domingo, julho 12, 2009

Espetáculo da depressão



Maria Rita Kehl analisa os imperativos do consumo,
que negam ao sujeito o tempo necessário para se constituir

JURANDIR FREIRE COSTA
ESPECIAL PARA A FOLHA

"O Tempo e o Cão - A Atualidade das Depressões", de Maria Rita Kehl, é um livro empolgante. A leitura do trabalho é extremamente agradável, dada a qualidade literária da escrita da autora. Não se engane, entretanto, o leitor. A leveza do que é escrito é inversamente proporcional à densidade do que é dito. As numerosas referências conceituais mobilizadas e as hipóteses sustentadas exigem atenção e tempo para compreender. Portanto, qualquer resenha -inclusive esta- pode apenas fazer reverberar alguns aspectos da riqueza do tema abordado. É pouco, mas é o possível.

Maria Rita retomou o problema da depressão contemporânea pelo viés mais árduo: fazer [Jacques] Lacan dialogar com [Donald] Winnicott -dois herdeiros de Freud supostamente avessos um ao outro- e trazer a cultura para o interior da subjetividade. Como instrumento de análise, uma distinção nosológica e três grandes noções operativas: a distinção entre melancolia e depressão e as noções de gozo, tempo e vazio.

A descrição da melancolia, diz ela, permanece marcada pela tese freudiana da perda do objeto e do ataque ao próprio Eu, identificado em parte com o objeto perdido amado e odiado. Os sintomas melancólicos seriam, de um lado, a expressão da agressão ao Outro internalizado e, de outro, a resposta sintomática ao desinteresse do Outro pelo sujeito.

O fantasiado desinteresse é interpretado como sinal da vacuidade ou nulidade libidinal do indivíduo, donde a contrapartida do desinvestimento no mundo. O correlato cultural dessa organização psíquica seria o ethos da modernidade e da civilização burguesa oitocentista. A partir dos ensaios de Walter Benjamin sobre o barroco e sobre o mundo oitocentista de [Charles] Baudelaire, Maria Rita busca mostrar como a ordem socioeconômica reduplica, no nível simbólico, a vivência de superfluidade melancólica potencialmente inscrita em todos nós.

A depressão contemporânea é outra coisa. O deprimido, nesse caso, não sofre pela omissão do Outro, mas por sua intrusão. O protótipo desse tipo de trauma é a situação da mãe ansiosa ou obsessiva, que afoga o filho em cuidados constantes e excessivos. Como consequência, a criança não pode experimentar a falta -desilusão, na terminologia de Winnicott- que o leva a recriar na fantasia o objeto da carência, condição "sine qua non" da existência de seu desejo.

Assim, onde o desejo deveria advir, surge um arremedo de resistência ao gozo do Outro na forma passiva e reativa do esvaziamento de si. Essa predisposição se repete na etapa edipiana de rivalidade com o pai e redunda no retraimento do sujeito diante da vida pública ou privada. A montagem depressiva, assim, tem como premissa a onipresença do gozo do Outro, que sonega ao sujeito o tempo necessário à substituição metafórica ou metonímica do objeto ausente.

Tempo angustianteDe forma breve, faltou desilusão no passado; sobra desesperança no presente. Sem tempo para desejar, o sujeito se rende à louca injunção do supereu lacaniano: "Goza! Não goza!". Goza para não desejar; não goza para que o Outro goze. Essa é a alavanca que Maria Rita aciona para passar do registro pessoal ao registro cultural, pois os filhos do Outro invasivo são a versão psicanalítica do que [o pensador e cineasta francês] Guy Debord chamou de "filhos do espetáculo".

Na sociedade do espetáculo, o Outro da publicidade também assedia o sujeito com imagens da felicidade do consumo, sem deixar-lhe tempo para elaborar as perdas ou fruir os ganhos da vida. Mães atribuladas, pais privados de autoridade simbólica, sujeitos mesmerizados pelas promessas do estilo de vida drogado, todos vivem angustiadamente correndo contra o tempo ou paralisados na atemporalidade da depressão.

Em suma e em bom português, o tempo depressivo do espetáculo é, verdadeiramente, um tempo de cão. Como o tempo do filme "Corra, Lola, Corra" ou o de Jack Bauer [herói de série televisiva americana] e suas 24 horas. Contra isso, lembra Maria Rita, tempo é memória; memória é desejo e desejo é sujeito. Nem derrotista, nem ufanista, ela afirma que recobrar o direito ao tempo é restaurar a dignidade do desejo e a alegria de sentir que a vida vale a pena ser vivida. Pode-se pedir mais de uma psicanalista?

JURANDIR FREIRE COSTA é psicanalista e professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É autor de "História da Psiquiatria no Brasil" (ed. Garamond), entre outros livros.

O TEMPO E O CÃO
Autora: Maria Rita Kehl
Editora: Boitempo (tel. 0/xx/11/3875-7250)
Quanto: R$ 39 (304 págs.)

sábado, julho 11, 2009

A chave da Biblioteca Estadual













Marcado com bastante antecedência, meus alunos chegaram à Biblioteca Estadual às 9h50 para assitir ao filme Escritores da Liberdade. A película começaria às 10 horas. Quando as portas se abriram, o relógio marcava 10h50.

Durante uma hora, os alunos esperaram por um objeto importantíssimo: a chave. Uma hora à espera do responsável pela chave, sr. Tota.

Assisto a filmes com meus alunos desde 1998 e sempre com ajuda de Tonivan, excelente pessoa que trabalha na Biblioteca Estadual até hoje. Em todo esse tempo, 11 anos, Tonivan jamais deixou de abrir a porta na hora certa, época em que a filmoteca não era tão confortável como hoje.

Reformada, com ambiente semelhante à cinema, muito confortável, a filmoteca foi aberta uma hora depois, e tudo isso porque uma só pessoa é responsável pela chave. Inacreditável. De quem foi a ideia centralizadora de deixar a chave com uma pessoa que não aparece?

Se for para deixar com um funcionário, deixem com Tonivan.

quinta-feira, julho 09, 2009

Freud na rádio

Talvez, na próxima segunda-feira, dia 13, a voz de Freud seja ouvida na rádio Gameleira (104.9), às 18 horas.

Evidente que não me refiro ao autor de Mal-Estar da Civilização, mas ao jornalista da TRIBUNA, o Freud Antunes.

O nome de seu programa? Freud explica. Essa, eu vou querer ouvir no divã.


Quem fará a autópsia do corpo sindical?

Há muito tempo, critico o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) e, recentemente, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Quando surgiu o Sinplac, escrevi uma matéria no jornal Página 20 com 0 título "o fim do monopólio sindical". Na época, pensei que o hoje Sinplac fosse apontar novos rumos, mas os tolos vivem de ilusões. Enganei-me. Mulheres que sempre organizam o Sinplac cometem os mesmos erros dos homens sindicalistas. Elas também perderam o mouse da história.

Nietzsche disse que Deus está morto. Fukuyama afirmou que a história acabou. E os sindicalistas acrianos não sabem que o atual modelo sindical não passa de um cadáver. Quem fará a autópsia? quem terá coragem de tocar em suas vísceras? quem leverá esse corpo à análise?

Enquanto esse dia não chega, esse cadáver, que pensa estar vivo, assusta a inteligência de mortais.

Matéria de Freud Antunes

Trabalhadores da educação aceitam a proposta do governo

Os trabalhadores da educação aprovaram a proposta do governo do Estado na assembleia do final da tarde de ontem, no colégio estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Manoel Lima, a categoria aceitou o acordo, pois houve avanços nos quatro pontos que tinham sido contemplados em negociações anteriores, entre eles, o reajuste da área administrativa das escolas, ou seja, níveis 1 e 2.

“Conseguimos contemplar, também, os aposentados e os assessores pedagógicos, além da implantação do piso nacional de R$ 1.132 até para os professores temporários”, explicou o sindicalista.

Com o fim da mobilização trabalhista, os trabalhadores começam a receber os aumentos de forma retroativa, sendo a partir de 1º de janeiro para os professores que tenham apenas o nível médio e, a partir de junho, para o setor administrativo.

“O nível 2 terá os R$ 50 de abono, além de 5% de aumento e o reenquadramento em outra letra, tendo até o final do ano 15% a mais no salário, então a categoria está sendo contemplada”, afirmou Manoel Lima.

segunda-feira, julho 06, 2009

Para muito além do senso comum

Quando o senso comum impera, um tipo de burrice coletiva nos coloca no pasto da superficialidade. Nunca ruminar o capim desse pasto é tarefa de poucos.

Tales Ab'sáber não pasta. Retirei o texto dele do caderno Mais!. Boa leitura.





Ruínas do pop
Michael Jackson realizou em seu corpo, e levou ao limite, a lógica da indústria do entretenimento

TALES AB'SÁBER
ESPECIAL PARA A FOLHA

O mundo pop já conhece suas próprias ruínas. Toda ruína é semelhante na fisionomia, mas guarda uma história particular, perdida em suas lacunas.

A vida e a morte, e sua dança na dinâmica da vida pop -em que personalidade, expressão, imagem e mercadoria se imbricam de modo único-, já podem ser catalogadas em um conjunto de possibilidades, "topoi" existenciais dos que atuam no império da imagem espetacular.

Há muito se conhecem os suicídios desejados, atuados, da impossibilidade de sobreviver à contradição entre a arte e a negatividade social da crítica; o movimento da contracultura, moderno, versus o império do espetáculo e a imagem capital do ídolo, que se torna um reprodutor e também um responsável pelo sistema geral do fetichismo, do poder.

Os "war heroes" dos anos 1960 e 70 ou se mataram -Hendrix, Joplin, Morrison, Vicious- ou foram mortos, em um processo que revela a articulação de suicídio e assassinato, como o de Lennon; ou sobreviveram ao próprio suicídio protelado, como [Keith] Richards, ou [Eric] Clapton, ou o nosso Arnaldo Baptista; ou, ainda, aceitaram serem mortos simbolicamente ao reduzir o seu nível de conflito ao grau zero da mera reprodução do mundo como ele é.

