
terça-feira, outubro 27, 2009
O prazer (sádico) de estudar
A escola acriana é a última instituição pública em tudo. Nela, nem uma rede de computadores existe. Professores e secretaria registram notas escolares em papéis. Sua imagem é a mesma de 50 anos atrás. Nas salas, o calor abafa o conhecimento, não existem ares-condicionados e os ventiladores circulam em vão.
O professor deve lecionar de forma prazerosa. Antes, prazerosa deveria ser a sala de aula.
______________________________
Estudantes desmaiam em sala de aula por causa do calor
De Ana Paula Batalha
Quatro alunos desmaiaram em sala de aula por causa do forte calor. Eles foram encaminhados ao pronto-socorro de Rio Branco pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu) nesta terça-feira, dia 27. Os estudantes da escola Rodrigues Alves Leite, no Centro da capital, assistiam à aula no momento em que começaram a se sentir mal.
Com isso, vários alunos e professores deixaram as salas de aula e foram protestar em frente à escola. Eles pedem melhores condições na entidade, pois, segundo eles, muitas salas não possuem nem ventiladores.
“Algumas salas possuem ares-condicionados mas eles não prestam. Funciona o primeiro horário e depois não gela mais. Queremos que concertem os aparelhos, pois não temos condições de estudar nesse calor insuportável. A nossa sala fica de frente para o sol, esquenta o dobro. O que adianta ficarmos dentro de sala se não conseguimos prestar atenção nas aulas?”, argumentou a estudante Tabita Lima.
A estudante Tainara Viana também ressaltou sobre a falta de interesse da diretoria da escola com a situação.
“Foi preciso os alunos ligarem para o Samu, pois a diretora não queria. O pessoal do Samu pensou que fosse trote e demoraram para socorrer as meninas”, ressaltou.
No início do ano, os estudantes tinham feito um protesto pelos menos motivos, mas não foram atendidos. A diretora da instituição não foi encontra para comentar o assunto.
O professor deve lecionar de forma prazerosa. Antes, prazerosa deveria ser a sala de aula.
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Estudantes desmaiam em sala de aula por causa do calor
De Ana Paula Batalha
Quatro alunos desmaiaram em sala de aula por causa do forte calor. Eles foram encaminhados ao pronto-socorro de Rio Branco pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu) nesta terça-feira, dia 27. Os estudantes da escola Rodrigues Alves Leite, no Centro da capital, assistiam à aula no momento em que começaram a se sentir mal.
Com isso, vários alunos e professores deixaram as salas de aula e foram protestar em frente à escola. Eles pedem melhores condições na entidade, pois, segundo eles, muitas salas não possuem nem ventiladores.
“Algumas salas possuem ares-condicionados mas eles não prestam. Funciona o primeiro horário e depois não gela mais. Queremos que concertem os aparelhos, pois não temos condições de estudar nesse calor insuportável. A nossa sala fica de frente para o sol, esquenta o dobro. O que adianta ficarmos dentro de sala se não conseguimos prestar atenção nas aulas?”, argumentou a estudante Tabita Lima.
A estudante Tainara Viana também ressaltou sobre a falta de interesse da diretoria da escola com a situação.
“Foi preciso os alunos ligarem para o Samu, pois a diretora não queria. O pessoal do Samu pensou que fosse trote e demoraram para socorrer as meninas”, ressaltou.
No início do ano, os estudantes tinham feito um protesto pelos menos motivos, mas não foram atendidos. A diretora da instituição não foi encontra para comentar o assunto.
segunda-feira, outubro 26, 2009
A democracia da escola pública
Após alguns anos na rede pública de ensino, lecionando Literatura e Língua Portuguesa em salas de aula sem ares-condicionados, afirmo, com toda propriedade, a minha mais sólida desconfiança na democracia escolar.
Na escola Heloísa Mourão Marques, antes de o ano letivo de 2009 ter sido iniciado, direção e corpo docente reuniram-se para definir o calendário escolar do primeiro e do segundo semestres de 2009.
Em julho, segundo semestre, em uma reunião onde todos os professores podiam participar, definiu-se que em um sábado de cada mês haveria encontro pedagógico por meio dos conselhos de disciplina.
Uma vez por semana, o professor da rede pública estadual de ensino deveria se reunir com outros professores para o planejamento pedagógico, porém esse planejamento transformou-se em "folga".
Nada mais justo, portanto, haver encontro pedagógico aos sábados para compensar a "folga". E mais. Como a "folga" dos professores difere-se na semana, o corpo docente concordou em reunião que o encontro pedagógico deve ser aos sábado porque a grande maioria dos professores pode comparecer.
A democracia segundo o interesse do feriado
E assim ficou determinado conforme votação. Em julho, nós sabíamos que em 31 de outubro (sábado) deste ano haveria um encontro pedagógico para estabelecer, por exemplo, os rumos da Literatura e da Língua Portuguesa na escola HMM.
No entanto, alguns professores rompem com o que votaram em julho, e tudo por causa de um feriado prolongado. Como o governo transferiu o feriado de 28 de outubro (quarta-feira) para o dia 30 (sexta-feira), a democracia escolar transfere o encontro pedagógico do dia 31 de outubro (sábado) para o dia 29 de outubro (quinta-feira, à noite).
Na quinta-feira, não poderei ir à reunião do Conselho de Língua Portuguesa. Mas o que importa a minha ausência em um conselho de disciplina se podemos ter um feriado prolongado?
A democracia escolar não se reúne para haver mais sábados com encontros pedagógicos, mas, para prolongar feriado, rompendo com o que tinha sido aprovado em julho, a maioria vota conforme sua comodidade.
A questão não é "eu não tenho culpa de você trabalhar na quinta-feira, à noite". A questão é que houve uma reunião em julho para definir um calendário para todos, mas, por causa de uma feriado prolongado, transfere-se um encontro pedagógico para uma quinta-feira. A democracia escolar vota a favor de seu conforto.
Como indivíduo, o que posso diante dessa democracia?
Pergunto a ela: vamos votar para haver por mês quatro encontros pedagógico em quatro sábados? Vamos transferir a "folga" para os sábados?
Na escola Heloísa Mourão Marques, antes de o ano letivo de 2009 ter sido iniciado, direção e corpo docente reuniram-se para definir o calendário escolar do primeiro e do segundo semestres de 2009.
Em julho, segundo semestre, em uma reunião onde todos os professores podiam participar, definiu-se que em um sábado de cada mês haveria encontro pedagógico por meio dos conselhos de disciplina.
Uma vez por semana, o professor da rede pública estadual de ensino deveria se reunir com outros professores para o planejamento pedagógico, porém esse planejamento transformou-se em "folga".
Nada mais justo, portanto, haver encontro pedagógico aos sábados para compensar a "folga". E mais. Como a "folga" dos professores difere-se na semana, o corpo docente concordou em reunião que o encontro pedagógico deve ser aos sábado porque a grande maioria dos professores pode comparecer.
A democracia segundo o interesse do feriado
E assim ficou determinado conforme votação. Em julho, nós sabíamos que em 31 de outubro (sábado) deste ano haveria um encontro pedagógico para estabelecer, por exemplo, os rumos da Literatura e da Língua Portuguesa na escola HMM.
No entanto, alguns professores rompem com o que votaram em julho, e tudo por causa de um feriado prolongado. Como o governo transferiu o feriado de 28 de outubro (quarta-feira) para o dia 30 (sexta-feira), a democracia escolar transfere o encontro pedagógico do dia 31 de outubro (sábado) para o dia 29 de outubro (quinta-feira, à noite).
Na quinta-feira, não poderei ir à reunião do Conselho de Língua Portuguesa. Mas o que importa a minha ausência em um conselho de disciplina se podemos ter um feriado prolongado?
A democracia escolar não se reúne para haver mais sábados com encontros pedagógicos, mas, para prolongar feriado, rompendo com o que tinha sido aprovado em julho, a maioria vota conforme sua comodidade.
A questão não é "eu não tenho culpa de você trabalhar na quinta-feira, à noite". A questão é que houve uma reunião em julho para definir um calendário para todos, mas, por causa de uma feriado prolongado, transfere-se um encontro pedagógico para uma quinta-feira. A democracia escolar vota a favor de seu conforto.
