sexta-feira, agosto 08, 2014
sábado, agosto 02, 2014
Recordo-me...
Hoje, ao acordarmos, brindamos a vida com nossas canecas de café e, desse forma, como há nove anos, iniciamo a rotina sagrada de nos olharmos todo dia com olhos ainda adormecidos, com cabelos sem salão de beleza, com abençoada preguiça dos finais de semana.
O tempo sussurra à nossa pele e diz que um certo amor aprendido com o peso e com a leveza das está exposto neste início de mais um dia.
Tudo aparente gestos repetidos, mas nós não somos os mesmos. Já não fazemos sexo quase todo dia, já não excitamos com a nudez de nossos corpos, porém uma prazer grandioso de cotidiano nos dá a segurança de que, amanhã, depois de amanhã, o café e as mesmas canecas nos esperam.
Isso acontece hoje, mas sinto, não sei como, saudade de horas que jamais se repetirão.
Mony, eu te amo.
quarta-feira, julho 23, 2014
Acre, até quando...
Infelizmente, após 22 anos, inicio o processo de separação definitiva entre mim e a educação acriana.
Não queria, mas não tenho outra saída, porque tenho de ficar no Rio de Janeiro para cuidar de meus pais e de meu irmão.
Um dia, quem sabe, retornarei com minha esposa.
terça-feira, junho 24, 2014
Uma resenha sobre um livro de Umberto Eco
As pinceladas da fé nos quadros da
arte medieval
Resenhado por Aldo Antônio Tavares do Nascimento
ECO, Umberto. Arte e beleza na estética medieval. Rio de Janeiro: Record, 2010.
Observe este mural na igreja de São
Clemente, Quatro apóstolos, do século
XII; repare os corpos estáticos, suas expressões invariáveis, volumes e
dimensões uniformes, figuras chapadas que anulam toda ilusão de movimento. Com
suas imagens que desconsideram tamanho, forma, proporções, volume, cor, nossos
olhos contemplam a arte mais típica da cultura medieval, a românica, que
prevaleceu por toda a Alta Idade Média (476-1000).
Movimento. Ele virá pelo norte europeu,
assim como o espaço, a luz, a cor, enfim, a composição extensiva da cultura
popular e da natureza. No sul, permanecia a influência da arte bizantina, presa
ainda às formas fixas, com o seu hieratismo
(invariável), a frontalidade, tricromatismo (normalmente o azul, o
dourado e o ocre), isocefalia, isodactilia e hierarquia dos espaços (figuras mais sagradas para as menos
sagradas). Mais do que arte, a pintura bizantina é dogma.
Romper com o imóvel. O nome que
pincelou profundas rupturas foi Giotto di Bondone (1266-1337), sendo seu maior
trabalho na Capella degli Scrovegni, onde retrata cenas da Virgem Maria e da
Paixão de Cristo, entre 1303 e 1310. Até conceber a impressão do movimento em
sua pintura, um longo período de agonia conceitual atravessou décadas da Idade
Média, podendo ser lido tamanho enfrentamento na obra que motiva este artigo, Arte e beleza na estética medieval,
publicada em 1987. Entretanto, para que suas páginas fossem lidas no Brasil, elas
só foram ancoradas em nossa língua em 2010, após 23 anos.
Nascido
em Alexandria, em 1932, Umberto Eco escreveu esse livro como quem caminha por
trilhas conceituais, isto é, por serem estreitas as trilhas, os detalhes de
seus passos ampliam nossa visão do que seja a estética do pensamento cristão
medieval, por exemplo, não podemos separar a moral da arte porque nesse
período a natureza refletia a transcendência de Deus. A consciência da beleza,
portanto, é dado metafísico.
Entretanto,
para além dos conceitos pensados por sacerdotes, havia o gosto do homem comum,
do artista e do amante das coisas de arte, voltados, vigorosamente, para
aspectos sensíveis. Por isso, os sistemas doutrinais da Igreja justificavam e
dirigiam esse gosto a fim de que o sensível não ultrapassasse o espiritual. Ao
cruzar dois conceitos (metafísico e sensível), a filosofia cristã admite um saber-deleite
com a finalidade de melhor amar a Deus, podendo o cristão, portanto, ajoelhar-se
diante do amor ornamental. Nessa
interseção conceitual, que é reação ao mundano (sensível) e a tensão para o
sobrenatural (metafísico) para que os olhos serenos contemplem as coisas do
mundo, repousa-se, nesse contraste, nesse ponto de encontro, ela: a paz dos
sentidos.
