quarta-feira, julho 29, 2009
terça-feira, julho 28, 2009
E a auditoria no Sinplac?
Como filiado que paga ao sindicato, eu deveria saber o que ocorre com o (meu) dinheiro administrado. Não submeter o Sinplac a uma auditoria é cair no mesmo erro do Sinteac. Luziele, nesse sentido, não aponta um caminho novo, reproduz o mesmo engano.
A eleição está marcada para 30 de setembro.
domingo, julho 26, 2009
O exibicionismo de uma classe social
Fotos de Debora Mangrich
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Por essa avenida, jamais assistiremos ao desfile do seringueiro. Em seu lugar, o pecuarista, o dono da festa, atravessa Chico Mendes com seus cavalos, caminhões, quadriciclos e caminhonetes em nome de uma festa que não é popular, por isso o povo humilde, à margem da avenida, só assiste à opulência daqueles que ostentam poder. Pobre não desfila a cavalo.
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Quem conhece a avenida Chico Mendes sabe que se trata de um corredor de bairros periféricos e, justamente através desse corredor, os ricos pavoneiam-se com seus chapéus caros, suas botas de couro, suas calças bem-justas com seus cintos de cowboy. O pecuarista é country. Ele não tem nem o linguajar do homem do interior acriano.
Nesse momento, à margem da avenida, os pobres do Taquari não desejam justiça social, mas tão-somente o desejo (reprimido) de consumir a moda country. Ricos não só exploram - seduzem. Por causa disso - e mais -, não existe a Expo-Acre do seringueiro e, se não existe, ele não desfila na avenida Chico Mendes. O seringuerio não tem nada para mostrar, a não ser o seu museu, seu túmulo.
Muitos podem ver a Expo-Acre como uma festa - o deputado Moisés Dinis (PC do B) a viu, por exemplo, como festa popular -, mas eu a vejo com o lugar onde se sepulta um outro mundo rural - o do caipira, imagem oposta à do homem cowboy.
Em Xapuri, porque o gado se alimenta em reserva extrativista, os ideais de Chico Mendes pastam em uma reserva que leva seu nome. A festa do boi de rodeio não deixa de ser menos nociva do que um gado em uma reserva, porque, por meio dessa festa, o pecuarista country, sabemos, não derruba a floresta, mas substitui o homem rural caipira pelo homem rural das botas de couro, das calças com cinto e fivela, da música das duplas sertanejas.
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A Expo-Acre é um processo de aculturação do homem simples do interior, uma forma alegre de se esquecer do caipira.
sábado, julho 25, 2009
"Feche a matraca, Carioca!"

Deputada comunista manda
Carioca (PT) fechar a matraca
Texto de Gleiciane Cunha
"Está na hora dele fechar a matraca e falar apenas do que conhece, porque de Cruzeiro do Sul esse nosso amigo não conhece nada", declarou ao jornalista Mariano Maciel, em entrevista nessa quinta-feira, a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Ela referia-se ao assessor do governo estadual, Nepomuceno Carioca.
Ele teria dito a um jornal de Rio Branco que "não há estado de direito em Cruzeiro do Sul", segundo o assessor "o Partido dos Trabalhadores sofre represálias no município, porque cobra dos comerciantes o imposto devido".
"As pessoas precisam conhecer melhor Cruzeiro do Sul. Saber como os empresários de lá dão duro, e a população se esforça para que a cidade evolua", disse. Perpétua lembra que "há algum tempo uma deputada do PT (Naluh Gouveia) disse que na região de Cruzeiro do Sul a droga corria solta, e que as pessoas enriqueciam a custa de (venda) de drogas". Indignada ela conta que "dessa vez também um dirigente do PT diz que no município não existe estado de direito. Acho isso um absurdo" afirma a deputada.
Para a parlamentar, a cidade não pode ser avaliada mediante aos fatos que ocorrem com algumas pessoas. "Porque um ou outro têm problema com a justiça, não se pode achar que todos têm o mesmo problema". Na sua opinião, a declaração de Carioca é uma falta de respeito, porque, segundo avalia, "aquela região tem um povo batalhador, que vive em uma área isolada do estado do Acre e até do país, e que luta para sobreviver e sustentar seus filhos".
