Artigo publicado neste sábado na TRIBUNA, dia 20
De Aldo Nascimento
Na matéria Professor de SP ganha 39% menos que do AC, publicada em 14 deste mês pela Folha de São Paulo, a repórter Daniela Tófoli evidenciou em seu texto um conhecimento profundo sobre sua ignorância a respeito do Acre, isto é, ela não sabe quanto custa uma cenoura e um pepino em Cruzeiro do Sul.
Daniela afirmou que a cesta básica na terra da garoa, comparada à da terra de minha filha, custa R$ 194,34 (São Paulo) contra R$ 124,47 (Acre).
Enviei uma carta eletrônica à jornalista, aconselhando-a a passar um ano na terra dos nauas. Por causa dessa cesta básica, ela contabiliza uma diferença de 60% entre professores de José Serra (PSDB) e de Arnóbio Marques (PT). Daniela, em Cruzeiro do Sul, dois litros de Coca-Cola custam R$ 8.
A autora informou ao Brasil todo que o salário do professor é R$ 1.580. Mentira. Bruto, ele chega a R$ 1.560. Repito: bruto. Líquido, o salário acreano fica em R$ 1.408, sendo que o professor leciona para três turmas e sua carga de trabalho limita-se a 30 horas por semana.
Com esse número, façamos as contas:
Aluguel: R$ 400 – professor não paga aluguel?
Compras: R$ 400 – professor se alimenta bem?
Telefone: 100 – professor se comunica?
Internete: 130 – professor pode estar na rede?
Livros: 100 – professor compra seus livros?
Escola: 130 – filho de professor pode estudar em escola particular?
Gasolina: 100 – professor pode passear de carro?
Luz: 160 – professor pode usar ar-condicionado sem “gato”?
Água: não paga – professor toma banho com água de poço?
Total: R$ 1.520 em Rio Branco. Sem considerar outros gastos, ele deve R$ 112 no final mês. Professor poupa mensalmente? Com esse salário, portanto, deputado-professor e vereador-professor, quando deixarem de estar parlamentares, serão outra vez professores, porque o salário é o melhor do país.
Cínico, no mínimo, comparar com o pior. Muito semelhante quando se compara o atual salário ao da época desgraçada do ex-secretário de Educação, Alércio Dias, cujos índices assemelhavam-se a um professor do continente africano.
Evidente que não sou estúpido a ponto de ignorar ações benéficas na educação acreana depois que a Frente Popular chegou a poder. Não há dúvidas de que o salário aumentou muito em relação a políticas antieducacionais de desgovernos anteriores, mas afirmar que se trata de um salário à altura do que a educação representa para uma nação, bem, aí é demais. Gosto de seguir os bons exemplos salariais de professores chilenos e argentinos. São Paulo e Rio de Janeiro não são bons exemplos.
Comparar ao pior, no mínimo, repito, é cinismo.
Nesta semana, em uma sala do pré-vestibular Ideal, diante de 32 alunos, perguntei quem desejava cursar uma faculdade para ser professor. “Eu quero lecionar a disciplina Biologia”, disse-me um solitário aluno. Um.
Quem for a um pré-vestibular do Acre não encontrará muitos jovens que desejam ser professores, porque, dizem, o salário não compensa. O crime, esse sim, compensa, por isso esses jovens desejam ser advogados, promotores e juristas. Eles desejam ser médicos. Na conta bancária, professor vale bem menos do que advogado, bem menos do que médico. Trata-se de uma verdade no mercado de trabalho.
Mas nem tudo está perdido, professor. Se o senhor gosta de estrada, se o senhor gosta de apreciar carros em avenidas, o concurso da Polícia Federal está aberto. Com apenas o ensino médio, o senhor receberá por mês mais de R$ 5 mil. Repito: só com o ensino médio.
Muito mudou, eu sei. Muito ainda mudará. Sem ser professor, Lula possibilitará um piso salarial de R$ 950 para todos os professores do país. Fernando Henrique, um professor, ignorou isso em seu governo.
Só discordo desse ufanismo salarial no Acre. É preciso equilíbrio.
sexta-feira, outubro 19, 2007
A Folha de São Paulo nos pauta mal
quinta-feira, outubro 18, 2007
Um blog aberto a Cristina Maia

Professora de Língua Portuguesa e responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) na Secretaria de Educação do Estado do Acre, a servidora pública Cristina Maia declarou que sou "uma pessoa problemática".