Duas correntes místicas (a Ordem de
Cister, os cistercienses, e a Ordem dos Cartuxos), sobretudo no século XII, opõem-se
ao luxo e às figuras na decoração das igrejas: seda, ouro, prata, vitrais
coloridos, esculturas, pinturas, tapetes. São Bernardo de Claraval (1090-1153),
monge cisterciense, lança-se contra esses supérfluos ou percepções porque eles
desviam os fiéis da piedade e da concentração da prece. Patrono da Ordem dos
Templários, São Bernardo escreveu as regras dos cavaleiros; pensou a
cristandade como força militar, mesma rigidez conceitual concebida na arte.
Embora
houvesse o rigorismo místico de São Bernardo, havia também uma mística que se
voltava para o mundo sensível, a do agostiniano Hugo de São Vítor (1096-1141),
teólogo mais famoso antes de Santo Tomás de Aquino. Por meio de seu pensamento,
o deleite estético provém, efetivamente, do fato de que o ânimo, a alma,
reconhece na matéria a harmonia de sua própria estrutura. (ECO, pág. 31). Mas
até chegar ao subjetivo de um gosto estético foi um longo percurso. Antes dessa
consciência, entretanto, o belo, para o homem medieval, deveria coincidir com o
bom. Suger (1081-1151), abade de Saint Denis, concebe a casa de Deus como
espaço acolhedor da beleza, encontrando em Salomão e em Pseudo-Dionisio sua
justificativa. Suger quem permite a arte gótica no cristianismo. Segundo Erwin
Panofsky (1892-1968), o abade concebia a arte como obra teológica, ou seja, o belo associava-se ao que é útil, porque,
transmitida pela antiguidade e passada de Cícero a Agostinho e de Agostinho a toda
Escolástica, essa ideia afirma que aquilo que é belo é belo em função de algo.
No sínodo de Arras, em 1025, havia iniciada uma campanha para permitir aquilo
que os simples não pudessem entender por meio da escritura deveria ser
aprendido pelas figuras. A pintura deve, pois, embelezar a casa de Deus,
revocar a vida dos santos e o deleite dos incultos; um dos problemas da
estética escolástica, todavia, foi precisamente o da integração da metafísica
do belo com os valores, por exemplo, da unidade, da verdade, da bondade. (ECO,
pág. 42).
Manifestado
na visão estética do cosmo, o belo pertence à ordem e, por isso, é propriedade
estável e não sentimento poético de admiração. Sistematizado pela filosofia Escolástica
conforme a tríade sapiencial (numerus,
pondus e mensura; ou modus, forma e ordo; ou substantia, species e virtus; ou ainda constat,
congruit e discernit), a Escolástica pensará o belo como noção de propriedades
transcendentais, quais sejam, unidade,
verdade e bondade, todas retiradas do pensamento grego. Podendo ser pensado
como um transcendental, o belo cristão, nos séculos XII e XIII, revive a kalokagathia grega ou a unidade kalos kai agathos (belo e bom),
possibilitando a harmônica conjunção de beleza física e virtude.
Além da arte gótica (segundo
parágrafo), que permitiu uma ruptura com a arte bizantina, a espiritualidade
franciscana, envolvida com grupos populares, com a realidade material do mundo,
com a contemplação da natureza, com o otimismo da vida e com a beleza dos
elementos, também influenciou para que fosse percebida na arte a presença do
sensível. Não por outro motivo que Giotto expressa o naturalismo da
sensibilidade franciscana, podendo ser apreciado na obra A morte de São Francisco. A
presença do sensível, conforme a Ordem Franciscana, veio à luz em 1245, na forma
de Summa theologica, obra dos frades
Jean de la Rochelle, Frater Considerans e Alexandre de Hales, mas dita Summa fratris Alexandri. Nela, belo refere-se à causa formal,
entendendo como forma o princípio substancial de vida, sendo, portanto, ideia aristotélica.
“Chamo forma a essência de cada coisa e a substância primeira”, afirma o
pensador em sua Metafísica. Assim
sendo, a beleza é a disposição da forma em relação ao exterior. Na Summa, bem e belo fundam-se na forma concreta das coisas. Mas, por prudência
dos franciscanos, o belo ainda não pertence à série dos transcendentais. Somente
após cinco anos, em 1250, São Boaventura escreve em um opúsculo as quatro
condições do ser: uno, que concerne à
causa eficiente; verdadeiro, à
formal; bom, à final; e belo, que abraça todas as causas e é
comum a elas. Sendo o belo uno, verdadeiro e bom, o belo atravessa todos os transcendentais.