O processo do apaziguamento histórico da ilusão de massas da contracultura foi muito violento, uma guerra simbólica, em que os ajustes foram feitos na carne e na vida, e à qual muitos não sobreviveram. A responsabilidade dessa violência foi totalmente transferida aos dionisíacos.

Michael Jackson representou outro modo de viver e de morrer no universo tanático dionisíaco do pop. Ele é um artista positivo, da afirmação do que existe, e da realização total desse próprio espaço social e histórico em seu corpo. Em primeiro lugar, tudo já foi dito sobre ele, e tocar outra vez no sistema explícito de suas formas e de seu dilema é simplesmente confirmar um clichê, uma reiteração do espetacular.

Mas, paradoxalmente, é este mesmo um dos aspectos mais importantes de sua forma humana e política: Jackson se transformou em um objeto de visibilidade total, ele passou a viver sob o signo daquilo que os psicanalistas chamam de "atuação", em uma escala de massas talvez jamais vista.

Isso quer dizer que apenas externalizando tudo o que sentia e vivia e passando ao ato, ao teatro da realidade exterior visível, o que portava em si, ele podia chegar a conhecer algo de si mesmo. Ao contrário de alguém que sonha, e preserva um ponto de mistério em seus sonhos, e uma relação de interioridade consigo mesmo, Jackson expulsava o sonho de si realizando-o na onipotência de seu lugar real de poder, no espetáculo e no dinheiro.

Zumbi
Sua atuação total dos anos 1980 e 90, seu espetáculo total, incluindo aí o próprio corpo, a ponto de virar uma coisa de si próprio, sinalizou mesmo a época de mudança do modo de orientar a subjetividade frente ao crescente poder do mercado e o falimentar valor da política: do humanismo do sujeito sonhador ao fetichismo e exibicionismo do psiquismo atuador, que busca se identificar com o poder crescente e total da coisa na cultura, a ação visível da própria forma mercadoria sobre os homens.

Seu sonho realizado, exposto ao voyeurismo desejante de milhões, totalmente projetado na realidade que o cercava, tornou-se de fato o pesadelo da regressão humana ao polimorfo perverso das origens de todos nós, metamorfoseado em espetáculo, hipervisível para todos, sem mais dimensão de intimidade ou interioridade.

Desde "Thriller" Jackson tornou-se o efeito especial por excelência, a imagem técnica da própria indústria atuando sem parar, encarnada.

O sonho foi acompanhado universalmente em tempo real.

Um travestismo total, estranhamente familiar, que invertia e suspendia o sentido de tudo: o bonito jovem negro tornou-se andrógino, mas também branco, não apenas Diana Ross, mas também Liz Taylor, mas também, à medida que envelhecia, tornou-se imune ao tempo, perpetuamente jovem, ou criança, mas também coisa, brinquedo, o próprio corpo da mercadoria, boneco do sonho pop americano, ou Barbie, que virou Chuck, ou ídolo pop que virou múmia, ou Michael Jackson que virou zumbi...

Este novo Frankenstein espetacular, que realizou em sua metamorfose milionária e sinistra o estatuto autoritário da técnica, do dinheiro e da mercadoria sobre o corpo humano e sobre as relações do sentido das coisas, acabou por virar, e revelar, o pesadelo americano e, se todos os seus consumidores contribuíram com seu gozo diante da degradação do jovem ídolo, no fim das contas Jackson simplesmente não poderia ser preso pela América, como deveria ter sido, quando passou a "devorar" criancinhas como em um conto de fadas bizarro, que vem do real.

Todos sabemos, e Michael Jackson teve a loucura (ou a sanidade?) de deixar isto explícito, que aquela criança linda que entrou para a indústria do espetáculo aos cinco anos de idade, com voz de "castrato" e o soul de Marvin Gaye, é que foi devorada pelo verdadeiro monstro do nosso tempo. Mas o seu próprio desejo também criou esse monstro.

No final dos anos 1960, quando os Jackson 5 assinavam seu contrato com a Motown, um outro gênio, de outra família da música negra e pop americana, Sly, com sua família Stone, cantava ironicamente aquilo que o lindo menininho Jackson, com seu canto e sua dança de fazer chorar, um dia representaria inteiramente, sacrificando a isso todo corpo e espírito: "All the plastic people" [Toda a gente de plástico].

O amor de Diana Ross por ele era ao mesmo tempo admiração pelo enorme talento da música negra e simples amor materno, numa preocupação limite sobre o destino humano daquele profissional bebê. Em 1989, Gilberto Gil sinalizava a conexão interior de transformismo, poder e morte, que todos intuímos no ídolo: "Bob Marley morreu/ Porque além de negro era judeu/ Michael Jackson ainda resiste/ Porque além de branco ficou triste".

Entre o menininho maravilhoso que foi invadido pela indústria tão radicalmente cedo e a coisa em si do espetáculo, e a cena perversa acompanhada por todos, do adulto que era pura visibilidade, temos a história da assimilação negra ao mercado e ao fetichismo industrial americano, que não se tornou libertária. Michael foi um verdadeiro cidadão Kane do momento avançado do capitalismo turbinado. De fato, um "cidadão quem?"; ou, melhor, "cidadão o quê?".
--------------------------------------------------------------------------------
TALES AB'SÁBER , psicanalista, é autor de "O Sonhar Restaurado" (Ed. 34).

sábado, julho 04, 2009

Crianças e idosos












Foto antiga, muito. Essas dançarinas infantis estão alegrando a vida de idosos. Meninas que ensaiam a sedução.

Esse fato ocorreu no Lar dos Vicentinos, um local em Rio Branco que acolhe velhinhos.

Veja o senador Tião Viana

Senador, neste pouco lido blogue, teci críticas a seu mandato na condição de seu eleitor. Não gostei daquela história do telefone mexicano. Passado esse tempo, li sua entrevista na revista Veja e, senador, hummmmm!, confesso que gostei muito de sua lucidez.

Esse exercício da crítica e da autocrítica pertence à natureza do Partido dos Trabalhadores. Gostei muito, senador. Não colocarei aqui a entrevista, melhor comprar a revista.

Comprei.

E, caso seja candidato a governo do Estado do Acre, votarei no senhor e ainda conseguirei alguns votos.

sexta-feira, julho 03, 2009

Sabe ou não sabe

É tradição o aluno copiar da internete trabalhos escolares (ctrl C e ctrl V). Há casos em que, depois de copiar e de colar, o aluno lê diante dos colegas e do professor o que a internete disse.

Na escola Heloísa Mourão Marques, professores de Literatura e de Língua Portuguesa, em uma reunião do Conselho de Disciplina, definiu que o trabalho escolar não seria mais uma cópia. Os alunos deverão escrever à mão.

No entanto, isso ainda seria pouco, porque um aluno poderia escrever por todos ou todos poderiam escrever, mas sem saber o que escreveram. Assim, além de escreverem à mão, definimos que eles deveriam saber o que escreveram por meio de perguntas do professor. Dessa forma, o trabalho vale 4 pontos.

Nesta semana, entregaram e responderam a perguntas sobre os trabalhos de Romantismo, Simbolismo e Modernismo. Quando começavam a falar, eu os interrompia para explicar sobre o que diziam.

Se liam a oposição entre o subjetivo do Romantismo e o subjetivo do Simbolismo, eram interrompidos para discursar sobre o subjetivo nas duas estéticas. Se ambas estéticas se opõem à revolução industrial, tinham que discursar sobre o conceito objetivo no processo industrial.

Os alunos precisam pensar a palavra, criar um discurso a partir delas. Não se fala o pensamento sem pensar a palavra.

Desde 16 de fevereiro, eles sabiam que na primeira semana de julho apresentariam um trabalho, porque um calendário foi apresentado por mim no primeiro dia de fevereiro, ou seja, sabiam com seis meses de antecedência o que apresentar.

Uns conseguiram ótimos resultados. É hora de mostrar se sabe ou não sabe. A universidade os espera.

quinta-feira, julho 02, 2009

De Josias de Souza

O PT e seu dilema: virar a mesa ou senta-se a ela?

Um moralista, como se sabe, é um degenerado que ainda não ficou preso no elevador com a Maitê Proença.

Do mesmo modo, um petista é um tucano que ainda não recebeu um pedido do Lula para apoiar o Sarney.

Poucas horas antes de um jantar em que Lula apelará por Sarney, a bancada de senadores do PT vive um dilema.

Assediado pela crise moral do Senado, o petismo não sabe se vira a mesa ou senta-se a ela, ao lado de Sarney e tudo o que ele representa.

Na noite de terça (30), sete dos 12 senadores do PT posicionaram-se a favor de um pedido de licença de Sarney.

Na quarta (1), informado acerca da novidade, Sarney disse que preferia renunciar a licenciar-se.

Do estrangeiro, onde se encontrava, Lula entrou em parafuso.

Pôs-se a telefonar para Brasília. Mobilizou ministros e assessores. Era preciso chamar o PT às falas.

A firmeza do petismo subiu no telhado. Ou, por outra, escalou um muro que, noutros tempos, era território exclusivo do tucanato.

Numa das peças de Nelson Rodrigues, ambientada num Rio de Janeiro que ainda era a capital do país, um personagem grita, em meio a uma suruba:

"Se Vinicius de Moraes existe, tudo é permitido!"

A frase é, na verdade, uma atualização de comentário de outro personagem, de Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

Pois bem, Lula sugere ao PT que reflita sobre outra máxima: Se Sarney existe, tudo é permitido. Inclusive apoiar o inaceitável, em nome da governabilidade.

Em 1959, o Partido Social Democrata alemão rejeitou os conceitos de “luta de classes” e “economia planificada”.

Em 1991, o Partido Socialista francês renegou o marxismo.

