Suplicy muda de ideia e decide devolver salário extra ao Senado
ANDREZA MATAIS GABRIELA GUERREIRO
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quinta-feira que reviu sua posição e decidiu devolver o dinheiro do salário extra que recebeu em dezembro do Senado.
Reportagem da Folha de hoje mostrou que, embora tivessem apoiado projeto que extinguiu o pagamento do 14º e 15º salários, 68 dos 81 senadores embolsaram o dinheiro, incluindo Suplicy.
Carlos Cecconello -1º.jul.2011/Folhapress
Suplicy disse que vai abrir mão de salário extra
O senador afirmou que sua ideia era doar o salário extra de R$ 26,7 mil para um projeto social, mas, após a reportagem, avaliou que os eleitores e a população poderiam considerar que estava fazendo uso particular do valor e que decidiu, portanto, devolver o dinheiro ao Senado.
Na votação do projeto que acaba com os pagamentos, em maio, Suplicy afirmou: "Em nome do PT, recomendo o voto 'sim', uma vez que, para o conjunto dos trabalhadores, não há algo dessa natureza". O projeto ainda precisa ser aprovado na Câmara. Até isso ocorrer, o pagamento é legal.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também informou, por meio da assessoria, que irá devolver o dinheiro.
O Senado informou, nesta quinta-feira, que 13 senadores decidiram devolver o salário extra já recebido ou a receber em fevereiro, quando têm direito a mais um extra. No total, os dois salários extras somam R$ 53.400 a mais nos contracheques.
Veja a lista de quem se recusou a receber o salário extra:
Marcos Afonso esteve no Programa da Jô para falar de leitura. Fique bem claro que não tenho nada contra a pessoa de Marcos, ser humano íntegro, manso, gente boa.
Mas a questão não é a sua pessoa, e sim sua função dentro da sociedade acriana. Marcos é diretor de uma biblioteca. Por causa de sua função social, ele pode merecer críticas, porque políticas públicas dependem dele e de seu grupo político.
Devemos saber separar a pessoa de sua função social.
Nesse sentido, ou seja, como diretor, Marcos vai a um programa para exaltar a leitura enquanto em escolas públicas não há nem salas de leitura.
Marcos deveria saber mobilizar a sociedade (Ufac, Academia Acriana de Letras, escolas) para que metas de leitura fossem cumpridas pelos governantes.
No entanto, Marcos, para se manter em sua função, faz o trivial, o cômodo, o óbvio, o normal, o televisivo.
O retorno de José Genoino à Câmara dos Deputados é sintoma de uma bizarra compulsão de seu partido em relação ao chamado mensalão.
É compreensível levantar discussões sobre a extensão e a profundidade das penas, assim como sobre a necessidade de punir com o mesmo rigor a vertente tucana do escândalo. Não é aceitável, porém, agir como se nada tivesse ocorrido, como se o julgamento fosse simplesmente um complô urdido contra a esquerda brasileira.
Ao afirmar que os condenados no mensalão não seriam desligados do partido, ao aceitar organizar uma contribuição para auxiliar tais condenados a pagarem as multas aplicadas pelo STF e, agora, ao achar normal que alguém condenado em última instância assuma uma vaga no Congresso, o PT age como um avestruz que coloca a cabeça na terra e erra de maneira imperdoável.
O mínimo a ser feito depois do julgamento era apresentar uma autocrítica severa para a opinião pública. Tal autocrítica não deveria ser apenas moral, embora ela fosse absolutamente necessária. Ela deveria ser também política, pois se trata de compreender como o maior partido de esquerda do Brasil aceitou, em prol do flerte com as práticas mais arcaicas de "construção da governabilidade", esvaziar completamente as pautas de transformação política do Estado e de aprofundamento de mecanismos de democracia direta. Desde que subiu ao poder federal, planos interessantes, como o orçamento participativo, sumiram até mesmo da esfera municipal do PT, o que dirá a discussão a respeito da superação dos impasses da democracia parlamentar. No seu lugar, setores do partido acharam que poderiam administrar a política brasileira com os mesmos expedientes de sempre e, ainda assim, saírem ilesos. Agora, mostram-se surpresos com o STF. Para que todos não paguem por isso diante da opinião pública, há de se dizer claramente que não é a esquerda brasileira que foi julgada no mensalão, mas um setor que acreditou, com uma ingenuidade impressionante, poder abandonar a construção de novas práticas políticas sem, com isso, se transformar paulatinamente na imagem invertida daquilo que sempre criticaram. Se uma autocrítica fosse feita, o Brasil poderia esperar que certos atores políticos começassem, enfim, uma reflexão sobre a necessidade do aprofundamento da participação popular como arma contra a corrupção do poder.
