terça-feira, setembro 21, 2010

Meu pai, um livro (2)

Embora rápida, minha leitura cercou-se de cuidados, marcando a lápis o que me interessava. Conheci Betto pela primeira vez quando meus olhos encontraram-se com Batismo de Sangue, edição de 1982.

Anos depois, em 2009, li
Um homem chamado Jesus. Nesse livro, compreendemos o quanto os evangélicos neopentecostais reinventaram um mito imbecil, tamanho imenso de fanatismo e enorme de ignorância.

Ainda em 2009, li
A mosca azul.

Neste ano, li o presente de meu pai, O calendário do poder. Gosto de frei Betto por sua simplicidade, e esse livro, por ser assim, levou-me a uma leitura rápida e precisa.

Resposta a blogueiros

Sempre quando critico o PT neste espaço, alguns blogueiros manifestam repulsão contra o partido de Lula, de Jorge Viana, impedindo que ideias sejam apreciadas. Depois que meu pai entregou a mim o livro
O calendário do poder, disse-lhe que nunca pulsou em mim "inocência" em relação ao Partido dos Trabalhadores. Eu a perdi quando li Maquiavel.

Porque humano, o PT é corrupto, mas o humano de Erenice Guerra. Não creio que no PT todos tenham a mesma face dela. Estão no mesmo partido, mas Tarso Genro não é Benedita da Silva.

Dentro do DEM (ou ex-PDS), um Jorge Bornhausen, presidente de honra, diferencia-se de um César Maia.

Quero afirmar com isso que não aprecio generalizações, isto é, o PT também não é corrupto.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Meu pai, um livro

Os olhos de meu pai estão nas mãos do doutor Bruno Jogaib de Onofre, um dos cinco melhores do Brasil segundo revista especializada; entretanto, em uma de suas clínicas, justamente a de São Gonçalo, onde meu velho esteve, quebraram o aparelho de ultrassom. Disseram que em duas semanas tudo seria solucionado. Não foi.

Na terça, dia 21 de setembro, o doutor Bruno autorizará meu pai para ir a Niterói, Icaraí, a fim de ser submetido ao último exame pré-operatório. Depois, será marcado o dia da cirurgia.

À espera

Enquanto meu pai, de 76 anos, espera a operação, cuido dele com carinho, além de cuidar de minha mãe, de 69 anos, e de meu irmão, de 37, que tem problemas neurológicos e é surdo.

Minha família apresenta fragilidades. Com meu pai doente, minha mãe não tem habilidade para resolver problemas, anda muito esquecida. Meu pai, por sua vez, por causa de sua tradição patriarcalista, impede que eu solucione problemas familiares. Meu pai é pessoa difícil quando se trata de submeter a família a seu inteiro e absoluto controle. Paciência.

Um livro

“Tome, é seu”, estendeu a mão, segurando um presente. Abri e, para minha surpresa, uma publicação de frei Betto, Calendário do poder, editora Rocco. Ontem, ele tinha me convidado a ir a uma livraria em Maricá. Disse-lhe que não havia livraria nesse município. “Ela fica em local recolhido, vou te mostrar.”

Aconchegante o lugar. Meu pai me apresentou a Jorge, o proprietário. “Esse é meu filho.” Depois das apresentações e de uma breve conversa, fiquei perto da literatura nacional; e ele, dos livros de direito. Mas, para a minha surpresa, em casa, ele dedicou o livro de Betto.

“Espero que você, com esse livro, perca a sua inocência em relação ao PT e ao presidente Lula”, meu pai sempre foi contra petistas. Concluí a leitura. Na próxima postagem, comentarei de forma breve.

sábado, setembro 11, 2010

Quando o Verde amarela


Ontem, 10, o dia amanheceu com Sol tímido. Acordei cedo, preparei o café para meus pais e para minha esposa, a Mony. Depois, como faço todas as sextas-feiras, saí para comprar o jornal O Globo e O Dia. Cada um, R$ 2.

NO Globo, a candidata Marina Silva (PV) foi entrevistada por vários jornalistas da família Marinho. Um dia antes, Plínio Arruda Sampaio (P-SoL) declarou no mesmo jornal que Marina é “carreirista”.

Em sua entrevista, a acriana do seringal Bagaço repetiu algumas vezes a palavra “educação”: 1) “E pautamos a educação como prioridade”; 2) “Estou propondo que possamos elevar o investimento em educação de 5% para 7% do PIB”; 3) “Vou ficar com a revolução na educação”; 4) “Estamos propondo a ideia de educação integrada. A educação em tempo integral”.