Como indivíduo, o que posso diante dessa democracia?
Pergunto a ela: vamos votar para haver por mês quatro encontros pedagógico em quatro sábados? Vamos transferir a "folga" para os sábados?
domingo, outubro 25, 2009
Nova blogueira
Estudiosa, os livros a seduzem como as marés.
Acesse este nome: Mony Brasil
Ganha mais quem leciona melhor
É um bom estímulo ao professor
De Gilberto Dimenstein
A partir de agora, um professor da rede estadual de São Paulo terá condições de, ao final carreira, chegar a um salário superior a R$ 6 mil mensais -isso se aceitar fazer uma série de exames ao longo de sua carreira e não faltar às aulas.
Isso colocaria o professor, segundo os critérios brasileiros, na faixa dos 10% mais ricos. O projeto é limitado (não pode promover todos os professores ao mesmo tempo, por restrição orçamentária) e não resolve a média salarial, ainda baixa, mas sinaliza o valor do mérito e isso é capaz de atrair talentos para a escola pública. Atualmente, o salário de um professor é abaixo do rendimento de um profissional como diploma universitário.
Além dos exames, se valorizam a presença em sala de aula e a baixa rotativa entre as escolas.
É das mais interessantes ações de toda a gestão José Serra. A decisão coloca São Paulo na vanguarda de um sistema de mérito aos professores, que já são beneficiados, todos os anos, com um bônus a partir do desempenho de seus alunos.
Os sindicatos, como sempre, vão chiar, faz parte do jogo. Mas os talentos e esforçados vão ser recompensados.
Sabemos que aumentos salariais indiscriminados não melhoram tanto a educação como premiar o esforço.
De Gilberto Dimenstein
A partir de agora, um professor da rede estadual de São Paulo terá condições de, ao final carreira, chegar a um salário superior a R$ 6 mil mensais -isso se aceitar fazer uma série de exames ao longo de sua carreira e não faltar às aulas.
Isso colocaria o professor, segundo os critérios brasileiros, na faixa dos 10% mais ricos. O projeto é limitado (não pode promover todos os professores ao mesmo tempo, por restrição orçamentária) e não resolve a média salarial, ainda baixa, mas sinaliza o valor do mérito e isso é capaz de atrair talentos para a escola pública. Atualmente, o salário de um professor é abaixo do rendimento de um profissional como diploma universitário.
Além dos exames, se valorizam a presença em sala de aula e a baixa rotativa entre as escolas.
É das mais interessantes ações de toda a gestão José Serra. A decisão coloca São Paulo na vanguarda de um sistema de mérito aos professores, que já são beneficiados, todos os anos, com um bônus a partir do desempenho de seus alunos.
Os sindicatos, como sempre, vão chiar, faz parte do jogo. Mas os talentos e esforçados vão ser recompensados.
Sabemos que aumentos salariais indiscriminados não melhoram tanto a educação como premiar o esforço.
O mal que vem da igreja
Igreja Universal fez remessa clandestina, diz relatórioRUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo
O Ministério Público Federal tem em seu poder documentos que indicam o uso de uma casa de câmbio chamada Diskline para fazer remessas de pelo menos R$ 17,9 milhões, em valores atualizados, para uma conta bancária em Nova York cuja beneficiária era a Igreja Universal do Reino de Deus.
As remessas ocorreram, segundo as investigações, por meio de dólar-cabo, um sistema clandestino de transações internacionais que foge do controle do Banco Central. Por esse sistema, combatido pela Polícia Federal desde que foi descoberto, em meados dos anos 90, doleiros do país abastecem contas de brasileiros no exterior sem que o BC tenha conhecimento das operações.
É uma espécie de compensação paralela entre contas bancárias abertas no exterior em nome de empresas "offshore" sediadas em paraísos fiscais. O dinheiro é entregue pelo cliente ao doleiro, no Brasil, em espécie. Simultaneamente, o mesmo valor, excluída a "taxa de administração" cobrada pelo doleiro, é transferido de uma conta aberta fora do Brasil em nome de empresa de fachada controlada pelo doleiro. Operações desse tipo são consideradas, nos EUA, retransmissões ilegais de fundos.
Os documentos que revelam as operações foram produzidos pela Assessoria de Análise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, tendo como base os achados das ações da PF e da CPI do Banestado. Num disquete apreendido na sede da Diskline e periciado pela PF, foi achada uma tabela que descreve 24 remessas feitas entre agosto de 1995 e fevereiro de 1996 no total de R$ 7,5 milhões, ou R$ 17,9 milhões atualizados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).
O dinheiro era entregue por uma pessoa identificada pelo código "Ildinha/Fé" e tinha como destino final a conta nº 365.1.007852 do antigo Chase Manhattan Bank de Nova York (EUA), adquirido no ano 2000 pelo JP Morgan, dando origem ao JPMorgan Chase & Co.
Conforme documentos constantes do CD-Rom, as operações envolvendo o nome de "Ildinha/Fé" são operações em que a diretora do Banco de Crédito Metropolitano e de empresas do grupo da Igreja Universal, sra. Alba Maria Silva da Costa, fazia com a mesa de operação da empresa Diskline de São Paulo, sendo o nome "Ildinha/Fé" uma referência à funcionária da igreja de nome Ilda, que, inicialmente, era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline", apontou o relatório.
Alba Maria, referida no relatório, é uma das pessoas denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo, ao lado do líder da Iurd, Edir Macedo, por supostos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela foi executiva de empresas controladas pela igreja.
Segundo as investigações, a Diskline teve como sócios Marcelo Birmarcker e Cristiana Marini. "Eles estão na relação de doleiros investigados no caso Banestado, sendo ambos titulares de três contas no Merchants Bank de Nova York, banco em que vários doleiros brasileiros possuíam conta e que teve o sigilo bancário afastado no curso das investigações", prossegue o relatório datado de 22 de março de 2007.
Segundo o documento, as três contas do Merchants controladas por aqueles investigados são a Milano Finance (nº 9005035), a Pelican Holdings Group (nº 9007110) e a Florida Financial Group Ltd. (nº 9010264). Elas movimentaram (soma de entradas e saídas de recursos), entre janeiro de 1998 e janeiro de 2003, aproximadamente US$ 164 milhões.
Trading
Outro relatório federal descreve operações da "offshore" CEC Trading Corporation, aberta em nome do irmão de Edir Macedo, Celso Macedo Bezerra, com a empresa Beacon Hill Service Corporation, fechada em 2003 pelas autoridades dos EUA sob acusação de retransmissão ilegal de fundos.
A Beacon Hill --que no Brasil deu origem à maior operação deflagrada contra doleiros, a Operação Farol da Colina-- transferiu US$ 76 mil para a CEC Trading entre dezembro de 1997 e junho de 1998. Os recursos foram transferidos por meio de uma subconta denominada "Titia", igualmente gerida por doleiros do Brasil.
'Nos contratos de câmbio recebidos do Banco Central do Brasil há a informação de que a Rádio e Televisão Record S.A. remeteu para o exterior a quantia de US$ 1,2 milhão para a CEC Trading Corporation, na mesma conta que recebeu recursos de doleiros da Beacon Hill, qual seja, a conta nº 3871339802, mantida no Barnett Bank da Flórida', diz relatório da Procuradoria-Geral da República de outubro de 2005.
Outro lado
A Igreja Universal do Reino de Deus, procurada pela Folha na semana passada para falar sobre os relatórios em poder do Ministério Público Federal, informou na quinta-feira, por meio de sua assessoria, que não comentaria o assunto por falta de informações suficientes.
Em e-mail enviado às 13h42 da última terça-feira, a Folha detalhou os principais pontos dos relatórios do Ministério Público Federal e fez sete perguntas à Igreja Universal.
Eis a íntegra da nota enviada, em resposta, por sua assessoria: "Os advogados do escritório Moraes Pitombo não conseguiram ter acesso à investigação do Ministério Público e por esse motivo a Igreja Universal do Reino de Deus não irá se pronunciar a respeito desses fatos. As perguntas referentes ao senhor Celso Macedo e à Rede Record devem ser direcionadas a eles, pois a igreja responde somente por ela".
