sábado, maio 10, 2014
sábado, maio 03, 2014
Jorge Viana e Cristovam Buarque
Em uma dessas comissões do Congresso, ouvir Jorge Viana e ouvir Cristovam Buarque a respeito de educação, minha nossa!!!, não é só diferente, mas brutalmente desigual.
Cristovam eleva o debate; Jorge abaixa-o.
Aos sábados e aos domingos, comprar jornal é um ato de muitos e muitos anos. Quando existe em alguma banca no Rio, compro A Folha, mas garantido mesmo é O Globo, onde posso ler sempre os bons textos do senador Cristovam Buarque.
Esse senador, diferente de Jorge Viana, sabe muito quando o assunte é este: educação.
Hoje, o título de seu artigo é "Adoção federal" e começa assim:
Quando um banco entra em crise, o Banco Central intervém para evitar a falência; quando a segurança de uma cidade entra em crise, o governo federal aciona a Guarda Nacional; quando a saúde fica catastrófica, importam-se médicos; quando uma estrada é destruída por chuva, o governo federal auxilia o estado; mas, quando um município não tem condições de oferecer boa escola a suas crianças, o governo federal fecha os olhos, porque isso não é responsabilidade da União. Limita-se a distribuir, por meio do Fundeb, R$ 10,3 bilhões por ano, equivalente a R$ 205 por criança ou R$ 2 a cada dia letivo.
Por causa da história das séries iniciais terem sido condenadas aos municípios, o caminho dessas séries hoje tem de ser o governo federal.
Os municípios não têm condições para qualificar.
O Jorge nem coloca isso em pauta.
domingo, abril 27, 2014
A importância de ler Orígenes
Um ex-aluno cita a Bíblia para justificar o erro de ser gay. Orígenes já falava de interpretação há muito tempo.
Elaborado por mim, deixo aqui parte de meu texto sobre a primeira patrística.
Pensador da Primeira Escolástica, Orígenes de
Alexandria ou Orígenes de Cesareia existiu entre 185 e 254, tendo como mestres
Clemente de Alexandria (150-215) e Amônio Sacas (175-240/42). Considerando que
“conhecer” é “nomear”, a razão, segundo Erígena, deve descobrir o significado
profundo que se oculta sob as palavras da Escritura.
No livro “Arte e beleza na estética medieval”,
Umberto Eco afirma que, com Orígenes, nasce o “discurso teologal”, o qual não é
mais discurso sobre Deus, mas sobre sua Escritura. Assim , quanto à
interpretação, Orígenes, que parte do texto bíblico, admite três sentidos para
a leitura do sagrado: o corporal (literal), o moral (psíquico) e o místico
(pneumatológico), sendo que os dois últimos relacionam-se ao sentido alegórico,
cujo método herdou-se de Fílon, o judeu.
O sentido corporal, que é o imediato, o superficial,
o histórico, também se chama de primeiro significado por ser o sentido literal,
e ele se destina às pessoas comuns, a uma multidão que só compreende o mais
simples. Quanto ao sentido moral ou psicológico (anima), a palavra destina-se
ao leitor avançado; e o sentido místico é o mais profundo, destinado ao cristão
perfeito. O alegórico, como se dá pela imagem por meio de conceito, é onde o
saber o espírito surge, porque esse sentido não se limita à aparência literal
da palavra.
![]() |
| Orígenes (185-254) |
Uma bandeira é mais do que uma bandeira
Do blogue do Altino Machado, peguei esta imagem. Repare, só a estrela permanece, a mesma estrela que se encontra no Partido dos Trabalhadores.
Os símbolos são importantes, porque eles mostram que um lugar não se reduz a prédios, a pontes, a viadutos, a estradas, enfim, ao concreto, ao físico.
Abstrair é retirar da realidade objetiva valores espirituais, valores que os animais não possuem.
Ruim um estado e um município ficar nas mãos de um só partido, é poder demais ou permanência do que não se transforma.
A bandeira acriana... ela está acima de partidos.
Sofistas, palavra tão incompreendida
A visão de mundo, para ser refeita, não possui outro caminho senão atravessar o espectro das palavras.
Ver a vida é saber pensar a palavra.
Uma palavra que precisa ser revisitada é "sofismo". Quando a reproduzimos como um objeto de uso que recebemos da vida presente, sem que a lancemos ao passado, seu significado está comprometido e, consequentemente, nosso juízo. Se a palavra está estreitada por condições sociais, nosso juízo também está.
Nossos últimos anos, os sofistas estão sendo repensados de maneira muito diferente de Platão, de Aristóteles.
"Sofistas, Sócrates e socráticos menores", de Giovanni Reale, é ótimo para começar a entender esse mundo.
Aqui, deixo minhas inúteis palavras sobre:
Para os sofistas, o ponto de partida é o próprio mundo fenomenológico, e esse mundo sensível é oposto ao de Platão, que busca a verdade na palavra. Para os sofistas, no entanto, inexiste, na palavra, a verdade ou, se ainda quiser, o absoluto. Assim sendo, a palavra é engano por ela possuir duplicidade, ambiguidade. Não poderia ser diferente porque, tendo como partida o mundo fenomenológico, os sofistas não se fixam em o modelo, em a unidade; porém, a partir do particular, que é também o fenomenológico, admitem as diferenças, as variações, os contrastes. No mundo sofista, portanto, a instabilidade é mestra, visto ser tal instabilidade o sinônimo da “doxa”.