Nesses meus 18 anos de Acre, nunca ouvi Marina Silva falar de ideias sobre educação pública acriana, porque, como amiga de Jorge Viana (ex-governador) e de Arnóbio Marques (governador), Marina silencia-se. Sua crítica destina-se ao PT nacional.

No Acre, o Partido Verde amarela.

Além disso, Marina não especifica o que possa ser “revolução na educação”. No Acre, não houve nenhuma revolução educacional e muito menos ela diz algo. Se for educação em tempo integral, não há algo novo, porque Darcy Ribeiro realizou isso com Brizola no Rio de Janeiro por meio dos Ciep.

Sobre educação, sua entrevista não ultrapassou a cota da superficialidade.

Mas quem sou para escrever isso em um blogue? Leciono há 13 anos no Acre, vivo no olho do furacão.

Lerei a entrevista de José Serra (PSDB).





quinta-feira, setembro 09, 2010

Grandes erros. Grandes jornais

Em 22 de agosto deste ano, o jornal Folha de São Paulo publica “re-estatização de empresas”. Se consultarmos o Houaiss, encontraremos “reeducação”, “reestruturação”. A Academia Brasileira de Letras orienta a não usar o hífen.

Na mesma edição, entretanto, o jornal publica no Caderno Cotidiano:

“Adolescente da primeira turma de reeducação para o trânsito, que começou na semana passada em Curitiba, no Paraná.”

Na mesma edição, usa-se hífen e não se usa. Estamos falando de Folha de São Paulo, um dos grandes jornais do país.

Grandes erros. Grandes jornais

Durante 16 anos e um mês, trabalhei nas redações de três jornais acrianos: dez anos no Página 20, seis anos em A TRIBUNA e um mês em O Rio Branco.

No segundo, havia dois amigos diagramadores que riam de mim quando eu corrigia “mega-sena”. A editora-chefe, embora discordasse, dava-me a liberdade profissional para corrigir a palavra.

Hoje, dia 5 de setembro, lendo o jornal O Globo, no Caderno de Esportes, li a seguinte chamada: "O bilhete da megasena tricolor." Os dois diagramadores talvez rissem do jornal carioca porque não está escrito “mega-sena”.

Por que o jornalista Pedro Motta Gueiros, de O Globo, não escreveu “mega-sena”? Ele quis seguir a ortografia da língua portuguesa e não o que está escrito no bilhete porque para esse repórter importa a regra da ortografia de nossa língua.

No entanto, se consultasse o uso correto de "mega", o jornalista teria escrito "megassena".









segunda-feira, agosto 30, 2010

Não rimos da Frente Popular

Em 22 de agosto, o riso realizou uma passeata em Copacabana contra o artigo 45 da Lei das Eleições, vigente desde 1º de outubro de 1997, que proíbe em período eleitoral rir dos políticos. “Humorista unido jamais será comido”, era a palavra de (des)ordem.

Três dias depois, o antropólogo Roberto DaMatta publica no jornal O Globo o artigo "Legislar o riso e sacralizar o poder. Diz o autor de Carnavais, malandros e heróis: “O nosso sistema de poder protege, dignifica, hierarquiza e sacraliza o governante. E o quanto somos coniventes com isso.”

No Acre, essas palavras de DaMatta caem muito bem. Aqui, depois que a Frente Popular chegou ao poder, o riso contra Jorge Viana foi inibido quando eu trabalhava no Página 20. O talentoso Braga publicaria uma charge que, claro, ria de Jorge Viana. Entretanto, o assessor Oly – hoje na prefeitura de Rio Branco – “pediu” ao chargista retirar porque não se podia rir do governante Jorge Viana.

No Acre, não existe mais chargistas. Braga recebe sempre o Prêmio Chalub Leite de Melhor Chargista porque ele é único nesse deserto e porque sua charge não galhofa do poder, da Frente Popular, de Jorge Viana, de Edvaldo Magalhães.

Pergunta DaMatta em seu artigo: “Seria possível proibir o riso e o humor neste momento, como fazem os radicais, que se levam tão a sério que não podem rir de si próprios?”. O poder oculta-se com sua seriedade, e o riso (des)cobre o que há escondido sob o discurso sério de um político. O poder sempre mente. O riso sempre revela.