Perpétua garante que a opinião de Carioca não é a mesma da Frente Popular (união de partidos que apóiam o governo estadual). "Esse cidadão deveria vir a público pedir desculpa às pessoas, e falar apenas do que conhece. Estamos todos unidos para melhorar Cruzeiro do Sul. O que queremos é unir esse estado de ponta a ponta", finaliza. De acordo com a comunista, a conclusão da estrada (referindo-se a BR-364) que liga Cruzeiro do Sul a capital, está prevista para 2010.
sexta-feira, julho 24, 2009
A turma A fora da pauta sindical
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40.
Quarenta alunos. Eu disse, 40. Em uma sala de aula, QUARENTA jovens. Em 2010, com o fim da semestralidade, teremos 40 multiplicado por 4 turmas, ou seja, 160 alunos. Há também multiplicação por 5, total , 200 alunos. Contemos.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118, 119, 120, 121, 122, 123, 124, 125, 126, 127, 128, 129, 130, 131, 132, 133, 134, 135, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 142, 143, 144, 145, 146, 147, 148, 149, 150, 151, 152, 153, 154, 155, 156, 157, 158, 159, 160, 161. 162, 163, 164, 165, 166, 167, 168, 169, 170, 171, 172, 173, 174, 175, 176, 177, 178, 179, 180, 181, 182, 183, 184, 185, 186, 187, 188, 189, 190, 191, 192, 193, 194, 195, 196, 197, 198, 199 e 200.
Imagine esses números transformados em estudantes entre 14 e 18 anos. Imagine ainda o professor de Português corrigindo 200 redações em um domingo, em sua casa. É possível haver qualidade de ensino (escrever) com esses números?
Sinteac & Sinplac nunca colocaram em suas pautas 15 ou 20 alunos por sala, por quê?
Professores, subvertamos a ordem injusta imposta pelo poder, declarando a impossibilidade de lecionar Produção de Texto em sala por causa de 40 x 5= 200. A máquina deseja nos moer.
Professores de Língua Portuguesa, uni-vos!
Do Anônimo
Professor quero parabenizá pelo o seu blog. Espero que este canal de comunicação possa nos ajudar a desvendar o ministério da compra de um terreno pelo SINPLAC no valor R$ 80.000,00 sem o conhecimento e sem a autorização dos filiados, num local inadequado e fora do valor de mercado. Nos ajude a desvendar esse mistério.
Se isso for verdade, os filiados devem exigir que a atual presidente, antes de deixar seu cargo, submeta o sindicato a uma auditoria para que os verdadeiros números apareçam.
Por falar nisso, onde fica esse terreno?
quinta-feira, julho 23, 2009
Progresso

quarta-feira, julho 22, 2009
O panfleto do Sinplac
Não sou de ir a assembleias de sindicato. Às do Sinplac, poucas vezes. Se houvesse um encontro amplo sobre jornalismo sindical, o Sinplac teria minha presença para ouvir e sugerir ideias.
A questão, entretanto, é que jamais irei porque o Sinplac é incapaz de perceber a importância desse assunto.
Como não percebe, limita-se a gastar dinheiro (meu) com panfletos esporádicos. Como sabemos, por sua natureza, o panfleto apequena o jornalismo sindical.
Segundo a contabilidade do Sinplac, verba existe, o que não existe é ideia para formar uma equipe (muito criativa) e equidistante do aparelho sindical.
Criticam tanto o governo, mas falta autocrítica para novos caminhos esse jornalismo.
segunda-feira, julho 20, 2009
A entrevista do Carioca
Quando vi esse acriano se expressando, logo percebi que eu estava diante de um petista arrogante, vaidoso, pedante, ou seja, diante de um ser político interessante. Ele tem suas falhas, mas bate um bolão por ser muito ético.Hoje, mais velho, ele não perdeu o charme de ser um exímio provocador. Diante dele, a oposição e os sindicalistas não passam de Pateta.

Por causa de uma parte da entrevista, a oposição na Assembléia Legislativa espalha que Carioca falou contra o povo sul-cruzeirense. Sempre o apelo sentimentalesco.