É preciso ter muita calma nessa hora para não perder a postura de cavalheiro diante de uma dama. Prometo, serei elegante, semelhante a um esgremista que, com seu sabre, atinge a parte vital do adversário, no caso, o cérebro.
Um pessoa indicou-me a Cristina Maia para formular questões do Saeb e, como resposta, sentenciou que sou uma "pessoa problemática". Bem, na condição de funcionária do Estado, desqualificar outro funcionário do Estado não pode passar pela subjetividade. A administração estadual não pode avaliar segundo "o achar" ou "a opinião" de uma funcionária, sabemos, compentente e dedicada a qualificar o ensino da disciplina Língua Portuguesa.
Isso tem um nome bem chulo: queimação.
Leciono na rede estadual de ensino há dez anos e, até hoje, nunca fui avaliado pela Secretaria de Educação por meio, por exemplo, dos alunos. Em outras palavras, a secretaria e a funcionária Cristina Maia ignoram o meu ato de lecionar, minhas idéias, minhas relações com a escola pública, o que já fiz, o que não fiz.
Cristina Maia ignora, por meio de avaliações, de documentos, o trabalho de Aldo Antônio Tavares do Nascimento na sala de aula como professor de Literatura e de Língua Portuguesa. Ela já ouviu, isso sim, falar de mim. Uma representante do Saeb, no entanto, não pode desqualificar pelo fato de "ter ouvido falar de alguém". O Estado não julga segundo as "fofocas".
Viu a foto?
Acredito que a senhora Cristina Maia tenha chegado ao atual cargo da Secretaria da Educação por meio de um processo de avaliação, ou seja, seu trabalho nas escolas públicas ao longo dos anos ratificou sua função atual na Secretaria de Educação do Estado.
Não foram amigos partidários, antigas amizades e muito menos o nome de família que a colocaram onde está, mas, por meio de um procedimento institucional equânime e ético, repito, avaliação do corpo discente por meio de questionário, documentou-se que Cristina Maia não é "pessoa problemática". Tal procedimento representa o espírito republicano e não o espírito fisiológico.
"Problemático"!?!?!?
Cristina Maia, os cínicos, os indiferentes, os canalhas, os falsos, os fisiológicos, os incompetentes, os aduladores, esses sim, minha cara dama, esses sim, são problemáticos embora, reconheço, transitem livres e alegres pelos corredores, porque, ocultando o que são com seus joguinhos de aparência, recebem, que ironia!, o reconhecimento do que eles não são.
Minha cara, vós não sabeis quem sou.
Neste Acre, acredite, cultivadas há anos, tenho ótimas amizades, pessoas escolhidas a dedo. Para elas, nunca fui aparência. Para elas, a destreza de minhas palavras não dissumula. Somente os poucos podem saborear a lealdade de minhas palavras.
Vida longa aos que lutam sem duas caras por um Brasil e por uma Acre sempre melhor para os que precisam mais do que nós.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Matéria da Folha de São Paulo nos pauta mal
E a nossa Câmara?
Câmara do Rio aprova lei que proíbe
celular e MP3 em salas de aula
da Folha Online
A Câmara Municipal do Rio aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que proíbe o uso de telefones celulares, jogos eletrônicos, aparelhos de MP3 e demais equipamentos eletroeletrônicos em salas de aula. A lei inclui todas as instituições de ensino da cidade -municipais, estaduais, federais e municipais.
De acordo com o projeto, se sancionada pelo prefeito Cesar Maia (DEM), a lei será aplicada para alunos de ensino médio, fundamental e superior.
A lei, de autoria da vereadora Pastora Márcia Teixeira (PR), prevê que as instituições devem fixar em local visível uma placa indicativa com o seguinte texto: "É proibido o uso de aparelho celular e equipamento eletrônico durante as aulas".
Na justificativa da proposta, a vereadora diz que o uso desses equipamentos em sala de aula tornou-se um transtorno para os professores e alunos, já que tira a atenção de ambos.
O prefeito do Rio ainda não sancionou a lei.
São Paulo
Na semana passada o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sancionou projeto de lei que proíbe os estudantes de usar telefone celular nas escolas nos horários de aula.
A princípio, vale apenas para a rede estadual do ensino básico (fundamental e médio), mas, como a redação do texto é vaga ("estabelecimentos de ensino do Estado"), a Secretaria da Educação diz que é possível considerar que abrange também a particular. A dúvida será esclarecida apenas com a regulamentação da lei, prevista para ser publicada pelo governo em até 90 dias. A lei não estabelece como será a fiscalização da medida nem a que tipo de punição o estudante está sujeito.