Após a resposta da Igreja Universal, a Folha procurou a Rede Record e também pediu os telefones e contatos de Celso Macedo, citado nos relatórios do Ministério Público.
Em e-mail enviado à Folha, a Record confirmou uma transação comercial com a CEC Trading. "A Rádio e Televisão Record S/A não efetivou conforme o narrado acima [em perguntas enviadas pela Folha]. As transferências de valores que existiram à CEC Trading Corporation foram devidamente registradas através do Banco Central, referente ao pagamento de importação de equipamentos para o exercício de sua atividade", afirmou.
Celso Macedo não foi localizado para comentar o assunto.
Em entrevista à Folha em agosto passado, o advogado dos líderes da Universal que foram denunciados pelo Ministério Público, Arthur Lavigne, negou quaisquer irregularidades.
sábado, outubro 24, 2009
O mal também sabe sorrir
Suspeitos da morte de professor ainda sorriem diante da imprensa
De Gilberto Lobo
Os acusados pela morte do professor de biologia Marcos Afonso Soares foram apresentados à imprensa na manhã de sábado, 24. Durantes as fotos, um dos suspeitos chegou a sorrir quando os jornalistas perguntaram a idade dele. Parte do dinheiro obtido com a venda do carro que pertencia à vítima foi gasto apenas com “farras”, como frisou o secretário de Polícia Civil, Emylson Farias.
Os acusados são Valdemir Soares da Silva (23) - serralheiro que fazia serviços para vítima-, os irmãos Jéferson da Silva Gonçalves (20) e Cláudio Sérgio da Silva Gonçalves (23). Todos são réus primários e fazem parte da mesma família.
Com os suspeitos, foram encontradas uma moto, R$ 1.354, um revólver e dois celulares. O carro de Marcos Afonso valia R$ 40 mil. Foi vendido em Cobija, na Bolívia, por R$ 7 mil.
O crime mostrou a fragilidade da fiscalização na fronteira. Os acusados passaram com o automóvel do professor – um Renault Sandero – pelo posto de fiscalização da Companhia de Trânsito (Ciatran), pelo posto de fiscalização em Senador Guiomard, onde foram registradas imagens do veículo pelas câmeras de vigilância da Polícia Militar, pela fiscalização na ponte Wilson Pinheiro e por fim pela “tranca” que separa Brasil-Bolívia.
Em nenhuma das barreiras de fiscalização, os criminosos foram parados. De acordo com informações dos delegados responsáveis pelas investigações, o crime aconteceu por volta das 18 horas, mas os familiares e as testemunhas só informaram à delegacia aproximadamente às 20 horas.
O carro foi filmado no trevo de Senador Guiomard às 19 horas. Conforme explicou o secretário, quando informaram do crime, imediatamente equipes da polícia saíram para fazer as buscas, e as delegacias do interior foram informadas. Mesmo assim, não foi possível interceptar os apontados como assassinos de Marcos Afonso.
Conforme foi revelado por Emylson, a faca utilizada para matar o professor não foi retirada do local do crime. Os peritos não a encontraram quando fizeram o isolamento da casa do docente, porque ela estava sob peças de roupas.
“Ninguém trabalhava com essa hipótese (do corpo ter sido enterrado na propriedade). A priori, não foi feita nenhuma perícia no local, porque as testemunhas disseram que ele havia sido levado”, disse o delegado.
Dinâmica do crime
A vítima foi rendida pelos três homens armados com um revólver 38 e uma faca. Os vigias da obra foram presos num quarto. Na versão da polícia, Valdemir teria matado o professor porque teve medo de ter sido reconhecido.
Eles o enterram num buraco onde seria plantada uma palheira imperial. Conforme informações ainda não confirmadas, as ferramentas usadas pelos suspeitos ficaram sobre o local onde estava o corpo.
No corpo da vítima, havia marcas de seis golpes de faca. O carro fora encomendado por criminosos bolivianos previamente, o que reforça a tese de um crime premeditado.
“Marcos foi escolhido pelos criminosos porque Valdemir, como já trabalhava para ele, sabia como poderia agir e o crime seria perfeito”, acrescentou Farias.
Medo
Quadrilhas de traficantes bolivianos estão encomendando carros no Brasil. Os veículos são levados para o país vizinho com negociação já fechada. (Gilberto Lobo)
De Gilberto Lobo
Os acusados pela morte do professor de biologia Marcos Afonso Soares foram apresentados à imprensa na manhã de sábado, 24. Durantes as fotos, um dos suspeitos chegou a sorrir quando os jornalistas perguntaram a idade dele. Parte do dinheiro obtido com a venda do carro que pertencia à vítima foi gasto apenas com “farras”, como frisou o secretário de Polícia Civil, Emylson Farias.
Os acusados são Valdemir Soares da Silva (23) - serralheiro que fazia serviços para vítima-, os irmãos Jéferson da Silva Gonçalves (20) e Cláudio Sérgio da Silva Gonçalves (23). Todos são réus primários e fazem parte da mesma família.
Com os suspeitos, foram encontradas uma moto, R$ 1.354, um revólver e dois celulares. O carro de Marcos Afonso valia R$ 40 mil. Foi vendido em Cobija, na Bolívia, por R$ 7 mil.
O crime mostrou a fragilidade da fiscalização na fronteira. Os acusados passaram com o automóvel do professor – um Renault Sandero – pelo posto de fiscalização da Companhia de Trânsito (Ciatran), pelo posto de fiscalização em Senador Guiomard, onde foram registradas imagens do veículo pelas câmeras de vigilância da Polícia Militar, pela fiscalização na ponte Wilson Pinheiro e por fim pela “tranca” que separa Brasil-Bolívia.
Em nenhuma das barreiras de fiscalização, os criminosos foram parados. De acordo com informações dos delegados responsáveis pelas investigações, o crime aconteceu por volta das 18 horas, mas os familiares e as testemunhas só informaram à delegacia aproximadamente às 20 horas.
O carro foi filmado no trevo de Senador Guiomard às 19 horas. Conforme explicou o secretário, quando informaram do crime, imediatamente equipes da polícia saíram para fazer as buscas, e as delegacias do interior foram informadas. Mesmo assim, não foi possível interceptar os apontados como assassinos de Marcos Afonso.
Conforme foi revelado por Emylson, a faca utilizada para matar o professor não foi retirada do local do crime. Os peritos não a encontraram quando fizeram o isolamento da casa do docente, porque ela estava sob peças de roupas.
“Ninguém trabalhava com essa hipótese (do corpo ter sido enterrado na propriedade). A priori, não foi feita nenhuma perícia no local, porque as testemunhas disseram que ele havia sido levado”, disse o delegado.
Dinâmica do crime
A vítima foi rendida pelos três homens armados com um revólver 38 e uma faca. Os vigias da obra foram presos num quarto. Na versão da polícia, Valdemir teria matado o professor porque teve medo de ter sido reconhecido.
Eles o enterram num buraco onde seria plantada uma palheira imperial. Conforme informações ainda não confirmadas, as ferramentas usadas pelos suspeitos ficaram sobre o local onde estava o corpo.
No corpo da vítima, havia marcas de seis golpes de faca. O carro fora encomendado por criminosos bolivianos previamente, o que reforça a tese de um crime premeditado.
“Marcos foi escolhido pelos criminosos porque Valdemir, como já trabalhava para ele, sabia como poderia agir e o crime seria perfeito”, acrescentou Farias.
Medo
Quadrilhas de traficantes bolivianos estão encomendando carros no Brasil. Os veículos são levados para o país vizinho com negociação já fechada. (Gilberto Lobo)
sexta-feira, outubro 23, 2009
Estou...
Poderiam ter roubado só seu carro. Mas não. Inocente, o professor Marcos foi assassinado.
Professor foi enterrado vivo no terreno da própria casa
De Nayanne Santana
O sequestro do professor universitário de biologia Marcos Afonso Soares, de 46 anos, teve um final bárbaro. Os envolvidos no assalto seguido de morte confessaram à polícia que Marcos foi furado com um facão e enterrado ainda vivo no quintal da própria casa, em um buraco onde uma palheira seria plantada.
Segundo a polícia, Marcos foi enterrado vivo no quintal da residência que construía na rua Margarida, bairro Nova Esperança. Peritos do Instituto Médico Legal (IML) foram deslocados para a residência do professor universitário na noite de ontem para remover o corpo de Marcos do local.
