir as aparências de uma escola pública e, dessa forma, expor o que insiste manter-se à sombra. Quero luz - visibilidade, franqueza.

Há um mês e duas semanas, ela, sem dar satisfação, recebe todo mês seu dinheiro como gestora de uma escola sem Plano Político Pedagógico.

Quanto vale a indiFerenÇa?

Quanto custa tomaR conta só da próPria viDa?

Qual o preço do siLênciO?

Qual a vantagem do ciNisMo?

quarta-feira, novembro 07, 2007

O PT da vereadora Maria Antônia














Quando defendemos um partido a qualquer custo, aceitamos que um palanque custe aos cofres públicos mais de R$ 90 mil para o presidente Lula subir.

O presidente, como não veio, não subiu ao palanque. Subir, subir mesmo, bem, só o preço.

Pela TV, a vereadora Maria Antônia disse que, quando foi sindicalista, Lula subia ao caminhão para falar. Como presidente, ela justifica o gasto.

Houve uma época em que petista chegava ao Congresso pedalando bicicleta, ele: Gabeira. Mas o partido é poder, e o poder não pode ser simples, acreditam alguns.

Um país pobre para muitos, um palanque com esse preço, esse é um PT que me entristece.

Matar Aula



Escondida, essa aluna matou Aula com sete facadas no coração e com um golpe de terçado na cabeça. Motivo: Aula era chata.

"O professor quer que eu leia um livro e ler é muito chato, porque tenho que ir ao dicionário, tenho que prestar atenção", reclamou.

Impune, ela afirmou que matará outras. Trata-se de uma assassina cruel. Seu futuro, bem, ela está matando Futuro.

O PT de Raimundo Angelim


Voto, mais uma vez, em Angelim. Às vezes, critico a Frente Popular por meio de artigos ou de matérias, mas eu escrevo minhas críticas com sensatez, não panfleto.

Panfletar diminui o valor da democracia.

Na foto, a prefeitura de Rio Branco limpa bairros desde que Angelim chegou ao poder. Eu tenho um apreço por essa administração.

Como digo, posso criticar a esquerda, mas, quando se trata da direitona no poder, eu rio e rio.

Minha acreana filha


Meu Amor, sei que você só se limita a teus dez anos, comemorados hoje, mas, por favor, entenda que a realidade exigirá de ti muito mais do que eu exijo.

E, quando ela exigir, por favor, sonhe mais ainda; imponha à realidade a alegria de viver com um caráter ímpar.

Filha, jamais traia teus amigos e os valores que dignificam a vida. Não seja irresponsável com as palavra, assuma-as.

Eu a amo mais do que a minha vida e não se esqueça: sempre amigos!!!

Um abraço em teu destino e um beijo em tua alma.

terça-feira, novembro 06, 2007

Ronda Gramatical

Hoje, o jornalista Josafá Batista foi criticado por escrever em sua matéria "sul-cruzeirense". O ruim não é a crítica, mas a soberba da ignorância de quem critica um dos melhores textos jornalísticos do Acre.

O que existe de errado em "sul-cruzeirense"? O crítico disse que não há norte-cruzeirense. Bem, a melhor saída, ele: o livro.

Se você abrir uma gramática ou o Manual da Redação, da Folha de São Paulo, encontrará a resposta.

Na página 278, do Manual da Redação, quem nasce em Mato Grosso do Sul é mato-grossense-do-sul ou sul-mato-grossense. Não há nenhum impedimento para haver uma analogia, isto é, quem nasce em Cruzeiro do Sul é sul-cruzeirense ou cruzeirense-do-sul.

Os livros, sim, é preciso ir a eles antes que a arrogância se engane.

Açeçôr de Inpremçá

Quem lhe procurou?

1. Eu tenho meus limites gramaticais, porque, sei, não domino a LÍNGUA. Sabedor disso, o caminho é leitura e mais ela: leitura;

2. Tem gente que critica texto de jornalista e erra 2 + 2. Sim, essa matemática equivale a uma regência verbal errada;

3. Quem procura, meu caro, procura alguém e não a alguém, ou seja, o verbo não pede a preposição "a", não havendo, portanto, o uso de "lhe"; e

4. O correto é "quem a procurou?" Primário.

A professora











Conheço a professora Lucinéa Wertz há anos, 15 para ser exato. Conheço seus defeitos, conheço os meus defeitos. Os meus.

