quinta-feira, agosto 14, 2008

Seringalista e Seringueiros

Publicam nos jornais de hoje que Antônio Santana de Sousa, dono de um posto de gasolina, isto é, pessoa que tem poder econômico, não viu a cor de R$ 7 milhões em seu caixa.

Quem condenar sem antes ser julgado pela Justiça?

Ora, a acusação partiu do homem rico, dono de posto, e os jornais (ou tribunais de justiça) condenaram Sabrina Gondim de Barros, Marluce Honorato de Andrade, Luciane Freitas Barbosa, Patrícia Areal Leme e Jurivaldo Amâncio de Góes a alguns dias de exposição na imprensa.

Quem são? Alguns são frentistas? Mas o que é um desprezível frentista? Gente? Não, frentista não é gente, não é humano: é pobre. Quando ocorre algo, por exemplo, com empresários, jornais retiram o nome ou a matéria, porque eles são humanos, ou seja, devem ir a julgamento primeiro. É justo.

A isso, senhores, chamamos liberdade de imprensa.

Uma boa idéia

Ainda guardo comigo um jornal escrito por alunos da quinta série. Foi uma experiência inovadora e sempre ignorada pela Secretaria de Educação do Acre.

Podem falar mal de Antônio Stélio - eu reconheço alguns de seus defeitos -, mas não posso ignorar que Stélio dava liberdade ao Página 20 para criar. Sem ele, este jornal não teria sido publicado.

Ainda sonho com essa realidade educacional. Espero que, na administração da Osmarina, possamos criar um jornal com os alunos, páginas escritas por eles. Fazer pauta em sala de aula e sair da escola para entrevistar, ouvir pessoas do bairro, ouvir professores, elaborar boas críticas, elaborar propostas, ou seja, criar textos que não se reduzam à sala de aula, mas que tenham uma dimensão social.

Uma breve história

Na capa deste jornal, aparece um aluno que revi mais tarde em Rio Branco. Ele tinha assassinado, em legítima defesa, um homem que tentou matar seu irmão. Pobre, sem um bom advogado para pagar, ele me disse que ficou na cadeia por um tempo.

Um jornal escolar poderia entrevistar esse meu ex-aluno para falar de sua vida, de seu período na cadeia, de seus sonhos, mas, como a Frente Popular na Secretaria de Educação nunca me acenou com uma real possibilidade de criar um jornal na escola Heloísa Mourão Marques, a língua portuguesa só serve para obter bons resultados no Enem.

Eu não falo de holofotes para o Enem. Eu falo de uma lingua portuguesa com jornalismo na escola como trabalho social. Eu soube que na Secretaria de Educação há processos arquivados, documentos contra mim, mas não há em minha pasta funcional um jornal escrito por meus alunos como trabalho inovador na escola. Existem acusações e, quanto a um reconhecimento, recebo indiferença.

Hoje, uma colega me perguntou qual o sentido de estar vivo neste país. Calei-me na hora. Nesta bolha (blog), digo que o sentido da vida é lutar para construir o melhor, mas sabendo que amanhã é dia de morrer para ser lembrado, no máximo, em uma missa de sétimo dia.

Quero dizer com isso que leciono em salas quentes, lugares onde o ventilador não dá sinal de vida, sem esperar nenhum escroque reconhecimento do poder, e nem o quero. No fundo, eu sei, para muito além de relacionamentos pessoais, o poder me explora, me vigia, mente segundo seus interesses. Faz isso não por ser de esquerda ou de direita, mas porque é isto: poder.

Desejo, isso sim, o reconhecimento daqueles que estudaram comigo em sala, alunos que ultrapassaram os muros que coloquei diante deles. Jovens que param na rua para me cumprimentar, porque esses, só eles, sabem quem sou em uma sala de aula.

A Secretaria de Educação não sabe quem sou em sala de aula e, mesmo que soubesse...

Como disse Fernando Pessoa aos meus olhos, "viver é não conseguir". Ando tão feliz.

Blog a Framarg

Ao elogiar meu texto, você acabou erguendo um texto sensível, bonito. Obrigado por tuas palavras, gosto quando uma inteligência aporta neste blog. Um abraço em teu destino e deixo um sorriso nesta foto.

"Há um ditado catalão que afirma: “no mar não há o teu, não há o meu; no mar tudo é teu, tudo é meu”. Adorei seu comentário acerca do homem de “ombros largos”. Arístocles é realmente emblemático, traduz o pensamento de um povo que decidiu criar e seguir sua luz.Confesso-lhe ter enorme saudade do tempo em que eu, “formatando” este pensador á realidade da escola, trazia enumeradas versões do mundo sobre o pensamento grego. A história não é menor que a literatura, são cegos no mesmo beco escuro, é também capaz de fazer, como dizem os alemães “experienciação”.Agora, dentro dos cinco lados de uma parede branca, faço sonhos de voltar à sala de aula. Tenho certeza de que não posso quedar-me “chorando a bíblia junto ao aquecedor”. Se algumas vezes me perdi em meus erros, receios e defeitos, tenho claro ser um grande mar o local em que estava.E se realmente for isso, tem razão o poema da Catalunha, e te assassino com os versos dele: “no mar não há o teu, não há o meu....”