Os envolvidos
De acordo com informações preliminares da polícia, entre os envolvidos, um menor de idade.
O mistério sobre o sequestro começou a ser desvendado no início da noite desta sexta-feira, dia 23, quando dois homens foram presos em Xapuri.
Depois das investigações, a polícia chegou aos irmãos Jéferson da Silva Gomes e Cláudio Sérgio da Silva Gomes. Eles seriam comparsas de Valtemir Soares da Silva, que foi contratado para fazer as grades da residência que Marcos estava reformando no bairro Nova Esperança.
A polícia prendeu os três no ramal da Alcoobrás. A prisão foi feita pelos delegados das cidades de Xapuri e de Capixaba e pelos agentes da Polícia Civil de Rio Branco.
De acordo com a polícia, os assaltantes venderam o veículo do professor na cidade de Cobija, na Bolívia. (Nayanne Santana)
Professor foi enterrado vivo no terreno da própria casa
De Nayanne Santana
O sequestro do professor universitário de biologia Marcos Afonso Soares, de 46 anos, teve um final bárbaro. Os envolvidos no assalto seguido de morte confessaram à polícia que Marcos foi furado com um facão e enterrado ainda vivo no quintal da própria casa, em um buraco onde uma palheira seria plantada.
Segundo a polícia, Marcos foi enterrado vivo no quintal da residência que construía na rua Margarida, bairro Nova Esperança. Peritos do Instituto Médico Legal (IML) foram deslocados para a residência do professor universitário na noite de ontem para remover o corpo de Marcos do local.
Os envolvidos
De acordo com informações preliminares da polícia, entre os envolvidos, um menor de idade.
O mistério sobre o sequestro começou a ser desvendado no início da noite desta sexta-feira, dia 23, quando dois homens foram presos em Xapuri.
Depois das investigações, a polícia chegou aos irmãos Jéferson da Silva Gomes e Cláudio Sérgio da Silva Gomes. Eles seriam comparsas de Valtemir Soares da Silva, que foi contratado para fazer as grades da residência que Marcos estava reformando no bairro Nova Esperança.
A polícia prendeu os três no ramal da Alcoobrás. A prisão foi feita pelos delegados das cidades de Xapuri e de Capixaba e pelos agentes da Polícia Civil de Rio Branco.
De acordo com a polícia, os assaltantes venderam o veículo do professor na cidade de Cobija, na Bolívia. (Nayanne Santana)
quinta-feira, outubro 22, 2009
Comprador de palavras
Você compra papel higiênico para limpar a bunda. Você compra roupa para esconder tua vergonha. Você compra feijão para não passar fome. Mas você não compra palavras para (des)cobrir a vida.

Há anos, sou um comprador de palavras. Tinha 17 anos quando meus olhos conferiram o valor que elas tinham. Eram estranhas como os estrangeiros, diferentes dos ruídos da rua e das superficialidades das novelas. Eram opostas ao meu pai e à minha mãe. Eu não as entendia. Guardei-as como começo de minha biblioteca.
Comprei o que não entendi. Leva tempo para que o comprador amadureça para perceber que palavra não é coisa, produto ou objeto. O proprietário da livraria, sabemos, é comerciante, porém palavra não é mercadoria. Vida, eis o que ela é.
Eu, um mero comprador de palavras aos 17 anos, tive de amadurecer para compreender o meu primeiro livro, onde as palavras, em estado pleno de silêncio, só emitiram vozes com sentido quando meus olhos souberam ler para muito além da aparência.
Até hoje, debruço meus olhos sobre o parapeito de páginas para abrir as palavras e assim dar sentido às paisagens. Abro livros para (des)cobrir por meio de palavras o que a vulgaridade espessa da rua oculta.
Ler Drummond. Neruda. Ler Pessoa. Leminski. Ouvir Caetano. Cazuza. Ler poesia, porque, atrás da aparência, o verso, o outro lado, o que se esconde, revela. O verso desperta e reconvoca por inteiro o nosso puro poder de expressão para além das coisas já ditas ou já vistas.
Assista a "O Carteiro e o Poeta".
quarta-feira, outubro 21, 2009
Greve
Servidores da Justiça e da Ufac realizam paralisação
De Freud Antunes
Os servidores administrativos da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado realizaram uma paralisação de 24 horas ontem para reivindicar melhorias trabalhistas.
Os técnicos da Universidade até bloquearam a entrada de carros na instituição, exigindo o cumprimento de todos os acordos firmados em 2007.
Os funcionários da Justiça abandonaram as repartições e aglomeraram-se na frente do Fórum Barão do Rio Branco para protestar contra a determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aumentou em duas horas a jornada de trabalho, passando de 6 horas para 8 horas diárias.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Terceiro Grau (Sintect), José Alberto Lotte, o governo federal tem cumprido parte do acordo acertado que oferece um reajuste progressivo até 2010, mas deixou de realizar concurso público, o reposicionamento funcional, a progressão para o aposentado, a liberação do sindicalista para ficar à disposição da entidade e o vale-alimentação.
“As exigências fizeram parte do acordo, mas, agora, os técnicos do governo federal afirmam que não estão autorizando, porque a arrecadação caiu, o que não admitimos”, afirmou Lotte.
A presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sispjac), Rosane Ferraz, disse que 75% da categoria aderiu ao movimento.
“Eles querem que um servidor trabalhe mais horas sem aumentar o seu salário. Isso não é justo, pois teremos maiores gastos. Um trabalhador contratado para exercer sua função em seis horas não pode ter sua carga horária alterada assim”, protestou a sindicalista.
O representante do Sintest afirmou que os técnicos administrativos estão dispostos a entrar em greve por tempo indeterminado caso não haja um acordo.
As mobilizações seguem determinações das federações que organizaram uma paralisação em 45 universidades e em todas as repartições da Justiça.
De Freud Antunes
Os servidores administrativos da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado realizaram uma paralisação de 24 horas ontem para reivindicar melhorias trabalhistas.
Os técnicos da Universidade até bloquearam a entrada de carros na instituição, exigindo o cumprimento de todos os acordos firmados em 2007.
Os funcionários da Justiça abandonaram as repartições e aglomeraram-se na frente do Fórum Barão do Rio Branco para protestar contra a determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aumentou em duas horas a jornada de trabalho, passando de 6 horas para 8 horas diárias.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Terceiro Grau (Sintect), José Alberto Lotte, o governo federal tem cumprido parte do acordo acertado que oferece um reajuste progressivo até 2010, mas deixou de realizar concurso público, o reposicionamento funcional, a progressão para o aposentado, a liberação do sindicalista para ficar à disposição da entidade e o vale-alimentação.
“As exigências fizeram parte do acordo, mas, agora, os técnicos do governo federal afirmam que não estão autorizando, porque a arrecadação caiu, o que não admitimos”, afirmou Lotte.
A presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sispjac), Rosane Ferraz, disse que 75% da categoria aderiu ao movimento.
“Eles querem que um servidor trabalhe mais horas sem aumentar o seu salário. Isso não é justo, pois teremos maiores gastos. Um trabalhador contratado para exercer sua função em seis horas não pode ter sua carga horária alterada assim”, protestou a sindicalista.
O representante do Sintest afirmou que os técnicos administrativos estão dispostos a entrar em greve por tempo indeterminado caso não haja um acordo.
As mobilizações seguem determinações das federações que organizaram uma paralisação em 45 universidades e em todas as repartições da Justiça.
segunda-feira, outubro 19, 2009
Economia Doméstica
sábado, outubro 17, 2009
Alunos, avaliem seus professores
Hoje, se alunos interessados desejarem, eles avaliam seus professores por meio de um blogue. Eu gosto muito dessa clareza para perder ou para ganhar.
Neste ano, disse às turmas que deveriam criar um blogue para criticar minhas aulas com equilíbrio. Eles poderiam filmar, fotografar. Algumas criaram. Mas devo repensar melhor a função do blogue de aluno para as minhas aulas. O blogue deve fazer parte de um processo avaliativo também para o aluno. Preciso pensar melhor isso.
Alunos avaliam de forma positiva seus professores.