Depois da passeata, o artigo 45 da Lei das Eleições perdeu validade, agora podemos rir dos políticos, menos no Acre. “Amordaçado o riso, o poder sacraliza-se porque não há mais a liberdade de desafiá-lo”, diz Roberto DaMatta.

quarta-feira, agosto 25, 2010

A duas pessoas

Estou querendo que vocês dois escrevam para a revista "Visões Amazônicas", porque vocês não ruminam no pasto do senso comum. Há pagamento simbólico.

Altino e Fátima Almeida, meu correio eletrônico é lingua.portuguesa@uol.com.br, quero apresentar a vocês a proposta livre e ética da revista "Visões Amazônicas". Vamos conversar.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Conselho à minha filha

Quando a Frente Popular do Acre completar 12 anos no poder, deixará os professores estaduais com salário inicial de R$ 1.500,00, ou seja, três salários mínimos. Jorge Viana ainda diz que é um dos melhores salários do Brasil. Bom salário, Jorge, é receber todo mês R$ 20 mil como ex-governador, até a morte.

Oito anos como governador deram-lhe uma pensão vitalícia, o que penso ser muito injusto. Não votei em ti para isso. Por isso, não votarei outra vez em teu nome.

Enquanto o "professor" Edvaldo Magalhães aumenta seu patrimônio por causa de sua condição de deputado estadual, eu, que sou candidato a lecionar, não aconselho minha filha a ser professora. A ela, dedico estas sóbrias palavras:

LEIA COM ATENÇÃO OS SETE MOTIVOS PARA VOCÊ SER UM PROFESSOR

7 (sete) é um número de destaque, pois ele simboliza a perfeição: em sete dias Deus fez o mundo, sete são as cores do arco-íris, mas também sete é conta de mentiroso. O 7 aqui será utilizado em relação à educação e, mais especificamente, ao professor.

Leia-os com atenção e anote todos os detalhes:

1. Estude muito e leia bastante, principalmente a vida de São Francisco de Assis; lembre-se de que você também terá que fazer um voto eterno de pobreza;

2. Prepare-se para manejar certos instrumentos, como o giz e o apagador. Para tal, orientamos o personal stylist de Michael Jackson; você precisará de luva e máscara durante as aulas;

3. Manter-se em forma não será problema para você; com o corre-corre de uma escola para outra, você estará evitando o sedentarismo; com o salarial que recebeu, não precisará fazer regime;

4. O educador é o único que pode acumular cargos: além de ministrar aulas em 3 ou 4 colégios diferentes, ainda sobra tempo para ser sacoleiro, levando para as escolas os últimos lançamentos do Paraguai ou sendo importante representante de empresas como a AVON, a HERMES e a SHOPPING MAIS;

5. A formação continuada do professor é algo bastante importante e valorizada pelo governo. Com sorte ( principalmente para que é do município) você será selecionado para ficar em um grande e luxuoso hotel como o IAT, desfrutar de ótimas instalações e saborear um cardápio variado; tudo isso com uma localização privilegiada e com vista para o ma...to;

6. O local de trabalho deve ser evidenciado: o educador, quase sempre, trabalha em escolas-modelo, cujo slogan é a fartura: 'farta' limpeza,'farta' funcionário, 'farta' material didático, enfim, 'farta' tudo;

7. Por fim, você desfrutará de um plano de saúde de ótima qualidade (SUS), cuja eficiência é demonstrada nos consultórios psiquiátricos repletos de professores que, ao completarem a idade e o tempo de serviço, já se encontram fatigados pelo trabalho, sugados pelo sistema e em pleno desmoronamento físico além do mental.

A você que aguarda por um concurso público. O nosso lema é: 'PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR'. Aos que já se encontram desfrutando desse 'néctar' que é ser funcionário da secretaria de educação, nossos parabéns, você é persistente e capaz. Possivelmente, não terá recompensa aqui na terra, mas é certo que já tenha adquirido lugar privilegiado no céu.

(autoria desconhecida)

segunda-feira, agosto 16, 2010

Se houver quando

Não sei quando deixarei minhas palavras neste espaço. Talvez, não sei, às vezes, quem sabe. Amanhã? Só sei que será quando será. Tudo é incerto. Mas será.

Não serei diário. Todo dia, não serei mais. Serei... às vezes e, por muito tempo, silêncio.

Não falta mais...

Tempo. Não queria deixar minhas aulas, mas o meu corpo dá sinais de que ele chegou a um limite. Não sei quando voltarei, se é que voltarei, a única verdade é que o Tempo, esse senhor silencioso, aponta para outra direção, e eu, obediente que sou, sei que ele sempre tem razão.