Alberto Magno influencia Tomás de Aquino
Mestre de Santo Tomás de Aquino,
Santo Alberto Magno (1193/1206-1280) retoma dos franciscanos “o belo fundado na
forma de uma coisa” por meio de um comentário que, sob o título de De pulchro et bono, figurou por longo
tempo entre os Opuscula de Santo
Tomás. Para Alberto Magno, “a essência universal do belo consiste no esplendor
da forma sobre as partes proporcionais da matéria ou sobre as diversas forças
ou ações”. Com isso, permite-se que o belo passe a pertencer verdadeiramente a
todo ente a título metafísico. Ao dizer forma
e partes proporcionais da matéria, vê-se
uma Idade Média inspirada no hilemorfismo aristotélico, isto é, a forma (morfe) compõe-se com a matéria (hyle) para dar vida à substância
concreta e individual (ECO, pág. 60). Segundo Alberto, há no hilemorfismo
várias tríades de origem sapiencial ou intelectual, quais sejam, modus, species e ordo; numerus, pondus e mensura. Essa
“matemática do belo”, todavia, não considera a referência ao ato humano
conhecedor como constitutivo do belo em sua própria ratio, sendo, portanto, uma estética marcada por um rigoroso
objetivismo. A percepção do outro ainda não existe. Há outro objetivismo: o de
que o belo, embora seja propriedade transcendental do ser, revela-se em uma
relação em que o homem focaliza o objeto, e esse é pensado por ele - Santo
Tomás de Aquino.
Para
chegar à matemática, à lei dos números, Umberto Eco conduz o leitor ao capítulo
3. Depois, amplia essa concepção de estrutura, cuja gênese é Pitágoras. Na
condição de causa, princípio, ninguém pode compreender o belo sem antes
atravessar o caminho reto dos geômetras, qualquer semelhança com Platão em Timeu, obra onde as formas matemáticas
estruturam a Ordem (Cosmo), não é mera coincidência.
A arte sensível de um santo
No
capítulo 7 (parte 7.4), Eco escreve que, ao retomar as noções estéticas
propostas por Alberto Magno, Tomás de Aquino ocupa-se da visão subjetiva do
belo, o que seu professor desconsiderou. Para confirmar essa divisão entre
mestre e discípulo, Umberto Eco retira um exemplo da Suma Teológica I, onde bem e belo amalgamam-se na forma, na
substância, no que sustenta, isto é, na estrutura.
O subjetivo emerge em Tomás porque belas são chamadas as coisas que despertam prazer
quando vistas e, se despertam, é porque nossos sentidos deleitam-se nas coisas
bem proporcionadas. Em Tratados das Enéadas,
Plotino (205 d. C.-270 d.C.) concebe o belo como simetria das partes para haver
a harmonia do conjunto. Tanto proporção
quanto simetria são conceitos que alinham
o belo à matemática, ou matematismo e belo formam um só cálculo. Os sentidos então
são uma espécie de proporção, uma espécie de simetria.
Foi
dito antes que bem e belo fundam-se na forma, sendo que o bem faz com que a
forma seja objeto de apetite porque todo ente deseja o bem; o belo, ao
contrário, coloca a forma em relação com o puro conhecimento, por ser ele, o
belo, aquilo cujo conhecimento causa prazer. Sendo assim, olhar é conhecer, e o
deleite estético não passa de uma consequência desse conhecimento, visto que
esse ato de adesão deleitosa é determinado pelo belo ou pelas formas
matemáticas. A ideia de Tomás traz o subjetivo; ele, porém, é determinado pelo
belo ou por conceitos matemáticos, cujo propósito implica apaziguar os
sentidos, os apetites. Diferente de Tomás de Aquino, o ato de adesão deleitosa
pode ser muito bem um livre ato de efusão concedida à coisa e não determinada por
ela, e quem pensa assim é João Duns Escoto (1265-1308), para quem a visão
estética é uma faculdade livre, pois seus atos sujeitam-se ao império da
vontade. Longe de ser coincidência, essa faculdade livre - subentendam-se as experiências
-, Escoto pertence à ordem franciscana, a mesma ordem de Roger Bacon (1214-1294)
e de Robert Grosseteste (1168-1253). Todos estudaram na Universidade de Oxford
e, entre eles, existe esta linha mestra de conhecimento, qual seja, a experimentação
ou a vontade do sujeito.