Neste ano, disse às turmas que deveriam criar um blogue para criticar minhas aulas com equilíbrio. Eles poderiam filmar, fotografar. Algumas criaram. Mas devo repensar melhor a função do blogue de aluno para as minhas aulas. O blogue deve fazer parte de um processo avaliativo também para o aluno. Preciso pensar melhor isso.
Alunos avaliam de forma positiva seus professores.
1. Aldo (Português) 22 votos (73%)
2. Vanessa (Espanhol) 15 votos (50%)
3. Sezimária (História) 12 votos (40%)
3. Valdir (Física) 12 votos (40%)
4. Deiz (Geografia) 10 votos (33%)
4. Maria Célia (Arte) 10 votos (33%)
5. Gleide (Biologia) 8 votos (26%)
6. Roselva (Filosofia) 6 votos (20%)
7. Edinelson (Edu.Física) 4 votos (13%)
8. Ivo (Matemática) 3 votos (10%)
À professora-gestora Osmarina
Querida Osmarina, sempre defendi na nossa escola a clareza, a retidão, o diálogo, ideias que promovessem um ensino melhor. Uma dessas ideias, a avaliação. Não podemos recriar uma escola pública sem que alunos avaliem seus professores.
Avaliar, por que não?
No primeiro semestre, houve essa avaliação e nós concordamos que houve falha, qual seja: nem todos os alunos podem avaliar. O professor bricalhão, aquele que passa todo mundo, sabemos, obtém boas notas, e muitas notas.
Antes de o aluno avaliar, é preciso haver uma seleção para sabermos quais alunos avaliarão. Alunos responsáveis, jovens dedicados ao estudo, ao respeito; alunos que desejam um escola pública melhor para que suas vidas sejam transformadas.
Eu, por exemplo, quando sei que serei avaliado, procuro ainda mais fazer o melhor para meus alunos. Como servidor do Estado do Acre, devo saber por meio de uma pesquisa estudantil o que sou como professor em uma sala de aula. E mais: tal pesquisa deve se tornar pública por meio do sítio (site) da escola.
Sua gestão está entrando no terceiro ano e penso que deveríamos proporcionar essa avaliação ainda no segundo semestre de 2009.
O lúdico
Outra proposta, Osmarina, atividades lúdicas. Elas deveriam ocorrer duas vezes por mês. A competição entre turmas motiva quem até não gosta de estudar. Pela primeira vez, realizaremos um gincana só de conhecimento na escola, mas, para o próximo ano, poderíamo realizar duas por mês, combinando aulas tradicionais com aulas "desorganizadas" pela brincadeira.
Pense nisso, menina!
Avaliar, por que não?
No primeiro semestre, houve essa avaliação e nós concordamos que houve falha, qual seja: nem todos os alunos podem avaliar. O professor bricalhão, aquele que passa todo mundo, sabemos, obtém boas notas, e muitas notas.
Antes de o aluno avaliar, é preciso haver uma seleção para sabermos quais alunos avaliarão. Alunos responsáveis, jovens dedicados ao estudo, ao respeito; alunos que desejam um escola pública melhor para que suas vidas sejam transformadas.
Eu, por exemplo, quando sei que serei avaliado, procuro ainda mais fazer o melhor para meus alunos. Como servidor do Estado do Acre, devo saber por meio de uma pesquisa estudantil o que sou como professor em uma sala de aula. E mais: tal pesquisa deve se tornar pública por meio do sítio (site) da escola.
Sua gestão está entrando no terceiro ano e penso que deveríamos proporcionar essa avaliação ainda no segundo semestre de 2009.
O lúdico
Outra proposta, Osmarina, atividades lúdicas. Elas deveriam ocorrer duas vezes por mês. A competição entre turmas motiva quem até não gosta de estudar. Pela primeira vez, realizaremos um gincana só de conhecimento na escola, mas, para o próximo ano, poderíamo realizar duas por mês, combinando aulas tradicionais com aulas "desorganizadas" pela brincadeira.
Pense nisso, menina!
sexta-feira, outubro 16, 2009
Salário dos professores
Salário médio dos professores da Educação Básica brasileira
Fonte: MEC
1. Distrito Federal R$ 3.360
2. Rio de Janeiro R$ 2.004
3. São Paulo R$ 1.845
4. Mato Grosso do Sul R$ 1.759
5. Roraima R$ 1.751
6. Rio Grande do Sul R$ 1.658
7. Paraná R$ 1.633
8. Acre R$ 1.623
9. Amapá R$ 1.615
10. Sergipe R$ 1.611
11. Amazonas R$ 1.598
12. Tocantins R$ 1.483
13. Minas Gerais R$ 1.443
14. Mato Grosso R$ 1.422
15. Pará R$ 1.417
16. Espírito Santo R$ 1.401
17. Rondônia R$ 1.371
18. Santa Catarina R$ 1.366
19. Goiás R$ 1.364
20. Maranhão R$ 1.313
21. Alagoas R$ 1.298
22. Rio Grande do Norte R$ 1.232
23. Ceará R$ 1.146
24. Bahia R$ 1.136
25. Piauí R$ 1.105
26. Paraíba R$ 1.057
27. Pernambuco R$ 982
Fonte: MEC
1. Distrito Federal R$ 3.360
2. Rio de Janeiro R$ 2.004
3. São Paulo R$ 1.845
4. Mato Grosso do Sul R$ 1.759
5. Roraima R$ 1.751
6. Rio Grande do Sul R$ 1.658
7. Paraná R$ 1.633
8. Acre R$ 1.623
9. Amapá R$ 1.615
10. Sergipe R$ 1.611
11. Amazonas R$ 1.598
12. Tocantins R$ 1.483
13. Minas Gerais R$ 1.443
14. Mato Grosso R$ 1.422
15. Pará R$ 1.417
16. Espírito Santo R$ 1.401
17. Rondônia R$ 1.371
18. Santa Catarina R$ 1.366
19. Goiás R$ 1.364
20. Maranhão R$ 1.313
21. Alagoas R$ 1.298
22. Rio Grande do Norte R$ 1.232
23. Ceará R$ 1.146
24. Bahia R$ 1.136
25. Piauí R$ 1.105
26. Paraíba R$ 1.057
27. Pernambuco R$ 982
Pré-Conferência Estadual de Comunicação
Infelizmente, não pude comparecer à pré-Conferência Estadual de Comunicação por causa do trabalho. Pela TV, assisti ao final. No palco, Aníbal Diniz, Marcos Afonso, Carlos Alberto e Toinho Alves. O organizador, Jorge Henrique.
Na plateia, duas pessoas ficaram em minha memória. Uma questionou o governo sobre a possibilidade de um jornalista formado trabalhar na imprensa oficial. Em sua resposta, Aníbal, representando a comunicação pública, disse que o governo não pode dar emprego a todos os jornalistas. Concordo. Ele só respondeu sem responder. Fugiu à pergunta.
Ausência de Espírito Republicano
A questão é que o governo só dá emprego a quem quer. É o governo quem escolhe o jornalista que trabalhará na imprensa para reproduzir os clichês oficiais. Nesse aspecto, o governo não tem "espírito republicano", ou seja, não oferece oportunidade igual a todos os jornalistas por meio de concurso público.
Quem trabalha na TV Aldeia? A escolha é pessoal, partidária, e isso se opõe ao espírito republicano. Isso, além de ser desigual, não seleciona os melhores. Repito: Aníbal não respondeu.
Toinho Alves foi muito feliz em suas colocações. Como pessoa pública, só gosto dele quando provoca, polemiza. "Sou a favor de o governo não dar mais dinheiro aos jornais e nem às TVs", ele disse. "A imprensa oficial está matando o talento de jovens que trabalham na imprensa oficial".
O Edinei Muniz tentou fincar na pré-conferência o maniqueísmo oposição x situação, o que é um erro. Deveria haver mais encontros sobre outros temas, sindicatos deveriam promover reflexões para guiar novas práticas sociais.
Faltou à esse breve encontro, entretanto, uma temática definida, reflexões sobre um tema específico. Na verdade, até houve, mas faltou comunicação.
