quinta-feira, setembro 24, 2009

Bagunça Escolar









Aldoro uma bagunça em minha sala de aula. Gosto da ordem, sei o quanto ela é importante por vários motivos. A desordem (outra forma de ordem) me seduz. Os poetas árcades desprezavam a estética barroca por achar que ela pertencia à impureza da desordem.











O barroco, entretanto, representa uma outra ordem que a ordem árcade não quer entender, por exemplo, a ordem lúdica. Brincar em sala. Gritar. Bagunçar. Desordem sob controle.

Hoje, mais uma vez, permiti que meus alunos brincassem, e eu também, claro. Divididos em grupos de três, uma disputa entre rapazes e moças para colocar em ordem parágrafos fora da ordem lógica de raciocínio. Muito bom.

Leciono há quase 20 anos e ainda me oponho a uma sala SOMENTE séria, formal, inflexível. Até hoje, não me deixo ser possuído pelo condicionamento monótono das escolas. Não consigo imaginar o ato de lecionar sem a presença prazerosa do lúdico.

Senhores, brinquemos!

Da Ufac ao Gazeta Alerta

Diante do poder comunicativo da televisão, este blogue não passa de um indigente, um corpo verbal sepultado pelo esquecimento da indiferença. Quem é Aldo Nascimento perante a audiência de um Edvaldo Sousa, do programa Gazeta Alerta?

Mas, por eu não ser senso comum - e nem gostaria -, motivo-me a manter uma crítica sóbria não à pessoa de Edvaldo Sousa, por sinal, homem honrado, idôneo, mas à sua condição de comunicador de massa. Sua imagem pública, portanto, incomoda-me como fenômeno social. Repito: como fenômeno social. Quando a opinião é sobre violência, ele influencia telespectadores de classes sociais.

Sobre isso, o silêncio espesso de professores das faculdades de jornalismo. São intelectuais que lecionam entre quatro paredes teorias da comunicação; porém, além dessas paredes, noticiam mudez na imprensa escrita. Não se lê no jornais locais um artigo sequer sobre comunicação de massa do Acre.

Na tela
Não tenho hábito de assistir ao progrma Gazeta Alerta, gostaria se o tempo estivesse a meu favor. Às vezes, quando está, assito.

Ontem, após a condenação de Hildebrando Pascoal, vi o comunicador em seu programa sem o mesmo tom de voz de outras vezs. Para falar da sentença, do caso Baiano, o âncora foi comedido, prudente, limitando-se ao fato em si, isto é, à sua superfície.

Não ouvi "sua subjetividade" em ação, sua dramaticidade, porque falar da violência dos marginalizados pelo Estado ao londo de décadas não se equipara à violência de uma classe social que transformou o poder institucional em esquadrão da morte.

Neste ano, por falta de tempo, não apresentarei ensaio a um concurso da Prefeitura de Rio Branco, droga. Quando o tempo estiver a meu favor, escreverei um ensaio, quem sabe, sobre Gazeta Alerta.

quarta-feira, setembro 23, 2009

A caneta









Foto de Debora Mangrich,
a gorda

Conforme acordo, a TV Justiça passaria às TVs acrianas as imagens do caso Baiano. O Sindicato dos Jornalistas do Acre assinou.

O chefe de jornalismo da TV Acre, Jefson Dourado, resolveu registrar as imagens por meio de uma caneta-filmadora. Foi detido.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Quinta Parada GLBT de Rio Branco

Íris é a deusa do arco-íris. Ela é descrita como uma figura feminina alada e muito bonita, na maioria das vezes, ela parece vestida com uma longa túnica, e suas asas possuem coloração dourada. Seus símbolos são o arco-íris e um cálice dourado.

Deusa mensageira, como Hermes, era venerada pelos gregos que acreditavam que Íris tinha como função manter a ligação entre o céu e a terra, entre os deuses e os homens, transmitindo ordens, pedidos e conselhos.

No Olimpo, Íris atendia aos deuses, principalmente, a Zeus, mas se dedicava mais à deusa Hera. Segundo a lenda, as asas adquiriam as cores do arco-íris quando a jovem partia para suas tarefas. Foto de Debora Mangrich.















Foto de Debora Mangrich. Quando fanáticos neopentecostais buscam a verdade absoluta, a ambivalência do homossexual desorganiza, relativiza.




