Penso
ter ofertado uma ideia do que seja este significativo livro de Umberto Ecos. No
capítulo 8, Santo Tomás e a Estética do
Organismo, o autor detalha mais ainda o que esse pensador conceitua o belo;
porém, como início, apresentei uma linha de raciocínio em que pontos
importantes foram relacionados.
segunda-feira, junho 23, 2014
Antes do jogo Brasil e Camarão
Hoje, em muitas escolas, não se estuda gramática - erro que deixará um débito enorme para o futuro.
Estou estudando Immanuel Kant, mas pararei a leitura pouco antes do jogo entre Brasil e Camarões, depois retornarei.
Suas orações e seus períodos são longos, um tipo de estrutura sintática que não facilita a compreensão. Sem compreensão de gramática, torna-se mais difícil.
Por exemplo, repare nessas relações entre orações:
Se, quando se assume
que o nosso conhecimento por experiência se regula pelos objetos como coisas em
si mesmas, verifica-se que o incondicionado não poderia ser pensado sem
contradição; se, ao contrário,
quando se assume que a nossa representação das coisas, tal como nos são dadas,
não se regula por estas como coisas em si mesmas, mas os objetos é que se
regulam pelo nosso modo de representação, verifica-se que a contradição
desaparece; e se, portanto, o incondicionado
tem de ser encontrado não nas coisas enquanto as conhecemos (enquanto nos são
dadas), mas sim nelas enquanto não as conhecemos, enquanto coisas em si mesmas: assim se evidencia que tem
fundamento aquilo que, no começo, assumíamos apenas a título de tentativa.
Sem gramática, porque ela estuda estruturas, não se entende Kant. Depois de saber a estrutura, estudam-se os conceitos kantianos e a relação entre eles, mas sabendo que a relação entre eles depende da estrutura, porque a estrutura já é relação.
Por falar em jogo...
domingo, junho 08, 2014
A Culpa é das Estrelas
Hoje, fui ter com a Mony um dos prazeres de nosso encontro de 9 anos: assistir a mais um filme. Amo sair com ela para ficar diante da película ou diante de um palco de teatro.
Já foram tantos os filmes e muitas as peças que sinto saudade de tudo e, estranho, saudade do que virá.
As imagens dessa vez vieram de "A Culpa das Estrelas". Ótimo filme!
sábado, junho 07, 2014
A Pessoa em Santo Tomás de Aquino
A
fé e a razão de Santo Tomás de Aquino leram textos ficcionais da Grécia Antiga.
No livro “Por trás das palavras - manual de etimologia do português”, de Mário
Eduardo Viaro, o sentido original de ficção é “formação”. Do teatro grego, que
nos remete à personagem, Tomás retirou o sentido de pessoa (persona), que
significava “máscara”. Assim, por ser máscara, a pessoa é a guardiã de algo e,
dessa forma, por trás da máscara, guarda-se o mistério da pessoa. Os estudos de
Tomás o desvelam.
Seguindo
os passos de Aristóteles, Tomás de Aquino afirma que pertence à natureza do
homem ser ajudado por outros homens, porque não é possível um homem só abarcar
todo conhecimento pela razão, por isso ser necessário viver em multidão a fim
de que “a mão lave a outra mão”. Para o autor da “Suma Teológica”, é natural,
portanto, que o homem viva em sociedade. Dito isso, emerge, entre tantos
homens, isto é, a multidão, a definição de pessoa. Sabemos que todos os
seres possuem a totalidade em si, mas também possuem a individuação própria que
os distingue dos demais seres. O ser humano é definido como pessoa, segundo
Tomás, não apenas pela alma, mas pela alma e pelo corpo. Ora, é por meio destes
compostos que a pessoa subsiste. O homem não é uma pessoa simplesmente porque
tem uma alma, mas é uma pessoa pela alma e pelo corpo, já que é por meio de
ambos que subsiste. Entendida como substância primeira ou hipóstase, eis a
pessoa.