O deputado estadual Orlando Morando (PSDB), autor da proposta, afirmou que os aparelhos podem ser retidos pelos professores e devolvidos apenas ao final das aulas. A punição, no entanto, não está prevista no texto da lei sancionada.
Comissão Eleitoral
No auditório, os setores da escola se misturaram e, por causa disso, o debate deixou a desejar. Proponho que reuniões sejam separadas com cada setor e pautas devem ser bem específicas.
O corpo docente precisa realizar um debate com os candidatos, mas, antes, os professores devem marcar os tópicos, por exemplo:-) 1) qualidade de ensino de Língua Portuguesa e de Matemática, 2) conselhos de disciplina, 3) conselhos de turma, 4) escolha da coordenação de ensino, 5) Plano Político Pedagógico.
Mais: um termo de compromisso deverá ser assinado pelos candidatos a fim de que metas sejam cumpridas.
Não podemos transformar essa eleição em feira livre da palavra cínica. Precisamos transformar a escola pública Heloísa Mourão Marques na melhor escola do Estado.
Defendo a idéia de que o gestor escolar deve ser avaliado a cada seis meses pelos setores da escola. Quem terá coragem?
segunda-feira, outubro 15, 2007
Confraternização
Uma confraternização em sala. Os alunos me chamaram. Fui. Gostei. Pessoal muito bom.
Novas cabeças
No Dia das Crianças, os novos professores ofertaram aos alunos balas e doces. Tiraram dinheiro do bolso e promoveram esse momento.
Esse pessoal novo deve administrar a escola.
A um bloguista (2)
Uma pessoa não basta. Uma escola depende de um conjunto muito bem articulado.
Acho que a escola trabalha muito de forma unidirecional, isto é, o professor repassa conceitos e os alunos absorvem. Os alunos deveriam buscar o conhecimento.
"Deveriam" se as escolas públicas tivessem condições para tanto. O bom é combinar os dois procedimentos: o professor sistematizar e o aluno buscar.
Acho que a forma tradicional de usar as salas em fileiras causa inibição aos mais afastados. A forma de U como nos teatros antigos parece ser mais interativo.
Não pense que tudo é interação.
Certa vez, li um texto seu que mostrava a foto de uma menina dormindo na sua aula. Leitura é algo meio entediante para quem não é acostumado. Isso é culpa dela, entretanto, também um pouco sua. Afinal, você é o "dono" do espetáculo.
O espetáculo é saber o que se fala em sala. Não pense que é fácil realizar um espetáculo, pois isso exige tempo do professor; entretanto, meu caro, o professor não se dedica à escola em tempo integral. Ele tem seu tempo estilhaçado e a própria escola é fragmentada. Espetáculo exige elaboração, preparo anterior, isto é, tempo para criar.
Sem isso, a leitura é, por exemplo, para ser compreendida e para se interpretada. Para tanto, o aluno deve consultar o dicionário, marcar termos, conceitos. A leitura deve ser racionalizada para, depois, aí então, ser lúdica, ser espetáculo.
A leitura não deve ser algo de um professor, mas a proposta de uma escola muito bem articulada.
Você falou que os coodernadores deveriam assistir as aulas. Não acha que o ambiente dentro da sala mudaria tanto por parte dos alunos como por parte dos professores? O professor não iria querer "mostrar serviço"?
Muitos não mostram serviço, porque fazem da solidão pedagógica um forma de desqualificar o ensino. O professor deve dialogar com quem coordena e, para isso, ele deve expor suas virtudes e seus limites diante da coordenação. Na escola pública, a liberdade é tamanha que se perdeu de vista a ética do conjunto. Não há liberdade se não houver ordem, noção de conjunto.
A uma bloguista (1)
Ouço sempre você dizer que no Acre não temos uma identidade cultural, costumes próprios e/ou uma história.
Não sei exatamente o que você quer dizer com isso. Na minha opinião nós temos uma história muito rica.
História de quem?
Essa semana estava lendo "O Empate"- de Florentina Esteves. Pude visualizar a construção do meu Estado, a identidade do povo acreano e muitas outras coisas que me fazem acreditar que eu vivo em um Estado que possui "alma".
Em que sentido identidade e alma? Queria visualizar isso com muita clareza.
Gostaria que você comentasse sobre isso.
Comentarei, mas, por favor, especifique antes sobre identidade e alma.
Acre X São Paulo
Ranking dos salários de docentes da rede estadual em início de carreira traz SP, que tem o maior Orçamento entre os Estados, em 8º lugar.