um abraço.
8/12/2008 07:46:00 AM

segunda-feira, agosto 11, 2008

A Poesia de Platão

De Aldo Nascimento
Livro também depende do tradutor. Maria Helena da Rocha Pereira é considerada uma das melhores tradutoras de Platão, e o leitor a encontra na Fundação Calouste Gulbenkian, uma belíssima edição do grego para o português

Assim, no capítulo 3, página 125, leio que A República condenou a arte que desejasse os sentidos. No ocidente, Platão foi o primeiro a perseguir o sensível na arte. O poeta que lhe agrada deve ser austero, menos aprazível; deve se exprimir conforme modelos que de início foram regulados quando a cidade tentava educar os militares

Sendo assim, em A República, as portas se fechariam para o Barroco de Rembrandt, para o Romantismo de Castro Alves, para o Impressionismo de Monet. Militarizar arte, segundo Platão, significa o predomínio da reta sobre as cores, da razão sobre a contradição, da cópia do real sobre a imaginação, da disciplina inflexível sobre a inconstância do sensível

O pensamento pitagórico geometrizou o mundo platônico. Além dessa influência matemática, o pensador grego conheceu no Egito a arte submissa ao cálculo, à retidão. Platão, em verdade, é matemático. Para ele, o poeta deve traçar uma reta a fim de inibir o excesso das cores, por isso que os árcades ou neoclássicos, tão calculistas, retêm a imaginação à medida que seus versos confinam-se a copiar o real, a construir sintaxes equilibradas, a negar metáforas, oximoros, hipérboles, sinestesias

No filme Sociedade dos poetas mortos, de Peter Weiss, ou em O Sorriso de Mona Lisa, de Mike Newell, as duas escolas representam a Arte Clássica, oposta ao Barroco, ao Romantismo, ao Impressionismo. Entretanto, para a vida de alunos, os dois professores desses filmes combinam cores que subvertem a razão em sala de aula

No filme de Peter Weiss, o professor de Literatura, senhor John Keating, amante da Escola Romântica, pede aos alunos que rasguem o prefácio Entendendo a poesia, do doutor J. Evans Pritchard, um teórico literário que submete os versos de Byron, poeta romântico, às retas do produto cartesiano para calcular a área de sua poesia. Essa razão cartesiana que objetiva calcular versos, Keating a chama de “excremento".

Katherine Watson, professora de História da Arte, em O Sorriso de Mona Lisa, fala às alunas sobre Vicent van Gogh, mas a escola onde ela leciona não admite sua arte, porque “ele pinta o que sente, não o que vê”. Conversando com a professora Katherine, a diretora diz a ela que deve haver "menos arte moderna".

Nesses dois filmes, as escolas assemelham-se a uma igreja. Ora, como se sabe, esse templo, segundo Nietzsche, popularizou o pensamento de Platão, que não admite, tal como as duas escolas, o sensível na arte, na vida, a não ser que fique sob o domínio da razão matemática.

sábado, agosto 09, 2008

Petecão & Montana

Charge do repórter Gilberto Lobo.








Candidato a prefeito de Rio Branco, Petecão faz uma campanha que não comove os menos tolos. O deputado federal - quem o colocou lá? - dorme sob as estrelas em praça pública.

Isso é alguma proposta de candidatura?

Vai para casa dormir, Petecão, e deixe a boa política em paz.

LÍNGUA está doente



O pessoal do Sintesac não está nem aí para a saúde da LÍNGUA portuguesa. O negócio é bagunçar com a LÍNGUA de Camões, de Drummond, de Fernando Pessoa, de Graciliano Ramos.

Um vereador, atento à importância de uma LÍNGUA correta em publicidade, deveria apresentar um projeto de lei que multasse quem escreve errado, por exemplo, em outdoor.

Se o Sintesac vai parar, deveria ser "saúde pára".

Pena que não posso ir

O professor-doutor Gérson Albuquerque enviou o convite e publico neste blog.
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Colóquios de História do Acre: centenário da morte de José Plácido de Castro
Realização: Universidade Federal do Acre
Promoção: Coordenação de História – Licenciaturas
Coordenação de História – Bacharelado
Centro de Documentação e Informação Histórica – CDIH
Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFCH
Apoio: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura
Associação Brasileira de História Oral – ABHO
Adufac – Seção Sindical do Andes.

