
Seria pedir demais que a miséria ou a pobreza obedecessem à ortografia.
De Aldo Nascimento
Criado para ser encontro, o Corpo sussurra na pele do ser apaixonado a mais profunda carência. Sozinho, o corpo seria triste porque negaria sua própria natureza, que é se sentir, sentindo-se, em outro corpo. O Prazer nos alegra!
E é assim que a desejo e é assim que, aos poucos, me aproximo. Em gestos delicados, condenso agora toda emoção em um toque, mas, antes que eu a tocasse, precipitei-me em suor. As mãos gelaram-se. Meu Corpo, orgulhoso, estremeceu-se. Ao te tocar, perceba: fragilizo-me.
Sim, eu sinto. Mais: por meio de ti, eu me sinto. Se não fosse você, sozinha, eu desconheceria a desmedida de minha felicidade, que é, sob os desvios de tuas carícias, sentir minha carne suavizar-se.
Tua pele... na minha... minha carne, já molhada e febril, confessa: ofereces a mim o prazer de estar onde sempre desejei estar – em teu Corpo, lugar-carne que me acolhe; extrai de mim a certeza de que estou viva, imensa, alegre. Quase infinita.
Perceba. Sou oferenda entregue a essa humana carência de ser desejada por ti. Feliz carícia que desliza. Fragiliza-me. Retira-me da solidão. Por causa de ti, faço-me presente para não mais, a mim, pertencer. Olhe, escute-me, eu o amo!
Imerso em suor e entre gemidos, eu, também, a amo, mais ainda quando meu Corpo está em transe, mais ainda quando minha carne se declara insana. Corpo que se contorce. Agiganta-se. Foge ao controle. Rebela-se. Transpira. Geme. Grita. Exagera.
Já pressinto o gozo, sensação de que irei, por alguns segundos, me desencarnar. Minha carne já pode sentir o sabor suado dessa vertigem. Quando gozamos, tenho a impressão de que somos lançados ao não-lugar, restando a essa breve viagem fechar os olhos e... hummmmmmmm! Deus, Deus, milagre!
Agora, após o êxtase, meu Corpo, cansado e feliz, tomba sobre o teu, e, ao teu ouvido, sussurro que, sem você, eu jamais poderia sentir, sozinho, o que senti em minha carne e em meu espírito. Tu foste o caminho por onde cheguei, mais sensível, a mim mesmo. Por meio de ti, sou devolvido a mim muito mais feliz. Só o Outro, você, essa minha diferença, possibilitou o excesso.
Saboreando tua carne, movimentando-me ao seu bel-prazer, vivi a alegria de não mais a mim pertencer. Fui teu. Saborosamente, teu.
Nesta terça, a assessoria da deputada federal publicou matéria nos jornais acrianos. Neste blogue, entetanto, há uma diferença: comentarei.
Perpétua Almeida anuncia recurso à ABL
contra gentílico “acriano”
“Queremos salvar o jeito acreano de ver o mundo e nos apresentar como um povo consciente de suas verdades, tradições e cultura.” Assim se pronunciou a deputada Perpétua Almeida (PC do B), na tarde desta segunda-feira, no plenário da Câmara Federal, ao confirmar o recurso a ser movido por um grupo de intelectuais e políticos do Acre à Academia Brasileira de Letras contra a imposição do gentílico “acriano”. Desde janeiro, o termo define o cidadão nascido no Estado.
Comentário 1: tanta pobreza neste país e a minha deputada comunista resolve lutar contra o fonema "i". Em seu pronunciamento, eu entendi que, havendo o "i" em "acriano", a minha filha, Lara Velentina, de 11 anos, nascida em Rio Branco, deixará de ver o mundo com o jeito "acriano", além de perder a verdade, as tradições e a cultura de sua terra. Sinceramente, não acredito que uma deputada tenha lapidado algo que não tem a ver com algo. Minha acriana filha não perderá suas marcas caso escreva "acriana".