Foto de Debora Mangrich. Os gays reverenciam o excesso, são muitas cores, muitas formas. Há neles o culto à vida intensa, mas há também um culto ao mito de Narciso. Esse mito grego é homossexual porque, por meio de seu reflexo na água, o outro, a imagem, é seu próprio sexo.










Foto de Debora Mangrich. Fui à Parada Gay (letras maiúsculas). A liberdade de se fantasiar, e o desejo por outro homem. O gay da foto não matou seu semelhante como o Deus de Israel mata até hoje na Faixa de Gaza palestinos. Penso ser inumano matar homossexuais ou chamá-los de sujos.


sexta-feira, setembro 18, 2009

Xonarlismo

"Eu não posso está fora do cenário político. Eu vou está presente onde eu possa expressar ao mundo os meus valores."

Comum entre nossos jornalistas. Buscar o correto nesse caso depende de colocar outro verbo no lugar de "está". Nós não falamos "posso morre", mas "posso morrer". Feita a troca, nós falamos "posso estar" e não "posso está".

Meninos Livres












Debora Mangrich é atenta aos movimentos da cidade. Nessa foto, ela, muito mais do que fotografar, sacaneou dois alunos que pularam os limites do colégio Meta.

Livres dos cálculos, das ligações covalentes, dos versos de Oswald de Andrade, libertos da Revolução Russa, esses dois jovens foram buscar o sentido da vida exercendo a desobediência.

Como é doce e boba a (falsa) liberdade.

quinta-feira, setembro 17, 2009

O que sobrará do PT?

Com muita tristeza, li a matéria da jornalista Nayanne Santana. Antes, o Partido dos Trabalhadores orgulhava-se de ser uma legenda que admitia a pluralidade de ideias. O PT, entretanto, depois de seus anos iniciais, transformou-se em um grupo fechado que não ouve a fala diferente do outro, no caso, a do deputado federal Henrique Afonso.

A Comissão de Ética do PT puniu-o por ele inaceitar o aborto. Não há outra saída para Afonso. Por ser evangélico, ele não rasgará a Bíblia para ler ajoealhado a cartilha do partido. É uma questão de tempo sua saída.

O que sobrará do PT depois do poder?

PT pune Henrique Afonso
DeNayanne Santana

O deputado federal Henrique Afonso (PT) foi punido pelo Partido dos Trabalhadores por ser contrário ao aborto. Desde junho de 2010, o deputado aguardava o resultado do julgamento que decidiria se ele seria expulso da legenda de que ele faz parte há décadas. O resultado foi anunciado na quinta-feira, dia 17, por volta das 18 horas.

O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu que Henrique será punido com suspensão por três meses das atividades partidárias e está proibido de participar, pelo período de dois anos, como representante do partido na qualidade de membro titular ou suplente da Comissão de Seguridade Social Saúde e Família da Câmara dos Deputados.

Por meio de sua assessoria, o parlamentar informou que se manifestará sobre a decisão na próxima semana “depois de ouvir atentamente sua família, lideranças ligadas ao mandato e os companheiros do PT do Acre”, informou a assessoria parlamentar.

Entenda o caso

O pedido de expulsão do parlamentar acriano foi feito pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT em junho de 2008 durante um encontro realizado em Brasília.

A secretaria pediu que o partido entrasse com processo contra o parlamentar acriano e contra o deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA), que também é contra o aborto. Na época, foi divulgada uma nota em que Afonso explicava como foi formalizado o pedido de expulsão ou de punição.

Segundo a nota, a Secretaria Nacional de Mulheres, que faz parte da Executiva Nacional do PT, entrou com uma representação que solicita a instalação ‘imediata de Comissão de Ética’ para os deputados federais Luiz Bassuma (PT-BA) e Henrique Afonso (PT-AC), porque ambos tinham posições públicas contra a legalização do aborto no Brasil.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Estudante de Jornalismo

No último período da Uninorte, uma estudante de Xonarlismo evacuou a seguinte pergunta: "Que porra é essa de Aleac?".

Para quem não sabe, Aleac é Assembleia Legislativa do Acre.

terça-feira, setembro 15, 2009

Nem tudo é perfeito












Sempre votei em Jorge Viana. Nele, porém, incomoda-me sua pensão vitalícia de ex-governador e o peso de sua mão na imprensa acriana.

Quando foi governador, os chargistas deixaram de existir nos jornais do Estado, não podíamos rir de sua imagem, brincar com o representande do poder.