Programação

11 de agosto de 2008, 8:00 horas, Auditório da Adufac
Centenário da Morte de Plácido de Castro: memória e poder no inventário de tradições
· Professor Dr. Carlos Alberto Alves de Souza
· Professor Dr. Pedro Vicente Costa Sobrinho
· Professor Dr. Gerson Rodrigues de Albuquerque

12 de agosto de 2008, 14:00 horas, Auditório da Adufac
Plácido de Castro em Cem Anos: a memória como um campo de lutas
· Professor Dr. Airton Chaves da Rocha
· Professor Dr. Valdir de Oliveira Calixto
· Professor Doutorando Francisco Bento da Silva

13 de agosto de 2008, 19:00 horas, Auditório da Adufac
De Plácido de Castro à Chico Mendes: representações sobre o herói
· Professor Doutorando José Dourado de Souza
· Professor Msc. Francisco Pinheiro
· Professor Mestrando Eduardo Carneiro de Araújo

PM acreana

Os militares deveriam dar exemplo de ordem, mas, nesta matéria do repórter Gilberto Lobo, a ordem foi violada pela corrupção. Como sabemos, a PM prende marginais, mas ela mesma fica à margem da lei. O caso é sério e nos envergonha.
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PMs janeleiros serão promovidos,
De Gilberto Lobo, A TRIBUNA

Mesmo depois que o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou ação pública para investigar o ingresso irregular de 60 servidores na Polícia Militar do Acre (PM-AC), a lista de promoções dos militares ainda não foi suspensa.

Dos oficiais beneficiados, oito entraram sem concurso público, o que quer dizer que nem deveriam estar nos quadros da corporação. A Constituição Federal proíbe, desde 1988, a contratação de funcionários públicos sem concurso. O certame pelo qual entraram aconteceu em 1995.

A denúncia foi feita pela ativista dos Direitos Humanos, advogada Joana D´Arc Valente. Ela também mostrou a lista de presença dos candidatos que participaram do teste físico, realizado na segunda fase do concurso para ingresso de oficiais da PM-AC em 1995.

Na lista, os oito militares que serão beneficiados com a promoção não estão presentes. Isso comprova que não fizeram a primeira e nem a segunda fase do certame, portanto, não deveriam ter sido contratados, muito menos poderiam receber promoções, passando de capitão a major.

Segundo a ativista, a pauta de promoções deveria ser suspensa até que a investigação do MPE seja concluída.

“Mesmo com a denúncia e com a ação oública, será quem eles vão continuar a promover e beneficiar esses polícias? Eles não têm direito algum e ainda estão ocupando o lugar de quem entrou de forma regular nos quadros da PM. Até o desdobramento da ação, o Estado está gastando dinheiro público com essa fraude”, destacou Joana D’Arc.

Investigações

Depois de uma conversa com representantes do MPE, envolvidos na ação pública contra a PM-AC, a advogada Joana D’Arc informou que os trabalhos para a conclusão desse caso estão acelerados. Conforme explicou, o processo estava parado porque a PM-AC ainda não havia liberado a documentação necessária para o prosseguimento das investigações. “Agora, estão finalmente trabalhando”, ironizou.

O inquérito foi instaurado em 2001 pelo corregedor-geral Oswaldo d'Albuquerque Lima. Desde então, o processo dos 60 militares estava parado. Mas, há cerca de um mês - com as constantes denúncias à imprensa -, a PM-AC liberou mais alguns documentos sobre o ingresso irregular dos servidores públicos.

Joana ainda disse que, “em razão de todos os fatos noticiados e nunca negados de que houve realmente fraude no concurso público de 1996, o primeiro passo será uma auditoria militar para que seja apurada a infração”.

Ela disse ainda que o capitão João da Cruz Santana Filho foi chamado para prestar declarações sobre o caso como se ele fosse o autor da denúncia, o que não é verdade. “Quem fez a denúncia fui eu, Joana D’arc, ele nada tem a ver com isso”, esclareceu.

Relembrando o caso

A fraude aconteceu no concurso público para PM, lançado por meio do Edital 001/95, publicado no Diário Oficial de 27 de outubro de 1995. Dos exames, só poderiam participar quem estivesse devidamente inscrito e constasse no termo de deferimento de inscrição, publicado no dia 21 de novembro do mesmo ano.

Mas muitos militares que apareceram na lista de aprovados não fizeram sequer a inscrição. Eles entram na vaga de outras pessoas que estavam devidamente inscritas. Um exemplo disso foi a mudança de nome do candidato de inscrição número 2003. Na lista inicial, o nome inscrito é Líbio Armstrong Pereira Caruta, porém, no resultado final, aparece o nome de Carlos Augusto da Silva Negreiros, que também está atualmente na lista de promoções que acontecerá no dia 21 de agosto.

Mesmo não tendo feito prova alguma, ligada a esse concurso, o capitão Negreiros ficou classificado em 34º lugar, com 92 pontos.

Irregulares que serão promovidos

Almir Lopes de Souza
Carlos Augusto da Silva Negreiros
Estepan Elias Barbary Neto
Sandro Oliveira do Nascimento
Luzelândio Freitas Pinheiro
Luciano Dias Fonseca
Denílson Lopes da Silva
Lázaro Moura Negreiros

quinta-feira, agosto 07, 2008

Blog-Poesia

Fernando Pessoa
O amor é que é essencial

O AMOR é que é essencial.
O sexo é só um acidente.
Pode ser igual
Ou diferente.
O homem não é um animal:
É uma carne inteligente,
Embora às vezes doente.

terça-feira, agosto 05, 2008

Ô!!! Linda Vitória!!!