Na plateia, duas pessoas ficaram em minha memória. Uma questionou o governo sobre a possibilidade de um jornalista formado trabalhar na imprensa oficial. Em sua resposta, Aníbal, representando a comunicação pública, disse que o governo não pode dar emprego a todos os jornalistas. Concordo. Ele só respondeu sem responder. Fugiu à pergunta.
Ausência de Espírito Republicano
A questão é que o governo só dá emprego a quem quer. É o governo quem escolhe o jornalista que trabalhará na imprensa para reproduzir os clichês oficiais. Nesse aspecto, o governo não tem "espírito republicano", ou seja, não oferece oportunidade igual a todos os jornalistas por meio de concurso público.
Quem trabalha na TV Aldeia? A escolha é pessoal, partidária, e isso se opõe ao espírito republicano. Isso, além de ser desigual, não seleciona os melhores. Repito: Aníbal não respondeu.
Toinho Alves foi muito feliz em suas colocações. Como pessoa pública, só gosto dele quando provoca, polemiza. "Sou a favor de o governo não dar mais dinheiro aos jornais e nem às TVs", ele disse. "A imprensa oficial está matando o talento de jovens que trabalham na imprensa oficial".
O Edinei Muniz tentou fincar na pré-conferência o maniqueísmo oposição x situação, o que é um erro. Deveria haver mais encontros sobre outros temas, sindicatos deveriam promover reflexões para guiar novas práticas sociais.
Faltou à esse breve encontro, entretanto, uma temática definida, reflexões sobre um tema específico. Na verdade, até houve, mas faltou comunicação.
quinta-feira, outubro 15, 2009
Professor. Ausente.
Hoje, dia do professor. Se realizarmos uma pesquisa em um pré-vestibular, constataremos que poucos, muito poucos, desejam ser professores. Nem precisamos de pesquisa. Na Universidade Federal do Acre, a relação aluno-vaga não é maior nas faculdades que formam professores.
Como consequência, a Ufac coloca tão poucos profissionais na rede pública de ensino que falta professor em certas disciplinas, por exemplo, em física.
Esse não querer ser professor justifica-se por vários motivos, um deles: o salário. Após quatro anos na Faculdade de Letras, esse profissional, se passar no concurso da Secretaria Estadual de Educação, receberá por mês R$ 1.520, lecionando 30 horas. Esse salário é líquido.
Até que apareça um segundo contrato, ele irá esperar anos e anos. Até lá, deverá lecionar na rede privada, isto é, salário menor e mais turmas, umas dez.
Leciono há quase vinte anos, 12 dedicados ao Acre. Hoje, por causa da Frente Popular, ou seja, do PT e do PC do B, as condições do professor melhoram, porque, se compararmos à política educacional dos ex-governadores Romildo Magalhães e Orleir Cameli, o pouco já seria muito.
O fato é: houve melhoras. Repito: melhoras - eu não disse revolução. E existe revolução?
Não creio que exista revolução, pelo menos, no sentido clássico. Deveria haver uma nova ordem escolar, uma ordem que soubesse entrelaçar tradição & modernidade.
Como consequência, a Ufac coloca tão poucos profissionais na rede pública de ensino que falta professor em certas disciplinas, por exemplo, em física.
Esse não querer ser professor justifica-se por vários motivos, um deles: o salário. Após quatro anos na Faculdade de Letras, esse profissional, se passar no concurso da Secretaria Estadual de Educação, receberá por mês R$ 1.520, lecionando 30 horas. Esse salário é líquido.
Até que apareça um segundo contrato, ele irá esperar anos e anos. Até lá, deverá lecionar na rede privada, isto é, salário menor e mais turmas, umas dez.
Leciono há quase vinte anos, 12 dedicados ao Acre. Hoje, por causa da Frente Popular, ou seja, do PT e do PC do B, as condições do professor melhoram, porque, se compararmos à política educacional dos ex-governadores Romildo Magalhães e Orleir Cameli, o pouco já seria muito.
O fato é: houve melhoras. Repito: melhoras - eu não disse revolução. E existe revolução?
Não creio que exista revolução, pelo menos, no sentido clássico. Deveria haver uma nova ordem escolar, uma ordem que soubesse entrelaçar tradição & modernidade.
segunda-feira, outubro 12, 2009
domingo, outubro 11, 2009
Perigos da obediência
Livro e filme retratam como a sociedade administrada e a manipulação da linguagem desenvolvem no indivíduo o ódio pelo outro
RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA
Teria o mês de setembro alguma afinidade secreta com a violência? Diante do número de matanças que ocorreram ou começaram nele, poderíamos brincar com a ideia: em 2001, os atentados de Nova York; em 1939, o início da Segunda Guerra; em 1970, o massacre dos palestinos na Jordânia (o "Setembro Negro"); em 1792, grassa o Terror em Paris, que deu origem aos termos "septembriser" e "septembrisade", significando "massacre de opositores" -e haveria outras a lembrar.
Nesse setembro de 2009, um filme -"A Onda" [em cartaz em SP]- e um livro -"LTI - A Linguagem do Terceiro Reich" [de Victor Klemperer, trad. Miriam Bettina Paulina Oelsner, ed. Contraponto] nos convidam a refletir sobre a facilidade e a rapidez com que a violência se alastra, fazendo com que pessoas comuns se convertam em sádicos ferozes.
O primeiro transpõe para a Alemanha atual um fato que teve lugar em 1967, na cidade de Palo Alto [EUA]. Querendo mostrar a seus alunos como o fascismo se apoderou das massas nos anos 1930, um professor põe em prática um "experimento pedagógico": durante uma semana, organiza com eles o núcleo de um movimento ao qual dão o nome de "Terceira Onda".
Sem lhes contar que ele só "existe" na escola, vai treinando-os com as técnicas consagradas pelo totalitarismo: exercícios de ordem unida, uniformes, adoção de um símbolo e de uma saudação etc. Os efeitos dessas coisas aparentemente inocentes não tardam a surgir: como num passe de mágica, o grupo adquire extraordinária coesão, que dá a cada integrante a sensação de ser parte de algo "grande" ou, pelo menos, maior que sua própria insignificância.
Aparecem também aspectos menos simpáticos: intolerância contra os que se recusam a participar, desprezo, ódio e logo agressões a supostos opositores (os alunos de outra classe, que estão estudando o anarquismo, passam a ser vistos como anarquistas, e portanto inimigos). Escolhido como chefe pela garotada, o professor se identifica com o papel; rapidamente, o "experimento" foge ao controle -dele e dos próprios integrantes- e termina em tragédia: na vida real, um rapaz perde a mão tentando fabricar uma bomba caseira -o que custou a Jones sua licença para lecionar- e, no filme... bem, não vou contar o desfecho.
Em "Psicologia das Massas e Análise do Ego", Freud desvendou os mecanismos psicológicos que nas "massas artificiais" criam a disciplina e o devotamento ao líder: instituindo-o no lugar do superego, os indivíduos que delas participam passam a obedecê-lo mais ou menos cegamente e, imaginando-se igualmente amados por ele, identificam-se uns com os outros, pois de certo modo são todos filhos do grande Pai.
Instrumentos Nesse processo, abdicam de sua capacidade de pensar por si mesmos; compartilhando a crença na doutrina proposta pelo chefe, que geralmente divide o mundo em bons (os adeptos da "causa") e maus (todos os demais), eles a transformam em instrumento de uma dominação capaz de os arrastar a atos que, se não fizessem parte do grupo, jamais teriam coragem de praticar.
Muito bem dirigido e interpretado, o filme mostra como a euforia de ser membro de algo supostamente tão "poderoso", e o desejo de agradar ao líder, vão dando margem a ações cada vez mais próximas da delinquência. Tudo se justifica em nome da "causa", que no caso é nenhuma: a "Onda" não tem conteúdo, a não ser ela mesma e uma vaga solidariedade entre seus membros, que se incentivam e protegem mutuamente.
Forças destrutivas
À medida que transcorre a semana, no íntimo dos adolescentes dão-se modificações de vulto. Por um lado, eles transferem seu entusiasmo juvenil para o movimento, que desperta neles qualidades até então adormecidas: mostram-se criativos, capazes de levar a cabo projetos que exigem organização e trabalho conjunto (como, por exemplo, a montagem de uma peça de teatro).