O seu maior defeito é confiar no ser humano e esperar deles o gesto simples da confraternização.

Em uma escola, não precisamos de bundas e de coxas, mas de belos cérebros. Miss Inteligência deveria receber apoio da direção, mas, como não recebe, ela realiza sozinha uma ótima idéia.

De Bernardo de Carvalho









Escritor, Bernardo de Carvalho recebeu o Prêmio Jabuti em 2004 com o romance Mongólia. Estou para ler um de seus romances. Sua inteligência, sedutora.

Ótimo artigo.

O fracasso do pensamento

Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia, é lógico que o bom senso não tem vez

UM MUNDO sem reflexão, onde a violência da realidade obriga o sujeito a deixar de pensar para agir, cedendo ao senso comum, ao simplismo e ao pragmatismo cínico, recorrendo ao preconceito e a ações impensadas que antes ele condenava, quando essa mesma realidade ainda não o atingia diretamente e ele podia repetir belas teorias da boca para fora, não é um mundo menos hipócrita (como alguns gostariam), é um mundo pior.

Um mundo sem arte (no qual a arte, aceitando a pecha de ilusão e perfumaria, cede ao consenso da realidade e passa a funcionar como jornalismo e sociologia) também.

É nesse mundo desiludido que a representação de jovens tolos e inconseqüentes, repetindo Foucault da boca para fora, para acabar quebrando a cara na prática contraditória do trato direto com a realidade nua e crua, passa a ter um efeito catártico junto a platéias em busca de um bode expiatório.

É desse mundo (o do fracasso do pensamento) que trata "Tropa de Elite": onde só é permitido escapar à violência (e deixar de ser violento) fora da realidade -tudo o que o capitão Nascimento quer, ou diz querer, é sair desse mundo (onde quem pára para pensar morre), para poder cuidar em paz do filho e da família.

Gostei do filme, embora tivesse preferido o longa-metragem anterior de José Padilha, o documentário "Ônibus 174". Não acho o filme fascista. Mas é inegável que, como qualquer representação da realidade, ele tem um discurso (que não é exatamente o mesmo do capitão Nascimento), a despeito de dizer que se limita a mostrar a realidade. E não é um discurso novo.

É o discurso de um realismo funcional que volta e meia reaparece para dizer que a realidade é o que é. E que só os fatos (ali representados) contam.

Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia (e em que a arte se esconde como discurso para se apresentar como espelho de uma realidade unívoca), é lógico que o bom senso não tem vez. A demagogia e a ira, sim. É preto no branco. Produção de subjetividade é coisa de elite irresponsável. Aqui, nós tratamos de fatos objetivos.

Com o desbaratamento das idéias, este passa a ser um mundo de polarizações em torno de questões simplistas e indiscutíveis. Não se produz pensamento; tomam-se partidos. Vozes da ponderação e do conhecimento de causa -como a de Alba Zaluar, que exercita o bom senso semanalmente e sem maiores alardes nas páginas deste jornal- vão se tornando inaudíveis em meio ao bruaá dos lugares-comuns estridentes.

O bom senso não aparece, porque não tem graça nem dá manchete. As idéias foram reduzidas a representações sociais. Basta que cada um fale e seja reconhecido como representante do seu grupo social (e que muitas vezes se aproveite disso para respaldar a banalidade ou a demagogia do que diz).

O que conta não é o teor das idéias (em geral, as mais simplistas), mas que sirvam para identificar o lugar social de quem as manifesta no campo de batalha. Essa aparente desordem apenas encobre uma ordem geral, o consenso em torno da realidade como um campo de forças autônomo, um teatro de ação e reação, imune à reflexão e à inteligência.

Foi em meio a esse contexto que bati com os olhos na recém-publicada edição espanhola dos artigos e palestras do dramaturgo francês Enzo Cormann: "Para que Serve o Teatro?" (Universidade de Valência). Na conferência de 2001 que dá título à coletânea, o autor diz que o teatro (e de resto toda arte que se preze), por ser reflexão, "consiste em reinjetar subjetividade num corpo social entrevado pelo uniforme demasiado estreito do pragmatismo econômico" -ou (por que não?) do realismo oportunista que reivindica para si uma pretensa objetividade, condenando ao mesmo tempo toda produção subjetiva à impotência e ao ridículo, como se dela não fizesse parte.