Foto: Evandro Derze









Embriague-se de alegria, Olinda, porque você merece e fique tonta de felicidade. Nada melhor do que o tempo, o mesmo que põe em ruínas a falsidade e a máscara de adversários cínicos.

Que Deus lhe dê mais sabedoria para, com o diálogo, qualificar cada vez mais o ensino da Universidade Federal do Acre.

Estou muito feliz!!!

Só uma debochada observação: mande um abraço à turma do babacalorixá ou da iá-tebexê.

Salve! Até quinta!

segunda-feira, agosto 04, 2008

A Paixão sob o domínio da Razão

Paixão
De Aldo Nascimento

Acolho em minha biblioteca palavras escritas há 300 anos antes de Cristo. Diferente delas, serei lembrado no máximo, quem sabe, em uma missa de sétimo dia para depois o tempo pulverizar meu nome. Mas palavras resistem ao tempo na minha biblioteca, celeiro onde posso prover minha alma.

Ir aos clássicos, porque eles vigiam palavras universais e atemporais sobre as relações humanas, por exemplo, paixão. Em A República, capítulo 4, esse secular livro pergunta se “não compete à razão governar, uma vez que é sábia e tem o encargo de velar pela alma toda, e não compete à cólera ser sua súbdita e aliada”. Para Platão, paixão e cólera igualam-se, equivalem-se. Apaixonar-se significa estar enfermo, estado em que o humano perde controle sobre si mesmo à medida que a razão esmorece. A fim de evitar tamanha fraqueza, a paixão deve se submeter à razão e, uma vez subjugada, ser sua aliada.

Assim, quero dizer, unidas, elas “dominarão o elemento concupiscível e hão de vigiá-lo, com receio que ele, enchendo-se dos chamados prazeres físicos, se torne grande e forte, e não execute a sua tarefa, mas tente escravizar e dominar uma parte que não compete à sua classe e subverta toda a vida do conjunto”. O elemento concupiscível é a cobiça, isto é, cupido, desejo ardente da carne que ambiciona, que cobiça a matéria.

A razão deve acometer contra esse excesso, porque o desejo carnal desarmoniza a cidade, o corpo. Aliada à razão, a paixão não causaria esse excesso, essa desmedida, essa enfermidade. Na Idade Média, a Igreja, que edificou seu mundo com as paredes do platonismo, considerava a paixão a causadora de um desarranjo fisiológico porque tudo começa com a crença de que o comportamento do indivíduo é determinado pela qualidade e pela quantidade do calor de seu corpo. Tal calor não provém do fígado ou do cérebro, mas do coração

Agora, retiro de meu celeiro grãos do livro Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, onde razão e paixão marcam o duelo verbal mais belo da literatura brasileira. Iohána, o pais, representando a austera razão, alerta o filho André, representante da paixão, do perigo do sentimento que altera o ritmo cardíaco, transforma o calor do corpo.

“Ai daquele, mais lascivo, que tudo quer ver e sentir de um modo intenso: (...) acaba por nada ver, de tanto que quer ver; acaba por nada sentir, de tanto que quer sentir; acaba só por expiar, de tanto que quer viver; cuidem-se os apaixonados, afastando dos olhos a poeira ruiva que lhes turva a vista."

Por manifestar seus sintomas no corpo, a paixão foi associada à doença, cabendo à medicina ou à ciência encontrar a cura para esse mal. Batimento cardíaco acelerado, corpo caloroso, mãos suadas e perda do juízo, por exemplo, manifestam-se por causa de uma secreção da bile negra. Em fins do Renascimento, dois livros buscam encontrar resposta para os sintomas do sentimento: O Antídoto do amor, de 1599, e A genealogia do amor, de 1609. O amor erótico era o resultado dos humores queimados pela paixão, podendo ser explicado somente em termos de patologia. Em grego, páthos é sentimento e também dor

Depois desses dois livros, a ciência ainda racionaliza a paixão. No livro Por que nos apaixonamos ­– como a ciência explica os mistérios do amor, de Lucy Vicent, a emoção dos apaixonados é conseqüência dos feromônios nas vias nervosas que atingem zonas do cérebro responsáveis pelo comportamento sexual e pelas emoções. No capítulo 4, o autor escreve que “o apaixonado é como o taxicômano: precisa de uma dose cada vez maior para assegurar a liberação de endorfinas no cérebro, das quais ele se tornou dependente.” O mensageiro do amor deixou de ser o deus Eros, um mito, para ser uma rede química, a matéria. Por esse motivo, a ciência ocupa veículos de comunicação de massa para sentenciar que a paixão (ou reações químicas, antes era a bile negra) dura entre 2 e 3 anos

Depois que Platão escreveu A República, séculos e séculos se passaram, mas a razão permanece fiel ao ato de dominar a paixão. Antes, com o pensador grego, cólera. Hoje, esse sentimento ainda permanece preso ao biológico, à matéria.

COMO USAR A LÍNGUA

1. Junto a/ junto de (= perto de) são sinônimos e invariáveis. “Os dois chutes passaram junto à trave.” “Os reservas estão junto da comissão técnica.” “Os hotéis ficam junto ao viaduto.” “As casas estão juntas da farmácia.”