O recém-criado “Fórum de Defesa da Nossa Acreanidade”, que reúne jornalistas, escritores, historiadores, professores, representantes do Governo do Estado, da Universidade Federal do Acre e da Academia Acreana de Letras, não vê como insubstituível a nova regra ditada pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Afinal, os dicionários brasileiros mais tradicionais, o Aurélio e o Houaiss, embora reconhecendo a grafia com “i” como sendo a mais correta, apresentam como aceitável a grafia com “e”, usada há mais de 100 anos. Ao aderir ao movimento que tenta preservar a grafia tradicional, o próprio governador Binho Marques determinou que seja mantido o gentílico “acreano” em todos os textos produzidos pela Agência de Notícias do Acre.
Comentário 2: penso que não deveria haver uma só forma. Uma pergunta: o que ensinar na escola? Ensina-se o correto, e o correto é "acriano".
Repúdio no mesmo sentido partiu do presidente da Assemblíea Legislativa, deputado Edvaldo Magalhães, que não se considera “acriano”.
Comentário 3: cabe à escola dizer o correto. A assembleia deveria aprovar leis que qualificassem o ensino, pois, havendo qualidade, os alunos escreverão "acriano", o correto.
O recurso
“Vamos recorrer à ABL e, se assim os acreanos preferirem, a este parlamento e até ao Supremo Tribunal Federal”, avisou a deputada, que idealizou a criação do fórum. Não pensem se tratar de um capricho sem fundamento. A nossa Língua é a nossa pátria, como disse Fernando Pessoa. E, ademais, a Gramática tem sido injusta com o Acre. Até hoje, ao consultarmos, no Aurélio, a definição do verbo ‘morrer’, vemos, inquietos, a expressão ‘Ir para o Acre’. Não concordamos, claro, mas aceitamos como se fosse uma licença cultural do Brasil baseada numa época em que as adversidades ambientais matavam aventureiros nordestinos”, disse Perpétua Almeida. “Nasci no Acre, vou morrer acreana”.
Reações
A deputada citou, em seu pronunciamento, reações diversas assinadas por acreanos respeitados que aceitaram compor o “Fórum em Defesa da Nossa Acreanidade”.
“Eu havia decidido ignorar essa reforma. Como escritor, não necessito dela: uso meu idioma, aquele que aprendi de meu povo e que vou aperfeiçoando e adaptando às minhas preferências. É um lindo idioma, com origens diversas”, escreveu o jornalista Antônio Alves.
Comentário 4: respeito Toinho, mas seus equívocos aqui são imensos. Diria mais: são inocentes.
“Quem elabora a evolução, quem faz a língua, contrariando, às vezes, a forma proposta pelos gramáticos e filólogos, é o falante, e este ainda não decidiu nada. E desde que o Acre é Acre sempre se escreveu acreano.”, assinalou a doutora em Língua Portuguesa, professora Luisa Galvão Lessa.
Comentário 5: querida Luísa, na escola, o professor deve ensinar o vernáculo, a forma fixa, pois tal forma pertence à Língua. Cabe ao Estado, acolher a gramática normativa, não os desvios da Língua, cometidos pela Fala.
“Os seringueiros que ocuparam a região a partir das duas últimas décadas do século XIX, pouco afeiçoados ao linguajar indígena não pronunciavam corretamente o nome Aquiry, por isso aos poucos a toponímia indígena foi sendo corrompida. Aquiry, Acri, Acre.”, conta o historiador Marcos Vinícius Neves, presidente da Fundação Garibaldi Brasil.
Comentário 6: sim, há mudanças internas, leis internas na palavra, mas o Estado deve manter em seus documentos a gramática tradicional, porque essa gramática é irmã do discurso oficial.
O fórum
Compõem o fórum, membros do Sindicato dos Jornalistas, Fundação Cultural do Acre, os jornalistas Silvio Martinelo, Toinho Alves e Altino Machado, os historiadores Marcos Vinícius e professor Carlos Vicente, os membros da Academia, professoras Clara Bader, Luisa Lessa e o professor Clodomir Monteiro, Presidente da Academia, o Presidente da Assembléia, deputado Edvaldo Magalhães, entre tantos outros que estão se juntando.