Em nome de uma representação unívoca da realidade, o discurso embutido em "Tropa de Elite" (que não se assume como discurso) limita a própria possibilidade de produção de subjetividade a quem está fora desse mundo, ao diletantismo ridicularizado de estudantes inconseqüentes.

Ao associar a produção de subjetividade aos ricos, aos tolos e aos irresponsáveis, como se tampouco estivesse produzindo subjetividade, o filme acaba, provavelmente sem perceber, dando um tiro no próprio pé, pois contribui para estreitar o entendimento do que num passado não muito remoto, e graças ao esforço e à resistência de grandes cineastas, garantiu ao cinema um lugar entre as artes, justamente como produção de subjetividade.

Muito além dos sindicalistas (2)



A Secretaria de Educação do Estado do Acre deveria promover um encontro estadual com os professores de língua portuguesa e de literatura para que idéias pudessem ser registradas como parâmetros.
Trata-se de um assunto urgente. O texto ao lado, escrito por um outro aluno de ensino médio, delata a péssima qualidade de ensino em língua portuguesa.

Para iniciar as melhoras, o problema ultrapassa a própria disciplina. A solução depende também de administração escolar.

Muito além dos sindicalistas (1)



Quando o assunto é qualidade de ensino, sindicalistas pensam que sabem o que dizem. Ao lado, texto de aluno do ensino médio.
Como um aluno chega ao ensino médio com essa escrita?

E não é somente um. Não são somente dois. Não são somente três. Muito chegam ao ensino médio com uma escrita que se assemelha à quinta série, no máximo.
Trata-se de uma questão muito séria, ou melhor, a palavra encontra-se enferma na escola sem que o tratamento seja adequado.

Não basta o professor em sala. É pouco. Muito pouco.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Um ótimo feriado

A Vida. Sempre a Vida. Mais: a Vida. Ela, a Vida. Sempre. Outra vez. Sim, a Vida.

Até segunda.

Admirável Mundo Novo


Em 1932, Aldous Huxley publica um romance de ficção científica. Mais: profetiza. Em suas páginas, Admirável Mundo Novo prevê a clonagem humana. Huxley, portanto, narra uma revolução que não é política.

Em seu prefácio, ele afirma que essa revolução não se dará no mundo exterior, mas, sim, na carne humana, no corpo. "Robespierre havia realizado a espécie de revolução mais superficial, a política", está lá escrito.

O tempo passa. Após 75 anos, em 22 de outubro de 2007, a revista Época publica Hormônios contra o crime. Há três anos, a Itália debate debate a castração química. Por meio de hormônios femininos, o pedófilo perde seu desejo sexual.

O mais usado nos Estados Unidos, acetato de medroxiprogesterona. A morte da política representa a morte das instituições - incapazes, por meio da palavra, de ordenar a vida social.


Em 1932, o livro previu a biopolítica.

Dia dOs MorTos

Primeira Morte

O imposto sindical está com seus dias contados. Em breve, será sepultado sem honras.

No começo do próximo ano, ainda sairá de meu bolso uma quantia de R$ 50 para o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac, sendo que eu não sou filiado a ele.

Não sou obrigado a pagar o que não sabe me representar com inteligência. Neste ano, escrevi uma matéria, depois de uma semana coletando informações, sobre o que se faz com o dinheiro dos filiados. Não quero que meu dinheiro sirva de empréstimo a "coleguinhas de partido". Sindicato não é banco.

Sou filiado ao Sinplac.

Segunda Morte

Hoje, entrego aos olhos de quem me lê uma poesia dele, Fernando Pessoa, digo, Alberto Caeiro, escrita em 7 de novembro de 1915.

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Vagno Di Paula



Eu, crítico de colunas sociais que EXIBEM a riqueza de uns, não poderia deixar de reconhecer quando um colunista não EXIBE a plutocracia.

Di Paula é muito bem alfabetizado, o cara escreve bem. Por isso, seu texto pode alçar outras possibilidades.

Na próxima quinta, ele apresentará em sua coluna CIRCULANDO algo que nenhum colunista local ousou. Mostrará o chique que muitos ricos não têm.

A TRIBUNA ganha muito com sua escrita.

terça-feira, outubro 30, 2007

Volte, Naluh, para a sala de aula, volte!

Hoje, em frente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, uma manifestação de professores da rede pública pediu com toda educação que a ex-professora Naluh Gouveia volte para a sala de aula.