2. Devemos evitar o uso de junto a com outro sentido que não seja de “perto de”: “Ele está preocupado com seu prestígio junto à torcida.” É preferível: “com a torcida.” “O governo solicitou um empréstimo junto ao Banco Mundial.” É preferível: “no Banco Mundial.”

Do livro O Português do dia-a-dia, do prof. Sérgio Nogueira Duarte da Silva

sábado, agosto 02, 2008

Reforma Ortográfica

Artigo
Quando reduzir não é simplificar: reflexão sobre a reforma ortográfica

Prof. Dr. Luiz Carlos Schwindt* O Brasil se prepara para implementar uma reforma ortográfica, fruto de um acordo entre países de língua portuguesa. Nascido na década de 90 e revigorado nos últimos anos, o projeto prevê a unificação da escrita nos oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Portugal, que se mostrava resistente nesta última fase, assinou recentemente o documento, sob acalorada discussão - já que a Reforma afeta de forma mais significativa a variedade lusitana do português do que a brasileira. Apesar disso, não se pode negar que ela tem importantes conseqüências também para os brasileiros.

Pode-se dizer que uma reforma ortográfica, em princípio, norteia-se por pelo menos dois objetivos: o de unificação e o de simplificação. Ainda que se possa criticar, por diversos ângulos, a validade da unificação oriunda da Reforma - seja porque ignora a variabilidade da língua falada, que tem inevitáveis reflexos na escrita, seja porque pode gerar um impacto econômico e político em certa medida desfavorável aos países envolvidos -, não há dúvida de que, oficialmente, com o Acordo, unificam-se as escritas. O aspecto, todavia, que quero problematizar brevemente aqui é a suposta simplificação. Essa questão - que toca diretamente aos lingüistas - foi banalizada, em meu entendimento, na construção desse projeto.

"Simplificar”, em Lingüística, quer dizer bem mais do que “diminuir”. O fato de se abolir um trema aqui, um acento ali não faz da língua escrita necessariamente mais simples. Quando se fala em linguagem, o termo “economia” precisa estar associado a “naturalidade”. Para entender com clareza essa idéia, basta pensarmos nas razões por que usamos um sistema alfabético. Esse sistema nasceu sob uma hipótese de pareamento entre sons e letras. Se tomarmos essa hipótese em isolado, podemos avaliar a eficácia de um sistema ortográfico na medida de sua aproximação com a língua falada. É claro que isso não é tão simples assim. Sabe-se que sistemas gráficos são de natureza estática, enquanto a língua falada é dinâmica, isto é, está sujeita a mudanças a qualquer tempo, independentemente de decisões provindas da boa ou da má vontade política de alguém. Todavia, essas naturezas distintas que individualizam fala e escrita, apesar de serem responsáveis pelo distanciamento entre elas, não afetam a natureza de sua relação, isto é, esses dois sistemas ensejam isomorfismo. Uma reforma – se necessária – deveria trabalhar na esfera dessa tensão.

Por limitações de espaço, vou tomar apenas dois aspectos do Acordo que podem exemplificar bem seu caráter pouco simplificador (para não dizer “complicador”): o fim do trema (lingüiça, que passa a linguiça) e a extinção do acento gráfico dos ditongos abertos em posição medial (retinóico, que passa a retinoico). Em relação ao trema, alguns poderiam dizer que há muito está em desuso em português. Não se considera, entretanto, que ele é responsável ainda por informar a um leitor aprendiz de português (o que vai desde um falante nativo se alfabetizando até um estrangeiro estudando nosso idioma) se o u é ou não pronunciado nas seqüências gu e qu seguidas de e ou i. Em relação aos ditongos abertos, a questão é ainda mais séria. A proposta falha por falta de uniformidade e por negligenciar o aspecto fonético. Perde uniformidade ao determinar a eliminação do acento nas paroxítonas mas sua manutenção em posição final. Assim, herói será acentuado, enquanto heróico não. Falha também por ignorar que o diacrítico em ditongos abertos traduz mais do que tonicidade – ele é, sobretudo para a variedade brasileira do idioma, também um indicativo de timbre, ou seja, as pessoas sabem, a partir dessas marcas, que a pronúncia de é e ó deve ser aberta. Nessa relação de complexificadores, poderíamos ainda citar alguns aspectos referentes às mudanças no uso do hífen e ao tratamento que será dado às palavras com consoantes não-pronunciadas.

Com esses argumentos, não quero imprimir uma postura anti-reformista de base; pelo contrário: entendo que reformas em sistemas estáticos são necessárias, muitas vezes, para acompanhar a evolução dos setores dinâmicos. O fato é que convivemos com um sistema gráfico muito complexo (em oposição, no que se refere à acentuação gráfica, por exemplo, à escrita do inglês). A questão primordial é, pois, atacar o problema, isto é, o único modo de se reduzir complexidade é com uma proposta de simplificação - que leve em conta economia e naturalidade. Isso não enxergo de pleno na reforma proposta.