Para os sofistas, o ponto de partida é o próprio mundo fenomenológico, e esse mundo sensível é oposto ao de Platão, que busca a verdade na palavra. Para os sofistas, no entanto, inexiste, na palavra, a verdade ou, se ainda quiser, o absoluto. Assim sendo, a palavra é engano por ela possuir duplicidade, ambiguidade. Não poderia ser diferente porque, tendo como partida o mundo fenomenológico, os sofistas não se fixam em o modelo, em a unidade; porém, a partir do particular, que é também o fenomenológico, admitem as diferenças, as variações, os contrastes. No mundo sofista, portanto, a instabilidade é mestra, visto ser tal instabilidade o sinônimo da “doxa”.
sábado, abril 19, 2014
A uma mãe
Hoje, no Face, um ex-aluno me contou sua tristeza, que é de amar uma jovem, mas, por causa da mãe da moça, o amor do dois está ameaçado pelo diabo, pelas trevas.
Na mente dela, fiel ao Senhor Deus, ela disse à filha que não quer ver a Luz (sua família) misturada com as Trevas (família dela).
Eis o poder bíblico daqueles que, por arrebatada ignorância, fazem de Deus um Mal no mundo. Como podem pessoas afirmarem que são a Luz se elas são imperfeitas?
Ensina-se que o mundo é preto (Trevas) ou branco (Luz), como se Deus, o Criador, o que não pode ser adjetivado, só tivesse criado um só atributo: o branco.
Penso que no jardim de Deus há muitas flores, várias cores, tantas formas, que é impossível a mim pensar em um Criador monocromático e maniqueísta.
São os mais ignorantes que pregam a verdade acima do jardim de Deus; verdade essa que mata as múltiplas cores, muitas formas do Criador.
A mãe desse bom rapaz deveria saber que quando Luz e Trevas unem-se elas formam belos quadros cheios de vida, como os quadros de Rembrandt ou de Monet.
Essa senhora precisa, urgente, apreciar as pinturas barroca e impressionista, além, é claro, de ler o bom e velho Heráclito.
O Haiti no Acre
Em 26 de abril de 2013, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, afirmou que a entrada de haitianos no Acre tinha sido se estabilizada.
"Todos estão regularizados e documentados e com carteira de trabalho emitida. Portanto, aptos ao trabalho. São quase 1350 [haitianos]. A situação está normalizada", resumiu o secretário na época.
Aptos? Entrevistado no jornal O Globo de hoje, Fades Ribiss, de 29 anos, conseguiu regulariza sua situação documental no abrigo de Brasileia, Acre. "Eu só não sei como conseguirei emprego".
Quem deseja ler essa passado é só clicar em
Depois de ter dito que a situação estava normalizada, o secretário de Justiça surpreende São Paulo e Brasília.
Paulo Illes, coordenador de políticas para imigrantes da prefeitura de São Paulo disse ao jornal O Globo que "não sabíamos que os haitianos viriam para São Paulo de forma desorganizada. A gente tinha muito interesse em participar de uma discussão com o governo do Acre, mas isso não aconteceu".
Nilson Mourão argumentou que o governo do estado do Acre não fez contato com São Paulo porque "há três anos e meio que os haitianos vão para lá".
Mas em 2013 o secretário disse que a situação estava "normalizada"?
Após fechadas as portas do abrigo em Brasileia, Acre, o Ministério da Justiça se diz surpreso com a decisão do governo do Acre.
Após fechadas as portas do abrigo em Brasileia, Acre, o Ministério da Justiça se diz surpreso com a decisão do governo do Acre.
Desde 2102, ocorreram 10 mil vistos humanitário segundo o Conselho Nacional de Imigração.
terça-feira, abril 15, 2014
Para os que ainda dormem como inocentes
De Aldo Tavares
A realidade efetiva das coisas destina-se a não
ter mais como referência o ideal de uma ação na “polis”, mas agir politicamente
conforme a necessidade da situação.
Após séculos de a ética ser pensada na
política, esta se separa daquela no século XVI, com “O Príncipe”. Nesta obra, Capítulo
XV, escreve-se que a verdade deve ser procurada pelo efeito das coisas, e não pelo
que se possa imaginar dessas mesmas coisas, havendo aqui, portanto, uma crítica
ao idealismo de Platão e à ética política de Aristóteles, porque “vai tanta
diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver”.
Na antiguidade
grega, como se ignorou a realidade efetiva das coisas, colocaram no lugar dessa
realidade repúblicas que nunca se viram reconhecidas como verdadeiras. Idealizaram
a vida coletiva por meio da ética, mas a política, depois de Maquiavel, longe
de partir de um ideal, fundamenta-se no chão fértil das contradições, no chão
fecundo dos interesses segundo a necessidade da raposa e do leão.
Aqui, o animal
político não busca o ideal aristotélico de animal político, porque o homem ou o
animal de Maquiavel transita em uma identidade ambígua. A instabilidade
política não se motiva mais por falta de ética, de equilíbrio, mas por falta das
duas faces do governante, devendo então a estabilidade tirar da ambiguidade as qualidades da raposa
e as qualidades do leão.
Depois de Maquiavel, a política perde sua essência
aristotélica para contrair aquilo que o vulgo aprecia, qual seja, ela: a não
essência, isto é, a aparência, essa superfície da experiência sensível.