Eles acreditam que ela não pode deixar a sala de aula depois que o Estado do Acre começou a pagar o melhor salário do país. "TCE, TCE, Naluh em sala de aula, a gente quer", em só coro, gritavam seus colegas de trabalho.

"Naluh é formada em Letras, ela adora poesia, romances, Carlos Drummond, Guimarães Rosa; ela não sabe contar, não entende matemática", declarou uma professora. "Agora que conseguimos a isonomia salarial, agora que ganhamos o melhor salário do Brasil, ela precisa saber que a sala de aula é melhor do que o TCE."

A teus olhos


De Aldo Nascimento

A única verdade inviolável setenciará o tempo, meu caro, em que a tua carne banqueteará a fome dos vermes e, após a missa de sétimo dia, o universo tratará de esquecê-lo para sempre.

Tua morte, questão de um tempo laborioso, acolherá tua empáfia a fim de envergá-la até os limites de tua dor. A Morte rirá de tua condição humana, e vós se inclinareis como um súdito se inclina ao Senhor.

Não credes em Deus? Não importa, porque a Morte crê em ti, e ela só exigirá isto, não mais que isto: a dor. Quem sabe um câncer em tua boca com um dente de ouro para que tua língua profira o mal hálito de tua palavra putrefata.

Teu espírito não surportará teu inegável fim, porque, ao longo da vida, ele careceu de honra, de caráter, de humildade, de um amor profundo pela vida.

Será amanhã? O tempo não dialoga com os mortais.

Isso não é obra literária



O Ministério da Saúde adverte:

droga faz mal à saúde.

Em outro momento, baseando-me em um livro de teoria literária, tecerei algumas breves observações sobre Seringal.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Os conselhos são essenciais

Existem vários bons professores e excelentes idéias, mas pouco norteamento por parte do eixo gestão-coordenação pedagógica. Esse direcionamento vai bem além de acatar uma idéia boa como os conselhos de área.

Você concordou com tais conselhos. Está muito claro que questões de Língua Portuguesa devem ser definidas com os professores de Língua Portuguesa, por exemplo: Redação. Se tem professor que sabe muito bem o que fazer com Redação em sala, ele deve coordenar a área para, com seus pares, definir práticas e metas.

Sobre coordenação, defendo esta idéia: na coordenação, deve haver um professor de Matemática e de Língua Portuguesa. Esses dois profissionais precisam ser escolhidos por meio de critérios bem definidos pelo corpo docente.


Significa participar ativamente, dando sugestões e cobrando relatórios, baseando-se na proposta pedagógica da escola.

A proposta pedagógica de Língua Portuguesa, por exemplo, inicia-se pelas áreas. Antes de pensar o todo, a escola, é preciso pensar a parte, a área. Os relatórios são essenciais, porque asseguram a memória da escola, das reuniões.

Vai além de parcos elogios quando um conselho vai bem e mostra resultados: estabelecer metas futuras que superem as atuais é fundamental. A escola deve funcionar como uma empresa: O objetivo final deve ser impreterivelmente alcançado, e para isso seus vários segmentos devem se articular produtivamente.

Quem é gestor tem a obrigação de saber o que faz, no caso, buscar qualidade de ensino e posturas na escola.

Açeçôr de inpremçá

"Durante a solenidade, o secretário Antônio Monteiro, disse que sua pasta vive um momento de celebração após o governador Binho Marques ter elegido a Segurança Pública como “carro chefe” de sua gestão."

1. Vírgula entre sujetio e predicado. Assessor não é escolhido por concurso ou por competência, mas por obediência.

Cesta básica


Na propaganda do governo do Estado do Acre, propaga-se pela TV que o salário do professor é bem maior do que o de São Paulo quando se compara a cesta básica paulista à cesta básica acreana.

Imagine o poder de compra de um médico se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Agora, imagine o poder de compra de um promotor se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Imagine o poder de compra de um juiz se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Nós não imaginamos essas comparações quando se trata de tais profissões, mas o governo do Estado, com sua propaganda ufanista, associa cesta básica ao salário do professor.

A Língua Marginal



Uma classe social marginalizada pelos ricos, só poderia marginalizar a LÍNGUA.

Conheço texto do Poder Judiciário muito mal escrito. Os pobres não são motivo de riso para mim.