Ao que parece, no entanto, precisaremos de muito mais escândalos para que tal pauta seja, um dia, colocada em cena.
VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.
Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às terças na Página A2 da versão impressa.
Agora, o que é importante dizer é que essa lambança toda é causada pelo conceito de "infalibilidade das esquerdas" ou então "o que é de esquerda é bonito".
PÊTÊ, militantes, intelectuais, filósofos, etc sempre assinam embaixo e apóiam qualquer coisa que esse pessoal apronta em nome do tal progressismo vermelho.
Do asqueroso mollusko, passando pelo Marco Antonio Garcia e chegando ao Genoíno, tudo vale porque é PÊTE...
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Opinião serena de um articulista com pendores simpatizantes à esquerda que, no entanto, tem pruridos morais, para ao contrário de Jânio de Freitas que em artigo recente, de forma desavergonhada dava conta de que os problemas do partido do mensalão são de natureza de assessoria de imprensa, hoje ruim e que de forma diferente daria outra imagem. Propunha Goebbels, enfim. Vladimir sabe que a questão moral ainda não foi tocada e o mea culpa público é mais que necessário, essencial.
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É bem por aí mesmo, políticos mal intencionados devem ser punidos, independentemente do partido a qual pertençam, inclusive os do P/S/D/B, partido do qual eu me simpatizo!!
Somos cidadãos e não torcedores de facções politicas e partidárias!!
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Passar a imagem de pessoa comum por estar ele, o prefeito Marcus Alexandre, de Rio Branco, sendo servido e por se sentar em um local onde todos podem estar.
A foto política registra o momento em que a distância entre governante municipal e contribuinte anula-se, passando a ideia de homem simples, humilde.
Marcus Alexandre não me convence, porque tudo no homem que exerce o poder tem a intenção de tirar alguma vantagem.
Tudo em um homem público tem interesse político
Repare na posição do fotógrafo (ele recebe pela prefeitura para isso?): seu ângulo busca a expressão facial da autoridade, não se importando com o rosto de quem serve.
Além de anônima, quem serve permanece, sob a lente do fotógrafo, irreconhecível, ou seja, ela só importa como aquela que realiza o gesto de servir não só ao prefeito, mas à cena política, qual seja, Marcus Alexandre é igual a você.
Mas isso é ser popular? O que há de novo nisso?
Um jovem prefeito expondo-se a uma prática política tão velha.
Foi para isso que você veio?
Quero vê-lo, como representante do PT, partido que lutou pelas causas democráticas, expondo o orçamento da prefeitura aos cidadãos em uma assembleia popular a fim de o contribuinte destinar dinheiro público mais para educação, saúde, saneamento e muito menos para a propaganda.
O senador Jorge Viana (PT) se tornou especialista em defender o indefensável. Depois de fazer apologia aos petistas mensaleiros condenados pelo STF, Viana defendeu na noite de quinta-feira, 02, o ex-diretor do Deracre, Sérgio Nakamura (condenado pelo TCU por desvio de verbas públicas) e a aposentadoria de ex-governador, em entrevista no programa Gazeta Entrevista, da TV Gazeta, aliada da Rede Recorde.
Ao ser questionado pelo apresentador Alan Rock, que o STF colocaria na pauta de julgamentos a extinção da aposentadoria de ex-governador, que no Acre consome quase de R$ 5 milhões por ano, Jorge Viana afirmou que a aposentadoria é perfeitamente legal. O senador disse ainda, que teria 30 anos de serviços prestados ao Acre, o que o credenciaria a receber o benefício.