O Tempo não nos dá escolha porque Ele sabe que nós perdemos Tempo na vida com coisas poucas, por exemplo, quando não entramos em sala para transformar a vida de nosso aluno, expondo a uma turma a mais densa apatia pelo ato (nobre) de lecionar.

Perdemos Tempo quando só sabemos reclamar de alunos, acreditando que eles são incapazes, burros, tolos. Perdemos Tempo quando a palavra do professor não é autoridade para colocar a ordem e a brincadeira.

Mas o Tempo sempre impõe a nós o seu limite de morte, de despedida, de fim, é quando percebemos tarde que dedicamos o nosso Tempo a não exigir de nós o melhor para o nosso semelhante em sala de aula.

Quem foi meu aluno sabe que eu nunca perdi Tempo com eles.

Agoa é Tempo de deixá-los. Fora de sala, sentirei saudade dos dias dedicados ao ato nobre e bricalhão de lecionar. Quando deixo de ser professor, quando sou obrigado a me afastar de minha profissão, vivo menos porque deixo de aprender.

No fundo, minhas aulas sempre foram, primeiro, para mim; sempre foram um meio para eu acreditar na vida, para eu acreditar em meu semelhante, porque, em sala de aula, na condição rígida e alegre de professor de Literatura, descobri desde cedo que a palavra (bem)dita promove a alegria do encontro e a descoberta da reflexão.

Lecionar é precisar do outro e ser querido pelo outro.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Quem se enriquece com dinheiro público?

Em 12 de junho de 1998, quando candidatou-se a deputado estadual, Edvaldo Soares Magalhães, do Partido Comunista do Brasil, declarou ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre ter um imóvel de R$ 25.000,00 e um Corsa de R$ 12.100,00.

Um declaração de bens, portanto, de R$ 37.100,00.

Em 5 de julho de 2002, recandidata-se a deputado estadual pelo mesmo partido, mas não declara bens à Justiça Eleitoral. "Declaro não possuir bens."

Em 2006, ele apresenta sua declaração de bens, e seu valor chega a R$ 410.428,81. De 1998 a 2006, sua declaração passou por um aumento de R$ 373.328,00.

Em 2010, na condição de candidato a uma vaga confortável no Senado, ele declara R$ 544.391,00.

Em 12 anos de vida pública, o comunista Edvaldo Magalhães saiu de R$ 37.100,00 em 1998 para chegar à quantia de R$ 544.391,00 em 2010.

Como presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Edvaldo a deixou como uma das mais caras do Brasil conforme números do sítio http://www.transparencia.org.br/. Além disso, a Aleac não é transparente quando o assunto é dinheiro público. O cidadão desconhece quanto se gasta, por exemplo, com verba indenizatória e viagens.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Quem se enriquece com dinheiro público?

Em época de eleições, darei uma pequena contribuição a quem acessa este blogue.

O dinheiro público não melhora a vida da população na mesma velocidade em que enriquece homens públicos.

Hoje, para começar, escolhi Sérgio Petecão (PMN), candidato a uma cadeira confortável do Senado.

Em 3 de julho de 1998, Petecão apresenta uma declaração de bens ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Acre com o seguinte valor: R$ 140.045,47.

Em 2002, sua declaração expõe R$ 243.169,77, ou seja, em quatro anos, sua riqueza aumentou em R$ 103.124,30 ou R$ 25.781,07 em um ano.

Em 2006, quando se candidata a deputado federal, Petecão declara R$ 392.456,66. Em oito anos, sua declaração de bens teve um aumento de R$ 252.411,19.

Mais informações em http://www.politicosdobrasil.com.br/

quarta-feira, agosto 11, 2010

Isso não é político. Isso não é jornalismo

Confesso que não estou em meus melhores dias para tecer neste blogue meu sarcasmo.

Candidato ao Senado pelo PMDB, João Correia, professor da Universidade Federal do Acre, não economizou esforços para se eternizar no YouTube com seus ideais políticos, e o jornalista Demóstenes Nascimento, da TV 5, realizou, finalmente, a sua entrevista mais inteligente.

Político equilibrado, João Correia foi direto: "Você é um merda de nada, você é um parasita, seu lacaio do governo." O ótimo entrevistador respondeu à altura dos pequenos: "Merda é você." Depois disso, os dois atores da pornochanchada acriana espancaram a nossa puta Democracia.