Aos alunos

Professor, está na hora de dar um basta em projetos fajutos de Língua Portuguesa! Letras maiúsculas no meio da frase, "o" Heloísa em vez de "a" Heloísa, "segundão", "terceirão" (essas turmas não existem!). Dê uma olhada nos cartazes e panfletos que circulam por lá...Até o nome, "Sebinho", já virou motivo de chacota. E o pior é que estão querendo levar isso para fora do âmbito escolar!Como professor de Língua Portuguesa, tome uma atitude. Isso é uma vergonha!

Se são projetos fajutos, assim como você disse, os alunos, os interessados, poderiam criar um blog para criticar de forma inteligente e para dar propostas à escola.

Uma pergunta: que projeto poderia ser criado para ajudar os alunos?

Sobre o "Sebinho", há idéias boas, ótimas, mas elas precisam ser assumidas pela disciplina Língua Portuguesa por meio da área, não podendo, portanto, ser um ato isolado. Isso, é claro, depende da gestão, da direção.

A mesma professora que criou o Sebinho também deu a idéia de corrigir as placas com erros ortográficos, mas, como não há proposta educacional por parte da direção, idéias se perdem.

Eu já defendi na escola conselho de disciplina, porque, dessa forma, projetos passariam pela área. Infelizmente, a atual gestão não teve vontade ou entendimento para que tais conselhos funcionassem. Um problema da escola pública acreana chama-se administração.

Não temos, por exemplo, os conselhos de turma. Eles são importantes na estrutura escolar, mas pessoas, com péssima formação mental, não conseguem visualizar sua funcionalidade.

Penso que alunos interessados, jovens que lutam por uma escola pública com qualidade, deveriam se manisfestar por meio de um blog criativo. Precisamos lutar por boas idéias e criticar quem merece ser criticado por sua incompetência e por seu desinteresse.

sábado, outubro 27, 2007

Ronda Gramatical

A) "Botafogo quer voltar à vencer hoje contra Sport"

1. Botafogo quer voltar a - Esse "a" surgiu por causa de "voltar", ou seja, trata-se de uma preposição;

2. A vencer hoje contra Sport - Nesse caso, não podemos usar o artigo "a" antes do verbo vencer;

3. Podemos usar a preposição "a", mas não podemos usar o artigo "a". Dessa forma, não há união (crase) entre preposição e artigo, não podendo, portanto, haver o acento grave que indica o fenômeno da crase; e

4. Voltar a a vencer - Como não se usa artigo "a" antes de verbo, fica somente a preposição "a", ou seja, "voltar a vencer".

B) "Ensino à distância leva curso superior à todo o Acre"

1. Quando a distância não é especificada, não se usa o acento grave que indica o fenômeno da crase;

2. Como não cabe artigo "a" antes de "todo", fica só o "a" da preposição, isto é, não há união entre o "a" da preposição com o "a" de artigo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Para as feministas acreanas


Há alguns tempo, publiquei no jornal A TRIBUNA uma matéria sobre movimento feminista que defendia na Europa a maternidade e a família.

No dia 21 de outubro, na Folha de São Paulo, publicou-se uma minientrevista com Camille Paglia, bom material. Leia com atenção o que a norte-americana disse.

"
O movimento feminista tende a denegrir ou marginalizar a mulher que quer ficar em casa, amar seu marido e ter filhos, que valoriza dar à luz e criar um filho como missão central na vida," diz Paglia. "Está mais do que na hora de o feminismo conseguir lidar com a centralidade da maternidade."

No Acre, quando chega 8 de março, anacrônicas que são, elas ainda ovulam muita besteira, por exemplo, o clichê "a mulher está ocupando seu espaço". É urgente pensar a casa, a família, a sexualidade, mas fica impossível quando o raciocínio é a própria
menopausa.

Dia das mães é muito mais significatico do que 8 de março.

Médicos ameaçam entrar em greve se a saúde não melhorar

De Josafá Batista

Em assembléia geral realizada na última quinta-feira, médicos de Rio Branco aprovaram um parecer que define uma greve de advertência se as negociações com o governo do Estado não avançarem.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC), essas negociações se arrastam há meses e até hoje nada ficou definido.

Os médicos reclamaram da lentidão das negociações e autorizaram o Sindmed-AC a tomar uma postura mais firme. Uma nota distribuída à imprensa afirma que “está ficando impossível trabalhar sem condições estruturais”. A categoria reclama de excesso de plantões e salários que não têm reajuste desde o inicio do atual governo.