Entretanto,
a natureza humana não corresponde à pessoa tomasiana, porque, como a
singularidade humana subsiste em corpo e em alma, isto é, subsiste na pessoa, o
humano singular é mais do que a natureza humana porque em si a singularidade
possui elementos e características que não se encontram na natureza humana. O
que faz com que Santo Tomás de Aquino seja Santo Tomás de Aquino não se
encontra em todos os homens, mas tão somente em Santo Tomás de Aquino, sendo,
pois, o singular de sua existência à sua pessoa. O existir tomasiano é
constitutivo da pessoa, isto é, a pessoa é que tem a existência ou, se quiser,
o indivíduo tem a sua existência por intermédio da pessoa. É a pessoa que
existe e não a natureza humana individualizada. Mas, quando se fala em existir,
não se fala de um existir qualquer, mas de um existir racional, de um existir
que busca conhecer e se conhecido, que busca pensar e ser pensado, por isso,
entre outras substâncias, Santo Tomás de Aquino diz que os indivíduos de
natureza racional têm o nome especial de pessoa, que aqui se define conforme
Boécio: “uma substância individual de natureza racional”. E livre. Entendamos
aqui como racional que a pessoa não está fadada a agir somente por causalidade
natural, mas podendo desencadear uma causalidade própria.
Se
por um lado podemos interpretar que a pessoa existe sob a máscara, também
podemos por outro admitir que a própria máscara é a pessoa. Assim sendo, nas
comédias e nas tragédias gregas, representavam-se personagens célebres, e o
termo pessoa veio a designar aqueles que estavam constituídos em dignidade. Personalidades
são aqueles, portanto, que detêm alguma dignidade, ou seja, aqueles que detêm o
merecer.
Pelo que já foi escrito até
aqui, é correto então afirmar que o tema da pessoa em São Tomás une sua
filosofia à teologia? Penso que a teoria da pessoa é um ponto de interseção
entre filosofia e teologia no pensamento escolástico de Santo Tomás de Aquino. Sendo
a pessoa amálgama entre corpo e alma, isto é, entre o sensível e o
suprassensível, Santo Tomás, oposto ao platonismo, concebe o corpo não como
túmulo, mas como meio inevitável para se chegar a uma dignidade para além do
próprio corpo. Ao pensar a experiência do corpo por meio da filosofia de
Aristóteles, que inclui o sensível, Tomás, por meio da teologia, oferta ao
sensível a sua transfiguração, pois a pessoa também é alma, conceito que
permite ao humano a transcendência.
sábado, maio 24, 2014
Paralisação dos professores
Em um ano, os professores do Rio de Janeiro pararam suas atividades - isso não é igual ao conceito de greve - quatro vezes, mas esse número não indica soma ou multiplicação do clichê "luta sindical", e sim uma subtração.
Ou seja, o sindicato só tem perdido com seu modelito cafona ou brega de luta sindical.
Hoje, tempo frio e chuvoso de outono, acordei cedo como sempre para comprar meus jornais. Em O Dia, a manchete "Professor grevista vai fazer 'rolezinho' em shoppings".
Além da falta de qualidade de ensino, também existe a falta de qualidade da luta sindical.
Os caras perderam a noção do ridículo.
Os caras perderam a noção do ridículo.
terça-feira, maio 13, 2014
Estamos com inveja do governador acriano
Claudio Ezequiel Passamani, meu amigo, vc afirma que a entrevista do governador causou inveja. A entrevista causou inveja!?!?
Quer dizer que um homem de estado causa inveja a quem critica. A critica é consequência de inveja, ou seja, quem critica queria ser governador ou queria ter sido entrevistado no Roda Viva.
A crítica, por exemplo, ao governador por ele ter dito "asfaltar todas as ruas do Acre" existe por causa da inveja.
Então, a minha proposta é seguinte: que anônimos - e não invejosos - criem um Face para mostrar "todas as ruas asfaltadas" no final de mandato de Tião Viana.
Inveja. Quer dizer que ao DETALHARMOS a relação entre perguntas dos jornalistas e respostas do governador no Roda Viva para tecer críticas é INVEJA. Eu, por exemplo, tenho inveja do governador por criticá-lo.
Ora, não se critica por causa de "inveja"; critica-se porque a palavra significa "julgar", ou seja, ao criticar, separa-se, seleciona-se, por exemplo, eu separei "todas as ruas asfaltadas" da realidade urbana de Rio Branco. Crítica não possui outro significado, é como 2 + 2 = 4.
Dito isso, a questão é a seguinte: "todas as ruas serão asfaltadas"? A estrutura frasal é esta, e a resposta não pode se desviar dessa estrutura.