* Departamento de Lingüística, Filosofia e Teoria Literária - Insituto de Letras

A USP é a 113º no mundo

As 100 melhores universidades da América Latina

1
Universidad Nacional Autónoma de Mexico
2
Universidade de Sao Paulo
3
Universidade Estadual de Campinas
4
Universidad de Chile
5
Universidade Federal do Rio de Janeiro
6
Universidad de Buenos Aires
7
Universidade Federal de Santa Catarina Brasil
8
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
9
Tecnológico de Monterrey (Note 22)
10
Universidade Federal de Minas Gerais
11
Universidade de Brasilia
12
Universidad de Concepcion
13
Universidade Estadual Paulista
14
Universidade Federal do Parana
15
Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro
16
Universidad de Guadalajara
17
Universidade Federal da Bahia
18
Universidad Autónoma Metropolitana
19
Universidad Nacional de la Plata
20
Universidad de los Andes Merida
21
Universidad de Puerto Rico Mayaguez
22
Pontificia Universidad Católica del Peru
23
Universidad Nacional de Colombia
24
Universidade Federal de Pernambuco
25
Universidade Federal Fluminense
26
Universidad de Costa Rica
27
Universidad de Antioquia
28
Universidad de los Andes
29
Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
30
Universidad de Puerto Rico
31
Universidad Autónoma del Estado de Mexico
32
Universidad del Valle
33
Universidad Central de Venezuela
34
Instituto Politécnico Nacional
35
Universidad Nacional Mayor de San Marcos
36
Universidad Tecnica Federico Santa Maria
37
University of the West Indies
38
Universidade Federal do Ceara
39
Pontificia Universidad Javeriana
40
Universidade Federal de Santa Maria
41
Universidad Nacional de Cordoba
42
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
43
Universidad Michoacana de San Nicolas de Hidalgo
44
Universidad Simon Bolivar Venezuela
45
Universidad de Talca
46
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
47
Fundacao Getulio Vargas
48
Universidad Interamericana de Puerto Rico
49
Centro Universitario Senac Servico Nacional de Aprendizagem Comercial
50
Universidad Autónoma de Nuevo Leon
51
Centro de Investigacion y de Estudios Avanzados
52
Pontificia Universidad Católica de Valparaiso Fundacion Isabel Caces de Brown
53
Universidad de las Americas Puebla
54
Universidad de Santiago de Chile
55
Universidad de Colima
56
Universidade Federal de Sao Carlos
57
Universidade Federal de Sao Paulo
58
Pontificia Universidade Católica de Sao Paulo
59
Universidad Iberoamericana
60
Universidad Veracruzana
61
Universidad Tecnologica Nacional
62
Universidad Nacional del Nordeste
63
Universidade do Vale do Rio Dos Sinos
64
Escuela de Administracion Finanzas y Tecnologia Medellin
65
Pontificia Universidade Católica do Campinas (Note 41)
66
Universidad Autónoma de Chihuahua
67
Universidad Nacional de Rosario
68
Universidade Federal do Para
69
Universidad de Sonora
70
Instituto Tecnologico Autonomo de Mexico
71
Universidade de Fortaleza
72
Universidad Austral de Chile
73
Universidade Federal de Goias
74
Universidad Autónoma de Baja California
75
Universidade Federal da Paraiba
76
Colegio de Mexico
77
Universidad Autónoma de Puebla
78
Universidade Federal de Vicosa
79
Centro de Investigacion y Docencia Economicas
80
Universidade Estadual de Maringa
81
Universidade Regional de Blumenau
82
Universidade Federal de Uberlândia
83
Universidad Católica Argentina
84
Universidad del Salvador Buenos Aires
85
Universidade Estadual de Londrina
86
Universidade Metodista de Sao Paulo
87
Pontificia Universidade Católica do Parana
88
Universidade de Caxias do Sul
89
Universidad Autónoma de Ciudad Juarez
90
Universidad de la Habana
91
Universidad del Bio-Bio
92
Universidade do Estado de Santa Catarina
93
Universidad Tecnica Particular de Loja
94
Universidad Nacional de Cuyo Mendoza
95
Universidad Nacional del Sur
96
Universidad Diego Portales
97
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
98
Universidad Nacional del Litoral
99
ITESO Universidad Jesuita de Guadalajara
100
Universidad Francisco Marroquin

Ganhamos 5 vezes a Copa do Mundo

As 50 melhores universidades do mundo

Massachusetts Institute of Technology
Harvard University
Stanford University
University of California Berkeley
Pennsylvania State University
University of Michigan
Cornell University
University of Minnesota
University of Wisconsin Madison
University of Texas Austin
University of Illinois Urbana Champaign
University of Pennsylvania
University of Washington
Carnegie Mellon University
Columbia University New York
Purdue University
University of California Los Angeles
University of Florida
University of Chicago
University of Maryland
University of Arizona
Texas A&M University
Georgia Institute of Technology
Virginia Polytechnic Institute and State University
Princeton University
University of Cambridge
Michigan State University
University of Toronto (Note 1)
University of North Carolina Chapel Hill
Rutgers University
New York University
Swiss Federal Institute of Technology Zurich
Indiana University
University of California San Diego
University of Southern California
North Carolina State University
Duke University
University of Colorado Boulder
Johns Hopkins University (Note 2)
California Institute of Technology
University of Pittsburgh
Australian National University
University of Helsinki (Note 3)
Yale University
University of Virginia
University of California Davis
University of Oxford
Washington University Saint Louis
University of British Columbia
University of Calgary

Somos pentacampeões no futebol

USP é a 113ª melhor do mundo, diz pesquisa

FÁBIO TAKAHASHIda Folha de S.Paulo

A USP foi considerada a 113ª melhor universidade do mundo em um ranking divulgado ontem por um órgão de pesquisa do governo espanhol. A escola de São Paulo subiu 15 posições em relação a 2007.