Se for levado em conta o custo de vida, a diferença entre São Paulo e Acre, que lidera a lista de melhores salários, aumenta para 60%
Greg Salibian/Folha Imagem
DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os professores em início de carreira da rede estadual paulista recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida lá é menor, a diferença aumenta para 60%.
O ranking dos salários do país mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor seus professores em início de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. São Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior Orçamento do país. Pernambuco tem o pior salário.
A remuneração acreana, porém, ainda não é a ideal para especialistas. "O baixo salário dos docentes é uma questão histórica no país. Basta ver o de outros países da América Latina, como Chile e Argentina, que são maiores", afirma Célio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil.
Para ele, o salário baixo é uma das explicações para a má qualidade do ensino. "Um salário justo motiva os professores."O salário um pouco melhor no Acre começa a dar resultado. Prova disso pode ser a análise do Saeb (exame do MEC que avalia estudantes), divulgada em fevereiro. Na comparação entre 2003 e 2005, o Acre foi onde as médias dos alunos de 4ª série mais evoluíram.
Em português, houve aumento de 13,8 pontos (de 156,2 para 170). Já São Paulo melhorou 1,1 ponto (de 176,8 para 177,9)."Um docente bem pago trabalha melhor, sem dúvida", diz a professora da Faculdade de Educação da USP Lisandre Maria Castello Branco.
Para ela, os governos continuam mais preocupados em melhorar a estrutura das escolas do que em investir no docente. No Acre, os professores se organizaram para pressionar o governo, que criou um plano de carreira.
"Houve também uma reorganização que tirou docentes de funções burocráticas e os colocou na sala de aula, permitindo melhor uso dos recursos", diz Mark Clark Assem de Carvalho, da Universidade Federal do Acre. A maioria é formada no Estado e não há falta de docentes. Mas eles reclamam de salas lotadas.
Em São Paulo, a situação se agrava se levado em conta o custo de vida. Um professor que trabalha 120 horas por mês (30 por semana) tem salário de R$ 966 e consegue comprar 4,9 cestas básicas. Já o do Acre recebe R$ 1.580 e compra 12,6. Ou seja, a diferença do salário/ poder de compra chega a 60%.
Para comparação, a reportagem considerou a cesta básica de setembro. A paulista tinha 13 itens e custava R$ 194,34. A do Acre -com um item a mais, a carne de frango-, R$ 124,47.A secretária de Educação da gestão José Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães de Castro, não deu entrevista sobre o assunto. Sua assessoria pediu que fosse procurada a Secretaria de Gestão, responsável pelos salários dos docentes. Esta também não se pronunciou.
A única explicação dada pela Educação foi a de que, em São Paulo, os professores já iniciam a carreira recebendo gratificações. Mas no Acre, assim como em boa parte dos Estados, também é assim. Para calcular os salários por Estado, nenhuma gratificação foi contabilizada, pois a maioria pode ser cancelada e não é incorporada no cálculo da aposentadoria.
O levantamento considerou o piso inicial de um professor estadual com licenciatura plena (ensino superior). Conforme a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), 25% dos docentes do país estão em início de carreira.
Em São Paulo, segundo a secretaria, são 26%. Os salários foram fornecidos pela CNTE, e a reportagem procurou todos os Estados para checar as informações. Dezessete retornaram o contato. Quatro tinham dados diferentes (BA, PE, PR e SP), que foram corrigidos para o cálculo.
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quinta-feira, outubro 11, 2007
Pai
Houve muitos problemas entre nós, mas aprendi com ele que o abuso é palavra que não se cultiva, porque, uma vez plantada, não semeia bons frutos. Aprendi com ele pisar o árido limite.
Lembro-me de minha tia-avó. Na sala de sua casa, havia muitos brinquedos, mas, com alguns, não podíamos brincar. Mais tarde, seus netos aprenderam a não ultrapassar também os limites.
Há pessoas vertiginosamente abusadas e usam "certas brincadeiras", talvez, não sei, para testar a paciência de alguns, a minha. Creio que boas amizades não se sustentam por meio do abuso, porque, com ele, o abuso, estende-se a vulgaridade.
Ronda Gramatical
1. O aluno, todavia, nada respondeu.
2. O professor repetiu a explicação, todavia os alunos continuaram com dúvidas.
3. O professor repetiu a explicação; todavia, os alunos continuaram com dúvidas.
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Nas redações escolares, usa-se muito o "mas", não havendo a construção (3). Além do conteúdo, a forma de escrever marca a diferença. Em uma redação, a construção é tão importante quanto o conteúdo.