Por outro, a vibração dessa intensa energia como que dissolve os freios sociais e morais e libera forças destrutivas das quais não tinham consciência: ameaçam colegas, intimidam crianças, um rapaz esbofeteia a namorada que se recusa a participar do grupo, outro adquire um revólver, um terceiro tenta afogar um adversário no polo aquático...
Nas primeiras décadas do século 20, e em escala muitíssimo maior, os mesmos fenômenos ocorreram em várias sociedades europeias. Os mais graves tiveram lugar na Alemanha, cujo führer arrastou o mundo para uma guerra que deixou dezenas de milhões de mortos e refugiados. Muito se escreveu sobre por que os alemães aceitaram seguir um demagogo enlouquecido e por 12 anos aplaudiram suas iniciativas e seus discursos delirantes, que Victor Klemperer -o autor de "LTI"- compara aos "desvarios de um criado bêbado".
Entre os motivos que os levaram a isso, o analisado por ele se destaca como dos mais importantes: a manipulação da linguagem. O estudo da LTI -sigla de "Lingua Tertii Imperii", ou do Terceiro Reich- é uma das mais originais contribuições à compreensão do fenômeno totalitário. Examinando cartazes, livros, jornais, revistas, conversas ouvidas e discursos de dignitários do regime, Klemperer (irmão do regente Otto) mostra como uma ideologia absurda e cruel se entranhou "na carne e no sangue das massas".
Impostas pela repetição e pelo controle absoluto dos meios de comunicação, as frases e expressões nazistas foram "aceitas mecânica e inconscientemente" pelo povo alemão, passando a moldar sua autoimagem e a justificar a barbárie, pelo método simples e eficaz de a fazer parecer natural.
Não é possível, neste espaço, mais do que uma breve referência aos recursos de que se valeram Goebbels [o ministro da Propaganda no regime nazista] e sua corja para obter tão fantástico resultado. Numa prosa límpida, que a tradutora Miriam Oelsner restitui com fluidez e precisão, o autor vai desmontando os ardis que inventaram.
Seu livro revela como a criação de novas palavras, o uso desmesurado de abreviações e de superlativos, a mescla de tecnicismo "moderno" e apelo ao "orgânico", o emprego de estrangeirismos bem-soantes, mas intimidadores, a ênfase declamatória, o exagero, a mentira, a calúnia e, ao mesmo tempo, a pobreza monótona de um discurso calculado para abolir toda nuança e toda reflexão se combinam para produzir alienação.
Até as vítimas do regime empregam, sem se dar conta, termos e expressões da "língua dos vencedores"! No filme, temos vários exemplos do poder ao mesmo tempo mobilizador e mistificador da linguagem. Um deles é a explicação dada pelo professor para o exercício de marchar no lugar: "melhorar a circulação".
Ritmo acelerado
O bater dos pés em uníssono cria um efeito de homogeneidade: a energia posta na pisada se espraia por entre os alunos, fazendo-os sentir-se parte de um só corpo e capazes de grandes feitos. O ritmo se acelera, uma expressão beatífica aparece no rosto de alguns, os olhos brilham -alguma coisa está de fato circulando, uma exaltação crescente- e, sem se darem conta, rendem-se à manipulação de que estão sendo objeto.
(Em "O Triunfo da Vontade", Leni Riefenstahl utiliza a aceleração das respostas dos recrutas à pergunta "de onde você vem?" para sugerir que o movimento hitlerista está se expandindo irresistivelmente.) O que ambos -filme e livro- revelam sobre a capacidade do ser humano para obedecer sem questionar é confirmado por diversos experimentos científicos; para concluir essas observações, mencionemos o mais famoso deles.
Em 1961, por ocasião do processo Eichmann, Hannah Arendt falava da "banalidade do mal": o carrasco nazista não era um monstro, mas um homenzinho insosso como tantos que existem em toda parte.
O psicólogo Stanley Milgram decidiu por à prova a ideia de que, sob certas condições, qualquer pessoa pode agir como Eichmann: na Universidade Yale (EUA), convocou voluntários para o que ficou conhecido como Experimento de Milgram ("google it", caro leitor, e veja por si mesmo os detalhes do teste).
Em resumo, pedia aos "instrutores" que acionassem um aparelho de dar choques a cada vez que os "sujeitos" errassem na repetição de certas palavras. A voltagem iria num crescendo, atingindo rapidamente patamares que, era-lhes dito, poderiam causar danos irreversíveis ao cérebro. A máquina, é claro, estava desligada; do outro lado da parede, o ator que representava a pessoa sendo testada permanecia incólume, apenas gritando como se estivesse de fato sendo eletrocutado.
O objetivo do experimento não era avaliar a memória dele, mas até onde seriam capazes de ir os "instrutores". Para surpresa de Milgram, dois terços deles superaram o limiar além do qual o choque levaria a prejuízos irreparáveis.
Ao chegar ao nível perigoso, muitos se mostravam aflitos, mas cediam aos pedidos do psicólogo para prosseguir; mesmo cientes das consequências para o outro, a garantia de que nada lhes aconteceria bastava para continuarem a apertar os botões. O artigo em que Milgram discute sua experiência -cujo título tomo emprestado para estas notas- tornou-se um clássico da psicologia.
Ela foi reproduzida em outros lugares, com outros sujeitos, por outros cientistas -sempre com resultados próximos aos da primeira vez. A conclusão do psicólogo americano merece ser citada: "A obediência consiste em que a pessoa passa a se ver como instrumento para realizar os desejos de outra e, portanto, não mais se considera responsável por seus atos. Uma vez ocorrida essa mudança essencial de ponto de vista, seguem-se todas as consequências da obediência".
Outros experimentos, como o Experimento Prisional de Stanford, de 1971, confirmam os achados de Milgram e, a meu ver, também a análise de Freud sobre a submissão ao líder.
Nestes tempos em que, sob os mais variados pretextos, volta-se a solicitar nossa adesão a ideais de rebanho, impõe-se meditar sobre o que em nós se curva tão facilmente à vontade de outrem.
A "servidão voluntária" de que falava La Boétie nos idos de 1500 espreita nas nossas entranhas; já o sabia Wilhelm Reich, cujo alerta é hoje tão atual quanto em 1930: "O fascista está em nós".
RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de SP. Escreve na seção "Autores", do Mais!.
RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA
Teria o mês de setembro alguma afinidade secreta com a violência? Diante do número de matanças que ocorreram ou começaram nele, poderíamos brincar com a ideia: em 2001, os atentados de Nova York; em 1939, o início da Segunda Guerra; em 1970, o massacre dos palestinos na Jordânia (o "Setembro Negro"); em 1792, grassa o Terror em Paris, que deu origem aos termos "septembriser" e "septembrisade", significando "massacre de opositores" -e haveria outras a lembrar.
Nesse setembro de 2009, um filme -"A Onda" [em cartaz em SP]- e um livro -"LTI - A Linguagem do Terceiro Reich" [de Victor Klemperer, trad. Miriam Bettina Paulina Oelsner, ed. Contraponto] nos convidam a refletir sobre a facilidade e a rapidez com que a violência se alastra, fazendo com que pessoas comuns se convertam em sádicos ferozes.
O primeiro transpõe para a Alemanha atual um fato que teve lugar em 1967, na cidade de Palo Alto [EUA]. Querendo mostrar a seus alunos como o fascismo se apoderou das massas nos anos 1930, um professor põe em prática um "experimento pedagógico": durante uma semana, organiza com eles o núcleo de um movimento ao qual dão o nome de "Terceira Onda".
Sem lhes contar que ele só "existe" na escola, vai treinando-os com as técnicas consagradas pelo totalitarismo: exercícios de ordem unida, uniformes, adoção de um símbolo e de uma saudação etc. Os efeitos dessas coisas aparentemente inocentes não tardam a surgir: como num passe de mágica, o grupo adquire extraordinária coesão, que dá a cada integrante a sensação de ser parte de algo "grande" ou, pelo menos, maior que sua própria insignificância.