Entre as 200 mais bem posicionadas do mundo, a instituição foi a única brasileira citada.
Um dos principais indicadores avaliados pelo ranking, chamado de "Webometrics Ranking of World Universities" (Ranking Mundial de Universidades na Web, em tradução livre), é o número de acessos, via internet, dos artigos produzidos pelas escolas.

Com o mecanismo, o Conselho Superior de Pesquisas Científicas --vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia espanhol-- busca quantificar a relevância da produção das instituições universitárias.

Após a USP, as instituições brasileiras mais bem posicionadas são a Unicamp (212ª) e a UFRJ (federal do Rio de Janeiro, em 330º).

As 25 melhores da lista são norte-americanas. MIT, Harvard e Stanford ocupam as melhores posições. Foram analisadas 15 mil escolas no mundo todo, e 4.000 foram ranqueadas.
A melhor latino-americana foi a Universidade Autônoma do México (51ª).

Diversas instituições fazem rankings de universidades. Os mais tradicionais são o da Universidade de Jiao Tong (China) e das publicações "US News & World Report" (Estados Unidos) e "Times" (Inglaterra).

Um dos objetivos dessas listas é indicar aos melhores alunos as melhores instituições para se estudar.

Internacionalização

A reitoria da USP atribuiu a subida no ranking à preocupação da universidade em se internacionalizar, por meio de intercâmbio de alunos e professores, além de convênios com instituições do exterior (atualmente, há 326 vigentes).

Segundo a pesquisadora da USP Elizabeth Balbachevsky, o ranking demonstra que as instituições brasileiras de ensino superior têm baixo grau de inserção na comunidade científica mundial (apenas a USP ficou entre as 200 da lista).

"O Brasil está produzindo mais cientificamente, mas de forma insular. É pequeno o número de pesquisadores brasileiros em redes internacionais. Assim, poucos conhecem as universidades brasileiras."

Segundo Balbachevsky, um dos problemas da baixa internacionalização da produção científica do país é a perda de investimentos estrangeiros.

"Temos mais doutores na área da ciência da informática do que a Índia. Porém, enquanto a Índia capta quase um quarto de todo o investimento internacional na área, a situação brasileira é quase pífia."

sexta-feira, agosto 01, 2008

Só isto

"A arte voa em torno da verdade, mas com a intenção decidida de não se deixar queimar por ela."

Brevíssima reflexão de Franz Kafka.

quinta-feira, julho 31, 2008

Uma poesia para umedecer teus olhos

A multidão não poetiza a vida. Não se misture a ela. Abra um livro e ouça com os olhos o silêncio das palavras escritas. Ouça agora Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
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Há Poetas que são Artistas

E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...

Que triste não saber florir
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um
E ver se está bem, e tirar se não está
Quando a única casa artística é a Terra
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.

Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira
E olho para as flores e sorrio
Não sei se elas me
Nem sei eu as compreendo a elas
Mas sei que a verdade está nelas e em
E na nossa comum
De nos deixarmos ir e viver pela
E levar ao solo pelas Estações
E deixar que o vento cante para
E não termos sonhos no nosso sono.

quarta-feira, julho 30, 2008

A uma reitora

De Aldo Nascimento
A Ufac a uma acreana

Na semana passada, meus olhos reviram folhas processuais, um documento forjado por alguns falsos intelectuais da Universidade Federal do Acre. De 1992 a 1997, lecionei no Departamento de Letras e, antes de sair pela porta da frente, contratei os serviços dos advogados Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues e Carlos Antônio Brito Marques para limpar minha pasta funcional.

Nessas folhas, registram-se absurdos, acusações insólitas, arbitrariedade de velhacos que se julga acima de procedimentos equânimes das instituições. Para se ter idéia dessa comicidade barnabeniana, fui processado por lecionar A República, de Platão, em Literatura Infantil.

Nem todos, entretanto, igualam-se na Faculdade de Letras, porque alguns professores não são doutores para tramar. Existem acreanos com elevado espírito público e com um caráter que dignifica o gesto humano. Poderia citar alguns nomes, mas, em período eleitoral, reconheço o nome da professora-doutora Olinda Batista Assmar.

Mas quem sou para escrevinhar sobre a futura reitora da Universidade Federal do Acre? Na época de processo forjado, um mero professor substituto, algo sem importância, uma individualidade que poderia ter sido desdenhada pela professora-doutora Olinda, porque, com seu nome consolidado na Universidade Federal do Acre, sua assinatura poderia estar em documentos contra mim; entretanto, ao procurar seu nome em folhas desse passado, eu não o encontro.