Estamos, por fim, no mundo tão recusado por Platão, mas que em Maquiavel
ressurge com toda sua sedução: o mundo dos sofistas.
Para muito distante do vulgar
Há o engano de achar que o que se ouve em certas igrejas é canto a Deus. É, isso sim, ruídos do feio, do mau gosto, excrescência sonora de quem já perdeu o bom paladar.
A música ofertada a Deus deve ser Bela.
Ouça o que certa audição religiosa desconhece.
segunda-feira, abril 14, 2014
Resenha sobre o Belo
Resenhado por Aldo Antônio Tavares do Nascimento
ECO, Umberto. Arte e beleza na estética medieval. Rio de Janeiro: Record, 2010.
Observe este mural na igreja de São
Clemente, Quatro apóstolos, do século
XII; repare os corpos estáticos, suas expressões invariáveis, volumes e
dimensões uniformes, figuras chapadas que anulam toda ilusão de movimento. Com
suas imagens que desconsideram tamanho, forma, proporções, volume, cor, nossos
olhos contemplam a arte mais típica da cultura medieval, a românica, que
prevaleceu por toda a Alta Idade Média (476-1000).
Movimento. Ele virá pelo norte europeu,
assim como o espaço, a luz, a cor, enfim, a composição extensiva da cultura
popular e da natureza. No sul, permanecia a influência da arte bizantina, presa
ainda às formas fixas, com o seu hieratismo
(invariável), a frontalidade, tricromatismo (normalmente o azul, o
dourado e o acre), isocefalia, isodactilia e hierarquia dos espaços (figuras mais sagradas para as menos
sagradas). Mais do que arte, a pintura bizantina é dogma.
Romper com o imóvel. O nome que
pincelou profundas rupturas foi Giotto di Bondone (1266-1337), sendo seu maior
trabalho na Capella degli Scrovegni, onde retrata cenas da Virgem Maria e da
Paixão de Cristo, entre 1303 e 1310. Até conceber a impressão do movimento em
sua pintura, um longo período de agonia conceitual atravessou décadas da Idade
Média, podendo ser lido tamanho enfrentamento na obra que motiva este artigo, Arte e beleza na estética medieval,
publicada em 1987. Entretanto, para que suas páginas fossem lidas no Brasil, elas
só foram ancoradas em nossa língua em 2010, após 23 anos.
Nascido
em Alexandria, em 1932, Umberto Eco escreveu esse livro como quem caminha por
trilhas conceituais, isto é, por serem estreitas as trilhas, os detalhes de
seus passos ampliam nossa visão do que seja a estética do pensamento cristão
medieval, por exemplo, não podemos separar a moral da arte porque nesse
período a natureza refletia a transcendência de Deus. A consciência da beleza,
portanto, é dado metafísico.
Entretanto,
para além dos conceitos pensados por sacerdotes, havia o gosto do homem comum,
do artista e do amante das coisas de arte, voltados, vigorosamente, para
aspectos sensíveis. Por isso, os sistemas doutrinais da Igreja justificavam e
dirigiam esse gosto a fim de que o sensível não ultrapassasse o espiritual. Ao
cruzar dois conceitos (metafísico e sensível), a filosofia cristã admite um saber-deleite
com a finalidade de melhor amar a Deus, podendo o cristão, portanto, ajoelhar-se
diante do amor ornamental. Nessa
interseção conceitual, que é reação ao mundano (sensível) e a tensão para o
sobrenatural (metafísico) para que os olhos serenos contemplem as coisas do
mundo, repousa-se, nesse contraste, nesse ponto de encontro, ela: a paz dos
sentidos.
Duas correntes místicas (a Ordem de
Cister, os cistercienses, e a Ordem dos Cartuxos), sobretudo no século XII, opõem-se
ao luxo e às figuras na decoração das igrejas: seda, ouro, prata, vitrais
coloridos, esculturas, pinturas, tapetes. São Bernardo de Claraval (1090-1153),
monge cisterciense, lança-se contra esses supérfluos ou percepções porque eles
desviam os fiéis da piedade e da concentração da prece. Patrono da Ordem dos
Templários, São Bernardo escreveu as regras dos cavaleiros; pensou a
cristandade como força militar, mesma rigidez conceitual concebida na arte.
Embora
houvesse o rigorismo místico de São Bernardo, havia também uma mística que se
voltava para o mundo sensível, a do agostiniano Hugo de São Vítor (1096-1141),
teólogo mais famoso antes de Santo Tomás de Aquino. Por meio de seu pensamento,
o deleite estético provém, efetivamente, do fato de que o ânimo, a alma,
reconhece na matéria a harmonia de sua própria estrutura. (ECO, pág. 31). Mas
até chegar ao subjetivo de um gosto estético foi um longo percurso. Antes dessa
consciência, entretanto, o belo, para o homem medieval, deveria coincidir com o
bom. Suger (1081-1151), abade de Saint Denis, concebe a casa de Deus como
espaço acolhedor da beleza, encontrando em Salomão e em Pseudo-Dionisio sua
justificativa. Suger quem permite a arte gótica no cristianismo. Segundo Erwin
Panofsky (1892-1968), o abade concebia a arte como obra teológica, ou seja, o belo associava-se ao que é útil, porque,
transmitida pela antiguidade e passada de Cícero a Agostinho e de Agostinho a toda
Escolástica, essa ideia afirma que aquilo que é belo é belo em função de algo.