“Hoje, pela manhã, fui ao pronto-socorro para acompanhar a movimentação e lá estava um caos. Faltam médicos, havia pacientes deitados no chão e só um médico para atender. É um absurdo que as coisas fiquem assim, porque está faltando profissionais. Por isso, quando um médico adoece, não tem ninguém substitui-lo e cria-se um caos”, reclama Enoque Pereira de Araújo, presidente do Sindmed-AC.

Além da contratação de médicos para as emergências e a melhoria das condições de trabalho, os médicos querem que o governo pague insalubridade e que reforme algumas instalações. No caso do pronto-socorro, por exemplo, um dos ambulatórios não tem sequer ar-condicionado.

Na próxima semana, o Sindmed-AC vai elaborar um documento com todas as reivindicações da classe para entregá-la ao representante da Sesacre e, se nenhuma solução for encontrada, a greve começa em novembro, especificamente, a partir do dia 12.

A paralisação, se acontecer, vai paralisar o pronto-socorro e todos os centros de saúde da capital.

Governo vai negociar

O subsecretário estadual de Saúde, Sérgio Roberto Gomes de Souza, disse que ainda não recebeu o documento, mas que, quando receber, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) vai “estabelecer uma relação de negociação com os médicos, consolidar direitos e estabelecer deveres”.

Perguntado sobre o significado desse pacote fechado, ele aproveitou para reclamar das entrevistas feitas por telefone. “Vocês ficam aí na Redação, coletando versões, é complicado”.
Mesmo assim, o subsecretário ressaltou.

“Vamos ouvir e discutir as reivindicações e estabelecer uma lógica de gestão. E, ao mesmo tempo, vamos normatizar as atribuições. É uma pista de mão dupla, vamos discutir, só isso”, afirmou o secretário.

Atento à própria fala, ele mandou repetir o que havia dito - foi obedecido.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Dissertar

Na prova dissertativa, meus alunos, a maioria, não entendeu o que o Enem propôs em 2000. Fui ao quadro para explicar. Mostrei um esquema sobre.

Na próxima terça-feira, reconstruirão a introdução segundo a proposta do Enem de 2000. Poderia deixar assim mesmo, porque o estado paga da mesma forma. Exigindo ou não do aluno, tendo ou não tendo mais trabalho, o salário é o mesmo.

Não ganho mais por trabalhar melhor, por me esforçar mais.

A questão, entretanto, é que eu não sou assim mesmo: sou problemático.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Maior salário do país...

Acabei de dar uma olhadinha em um concurso da prefeitura de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Lá, com 20 horas semanais, o professor recebe R$ 1.559,99, o bruto. O custo de vida é mais barato do que no Acre.

Deputado-ex-professor

Os deputados estaduais, principalmente os ex-professores Edvaldo Magalhães, Naluh Gouvea e Moisés Diniz, deveriam criar leis para qualificar a gestão das escolas públicas acreanas.

Gestores escolares transitam livres e alegres com suas irresponsabilidades, com seus descasos, com suas indiferenças. Há caso de escola pública saqueada por diretores e, sem nenhuma punição séria, deixam a escola pública depredada. Ganham muito bem para deixarem muito mal o ensino público.

O caso da escola Heloísa Mourão Marques é exemplar no sentido de que, até hoje, ela se encontra inadimplente com a Secretaria de Educação. Sem papel, professores tiram do bolso dinheiro para que provas sejam impressas. A escola não tem verba. Ninguém é responsabilizado e punido.

Gestores escolares devem ser submetidos à avaliação por meio de questionário respondido por alunos, por professores, por pais de aluno e por funcionários de apoio. Essa avaliação deve ser semestral.

Os deputados pouco, ou quase nada, trabalham para apresentar idéias que qualifiquem a gestão escolar. Lamentável.

terça-feira, outubro 23, 2007

Parabéns!!!



O que dizer à editora-chefe da TRIBUNA?

Sem Alexandra Machado, a redação desse jornal não seria a mesma.

Simpática e charmosa, essa menina sabe exercer como ninguém o gênero feminino no trabalho.

Que a tua família seja farta de compreensão e empanturrada de amor.

Vida longa, menina!!!

Aluno & Ronda Gramatical

Aluno

Professor Aldo, foi muito bem colocada a sua correção a respeito da expressão no comunicado, mas o senhor chegou a falar para a coordenação que não estava correto daquela forma?

Não avisei.