Como me considero uma pessoa um pouco alfabetizada, Carioca afirmou na entrevista que, em 1999, comerciantes de Cruzeiro do Sul pagavam menos imposto à prefeitura do que o supermercado Araújo arrecadava. Ele disse comerciantes, não o povo.
Ele citou o exemplo dos taxistas. Impostos, eles não pagam à prefeitura. Em Cruzeiro do Sul, táxi não tem taxímetro.
Carioca, na entrevista, não fala contra acrianos humildes de Cruzeiro do Sul- é só ler o texto -, mas contra os que possuem poder econômico e político, contra os que não pagam impostos.
Não desvie a conversa, oposição.
sexta-feira, julho 17, 2009
O senador e este blogue
Escrito pelo assessor do senador Tião Viana (PT), jornalista Tião Maia, o texto é uma consequencia do que escrevi neste blogue sobre "a conta mexicana de telefone" e sobre "a entrevista do senador na revista Veja".
O senador reconheceu seu erro - e isso é nobre. O senador José Sarney não admitiu um só, e olha que são muito mais graves. Quando vejo um Sarney ainda no Senado como se fosse imortal, compreendo que o jogo político ultrapassa o maniqueísmo do P-SoL. No poder, o PT não pôde ser maniqueísta, mas é preciso haver limites. Não pode ser refém de um vale-tudo.
Na Veja, o senador, bem mais do que criticar o vale-tudo do presidente Lula, publicou sua autocrítica, o PT olhou para si mesmo. Isso falta às vezes no PT acriano e na Frente Popular. No campo educacional, por exemplo, o PT acriano não promove grandes encontros com a sociedade civil ou com os atores da educação. Em termos de imprensa, o PT não deixou a marca da diferença, usando-a apenas como propaganda para suas realizações.
Não senti em meu estômago aquele Acre do "Sopão enche o Bucho", mas muitos pobres comeram aquela gororoba. Quando posso, meus olhos visitam jornais antigos. Em minha casa, guardo muitos.
O PT não distribui sopão, tudo bem, porém outros erros. Um deles: pensão vitalícia para ex-governadores. Sobre isso, um silêncio. Embora reconheça isso e outras coisas, ainda sim, opto pelo PT nas próximas eleições. Não gosto de sopão. Não gosto desse passado.
Contradição não é erro.
Abaixo, o texto do assessor do senador Tião Viana.
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Professor Aldo Nascimento;
De ordem do excelentíssimo senhor Senador Tião Viana (PT-AC), venho, por este, manifestar sinceros agradecimentos por seu comentário, no Blog que leva sua assinatura, em texto datado de sete de julho de 2009, no qual Vossa Senhoria, ainda que tecendo críticas sobre possíveis erros de Sua Excelência, manifesta pubicamente preferência pelo nome do Senador numa eventual disputa para o Governo do Estado nas eleições do ano que vem. Embora o debate sobre o assunto não tenha sido aberto, principalmente no âmbito próprio, o Partido dos Trabalhadores, o senador manifesta alegria por declarações como aquela sobretudo por reconhecer tratar-se de uma manifestação de um profissional conhecedor da realidade local e nacional, e por isso, em caso de vir a ser de fato o candidato ao Governo, espera poder continuar contando com sua lucidez e solidariedade nas lutas por um Acre melhor para todos quantos amamos este lugar e sua gente. No mais, um forte abraço e nos colocamos à disposição no endereço seguinte: Travessa Guaporé, número 67, Bairro da Cerâmica, com o telefone 3226-5607.
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quarta-feira, julho 15, 2009
terça-feira, julho 14, 2009
Em defesa de Brasiléia
Segundo a nova ortografia, palavras paroxítonas com ditongos (-ei) e (-oi) não são mais acentuadas, por exemplo, ideia, diarreia, paranoico, Brasileia. Sem esse acento, Brasileia não será a mesma, seu povo perderá sua identidade, sua história.