“Eu fiquei oito anos, como governador, quatro como prefeito e economizei tudo que pude. Nunca paguei meia hora de jatinho, por exemplo. Tinha governador que só andava de jatinho. Foram oito anos, fazendo um governo franciscano para realizar todas as obras, mas as pessoas as vezes não sabem e nem têm a obrigação de saber, quanto de cuidado tenho que ter pelo resto de minha vida”, disse Viana ao defende sua pensão que acumular como salário de senador da República. Comentário
Então é isso, pelo fato de o voto popular o ter
escolhido por oito anos como governador, o senhor e outros ex-governadores têm o direito a uma pensão vitalícia.
Oito ano de trabalho garantem, portanto, dinheiro publico para toda vida.
Então, por ter feito um governo franciscano - o que é uma obrigação -, por causa dessa religiosidade política, merece como recompensa uma pensão como ex-governador.
Jorge Viana justifica sua aposentadoria de ex-governador, com os valores que seriam supostamente pagos pela sua segurança. O senador disse que precisa de proteção, já que tomou decisões que contrariaram pessoas e teria acabado com o crime organizado no Acre. “Quanto custa isso? Quem vai pagar isso? Para que eu pudesse tomar as medidas que tomei, de baixar os atos que baixei, de livrar o Acre do crime organizado”, indagou ao lembrar do esquadrão da morte.
Então são mais de R$ 20 mil para segurança? Não creio.
Não votamos em candidato para governador com a finalidade de ele receber depois uma pensão vitalícia.
“A gente tem que olhar um pouco as coisas, porque as vezes as aparências enganam. Particularmente, as pessoas as vezes me encontram e dizem: mas Jorge, você é dono de tal coisa. Não sou dono absolutamente de nada; eu trabalhei para servir ao povo do Acre, não para me servir. Agora, como as pessoas estão acostumadas a dizer que tudo quanto é político é igual, que vai lá para roubar, para se fazer…”
Sem terminar o raciocínio sobre a justificativa de receber a pensão de ex-governador, Jorge Viana lembrou de Sérgio Nakamura, que teve as contas reprovadas recentemente pelo Tribunal de Contas do Acre (TCE), sendo condenado a devolver R$ 2,6 milhões aos cofres do Estado.
“Esses dias, eu vi uma pessoa, um irresponsável, lá de Cruzeiro do Sul acusando o Sérgio Nakamura nas redes sociais. É um irresponsável, merece um processo nas costas. Sérgio Nakamura, o Acre deve muito a ele. É uma das pessoas mais injustiçadas que eu conheço aqui no Acre, porque vem sendo acusado por alguns veículos de comunicação, injustamente. É acusado porque trabalhou honestamente, está fora, está no setor privado, trabalha de manhã, à tarde e à noite. Tem competência e está ganhando seu dinheiro com muito sacrifício, mas de vez enquando é acusado, isso é nojento, mas sabe quem mais acusa? Os que roubaram o Acre, os que saqueavam o Acre, os que montaram impérios econômicos às custas do Acre. A gente trabalhou com mãos limpas, só faz quem trabalha honestamente”, disse Jorge Viana.
O senador acreano não fez alusões ao Tribunal de Constas da União (TCU), que condenou Nakamura por desvio de dinheiro público e ao Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC), que reprovou as contas do ex-gestor do Deracre e o condenou a devolver mais de R$ 2 milhões aos cofres do Estado. Também não falou sobre a polêmica venda do helicóptero para o governo do Acre quando foi diretor da Helibras.
Quando ouvi pela televisão o ritmo funk a serviço do lucro gospel, fiquei imaginando Jesus Cristo no palco cantando e balançando o corpo.
Se o mercado religioso permanecer assim, o Messias não virá sentado à mão direita de Deus, mas descerá dos céus catando um hits divino ao microfone celeste. Jesus agora é pop. E, se é pop, se é funk, Jesus é profano.
A coisa está tão insólita que uma pastora vende xampu com esta marca: Jesus, ou seja, o Salvador deixa seus cabelos mais sedosos.
Como escreveu Nietzsche, Deus também tem seu próprio inferno, que é amar aos homens.
O Jesus amado por mim não dança funk e muito menos canta em palcos. O meu Jesus é o Senhor de palavras que eu leio no livro "Teologia da Libertação".
Creio em um Jesus acolhido pelos livros de Leonardo Boff, de frei Beto, do rabino Nilton Bonder.
A oração ao meu Jesus é poesia de Carlos Drummond de Andrade.