Inveja. Sim, eu tenho inveja, muita inveja dos homens cultos, dos políticos inteligentes, por exemplo, quando o senador Cristovam Buarque pensa a educação pública. Ele pensa a palavra educação, o que não ocorre com o governador do Acre quando fala de educação. E, por isso, eu tenho inveja.
Quando Buarque fala da "federalização do ensino fundamental", ele, que é leitor de Anísio Teixeira, refere-se à questão "estrutural". Quem fala de do conceito de "estrutura educacional" no governo do Acre?
Ora, a crítica não é consequência de inveja, mas consequência de quem seleciona conteúdo de um discurso para comparar com. Esse é o ÚNICO sentido da crítica, único porque esse é o seu sentido etimológico.
Depois de ouvir Tião Viana
Não busco falar mal do PT por falar, mas, se falo bem, é porque existe uma história que você vê em Rio Branco, por exemplo.
O Acre melhorou muito com a administração do Partido dos Trabalhadores. Melhorou muito.
Discordo do governador do Acre, Tião Viana, ao dizer que o Acre é pobre. Pobre são os seus políticos, tão pobre é a sua elite econômica.
Em sua entrevista no Roda Viva, disse que seu governo está asfaltando "todas as ruas".
Todas as ruas. Não é preciso dizer mais nada sobre essa entrevista. Todas as ruas.
Longe da imprensa acriana
Em alguns momentos, quando os jornalistas (não acrianos) o deixam com perguntas incômodas, o governador do Acre, Tião Viana, responde com outra pergunta, desviando-se do tema em questão.
Por muitas vezes, diz que o Acre é um estado pobre, mas, até onde sabemos, a folha de pagamento dos beneficiados pelo poder é altíssima. Esses não são pobres.
Governador, crie com a sociedade civil uma Roda Viva acriana, sem a mão de interesse partidário.
Por muitas vezes, diz que o Acre é um estado pobre, mas, até onde sabemos, a folha de pagamento dos beneficiados pelo poder é altíssima. Esses não são pobres.
Governador, crie com a sociedade civil uma Roda Viva acriana, sem a mão de interesse partidário.
sábado, maio 10, 2014
sábado, maio 03, 2014
Jorge Viana e Cristovam Buarque
Em uma dessas comissões do Congresso, ouvir Jorge Viana e ouvir Cristovam Buarque a respeito de educação, minha nossa!!!, não é só diferente, mas brutalmente desigual.
Cristovam eleva o debate; Jorge abaixa-o.
Aos sábados e aos domingos, comprar jornal é um ato de muitos e muitos anos. Quando existe em alguma banca no Rio, compro A Folha, mas garantido mesmo é O Globo, onde posso ler sempre os bons textos do senador Cristovam Buarque.
Esse senador, diferente de Jorge Viana, sabe muito quando o assunte é este: educação.
Hoje, o título de seu artigo é "Adoção federal" e começa assim:
Quando um banco entra em crise, o Banco Central intervém para evitar a falência; quando a segurança de uma cidade entra em crise, o governo federal aciona a Guarda Nacional; quando a saúde fica catastrófica, importam-se médicos; quando uma estrada é destruída por chuva, o governo federal auxilia o estado; mas, quando um município não tem condições de oferecer boa escola a suas crianças, o governo federal fecha os olhos, porque isso não é responsabilidade da União. Limita-se a distribuir, por meio do Fundeb, R$ 10,3 bilhões por ano, equivalente a R$ 205 por criança ou R$ 2 a cada dia letivo.
Por causa da história das séries iniciais terem sido condenadas aos municípios, o caminho dessas séries hoje tem de ser o governo federal.
Os municípios não têm condições para qualificar.
O Jorge nem coloca isso em pauta.
domingo, abril 27, 2014
A importância de ler Orígenes
Um ex-aluno cita a Bíblia para justificar o erro de ser gay. Orígenes já falava de interpretação há muito tempo.
Elaborado por mim, deixo aqui parte de meu texto sobre a primeira patrística.
Pensador da Primeira Escolástica, Orígenes de
Alexandria ou Orígenes de Cesareia existiu entre 185 e 254, tendo como mestres
Clemente de Alexandria (150-215) e Amônio Sacas (175-240/42). Considerando que
“conhecer” é “nomear”, a razão, segundo Erígena, deve descobrir o significado
profundo que se oculta sob as palavras da Escritura.