Em 2002, numa carta ao povo brasileiro, Lula pisoteou o passado e aceitou as regras do mercado.

Em 2009, Lula pede ao PT que renegue os princípios da moralidade pública. Na prática, mera formalização de algo que já ocorreu.

O PT de hoje, evidentemente, não é o PT de ontem. No governo, viu-se compelido a mimetizar o PSDB de FHC, abraçando-se a parceiros como o PMDB.

Um PMDB que frequenta as franjas do poder ameaçando romper com o governo, pleiteando, pedindo, querendo... E obtendo.

O apoio do PT a Sarney, exigido por Lula, será mais um exemplo das metamorfoses que o poder costuma operar.

Para que a hipocrisia possa funcionar, salvando o Senado do caos, é preciso que o PT faça o seu papel. O papel de otário.

Otário consciente, assumido, que reconhece a conveniência de sucumbir às amoralidades alheias em nome da governabilidade.

Afinal, Se Sarney existe, tudo é permitido!

quarta-feira, julho 01, 2009

Professor não faz greve

O jornalista Freud Antunes publicou na TRIBUNA uma matéria sobre a paralisação dos trabalhos na rede estadual de ensino. Antes de seu texto, um comentário.

Em uma assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) que não representou 10% dos professores do Estado, uma minoria votou a favor da "greve"(?) dos professores estaduais.

Aos que fazem do sindicalismo uma profissão, digo que deveriam ler a origem e o sentido autêntico da "greve". Se lerem, perceberão que, na condição de profissionais, estão equivocados, e muito. Senhores, não existe "greve de professores". É feio mentir. Professor repõe aula.

Se eu parar na segunda-feira, terei de repor as aulas. Ora, isso não cria nenhuma pressão contra a Secretaria de Educação. Se eu parar por 30 dias, só estou jogando para janeiro o término do ano letivo. Dessa forma, não existe "greve de professor", mas a reposição de aulas.

O Sinteac, que pega meu dinheiro sem minha autorização por meio do imposto sindical, não só envelheceu no tempo como se encontra enfermo no leito da história. O mundo mudou, menos ele. Diante de um espelho estilhaçado, ele fala para si mesmo a verdade infecunda dos retardados. É sempre a mesma decrépita prática previsível - a pseudogreve.

Na segunda-feira, a escola onde leciono negou a "reposição de aula". Por favor, deixem-nos em paz com o nosso direito de ir e de vir. “Quem furar a greve vai se dar mal com o sindicato, por isso é preciso fazer piquete e fechar as escolas até com correntes”, afirmou Manoel Lima, presidente do Sinteac.

A questão não é fechar a escola com correntes, mas abrir a mente de sindicalistas para outras possibilidades de organização sindical.

Enquanto essa possibilidade não dá sinais de vida inteligente na Terra, espero lecionar em paz na segunda-feira. Minhas aulas são mais significativas do que esse mazelento monólogo sindical.
___________________________________
Trabalhadores da educação entram em greve
De Freud Antunes


Na frente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), os trabalhadores da educação recusaram na manhã de ontem em assembleia proposta do governo do Estado. A categoria prometeu entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Manoel Lima, afirmou que houve avanços nas negociações, mas, como as vantagens não contemplaram aposentados e assistentes pedagógicos, todos decidiram organizar uma manifestação por melhorias.

Para os trabalhadores, o reajuste médio de R$ 80 também não alegrou os professores, além de críticas aos R$ 50 de abono para o setor administrativo.

Com a recusa da proposta do governo, o Sinteac convocou a categoria para a organização de um piquete, impedindo que as escolas funcionem.

“Quem furar a greve vai se dar mal com o sindicato, por isso é preciso fazer piquete e fechar as escolas até com correntes”, afirmou Manoel Lima.

Enquanto os professores do Estado radicalizaram, a categoria da rede municipal de ensino rejeitou a proposta do município e ofereceu um prazo de 15 dias para uma contraproposta.

Os trabalhadores reivindicam o pagamento do piso nacional de R$ 1.132,40 para os professores que tenham nível médio.

Assembleia

Para hoje, o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Marcelo Jucá, afirmou que os servidores do Serviço de Água de Rio Branco (Saerb) se reunirão para decidir se deflagram ou não uma greve por tempo indeterminado.

Os trabalhadores reivindicam 10% de reajuste, mas a direção da autarquia se recusa em conceder o benefício.

Morre o velho ensino médio

Conselho de Educação aprova fim de disciplinas
no ensino médio; cem escolas devem implantar

Da Redação do UOL
Em São Paulo

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (30), em Brasília, a proposta do MEC (Ministério da Educação) de apoiar currículos inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química. O aluno também terá condições de escolher parte de sua grade de estudos.

A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento da pasta para implantar mudanças curriculares com o objetivo de tornar a etapa de estudos mais atraente.

"Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal", disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças curriculares. "Nossa intenção não é ter escolas modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade", disse o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões.

Como funciona a ideia
Pela proposta, o ministério financiará projetos de escolas públicas que privilegiem, entre outras mudanças, um currículo interdisciplinar e flexível para o ensino médio.

A intenção é que a atual estrutura curricular - organizada em disciplinas - seja substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo estudante.

O texto prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio - de 2,4 mil horas anuais para 3 mil - além do foco na leitura, que deve passar por todos os campos do conhecimento. A proposta estimula experiências com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.

Segundo Artexes, a partir das recomendações do CNE à proposta, o ministério terá condições de organizar o programa e apresentá-lo aos estados e ao Distrito Federal. "Nos próximos 40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais", afirmou.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do MEC

segunda-feira, junho 29, 2009

Salário de professor

Navegar no mar da internete pode levar caravelas a bons portos. Meses atrás, meu mouse atracou-se ao cais de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Lá, conheci a navegante Ivone Bengochea, professora de Filosofia.

Entre uma palavra e outra, perguntei-lhe se sabia onde encontrar o salário do corpo docente de cada Estado e do Distrito Federal. Por meio de um amigo, ela, mais tarde, entregou aos meus olhos os salários. Os dados são de 2007, menos os de Rondônia e do Amazonas, que são de 2008.

A fonte jorrou dos sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação. Quando olhei os salários, percebi logo que uma fonte tinha jorrado número demais. Trabalhando 30 horas e com licenciatura plena, um professor do Estado do Acre recebia R$ 2,1 mil por mês, e isso em 2007.

Com essa informação, a minha colega virtual acredita que no Acre professor recebia R$ 2,1 mil em 2007. Quem passou essa mentira para a CNTE?

Iniciando com...
No Acre, com um curso de especialização e há dez anos na rede estadual com um contrato de 30 horas, um professor recebe líquido por mês R$ 1.720. Em início de carreira, seu primeiro salário chega a R$ 1.520.

É evidente que o governo propaga que é o melhor salário do país, mas não o é, porque receber R$ 1.520 em início de carreira, por si mesmo, não é um bom salário para pagar as contas e ter o mínimo de conforto.

Não tenho conhecimento do custo de vida em Rio Branco, mas tenho certeza de que R$ 100 na capital acriana tem poder de compra menor do que em Porto Alegre, onde minha amiga virtual reside.

quinta-feira, junho 25, 2009

A "Paz" do Senhor

Em nome de um Deus que reinventam para seus interesses políticos, uma pastora e um pastor não estavam em paz na Câmara de Vereadores de Rio Branco. O texto foi retirado da coluna Bom-Dia!, do jornal A TRIBUNA.

Como diz Nietzsche, Deus também tem seu próprio inferno, que é amar aos homens.

Coisa de Deus ou do diabo? 1
Por bem pouco, a Câmara de Vereadores de Rio Branco não foi palco ontem de um "barraco", envolvendo dois tradicionais adversários políticos: a presidente do PSC, Antônia Lúcia, e o presidente da Casa, vereador Jessé Santiago (PSB). Ela foi disposta a tomar satisfações com o vereador com o argumento de ele estar movendo uma campanha sórdida contra sua pessoa na Assembleia de Deus. Postou-se na galeria até o fim da sessão e ameaçou revelar publicamente um documento sobre a vida particular de Jessé se ele não a recebesse. Temeroso de um escândalo, o assessor de comunicação, Antônio Muniz, levou-a ao gabinete da presidência para evitar uma discussão na presença da imprensa, onde foi lavada a roupa suja. Esse foi o primeiro round dos muitos confrontos que virão entre ambos na briga por espaços dentro da Assembleia de Deus pelos votos para deputado federal."

Coisa de Deus ou do diabo? 2
Afinal da conversa, Antônia Lúcia saiu rindo e, ao ser perguntada sobre o que aconteceu, foi sarcástica: “Fui lhe dizer que nem ele e nem o pastor dele, o Luiz Gonzaga, têm moral para me atacar. E também revelei ao senhor Jessé um documento judicial que prova que ele não tem a vida reta no campo pessoal, como muitos da Igreja imaginam. Quem se diz pastor como ele não pode cometer o que cometeu com uma menor.” Obs: A TRIBUNA teve acesso ao documento, mas, como se trata de assunto de vida íntima, decidiu não transcrever para não entrar na individualidade das pessoas.

segunda-feira, junho 22, 2009

Quando Jesus administra Manoel Urbano

Manoel Urbano é um exemplo de evangélicos administrando dinheiro público. Leia.
__________________________
Secretário de Manoel Urbano denuncia irregularidades na prefeitura

De Gilberto Lobo

O secretário de Finanças da prefeitura de Manoel Urbano, Jansen Negreiro de Almeida, pediu exoneração na última quinta-feira e denunciou irregularidades na administração do atual prefeito, Manoel Almeida. A notícia foi publicada no sítio Purus Line.

Jansen entregou à Presidência da Câmara dossiê que comprova fraudes no município. Os documentos, segundo alguns vereadores, contêm provas de irregularidades em pagamentos de obras acima do valor dispensado pela Lei de Licitações. Além disso, cópias de notas de empenho e de serviços.