No sínodo de Arras, em 1025, havia iniciada uma campanha para permitir aquilo
que os simples não pudessem entender por meio da escritura deveria ser
aprendido pelas figuras. A pintura deve, pois, embelezar a casa de Deus,
revocar a vida dos santos e o deleite dos incultos; um dos problemas da
estética escolástica, todavia, foi precisamente o da integração da metafísica
do belo com os valores, por exemplo, da unidade, da verdade, da bondade. (ECO,
pág. 42).
Manifestado
na visão estética do cosmo, o belo pertence à ordem e, por isso, é propriedade
estável e não sentimento poético de admiração. Sistematizado pela filosofia Escolástica
conforme a tríade sapiencial (numerus,
pondus e mensura; ou modus, forma e ordo; ou substantia, species e virtus; ou ainda constat,
congruit e discernit), a Escolástica pensará o belo como noção de propriedades
transcendentais, quais sejam, unidade,
verdade e bondade, todas retiradas do pensamento grego. Podendo ser pensado
como um transcendental, o belo cristão, nos séculos XII e XIII, revive a kalokagathia grega ou a unidade kalos kai agathos (belo e bom),
possibilitando a harmônica conjunção de beleza física e virtude.
Além da arte gótica (segundo
parágrafo), que permitiu uma ruptura com a arte bizantina, a espiritualidade
franciscana, envolvida com grupos populares, com a realidade material do mundo,
com a contemplação da natureza, com o otimismo da vida e com a beleza dos
elementos, também influenciou para que fosse percebida na arte a presença do
sensível. Não por outro motivo que Giotto expressa o naturalismo da
sensibilidade franciscana, podendo ser apreciado na obra A morte de São Francisco. A
presença do sensível, conforme a Ordem Franciscana, veio à luz em 1245, na forma
de Summa theologica, obra dos frades
Jean de la Rochelle, Frater Considerans e Alexandre de Hales, mas dita Summa fratris Alexandri. Nela, belo refere-se à causa formal,
entendendo como forma o princípio substancial de vida, sendo, portanto, ideia aristotélica.
“Chamo forma a essência de cada coisa e a substância primeira”, afirma o
pensador em sua Metafísica. Assim
sendo, a beleza é a disposição da forma em relação ao exterior. Na Summa, bem e belo fundam-se na forma concreta das coisas. Mas, por prudência
dos franciscanos, o belo ainda não pertence à série dos transcendentais. Somente
após cinco anos, em 1250, São Boaventura escreve em um opúsculo as quatro
condições do ser: uno, que concerne à
causa eficiente; verdadeiro, à
formal; bom, à final; e belo, que abraça todas as causas e é
comum a elas. Sendo o belo uno, verdadeiro e bom, o belo atravessa todos os transcendentais.
Alberto Magno influencia Tomás de Aquino
Mestre de Santo Tomás de Aquino,
Santo Alberto Magno (1193/1206-1280) retoma dos franciscanos “o belo fundado na
forma de uma coisa” por meio de um comentário que, sob o título de De pulchro et bono, figurou por longo
tempo entre os Opuscula de Santo
Tomás. Para Alberto Magno, “a essência universal do belo consiste no esplendor
da forma sobre as partes proporcionais da matéria ou sobre as diversas forças
ou ações”. Com isso, permite-se que o belo passe a pertencer verdadeiramente a
todo ente a título metafísico. Ao dizer forma
e partes proporcionais da matéria, vê-se
uma Idade Média inspirada no hilemorfismo aristotélico, isto é, a forma (morfe) compõe-se com a matéria (hyle) para dar vida à substância
concreta e individual (ECO, pág. 60). Segundo Alberto, há no hilemorfismo
várias tríades de origem sapiencial ou intelectual, quais sejam, modus, species e ordo; numerus, pondus e mensura. Essa
“matemática do belo”, todavia, não considera a referência ao ato humano
conhecedor como constitutivo do belo em sua própria ratio, sendo, portanto, uma estética marcada por um rigoroso
objetivismo. A percepção do outro ainda não existe. Há outro objetivismo: o de
que o belo, embora seja propriedade transcendental do ser, revela-se em uma
relação em que o homem focaliza o objeto, e esse é pensado por ele - Santo
Tomás de Aquino.
Para
chegar à matemática, à lei dos números, Umberto Eco conduz o leitor ao capítulo
3. Depois, amplia essa concepção de estrutura, cuja gênese é Pitágoras. Na
condição de causa, princípio, ninguém pode compreender o belo sem antes
atravessar o caminho reto dos geômetras, qualquer semelhança com Platão em Timeu, obra onde as formas matemáticas
estruturam a Ordem (Cosmo), não é mera coincidência.
A arte sensível de um santo
No
capítulo 7 (parte 7.4), Eco escreve que, ao retomar as noções estéticas
propostas por Alberto Magno, Tomás de Aquino ocupa-se da visão subjetiva do
belo, o que seu professor desconsiderou. Para confirmar essa divisão entre
mestre e discípulo, Umberto Eco retira um exemplo da Suma Teológica I, onde bem e belo amalgamam-se na forma, na
substância, no que sustenta, isto é, na estrutura.