Profetizo manhãs para os que saibam haurir o mel, a flor, a cor do céu.O mar darei a todos, de presente, junto à praia, e o crepúsculo sinfônico pulsando sobre os montes. Um vestido estival, clarocarne, passará, passarino, aqui, ali, e quantos ritmos um pisar de mulher irá criando na pauta de teu dia, meu irmão.
Oráculo paroquial, a meus amigos e aos amigos de outros ofereço o doce instante, a trégua entre cuidados, um brincar de meninos na varanda que abre para alvíssimos lugares onde tudo que existe, existe em paz.
Houve uma época em que a felicidade do indivíduo dependia da felicidade da cidade ou da pólis. O mundo de um eu anônimo era mais amplo, extenso, porque ele e cidade formavam uma só unidade.
Não se pensa mais assim. Acredita-se que, embora a cidade apresente sintomas de doenças graves, podemos ser felizes em casa, e que se dane a pólis.
Eu desejo que o meu Acre seja feliz, mas sua felicidade depende tão somente de homens públicos.
Ninguém consegue ser feliz se a água não chegar todo dia em casa, se a luz for muito cara, se a escola pública for ruim, se o posto de saúde não tiver médico, se o teatro servir só para discurso político.
Os homens públicos são responsáveis por água, por luz, por escola, por saúde, por teatro. E, quando digo homens públicos, refiro-me aos que governam o Acre, neste caso, aos homens do PT, aos homens do PC do B, aos homens do PSB, aos homens e mulheres da Frente Popular.
Hoje, após as últimas eleições, metade de Rio Branco e do Acre é feliz, e a outra, infeliz com o governo petista.
Neste Natal, como há alguns anos, uma metade alegra-se com o saco de presente do PT, e outra está de saco cheio das falas de Aníbal Diniz, de Tião Viana, de Jorge Viana, de Edvaldo Magalhães, de Moisés Diniz.
Os meninos da Frente Popular envelheceram, mas tentarão obter aparência de novo na pele de Marcus Alexandre como gestor do dinheiro público da capital.
Eu creio em Papai Noel, não creio nos bons velhinhos do PT para, por exemplo, qualificar o ensino de língua portuguesa ou para as contas públicas tornaram-se transparentes a tal ponto de haver participação popular.
Enquanto estiver no poder, espero que o PT saiba espalhar a felicidade para muito além da metade da população.
Se formos somar os gastos do senador Petecão segundo o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores (CEAPS), ele gastou em 12 meses deste ano R$ 336.622,49, o que dá por mês R$ 28.051,87 ou R$ 935,06 por dia.
O senador Jorge Viana gastou em 12 meses R$ 304.209,33, o que dá por mês R$ 25.350,77 ou R$ 845,02 por dia.
O senador Aníbal Diniz gastou em 11 meses R$ 332.170.55, o que dá por mês R$ 30.197,32 ou R$ 1.006, 57 por dia.
Minas Gerais
Os senadores acrianos gastam bem mais do que o nome nacional de Aécio Neves. Embora seja de um estado com poder político bem maior do que o Acre, que é Minas Gerais, Aécio gastou em 12 meses R$ 229.570,75, o que dá R$ 19.130,89 por mês ou R$ 637,69 por dia.
Senador acriano gasta mais do que senador de Minas Gerais.
São Paulo
O senador Eduardo Suplicy gastou em 12 meses R$ 170.813,50, o que dá em 12 meses R$ 14.234,45 ou R$ 474,48 por dia.
Os senadores acrianos gastam bem mais do que um senador de São Paulo.
Sem peso político em âmbito nacional, o senador Aníbal Diniz gasta mais do que Aécio Neves (MG) e Eduardo Suplicy (SP).
Eu, um imbecil político, queria entender essa matemática com os números do erário.
Nas escolas acrianas, por causa do corpo técnico da Secretaria de Educação do Estado do Acre, existe a verdade absoluta de que a gramática não deve ser lecionada.
É um erro gravíssimo da secretaria.
Nas redações escolares, os alunos saem da escola e entram na universidade sem saber raciocinar por meio de orações adverbiais.
Suas orações não são elaboradas porque se restringem a sintaxes coordenativas, substantivas e a orações adjetivas erradas.
Raríssimas são as adverbiais.