Em defesa de João Correia, afirmo que ele não é um merda, longe disso. Digo, isso sim, que João Correia não é político. Também afirmo que o entrevistador não é um merda, longe disso. Digo, isso sim, que Demóstenes Nascimento não é jornalista.

João, como toda oposição acriana, lança a palavra para agredir o PT. Demóstenes, como todo subjornalismo acriano, não passa de um menino de recado do governo. Vazios de ideias, de conhecimento e de boa infomação, restou a esses anormais homens públicos o irrisório, o chulo, a pocilga televisiva.

Ambos são dois erros em um lugar errado. Diante de câmeras, os desqualificados aumentaram a audiência da TV 5 com aquilo que o povo aprecia: violência. Não somos afeitos a boas ideias em campanhas políticas. Tanto para se pensar, tanto para se questionar; porém, no lugar das boas ideias, João e Demóstenes brigaram por nada, agrediram-se por nada.

Por estar muito acima dessa merda que esses dois jogaram na audiência, a democracia não precisa deles.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Faltam 8 dias

Ouço os passos descalços do tempo, já sinto sua maneira segura de chegar a mim. Tudo nele é inevitável como o fim ou a morte. Longe de eu ser senhor de meu destino, o tempo me dobra e me domina.

Depois, quando a contagem for concluída - faltam oito dias -, não sei quando voltarei, se é que voltarei. Só sei que retorno para cuidar de meus pais. O som do tempo chegou, e ele é triste.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Um bom livro











Nesses dias, comprei "Por trás das palavras - manual de etimologia do português", de Mário Eduardo Viaro, editora Globo. (Des)cobrir o que se oculta nas palavras.

A história da palavra "ler" é muito interessante. Repare o que o autor escreve.

"Legere, de raiz leg, também sob a forma apofônica lig, cujo particípio é lectus, de radical lec.t-, transformada em português em l(e)-, lh(e)-, le.ç- ou lei.t-".

Com esse estudo, "ler" encontra-se, portanto, nas palavras "colheita", "colhidos", "encolhesse", "acolhida", "legumes".

Repare. Somente as plantas que tinham grãos em vagens e que, portanto, podiam ser escolhidos eram chamados de "leg-umes".

Sabe o significado de "colega"? "Colega" significa "quem lê junto".

Sabe o que significa "ler"? A palavra tem raízes no mundo rural e quer dizer "escolher". Quem não "lê" é incapaz de escolher.

"Eleger" é "escolher", mas, como há muitos analfabetos entre nós - de cada cinco eleitores, um é analfabeto -, o cidadão não sabe "escolher", ou seja, separar o bom do ruim.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Faltam 15 dias

Aos poucos, de forma bem silenciosa, o tempo chega, ele sempre chega para impor a nós a sua verdade absoluta. Nada resiste a ele, nem o Deus dos cristãos. O tempo emerge em nós em forma de ruga, em forma de dor, em forma de morte, mas também brota em forma de amor.

Senhor indomesticável, ele nos devora e devolve a nós a nossa justa insignificãncia. Quem se lembrará de nós daqui a mil anos?

Resta viver. Voltar para casa e rever o tempo em meus pais e em meu irmão. Saber que perdemos preciosos dias quando éramos jovens e, só agora, com as marcas do tempo em nós, cuidar do outro é vital. Compreender. Ser tolerante. O tempo nos educa.

Quero ficar à beira do mar - esse símbolo romântico - para ouvir seu som e esquecer o barulho do mundo.

domingo, agosto 01, 2010

O Acre em revista

Diretor da Faculdade Euclides da Cunha, o professor-doutor Carlos Alberto destinou a mim a publicação da revista Visões Amazônicas, cujo propósito não poderia ser outro a não ser este: pensar o Acre.

No entanto, eis o problema: pensar. Há dois meses, busco nomes da Universidade Federal do Acre, de jornalistas e de pessoas em geral que queiram escrever; porém, mesmo indo à caça de boas cabeças, minha insistência obteve só dois textos: o de Cláudio Ezequiel e o da professora-gestora Osmarina.

Há um vazio de ideias no Acre. Quem poderia fecundar críticas, por exemplo, professores universitários, permanece com suas dissertações de mestrado e com suas teses de doutorado asfixiadas pela falta de leitores. A escrita desses intelectuais, sepultada em bibliotecas, não tem leitores.