O subjetivo emerge em Tomás porque belas são chamadas as coisas que despertam prazer
quando vistas e, se despertam, é porque nossos sentidos deleitam-se nas coisas
bem proporcionadas. Em Tratados das Enéadas,
Plotino (205 d. C.-270 d.C.) concebe o belo como simetria das partes para haver
a harmonia do conjunto. Tanto proporção
quanto simetria são conceitos que alinham
o belo à matemática, ou matematismo e belo formam um só cálculo. Os sentidos então
são uma espécie de proporção, uma espécie de simetria.
Foi
dito antes que bem e belo fundam-se na forma, sendo que o bem faz com que a
forma seja objeto de apetite porque todo ente deseja o bem; o belo, ao
contrário, coloca a forma em relação com o puro conhecimento, por ser ele, o
belo, aquilo cujo conhecimento causa prazer. Sendo assim, olhar é conhecer, e o
deleite estético não passa de uma consequência desse conhecimento, visto que
esse ato de adesão deleitosa é determinado pelo belo ou pelas formas
matemáticas. A ideia de Tomás traz o subjetivo; ele, porém, é determinado pelo
belo ou por conceitos matemáticos, cujo propósito implica apaziguar os
sentidos, os apetites. Diferente de Tomás de Aquino, o ato de adesão deleitosa
pode ser muito bem um livre ato de efusão concedida à coisa e não determinada por
ela, e quem pensa assim é João Duns Escoto (1265-1308), para quem a visão
estética é uma faculdade livre, pois seus atos sujeitam-se ao império da
vontade. Longe de ser coincidência, essa faculdade livre - subentendam-se as experiências
-, Escoto pertence à ordem franciscana, a mesma ordem de Roger Bacon (1214-1294)
e de Robert Grosseteste (1168-1253). Todos estudaram na Universidade de Oxford
e, entre eles, existe esta linha mestra de conhecimento, qual seja, a experimentação
ou a vontade do sujeito.
Penso ter ofertado uma ideia do que
seja este significativo livro de Umberto Ecos. No capítulo 8, Santo Tomás e a Estética do Organismo, o
autor detalha mais ainda o que esse pensador conceitua o belo; porém, como
início, apresentei uma linha de raciocínio em que pontos importantes foram
relacionados.
sábado, abril 12, 2014
Eu li muito em...
Ser, eu disse ser, professor é caminho longo, nunca se é professor no começo de profissão. Até descobrirmos que não ensinamos, até descobrirmos que nunca sabemos, levamos um tempo nos enganando como professorais.
Encarnar a leveza de falar a alunos leva muito tempo; um certo bom hálito de alegria em sala, uma certa resistência do afeto, segundo Espinosa, só as horas vagarosas do tempo ofertam à alma e à carne.
Lecionar é para poucos, porque exige de nós uma certa estética da desobediência ordenada, e poucos conhecem a beleza do que ser barroco.
Ser professor é profissão que exige a reinvenção de nós mesmos por formas contraditórias. Quem deseja ser certinho em sala com sua fixa didática jamais será professor.
Lecionei em escolas onde havia todo motivo para eu não ler um bom livro em sala de aula ou no pátio, mas eu lia; eu me alegrava com a leitura; eu exigia atenção com a minha admiração de ler palavras.
Li onde não havia sala de leitura. Li onde não havia quem tivesse interesse por leitura. Li onde barulho incomodava. Li onde me diziam para não ler. Li para alunos que não tinham condições de comprar livro.
Li. Li. Li. E muitos alunos leram comigo. Muitos. Li a vida em páginas. Li muitos filmes também com eles. Quantas vezes fomos ao teatro, ao cinema e aos livros.
Li porque me fiz professor. Li para não ser esquecido por meus alunos como leitor. Enquanto leitor. Leitor.
Encarnar a leveza de falar a alunos leva muito tempo; um certo bom hálito de alegria em sala, uma certa resistência do afeto, segundo Espinosa, só as horas vagarosas do tempo ofertam à alma e à carne.
Lecionar é para poucos, porque exige de nós uma certa estética da desobediência ordenada, e poucos conhecem a beleza do que ser barroco.
Ser professor é profissão que exige a reinvenção de nós mesmos por formas contraditórias. Quem deseja ser certinho em sala com sua fixa didática jamais será professor.
Lecionei em escolas onde havia todo motivo para eu não ler um bom livro em sala de aula ou no pátio, mas eu lia; eu me alegrava com a leitura; eu exigia atenção com a minha admiração de ler palavras.
Li onde não havia sala de leitura. Li onde não havia quem tivesse interesse por leitura. Li onde barulho incomodava. Li onde me diziam para não ler. Li para alunos que não tinham condições de comprar livro.
Li. Li. Li. E muitos alunos leram comigo. Muitos. Li a vida em páginas. Li muitos filmes também com eles. Quantas vezes fomos ao teatro, ao cinema e aos livros.
Li porque me fiz professor. Li para não ser esquecido por meus alunos como leitor. Enquanto leitor. Leitor.
quinta-feira, abril 10, 2014
domingo, abril 06, 2014
A mentira de ser jornalista
Durante anos, trabalhei nas redações dos jornais de Rio Branco. Há uma verdade que nos engana, a de que existe jornalismo no Acre.
Mantidos pelo dinheiro público para enriquecer seus donos, os jornais acrianos só não são piores por milagre de Deus.
A única função social que eles têm é servir à máquina pública, isto é, a políticos.