A nomeação do secretário de Finanças era um crime de nepotismo, porque o Jansen Negreiros é filho do chefe do Executivo de Manoel Urbano. O secretário é pastor da Igreja Assembléia de Deus e foi no altar da igreja onde afirmou não concordar com os rumos que está tomando a administração de seu pai.

Segundo o Purus Line, nas ruas, populares comentam que a construção do prédio da Secretaria de Educação é um exemplo de fraude no processo licitatório. Correligionários do ex-secretário afirmam que ele preferiu sair a compactuar com as falhas que caracterizam corrupção e que manchariam seu nome.

O vereador Rubens Martins disse que "a atitude do pastor Jansen representa um tapa na cara da câmara, porque ele fez o que a Casa Legislativa deveria fazer: fiscalizar e denunciar quando necessário".
Já o presidente em exercício da câmara, Charles Brandão, garantiu que encaminhará os documentos às comissões para que sejam tomem as providências necessárias.

domingo, junho 21, 2009

A rodovia dos políticos

No Acre, jornalistas e intelectuais da Universidade Federal do Acre são incapazes de publicar textos que pensem sobre o que representa a rodovia Transoceânica para o Acre. No lugar deles, políticos acrianos discursam para o nosso bem econômico.

Por falta de bons textos, leia este sobre a integração Brasil-Peru.

__________________________

Nova rodovia dará ao Brasil acesso limitado ao Pacífico

Interoceânica, no Peru, tem obstáculos estruturais e políticos para virar corredor de exportação

Além da instabilidade social do país vizinho, limitações de circulação na rodovia podem atrasar projeto de integração comercial

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL AO PERU

Distrito de Marcapata, Departamento de Cusco, Peru. Sob chuva forte, um paredão de 150 metros se desprende da montanha e desaba sobre a estrada. Mais de 250 mil toneladas de escombros soterram a rodovia. O trabalho de meses fica sob os Andes. Não tem sido nada trivial o esforço econômico e político do governo vizinho para a construção dos mais de mil quilômetros da Rodovia Interoceânica, projeto de US$ 2 bilhões que conectará o Brasil e o Peru, vizinhos que dividem uma fronteira de 3.000 km. Mais que isso: proporcionará ao Brasil acesso ao Pacífico.

Parte de um projeto geopolítico de integração regional, a Rodovia Interoceânica -um dos nove grandes eixos rodoviários de interligação sul-americana- oferecerá ao Brasil até o fim de 2010 uma saída com grandes restrições aos portos do outro oceano.

Além dos limites estruturais, recente crise social faz lembrar ao Brasil que o Peru é também um país com forte instabilidade política, desafio para qualquer grande planejamento logístico. No mais recente episódio, grupos indígenas bloquearam por cerca de dois meses estradas na região norte do país em protesto contra o governo (leia texto nesta página). As rodovias foram liberadas anteontem.

Na Interoceânica, a estrada também trará desafios de infra-estrutura. Boa parte dessa obra, ao sul do território peruano, avança sobre a cordilheira dos Andes. E o salto sobre essa muralha só está sendo possível graças à construção de uma pista sinuosa e com imensas limitações para o trânsito de grandes caminhões, como aqueles usados no Brasil para o escoamento da produção agrícola rumo aos deficientes portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

A reportagem da Folha percorreu mais de 1.700 quilômetros de estradas na região sul do Peru e pôde constatar que, entre as duas finalidades planejadas para esse grande projeto de infraestrutura, apenas a de permitir a integração turística e comercial entre regiões isoladas do Brasil e do Peru parece crível. O plano dos governos de viabilizar a Estrada do Pacífico como um corredor de exportação para o agronegócio brasileiro -embarcando commodities para a Ásia- não deve prosperar por enquanto.

Polêmica
O próprio agronegócio brasileiro prevê que, na ponta do lápis, os ganhos eventualmente obtidos com o custo menor de frete marítimo não compensam os mais de 2.000 quilômetros que separam as zonas produtoras do Brasil central aos portos do Pacífico.

"É uma ideia muito polêmica. A implementação desse corredor não é tão simples. É louvável a iniciativa, pode melhorar muito a nossa performance com a China. Mas, por enquanto, prefiro apostar em outras alternativas dentro do Brasil, em vez desse corredor peruano", afirma Carlos Lovatelli, presidente da Abag (Associação Brasileira de Agribusiness).

Para Luiz Antonio Fayet, especialista em logística para o agronegócio, mais de 80% dos mercados brasileiros estão no Atlântico Norte e no Oriente Médio, regiões que podem ser atendidas pelos portos brasileiros. "Na minha visão, a grande prioridade nacional é resolver a questão do escoamento da safra do Centro-Norte e do Centro-Oeste com saídas pela bacia amazônica ou pelas portas da costa do Atlântico", afirma.

Os limites
O primeiro grande limite da rodovia, para os propósitos de transformá-la num corredor de exportação rumo à China, é de ordem estrutural. Projetada para suportar caminhões de até seis eixos, a Estrada do Pacífico não foi idealizada para grandes veículos, com sete a nove eixos e capacidade para transportar até 50 toneladas de carga, como os usados para transporte de cargas de exportação.

A inclinação de 12 graus da rodovia peruana é suave, mas isso a tornou excessivamente sinuosa, o que exige atenção extrema de quem tem o volante às mãos. A reportagem levou mais de 13 horas para percorrer 750 km num veículo de passeio.

Esse excessivo tempo de viagem para vencer a cordilheira é suficientemente grande para eliminar as vantagens dos portos do Pacífico.

Para o agronegócio nacional, o ganho estaria na possibilidade de embarcar grandes volumes de carga do outro lado da América do Sul, como em San Juan de Marcona. A profundidade das baías de Marcona chega a 30 metros, o que permitiria a atracação de navios de 300 mil toneladas de capacidade. Os navios que atracam no porto de Santos, o maior do país, são carregados com apenas 60 mil toneladas de carga.

Considerando um navio carregado para Xangai, na China, a diferença entre sair de Santos ou de um porto no lado do Pacífico é de quatro dias de navegação -uma economia estimada por uma grande companhia de navegação transoceânica em US$ 177 mil.

sábado, junho 20, 2009

Uma boa música aos seus ouvidos

http://www.youtube.com/watch?v=Z72Uv-qMci0

Secretaria, Redação e Sindicatos

Ontem, soube que a Secretaria de Educação do Estado não permitirá a semestralidade em 2010. Na prática, isso significa que o professor de Literatura-Língua Portuguesa lecionará para 6 turmas caso tenha um só contrato.

Mais turmas
Se em cada turma há 40 alunos, o professor terá diante dele 24o redações. Se o professor for muito aplicado, corrigirá mais de 240 por mês. Hoje, eu leciono para duas turmas; mas, com o fim da semestralidade, serão 4 turmas, ou seja, 160 redações.

Meu trabalho não será o mesmo. A qualidade ficará comprometida. Para falar a verdade, não lecionarei aula de Redação como antes, e isso se eu lecionar. Não serei uma peça em uma engrenagem que não funciona bem.

Sindicatos
Neste momento, onde estão o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) e a presidenta do Sindicato dos Professores Lincenciados (Sinplac)? No caso dele, deve estar dando entrevista sobre fuso horário.

Segundo eu sei, eles defendem o fim da semestralidade. Sinteac e Sinplac deveriam exigir da Secretaria de Educação um debate que envolva professores. Depois disso, o corpo docente estadual deveria votar. A questão é séria.

Qualidade
Caso a secretaria tome decisão unilateral, a produção textual em sala de aula será inviável. Por outro lado, a secretaria pode até recusar a semestralidade, mas desde que diminua a quantidade de alunos em sala de aula. Hoje, como já disse, são 40, o Estado deveria reduzir esse número à metade.

Sobre isso, os sindicatos calam-se, porque, para Sinteac e Sinplac, falar de produção textual em sala de aula é assunto técnico e, por isso, assunto pequeno para seus interesses políticos e não educacionais.

Assembleia Legislativa do Acre
Deputados debaterão sobre isso? Se seus blogues não se envergonham dos erros grosseiros de português, não será a assembleia que debaterá sobre produção textual fora da semestralidade.

A assembleia tem outras preocupações, por exemplo, ofender e defender o subsecretário da Saúde, professor Sérgio Roberto. Outra: elogiar o Internacional, do Rio Grande do Sul, na tribuna. Mais uma: falar de investimentos de deputados na bolsa de valores de Nova York.

Seus filhos não estudam em escola pública.

quinta-feira, junho 18, 2009

"Queremos ser professores"













Luan e Jamylle, dois ótimos alunos do segundo ano do ensino médio. Exijo, e eles respondem à altura. Poderia exigir mais porque eles, ainda sim, responderiam. Hoje, na aula, soube que os dois desejam lecionar. "Queremos ser professores", sonham.

O que responder? Antes de minha subjetiva manifestação, a realidade. Após quatro anos na faculdade, discursos, diploma, abraços, bebidas, salgadinhos, ou seja, formatura. Depois dela, o mercado de trabalho.

Onde lecionar? Para ser professor estadual ou municipal, o concurso público precisará bater à porta dos recém-formados, e pode demorar. Entre os dois últimos concursos, houve um abismo de 10 anos. Se o concurso fosse hoje, o Estado pagaria R$ 1.520 por mês, valor líquido de 30 horas.

Muito? Aluguel no Acre, R$ 400; supermercado, R$ 300; luz, R$ 100. Até aqui, são R$ 800. Sobram R$ 720. O que faremos com as sobras? É claro que há mais gastos domésticos. Pergunto outra vez: muito?

Só para quem concluiu o ensino médio, tem concurso público que oferece salário acima de R$ 5 mil. Eu disse concurso para ensino médio.

Com esse salário de um contrato, vocês lecionarão para seis turmas, ou melhor, para 240 alunos. Caso Jamylle seja professora de Língua Portuguesa, ela corrigirá 240 redações. E isso tem um nome: qualidade de ensino.