Um texto deve ter cadência.
Onde está a realidade?
Por que o simbolismo retorna com a idéia de sagrado? Preciso pôr os pés nessa morada para, uma vez nela, perceber que a palavra me acolhe. Quando Winston é submetido à reeducação de O'Brien, este afirma que a realidade não é externa, que a realidade só existe no espírito humano.
Por causa disso, O'Brien diz que "o Partido não se interessa pelo ato físico, é com os pensamentos que nos preocupamos. Não apenas destruímos nossos inimigos; nós os modificamos".
Essa modificação atravessa o espírito por meio dela: a palavra. No romance de George Orwell, "1984", a palavra não tem apenas significado, mas, além de tudo, função social, qual seja: modelar o espírito humano para ele ver a realidade. Só existe realidade porque nós a nomeamos.
Em "1984", o personagem Syme, na condição de filólogo, é o responsável pela publicação da Décima Primeira Edição do Dicionário da Novilíngua, menção à 11ª tese contra Feuerbach:
"Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo."
Por meio de seu dicionário, Syme transforma a mente-palavra das pessoas. Como ele mesmo diz, "é lindo destruir palavras", isto é, é lindo destruir a realidade nomeada.
Ora, a etimologia nietzschiana sabe que não há "sentido original". As palavras, segundo o autor de Genealogia da Moral, sempre foram inventadas pelas classes superiores e, assim, não indicam um significado, mas impõe uma interpretação.
Por essa trilha bibliográfica, penso que a Literatura na escola tem a função político-ideológica de desalienar a palavra, de curá-la da enfermidade vulgar das ruas.
O que significa o sagrado em nossas vidas? Vou ao romantismo ou ao simbolismo para conhecer a morada-palavra antes da destruição de Syme.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Após 10 anos
Antes, jamais uma coordenadora assistiu às minhas aulas.
A escola deve aprimorar essa idéia. Eu gostaria que a aula fosse filmada para depois, com a coordenação, considerar algo e criticar outros. Apontar caminhos. Saídas.
Não tenho problema de expor meus limites, meus erros, porque, dessa forma, por meio do diálogo crítico, poderei refazer posturas, rever conteúdos. É preciso dar visibilidade ao que se faz em sala.
Repito, no entanto, que os professores precisam se encontrar em suas específicas áreas para, em ata e em vídeo, registrar seus acordos pedagógicos e, depois disso, tais acordos serem observados em sala.
Se professores da disciplina Língua Portuguesa concordam com leitura em sala de aula, a coordenação deverá observar a realização dessa prática pedagógica em sala.
Isso significa abrir a caixa-preta, isto é, retirar o professor de sua solidão pedagógica.
Açeçôr de inpremçá

Bloguista, leia este título de matéria.
"Sibá conhece experiência de produção de etanol através da mandioca em Botucatu"
Isso quer dizer que, para conhecer a produção de etanol, o senador atravessou a mandioca. Nunca vi um "através" tão mal usado.
O açeçôr deveria ter escrito "por meio de", porque eu acredito que o senador não tenha atravessado a macaxeira, tenha passado por dentro dela. Impossível.
terça-feira, outubro 09, 2007
Ronda Gramatical
Açeçôr de inpremsá
1. Muito mal escrito, o açeçôr ainda confunde 1 + 1 com três ou sob com sobre. Eu vi a foto e ela encontrava-se sobre.
Açeçôr de inpremçá
"Além disso, R$ 1 milhão de reais de emendas de bancada estão sendo investidos no projeto que, em estrutura física e logística demandou do Governo Federal, através do Ministério da Educação, investimento total da ordem de R$ 7,5 milhões."
Na condição de revisor, todos dia, meus lindos olhos azuis são agredidos por tamanha deformação textual. Como uma pessoa pode ser assessor com esse texto?
Ganha-se bem para escrever muito mal. Se eu fosse deputado, meu assessor deveria ser, pelo menos, alfabetizado.
O revisor não deixa que assessor passe vergonha. Não deixo o jornal sem erro, mas elimino muitos. Onde está o meu Chalub?
Reconstrução
Além disso, de emendas de bancada, destinou-se um milhão de reais para projeto de estrutura física e logística e, do governo federal, por meio do Ministério da Educação, destinaram-se R$ 7,5 milhões. A obra foi concluída ainda em junho e, desde então, cerca de 600 alunos são atendidos em seis cursos de graduação.
Ficou melhor? Caso tenha ficado, deputado, posso ser seu assessor?