E ainda tem gente que vomita arrogância por se achar que faz jornalismo.
sábado, março 29, 2014
A Gramática, sua Importância
Sem tempo para ler o que desejo para repensar, por exemplo, a senhora Gramática na escola pública acriana, tem restado a mim lembranças de reuniões da escola Heloísa Mourão Marques, onde falei da importância do estudo gramatical. Tantas falas em vão.
Digo em vão porque a Secretaria da Educação propagava a ideia dos gêneros textuais. Sem jamais admitir a experiência, segundo John Dewey, a secretaria mantém uma relação vertical com a realidade escolar.
Um erro educacional menosprezar a gramática, saber pensado pelo sofista Górgias. Digo erro porque o pensamento gramatical é pensar a estrutura do próprio pensamento.
Como não falar de estrutura no aprendizado da língua? Um contrassenso.
sábado, março 22, 2014
O PT não é nosso inimigo

Quanto ódio, quanta raiva, quanta vontade de matar o PT, é como se o PT fosse uma pessoa, como se a política fosse destruir o inimigo. Enquanto ruminamos essa massa disforme de alimento nocivo à vida, jamais estaremos a edificar, por meio desta realidade virtual, o sentido mais humano do que seja A Política.
A monarquia sabia lutar contra o adversário; porque, na luta, havia a honra a ser defendida, mas uma honra defendida com elegância, por exemplo, com a destreza de um espadachim.
Na Grécia Antiga - nossa origem política -, o conflito em Ágora não era para destruir o (ad)versário, mas para convencê-lo, podendo ganhar ou perder, com honra, com elegância. Como Ágora era o espaço público do conflito, os gregos buscaram, por meio da Paideia (formação, educação), duelar com a palavra da MELHOR forma possível.
Senhores, o PT não é nosso inimigo, mas nosso ponto fixo para haver o saboroso conflito de ideias. Há ótimas pessoas no PT. Mais: há no PT boas ideias, algumas esquecidas. Lembremos ao PT, portanto, suas próprias ideias.
Repito: o PT não é inimigo; no máximo, encontra-se, parte dele, com o Mal de Alzheimer.
Política nunca foi desejar o Mal do outro.
domingo, março 09, 2014
Os garis e os professores
Em menos de 10 dias, a prefeitura do Rio de Janeiro concedeu 36% aos garis. A greve chegou ao fim.
Por mais de um mês, os professores pararam suas atividades em 2013, mas não obtiveram o aumento desejado.
Há tempo digo que não existe greve na educação, mas, para afirmar isso, é preciso compreender o sentido da greve para os anarquistas.
O lugar autêntico da palavra
Texto referente à epígrafe de Lewis Carroll:
“Cuidai do sentido, e as palavras
irão por si mesmas ao lugar certo.”
Ao
escrever “cuidai do sentido”, penso onde as palavras não são cuidadas. Antes, no
entanto, uma pergunta: o que é cuidar?
No dicionário Houaiss, o primeiro significado é meditar com ponderação. De um, fomos para dois termos. Então, quais
os significados originais de meditar e
de ponderar? Aquele vem de medir; e este, de peso. Quem medita
mede e quem pondera pesa. Ora, quando medimos, marcamos o limite,
e, por causa do peso, vamos a fundo. Cuidar
é, pois, isto: “marcar o limite com a profundidade do sentido”.
Mas
onde as palavras não têm limite e muito menos profundidade? Não leio outro
termo a não ser este: vulgaridade. Com seu visgo, o vulgar gruda-se ao significante
para disseminar significados inautênticos, dando ao senso comum a segurança do
imediato, e o imediato, o prático, sabemos, opõe-se à reflexão. A linguagem ordinária, por ser bruta, por ser
coisa, por ser útil, não cuida da palavra a fim de que ela, a própria palavra, dê
a nós sentido.
Onde então
as palavras são cuidadas? onde elas, uma vez cuidadas, irão ao lugar certo? Digo
que estão neste lugar onde se marca o limite com a profundidade do sentido, qual
seja, na poesia.
quinta-feira, março 06, 2014
Primeira-dama não entra no assunto (1)
Eu não sabia que eu era tão importante.
Pensava que era apenas uma imigrante da década de setenta de Goiás para o Acre. Nascida em uma família simples, que gosta mesmo é de trabalhar. Meus pais sempre nos disseram que a mulher precisava “estudar para não depender de marido”. Isto significava o seguinte: seja dona das suas ideias, assim você será admirada, respeitada e amada por um homem que a mereça. E, assim foi. O destino me colocou um homem, que por causa do seu brilho, eu de repente virei vitrine.
Vou informar aos desinformados. Eu através do ACRE SOLIDÁRIO, com apoio do governo e da Prefeitura de Rio Branco, antes do carnaval promovi um baile que arrecadou dinheiro para as vítimas da alagação. Este baile rendeu aproximadamente R$ 45.000,00 que estão sendo destinados a Rio Branco e a Sena Madureira. Visitei as famílias abrigadas no Parque de Exposição e coloquei o ACRE SOLIDÁRIO a disposição de todos. Saibam, que foi a meu pedido que o meu marido adiou o carnaval para o mês de maio. Visto os problemas que estamos passando, mas não podemos anular do calendário uma festa tão importante para a cultura e a economia local.
Pensava que era apenas uma imigrante da década de setenta de Goiás para o Acre. Nascida em uma família simples, que gosta mesmo é de trabalhar. Meus pais sempre nos disseram que a mulher precisava “estudar para não depender de marido”. Isto significava o seguinte: seja dona das suas ideias, assim você será admirada, respeitada e amada por um homem que a mereça. E, assim foi. O destino me colocou um homem, que por causa do seu brilho, eu de repente virei vitrine.
Origem. Simples. Não depender de marido. Amada por suas ideias. Um homem. Virou vitrine.
Até aqui, não entrou no assunto.
Se eu fosse do tipo que não aproveita as oportunidades para fazer o BEM e projetos ousados, digo na gastronomia e no design. Se não participasse da vida política do meu marido e ficasse apenas cuidando da sua agenda e dos botões das suas camisas eu não estaria passando por todos estes comentários. Mas, fui inventar de criar o ACRE SOLIDÁRIO, a ESCOLA DE GASTRONOMIA e promover o DESIGN de produtos acreanos. E, ainda motivar grupos de pessoas para debater a política. E ai eu perdi completamente a minha liberdade. Deixei de ser a Marlúcia para ser apenas a esposa, ou seja, a sombra.
Se eu fosse do tipo que não aproveita as oportunidades para fazer o BEM e projetos ousados, digo na gastronomia e no design. Se não participasse da vida política do meu marido e ficasse apenas cuidando da sua agenda e dos botões das suas camisas eu não estaria passando por todos estes comentários. Mas, fui inventar de criar o ACRE SOLIDÁRIO, a ESCOLA DE GASTRONOMIA e promover o DESIGN de produtos acreanos. E, ainda motivar grupos de pessoas para debater a política. E ai eu perdi completamente a minha liberdade. Deixei de ser a Marlúcia para ser apenas a esposa, ou seja, a sombra.
Fazer o bem. Projetos ousados. Marido. Foi inventar. Debater política. Perdeu liberdade. Deixou de ser Marlúcia.
Tudo bem, com muito orgulho sou Primeira Dama do Acre. Mas, gostaria que me descrevessem o papel de uma primeira dama. Mas, por gentileza cuidado com o que vão dizer, pois saibam de ante mão que eu não aceito receitas. Afinal de contas eu sou arquiteta, trabalho com a criação. Sei que muitos gostariam de me ver com os cabelos loiros e lisos, vestindo um vestidinho Chanel e sapatinhos meio salto, com pequenos sorrisos acenasse um tchauzinho com a mãos, usasse bolsa de marca importada, sempre maquiada e não abrisse a boca, pousasse com uma criança pobre no colo e fosse sempre fotografada entrando nas igrejas e nos asilos.
Tudo bem, com muito orgulho sou Primeira Dama do Acre. Mas, gostaria que me descrevessem o papel de uma primeira dama. Mas, por gentileza cuidado com o que vão dizer, pois saibam de ante mão que eu não aceito receitas. Afinal de contas eu sou arquiteta, trabalho com a criação. Sei que muitos gostariam de me ver com os cabelos loiros e lisos, vestindo um vestidinho Chanel e sapatinhos meio salto, com pequenos sorrisos acenasse um tchauzinho com a mãos, usasse bolsa de marca importada, sempre maquiada e não abrisse a boca, pousasse com uma criança pobre no colo e fosse sempre fotografada entrando nas igrejas e nos asilos.
Descrever o papel de uma primeira-dama. Não aceito receitas. Arquiteta. Cabelos loiros e lisos. Chanel. Tchauzinho. Marca importada. Não abrisse a boca. Criança pobre no colo. Entrando nas igrejas.
Não entrou ainda no assunto.
Penso que muitos não percebem que o mundo mudou. Somos plurais. Vejam o nosso Papa, que lição de aproximação com as pessoas. Pergunto, por um acaso há diferença no meu caráter se sambo na Sapucaí ou se rezo no templo na segunda de carnaval?
O mundo mudou. Somos plurais. Pela primeira vez no texto, Sapucaí.
Vou informar aos desinformados. Eu através do ACRE SOLIDÁRIO, com apoio do governo e da Prefeitura de Rio Branco, antes do carnaval promovi um baile que arrecadou dinheiro para as vítimas da alagação. Este baile rendeu aproximadamente R$ 45.000,00 que estão sendo destinados a Rio Branco e a Sena Madureira. Visitei as famílias abrigadas no Parque de Exposição e coloquei o ACRE SOLIDÁRIO a disposição de todos. Saibam, que foi a meu pedido que o meu marido adiou o carnaval para o mês de maio. Visto os problemas que estamos passando, mas não podemos anular do calendário uma festa tão importante para a cultura e a economia local.
Baile de carnaval. 45 mil. Visitou famílias. Adiou o carnaval. Problemas.
Não entrou no assunto.
Vejam, diferentemente de outras Primeiras Damas do passado sombrio deste estado, eu não sou Secretária de Ação Social. Quem não se lembra de donativos que desapareceram numa grande enchente ocorrida há algumas décadas?
Comparação entre o agora e o antes de primeira-dama.
O Governo do Estado do Acre é composto por secretarias e secretários com alto nível de responsabilidade e competência os quais não precisam da minha pessoa para resolverem questões relevantes como as enchentes dos nossos rios.
Vejam, diferentemente de outras Primeiras Damas do passado sombrio deste estado, eu não sou Secretária de Ação Social. Quem não se lembra de donativos que desapareceram numa grande enchente ocorrida há algumas décadas?
Comparação entre o agora e o antes de primeira-dama.
O Governo do Estado do Acre é composto por secretarias e secretários com alto nível de responsabilidade e competência os quais não precisam da minha pessoa para resolverem questões relevantes como as enchentes dos nossos rios.
Não precisam de minha pessoa.
Não entrou no assunto.
É público e notório, só não enxerga quem está querendo a derrota do meu marido, o trabalho que faço para ajudar o estado. Eu poderia apenas desfrutar das boas coisas que uma esposa de governador tem a oportunidade, como: ir a coquetéis, jantares, viagens e fotos com pessoas importantes. Poderia optar em cuidar apenas da educação dos meus filhos enquanto o pai governa um estado. Poderia gastar a maior parte do meu tampo cuidando da minha pele, do meu cabelo, das minhas unhas. Poderia ao invés de ser feliz dançando tomar remédio controlado, assim não incomodaria os olhos dos falsos profetas.
É público e notório, só não enxerga quem está querendo a derrota do meu marido, o trabalho que faço para ajudar o estado. Eu poderia apenas desfrutar das boas coisas que uma esposa de governador tem a oportunidade, como: ir a coquetéis, jantares, viagens e fotos com pessoas importantes. Poderia optar em cuidar apenas da educação dos meus filhos enquanto o pai governa um estado. Poderia gastar a maior parte do meu tampo cuidando da minha pele, do meu cabelo, das minhas unhas. Poderia ao invés de ser feliz dançando tomar remédio controlado, assim não incomodaria os olhos dos falsos profetas.
Poderia cuidar de sua vida particular.
Ainda não entrou no assunto.
Mas, a minha opção foi de ser verdadeira, nunca fingir ser o que não sou. Saibam que gosto muito das expressões da cultura popular e de estar próxima a elas. Gosto de abraçar as pessoas, olhar nos seus olhos, ouvi-las, procurar compreende-las, ajuda-las e conhecê-las ... pessoas me inspiram. Por isto, não posso e não devo seguir o receituário de uma Primeira Dama que fica longe das pessoas ou com elas apenas no sofrimento. Me desculpem os que não convivem comigo, mas eu sou e serei uma Primeira Dama com a minha essência, cheia de responsabilidade e de postura que o mundo atual pede de um ser humano.
Mas, a minha opção foi de ser verdadeira, nunca fingir ser o que não sou. Saibam que gosto muito das expressões da cultura popular e de estar próxima a elas. Gosto de abraçar as pessoas, olhar nos seus olhos, ouvi-las, procurar compreende-las, ajuda-las e conhecê-las ... pessoas me inspiram. Por isto, não posso e não devo seguir o receituário de uma Primeira Dama que fica longe das pessoas ou com elas apenas no sofrimento. Me desculpem os que não convivem comigo, mas eu sou e serei uma Primeira Dama com a minha essência, cheia de responsabilidade e de postura que o mundo atual pede de um ser humano.
Não entrou na questão.
Sendo assim fui a Sapucaí a convite da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel com a minha consciência tranquila prestigiar os acreanos ali homenageados. Era justo que eu fosse, pois coordenei durante 2013 o projeto CHICO MENDES VIVE MAIS. Lembrem que, até ajuda ao Rio de Janeiro o ACRE SOLIDÁRIO já enviou no momento daquela catástrofe em Petrópolis. Pena que os falsos profetas não queiram falar disso. Não gastei dinheiro público, mas sim o ganhado com o meu trabalho de arquiteta.
Sendo assim fui a Sapucaí a convite da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel com a minha consciência tranquila prestigiar os acreanos ali homenageados. Era justo que eu fosse, pois coordenei durante 2013 o projeto CHICO MENDES VIVE MAIS. Lembrem que, até ajuda ao Rio de Janeiro o ACRE SOLIDÁRIO já enviou no momento daquela catástrofe em Petrópolis. Pena que os falsos profetas não queiram falar disso. Não gastei dinheiro público, mas sim o ganhado com o meu trabalho de arquiteta.
Depois de tantas linhas, retoma a questão da Sapucaí, mas não se aprofunda.
Agradeço imensamente todas as manifestações de apoio a minha pessoa e ao meu marido. Nunca esquecerei das palavras daqueles que me compreenderam e ficaram felizes, por eu ser uma das pessoas que estava ali com orgulho de ser acreana. Agradeço o carinho da Vila Isabel com a minha pessoa e com o Acre. Eu não imaginava sair na pista acompanhando os puxadores e a bateria. Infelizmente não conseguiu o título tão sonhado, mas para o Acre foi muito importante ser lembrado de maneira tão digna.
Para finalizar, quero dizer-lhes que sempre que possível, nunca abrirei mão da meu direito de ir e vir. E tenho dito.”
Agradeço imensamente todas as manifestações de apoio a minha pessoa e ao meu marido. Nunca esquecerei das palavras daqueles que me compreenderam e ficaram felizes, por eu ser uma das pessoas que estava ali com orgulho de ser acreana. Agradeço o carinho da Vila Isabel com a minha pessoa e com o Acre. Eu não imaginava sair na pista acompanhando os puxadores e a bateria. Infelizmente não conseguiu o título tão sonhado, mas para o Acre foi muito importante ser lembrado de maneira tão digna.
Para finalizar, quero dizer-lhes que sempre que possível, nunca abrirei mão da meu direito de ir e vir. E tenho dito.”
terça-feira, março 04, 2014
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