As fotos tinham de ser perfeitas. Na de acima, o fotógrafo congelou seu gesto inadequado, imperfeito. Jorge Viana é humano.

domingo, setembro 13, 2009

Nesta semana, Deus também é gay

De Aldo Nascimento

Nesses meus anos no Acre, ouvi muitas vezes de evangélicos desqualificados que homossexuais não são criaturas de Deus. Sujos, essas anomalias disseminam promiscuidade, devassidão, luxúria, pecados aos olhos de seres humanos normais. “O Senhor criou o homem e a mulher no Paraíso, não o homossexual”, disse-me um pastor.

Respondi-lhe que também não havia prostituta no Paraíso, porém Jesus, mesmo assim, impediu que Madalena fosse apedrejada. Há muito tempo, esses fanáticos atiram pedras em homossexuais porque a Madalena de ontem é o gay, é o travesti, é a lésbica de hoje.

“Atire a primeira pedra quem não pecou.” Os homófobos cristãos, entretanto, por acharem que não pecam, por acharem que são puros, atiram suas pedras imensas e pesadas como a verdade. O Deus desses evangélicos é másculo e, em sua divina masculinidade, ergue sua viril homofobia.

Mas quem pensa que eles entregam tudo à lei de Moisés comete um judaico engano. O Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) questionava uma lei paulista que pune administrativamente quem discriminar alguém devido à orientação sexual.

Por causa dessa lei, a 10.948/01, o Cimeb afirmava que a Constituição estava sendo “rasgada e aviltada” pela criação de uma lei estadual que protege um grupo específico da sociedade. Os pastores evangélicos ligados ao conselho lembraram que outros grupos - mulheres, idosos, negros, nordestinos, divorciados, casais que não têm filhos, evangélicos, religiosos africanos, católicos e judeus - também sofrem discriminação sem ter uma lei semelhante.

Os homófobos da fé definiram a lei como uma “mordaça” que viola o direito constitucional de liberdade do pensamento. “A manifestação pública sob o ponto de vista moral, filosófico ou psicológico contrário aos homossexuais é passível de punição”, afirmam os “puros”. Contrariando as pedras desses evangélicos, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou na semana passada a ação judicial do Cimeb, graças a Deus.

Poderia exemplificar outros casos, mas esse do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil deixa bem claro que evangélicos - os únicos representantes, segundo eles, de Deus na Terra - ambicionam um Poder Legislativo que seja a extensão da lei judaica, patriarcal e máscula.

Em Êxodo (32 :25-29), esse mesmo Deus-homem, criador da lei, ordena que Moisés retire a vida dos seus: “(...) e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho (...).” Antes, ainda em Êxodo (11:5-7), esse Deus ordena que “todo primogênito na terra do Egito morrerá (...).” O Deus de Israel mata crianças, seres inocentes e puros, para que o Faraó liberte o povo hebreu. Ainda hoje, esse Deus de evangélicos mata crianças palestinas, sufocando-as lentamente em um campo de concentração chamado Faixa de Gaza.

Certa vez, abrindo suas páginas, Carlos Drummond de Andrade disse aos meus olhos... “quando digo ‘meu Deus’/afirmo a propriedade./Há mil deuses pessoais/em nichos da cidade.” Se é assim, eu não creio em um Deus que mata ou em um Deus que chama homossexuais de sujos. O meu Deus não segura na mão da intolerância a pedra imensa e pesada da verdade.

Assim como no jardim há várias cores, várias formas e vários aromas, o meu Deus criou verdades. Nele, cabem os povos com suas línguas e com seus livros: Bíblia, Alcorão. Que triste seria a vida se houvesse arco-íris com uma só cor. Se há beleza na vida, é porque nela pulsa a diversidade das cores. O meu Deus é mulher. O meu Deus é homem. O meu Deus também é gay.

Na Semana da Diversidade, homossexuais não matarão seu semelhante, porque, do semelhante, eles desejam o corpo para o gozo, para o beijo, para o amor. Que homens beijem seus homens e que mulheres beijem suas mulheres sem perder na intimidade a dignidade humana, e essa dignidade não se encontra no orifício. Conheço muitos homossexuais mais dignos que heterossexuais.