Professor, gostaria que o senhor divulgasse também os trabalhos interessantes que são feitos na escola. O turma vespertino realizará amanhã, 23/10, uma pequena mostra de trabalhos desenvolvidos por meio de maquetes. São trabalhos simples, porém criativos.

Você não me chamou na escola para fotografar e para comentar sobre, além de vocês comentarem sobre.

Ronda Gramatical

"A presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargadora Isaura Maia, fez ontem a tarde, uma visita ao gabinete do senador Sibá Machado. Izaura Maia procurou o senador acreano para pedir apoio do parlamentar na destinação de emendas que ajudem a desenvolver projetos do Tribunal que atendem gratuitamente a população acreana."

1. Sempre digo a meus alunos que evitem palavras desnecessárias no texto. "Fez ontem a tarde uma visita". Muito melhor escrever "visitou ontem, à tarde". Péssimo "fez uma visita". Transforme "visita" em verbo, é melhor.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A ética dos robôs


De Aldo Nascimento

Depois da revolução industrial no século 18, conseqüência também de investimentos na educação, a cova secular entre Europa e países como Brasil só tem se tornado mais funda.

Aqui, país do samba e do futebol, o pentacampeão do mundo, a falta de ética na vida pública parece dar um show de bola no povão. Na Europa, Reino Unido, o debate sobre a ética dos robôs revela que nós, nação com os piores índices educacionais, perdemos o mouse da história.

Para os países desenvolvidos, enviamos mão-de-obra barata, nós não precisamos pensar no velho continente. Pois bem, daqui a alguns anos, a Europa não precisará de nós nem como garçons ou como lavadores de prato - os robôs humanóides nos substituirão.

"Bill Gates, cuja Microsoft acaba de desenvolver um sistema operacional padronizado para esse tipo de máquina, acredita que a indústria da robótica, como a dos computadores pessoais 30 anos atrás, está às portas de uma forte expansão", escreveram FRANÇOISE LAZARE e PHILIPPE MESMER no Le Monde.

Leia com atenção o que os dois registraram no jornal francês.

Podem votar?

Sob o título "sonhos utópicos ou máquinas melhores", os especialistas discutem aquilo que será preciso prover aos robôs à medida que sua inteligência artificial se desenvolva. Será que terão direito de voto? Serão forçados a pagar impostos, a prestar serviço militar?

De acordo com o estudo, caso os robôs participem da força de trabalho e, portanto, do crescimento da economia, será necessário fornecer a eles, por exemplo, uma cobertura de seguro social que garanta o bom funcionamento de seus equipamentos. Como aponta o texto, um computador, que legalmente não é considerado uma pessoa, não poderia ser responsabilizado judicialmente por qualquer delito. Seu fabricante, no entanto, poderia proteger seus direitos de propriedade intelectual.

No Japão, os avanços não se comparam aos europeus. Os robôs humanóides vêm sendo desenvolvidos pouco a pouco pelos laboratórios. O Wakamaru está à venda para trabalhar como recepcionista em empresas. A Alsok, uma fabricante de produtos de segurança, está oferecendo aos clientes os robôs de vigilância C4 e C5, para operar em centros comerciais.

A Coréia do Sul, país igualmente avançado em termos de robótica e grande rival do Japão nessa área, redigirá uma "carta ética dos robôs" ainda neste ano. O texto se inspira nos princípios propostos pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov.

Para uma nação que fica entre as piores nas olimpíadas de matemática, não serviremos nem mais como garçons.

Oremos, irmãos!

Abandonada cidade cenográfica da minissérie

Ficou só na intenção a promessa de tornar a cidade cenográfica da minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes um ponto turístico permanente do Acre. A falta de manutenção transformou o local em um grande depósito de quinquilharias e várias estruturas já começaram a ficar inutilizadas.

A promessa de transformar a cidade cenográfica, localizada no Quixadá, em um ponto turístico, foi feita pelo governo do Estado antes da gravação da própria minissérie, durante a construção. Na época, alardeou-se que o objetivo era popularizar a história e as tradições acreanas.

No local, porém, tudo está se transformando em ruínas. A casa onde morou o coronel Firmino, personagem do ator José de Abreu, por exemplo, está começando a ser invadida por insetos. Não há qualquer indício de uma estrutura digna de ponto turístico.

Os espaços começaram a virar pontos de encontro de moradores da região, que se dizem donos da cidade cenográfica. Festinhas particulares são registradas com freqüência, de acordo com a vizinhança.