Apresentarei um documento ao professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, para expor a importância social, política, cultural e econômica do acento ( ´ ) em Brasiléia.
domingo, julho 12, 2009
O índio em Mâncio Lima
é em sala de aula para que próximas gerações possam reutilizá-lo
LUIZA BANDEIRA
ENVIADA ESPECIAL A MÂNCIO LIMA (AC)
Parecem intermináveis os 30 segundos em que Railda Manaitá, 79, interrompe a conversa para tentar lembrar, em silêncio, como se diz "bananeira" em poianaua. Para qualquer um, seria um "branco" trivial. Mas, quando uma língua tem só três falantes, uma palavra esquecida é mais do que isso.
Railda olha para cima e se concentra. A insistência traduz o espírito dos poianauas: em um esforço conjunto, o grupo indígena tenta recuperar um idioma que foi proibido há quase cem anos e resgatar, com isso, uma identidade que parecia perdida.
A tarefa é árdua. Até hoje, a única história conhecida de língua que ressurgiu é a do hebraico, que perdeu seu uso durante a diáspora judaica e ficou restrito às cerimônias religiosas por cerca de 1.800 anos. Foi recriado como língua oficial em Israel.
O poianaua começou a desaparecer por volta de 1910, quando os índios foram sequestrados e escravizados na extração de borracha. A primeira providência dos seringalistas foi proibir o uso do idioma indígena e criar uma escola para que todos aprendessem o português.
Quem falava poianaua era castigado. Tinha os olhos furados, dentes e unhas arrancados e era açoitado, de acordo com o linguista Aldir de Paula, da Universidade Federal de Alagoas. "Os patrões foram inteligentes. É pela língua que existe controle social", diz.
Nos últimos 20 anos, morreram quase todos os falantes da língua, que eram crianças à época do contato. Após a escravização, os índios passaram a ter vergonha do idioma, que ficou quase esquecido.
Hoje, os cerca de 500 índios poianauas vivem onde funcionava a fazenda, em Mâncio Lima (AC), quase na fronteira com o Peru. Quem ainda fala a língua aprendeu escondido: além de Railda, seu irmão, Luiz Manaitá, 85, e o ex-cacique Mario Puyanawa, 65. Mas Railda é a única que ainda é fluente na língua.
DesobediênciaCriança nos anos de maior repressão, ela só lembra de ouvir falar na proibição uma vez. "Mas minha mãe não obedecia." Em casa, longe dos olhos dos patrões, Joana Manaitá continuava a falar poianaua. Foi devido a essa desobediência da mãe que ela e o irmão, Luiz, aprenderam o idioma.
Railda aprendeu a falar observando os mais velhos. Pegou os parentes de surpresa. "Ela vai falar nossa língua", comemoraram quando pronunciou as primeiras palavras, conta Railda, repetindo a frase em poianaua.
Mas a transmissão cessou aí. Nenhum filho de Railda aprendeu a língua. A neta Joana, 31, diz que não aprendeu porque, quando era criança, a identidade indígena não era valorizada. "A gente sabia que era índio, mas isso não mudava nada. Ninguém queria aprender poianaua".
Foi somente com o início do processo de demarcação da terra que a cultura poianaua começou a ser valorizada. Em 2002, um ano após o reconhecimento pela Funai [Fundação Nacional do Índio], a escola local passou a se chamar Escola Estadual Ixubãy Rabuy Puyanawa e adotou um modelo de ensino que valoriza a cultura indígena.A partir daí, o local criado para destruir o poianaua se tornou o principal foco de resistência à extinção do idioma.
A escola vai do ensino infantil ao médio. Todas as manhãs, os 232 alunos respondem à chamada em poianaua e dançam músicas indígenas. Eles aprendem nomes de animais, de partes do corpo, números e frases simples em poianaua.
O conteúdo das disciplinas é traduzido pelo professor Samuel Puyanawa, filho de Mario, de quem herdou um caderno com anotações em poianaua. Nas aulas de matemática, por exemplo, os nomes dos números são ensinados também em poianaua.
Mas, apesar do esforço, os resultados ainda são limitados. Nenhum aluno consegue manter um diálogo na língua. Uma gramática está sendo produzida, mas o sucesso do projeto dos poianauas ainda depende de Railda. Só ela sabe, por exemplo, a entonação das palavras.
