segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Momo e o desserviço da TV Aldeia


Há um bom tempo - acredito que lá pelos anos da década de 1990 -, deixei um bom texto no jornal Página 20 sobre o sentido original de Momo, o rei do império carnavalesco.

Infelizmente, em meu computador, esse texto não se encontra. Perdi-o. Se eu quiser revê-lo, deverei ir ao jornal onde o publiquei.




No Acre, o Carnaval é uma festa estranha ao espírito de Momo, por isso escrevi sobre o regedor dessa festa popular, com a finalidade de mostrar que o que se fala no Acre de Carnaval não há nenhuma relação com o mito de Momo.  

Como em outros lugares, assistimos aqui à morte desse reino porque seus súditos, sem a devida irreverência da criatividade, perambulam sobre o cadáver do rei. O Carnaval acriano assemelha-se mais à procissão dos mortos.

Na capital acriana, não vemos a cidade ornamentada, desenhada, coberta pela fantasia, enfeitada, fato oposto ao que ocorre com o Natal, que acontece no centro da capital. Outra festa  manifesta-se no centro, 7 de Setembro.

Nessas festas, as pessoas, segundo ouço, sabem o que significa o sagrado (Natal) e a ordem (Dia da Pátria), porque os significados encontram-se estabilizados nos significantes. Entretanto, o mesmo não ocorre com a festa momesca: qual o sentido da palavra Momo? o que significa a palavra fantasia? o que quer dizer diversão?

Agora, pergunte a um cidadão que assiste à parada militar o que é ordem. O senhor gosta da ordem? Possivelmente, ele dirá "sim". Mas pergunte a ele se ele gosta da "desordem" do Carnaval? Ele dirá que "não" porque a festa de Momo recebeu outra significação dos jornalistas, das igrejas, dos políticos, da tevê. 

Cercadinho

Quem já leu sobre cultura popular e sobre o Carnaval sabe muito bem que o reino de Momo no Acre pode ser tudo, menos popular. Aqui, as mãos dos governantes oficiais colocam Momo em um cercadinho sob o olhar da polícia, dos bombeiros, dos médicos e do comércio, porque o Carnaval acriano já tem o estigma da violência, porque a desordem, segundo eles, deve estar sob controle.

“É melhor concentrar a festa num único local e garantir a segurança neste espaço. A Polícia Militar não teria condições de manter o policiamento necessário em todos os bairros e nos abrigos ao mesmo tempo, porque, em cada bar, em cada esquina, haveria uma festa. As pessoas sairiam às ruas para brincar de qualquer jeito e seria muito difícil lidar com a situação, mantendo a segurança de toda a população”,
explicou o governador Tião Viana.
 


"Brincar de qualquer jeito". No Carnaval acriano, portanto, a brincadeira é desorganizada. Entretanto, a "brincadeira", segundo o livro "Homo ludens", de Johan Huizinga, tem a sua razão, a sua ordem, sendo oposta à ideia de "qualquer jeito". Mas o Carnaval acriano é isto: "brincar de qualquer jeito", por isso o cercadinho.

Pela Tevê

Todo ano, jornalistas da TV Acre, por exemplo, ecoando a voz das autoridades, entrevistam, entrevistam e entrevista patentes militares. A população precisa se sentir segura. A TV Aldeia, por sua vez (pasmem!), sem cumprir sua missão cultural, reproduz a fala das emissoras comerciais, ou seja, não sabe o que fala do Carnaval, transmitindo um desserviço ao reinado de Momo.

A TV Aldeia, primeiro, deveria saber o real sentido da felicidade do Carnaval, porque, se soubesse, os jornalistas que estão na pista apareceriam fantasiados, digo, muito bem fantasiados. Reafirmo "muito bem" porque o conceito de fantasia pede bom gosto  pelo simples motivo de fantasia se opor à matéria, ao objeto, à coisa.

Não só. A TV Aldeia, por emitir, em tese, cultura, deveria apresentar aos telespectadores livros sobre o Carnaval. Faustão em seu programa apresenta livros, Regina Casé em seu programa apresenta livros, Jô Soares apresenta livros, mas a TV Aldeia não apresenta.

Pelos Livros

Lemos bons livros para buscar também o sentido original das palavras, sentido que não encontramos na rua, na TV Aldeia, nas reportagens de tevê.

"Elogio da Loucura" é um desses livros. Nele, (des)cobrimos o senhor do Carnaval, Momo, cujo significado que dizer "aquele que imita".

Quem esse rei imita?

Ele segura o cetro, usa a coroa e senta-se no trono. Na condição de rei, portanto, ele tem o poder, mas seu poder não só se opõe ao poder dos governantes oficiais como também o deforma, porque quem "imita" altera a forma copiada.

Momo imita o poder oficial, isto é, por ser mímico, deforma aqueles que exercem o poder, desorganiza-o. Como rege a prudência de o governante oficial ser sério, austero, Momo é o avesso, ou seja, ele é o bobo - "(...), o privilégio que têm os bobos de poder falar com a toda a sinceridade e franqueza", escreveu Erasmo de Rotterdam no século XVI.

O bobo ri de quem governa, mas no Carnaval acriano sempre respeitamos o poder.

Momo é a Loucura de quem fala Erasmo em seu belíssimo livro.

Outros livros sobre o Carnaval fascinam, entre eles, estes: "História da Feiúra", organizado por Umberto Eco; "História do Riso e do Escárnio", de Georges Monois; "A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento", de Mikhail Bakhtin; "Homo Ludens", de Johan Huizinga.

Poderia escrever mais sobre Momo, mas prefiro me repetir, afirmando que lemos bons livros para buscar também o sentido original das palavras, sentido que não encontramos na rua, na TV Aldeia, nas reportagens de tevê, porque nesses locais Momo não passa de um impostor chulo.

TV Acre desatualizada e o vice

Hoje, por volta das 11h20min, liguei a televisão para saber sobre o nível do rio Acre.

A TV Acre apresentou imagens de sábado, dia 18. Eu querendo saber sobre a situação de hoje, dia 20, e ela me apresenta uma reportagem repetida.

Se for para ser assim, fico sabendo da enchente acriana por meio do UOL.

Em outro momento, aparece o vice-governador, passando a imagem de que tudo está sob controle em Rio Branco. A tevê cede espaço para a autoridade falar. Repito: falar, não para ser questionada.