Elas deveriam ser explicadas em sala por não haver em seus textos com exercícios separados de textos e com exercício relacionados a textos.
"O deputado federal Márcio Bittar (PSDB) promete fazer uma cruzada junto aos prefeitos eleitos da oposição para que se posicionem desde já contra duas candidaturas ao governo em 2014. Para Bittar não se pode repetir a aventura da eleição municipal com vários candidatos."
No blogue de Luis Carlos Moreira Jorge, erros de português são comuns, é um daqueles blogues que nos ensinam a escrever errado.
Jornalista tem a obrigação de escrever muito bem.
Se o deputado federal Márcio Bittar promete fazer uma cruzada "junto aos", ele promete fazer uma cruzada "perto dos prefeitos".
"Junto aos prefeitos" é o mesmo que "perto dos prefeitos.
Ora, ele, Márcio Bittar, para estar correto, não promete fazer uma cruzada "perto dos prefeitos", mas "com os prefeitos".
hábitat, com a seguinte observação: forma aportuguesada.
Ora, se hábitat é à moda portuguesa, o aportuguesamento, para ser completo, deve ser hábitate, porque na língua portuguesa não existe terminação com -t.
Nesse caso, por ser palavra do latim, uma língua morta, eu prefiro manter a forma original, clássica - habitat.
Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.
"É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado", afirma ela, que lançou recentemente "O Livro do amor" (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes ("Da Pré-História à Renascença" e "Do Iluminismo à Atualidade"), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.
Regina, que é consultora do programa "Amor & Sexo", apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: "Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem", diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.
UOL Comportamento: Na sua pesquisa para escrever "O Livro do Amor", o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?
Regina Navarro Lins: Embora "O Livro do Amor" não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade.
UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?
Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.
UOL Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?
Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.
Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.
A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa.
UOL Comportamento: Por que você diz que o amor romântico está dando sinais de sair de cena?
Regina: A busca da individualidade caracteriza a época em que vivemos; nunca homens e mulheres se aventuraram com tanta coragem em busca de novas descobertas, só que, desta vez, para dentro de si mesmos. Cada um quer saber quais são suas possibilidades, desenvolver seu potencial.
O amor romântico propõe o oposto disso, pois prega a fusão de duas pessoas. Ele então começa a deixar de ser atraente. Ao sair de cena está levando sua principal característica: a exigência de exclusividade. Sem a ideia de encontrar alguém que te complete, abre-se um espaço para outros tipos de relacionamento, com a possibilidade de amar mais de uma pessoa de cada vez.
UOL Comportamento: E como fica o casamento?
Regina: É provável que o modelo de casamento que conhecemos seja radicalmente modificado. A cobrança de exclusividade sexual deve deixar de existir. Acredito que, daqui a algumas décadas, menos pessoas estarão dispostas a se fechar numa relação a dois e se tornará comum ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. A ideia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida pode vir a se tornar coisa do passado.
UOL Comportamento: Só de pensar na possibilidade de ter um relacionamento em que a monogamia não é uma regra, muitos casais têm calafrios. Por que?
Regina: Reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. W.Reich [psicanalista austríaco] afirma que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual.
Pesquisando o que estudiosos do tema pensam sobre as motivações que levam a uma relação extraconjugal na nossa cultura, fiquei bastante surpresa. As mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Não li em quase nenhum lugar o que me parece mais óbvio: embora haja insatisfação na maioria dos casamentos, as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque as pessoas gostam de variar. As pessoas podem ter relações extraconjugais e, mesmo assim, ter um casamento satisfatório do ponto de vista afetivo e sexual.
A exclusividade sexual é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado(a)? Sinto-me desejado(a)? Se a resposta for "sim" para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Sem dúvida as pessoas viveriam bem mais satisfeitas.
UOL Comportamento: Como as pessoas poderiam viver melhor no amor e no sexo?
Regina: Para haver chance de se viver a dois sem tantas limitações, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudanças na maneira de pensar e de viver.
Acredito que para uma relação a dois valer a pena, alguns fatores são primordiais: total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas; nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro; poder ter amigos e programas em separado; nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa.
Poucos concordam com essas ideias, pois é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado. A questão é que não é tão simples. Para viver bem é preciso ter coragem.