Pela promessa, o local teria um restaurante de comidas típicas, como galinha caipira, tacacá, tapioca, açaí e outros. Moradores do Quixadá chegaram a sugerir que o governo do Estado procurasse parceiros na iniciativa privada para restaurar o espaço, inclusive, mantendo outros elementos do cenário e não somente as casas.

O problema não é específico da cidade cenográfica do Quixadá. Em Porto Acre, de acordo com uma denúncia, funcionários de um órgão do governo do Estado já começaram a demolição de quase tudo o que foi construído nas gravações. Ao contrário do prometido, nenhum investimento foi feito.

Desmatamento em alta

Do caderno Mais!,
da Folha de São Paulo

De Marcelo Leite

Permanece limitada a capacidade do governo de inibir
a ação de grileiros, madeireiros e seus sócios

Em agosto, duas colunas neste espaço ofereceram informações contraditórias sobre desmatamento na Amazônia brasileira. A primeira, no dia 5 daquele mês, previa aumento no corte de florestas com a subida dos preços de commodities como soja e carne bovina.

A segunda, duas semanas depois, apontava erro no primeiro texto, diante de dados de satélite que indicavam queda no desmate pelo terceiro ano consecutivo.Ambas as colunas estavam certas, e também erradas. O desflorestamento de fato vinha caindo, pelo menos até junho ou julho. Mas começou a subir de novo, forte, em agosto.

Apesar disso, ainda está distante da cifra escandalosa de 2003/ 2004, a segunda maior área devastada de todos os tempos (27.429 km2). Eis o dado do Sistema Deter, acompanhamento em "tempo real" (poucas semanas de defasagem entre coleta de imagens por satélites e processamento dos dados) operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) orientar a fiscalização: de junho a setembro, foram derrubados 4.570 km km2 de mata amazônica, contra 4.250 km2 no mesmo período do ano anterior.

Isso dá um aumento de 8%, como noticiou a Folha na quinta-feira. O MMA ainda se contorcia para dizer que não estava ocorrendo um aumento substantivo, só uma desaceleração da queda. O ano de 2007 terminaria ainda com uma redução na taxa de desmatamento, argumentava.

A série histórica de estatísticas oficiais iniciada em 1988 leva em conta o período de agosto a julho. Como até três meses atrás a taxa vinha caindo, tendo registrado -33% de variação em junho e oscilação de 4% em julho (no confronto com os mesmos meses de 2006), o ano-desmate 2006/2007 terminará, sim, com redução.

Marina Silva terá, portanto, mais um relatório positivo sobre desmatamento anual para apresentar. Mas já não será um retrato fiel da situação quando se iniciar a reunião das Nações Unidas sobre mudança climática de Bali, Indonésia, em dezembro. Ali o Brasil e outros países emergentes serão pressionados a adotar metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, como já fizeram vários países desenvolvidos no quadro do Protocolo de Kyoto. Três quartos das emissões brasileiras vêm do desmatamento.

Em agosto deste ano, ele aumentou 53% sobre agosto de 2006 (passou de 474 km km2 a 723 km km2). Em setembro, mais 107% (de 687 km km2 a 1.424 km km2). Como de hábito, a aceleração é mais acentuada nos Estados que compõem o chamado Arco do Desmatamento. Rondônia, aquela Unidade da Federação em que Lula vai erguer os monumentos hidrelétrico-desenvolvimentistas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, teve aumento de 602%.

Em Mato Grosso, terra de Blairo Maggi e portanto de soja, foram 84%. No Pará de tantas unidades de conservação criadas na gestão Marina Silva, 59% (e maior área total, 655 km km2). É bom repetir: 4.570 km km2 de desmate nos melhores meses (mais secos) para derrubar e queimar floresta não chega a ser um desastre (ainda que a área represente três vezes a do município de São Paulo).

A aceleração inegável, no entanto, vem sugerir que permanece limitada a capacidade do governo federal de inibir a ação predatória de grileiros, madeireiros e seus sócios no avanço da frente agropecuária, sobretudo quando capitalizados pelo aumento nos preços de commodities.
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MARCELO LEITE é autor de "Promessas do Genoma" (Editora da Unesp, 2007) e de "Clones Demais" e "O Resgate das Cobaias", da série de ficção infanto-juvenil Ciência em Dia (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia (www.cienciaemdia.zip.net). E-mail: cienciaemdia@uol.com.br