Aparecem também aspectos menos simpáticos: intolerância contra os que se recusam a participar, desprezo, ódio e logo agressões a supostos opositores (os alunos de outra classe, que estão estudando o anarquismo, passam a ser vistos como anarquistas, e portanto inimigos). Escolhido como chefe pela garotada, o professor se identifica com o papel; rapidamente, o "experimento" foge ao controle -dele e dos próprios integrantes- e termina em tragédia: na vida real, um rapaz perde a mão tentando fabricar uma bomba caseira -o que custou a Jones sua licença para lecionar- e, no filme... bem, não vou contar o desfecho.
Em "Psicologia das Massas e Análise do Ego", Freud desvendou os mecanismos psicológicos que nas "massas artificiais" criam a disciplina e o devotamento ao líder: instituindo-o no lugar do superego, os indivíduos que delas participam passam a obedecê-lo mais ou menos cegamente e, imaginando-se igualmente amados por ele, identificam-se uns com os outros, pois de certo modo são todos filhos do grande Pai.
Instrumentos Nesse processo, abdicam de sua capacidade de pensar por si mesmos; compartilhando a crença na doutrina proposta pelo chefe, que geralmente divide o mundo em bons (os adeptos da "causa") e maus (todos os demais), eles a transformam em instrumento de uma dominação capaz de os arrastar a atos que, se não fizessem parte do grupo, jamais teriam coragem de praticar.
Muito bem dirigido e interpretado, o filme mostra como a euforia de ser membro de algo supostamente tão "poderoso", e o desejo de agradar ao líder, vão dando margem a ações cada vez mais próximas da delinquência. Tudo se justifica em nome da "causa", que no caso é nenhuma: a "Onda" não tem conteúdo, a não ser ela mesma e uma vaga solidariedade entre seus membros, que se incentivam e protegem mutuamente.
Forças destrutivas
À medida que transcorre a semana, no íntimo dos adolescentes dão-se modificações de vulto. Por um lado, eles transferem seu entusiasmo juvenil para o movimento, que desperta neles qualidades até então adormecidas: mostram-se criativos, capazes de levar a cabo projetos que exigem organização e trabalho conjunto (como, por exemplo, a montagem de uma peça de teatro).
Por outro, a vibração dessa intensa energia como que dissolve os freios sociais e morais e libera forças destrutivas das quais não tinham consciência: ameaçam colegas, intimidam crianças, um rapaz esbofeteia a namorada que se recusa a participar do grupo, outro adquire um revólver, um terceiro tenta afogar um adversário no polo aquático...
Nas primeiras décadas do século 20, e em escala muitíssimo maior, os mesmos fenômenos ocorreram em várias sociedades europeias. Os mais graves tiveram lugar na Alemanha, cujo führer arrastou o mundo para uma guerra que deixou dezenas de milhões de mortos e refugiados. Muito se escreveu sobre por que os alemães aceitaram seguir um demagogo enlouquecido e por 12 anos aplaudiram suas iniciativas e seus discursos delirantes, que Victor Klemperer -o autor de "LTI"- compara aos "desvarios de um criado bêbado".
Entre os motivos que os levaram a isso, o analisado por ele se destaca como dos mais importantes: a manipulação da linguagem. O estudo da LTI -sigla de "Lingua Tertii Imperii", ou do Terceiro Reich- é uma das mais originais contribuições à compreensão do fenômeno totalitário. Examinando cartazes, livros, jornais, revistas, conversas ouvidas e discursos de dignitários do regime, Klemperer (irmão do regente Otto) mostra como uma ideologia absurda e cruel se entranhou "na carne e no sangue das massas".
Impostas pela repetição e pelo controle absoluto dos meios de comunicação, as frases e expressões nazistas foram "aceitas mecânica e inconscientemente" pelo povo alemão, passando a moldar sua autoimagem e a justificar a barbárie, pelo método simples e eficaz de a fazer parecer natural.
Não é possível, neste espaço, mais do que uma breve referência aos recursos de que se valeram Goebbels [o ministro da Propaganda no regime nazista] e sua corja para obter tão fantástico resultado. Numa prosa límpida, que a tradutora Miriam Oelsner restitui com fluidez e precisão, o autor vai desmontando os ardis que inventaram.
Seu livro revela como a criação de novas palavras, o uso desmesurado de abreviações e de superlativos, a mescla de tecnicismo "moderno" e apelo ao "orgânico", o emprego de estrangeirismos bem-soantes, mas intimidadores, a ênfase declamatória, o exagero, a mentira, a calúnia e, ao mesmo tempo, a pobreza monótona de um discurso calculado para abolir toda nuança e toda reflexão se combinam para produzir alienação.
Até as vítimas do regime empregam, sem se dar conta, termos e expressões da "língua dos vencedores"! No filme, temos vários exemplos do poder ao mesmo tempo mobilizador e mistificador da linguagem. Um deles é a explicação dada pelo professor para o exercício de marchar no lugar: "melhorar a circulação".
Ritmo acelerado
O bater dos pés em uníssono cria um efeito de homogeneidade: a energia posta na pisada se espraia por entre os alunos, fazendo-os sentir-se parte de um só corpo e capazes de grandes feitos. O ritmo se acelera, uma expressão beatífica aparece no rosto de alguns, os olhos brilham -alguma coisa está de fato circulando, uma exaltação crescente- e, sem se darem conta, rendem-se à manipulação de que estão sendo objeto.
(Em "O Triunfo da Vontade", Leni Riefenstahl utiliza a aceleração das respostas dos recrutas à pergunta "de onde você vem?" para sugerir que o movimento hitlerista está se expandindo irresistivelmente.) O que ambos -filme e livro- revelam sobre a capacidade do ser humano para obedecer sem questionar é confirmado por diversos experimentos científicos; para concluir essas observações, mencionemos o mais famoso deles.
Em 1961, por ocasião do processo Eichmann, Hannah Arendt falava da "banalidade do mal": o carrasco nazista não era um monstro, mas um homenzinho insosso como tantos que existem em toda parte.
O psicólogo Stanley Milgram decidiu por à prova a ideia de que, sob certas condições, qualquer pessoa pode agir como Eichmann: na Universidade Yale (EUA), convocou voluntários para o que ficou conhecido como Experimento de Milgram ("google it", caro leitor, e veja por si mesmo os detalhes do teste).
Em resumo, pedia aos "instrutores" que acionassem um aparelho de dar choques a cada vez que os "sujeitos" errassem na repetição de certas palavras. A voltagem iria num crescendo, atingindo rapidamente patamares que, era-lhes dito, poderiam causar danos irreversíveis ao cérebro. A máquina, é claro, estava desligada; do outro lado da parede, o ator que representava a pessoa sendo testada permanecia incólume, apenas gritando como se estivesse de fato sendo eletrocutado.
O objetivo do experimento não era avaliar a memória dele, mas até onde seriam capazes de ir os "instrutores". Para surpresa de Milgram, dois terços deles superaram o limiar além do qual o choque levaria a prejuízos irreparáveis.
Ao chegar ao nível perigoso, muitos se mostravam aflitos, mas cediam aos pedidos do psicólogo para prosseguir; mesmo cientes das consequências para o outro, a garantia de que nada lhes aconteceria bastava para continuarem a apertar os botões. O artigo em que Milgram discute sua experiência -cujo título tomo emprestado para estas notas- tornou-se um clássico da psicologia.
Ela foi reproduzida em outros lugares, com outros sujeitos, por outros cientistas -sempre com resultados próximos aos da primeira vez. A conclusão do psicólogo americano merece ser citada: "A obediência consiste em que a pessoa passa a se ver como instrumento para realizar os desejos de outra e, portanto, não mais se considera responsável por seus atos. Uma vez ocorrida essa mudança essencial de ponto de vista, seguem-se todas as consequências da obediência".
Outros experimentos, como o Experimento Prisional de Stanford, de 1971, confirmam os achados de Milgram e, a meu ver, também a análise de Freud sobre a submissão ao líder.
Nestes tempos em que, sob os mais variados pretextos, volta-se a solicitar nossa adesão a ideais de rebanho, impõe-se meditar sobre o que em nós se curva tão facilmente à vontade de outrem.
A "servidão voluntária" de que falava La Boétie nos idos de 1500 espreita nas nossas entranhas; já o sabia Wilhelm Reich, cujo alerta é hoje tão atual quanto em 1930: "O fascista está em nós".
RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de SP. Escreve na seção "Autores", do Mais!.
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