Tanta fome neste país. Tanta miséria nesta pátria. Por entre os dedos de políticos, sai tanta injustiça social. O meu Deus tem mais o que fazer, não fica olhando para o rabo dos outros.

terça-feira, setembro 08, 2009

Entre a folia e a violência

Sena-Folia registra uma morte, uma tentativa de homicídio e 29 prisões

O Carnaval fora de época, o já tradicional Sena-Folia, realizado na noite de sábado em Sena Madureira, não foi dos mais tranquilos. Mais de cinco mil pessoas lotaram as dependências da praça 25 de Setembro.

As Polícias Civil e Militar prenderam 29 foliões. A grande maioria por excesso de bebida, desordem ou pequenas desavenças, nada de muito grave. O saldo negativo ficou por conta de um homicídio e uma tentativa de homicídio.

TRÊS TIROS
Era madrugada de domingo, o jovem Francisco Rodrigues da Silva, o Barrão (22), retornava para casa quando dois homens encapuzados dispararam contra ele. Atingido nas costas, no abdome e no braço, o rapaz correu para pedir ajuda.

Depois de passar pelo hospital, foi transferido para o hospital de Rio Branco e submetido a cirurgias de emergências. Um acerto de contas seria a causa do atentado.

ASSASSINATO
Na madrugada de domingo, policiais souberam que um homem havia sido assassinado nas proximidades da área da folia. No local, eles se depararam com um jovem de uns 22 anos morto a pauladas. Ele estava com o rosto desfigurado.

Como não tinha documento, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Rio Branco, onde permanecia até ontem à espera de parentes.

Os dois crimes estão sendo investigadores pelo delegado Jarlen Alexandre.

Um bom livro



O poeta da filosofia, Nietzsche, diz que
não existe verdade, mas interpretações.







Sete de Setembro, o desfile, mereceu uma caprichosa interpretação de Roberto DaMatta no livro Carnavais, malandros e heróis. Assim como Raízes do Brasil e Casa-Grande e Senzala, a obra de DaMatta é um clássico para o brasileiro entender melhor sua pátria.

No Acre, o desfile iniciou-se à noite, o que é um erro simbólico. A parada militar emerge ao amanhecer. O carnaval é que pertence à noite. Para o antropólogo, o Dia da Pátria representa o reforço; o carnaval, a inversão; e a procissão, a neutralização.

Conforme Roberto DaMatta escreve, a parada militar e a procissão assemelham-se porque elas fazem uma trajetória familiar. Ele chama a parada militar de uma segunda procissão.

Mas os soldados não reverenciam a população, e sim as autoridades. A continência, que é com a mão direita - por que a direita? -, representa uma obediência à ordem, a uma organização social fixa. A parada militar é moralizadora.

Nesse sentido, 7 de Setembro se mantém organizado como há anos, diferente do carnaval. No Acre, a Frente Popular organiza o carnaval para também ser familiar, perdendo assim sua força de subversão da ordem social. Não são assimilados os signos da festa de Momo, mas os signos do Dia da Pátria, a população os assimila. Como escreve DaMatta na página 52, "o Dia sa Pátria é um rito formal e que celebra a estrutura", no caso, a divisão social, a divisão de classe.

O carnaval, informal que é, não celebra essa divisão, mas a inverte, por isso a Secretaria de Cultura do Estado do Acre, sem compreender a importância cultural do carnaval, deforma-o.

Leia essa dica que oferto a teus olhos.

Banco Irreal

Em Rio Branco, Acre, o banco pode se chamar Real, mas a realidade do cliente é irreal. Blogueiro(a), repare nos minutos.

domingo, setembro 06, 2009

Ainda sobre Marina Silva

Jogo embaralhado

Como Collor e Jânio Quadros, Marina Silva encarna figura salvadora em um cenário político degradado, mas sua "doce" presença terá efeitos mais promissores, defende José Arthur Giannotti

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA

A senadora Marina Silva abandona o PT, inscreve-se no Partido Verde e se prepara para lançar-se como candidata à Presidência da República. De repente, todo o jogo político anterior, que tendia a se polarizar entre dois candidatos, se embaralha e se torna mais imprevisível. O que está acontecendo?

Antes explico meu vocabulário. Em geral não uso o conceito de sistema político porque me parece muito abstrato, pois capta antes de tudo a estrutura das regras de um processo mais rico. Prefiro aquele de jogo, não no sentido da teoria dos jogos porque, assim fazendo, cairia nas mesmas armadilhas armadas pelo conceito de sistema. Mas tomo "jogo" para descrever um processo real, como se fosse uma partida de futebol. O sistema demarca as regras; a partida, o curso das interações sociais; os times e partidos, os grupos socializados.