“Que prevaleça a verdade de nossas tradições. Nascemos no leito generoso do Aquiri. Andamos nos varadouros da vida, produzimos borracha com a seiva da seringueira, bebemos da caiçuma, da ayahuasca e nos fizemos fortes para resistir aos ditames da natureza. Domamos o sentimento do medo para poder ouvir na noite longínqua o ronco da onça, o zumbir do carapanã, o deslizar aquático e aparentemente inofensivo do puraquê”, finalizou a deputada.
Comentário 7: o que tem a ver isso com morfologia?
A íntegra do pronunciamento da deputada pode ser conferido no site da parlamentar (www.perpetuaalmeida.org.br).
Operação Se não Estudar, Apanha
prende deputados acreanos
Ontem, à tarde, policiais do Departamento de Morfologia invadiram o prédio da Assembleia Legislativa do Acre para prender deputados que se opõem ao Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
Comandada pelo capitão Evanildo Bechara, a operação desarticulou o crime organizado sou acreano. Segundo o capitão, os deputados são muito violentos, cometendo todo tipo de agressão contra a língua portuguesa.
“Eles criam blogues contra policiais acrianos, homens que trabalham para manter a ordem cívica ortográfica. Já os deputados são uns criminosos gramaticais que em seus blogues cometem todo tipo de violência contra a crase, as vírgulas”, observou o capitão Bechara.
Segundo o comando da Polícia Morfológica (PM), todos fazem parte do Movimento meu Povo é Pobre mas é Acreano (MPPA), uma organização que desejava matar todos os professores de Língua Portuguesa que ensinam acriano em sala de aula.
Por causa disso, foram conduzidos à unidade de recuperação Celso Cunha. Nessa unidade de segurança máxima, eles ficarão trancados em uma sala de aula e, de segunda a segunda, aprenderão a Língua Portuguesa com o major Celso Pedro Luft e com o tenente Rocha Lima.
“Isso é para eles aprenderem que deputados não estão acima do decreto de um presidente e, além de tudo, aprenderem que Assembleia Legislativa não é escola”, observou o capitão Evanildo Bechara.
Ex-companheira de luta de Chico Mendes
diz que Xapuri passa por seus piores dias
De Gilberto Lobo
Dona Francisca Macedo, de 43 anos, é uma senhora batalhadora e, com todas as dificuldades oferecidas nos anos de combate à expansão pecuarista pelos quais passou Xapuri, cidade símbolo da luta pela preservação do Meio Ambiente, ainda conseguiu ingressar na Universidade Federal do Acre (Ufac), tornando-se bacharela no curso de Geografia.
A ex-secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, participante ativa dos empates da década de 1980, uma das companheiras de luta do ex-líder seringueiro Chico Mendes, também conclui pós-graduação em educação ambiental.
Ela denuncia a situação de abandono pela qual está passando “a princesinha do Acre” e, principalmente, o bairro Sibéria.
“Se as coisas estavam ruins antes, agora estão piores. Nunca tivemos tão sozinhos”, lamenta Francisca Macedo.
A professora explica que a Estrada Petrópolis, via de escoamento de vários seringais, está intrafegável, impossibilitando os produtores rurais de levar a produção ao comércio da cidade.
“Voltamos ao tempo em que usávamos animais para o transporte. Não há carro para nada, nem para levar os doentes ao hospital.”
Lixo e lama
Outro problema denunciado por Francisca é a falta de limpeza pública no Centro de Xapuri e no restante dos bairros. Segundo a ex-secretária de Chico Mendes, o lixo se mistura com a lama das ruas sem asfalto. Em frente às escolas, há depósitos de lixo da prefeitura virados. “Moro no Sibéria, mas trabalho no Centro, passo por esse tipo de coisa todos os dias.”
“Só a dengue é quem lembra da gente. Os casos aumentam a cada dia. Nos postos de saúde não há remédios. Meus filhos pegaram dengue e tive que comprar os remédio. Não tem nem aqueles pacotinhos de soro”, desabafou dona Francisca.