Por meio de uma revista muito bem diagramada, onde o texto deve estar a serviço da imagem, penso desenterrar as palavras desses professores das bibliotecas para colocá-las em salões de beleza, em consultórios dentários, em clínicas médicas. Um desses professores, Manoel Severo.

Quem já leu o professor-doutor Severo? Como sua palavra é desconhecida, sou obrigado a ouvir ou a ler, em nossos jornais tão rasos, políticos ou o governo soletrarem "educação pública", e os jornalistas publicam.

Assembleia Legislativa do Acre e Câmara dos Vereadores

Não só professores universitários, mas bons jornalistas inquietos poderiam publicar matérias elaboradíssimas na revista a respeito das atividades da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e da Câmara dos Vereadores de Rio Branco.

O que essas casas pensam sobre educação pública? Quais debates e propostas seus homens públicos promovem? Não sabemos se essas instituições pensam; sabemos, isso sim, que seus parlamentares se enriquecem rápido.

Para a revista, o repórter deveria publicar a pobreza de ideias dos homens público acrianos, sabendo que eleitores mais pobres de ideia os colocaram lá.

Durante um mês, a revista tentou obter uma entrevista com a deputada estadual Perpétua de Sá (PT), presidente da Comissão de Educação da Aleac, mas ela simplesmente ignorou, seu gabinete permaneceu indiferente.

Ao deputado estadual Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente da Aleac, a revista enviou-lhe um requerimento, solicitando todo tipo de informação relacionada à educação pública. O nobre deputado nos deu como resposta a indiferença.

Difícil encontrar quem queira escrever, difícil passar o Acre em revista. Quem quiser ocupar os espaços de Visões Amazônicas, por favor, fale comigo pelo correio eletrônico (lingua.portuguesa@uol.com.br).

sábado, julho 31, 2010

Ao amigo Gleidson

Li o texto que você enviou a mim. Se a secretaria está com a proposta de determinar textos para os professores, eu não quero crer nesta estupidez. Entretanto, se for realidade, é porque os professores de Língua Portuguesa são estúpidos o suficiente para aceitar, ou seja, eles merecem.

Voltarei a escrever sobre isso em outro momento.

quinta-feira, julho 29, 2010

40 graus

Cheguei à UPA do segundo distrito por volta das 23 horas de segunda-feira e atravessei a madrugada de terça-feira. Gostei muito do tratamento.

Com dor no corpo todo e com uma febre de 40 graus, saí da UPA sem a certeza de ser dengue. Na sexta, dia 30, retornarei para saber o que foi.

Do jeito que estou melancólico, sombrio, triste, a febre pode ter sido psicossomática, isto é, conflitos psíquicos transformaram-se em afecções de órgãos, porque, se foi isso, não é a primeira vez que meus sentimentos adoecem meu corpo.

Sinto um vazio no peito, e meu corpo reage com febre. Talvez seja isso, talvez seja dengue.

quarta-feira, julho 28, 2010

Cine-Escola: "Tristão e Isolda"

Como meu pai, de 78 anos, irá se submeter a uma cirurgia, viajarei no dia 17 de agosto e, se tudo ocorrer bem após a operação, retornarei depois de um mês; entretanto, se houver algum problema com ele, voltarei após quatro ou sete meses.

Espero estar aqui em 17 de setembro para dar continuidade ao cine-escola, uma ideia da professora-gestora Osmarina. Em 7 de agosto, sábado, às 17 horas, os alunos assistirão ao belo filme Tristão e Isolda, de Kevin Reynolds.

Essa narrativa romântica chegou ao Brasil em 23 de junho de 2006, mas, como nossos alunos não têm hábito de assistir a bons filmes, muitos não apreciaram Tristão e Isolda. Escolhi essa película por causa de seu romantismo - conceito em decadência desde o final do século 20.

Hoje, predomina entre jovens a atração física, não o sentimento. Eu e o professor Guilherme comentaremos o filme, sendo que cada um terá direito a 10 minutos de fala. Os outros 10 minutos serão para os alunos tirarem suas dúvidas.

A Heloísa Mourão Marques fará de seu espaço um encontro para a cultura do cinema. Temos um bom auditório e uma boa tela, por isso precisamos colocar o cinema no currículo, podendo haver um encontro entre as disciplinas de História, de Filosofia e de Literatura por meio do cinema. Alunos não assistirão a bons filme se esses filmes não passarem pela escola.

Que Deus permita eu retornar após um mês, porque, além de mais filmes, realizaremos o nosso evento musical.