Bem, se vocês, Luan e Jamylle, não são ainda professores de escola pública, deverão lecionar na iniciativa privada enquanto o outro concurso do Estado não bate à porta, e aí, meus amigos, piora porque são mais turmas e salário menor.

Sejam médicos. Sejam advogados. Sejam políticos. Se vocês querem um conselho, não sejam professores.

quarta-feira, junho 17, 2009

Marina segundo duas imagens








Antes de qualquer suspeita, sou eleitor inalienável de Marina Silva. Meu inexpressivo texto não será sobre sua pessoa ou sobre o ser político, longe disso, mas sobre Marina segundo duas imagens.

Clássica, a primeira foto transpira o vigor de uma luta pelos pobres. Sinto o cheiro de suor, percebo o corpo ao Sol dentro da mata. Expressão rígida, tensa, a líder não só guia os humilhados, mas se assemelha eles na forma de andar, de se vestir. Através de uma trilha, a marcha os iguala.


Na segunda foto, seu rosto não expressa uma gota de tensão ou de luta. Com uma bela roupa, sua imagem não mais transpira mas exala serenidade. Sentada, Marina está só (onde estão os humilhados?).

Nesta foto, o poder modelou sua imagem. Diria mais, bem diferente da primeira, o poder secou seu suor, limpou sua veste. Não existe aqui a imagem da luta, mas a delicadeza do repouso.

domingo, junho 14, 2009

Uma ótima postagem

Postando neste inexpressivo e muito pouco lido blogue, o jornalista e agora microempresário explorador (KKKKKKK) Josfá Batista deixou uma postagem interessante sobre homossexuais e e protestantes.

Segundo Josafá, no Rio de Janeiro, por meio do Tribunal de Justiça, aprovou-se uma lei que permite protestantes criticarem "práticas homossexuais".

sábado, junho 13, 2009

Marcha eleitoreira para Jesus

"Amontoamento populaceiro. Ali tudo está misturado: o santo e o bandido, o fidalgo e o judeu e todos os animais da arca de Noé", de Nietzsche, Assim falou Zaratustra.













Hoje, protestantes marcharam para Jesus em um dia lindo de Santo Antônio e dois dias após a procissão de Corpus Christi, festa da Igreja Católica. Das fotos de Debora Mangrich, escolhi esta por dois motivos: espaço e posição dos fiéis.

Eles terminaram a marcha para Jesus onde se erguem o Palácio Rio Branco, símbolo do Poder Executivo, e o prédio do Poder Legislativo. Por que religiosos terminaram uma marcha diante desses dois poderes e não diante de uma igreja?

Até onde eu sei, Jesus nos acolhe na igreja; pastores, porém, oram na Assembleia Legislativa do Acre e em câmaras de vereadores. São pastores-políticos e são políticos-pastores. Jesus, que é do PT, do PSB, do PMDB, do DEM etc, em verdade, deixou os limites da igreja para fazer política partidária.

E, nessa política, não há Jesus que promova a união, o entendimento. A pastora Antônia Lúcia, exemplo clássico desses desunidos interesses partidários, hostilizou, em nome do Senhor, a senadora Marina Silva, também protestante.

Mais do que multidão, o rebanho marchou não como ovelhas fiéis, mas como fiéis-eleitoras ou eleitoras-fiéis com intenções claras de que seus pastores ocupem cadeiras dos Poderes Executivo e Legislativo. A igreja é pouca para eles, por isso terminaram a marcha entre o executar e o legislar.

Jesus, refém dessa gelatina bíblica, deposita sua fé no Poder Legislativo para criar leis, por exemplo, contra homossexuais, esses "anormais sujos" que merecem ser castigados pela ira do Senhor, que é deles. "O sangue de Jesus tem Poder" Legislativo.

Se no passado o pastor Moisés buscava a terra prometida para fugir da opressão egípcia, nossos pastores buscam o dinheiro público das assembleias e das câmaras para semear a justica divina contra os impuros.

Quem conhece um pouco a comunhão entre ex-governador Garotinho e igrejas protestantes sabe muito bem como o dinheiro público era usado por "Deus".

Prefiro terminar este texto com falas dele entre aspas: Nietzsche.

Quando olhei o rebanho, eu disse... "encontrei mais perigos entre os homens do que entre os animais", por isso o meu "criador não procura cadáveres, procura colaboradores que inscrevam valores novos ou tábuas novas".

"Não devo ser pastor nem coveiro." "A revolta é a nobreza do escravo", mas o rebanho, por não ser nem escravo, nunca se revolta. Aqueles pastores, reparai, "vede, pois, esses adquirem riquezas, e fazem-se mais pobres. Querem o poder, esses ineptos, e primeiro de tudo o palanquim do poder: muito dinheiro!".

Assim, quando virei as costas para o rebanho com seus pastores, "o diabo disse-me assim um dia: 'Deus também tem o seu próprio inferno: é amar aos homens."

E eu disse a um pastor. Eu sei que o senhor, pastor, ama seu rebanho, mas eu digo mais, ame-o como as mães amam seus filhos - "quando se ouviu dizer que uma mãe quisesse ser paga do seu amor?".

"Você diz isso porque ignora o que seja a Igreja", disse-me. Desliguei a TV quando outro pastor pregava. "Igreja - respondi - é uma espécie de Estado, e a espécie mais enganosa."

quinta-feira, junho 11, 2009

12 de junho



No dia de Corpus Christi, não fui à procissão pelas vias públicas. Sei que o papa Urbano IV determinou em 11 de agosto de 1264 que pés caminhassem para honrar o Corpo do Senhor; entretanto, como eu soube que Urbano quis impor sua fé por meio de cruzadas, não honrei o Corpo do Senhor. Não gosto de procissões. Não sou chegado a cruzadas.

Ignorei a determinação de Urbano IV e esperei o Dia dos Namorados para honrar o dia de Corpus Mony com o cuidado de quem toca na finitude da carne, de quem sabe que só a ausência é eterna - morreremos.

Porém, antes que a última gota de teu fim caia sobre mim, antes que tua ausência preencha de angústia minha vida, eu possa beijar, todo cotidiano dia, tua face antes de deixar a cama, antes de pôr os pés em chão firme.

Se procissão é repetir gestos, a minha tem sido declinar a cabeça, dia após dia, para crer que "o amor é grande e cabe/no breve espaço de beijar".

terça-feira, junho 09, 2009

No fundo, não vale a pena ser professor












Li esse parágrafo da matéria do jornalista Freud Antunes.

De acordo com o sítio da entidade (http://ameac.blogspot.com/), a tabela apresentada garantirá ao coronel, que atualmente ganha R$ 8 mil, uma remuneração de R$ 10,29 mil. O soldado só receberia um reajuste ao chegar ao nível 2 da carreira, passando de R$ 1.811,77 para R$ 1.938,84.

Caso a minha filha revele algum desejo de ser professora, direi aos seus ouvidos que esse não é o melhor caminho para adquirir patrimônio & bens. "Não seja professora, filha", é o que falarei. Mesmo no Acre, onde há o melhor salário do país, não vale a pena mesmo a alma não sendo pequena.

Quando sair da faculdade, ela lecionará em uma escola privada - receberá menos e trabalhará mais - até que o Estado abra um concurso. Após anos e anos de espera, se apassar, receberá por mês R$ 1.540, líquido, 30 horas.

Filha, vá ser coronel da PM. No primeiro mês, seu contracheque registrará a alegria eufórica de R$ 10 mil. Se você for professora, após anos no magistério, tua aposentadoria não chegará à metade de R$ 10 mil.

Carreira militar, filha, dará a ti status, poder. O país, na verdade, meu amor, não precisa de professor; ele precisa de direito, de medicina, de coronéis. Para teu bem - e eu quero o teu bem -, não lecione.

Deixe o país inculto, filha!
E direito, e medicina, e coronéis que se virem com ele.

domingo, junho 07, 2009

A leitura não te abraça na escola


A Bienal da Floresta, do Livro e da Leitura, articulada pela Prefeitura de Rio Branco e pelo governo do Estado, administrações do Partido dos Trabalhadores, fechou suas páginas em 7 de junho, sábado.

Não fui a um dia. Queria ter ido à palestra do provocador Márcio Souza, porém o destino não esteve a meu favor.

Uma bienal para a leitura. O governo propagou por meio da televisão e do rádio a importância da leitura, mas, na rede pública de ensino, aluno não é motivado a ler, porque a escola pública não é, pasme-se!, lugar de leitura.

Na escola Heloísa Mourão Marques, onde leciono desde 2003, conheci duas coordenadoras de ensino que achavam inútil ler um bom livro em sala de aula. Nunca mais me equeci de suas inteligências, professoras Nádia e Otacília. "Perda de tempo", diziam. Ignoravam como eu lecionava, nunca assistiram a uma única aula, mas ler em sala, para elas, era desnecessário.

Em 2000, quando lecionei para alunos do ensino fundamental, fui processado pelo diretor da escola Raimundo Gomes - não me lembro dessa outra inteligência - porque, no lugar das aulas de gramática, eu lia Monteiro Lobato para meus alunos.

Lembro-me de minhas leituras no Cerb, em 1998, um colégio estadual de Rio Branco.

Hoje, leio na escola Heloísa Mourão Marques sem problema. Reservo o dia de leitura no auditório da escola por ser muito silencioso, por ser confortável. Nesse espaço, leio, e alguns alunos tecem algumas perguntas. Compreender, interpretar, observações gramaticais, vocabulário.

E pensar que já fui processado por um diretor de escola por ler em sala de aula. Quando eu me lembrar de seu nome, registrá-lo-ei aqui.

sábado, junho 06, 2009

Redação voluntária

Ao todo, 60 alunos assinaram um documento, pedindo que professores lecionassem redação por causa do Enem. Conversaram comigo e com o coordenador de ensino, porf. Gleidson, e, pronto, as aulas foram marcadas para acontecer aos sábados, das 9 horas às 11 horas.