A professora diz que a população pede uma solução à prefeitura, mas o atual prefeito explica apenas que não há dinheiro. “Ele só vive com choro, dizendo que a prefeitura está falida e não fala de solução.”
“Na última reunião que tivemos com o prefeito, ele não mostrou nenhuma saída. E se antes estava ruim, agora está pior. Essa é a nossa pior fase. Só queremos que o atual prefeito faça alguma coisa pela gente”, ressaltou Macedo.
Nesse período de chuvas, os extrativistas xapurienses não podem cortar seringa e nem coletar castanha. O resultado é a falta de dinheiro e condições mínimas de sobrevivência, de acordo com a especialista em educação ambiental.



De Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
Outra grande aposta da Globo que até agora não impressiona no ibope é "Caminho das Índias", de Gloria Perez. Seus últimos capítulos têm registrado no máximo 36 pontos. Ontem chegou a cair para 34. Claro que são obras longas, que podem disparar de uma hora para outra, dependendo da criatividade de seus autores. Mas criatividade não é o que se tem visto nas obras desses dois novelistas. Um voltou ao tempo de "Pantanal"; a outra, só faz repetir a fórmula de "O Clone".
De Aldo Nascimento

Não sou simpático ao programa Gazeta Alerta por ser uma cópia de programas paulistas e cariocas, e estes já são ruins. Prefiro transmissões originais. Entretanto, em certos momentos, a equipe acerta.
Hoje, não publicaram imagens de presos no Francisco D'Oliveira Conde, mas a violência que essa unidade prisional comete contra a natureza. Desta vez - que ironia!!! -, o presídio é o criminoso.
Segundo a ótima matéria do repórter Adaílson Oliveira, o Francisco D'Oliveira Conde, mantido com o dinheiro público, despeja fezes de presos, merda de policiais, cocô de oficiais e bosta de seus diretores no igarapé São Francisco. A matéria revelou que o Estado joga muita merda na natureza.
Pensei: será que é para adubar a terra?
Conversando com Itaan Arruda, ex-assessor de comunicação do governo, ele disse-me que o governador Binho Marques jamais censurou a imprensa acriana. Acreditei, a matéria de Adaílson Oliveira, a prova.
Se este governo não põe sua mão reguladora na Redação de jornal, sobrou para os jornalistas publicarem boas matérias; no entanto, para isso, é preciso haver repórteres bons - e Adaílson Oliveira mostrou por meio dessa matéria que é um deles.


Não poderia deixar de escrevinhar sobre a falta de chuchu no Jordão. Hoje, A TRIBUNA publica este artigo.
De Aldo Nascimento
Uma pessoa tem um sonho. “Quando crescer, serei jornalista.” A pessoa cresce. Estuda. Estuda. Estuda. Entra na faculdade de jornalismo. Estuda. Estuda. Estuda. Conclui a faculdade. Estuda. Estuda. Estuda. Pós-graduação. Finalmente, depois de tantos anos, consegue trabalhar na Globo. Vai para o interior do Acre e, aqui, depois de estudar tanto na faculdade, sua audiência divulga no Brasil que Jordão não conhece chuchu. A isso dão um nome: fantástico.
Depois, eu me perguntei: qual a relação entre não conhecer um chuchu e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH? Outra dúvida: se o cálculo do IDH leva em consideração a expectativa de vida, o nível de educação e a renda da população, o que a falta de chuchu em Jordão estava fazendo em uma matéria sobre IDH? Última pergunta: qualidade de vida tem a ver com o consumo de chuchu?
Ficou a impressão de que quem não conhece chuchu é atrasado ou motivo de chacota. Mas ficou também a impressão de que o jornalista global não conhece o seu próprio país, passando pelo Jordão como turista. Assim, na condição de repórter-turista, sua matéria só poderia ter transmitido isto: superficialidade sobre nós.