ComplexidadeMorador da aldeia, Jósimo Constante, 20, fala inglês e espanhol e tenta aprender o poianaua. "Mas a lógica é bem mais complicada". A complicação à qual se refere é reflexo de um sistema linguístico que traduz uma forma diferente de enxergar o mundo. São essas riquezas, escondidas na diversidade dos idiomas, que desaparecem quando morrem as línguas. No poianaua, por exemplo, existem quatro formas diferentes de falar "nós": uma que inclui somente o interlocutor, outra para um grupo que não o inclui, uma terceira que inclui o interlocutor e todos os presentes e uma que significa todos os seres, todas as criaturas.
Tantas palavras para "nós" são reflexo da importância do coletivo para a etnia. "Eles fizeram várias assembleias até decidir escrever a língua e ensiná-la na escola. Levou muito tempo", diz a pedagoga Maristela Walker, da Universidade Federal do Acre.
Os poianauas sabem que também vai levar muito tempo até o projeto de recuperação dar resultado. Como os pais não falam, as crianças não têm como usar o conhecimento adquirido na escola em casa. Por isso, ninguém espera que os alunos comecem a falar a língua naturalmente.
"A ideia é que eles cresçam e ensinem o idioma para os filhos", diz a diretora da escola, Olinda dos Santos, 49.Mas paciência não parece ser problema para os poianauas. Depois de intermináveis segundos, Railda Manaitá lembra da palavra: "xiku", diz, aliviada. E volta a contar suas histórias.
Espetáculo da depressão

Maria Rita Kehl analisa os imperativos do consumo,
que negam ao sujeito o tempo necessário para se constituir
JURANDIR FREIRE COSTA
ESPECIAL PARA A FOLHA
"O Tempo e o Cão - A Atualidade das Depressões", de Maria Rita Kehl, é um livro empolgante. A leitura do trabalho é extremamente agradável, dada a qualidade literária da escrita da autora. Não se engane, entretanto, o leitor. A leveza do que é escrito é inversamente proporcional à densidade do que é dito. As numerosas referências conceituais mobilizadas e as hipóteses sustentadas exigem atenção e tempo para compreender. Portanto, qualquer resenha -inclusive esta- pode apenas fazer reverberar alguns aspectos da riqueza do tema abordado. É pouco, mas é o possível.
Maria Rita retomou o problema da depressão contemporânea pelo viés mais árduo: fazer [Jacques] Lacan dialogar com [Donald] Winnicott -dois herdeiros de Freud supostamente avessos um ao outro- e trazer a cultura para o interior da subjetividade. Como instrumento de análise, uma distinção nosológica e três grandes noções operativas: a distinção entre melancolia e depressão e as noções de gozo, tempo e vazio.
A descrição da melancolia, diz ela, permanece marcada pela tese freudiana da perda do objeto e do ataque ao próprio Eu, identificado em parte com o objeto perdido amado e odiado. Os sintomas melancólicos seriam, de um lado, a expressão da agressão ao Outro internalizado e, de outro, a resposta sintomática ao desinteresse do Outro pelo sujeito.
O fantasiado desinteresse é interpretado como sinal da vacuidade ou nulidade libidinal do indivíduo, donde a contrapartida do desinvestimento no mundo. O correlato cultural dessa organização psíquica seria o ethos da modernidade e da civilização burguesa oitocentista. A partir dos ensaios de Walter Benjamin sobre o barroco e sobre o mundo oitocentista de [Charles] Baudelaire, Maria Rita busca mostrar como a ordem socioeconômica reduplica, no nível simbólico, a vivência de superfluidade melancólica potencialmente inscrita em todos nós.
A depressão contemporânea é outra coisa. O deprimido, nesse caso, não sofre pela omissão do Outro, mas por sua intrusão. O protótipo desse tipo de trauma é a situação da mãe ansiosa ou obsessiva, que afoga o filho em cuidados constantes e excessivos. Como consequência, a criança não pode experimentar a falta -desilusão, na terminologia de Winnicott- que o leva a recriar na fantasia o objeto da carência, condição "sine qua non" da existência de seu desejo.