No livro “Arte e beleza na estética medieval”,
Umberto Eco afirma que, com Orígenes, nasce o “discurso teologal”, o qual não é
mais discurso sobre Deus, mas sobre sua Escritura. Assim , quanto à
interpretação, Orígenes, que parte do texto bíblico, admite três sentidos para
a leitura do sagrado: o corporal (literal), o moral (psíquico) e o místico
(pneumatológico), sendo que os dois últimos relacionam-se ao sentido alegórico,
cujo método herdou-se de Fílon, o judeu.
O sentido corporal, que é o imediato, o superficial,
o histórico, também se chama de primeiro significado por ser o sentido literal,
e ele se destina às pessoas comuns, a uma multidão que só compreende o mais
simples. Quanto ao sentido moral ou psicológico (anima), a palavra destina-se
ao leitor avançado; e o sentido místico é o mais profundo, destinado ao cristão
perfeito. O alegórico, como se dá pela imagem por meio de conceito, é onde o
saber o espírito surge, porque esse sentido não se limita à aparência literal
da palavra.
![]() |
| Orígenes (185-254) |
Uma bandeira é mais do que uma bandeira
Do blogue do Altino Machado, peguei esta imagem. Repare, só a estrela permanece, a mesma estrela que se encontra no Partido dos Trabalhadores.
Os símbolos são importantes, porque eles mostram que um lugar não se reduz a prédios, a pontes, a viadutos, a estradas, enfim, ao concreto, ao físico.
Abstrair é retirar da realidade objetiva valores espirituais, valores que os animais não possuem.
Ruim um estado e um município ficar nas mãos de um só partido, é poder demais ou permanência do que não se transforma.
A bandeira acriana... ela está acima de partidos.
Sofistas, palavra tão incompreendida
A visão de mundo, para ser refeita, não possui outro caminho senão atravessar o espectro das palavras.
Ver a vida é saber pensar a palavra.
Uma palavra que precisa ser revisitada é "sofismo". Quando a reproduzimos como um objeto de uso que recebemos da vida presente, sem que a lancemos ao passado, seu significado está comprometido e, consequentemente, nosso juízo. Se a palavra está estreitada por condições sociais, nosso juízo também está.
Nossos últimos anos, os sofistas estão sendo repensados de maneira muito diferente de Platão, de Aristóteles.
"Sofistas, Sócrates e socráticos menores", de Giovanni Reale, é ótimo para começar a entender esse mundo.
Aqui, deixo minhas inúteis palavras sobre:
Para os sofistas, o ponto de partida é o próprio mundo fenomenológico, e esse mundo sensível é oposto ao de Platão, que busca a verdade na palavra. Para os sofistas, no entanto, inexiste, na palavra, a verdade ou, se ainda quiser, o absoluto. Assim sendo, a palavra é engano por ela possuir duplicidade, ambiguidade. Não poderia ser diferente porque, tendo como partida o mundo fenomenológico, os sofistas não se fixam em o modelo, em a unidade; porém, a partir do particular, que é também o fenomenológico, admitem as diferenças, as variações, os contrastes. No mundo sofista, portanto, a instabilidade é mestra, visto ser tal instabilidade o sinônimo da “doxa”.
Para os sofistas, o ponto de partida é o próprio mundo fenomenológico, e esse mundo sensível é oposto ao de Platão, que busca a verdade na palavra. Para os sofistas, no entanto, inexiste, na palavra, a verdade ou, se ainda quiser, o absoluto. Assim sendo, a palavra é engano por ela possuir duplicidade, ambiguidade. Não poderia ser diferente porque, tendo como partida o mundo fenomenológico, os sofistas não se fixam em o modelo, em a unidade; porém, a partir do particular, que é também o fenomenológico, admitem as diferenças, as variações, os contrastes. No mundo sofista, portanto, a instabilidade é mestra, visto ser tal instabilidade o sinônimo da “doxa”.
sábado, abril 19, 2014
A uma mãe
Hoje, no Face, um ex-aluno me contou sua tristeza, que é de amar uma jovem, mas, por causa da mãe da moça, o amor do dois está ameaçado pelo diabo, pelas trevas.
Na mente dela, fiel ao Senhor Deus, ela disse à filha que não quer ver a Luz (sua família) misturada com as Trevas (família dela).
Eis o poder bíblico daqueles que, por arrebatada ignorância, fazem de Deus um Mal no mundo. Como podem pessoas afirmarem que são a Luz se elas são imperfeitas?
Ensina-se que o mundo é preto (Trevas) ou branco (Luz), como se Deus, o Criador, o que não pode ser adjetivado, só tivesse criado um só atributo: o branco.