Esperar de uma TV comercial e de um repórter-turista o registro de nossa identidade, convenhamos, seria anormal. O normal tem sido - que ironia! - os jornais acrianos ignorarem o interior deste Estado; tem sido desconhecerem o homem rural que nunca viu um chuchu.
Para uma Redação de Rio Branco, tão condicionada a ser aquário, Jordão não passa de um mapa. Se leitores daqui não encontram em nossos jornais o que é o Acre em Feijó, em Mâncio Lima ou em Assis Brasil, outros publicam o que não encontram no Jordão, neste caso, um chuchu. Se nossos jornalistas publicam matérias que ocultam o interior deste Estado, outros descobrem a falta de chuchu e riem de nós.
Após uma semana de o Fantástico rir do Acre, não houve um jornal da capital que tenha tomado a iniciativa de retirar do Jordão “a chacota do chuchu". O repórter-turista plantou nesta terra uma matéria para colher chuchu, e as redações acrianas só cultivam um jornalismo que desconhece Rodrigues Alves, Capixaba, Plácido de Castro. Do Rio de Janeiro, a Globo nos conhece “melhor”. Plim-plim!!!
Nesta semana, o Congresso Nacional, por meio do PMDB, deu um exemplo de que cargo no poder é o limite. Graças às articulações de Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Melo presidirá (PTB-AL) a Comissão de Serviços e de Infraestrutura do Senado. Assista





O deputado comunista Moisés Diniz discursou na Assembleia Legislativa do Acre contra a matéria do Fantástico. Sobre Jordão, localizado no Acre, Diniz incomodou-se e comparou: Jordão ou Complexo do Alemão? Favela da Rocinha ou Jordão?
No Complexo do Alemão - rede de favelas localizada perto da Ilha do Governador -, acredito que todos tomem banho sob um chuveiro, mas não creio que tenham a paz, ainda que monótona, que Jordão emite. Eu não gostaria de morar no Complexo do Alemão. Embora não tenha chuveiro nas casas, se eu fosse escolher, passaria meus dias e minhas noites entre os rios, a mata e a preguiça do Jordão.
Por outro lado, o deputado perde quando o ponto é educação. Segundo a matéria da Globo, há um índice alto de crianças fora da escola. Sobre isso, houve o silêncio de um deputado que é líder do governo da Frente Popular.
Leia a matéria da jornalista Nayanne Santana, da TRIBUNA.
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Moisés Diniz diz que matéria sobre o Jordão foi preconceituosa
De Nayanne Santana
O deputado estadual Moisés Diniz (PC do B), líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), criticou a matéria do programa Fantástico, apresentada no último domingo, dia 1°, pela Rede Globo.
A reportagem, que mostrou os quatro municípios brasileiros com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), apontou Jordão, no Acre, como um dos que tem o pior desempenho no IDH.
“Acho que o Jordão ainda está muito distante de ser o melhor lugar para se viver, mas eu tenho certeza, porque convivo e vivo no Jordão e passo às vezes semanas no Jordão, e o Jordão é muito melhor de se viver do que EM uma favela do Complexo do Alemão ou na Favela da Rocinha”, declarou o parlamentar.
Diniz disse que está aberto para debater com qualquer defensor desse IDH, que, segundo ele, só avalia os critérios urbanos e esquece os “critérios de sustentabilidade, de um jeito diferente de se viver, que é a forma de viver na Amazônia”, afirmou o deputado.
Moisés Diniz sugeriu que o jornal que veiculou a reportagem falando da situação de Jordão e de Tarauacá deveria fazer uma matéria banhando-se no rio Tiete, mostrando que o rio está poluído ou que os repórteres fossem às favelas cariocas entrevistar a população.
“Não vão porque têm medo de levar um tiro de bala perdida, aí vem para o interior da Amazônia, vê um problema de dificuldade de abastecimento e fazem esse Carnaval. É uma matéria mentirosa, preconceituosa, anti-indígena, antiamazônica e antiflorestal”, concluiu Diniz.