O vice poderia ter sido questionado se a tevê apresentasse, antes da entrevista, uma reportagem da real situação dos alojados, por exemplo, no Parque de Exposição Castelo Branco.

Confrontar a realidade dos abrigos com as palavras das autoridades, mas isso seria pedir demais.

Se desejam tanto ocupar o poder, se dizem em campanha que farão melhor do que os adversários, eles têm o dever e a obrigação de erguer, com o dinheiro público, o melhor para os desabrigados.

domingo, fevereiro 19, 2012

Ronda Gramatical


Senador acriano encontra-se no "chadrez" 



Enquanto as águas do rio Acre sobem, o senador Petecão, do PSD, baixou o nível da ortografia ao deixar escrevinhado em seu miniblogue "Chapuri".

A população de Xapuri quis linchá-lo com os dicionários Houaiss e Aurélio, mas Petecão conseguiu fugir, 
passando a ser caçado pela Polícia Ortográfica como meliante gramatical.

"Não podemos admitir que um senador da República continue a falar e a escrever errado. Petecão tem um currículo extenso de crimes contra a Língua Portuguesa", observou o capitão Evanildo Bechara. "Ele é um péssimo exemplo para o jardim de infância, a creche,  para a escola primária, o Poronga e as bibliotecas."

Ontem, em Rio Branco, às 23h55min, quando pulava no bloco "Chapuri, Princezinha do Mar" , ele foi rapidamente identificado. 
Petecão não resistiu à prisão.

"Mas o senador resiste a falar e a escrever corretamente aqui no presídio", disse o seu único colega de cela, "Xapolim".




Águas profundas. Matérias superficiais

CHEIA DO RIO ACRE DESABRIGA
MAIS DE 600 FAMÍLIAS EM RIO BRANCO

Jorge Viana visita desabrigados
e garante recursos da Defesa Civil para o Acre

Momento de desgraça para muitos serve de interesse político para  poucos. Quem lê os jornais acrianos pode observar que a imprensa rio-branquense faz questão de destacar que político "visita", que político "solidariza-se" e, no caso do Página 20 (acima), o político "garante recursos da Defesa Civil".

Não surge uma matéria profunda e sensível. Profunda no sentido de informar a quantia de dinheiro público usada nas enchentes  e  a quantia, em uma política de prevenção. Sensível no sentido de o repórter dar voz por meio do jornal aos desabrigados.

Mas, para tanto, o repórter deve escrever muito bem a ponto de elaborar um jornalismo literário, algo, por sinal, impossível por aqui. Os jornais de Rio Branco não sensibilizam o leitor. Faz-se o comum, o superficial, o trivial, o padrão - o político "visitou".

Enquanto as águas do rio Acre são profundas, os jornais propagam superficialidades.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

O rio

As águas do rio Acre
quando chegam a Rio Branco 

não são só águas: 

são pobrezas boiando
são à deriva muitos prantos


As águas do rio Acre
quando chegam a Rio Branco
não só acurralam restos de criança:


também transmitem de políticos esta cínica doença:
"tenham fé! tenham esperança!"

E o ditado popular não se cansa:
"quem bebe da água do rio Acre não volta"

Mas só nas enchentes de cada ano novo
os pobres nesta água se banham

Eles nunca voltam. Ficam.
As águas do rio Acre
humilham.Não limpam.

    

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Coisa de político acriano


No Acre, político se mete até em língua portuguesa, não no sentido de qualidade de ensino. "Deve ser escrito 'acreano', porque essa forma tradicional tem a ver com a identidade de nosso povo", afirma o político. História para boi pastar.

No entanto, quando se trata de propaganda de governo, o político da língua portuguesa não diz "o carapanã da dengue". Repete-se o que é dito no Rio de Janeiro, em São Paulo - "O mosquito da dengue".  

Ora, nobres deputados, isso sim tem a ver com a identidade linguística desta região. Combate-se "acriano", mas se aceita "mosquito", vocabulário estranho à cultura acriana.

"Carapanã" é identidade de uma região, o que nos diferencia do outro. Servir-se de "carapanã" é considerar "o grupo indígena que habita o Noroeste do Amazonas (Área Indígena Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Yauareté I e Yauareté II), junto ao médio rio Solimões (Áreas Indígenas Méria e Miratu) e a República da Colômbia".

E "mosquito"? Diminutivo de "mosca". Não gosto.

Quando visito parentes no Rio de Janeiro, sempre digo "carapanã". Eles riem de mim. Eu rio mais deles.

domingo, fevereiro 12, 2012

Quem quer a Ufac?

Voltei à rotina. Compro os jornais de Rio Branco e leio severas críticas de deputados à reitora Olinda Batista Assmar. Não sabia que deputado acriano soubesse pensar qualidade de ensino público.

Então aí vai o meu primeiro texto do ano.

_____________________________________

Após a vitória eleitoral de Fernando Henrique em 1994, o então ministro da Educação, professor Paulo Renato, do PSDB, criou o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para aferir qualidade de ensino no país do samba e do futebol. A primeira prova ocorreu em 1998. 

No final do século 20, o que ocorria com a educação pública acriana? O de sempre: nada. Até hoje, os sindicatos não lutam por qualidade de ensino. Até hoje, a Assembleia Legislativa do Acre desconhece como haver uma melhor gestão escolar. Até hoje, as câmaras dos vereadores não sabem propor uma escola pública melhor. Até hoje, o governo faz da educação popular discurso político.

Duvido de que possamos encontrar debates profundos registrados na assembléia ou na Câmara de Vereadores de Rio Branco. Duvido de que alguma inteligência tenha pensado qualidade de ensino. Duvido.  Deputados e vereadores nunca colocaram a educação pública em um debate constante porque, simplesmente, seus filhos estudam em escolas particulares. 

Educação deveria ser pauta semanal dos jornalistas; no entanto, quando a noticiam, os jornais limitam-se a informar que alunos retornaram às escolas. O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, tem uma página dedicada, uma vez por semana, à escola. No Acre, os proprietários da informação não têm o menor interesse no assunto.

Como o tempo não pode esperar pela boa vontade desses homens públicos e desses sindicalistas, o Enem, ideia do PSDB, tem (des)coberto o quadro negro da nossa educação popular. Serei específico. Sempre no início do ano, peço aos alunos textos dissertativos. Em 2012, não foi diferente. Dei a eles a redação do Enem-2011 e, depois de terem lido a proposta, escreveram. Leia um dos textos.

                Viver em rede no século XXI

            Agora no século XXI ficou melhor pois nós apredemos aconviver com As pessoas  negras apredemos a respeitar o racismo no nosso mundo de hoje.
            Hoje em dia também as tecnológicas Estão muito a vançadas pois agora temos PC temos internet rápida temos Orkut, fecebok, também temos MSN!! etc...
            Hoje nós podemos olhar para o mundo e dizer que estamos muito bem com as tecnológicas que uns oferece tantas coisas boas para nós curtimus.
           Tempos atras não era bem assim as televisões era preto e branco não tinhar cor definida era totalmente tudo estranho. Agora nos assistimos em televisão colorida.                                                          
           olha como mudou pra melhor.
           Existe agora no século XXI progeto para a consiencia negra.                                                                 
          Existe paradas gay.


O texto acima pertence a uma aluna do 2º ano do ensino médio; porém, como revela o Enem, nossos alunos do ensino médio escrevem como alunos da 5ª série. Entre 28 textos da turma, nenhum aluno soube usar corretamente as vírgulas; 13 alunos usaram algum ponto contínuo, nem sempre correto; 16 alunos têm cacografia; 5 alunos têm letra ilegível; os 28 não entenderam a proposta do Enem; os conteúdos, além de previsíveis e superficiais, apresentam-se de forma confusa.  

O texto acima tem seu processo de paragrafação comprometido, e esse problema encontra-se em todos os 28 textos da turma. Além disso, todos estão em desacordo com a competência 1 do Enem: domínio da língua padrão. Alunos escrevem “faiz”; confundem “mas” com “mais”; ignoram o plural do verbo “ter” na terceira pessoa; aboliram os acentos ortográficos; ignoram concordâncias verbais mais simples (“existe casos”).

Até chegarem ao 2º ano do ensino médio, passaram-se nove anos de erros sobre erros. Meus alunos querem a Universidade Federal do Acre, mas os políticos e os sindicalistas acrianos nunca discursaram e nunca lutaram para qualificar a escola pública – seus filhos estudam em escola particular.

Vivo da escola pública, meu sustento sai do meu ato de lecionar. O político, sabemos, não vive da educação: o da situação se aproveita dela para dizer que a educação pública vai bem, e o da oposição não sabe o que diz. Estamos muito mal servidos.

O professor de Língua Portuguesa leciona para dez turmas (quatrocentos alunos). Como manter qualidade com essa quantidade? Não mantém. Como corrigir 400 redações? Não são corrigidas, por isso, quando o aluno chega ao ensino médio, ele escreve como quem estivesse na 5ª série.

Além da quantidade de aluno em sala e a quantidade de turma, há outras questões. Deputados e sindicalistas têm propostas para qualificar o ensino de Língua Portuguesa?

sábado, janeiro 07, 2012

Currículo único

Currículo único

Oito horas tem sido meu limite para acordar. Abre-se a janela do quarto e, diante dos olhos, a cor da montanha contrasta com a do céu. Depois do café da manhã com minha família, vou ao jornaleiro para comprar O Globo, O Dia e Folha de São Paulo. Leio o que me interessa e, até às 11 horas, concluo as leituras.   


1º de janeiro. Na página Educação – O Globo dedica espaço exclusivo à escola -, eu soube que o governo federal criará o currículo único para as escolas do país. Defende-se a ideia de 70% ao conteúdo universal e 30%, ao regional.



Em 2009, o Rio de Janeiro implantou currículo único em suas escolas. A prefeitura sugeriu ao sindicato dos professores testar a proposta por um ano, e, após esse período, os professores foram convidados a propor mudanças. 



Segundo Cláudia Costin, secretária municipal de Educação, o resultado no exame Prova Brasil foi melhor do que em anos anteriores. “Essa organização do currículo é a base de toda a transformação na educação do Rio”, constatou.



No Acre



Na mesma escola, se o aluno se transferir para o turno da tarde, ele não estudará o mesmo conteúdo, por exemplo, o de Literatura. A escola acriana peca por não haver  unidade de conteúdo e muito menos um conteúdo regional.



Na escola acriana, professor, se quiser, pratica leitura de um romance ou de poesia em sala de aula. Se quiser. Certa vez, em uma escola, um professor expeliu esta pérola: “Não vejo sentido do aluno ler poesia, porque na sociedade ele não vai escrever versos”.



Com a aprovação de um currículo único, o MEC estabelecerá uma quantidade de livros que os alunos terão de ler por mês em cada série. Mais: se o objetivo for ensinar análise sintática, o professor receberá a indicação de métodos para lecionar esse tipo de conteúdo de Língua Portuguesa.



Hoje, no Acre, professor leciona Redação se quiser.



Calendário



JULHO é o prazo final para a redação do currículo por matéria.



ENTRE JULHO E OUTUBRO, discussões sobre os textos com entidades que representam professores e diretores e com secretários estaduais e municipais de Educação.



NOVEMBRO, consulta pública das propostas de currículo por matéria.



DEZEMBRO, apresentação conclusiva da redação com as expectativas de aprendizagem por série.



Sempre leio os jornais na varanda da casa de meus pais e, nos últimos dias, desde 19 de dezembro, tenho lido ao som da chuva e perto de meu irmão e dos meus.

Estou feliz!

sábado, dezembro 17, 2011

Quando o Natal chegar...

deixe-me permanecer em paz sobre o que o orgasmo deixa em nós:

o descompromisso das horas

a largura das almas

a ausência das faltas

a calma das pálpebras

a sonolência heroica


tudo,

tudo após a tua tempestuosa carne
ter varrido de minha pele e de meus olhos

o que é pouco

o que é reles,

deixando apenas em desordem
a rigidez de meus ossos.

Deixe-me permanecer em paz sobre o que o orgasmo deixa em nós:

este silêncio denso de suor
nos corpos.

Um pedido ao secretário Zen

Secretário, por favor, permita que a semestralidade retorne à Literatura e à Língua Portuguesa.

Eu leciono Língua Portuguesa (gramática e redação) e Literatura(leitura de dois romances e poesia). Na primeira semana, o aluno estuda redação; na segunda, gramática; na terceira, poesia; e, na quarta semana, leitura em sala.

Sem a semestralidade, eu leciono para quatro turmas do 2º ano, ou seja, eu corrijo muitas redações. Se fossem duas turmas - o que a semestralidade permite -, eu lecionaria para duas, o que significa  mais tempo dedicado a correções de texto, porque são menos textos corrigidos. Com menos turmas, cansa-se menos e eu me dedico mais a correções textuais.

Secretário, quem trabalha com refacção textual, segundo os parâmetros, desgasta-se demais em sala de aula, o trabalho fica prejudicado. Quando havia a semestralidade, havia mais qualidade de ensino.

Quem pede é um profissional que leva a educação muito a sério.

O rosto de Gregório

Ontem, pensei que fosse a última postagem do ano; porém, quando abro meu correio eletrônico, vejo o rosto de Grégorio. Nunca o vi. Jamais sentamos para conversar sobre a vida - Gregório só existe para mim em forma de palavra, e eu também, dessa forma, para ele.

Assim ele deixou uma parte de seu rosto:
"Bom descanso, nobre professor. Que venha 2012, e que possamos melhorar cada vez mais, tanto a nós mesmos quanto a nossa volta. Que a educação seja arejada com novos ares de vida, de cores, de sentidos, de sentimentos, de arte... Não podemos desistir: se não fizermos um bom trabalho nós mesmos pagaremos por isso - como já pagamos pelo descaso que nos foi legado. Desejo boas festas, um bom reencontro com a família e amigos - toda criança adora esse período do ano, não só porque estão livres da escola, mas porque podem conviver mais com os pais, com os parentes e amigos; podem brincar mais, rir mais... É, elas estão certas. Então, muita coisa de criança para todos nós! Muita bagunça, diversão, prazer, preguiça, desfrute, contemplação, e principalmente, muita família. Abraços e até breve."

Gregório, na escola onde leciono, não acredito, como você escreve, em "novos ares de vida"; não creio não por causa dos meus colegas de profissão, mas por causa da didática política de homens públicos.

Como sabemos, filho de político não estuda conforme o dinheiro público escolar. A escola Heloísa Mourão Marques continuará a ser em 2012 um espaço desagradável: sala desconfortável, ruídos correndo por corredores, imagem de um lugar incomunicável com a arte, com a estética tecnológica, com o aprazível e com a ordem afetiva. Não tenho ilusões - na escola, o Ano-Novo nunca chega.

No entanto, após mais de 20 anos lecionando, minha palavra ainda permanece muito viva em sala para meu semelhante. Se há alguma transformação em sala, ela depende de mim, de minha paixão por lecionar.

Colocarei alunos no formato do círculo, essa forma geométrica mais perfeita; também por causa do calor, ficarei menos em sala de aula; duas vezes por semana haverá teste escrito; retornarei com as gincanas; lerei um ótimo romance como os bons pastores leem a Bíblia; selecionarei bons textos relacionados à questão homoafetiva; quando passar um bom filme no shopping, irei com os alunos e colocá-lo-ei na avaliação; irei propor a uma colega de trabalho uma nova atividade no dia dos namorados.  

Antes de retornar às aulas, estarei com o calendário de conteúdo  pronto, ou seja, trabalharei um pouco "em meu descanso". Lerei um livro nas férias.

Gregório, um abraço fraterno em teu destino.


sexta-feira, dezembro 16, 2011

Até 30 de janeiro

Neste ano, não tenho mais nada a dizer. Depois de 1º de janeiro, escreverei nem sempre, às vezes.

Foto aqui, outra foto ali; algo que li nos jornais O Globo, Folha de São Paulo, O Dia.

Já vou! Chega de mim! Chega de palavras vãs!  
 

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Ao colega Gleyson Moura



Gleyson, sei que não dei continuidade ao seu projeto e muito menos preparei a poesia para teus alunos. No entanto, como dei a minha palavra, falarei de literatura em tua escola em 2012. Irei procurá-lo.

Quanto a tua postagem referindo-se ao meu texto sobre o Acre, digo-lhe que o blogue é um espaço menor para pensar algo tão importante.

Agradeço não por causa do teu elogio, mas por causa de teu respeito. Gosto mesmo quando se opõem a mim com elegância, porque a gente aprende.

Nesses meus 20 anos de Acre, confesso a ti, um acriano, que a realidade social local me fascina, provoca-me a refletir sobre o que somos, sobre as mentiras do que somos, sobre as vergonhas do que somos.

Evidente que não há uma identidade absoluta, unitária; existem identidades. O Acre é um retalho de formas e de cores. Existem muitos Acres dentro do Acre.

De um pensamento, Gleyson, tenho certeza: o acriano de certas classes sociais não sabe falar do Acre porque nasceu no Pará, em Brasília.       

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Só há um problema com o cinema do Acre

Se formos falar de sala de cinema, ela chegou ao Acre em 2011, não devendo nada às salas do Rio de Janeiro.

Só há um problema: está prevalecendo o filme comercial.

"O Palhaço", de Selton Mello, estava em cartaz e logo sumiu. Em Rondônia, ele continua.

A belíssima película de Almódovar, "A pele que habito", nem roçou por aqui.

Se prevalecer o filme comercial, filme só como entretenimento, a sala ficará pequena para tanta futilidade visual.

O Acre não existe e, se existe, é o fim do mundo

Depois de a jovem afirmar que o Acre não existe e da matéria jocosa do G1 sobre o shopping acriano, deixo aqui meus retalhos.

Resido aqui há quase 21 anos, porque aqui, depois da Frente Popular, a vida ficou melhor. Tenho uma filha rio-branquense, ela queria ser carioca.


Por que ser carioca? "Porque aqui não tem nada, pai", respondeu a inocente. Mas o que significa não ter nada? Na época, ela disse que no Acre não havia nem 
shopping. Haver esse templo profano de consumo representa para ela retirar o Acre do nada.


Na escola, certa vez, um aluno me disse que não compreendia como eu, vindo do Rio de Janeiro, permanecia no Acre. Para ele, o Acre não era desenvolvido porque não havia shopping na época. Hoje, com shopping, o Acre já é desenvolvido. 


Esse, portanto, um primeiro ponto: o shopping.
E o segundo?

Nesses anos, uma classe social, representada por pessoas cujos nomes não posso revelar, sempre negou a sua origem. Passando dias no Rio de Janeiro, um acriano diz: "Sou de Brasília". Em São Paulo, afirma: "Sou do Pará".


Ouvi muitas histórias de acrianos que, passando pela "Cidade Maravilhosa" ou estudando em São Paulo, negavam suas origens.

Ora, não precisa alguém de o Rio Grande do Sul dizer por meio da internete que o Acre não existe, porque, para muitos acrianos da classe média, média-alta ou alta, o Acre não existe: "Sou de Brasília", "Sou do Pará".

Muitos acrianos dessas classes sociais têm vergonha de ser acriano. Mas por que a vergonha?     



Não educo minha filha para ser carioca; educo-a para ser acriana. Mas o que é ser acriano? Em um blogue, não cabe a resposta. É preciso um artigo, uma dissertação ou uma tese; é preciso uma ideia escrita com o olhar de estrangeiro.


Mas, a ela, eu digo oralmente; eu a educo oralmente. No entanto,  não sei se ela ficará convencida de ser acriana ao longo dos anos, o que lamento.


Esse, portanto, o segundo ponto: trair sua própria origem.


Não existe em nossa bibliografia um trabalho escrito e profundo sobre nossas vergonhas, sobre nossos rostos, sobre nossas identidades. Ainda existe um vácuo sobre nós, acrianos.


No Rio de Janeiro, talvez um primo babaca de minha filha ria dela por ela ser acriana, essa terra que não existe para ele e para o pai dele.


Minha filha, se responder à altura do cupuaçu, do açaí ou do suco de maracujá com pó de guaraná, não dirá que na terra dela tem viaduto,  tem Expo-Acre, tem shopping, tem estádio de futebol, porque não serão construções que irão diferenciá-la do primo do Rio de Janeiro.


Para se defender, para não ser motivo de riso, Lara precisa de conhecimento, de cultura, de educação, de livros e de percepção apurada da vida. 


O Acre só existe segundo a tua palavra, a tua defesa e, se ele, o Acre, é o final do mundo para alguns, diga-lhe, filha, que é o final, por isso estamos tão longe do "desenvolvimento" do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde a miséria dessas metrópoles não se compara à  simplicidade de quem é pobre em Feijó, em Tarauacá.


Lecionei em Feijó durante duas semanas em 1994 e, nesses dias, conversando em uma praça, um homem me disse que não retornou ao Ceará porque em Feijó ele nunca passou fome.


Até hoje e durante muitos anos, em Feijó não haverá shopping. Mas não passar fome, convenhamos, minha filha, é muito mais humano. Sim, aqui é, graças a Deus, o fim do mundo.


E deixe São Paulo ser o começo com seus engarrafamentos de 100 quilômetros à margem de um rio que é só esgoto a céu aberto.


Prefiro o rio Moa.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Deveria haver mais arte nos muros da cidade


Na rua Pernambuco, esquina com Nações Unidas, no muro da escola Neutel Maia, encontramos o passado acriano por meio dos olhos de Dalmir.

Primeiro, o óbvio: a floresta não é verde. Mais: não há beleza nela. Nenhum apelo ufanista.

E poderia haver beleza onde predomina a exploração? Poderia haver beleza quando o seringueiro pagava para ser escravo?

Em fileira, seringueiros caminham ao batelão. No lugar das cabeças, eles carregam a riqueza do seringalista, as pelas. Suas cabeças são bolas de borracha.

Homens submetidos à solidão. A imagem é sombria; e o trabalho, fúnebre. Eles não percebem, mas tudo é morte.


A forma como Dalmir olha o Acre me fascina, ele deveria estar por toda Rio Branco.

Que belo artista!

quarta-feira, dezembro 07, 2011

"Ser ou não ser, eis a tesão"


Uma das boas amizades que o destino ofertou a mim no Acre, ele: figura profana: Guilherme Cunha. Amante de "Assim falou Zaratustra", trata-se de um profano no sentido de "falar fora do templo sagrado".


Atrás, de propósito, só Jesus salva, por isso nem uso mais pen drive.

Dia
No dia 9 de dezembro de 2011, sexta, às 19 horas, o professor Guilherme Cunha lançará suas palavras “Ser ou não ser, eis a tesão”, livro repleto de aforismos, repleto de pensamento livre e dançante.  


Local

Suas palavras serão servidas no banquete da Cozinharte (antiga Bolota), onde os comensais leitores se lambuzarão com ideias profanas.

Ele espera que o leitor goze de ler.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Eleição da escola HMM


Em nome da unidade da escola Heloísa Mourão Marques, as professoras Osmarina e Ozélia retiraram seus nomes da disputa eleitoral. O professor Valdir representa a escola HMM, sem divisão interna.

Penso que, no futuro, a ideia da prévia deve ser mantida na escola e quem perder deve retirar a candidatura. Com isso, cria-se a ideia de apoiar um colega de trabalho da escola antes do resultado final da eleição. Dessa forma, a escola sai fortalecida em nome não do corporativismo, mas em nome de um grupo comprometido com o ensino público. Apoiar um colega não pode ser motivo de vantagens pessoais na escola.

Hoje, o debate na escola foi muito organizado. Conforme a regra, não se admitiu ataque a qualquer pessoa, inclusive, à pessoa da professora-gestora Osmarina. Caso ocorresse, o agressor verbal sairia da mesa. Só a presença da Polícia Militar inibiu excessos. Não foi um debate com grandes ideias, mas pelo menos a organização foi impecável. Não houve tumulto.

Calamos a boca do professor Jorge Braum, que, um dia antes, diante de mim, disse que a escola era uma bagunça. Sua presença, indesejada por muitos, só esteve na escola para falar mal da professora Osmarina. Se seu candidato vencer, muitos professores sairão da escola, mas a possibilidade de vencer é mínima, quase zero.

Com a vitória do prof. Valdir - torço por isso -, que boas ideias sejam colocadas, que favorecimentos pessoais não existam e que o desejo de trabalhar sempre mais e melhor transforme a vida de nossos alunos.

Um dos sentidos da vida é melhorar a vida de nosso semelhante, no caso, por meio da educação.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Entre os tomates e os ovos da democracia escolar


Quem está na linha de frente da educação sabe o quanto é muito difícil edificar a ordem e a disciplina para obter qualidade de ensino em uma escola pública.

Na escola HMM, esse processo iniciou-se há quatro anos: a vitória da professora Osmarina melhorou as condições de trabalho. Entretanto, uma maioria de professores rejeitou seu nome conforme uma prévia eleitoral. Colocar uma escola pública para trabalhar cria antipatias.

Hoje, vivemos uma situação absurda na "democracia escolar", algo insólito, porque as razões que levam funcionários a votar relacionam-se ao religioso, ou seja, se o candidato é evangélico, ele receberá votos. A condição, portanto, se reduz à "irmandade da fé" ou a um deus [pessoal] que deve guiar a escola.

Políticos e sindicalistas são os únicos responsáveis por essa "democracia escolar". Por causa deles, a escola transformou-se em feira, em tumulto, em espaço doente para o bom debate de ideias.

Na HMM, candidato entra em sala para só falar mal da gestora Osmarina, com o único propósito de desmoralizar quem, na verdade, nunca desmoralizou a escola, muito pelo contrário.

Eu me envolvo porque, em minhas veias, não corre o sangue da indiferença. Onde eu leciono, dedico-me para que a escola seja sempre melhor, primeiro, para os alunos. No entanto, não é essa "democracia" que eu queria ver.

Penso que deveria haver eleição para candidato qualificar o ensino, ou seja, o coordenador deveria ser eleito para somente imprimir na escola ordem, disciplina, qualidade. Como se trata de uma função técnica, a eleição também deveria ter caráter técnico: professores votam em professores.

Para ser candidato a coordenador, critérios profissionais e pessoais. Para administrar a escola, um administrador concursado e formado em administração.


Enquanto isso não ocorre, evangélicos não votam em kardecista, alunos votam no professor simpático e professores são protagonistas de uma feira em que tomates e ovos são jogados contra os colegas de trabalho.      

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Osmarina não é mais candidata




Houve este acordo entre os professores e a direção da escola HMM: quem perder na prévia apoia quem vence. A gestora Osmarina Catarina Montrezol perdeu, não é mais candidata. Sua palavra, portanto, cumprida.

Quando os funcionários souberam do resultado da prévia, alguns riram de Osmarina. Como rir de alguém não deveria fazer parte da "democracia escolar", a atual gestora tomará conta da família dela ou será convidada a trabalhar na Secretaria de Educação.

Parte do acordo realizado, os professores da escola HMM deverão cumprir a outra parte, qual seja, apoiar o prof. Valdir em nome da unidade numérica da escola. 

A hora e a vez do prof. Valdir

Se vencer a eleição, o desafio do prof. Valdir é ser melhor do que a gestão passada, corrigindo erros de sua antecessora, mantendo o que deu certo e realizar o que não foi realizado.


Embora eu vote nele, isso não significa isentá-lo de críticas neste blogue. Se houver "desgoverno" na escola, não permanecerei indiferente a quem deve imprimir qualidade de ensino, ordem e disciplina.

A unidade escolar foi mantida, ou seja, a escola possui um único nome agora. Evitou-se a divisão interna. Nada mais justo do que votar em quem trabalha conosco todo dia. 

Boas palavras

Gregório Dantas Mendes deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A um anônimo": 

"Com a abertura democrática achou-se que liberdade era fazer tudo o que se tivesse em mente. Principalmente na escola, alguns gurus da pedagogia inverteram, corromperam, o sentido de liberdade. Liberdade é uma conquista do ser, um ser que respeita as liberdades porque ama a sua. A liberdade não é desregrada, não é desrespeito, desordem. Salve os que lutam pela liberdade e que sabem que a ordem é seu alicerce."

Gregório, o Sinteac é um dos responsáveis por esse modelo de democracia escolar. Quem o vive na escola sabe o quanto ela, a democracia, é nociva ao mérito, ao bom senso e à qualidade de ensino.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Resultado da prévia e outras falas


Hoje, no final da tarde, dois funcionários e dois professores contaram os votos da prévia eleitoral da escola Heloísa Mourão Marques:

1) Prof. Valdir obteve 14 votos dos professores e 11 dos funcionários;

2) Profª Osmarina obteve 12 votos dos professores e 9 dos funcionário; e

3) Profª Maria Célia não obteve voto dos professores e obteve 1 dos funcionários.


Muitas vezes, eu disse à professora-gestora Osmarina submeter sua direção a uma pesquisa anual a fim de saber o que a escola pensava sobre sua administração. Em vão.


Durante quatro anos, a escola HMM se transformou; porém, segundo essa prévia, uma maioria rejeitou essa transformação. Muitos funcionários rejeitam o nome Osmarina, mas rejeitam no silêncio do voto e não no campo aberto das ideias.

Eu penso que, em nossa escola, prevalece não o debate caloroso de ideias, mas a simpatia ou a antipatia por alguém dizer de uma forma e não de outra. Não só isso. Funcionário público precisa ser agradado. Osmarina desagrada.
          
Prefiro uma gestora antipática e verdadeira a uma gestora sorridente e cínica.

Com esse resultado, penso que Osmarina não irá retirar sua candidatura, como outros também não retirariam se o resultado fosse outro.

A escola, infelizmente, está repartida por interesses que não são claros para qualificar o ensino. Não queria que fosse assim. Não queria. Penso que alguém deveria recuar, deixar para depois o seu desejo de ser gestor, porque existe idade para isso. Não será, entretanto, assim: o espaço "confortável" de poder seduz.

Sendo assim, diante de uma conta que nos divide, que divide a escola, não sei me subtrair e não sei ser calculista. A frieza pertence aos cadáveres.

Não vivo à busca de pessoas simpáticas. Não busco pessoas com palavrinhas mansas e agradáveis a todos. Busco quem diz no olho o que eu às vezes não quero ouvir. Busco a antipática que nunca perseguiu quem trabalha e que peita quem é vagabundo na escola. Busco quem não tem duas caras. Busco quem trilhou um longo caminho para ser gestora. Busco a firmeza de um caráter embora  tenha sido chamada de grosseira tantas vezes. Busco a inteligência  de quem pensou, primeiro, na escola e, depois, na escola.

Se é para dividir a escola, não me separo de Osmarina.

quarta-feira, novembro 30, 2011

A um anônimo

Um anônimo escreveu: "Professor Aldo, por que tu não se candidatou pra ser o Diretor do HMM? Queria vê como que ficariamos com os uniformes do tempo da Ditadura Militar! (rsrs). Abraços!"
___________________________________________________

Antes de você questionar a minha compreensão de ordem escolar, coloque, primeiro, suas palavras conforme a ordem gramatical.


Mas como eu sei que vc não colocará na devida ordem, digo-lhe o seguinte: se não houver ordem, não há qualidade de ensino. E ditadura militar não tem nada a ver com ordem; tem a ver com opressão.

Ordem não significa impor ou mandar; ordem significa, por exemplo, acolher a escola como autoridade responsável pela educação.

Se não houver essa ordem, se cada um faz o que quer em uma escola pública, a Polícia Militar pode ser chamada para impor a sua ordem. Se a escola não tem a ordem para educar, a Polícia Militar tem a ordem para impor limites.

terça-feira, novembro 29, 2011

Eleição na escola HMM

Em uma das últimas reuniões dos professores, aprovou-se que haveria uma prévia eleitoral na escola. Assim, quem perdesse sairia da disputa para apoiar o candidato vencedor da prévia.

Como ocorreu na última eleição, a prévia foi uma forma encontrada para não fazer da "democracia escolar" um momento deselegante de interesses pessoais. Evitam-se os desgastes da ofensas, os planos pessoais, as vaidades por um micropoder.

A prévia antecipa o resultado da eleição. Se antecipa, podemos evitar divisões internas na escola, podemos evitar que a escola se transforme em uma feira.

Com antecipação, o corpo docente deve preservar a escola pública em torno de um nome legitimado pelos professores, pelos funcionários e pelos alunos por meio, repito, da prévia.

Na quinta-feira, haverá a prévia da manhã e da tarde. Quem vencer permanece e quem perder retira o nome. Houve um acordo entre os professores, que ele, pois, seja mantido.

Caso contrário...





 

sexta-feira, novembro 11, 2011

Mais verba significa mais qualidade?



Aldo Nascimento 
Economista, Gustavo Ioschpe é um dos bons nomes que pensam a educação brasileira. Neste mês, dia 12, ele
escreveu o seguinte título na revista Veja: “O rombo da educação é o cabide de empregos de 46 bilhões de reais”.

Esse artigo inteligente de Ioschpe se opõe à visão míope e à mente obtusa de alguns políticos que defendem mais recursos para as escolas públicas porque, para eles, a qualidade de ensino resulta do volume maior de verba. Afirmar que mais recurso para a educação pública qualifica o ensino, por exemplo, o de Literatura-Língua Portuguesa, nunca foi cálculo exato, correto.  

Eles, por outro lado, jamais falam do excesso de funcionário na rede pública de ensino. Em países desenvolvidos, há 706 mil funcionários públicos na educação. No Brasil, são 2,4 milhões. Nessas nações, há um funcionário para cada dois professores. Nesta terra, mãe gentil, a relação é maior quase três vezes e meia. 

Com esses números, o contribuinte sustenta 1,7 milhão de pessoas excedentes no sistema educacional, gastando 46 bilhões de reais (1,3% do PIB) a cada 365 dias. “Ambos os dados estão disponíveis no
Education at a Glance, e o cálculo completo está disponível em meu Twitter”, indica o economista em seu artigo.

E se não houvesse esse excedente na educação? Bem, se não existisse, a remuneração dos professores aumentaria 73%, isto é, passaria para uma média de R$ 3,906 mil mensais.

Com esse salário, o ensino seria melhor? Não, porque o constante aumento em dez anos foi acompanhado por estagnação. “Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foram piores em 2007, último ano disponível, do que em 1997”, compara Gustavo Ioschpe. Mais dinheiro na escola pública não fará com que alunos escrevam melhor nas aulas de Língua Portuguesa.

Para a qualidade acontecer, o articulista da
Veja destaca: 1) reformular os cursos universitários de formação de professores; 2) profissionalizar a gestão das escolas; 3) adotar um currículo nacional; 4) permitir a criação de novas modalidades no ensino médio; 5) melhorar o material didático; e 6) cobrar a utilização de práticas de sala de aula comprovadamente eficazes.

Item dois, gestão escolar. Em Rio Branco, péssimas gestões escolares têm sido um problema que a imprensa permanece indiferente e que o governo, há 12 anos, não soluciona. O professor foi bem avaliado pela prova da Secretaria de Educação; porém, depois de eleito pela doente democracia escolar, não ocorreu a boa administração, porque a atual democracia da rede pública de ensino é muito falha.

Quando o assunto é gestão escolar, a política local cala-se embora uma escola bem administrada contribua para qualificar o ensino de Língua Portuguesa. No lugar de defender o bom senso entre qualidade e ensino, sai da boca do político a doença
verborréia, expelindo uma secreção que infecta o bom senso: mais dinheiro significa qualidade de ensino.

            

segunda-feira, outubro 31, 2011

Obrigado!

Há momentos em que o desânimo cai sobre mim como âncora. Mas sei que é só momento, nada mais do que momento.

Hoje, recebi de longe uma mensagem de ex-aluno. Suas palavra animam esse desejo inquieto de lecionar, ainda. Ainda.

Olá, caro professor! É com orgulho que escrevo a você. Fui seu aluno no segundo ano do ensino médio, na escola HMM. Caro professor, você leu "Werther", de Goethe. Fiquei maravilhado por conhecer a literatura estrangeira. Pra mim, o melhor professor que eu tive na área foi o senhor. Hoje, eu faço Biblioteconomia no estado de Rondônia. Pretendo voltar ao Acre, ser gestor de biblioteca e encarar de frente este desafio, de fazer novos leitores. Caro professor, continue assim, sua metodologia deu certo. Obrigado!

Só quem foi ou é meu aluno pode falar bem ou mal de mim. 

quinta-feira, outubro 27, 2011

O futuro é hoje


Quando adolescente, a ditadura militar propagava "o Brasil é o país do futuro". Quem sabe do futuro são empresas como a Microsoft ou homens como Steve Jobs.

Sempre sinto o futuro em meus dedos quando toco na tela de meu samartphone. Algo mágico, uma harmonia entre beleza e funcionamento.

No entanto, quando entro em sala para lecionar, recuo no tempo, presencio um passado que permanece morto-vivo.

Sim, o futuro, eu vejo, é hoje, mas a escola é de ontem.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Onde ler?

De Aldo Nascimento, publicado no jornal "O Rio Branco", na coluna Ler.

A palavra ler, como muitas palavras, provem da cultura rural, dos hábitos agrários: o ato de escolher os grãos de um cereal era o ato de ler. Se separarmos a raiz “leg” da palavra latina “legere”, encontraremos essa mesma raiz em eleger. Em português, “leg” transformou-se em “l(e)”, da palavra lei; transformou-se em “lh(e)”, da palavra colheita; transformou-se em “le.ç”, da palavra seleção; e transformou-se em “lei.t”, das palavras leitor, eleitor. “Leg” também surge sob a forma apofônica “lig”, que está na palavra inteligente. A palavra colega, por mais que possa soar estranho, significa “quem lê junto”.

           
O que significa, afinal, ler? Como escrevi no início, o ato de escolher os grãos de um cereal era o ato de ler, ou seja, ler significa escolher, selecionar – ora, quem escolhe (ou quem sabe ler bem) jamais escolhe o pior. Mas entendamos que, se ler é “escolher o melhor”, isso quer dizer que o melhor nos aproxima do outro. De um cereal, separamos (ou lemos) os melhores grãos dos piores não só por serem os melhores – óbvio! - que nos alimentarão, mas porque, quando servidos, os melhores grãos unirão os comensais à mesa. O melhor, portanto, nos aproxima. Porque cria repulsa, o pior nos afasta.

Antes de ler, porém, é preciso haver o espaço selecionado para a leitura, por isso esta pergunta: onde ler “O Pequeno Príncipe”? O ato da leitura exige conforto, por exemplo, o conforto do silêncio. A temperatura deve ser agradável, entre 20º e 25º. O leitor deve estar prazerosamente acomodado em um ambiente que o faça se sentir separado dos ruídos e dos desconfortos da rua.

Centro de Rio Branco. Na Biblioteca Estadual, segundo piso, encontra-se o conforto do leitor infantil: paz, temperatura agradável, acentos confortáveis, silêncio, tudo selecionado para que o lugar da leitura seja aprazível. Entretanto, na escola, a sala de aula se nega a espaço de deleite, de aprazimento. Muito longe de ser oásis de leitura, o chão de uma sala é infecundo para a abertura de bons livros. Entre suas quatro paredes, não há o conforto do silêncio, muito menos temperatura agradável e acentos confortáveis. Porque cria repulsa, a sala de aula nos afasta do ato de ler.

Uma estrada rasga a floresta. Um viaduto se ergue sobre casas. Milhões de reais gastos com o que o discurso político chama de progresso e de desenvolvimento. Ler, no entanto, nunca representou em propagandas de governos a grandeza cultural de um povo, por isso a sala de aula vale menos do que estradas e viadutos, por isso a sala de aula é esse lugar desinteressante e desagradabilíssimo para ler Ruth Rocha, Ziraldo, Carlos Eduardo Novaes, Fernanda Lopes de Almeida.

O que pensar de escolas que, inadequadas à leitura, roubam de seus alunos a paixão pelos livros? Pela editora Casa da Palavra, os organizadores Júlio Silveira e Martha Ribas publicaram “A Paixão pelos Livros”, páginas simples e repletas de ternura pelo ato de ler. Drummond, Flaubert, Caetano Veloso, Montaigne são alguns nomes que pensam o gesto da ler, que é separar o melhor grão do pior, de preferência, em um lugar agradável.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Grandes descobertas científicas


1. Se você ficar gritando por oito anos, sete meses e cinco dias, terá produzido energia sonora suficiente para aquecer uma xícara de café.
(Não parece valer a pena.)

2. Se você peidar constantemente durante seis anos e nove meses, terá produzido gás suficiente para criar a energia de uma bomba atômica.
(Agora sim!)

3. O coração humano produz pressão suficiente para jorrar o sangue para fora do corpo a uma distância de dez metros.
(Uau!)

4. O orgasmo de um porco dura trinta minutos.
(Por que a natureza foi tão generosa logo com o porco?)

5. Uma barata pode sobreviver nove dias sem sua cabeça até morrer de fome.
(Ainda não consegui esquecer o porco)

6. Bater a sua cabeça contra a parede continuamente gasta em média cento e cinquenta calorias por hora.
(Não tente isso em casa; talvez no trabalho!)

7. O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo. A fêmea inicia o ato sexual arrancando-lhe a cabeça.
('Taí a origem do ditado: perde-se a cabeça por um bom ...')

8. A pulga pode pular até trezentas e cinquenta vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol.
(Trinta minutos...que porco sortudo! Dá pra imaginar?)

9. O bagre tem mais de vinte e sete mil papilas gustativas.
(O que é que pode haver de tão saboroso no fundo de um rio?)

10. Alguns leões se acasalam até cinquenta vezes em um dia.
(Ainda prefiro o porco... qualidade é melhor que quantidade!)

11. As borboletas sentem o gosto com os pés.
(Isso eu sempre quis saber... Quando uma borboleta pousa na gente, está experimentando o gosto? Vou tomar mais cuidado com esses insetos!)

12. O músculo mais forte do corpo é a língua.
(Hummmmmmmm... e provavelmente a língua das mulheres é mais forte que a dos homens...rs)

13. Pessoas destras vivem em média nove anos mais do que as canhotas.
(E se a pessoa for ambidestra?)

14. Elefantes são os únicos animais que não conseguem pular.
(E é melhor que seja assim!)

15. A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra.
(E alguém foi pago para descobrir isso?!)

16. O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro.
(Conheço gente assim)

17. Estrelas-do-mar não têm cérebros.
(Conheço gente assim também)

18. Ursos polares são canhotos.
(Se eles começarem a usar a mão direita, viverão mais)

19. Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer.
(Sei...E aquele porco???)

20. Agora que você já deu pelo menos uma risadinha, é hora de mandar esses fatos malucos para alguém que mereça rir também, ou seja... TODO MUNDO!



Não consigo esquecer aquele porco..rsrsrsrs..