Não existe assinatura de Olinda Batista Assmar em nenhum processo contra mim. A pergunta é pertinente: por quê? Ora, certos doutores não perdem tempo tramando com a súcia; certos doutores pesquisam, produzem conhecimento. Olinda tem legado. Em seus 30 anos de Universidade, essa dama acreana publicou mais de 104 títulos em livros, em anais de congressos, de simpósios, de seminários, de mesas-redondas, de conferências. Seu título de doutora, portanto, não é ornado com plumas e paetês.

Seu título, no entanto, torna-se menor quando comparado ao seu caráter. Ao falar, não sentimos o mau hálito da arrogância, da prepotência, mas a expressão de uma funcionária pública que não trama com a finalidade sádica de perseguir colegas de profissão e muito menos se submete a intrigas. Ela não usa máscaras, olha no olho e diz.

Candidata à reitora em outra oportunidade, dediquei-me à sua campanha e muito vezes ouvi de alguns tolos que Olinda pertencia à direita. Conheço pessoas de esquerda que não têm a moral e o zelo pela coisa pública como Olinda Batista Assmar.

Hoje, mais de dez anos depois, escrevo este texto como forma de reconhecer uma ex-colega de trabalho que, em mais de uma assembléia departamental, colocou-se não a favor de mim, mais a favor de procedimentos corretos dentro de uma instituição de ensino superior. Sabemos que uma súcia de barnabés não pode se apropriar de parte de uma universidade pública como se fosse o quintal de sua casa ou o terreiro de quimbanda de um babacalorixá.

Sei que este texto é muito pouco, mas minhas palavras não são pequenas como são os canalhas. Não cheguei a este Estado ontem. O tempo não pára. Sou menos desconhecido do que 16 anos atrás. Hoje, jovens que foram meus alunos no ensino médio estudam na Universidade Federal do Acre e, quem sabe, lêem minhas palavras agora. A eles, peço que votem na chapa Olinda-Pascoal como gesto que reconhece dois doutores que buscam o poder não como vaidade pessoal, mas buscam o poder para servir melhor à sua Pátria, ao seu Estado e aos seus semelhantes.

Ronda Gramatical

Em nossas redações de jornal, copia-se o que está escrito em além-livro. Se na Globo escreve-se “super cine”, nosso jornalista copia. Se está escrito “pronto socorro”, ele copia na matéria. Se compra um xampu com “anti-caspa”, ele copia “anti-caspa”. Se está escrito “Mega-Sena”, ele copia “Mega-Sena” na reportagem. Se está escrito “stand”, ele copia. Se está escrito “skate”, ele repete em seu texto jornalístico. Se abastece o carro no “auto posto”, o repórter leva essa grafia para o jornal. Se vai preparar um misto quente em um “mini grill”, reproduz como está escrito no aparelho. Isso significa que somos pautados graficamente por produtos de supermercados, por casas lotéricas, pela TV, pelas palavras espalhadas nas ruas. Na condição insignificante de péssimo revisor, queimei minhas gramáticas. A escrita correta encontra-se nas casas lotéricas, no xampu (ou será shampoo?).

terça-feira, julho 29, 2008

A CUT e 3%

Ontem, um professor me parou na rua para dizer que o governo não deu aumento de 3% em julho, mas deu 2.975%, ou seja, faltaram 5o centavos no bolso dele.

"Se você for somar os 5o centavos de todos os funcionários da educação, vai dar uma grana boa", disse. "Eu quero meu dinheiro."

O presidente do Sindicato dos Trabalhahdores da Educação do Acre, Manoel Lima, até o momento, não disse algo sobre isso.

Por falar no presidente, eu peço que não me perturbe com suas paralisações infecundas; deixe-me trabalhar em paz. Não sou filiado ao Sinteac, mas, a cada ano, o sindicato tira de meu bolso a injusta contribuição sindical do meu bolso.

A CUT é favorável ao imposto sindical e, o que é pior, foi a favor de que a grana dos sindicatos não fosse submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Só espero que o presidente, antes de sair do Sinteac, submeta o sindicato a uma auditoria séria.

Açeçôr di Inprençá

"Objetivo principal é dar oportunidade para que todos tenham acesso ao lazer e esporte O projeto Comunidade Ativa realiza novas capacitações para a melhorar a utilização dos kits com materiais esportivos. A iniciativa acontece nas regionais 3 e 4, antes da entrega do material doado. O recebimento do benefício depende do preenchimento de um formulário na própria Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer (Setul), que coordena o projeto, para que possam ser escolhidas as comunidades beneficiadas. São feitas duas inscrições ao ano. A próxima inscrição acontece de 20 de outubro à 20 de novembro."
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Impossível corrigir o jornal A TRIBUNA todinho. Muito texto e pouco tempo para um infeliz só. Os textos do governo são publicados como escrevinham.

Escrever "de 20 de outubro à 20 de novembro" passa a péssima imagem de uma assessoria. O governo deveria zelar pela língua portuguesa.