Hoje, segundo dia, 19 alunos compareceram. Na condição de professor voluntário, 41 alunos ausentaram-se, indiferentes ao tempo gratuito que ofertei a eles.













Na foto, Deusenir escreve uma frase-oracional depois de ler a proposta do Enem de 2000. Em sala, reconstruímos uma introdução no computador com a participação dos alunos, observando erros e propondo outra escrita.
Espero que possamos elevar a nota da escola no Enem.

quarta-feira, junho 03, 2009

Eu vou!!!



Márcio Souza
em Sempre Um Papo


Matéria da
Agência de Notícia do Acre








Evento faz parte da programação
da Bienal da Floresta, do Livro e da Leitura

Os livros O Brasileiro Voador e História da Amazônia, do escritor Márcio Souza, estarão no centro do debate de mais uma edição do projeto Sempre Um Papo, desta vez inserido no maior evento literário realizado no Acre, a Bienal da Floresta, do Livro e da Leitura.

O lançamento dos livros, que tem patrocínio do governo do Estado, será às 19 horas, no auditório do Colégio Estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).

O livro História da Amazônia é obra inédita do escritor. Já O Brasileiro Voador é uma reedição que traz ficção e realidade com a narrativa biográfica sobre a trajetória de Santos Dumont. Márcio Souza, além de escritor, é roteirista de cinema, dramaturgo e diretor de teatro e ópera. Dirige o Teatro Experimental do Sesc do Amazonas (Tesc).

A Bienal da Floresta, do Livro e da Leitura reúne escritores de todo o país em Rio Branco até o dia 7 de junho. A aproximação com o público leitor se dá por meio de palestras, mesas-redondas, painéis e debates. O evento, realizado por Fred Perillo Consultoria de Comunicação e AB Comunicação, tem entrada gratuita.

segunda-feira, junho 01, 2009

Professores, acabou a folga!

Hoje, assinei um documento da Secretaria Estadual da Educação que determina a professora Maria de Jesus acompanhar o professor na escola quando for a "folga" do docente. Às sextas-feiras, eu não lecionava, aproveitando o dia para acordar mais tarde, para resolver assuntos particulares, para preparar as aulas.

Mas essa "folga" não foi criada para isso. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac), ela surgiu com a finalidade de o professor planejar suas aulas na escola, porém o próprio sindicato nunca fez questão de esse dia ser um dia de planejamento.

Após anos "folgando", o professor planejará com um ténico da secretaria suas ações. O responsável por isso, professor Josenir Calixto, diretor do ensino médio no Estado do Acre. Ele coloca na ordem o que fora desvirtuado.

A secretaria estadual tem a obricação de saber o que seu funcionário leciona e como leciona em sala de aula. A medida chegou tarde, mas o que importa é que ela chegou. Professor de Redação leciona o quê? como esse professor leciona? A secretaria, finalmente, saberá responder, é o que se espera.

sexta-feira, maio 29, 2009

Ronda Gramatical

Edvaldo Gil
Sousa Gomes












Meu amigo, a bruxa da tua sogra está solta e Branca de Neve foi presa quando aliciava sete menores, os anões. Acabaram-se as fantasias, a coisa é real, está começando Ronda Gramatical.

Ontem, à tarde, a Polícia Ortográfica esteve na Câmara de Vereadores de Rio Branco para colocar atrás das grades o açeçôr de inprênça da parlamentar Ariana Ariane Cadaxo.

Em sua matéria, ele registrou "antiprojeto" quando deveria ter sido "anteprojeto". Segundo capitão da PO, sr. Pasquale, esse crime não ficará impune.

"Quando chegamos, interrompemos a sessão e, na tribuna, metemos porrada no meliante gramatical e, depois, nós o conduzimos ao presídio Celso Cunha. Na cadeia, ele escreverá por dia mil vezes 'não devo nunca mais escrever antiprojeto, o correto é anteprojeto'. Sem liberdade condicional, ele foi condenado a dez anos de prisão."

Agora é hora dos anunciantes. Meu querido presidiário, se você não sair da cadeia tão cedo, as Casas Penitenciárias Bandido Bom é Bandido Morto tem uma boa promoção - compre xampu Carcerário e deixe seus cabelos, pelo menos, soltos.

MEC estabelece as regras do novo Enem

De Simone Chalub

Inscrições para a prova começarão em 15 de junho, e provas estão marcadas para 3 e 4 de outubro.

Os estudantes que participarão do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) enfrentarão 10 horas de prova nos dias 3 e 4 de outubro.

Serão 180 questões objetivas de múltipla escolha, 45 em cada uma das 4 provas: linguagem e códigos, matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

O edital, com os detalhes da prova, foi publicado ontem no Diário Oficial da União. A previsão, anteriormente, era de 200 perguntas, mas foi alterada a pedido de reitores, preocupados que a prova fosse muito longa.

As inscrições começarão no dia 15 de junho e irão se encerrar em 17 de julho. O processo será feito exclusivamente pela internete no sítio do Enem. Pelo menos 35 das 55 universidades federais já decidiram usar o exame em seus processos seletivos.

Além das questões de múltipla escolha, o aluno precisará escrever uma redação.

Segundo o edital, o texto deverá ser estruturado na forma de prosa do tipo dissertativo-argumentativo sobre tema na área social, científica, cultural ou política.

quinta-feira, maio 28, 2009

Açeçôr di Inprênça

O governo do Estado deveria ser o primeiro a ser preocupar com a língua portuguesa, porém a Agência Nacional do Acre importa-se só com a transmissão do conteúdo, a forma não tem importância. O português não passa de detalhe. Deveria, pelos menos, haver uma padronização mínima.

E os açeçôres di inprênça? Ganham muito bem para escrever muito mal. Leia esta:

"A vereadora Ariane Cadaxo (PC do B) esteve reunida na última quarta-feira, com o representante institucional da Eletroacre, Celso Mateus, em busca da parceria da empresa em relação ao antiprojeto sobre coleta seletiva de lixo, que ela defende na Câmara de Rio Branco."

Para o açeçôr não passar vergonha, A TRIBUNA publicou "anteprojeto". Eu não deveria ter retificado, porque, no final da matéria, registra-se "assessoria". O revisorzinho retifica, e o açeçôr ganha a fama.

"Antiprojeto" significa dizer que a vereadora é contra ela mesma. Além disso, o texto está confuso. Melhor ou menos pior seria:

A vereadora Ariane Cadaxo (PC do B) reuniu-se na última quarta-feira com o representante da Eletroacre, sr. Celso Mateus, para buscar uma parceria com a empresa porque o anteprojeto da vereadora defende na câmara de Rio Branco a coleta seletiva do lixo.

O PT de Brasileia

Ainda prefiro os erros do PT aos erros do Dem ou do PMDB. Não queria os erros, mas, entre um e outro, eu voto em minha contradição política.

O jornalista Freud Antunes elaborou uma matéria. Leia.
______________________
TCE abre processos para multar quatro gestores

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiram em sessão da manhã de ontem processar quatro prefeitos por irregularidades que vão desde a falta de divulgação dos gastos até a suspeita de pagamento extra no salário do próprio gestor.

O caso mais grave foi constatado na prefeitura de Brasileia, onde a relatora Dulcinéia Benício encontrou a gestora Ana Leila Galvão recebendo o salário de professora, além de uma parcela a mais por ser a chefe do Executivo.

Na defesa, a prefeita justificou que por lei poderia optar pelo recebimento do percentual como administradora pública, recebendo também a remuneração de professora, o que não foi acatado pelos membros do TCE, que alegaram que não há legislação que permita o repasse de dois salários.

Mesmo com o problema encontrado, os conselheiros decidiram aprovar com ressalva a prestação de contas de 2007, mas uma equipe de auditoria deverá constatar qual foi o valor pago a mais para a prefeita, que não enviou o demonstrativo de valores.

Nos outros três casos, os prefeitos de Mâncio Lima, Cleidson Rocha; de Senador Guiomard, James Pereira; e o de Santa Rosa do Purus, José Altamir Taumaturgo Sá, não comprovaram a publicação dos relatórios resumidos de execução orçamentária.

Se constatada a irregularidade, os gestores serão obrigados a pagar multas.

quarta-feira, maio 27, 2009

Livros & Autores

1ª BIENAL DO LIVRO NO ACRE
texto de Vagno DiPaula

A partir de amanhã, às 19 horas, na Praça da Revolução, estendendo-se até 7 de junho, um burburinho cultural invade a capital do Acre. É durante este período que acontece a 1º Bienal da Floresta do Livro e da Leitura, o maior evento literário já realizado em nossa cidade. Para os nove dias, estão programadas diversas ações ligadas à literatura, como debates, mesas-redondas, oficinas, conferências e palestras, mostra de cinema e bate-papo com os escritores.

Participam da Bienal importantes nomes, como o renomado escritor Ignácio de Loyola Brandão, o professor Fábio Lucas (apontado como um dos três críticos literários mais expressivos do país - ao lado de Antônio Cândido e Wilson Martins) e Luiz Galdino (escritor paulista de Caçapava/ SP, autor de cerca de 40 títulos e vencedor de quase 30 premiações), além de escritores locais como Jorge Tufic (considerado um dos principais poetas da moderna literatura amazonense) e Márcio Souza (escritor, dramaturgo e diretor do Sesc – Teatro Experimental do Sesc do Amazonas -, grupo teatral que foi pioneiro na luta pela preservação da Amazônia). Viva a cultura!!!

terça-feira, maio 26, 2009

Um bom texto do caderno Mais!