Assim, onde o desejo deveria advir, surge um arremedo de resistência ao gozo do Outro na forma passiva e reativa do esvaziamento de si. Essa predisposição se repete na etapa edipiana de rivalidade com o pai e redunda no retraimento do sujeito diante da vida pública ou privada. A montagem depressiva, assim, tem como premissa a onipresença do gozo do Outro, que sonega ao sujeito o tempo necessário à substituição metafórica ou metonímica do objeto ausente.
Tempo angustianteDe forma breve, faltou desilusão no passado; sobra desesperança no presente. Sem tempo para desejar, o sujeito se rende à louca injunção do supereu lacaniano: "Goza! Não goza!". Goza para não desejar; não goza para que o Outro goze. Essa é a alavanca que Maria Rita aciona para passar do registro pessoal ao registro cultural, pois os filhos do Outro invasivo são a versão psicanalítica do que [o pensador e cineasta francês] Guy Debord chamou de "filhos do espetáculo".
Na sociedade do espetáculo, o Outro da publicidade também assedia o sujeito com imagens da felicidade do consumo, sem deixar-lhe tempo para elaborar as perdas ou fruir os ganhos da vida. Mães atribuladas, pais privados de autoridade simbólica, sujeitos mesmerizados pelas promessas do estilo de vida drogado, todos vivem angustiadamente correndo contra o tempo ou paralisados na atemporalidade da depressão.
Em suma e em bom português, o tempo depressivo do espetáculo é, verdadeiramente, um tempo de cão. Como o tempo do filme "Corra, Lola, Corra" ou o de Jack Bauer [herói de série televisiva americana] e suas 24 horas. Contra isso, lembra Maria Rita, tempo é memória; memória é desejo e desejo é sujeito. Nem derrotista, nem ufanista, ela afirma que recobrar o direito ao tempo é restaurar a dignidade do desejo e a alegria de sentir que a vida vale a pena ser vivida. Pode-se pedir mais de uma psicanalista?
JURANDIR FREIRE COSTA é psicanalista e professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É autor de "História da Psiquiatria no Brasil" (ed. Garamond), entre outros livros.
O TEMPO E O CÃO
Autora: Maria Rita Kehl
Editora: Boitempo (tel. 0/xx/11/3875-7250)
Quanto: R$ 39 (304 págs.)
sábado, julho 11, 2009
A chave da Biblioteca Estadual
Marcado com bastante antecedência, meus alunos chegaram à Biblioteca Estadual às 9h50 para assitir ao filme Escritores da Liberdade. A película começaria às 10 horas. Quando as portas se abriram, o relógio marcava 10h50.
Durante uma hora, os alunos esperaram por um objeto importantíssimo: a chave. Uma hora à espera do responsável pela chave, sr. Tota.
Assisto a filmes com meus alunos desde 1998 e sempre com ajuda de Tonivan, excelente pessoa que trabalha na Biblioteca Estadual até hoje. Em todo esse tempo, 11 anos, Tonivan jamais deixou de abrir a porta na hora certa, época em que a filmoteca não era tão confortável como hoje.
Reformada, com ambiente semelhante à cinema, muito confortável, a filmoteca foi aberta uma hora depois, e tudo isso porque uma só pessoa é responsável pela chave. Inacreditável. De quem foi a ideia centralizadora de deixar a chave com uma pessoa que não aparece?
Se for para deixar com um funcionário, deixem com Tonivan.
quinta-feira, julho 09, 2009
Quem fará a autópsia do corpo sindical?
Quando surgiu o Sinplac, escrevi uma matéria no jornal Página 20 com 0 título "o fim do monopólio sindical". Na época, pensei que o hoje Sinplac fosse apontar novos rumos, mas os tolos vivem de ilusões. Enganei-me. Mulheres que sempre organizam o Sinplac cometem os mesmos erros dos homens sindicalistas. Elas também perderam o mouse da história.
Nietzsche disse que Deus está morto. Fukuyama afirmou que a história acabou. E os sindicalistas acrianos não sabem que o atual modelo sindical não passa de um cadáver. Quem fará a autópsia? quem terá coragem de tocar em suas vísceras? quem leverá esse corpo à análise?
Enquanto esse dia não chega, esse cadáver, que pensa estar vivo, assusta a inteligência de mortais.
Matéria de Freud Antunes
Trabalhadores da educação aceitam a proposta do governo
Os trabalhadores da educação aprovaram a proposta do governo do Estado na assembleia do final da tarde de ontem, no colégio estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Manoel Lima, a categoria aceitou o acordo, pois houve avanços nos quatro pontos que tinham sido contemplados em negociações anteriores, entre eles, o reajuste da área administrativa das escolas, ou seja, níveis 1 e 2.
“Conseguimos contemplar, também, os aposentados e os assessores pedagógicos, além da implantação do piso nacional de R$ 1.132 até para os professores temporários”, explicou o sindicalista.
Com o fim da mobilização trabalhista, os trabalhadores começam a receber os aumentos de forma retroativa, sendo a partir de 1º de janeiro para os professores que tenham apenas o nível médio e, a partir de junho, para o setor administrativo.
“O nível 2 terá os R$ 50 de abono, além de 5% de aumento e o reenquadramento em outra letra, tendo até o final do ano 15% a mais no salário, então a categoria está sendo contemplada”, afirmou Manoel Lima.
segunda-feira, julho 06, 2009
Para muito além do senso comum
Tales Ab'sáber não pasta. Retirei o texto dele do caderno Mais!. Boa leitura.
Ruínas do pop
Michael Jackson realizou em seu corpo, e levou ao limite, a lógica da indústria do entretenimento
TALES AB'SÁBER
ESPECIAL PARA A FOLHA
O mundo pop já conhece suas próprias ruínas. Toda ruína é semelhante na fisionomia, mas guarda uma história particular, perdida em suas lacunas.
A vida e a morte, e sua dança na dinâmica da vida pop -em que personalidade, expressão, imagem e mercadoria se imbricam de modo único-, já podem ser catalogadas em um conjunto de possibilidades, "topoi" existenciais dos que atuam no império da imagem espetacular.
Há muito se conhecem os suicídios desejados, atuados, da impossibilidade de sobreviver à contradição entre a arte e a negatividade social da crítica; o movimento da contracultura, moderno, versus o império do espetáculo e a imagem capital do ídolo, que se torna um reprodutor e também um responsável pelo sistema geral do fetichismo, do poder.
Os "war heroes" dos anos 1960 e 70 ou se mataram -Hendrix, Joplin, Morrison, Vicious- ou foram mortos, em um processo que revela a articulação de suicídio e assassinato, como o de Lennon; ou sobreviveram ao próprio suicídio protelado, como [Keith] Richards, ou [Eric] Clapton, ou o nosso Arnaldo Baptista; ou, ainda, aceitaram serem mortos simbolicamente ao reduzir o seu nível de conflito ao grau zero da mera reprodução do mundo como ele é.
O processo do apaziguamento histórico da ilusão de massas da contracultura foi muito violento, uma guerra simbólica, em que os ajustes foram feitos na carne e na vida, e à qual muitos não sobreviveram. A responsabilidade dessa violência foi totalmente transferida aos dionisíacos.
Michael Jackson representou outro modo de viver e de morrer no universo tanático dionisíaco do pop. Ele é um artista positivo, da afirmação do que existe, e da realização total desse próprio espaço social e histórico em seu corpo. Em primeiro lugar, tudo já foi dito sobre ele, e tocar outra vez no sistema explícito de suas formas e de seu dilema é simplesmente confirmar um clichê, uma reiteração do espetacular.
Mas, paradoxalmente, é este mesmo um dos aspectos mais importantes de sua forma humana e política: Jackson se transformou em um objeto de visibilidade total, ele passou a viver sob o signo daquilo que os psicanalistas chamam de "atuação", em uma escala de massas talvez jamais vista.
Isso quer dizer que apenas externalizando tudo o que sentia e vivia e passando ao ato, ao teatro da realidade exterior visível, o que portava em si, ele podia chegar a conhecer algo de si mesmo. Ao contrário de alguém que sonha, e preserva um ponto de mistério em seus sonhos, e uma relação de interioridade consigo mesmo, Jackson expulsava o sonho de si realizando-o na onipotência de seu lugar real de poder, no espetáculo e no dinheiro.
Zumbi
Sua atuação total dos anos 1980 e 90, seu espetáculo total, incluindo aí o próprio corpo, a ponto de virar uma coisa de si próprio, sinalizou mesmo a época de mudança do modo de orientar a subjetividade frente ao crescente poder do mercado e o falimentar valor da política: do humanismo do sujeito sonhador ao fetichismo e exibicionismo do psiquismo atuador, que busca se identificar com o poder crescente e total da coisa na cultura, a ação visível da própria forma mercadoria sobre os homens.
Seu sonho realizado, exposto ao voyeurismo desejante de milhões, totalmente projetado na realidade que o cercava, tornou-se de fato o pesadelo da regressão humana ao polimorfo perverso das origens de todos nós, metamorfoseado em espetáculo, hipervisível para todos, sem mais dimensão de intimidade ou interioridade.
Desde "Thriller" Jackson tornou-se o efeito especial por excelência, a imagem técnica da própria indústria atuando sem parar, encarnada.
O sonho foi acompanhado universalmente em tempo real.
Um travestismo total, estranhamente familiar, que invertia e suspendia o sentido de tudo: o bonito jovem negro tornou-se andrógino, mas também branco, não apenas Diana Ross, mas também Liz Taylor, mas também, à medida que envelhecia, tornou-se imune ao tempo, perpetuamente jovem, ou criança, mas também coisa, brinquedo, o próprio corpo da mercadoria, boneco do sonho pop americano, ou Barbie, que virou Chuck, ou ídolo pop que virou múmia, ou Michael Jackson que virou zumbi...
Este novo Frankenstein espetacular, que realizou em sua metamorfose milionária e sinistra o estatuto autoritário da técnica, do dinheiro e da mercadoria sobre o corpo humano e sobre as relações do sentido das coisas, acabou por virar, e revelar, o pesadelo americano e, se todos os seus consumidores contribuíram com seu gozo diante da degradação do jovem ídolo, no fim das contas Jackson simplesmente não poderia ser preso pela América, como deveria ter sido, quando passou a "devorar" criancinhas como em um conto de fadas bizarro, que vem do real.
Todos sabemos, e Michael Jackson teve a loucura (ou a sanidade?) de deixar isto explícito, que aquela criança linda que entrou para a indústria do espetáculo aos cinco anos de idade, com voz de "castrato" e o soul de Marvin Gaye, é que foi devorada pelo verdadeiro monstro do nosso tempo. Mas o seu próprio desejo também criou esse monstro.
No final dos anos 1960, quando os Jackson 5 assinavam seu contrato com a Motown, um outro gênio, de outra família da música negra e pop americana, Sly, com sua família Stone, cantava ironicamente aquilo que o lindo menininho Jackson, com seu canto e sua dança de fazer chorar, um dia representaria inteiramente, sacrificando a isso todo corpo e espírito: "All the plastic people" [Toda a gente de plástico].
O amor de Diana Ross por ele era ao mesmo tempo admiração pelo enorme talento da música negra e simples amor materno, numa preocupação limite sobre o destino humano daquele profissional bebê. Em 1989, Gilberto Gil sinalizava a conexão interior de transformismo, poder e morte, que todos intuímos no ídolo: "Bob Marley morreu/ Porque além de negro era judeu/ Michael Jackson ainda resiste/ Porque além de branco ficou triste".
Entre o menininho maravilhoso que foi invadido pela indústria tão radicalmente cedo e a coisa em si do espetáculo, e a cena perversa acompanhada por todos, do adulto que era pura visibilidade, temos a história da assimilação negra ao mercado e ao fetichismo industrial americano, que não se tornou libertária. Michael foi um verdadeiro cidadão Kane do momento avançado do capitalismo turbinado. De fato, um "cidadão quem?"; ou, melhor, "cidadão o quê?".
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TALES AB'SÁBER , psicanalista, é autor de "O Sonhar Restaurado" (Ed. 34).
sábado, julho 04, 2009
Crianças e idosos
Veja o senador Tião Viana
Esse exercício da crítica e da autocrítica pertence à natureza do Partido dos Trabalhadores. Gostei muito, senador. Não colocarei aqui a entrevista, melhor comprar a revista.
Comprei.
E, caso seja candidato a governo do Estado do Acre, votarei no senhor e ainda conseguirei alguns votos.
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