Penso que no jardim de Deus há muitas flores, várias cores, tantas formas, que é impossível a mim pensar em um Criador monocromático e maniqueísta.
São os mais ignorantes que pregam a verdade acima do jardim de Deus; verdade essa que mata as múltiplas cores, muitas formas do Criador.
A mãe desse bom rapaz deveria saber que quando Luz e Trevas unem-se elas formam belos quadros cheios de vida, como os quadros de Rembrandt ou de Monet.
Essa senhora precisa, urgente, apreciar as pinturas barroca e impressionista, além, é claro, de ler o bom e velho Heráclito.
O Haiti no Acre
Em 26 de abril de 2013, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, afirmou que a entrada de haitianos no Acre tinha sido se estabilizada.
"Todos estão regularizados e documentados e com carteira de trabalho emitida. Portanto, aptos ao trabalho. São quase 1350 [haitianos]. A situação está normalizada", resumiu o secretário na época.
Aptos? Entrevistado no jornal O Globo de hoje, Fades Ribiss, de 29 anos, conseguiu regulariza sua situação documental no abrigo de Brasileia, Acre. "Eu só não sei como conseguirei emprego".
Quem deseja ler essa passado é só clicar em
Depois de ter dito que a situação estava normalizada, o secretário de Justiça surpreende São Paulo e Brasília.
Paulo Illes, coordenador de políticas para imigrantes da prefeitura de São Paulo disse ao jornal O Globo que "não sabíamos que os haitianos viriam para São Paulo de forma desorganizada. A gente tinha muito interesse em participar de uma discussão com o governo do Acre, mas isso não aconteceu".
Nilson Mourão argumentou que o governo do estado do Acre não fez contato com São Paulo porque "há três anos e meio que os haitianos vão para lá".
Mas em 2013 o secretário disse que a situação estava "normalizada"?
Após fechadas as portas do abrigo em Brasileia, Acre, o Ministério da Justiça se diz surpreso com a decisão do governo do Acre.
Após fechadas as portas do abrigo em Brasileia, Acre, o Ministério da Justiça se diz surpreso com a decisão do governo do Acre.
Desde 2102, ocorreram 10 mil vistos humanitário segundo o Conselho Nacional de Imigração.
terça-feira, abril 15, 2014
Para os que ainda dormem como inocentes
De Aldo Tavares
A realidade efetiva das coisas destina-se a não
ter mais como referência o ideal de uma ação na “polis”, mas agir politicamente
conforme a necessidade da situação.
Após séculos de a ética ser pensada na
política, esta se separa daquela no século XVI, com “O Príncipe”. Nesta obra, Capítulo
XV, escreve-se que a verdade deve ser procurada pelo efeito das coisas, e não pelo
que se possa imaginar dessas mesmas coisas, havendo aqui, portanto, uma crítica
ao idealismo de Platão e à ética política de Aristóteles, porque “vai tanta
diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver”.
Na antiguidade
grega, como se ignorou a realidade efetiva das coisas, colocaram no lugar dessa
realidade repúblicas que nunca se viram reconhecidas como verdadeiras. Idealizaram
a vida coletiva por meio da ética, mas a política, depois de Maquiavel, longe
de partir de um ideal, fundamenta-se no chão fértil das contradições, no chão
fecundo dos interesses segundo a necessidade da raposa e do leão.
Aqui, o animal
político não busca o ideal aristotélico de animal político, porque o homem ou o
animal de Maquiavel transita em uma identidade ambígua. A instabilidade
política não se motiva mais por falta de ética, de equilíbrio, mas por falta das
duas faces do governante, devendo então a estabilidade tirar da ambiguidade as qualidades da raposa
e as qualidades do leão.
Depois de Maquiavel, a política perde sua essência
aristotélica para contrair aquilo que o vulgo aprecia, qual seja, ela: a não
essência, isto é, a aparência, essa superfície da experiência sensível.
Estamos, por fim, no mundo tão recusado por Platão, mas que em Maquiavel
ressurge com toda sua sedução: o mundo dos sofistas.
Para muito distante do vulgar
Há o engano de achar que o que se ouve em certas igrejas é canto a Deus. É, isso sim, ruídos do feio, do mau gosto, excrescência sonora de quem já perdeu o bom paladar.
A música ofertada a Deus deve ser Bela.
Ouça o que certa audição religiosa desconhece.
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