MALANDROS UTÓPICOS

ENTRE A IDEALIZAÇÃO DO ESTRANGEIRO E A GLORIFICAÇÃO DO MODO DE VIDA NACIONAL, BRASILEIRO CIRCULA ENTRE A ESPERANÇA DE MUDANÇA E A REALIDADE DAS MAZELAS POLÍTICAS E SOCIAIS

RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA

A "aurora da vida", evocada num poema famoso de Casimiro de Abreu, esteve em evidência nos últimos dias, porém deslocada para um pouquinho mais tarde: três notícias se referiam a crianças de nove anos, e, embora ligadas a assuntos bem diversos, todas provocaram alguma celeuma.

A primeira foi a declaração do jogador Ronaldo sobre os motivos pelos quais prefere que seu filho cresça em Madri: "Vejo aqui crianças da idade dele com um palavreado adolescente, palavrões até. [Meu filho de nove anos] é uma criança doce, educada, praticamente um europeu. (...) Prefiro que tenha amiguinhos europeus, sem a malandragem dos amiguinhos brasileiros." "O nível mental das pessoas que assistem à TV no Brasil é por volta dos nove anos", julga o ator e dramaturgo Miguel Falabella. "Um jovem francês lê 200 vezes mais que um brasileiro. Tem piadas e diálogos que as pessoas não entendem, porque não têm a informação." O terceiro fato foi a escolha de um livro em quadrinhos para os alunos da terceira série do ensino fundamental (oito a nove anos) da rede pública paulista, criticada porque algumas histórias contêm palavrões e alusões de natureza sexual.

Fato e opiniões
Por sua vez, vendo nela só moralismo e hipocrisia quanto à realidade vivida pelas crianças dessa idade, alguns reprovaram a retirada do título da lista fornecida aos estudantes... Que pensar de tal coincidência? Em primeiro lugar, que se trata disso mesmo - uma coincidência, ou seja, algo fortuito, que poderia não ter ocorrido dessa forma.

Se a falha quanto ao livro tivesse sido descoberta uma semana antes ou se Falabella tivesse situado o nível intelectual dos telespectadores na faixa dos seis ou dos 11 anos, não se veria vínculo nenhum entre as três coisas. Além disso, a última é um fato, enquanto as duas primeiras são opiniões; fato, aliás, com o qual a Secretaria de Educação de São Paulo lidou de modo adequado, reconhecendo o erro e tomando as providências que se esperariam.

Realmente, a obra não é apropriada para crianças. O autor de uma das histórias, Caco Galhardo [quadrinista da Folha], explicou que pretendia apenas "tirar sarro" de uma mesa-redonda de futebol. "Quem a selecionou não leu o livro", declarou. É difícil não concordar com o cartunista, mas nem por isso se vão proibir os quadrinhos para adultos ou condenar as editoras que os publicam.

O que ocorreu foi negligência por parte de um funcionário do terceiro escalão, rapidamente reparada por seus superiores. Ponto final. A frase de Miguel Falabella se coloca em outro contexto: a péssima educação oferecida pelo Estado aos pequenos brasileiros, cuja consequência óbvia é o baixo nível intelectual da nossa população.

De fato, os jovens europeus leem mais que os do Brasil - embora lá também se ouçam queixas de que a escola pública vem piorando ano a ano. O padrão abominável da televisão nacional tampouco contribui para minorar o problema, mas isso não se deve a um vício de natureza do meio: depende dos responsáveis pela programação escolherem bons roteiros e os produzirem com critério.


Prova de que pode existir vida inteligente na televisão (e não só nos canais ditos culturais) é a qualidade dos diálogos da série "House" assim como o desempenho dos atores e a excelência da pesquisa técnica que subsidia cada episódio - e se poderiam citar outros (raros) exemplos.

"Doce" e "educado"
Restam os comentários de Ronaldo. A idealização que equipara "europeu" a "doce" e "educado" terá algum fundamento? Talvez o tenha na experiência do jogador: não conheço o suficiente da sua biografia para avaliar isso, mas posso imaginar que no Velho Mundo o filho de um atleta pago a peso de ouro circulasse num ambiente bem menos perigoso e violento do que aquele que cercava seu pai na zona norte do Rio.

Os brasileiros
Costumamos nos deslumbrar com algumas características da vida na Europa que contrastam agudamente com nosso cotidiano: civilidade, limpeza das ruas, eficiência nos serviços públicos, organização em geral.

Na mesma entrevista, Ronaldo se refere ao mundo do futebol e cita aspectos em que os europeus nos superam. Sem masoquismos desnecessários, não vejo mal em reconhecer que determinadas condições são melhores lá do que aqui, mas também é verdade que "doce" e "educado" nem sempre rimam com "europeu". Ou alguém ignora que o velho continente foi palco de inúmeras guerras, perseguições religiosas e políticas, discriminações, fogueiras, torturas e crueldades? E os conquistadores que de lá partiram se mostraram tudo, menos doces para com os índios, africanos e asiáticos com os quais as navegações (e depois o colonialismo) os puseram em contato.

Isso dito, convém evitar a idealização inversa, que conduziria a glorificar a brasilidade e fechar os olhos para as mazelas do nosso país. Outro tema em foco nas últimas semanas o comprova: a reação oposta diante dos desmandos dos políticos no Brasil e na Inglaterra.

Enquanto o presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, se viu forçado a renunciar devido às pilantragens dos seus colegas, temers e sarneys agem de modo a convalidar o que disse o deputado Sergio Moraes (PTB-RS), cuja frase imortal ("estou pouco me lixando para a opinião pública") deveria adornar o estandarte do Congresso, do mesmo modo que "ordem e progresso" figura na bandeira nacional.

Truculência
E não é apenas Sua Excrescência que assim pensa. O Estado brasileiro tem uma tradição de truculência e malandragem na relação com os governados. Com demasiada frequência, seus funcionários consideram natural que o dinheiro dos impostos financie privilégios indecentes para eles, para suas famílias e para seus apadrinhados; a cultura do "todos fazem" e do "deixa disso" impregna muitos setores da sociedade civil, inclusive o das concessionárias de serviços públicos e das empresas em geral.

É o que sabem todos quantos já tentaram falar com os SACs (serviços de afronta ao consumidor), hipocritamente colocados atrás de muralhas telefônicas cujo objetivo evidente é fazer com que o reclamante desista da sua pretensão.

A conclusão é que as afirmações de Ronaldo e Falabella, embora generalizadoras demais, contêm algo de verdadeiro - e quem sabe por isso incomodaram tanto. Não é preciso endossá-las por completo; se servirem como alerta, terão contribuído para nos tornar mais veementes na defesa dos nossos direitos. Afinal, às vezes as aves que lá gorjeiam são mesmo mais afinadas que as de cá.

RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de SP. Escreve na seção "Autores", do Mais!.

Cardioacre

A iniciativa privada gosta de contar vantagem sobre o setor público. "Somos mais eficientes", compara-se. Não é o caso da Cardioacre, uma clínica particular de Rio Branco. Sua secretária alterou meu batimento cardíaco.

Na primeira vez, ela marcou a consulta para um dia. Quando o dia marcado chegou, só fiquei sabendo que não era mais o dia marcado dentro da clínica, ou seja, a secretária não telefonou para avisar antes de eu gastar dinheiro com passagem de ônibus.

Ela então marcou a consulta em uma terça-feira, uma semana depois. Quando cheguei à clínica, soube que o médico não atende na terça-feira. Ela diz então que telefonará para marcar outro dia. Um mês depois, ela não telefona.

Vou à clínica. Ela marca para 27 de maio. No dia 26 de maio, a secretária telefona: "Olha, foi cancelada a sua vinda amanhã, estou remarcando para 25 de junho, obrigada por sua compreensão."

Desde o dia em que essa secretária cruzou com o meu destino, meu coração não tem sido o mesmo. Acho que colocarei o nome dela numa encruzilhada.

Se fosse no setor público...






segunda-feira, maio 25, 2009

Que o Ventoforte volte um dia...

No dia 23 de maio, sábado, às 20h30, uma caravela aportou na escola estadual Heloísa Mourão Marques para que alunos embarcassem. Partimos às 20h35. Após uns minutos, o casco atracou-se em porto inseguro, mas um Ventoforte, vindo do norte, estufou as velas para lançar os navegantes em mares inquietos da imaginação.

Nossas pupilas, entregues às sombras do teatro, dilataram-se para degustar o texto apaixonante de Ariano Suassuna e de Ilo Krugli.
Ventoforte varreu os entulhos da realidade para, em seu lugar, o da realidade, colocar o surpreendente, o inesperado; para colocar lacunas, vazios que deverão ser preenchidos por nossa interpretação.

Apaixonei-me pelo grupo. Quem dera que o teatro tomasse de assalto espaços urbanos, espaços públicos, ruas de Rio Branco. Quem dera que houvesse menos igreja e mais arte teatral.


A nova política

Crise econômica abre espaço para questionar
legitimidade das instituições políticas

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA

Para entender a crise atual do sistema capitalista de produção convém insistir no seu caráter automático. A crise se aninha na natureza da ação socioeconômica que repõe o capital.

Os agentes operam no mercado imaginando que suas ações sempre serão contrabalançadas por ações alheias, atuam graças à mediação do dinheiro que, por si mesmo, aparece como se tivesse a virtude de transformar mercadoria em preço e preço em comprador.

Dada essa equação, a economia cresceria indefinidamente.

A crise revela a perversidade desse processo e recoloca a questão do Estado nesse movimento de reposição.Mas qual Estado?Se deixarmos de lado esse automatismo, simplesmente iremos procurar agentes responsáveis pela crise, como se todos eles não tivessem culpa no cartório.

O desafio não é encontrar novos mecanismos de mercado, mais sadios e consistentes, mas instituir órgãos reguladores do funcionamento dos vários mercados capazes de legitimar seu funcionamento, isto é, assegurar que funcionem em vista do bem-estar e do bem-ser da população.

Ilusão em xeque
A crise revela o caráter social do capital e indica como ele precisa ser reestruturado de um ponto de vista político.