Posso então dizer que o jogo político brasileiro endoideceu, deixando de cumprir as tarefas que lhe correspondem em uma sociedade moderna: representar interesses dos vários grupos sociais, encená-los em um palco a ser visto e corrigido pela opinião pública, sempre com o intuito de reforçar e projetar um ideal de nação.

Note-se que a implosão do jogo pode muito bem não corresponder à destruição do sistema. Desse último ponto de vista, as regras da política democrática continuam sendo seguidas e os partidos têm mantido os desempenhos esperados. Mas cada partida é um desastre, os atores comem bola, revelam-se fantoches a mando de caciques debochados. Qual é a qualidade de nossa democracia?

Seria longo demais fazer a análise e a história desse derretimento. Mas me parece evidente que uma das causas foi a vinda do PT para o centro político e o pragmatismo cada vez mais descarado do lulo-petismo. De modo nenhum estou isentando as oposições da responsabilidade pelo desastre, apenas lembro que a ponta de lança da confusão se formou quando o PT de Lula, nas pistas do PSDB, aderiu a uma social-democracia de cunho "neoliberal", bebeu até a última gota do cálice das alianças envenenadas -se a política é essa sujeira, então não há como não aderir a ela, dizem eles- e se entregou a tal ponto às práticas tradicionais que ressuscita os velhos coronéis da política brasileira.

Luta política
É de esperar que, numa situação de anomia, surja uma força nova, capaz de refazer o sentido das jogadas. A disputa eleitoral já está nas ruas e caminhava para um duelo entre situação e oposição, cada parte fazendo todo o possível para aparentar o que de fato não é.

De repente surge "santa" Marina. O que isso significa? Costuma-se dizer que o poder corrompe. Isso tem muito de verdade, pois reside na essência da ação política. Se no início esta é quase sempre estimulada por ideais moralmente impecáveis, ela se degrada ao longo de seu exercício. Isso sobretudo porque se faz por meio de alianças que tanto aglutinam vários atores em vista de certos ideais como estabelecem uma divisão entre aliados e adversários.

Pouco importa se ambas as partes formulam esses ideais pelas mesmas palavras, as práticas emprestam a elas sentidos diferentes, à medida que ações, manipulando os fundos públicos e orientando o exercício da violência legítima, constroem forças coletivas que sempre encobrem uma diferença larvar.

Procurando conciliar, a ação política separa aliados e adversários. A decisão por maioria apenas posterga, ou transfere para outro plano, diferenças que se mantêm conforme vão sendo reformuladas. A luta pelo poder junta e divide.

Ora, nos últimos tempos, essa luta tanto se embaralhou que as ações e os próprios atores políticos estão progressivamente perdendo suas identidades. O termômetro é o presidente Lula, cujas falas e práticas contraditórias se espalham por todas as direções.

Renovação possível
Nessa situação de derretimento das ações instituintes, se espera que se levante um novo ideário. Já tenho idade para ter assistido a várias dessas irrupções salvadoras e moralizadoras: Jânio, Collor... Qual seria o conselheiro da vez? Temia um novo ator truculento, feroz demagogo querendo nos curar a ferro e a fogo.

Mas veio a doce Marina Silva. Sua presença já promete uma renovação possível, pode tornar mais higiênico nosso jogo político. Não me parece, até agora, que possa vencer a eleição para a Presidência, mas simplesmente sua atuação mobiliza novos atores, eleva o debate político, tende a reduzir os golpes baixos e a demarcar regras e personagens.

Se fizer uma campanha de alto nível e inovadora, coloca de vez a problemática do desenvolvimento sustentável na agenda de qualquer governo que resulte da próxima eleição.

E pode levantar a pergunta básica: que desenvolvimento queremos ter? Mas que ela não caia no abismo que a espreita: uma campanha altamente centrada nos problemas da moralidade pública desemboca, como já sabemos, na politicalha da sujeira.
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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve na seção "Autores", do Mais! .

Habilidade matemática de uma menina

Em 31 de agosto de 2009, a Globo emitiu, mais uma vez, a imagem de Marina Silva no Programa do Jô. Ao ícone ambientalista, Jô Soares concedeu dois blocos. Quanto custa um minuto na maior audiência do país? A senadora Marina falou por muito tempo, uns 15 minutos por bloco.

No primeiro, suas palavras passearam pela floresta. Outra vez, Marina ratificou sua imagem de “protetora do meio ambiente” e, em nenhum momento, a mulher que nasceu em uma classe social pobre mostrou-se indignada com a miséria, com a exploração. No meio ambiente de Marina Silva, as injustiças sociais calaram-se na entrevista.

Pedi a Deus para a senadora falar dos desenganados, por isso esperei pelo segundo bloco. Ela, entretanto, usou o tempo caríssimo da televisão para falar dela mesma, da menina pobre que ajudou o pai a calcular a péla quando pesada. A menina Marina era hábil com os números. A senadora só não falou das oligarquias que sempre foram mais hábeis para trapacear nos cálculos.

Uma entrevista amena para entreter o público. Se eu quisesse assistir a uma provocação, a senadora Mariana Silva deveria estar diante de outro gordo, Antônio Abujamra (foto).

Mas quem saberia das habilidades matemáticas de uma menina se a audiência da TV Cultura é tão pequena?

terça-feira, setembro 01, 2009

Dez sugestões para uma manchete de jornal

No Acre, o PMDB colocará Pinto como candidato a governador. A princípio, posso afirmar que a campanha do PMDB acriano será ambígua. Leiamo:)

1. Pinto surpreende e cresce;
2. Pinto dispara na frente;
3. Pinto cresce nas pesquisas de boca;
4. Pinto perde a cabeça na campanha;
5. Indeciso na reta final, Pinto não sabe se sai ou continua;
6. No debate da TV, Pinto goza de adversários;
7. Pinto já está na boca do povo;
8. Pinto conquista donas de casa;
9. Comunidade gay dá todo apoio a Pinto; e
10. Mesmo sem força para subir na boca de urna, Pinto ainda acredita na virada.

Deixando de lado essas anfibologias, não acredito que na campanha de 2010 Pinto irá endurecer contra a Frente Popular.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Quando se lê em sala de aula...

Confesso que as palavras do deputado estadual Moisés Diniz (PC do B) foram decisivas para eu escolher "cultura popular" em minhas aulas de Literatura.












Neste ano, poucos dias antes, o deputado declarou que a Expo-Acre é uma grande "festa popular".

Assim sendo, escolhi "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, para o aluno ler e identificar conceitos relacionados aos personagens Chicó e João Grilo, fiéis representantes da cultura popular. Além desse belo livro, os filmes "Jeca Tatu" e "Tapete Vermelho".

Até o momento, ficou claro para os alunos que um conceito da cultura popular é o Riso. No livro de Ariano e no filme "Jeca Tatu", o riso se opõe ao poder. Ofertei aos estudantes personagens caipiras, figuras rurais antagônicas à imagem do caubói.

Ora, na Expo-Acre, predomina o modelo de comportamento do caubói, representante fiel da cultura de massa. Meu esforço, portanto, é estender diante de olhos juvenis leituras que revelem o caipira como personagem desobediente e contestador. Como disse antes, o caipira ri do poder.

Sobre o riso, eles lerão um fragmento do livro "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, cujo narrador apresenta a função do Riso.

Deputado, a Expo-Acre nunca foi festa popular.

A um novo blogue

Conheci-o na Universidade Federal do Acre, foi meu aluno. Naqueles minutos passados, chegamos a dividir um texto em um jornal da capital. Era 1993. Pois bem, após anos e anos, eu o revejo, nome escrito em meu blogue.

Márcio Chocorosqui escreve bem quando blogues e sítios se proliferam com um português roto e violado pela ignorância. Em seu blogue, lemos como se escreve corretamente, porém esse jovem nem sempre é obediente a regras. Como conhece seu idioma, como conhece sua ordem sintática, por exemplo, ele desobedece à LÍNGUA. Isso é para quem sabe.

Ele se chama Blecaute (clique no nome), mas em seu blogue não veremos a Língua Portuguesa mergulhada na escuridão do não saber escrever.

Um abraço em seu destino, meu jovem amigo!

quinta-feira, agosto 27, 2009

Meu PT...

Desde que Heloísa Helena saiu do PT, iniciou-se em meu cérebro uma crise ideológica entre meus poucos neurônios. Passado o tempo no poder, o meu PT substituiu crise por trauma. Como ficou difícil ser de esquerda neste "Berço Esplêndido" de José Sarney.