Defensora do jornalismo literário, Lillan Ross,Texto de Aldo Nascimento
Com miríade de hipertextos disseminados por feixes de luz, prolifera todo tipo de informação em blogs e em sítios - não escrevo site, esta palavra estranha, porque na minha LÍNGUA há outra que substitui o estrangeiro.
No Acre, entretanto, poucos proliferam boa crítica e boa escrita. O blog, sabemos, oferta, por exemplo, a liberdade de escrever, porém a liberdade não implica escrever o que quiser e como quiser, porque, se for assim, não haverá encontro entre leitor e o que é lido. Somos livres, isso sim, para edificar o melhor para olhos que nos leem.
Diante dessa proliferação, fique a melhor escrita. Com tantos blogs, com tantos sítios, permaneça a melhor crítica. No Acre, raríssimos blogs e sítios são bem escritos. Suja-se a língua portuguesa com erros; emporcalham-na com superficialidades profundas, regidas por clichês, por bordões.
Escrever bem. Entre páginas, a escrita de Albert Camus [1913-1960 ] encanta-me por sua elegância, requinte. Jean Daniel, um de seus melhores amigos, conta que Camus encontrava-se exultante quando entrou certa vez em uma boate com seus colegas do jornal Combat, um periódico que resistia à ocupação nazista.
Naquele dia, a edição tinha sido ótima. Ao entrar no bar, o franco-argelino exclamou: "Vale a pena lutar por uma profissão como esta!". Antes de ser um dos maiores pensadores do século 20 e de receber o prêmio Nobel de Literatura em 1957, Albert Camus foi jornalista.
Qual a diferença entre nossas jornalistas e o jornalista Camus? Para mim, uma: só “vale a pena lutar por uma profissão com esta” quando pulsa o vigor incansável de um ideal.
Qual ideal de nossas jornalistas? Sabemos que um homem com poder é um homem que esconde alguma coisa; porém nossas jornalistas, quando moídas e modeladas pela máquina redacional, não desejam des-cobrir o discurso do poder sobre educação, sobre saúde pública ou sobre manejo sustentável. Escrevem para agradar, porque o ideal, se existe um, é se manter no emprego, é se dar bem com todos para, quem sabe, assegurar algo melhor depois. São escravas dóceis sem exigências.
As jornalistas são as mais despossuídas de senso crítico em suas matérias. Indiferentes a des-cobrir algo por que valha a pena lutar, seus textos agradam a todos, principalmente, ao poder. Há mais de dez anos nas Redações acrianas, eu não conheci uma jornalista - e muito menos uma escrita feminina - que exalasse o aroma da contestação ou o charme elegante da crítica.
Na Redação de um jornal, elas são mais domésticas do que na cozinha. Não agradam aos maridos, mas satisfazem as exigências do poder com uma escrita que ainda reproduz o gênero masculino, ou seja, distante, objetiva, dependente do objeto tratado. A escrita de nossas jornalistas, portanto, assemelha-se ao narrador do realismo-naturalista do século 19.
Mulheres que escrevem, mas não conforme o gênero feminino. Buscar esse caminho, o do gênero feminino, no entanto, não passa pelo jornalismo. Explico. Assim como a escrita da História se refez por meio da Literatura, a escrita do Jornalismo também se recriou por meio dessa mesma Literatura. Entre 1930 e 1960, surge o jornalismo literário. Mentira. Bem antes, em 1700, há registros de elementos literários no jornalismo. É verdade que, em fevereiro de 1972, a New York Magazine publicou o artigo O nascimento do new journalism, escrito por Tom Wolfe, mas esse americano não foi quem iniciou o amalgamamento entre jornalismo e literatura. As jornalistas precisam recorrer à literatura para que seus textos não reproduzam o gênero masculino.
Neste espaço de jornal, como não tenho mais linhas para estender minha palavra vã, deixo para teus olhos esta publicação da Rocco: Ficar ou não ficar, de Tom Wolfe, obra em que o jornalismo se comunica com a literatura, leitura obrigatória para as nossas jornalistas que escrevem como homens - às vezes, melhor pôr a mesa para a família, permanecer em casa, colocar as sandálias nos pés cansados do bom marido.