Mas política radical. Em que sentido? Está posta em xeque a ilusão de que a luta política deva recorrer a um fundamento comum consensual, como se o ser humano fosse naturalmente social e atuasse a partir dessa sociabilidade primeira.Basta um olhar crítico sobre a política internacional contemporânea para que se perceba que os conflitos, por serem tão radicais, podem ser identificados com um confronto de civilizações.

Não é assim que vejo, pois as populações querem participar de uma forma de vida pós-industrial.Assim sendo, o consenso, a legitimidade das decisões, passa a ser construído e resulta do esforço de cada parte em vista de manter a si mesma segundo o que pretende ser, mas reconhecendo a possibilidade de persuadir e de ser persuadida.

Hoje a legitimidade se faz construindo instituições legitimadoras. Neste início de maio se realizou em Grenoble [França] um fórum reunindo mais de cem pesquisadores para discutir a democracia em nível mundial. Foi organizado por Pierre Rosanvallon, que acaba de publicar "La Légitimité Démocratique" [A Legitimidade Democrática], um excelente livro, e conta com a participação importante de Claude Lefort.

Todos sublinhando que a democracia é sistema aberto, sempre se reinventando, mas que, nos dias de hoje, somente se torna legítima na medida em que se associa a instituições capazes de se tornarem imparciais diante de conflitos, refletir sobre seus efeitos e não perder contato com as várias populações interessadas. É preciso ir além do bom funcionamento dos procedimentos eleitorais, reconhecer o caráter global das políticas econômicas e a necessidade de políticas sociais compensatórias.

Crise evidente
Note-se que não são apenas os franceses que estão colocando essas questões -elas se impõem na Alemanha, na Inglaterra, nos EUA. Enquanto eles discutem os desafios de uma democracia pós-eleitoral, assistimos à perda de legitimidade de nosso processo eleitoral, enfim, do sistema de representação.

Nosso Estado cresce sem que seja nem mesmo posta a questão do caráter democrático de suas decisões. A crise no Legislativo é mais evidente. Quando seus membros se confessam imorais, quando arrombam os cofres públicos, quando propõem novas regulamentações que não passam de máscaras para manter antigos privilégios, estão simplesmente evidenciando e velando a crise sistêmica no processo de representação e de legitimação.

Não é de hoje que saliento a necessidade de pensar a moralidade pública no contexto de inventar novos parâmetros, por conseguinte, de quebrar até mesmo antigas regras morais para que novas se estabeleçam. Nunca imaginei, entretanto, que políticos viessem confessar sem pejo que pouco lhes importa o lado moral de suas ações, visto que, mesmo se mostrando sem caráter, continuam a receber o voto popular.

Há melhor prova da ilegitimidade do sistema? Nessa mistura entre o público e o privado, não é o caráter democrático da instituição que está sendo posto em xeque? O popular nem sempre é democrático, isso já sabemos por experiência própria. Se não há preocupação com a democracia interna, menos ainda se pensa nas dificuldades de estabelecer um sistema democrático controlando os mercados.

Já que nos contentaremos com um Estado grande (ou inchado?), importa-nos apenas o controle externo que permita nosso crescimento. Por aqui o importante é fazer de conta que se é eficaz, seja lá em qual domínio. Onde estão, porém, as transformações das burocracias do Estado que tragam para o mundo essa ideologia da eficácia? Diante das pressões da mídia e da insatisfação popular, o Legislativo requenta propostas de reforma política.

Mas não vejo em nenhuma delas uma preocupação de aprofundar a democracia, de melhorar o sistema representativo a partir dos obstáculos e dos erros do jogo de poder atual. Lista fechada Em tese, a proposta de eleições em lista fechada reforça o sistema partidário.

Mas hoje não equivale a reforçar a corrupta burocracia partidária? Em contrapartida, o simples voto nominal não liquidaria uma possível estruturação dos partidos? Não há espaço para discutir a fundo todas as propostas, mas creio que uma análise superficial mostra que, ao invés de visar o aprofundamento do sistema democrático, tratam sobretudo de mudar no detalhe e no imaginário para que o essencial não seja mudado.

O processo de representação nasce nos municípios. A Constituição de 1988 fez a loucura de transformá-los em órgãos federativos; depois de criados, se mantêm, mesmo quando são organicamente deficitários e inadimplentes. Grande maioria deles está nessa situação. Precisam, então, para subsistir, de ajudas externas, estaduais, principalmente federais. É o primeiro passo do toma lá dá cá. Formam assim a matéria-prima da corrupção política do país. Não é à toa que não se fale disso.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP
e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.
Escreve na seção "Autores", do Mais!.

Ventoforte que varre tolos, superficiais

Encontrei este texto na revista virtual Bacantes.

"
Se o mundo fosse bom, o dono morava nele
"
por Juliene Codognotto

Uma visitinha pro Ariano

Música, máscaras, bonecos, gente. Na peça Se o mundo fosse bom o dono morava nele, o Ventoforte pega emprestada uma história de Ariano Suassuna pra brincar de teatro com ela (desnecessário). E brinca mesmo.

Tudo que se vê no palco durante duas horas e meia de peça é uma grande brincadeira usical que tem a cara do grupo e, o mais importante, a cara dos “dias de hoje”. Ao adaptar A pena e a Lei, obra original de Suassuna, Ilo Krugli incluiu - além da música, das máscaras, dos bonecos, e do contato próximo com gente alegre já citados - um prólogo e um epílogo, que aproximam a narrativa nordestina de 1959 de questões que estão hoje em todo lugar.

Há personagens divertidíssimos nas três partes dessa história, e quem reina no universo de Suassuna é Benedito, um negro esperto que se dá bem usando sua inteligência. Não, não é João Grilo, não, é Benedito mesmo.

No entanto, apesar de o rapaz chamar a atenção com sua malandragem (e o intérprete com sua voz e expressão corporal), o Ventoforte está falando mesmo é do dono do “Mamulengo”, o Cheiroso, que administra - por assim dizer - um teatro de bonecos.

Não vou contar aqui as histórias de Suassuna, pois elas são divertidas justamente pelas surpresas que causam com as quebras de repetições - que lembram gags de palhaço. Vou contar uma história de prólogo e epílogo. Um história de visão crítica do mundo por meio da fantasia, que tem início com um cutucãozinho na TV.

Quando a peça começa, está sendo gravada uma minissérie da Rede Globo - O Auto da Compadecida, que também virou filme, lembra? - no fim da rua. Então, Cheiroso explica que na TV não tem ação, eles até gritam “ação!”, mas quando o sujeito age mesmo, mandam cortar.

Daí pra falar da questão financeira é um pulo, afinal, a estrutura e os aparatos técnicos que a Globo tem pra brincar com Suassuna nem se comparam aos do Ventoforte, que já chegou a interromper peça por conta da chuva.

Mas não é preciso detalhar as diferenças, há outros recursos cênicos pra evidenciar isso de forma simples: apagam-se as luzes. “Será que não pagamos a Eletropaulo?”, se pergunta o próprio Ilo Krugli, ainda na batina do padre Antônio, personagem do segundo episódio, mas agora no papel dele mesmo.

E então, sob luzes de emergência, o público é levado para um outro ambiente onde serão aproveitados os refletores que a Globo esqueceu no fim da rua pra suprir a falta de luz do Mamulengo.

No teceiro e último episódio, os personagens de Suassuna fazem o julgamento de Deus (ou de Jesus, ou do Espírito Santo, não tenho muita certeza. Fiz catecismo, mas sempre confundo os três), por sugestão de Benedito, e acabam julgando a vida e a continuidade dela. Eis que entra Ilo Krugli, para um epílogo.

“Essa cena é improvisada mesmo. Pode falar, pode perguntar”, ele diz. Ao fundo, os personagens de Ariano, expostos. À frente, Ilo, prometendo contar-nos o destino deles e revelando que a maior parte migrou pro sudeste e pro sul.

A participação de Ilo é tema à parte, já que, como disse o Fabrício, ele é a própria quebra da quarta parede. Está lá, presente, vivo, ao mesmo tempo que parece um bonequinho de corda. Aquele é o espaço do jogo, da diversão e não há textos ou “escrituras” que o impeçam de improvisar e confundir, de revirar as cenas e fazer com que os próprios atores parem para rir dele.

Há que se dizer que o jogo cênico fica meio embaralhado e as cenas parecem, muitas vezes, uma grande bagunça impossível de entender. Fora da lógica, fora da “arrumação” com que estamos acostumados. Mas tudo isso faz parte da brincadeira e, sobretudo, de uma postura profissional de não se levar a sério. Já na história, a vida continua, o Mamulengo continua, os bonecos se reproduzem… pra quê? Bem, aí já é sério e abstrato demais pra explicar.

sábado, maio 23, 2009

Para o INFELIZ do revisorzinho

Pegue teu olhos, blogueiro(a), e leia, se for capaz, este parágrafo, ele abre uma entrevista em um jornal de Rio Branco. Veja o tamanho deste parágrafo, algo imenso. Texto jornalístico deve apresentar estruturas sintáticas curtas em certos casos, por exemplo, neste.

Pensei que eu corrigisse texto. Em verdade, eu faço milagre para o leitor entender o que outros não escrevem.

"O presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Arquelau de Castro Melo, decretou uma guerra sem trégua durante a sua gestão contra a compra de votos, demoranos julgamentos dos processos relativos ás denúncias de abuso do poder econômico, de uso da máquina estatal e municipal, supostamente ocorridos na última eleição, como forma de dar uma resposta rápida á sociedade sobre cada um desses casos. Na entrevista á TRIBUNA, Arquelau Melo fala sobre a Reforma Política, as listas montadas pelos candidatos, que funcionam como um cadastro da corrupção, as campanhas sobre o voto consciente, e acerca das doações ilegais na campanha, que envolve setenta e quatro políticos, que a medida que a apuração avança se descobre que foram usadas pessoas inocentes, pobres, como “laranjas”, para mascarar essas doações, que atingiram a um nível de um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos."