quarta-feira, agosto 19, 2009

A breguice de Xuxa












Rancorosa, Xuxa ofende Gramado: "Eles tiveram de me engolir"

Celso Sabadin,
enviado especial a Gramado

Noite de horror e indignação em Gramado. Alguma mente desprovida de qualquer senso cinematográfico decidiu coroar Xuxa Meneghel como a Rainha do Cinema. É inclusive a manchete do Diário do Festival, que circula aqui no evento: Gramado Reverencia sua Rainha. E, pior: Kikito especial homenageia a rainha do cinema, da música e da televisão. No país de Fernanda Montenegro, de Aneci Rocha, de Laura Cardoso, de Helena Ignez, de Tônia Carreiro, de sei lá... Hebe Camargo, caramba... O Festival de Gramado, pateticamente, tenta vender ao público a mentira que Xuxa é a rainha do cinema. Tudo por um punhado de mídia. Como se vendem barato os organizadores do Festival de Gramado que decidem quais serão os homenageados!

Ontem (13/8), a noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da Graça Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não mereciam ter visto. Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se esquemas de segurança para a chegada da "Rainha". Não pode isso, não pode aquilo, vai ser assim, vai ser assado, ninguém pode falar com ela, ela não vai responder a nenhuma pergunta, não pode chegar perto, bla, bla, bla... Nem Barack Obama, se a Gramado viesse, mereceria tanta distinção.

Claro que tudo começou com atraso. Xuxa chegou ao chamado Palácio dos Festivais (cada Rainha tem o Palácio que merece) cercada do gigantesco alvoroço dos fãs. Alvoroço, aliás, que é a finalidade básica dos organizadores do festival ao convidá-la. Flashes, corre-corre, gritinhos, aquela coisa toda que o mundo das celebridades conhece bem. Ao ser chamada para a homenagem, a Rainha elegantemente desfilou pelos corredores do Palácio e, a poucos metros do palco, foi gentilmente abordada por um jovem súdito, aparentando pouco mais de 20 anos, que lhe pediu um beijo. Xuxa, ainda elegantemente, deu um leve beijo no rosto do rapaz e seguiu rumo ao palco, sem problema nenhum. Imediatamente, dois enormes seguranças imobilizaram o jovem, que levou uma chave de braço, foi rapidamente imobilizado e truculentamente retirado do local sob os gritos de protestos de alguns poucos que viram a cena.

Gramado precisava disso? De um showzinho particular de truculência e ignorância?

Já no palco, Xuxa recebeu seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi ovacionada por parte da plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a primeira bobagem: "Eu sou povo", ela disse. Bom, eu não conheço ninguém do povo que ostente seguranças truculentos para dar chaves de braço nas pessoas. Em seguida, num discurso rancoroso e até agressivo, Xuxa afirmou que nunca imaginou receber uma homenagem como aquela. "Nem eu", pensei, calado. E foi além: disse que jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana como ela. Ou seja, chamou abertamente o Festival de preconceituoso. Como se, em edições anteriores, o evento só tivesse premiado magnatas e intelectuais.

Gramado precisava disso? De uma ofensa gratuita vinda de um homenageado?

A Rainha terminou sua fala dizendo: "Eu não me arrependo de nada. Eu não tenho vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora". Ao que parte da plateia completou: "...E gaúcha!". De onde a loira tirou esta frase? Que nonsense foi este? Se eu não estivesse presente, não teria acreditado.

Porém, o pior estava por vir: ao descer do palco e voltar para os corredores do Palácio, Xuxa percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por sinal estava sentado praticamente ao meu lado. Deu-lhe um amplo sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele: "Eles tiveram de me engolir". Fiquei pasmo. Eles quem? Os organizadores de Gramado? Os críticos de cinema? O povo? Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo incorporado provisoriamente na Rainha?

E, depois, se ela diz não se arrepender de nada, por que sua filmografia "oficial", publicada pelo Catálogo também oficial do Festival de Gramado, omite seus longas Fuscão Preto, Gaúcho Negro e Amor Estranho Amor? Os dois primeiros seriam bregas demais para a realeza? E o polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury? Algo contra a nudez da rainha? A rainha está nua?!

Segundo informações do Jornal de Gramado, além de todas estas barbaridades (para usar um termo bem gaúcho), Xuxa ainda teria cobrado um cachê de R$ 60 mil para aceitar ser homenageada.

Sinceramente, Gramado precisava de tudo isso?

Num momento de lucidez e equilíbrio, o ator José Victor Cassiel, apresentador do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos: "Vamos voltar ao Cinema". Perfeito! Xuxa, com seus filmes de péssima categoria, conteúdo risível, produção tosca e nenhum objetivo cinematográfico, além do merchandising e da bilheteria, pode representar qualquer coisa. Menos o cinema. Se o Festival de Gramado é um templo do cinema brasileiro, este foi profanado na noite de ontem.

E, Xuxa, rainha do cinema? Só se for a Rainha Má da Branca de Neve.

terça-feira, agosto 18, 2009

"Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos"

Segundo a crítica, a estreia da carioca Ana Paula Maia na literatura não poderia ter sido melhor. Sua narrativa desenha personalidade. Muito atual, a temática violência me seduz, por isso comprarei suas palavras para entender o Brasil deste século 21.



Leia esta belíssima resenha.

Jovem escritora aborda violência com estilo e preocupação social
DANIEL BENEVIDES

Colaboração para o UOL

A carioca Ana Paula Maia aborda a violência de maneira impiedosa e sem concessões

LEIA TRECHO DE "ENTRE RINHAS DE CACHORROS..."
A violência assume várias formas, muitas delas moldadas pelo mesmo motivo: a desigualdade. Partindo desse princípio simples e universal, a carioca Ana Paula Maia compôs duas novelas complementares, com muito sangue, escatologia e estilo.

Lançadas em capítulos pela internet, nos moldes dos antigos folhetins, "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos" e "O Trabalho Sujo dos Outros" são habitadas por personagens sujos, feios e, na falta de melhores opções, malvados. São, como revela a escritora numa breve apresentação, "homens-bestas", que fazem "toda a imundície de trabalho que nenhum de nós quer fazer".

Na primeira história, "pulp" ao extremo, no sentido de polpa mesmo, de massa de carne misturada com sangue, tripas, excremento, Edgard Wilson e Gerson vivem de matar e destrinchar porcos (não à toa, símbolos da sujeira, que se alimentam de lixo). É um serviço que fazem sem emoção, inertes, indiferentes. A morte e o sofrimento parecem tão corriqueiros quanto o calor sufocante do subúrbio onde vivem, a rala comida no prato, o colchão esquelético onde dormem. Para completar o quadro, a maior diversão dos dois amigos - talvez a única -, é apostar em duelos mortais entre cachorros.

Diante disso, um assassinato com extrema crueldade é apenas mais um fato do cotidiano, um mero problema a resolver - o próprio termo "crueldade", por mais que a violência tenha chegado ao limite do impensável, nem faz sentido, pois na aridez estéril do cenário em que se movem os personagens, totalmente à margem da sociedade (que sociedade, cara-pálida?), os valores sequer existem.

O(a) leitor(a), à essa altura, já percebeu que a escrita de Ana Paula Maia é impiedosa, que não faz nenhuma concessão. Suas palavras surgem como elementos secos, pedaços de osso que vão montando o esqueleto de um monstro bastante familiar, que nada mais é do que a realidade da qual a gente se acostumou a desviar o rosto. "A minha principal inspiração é o mundo real e suas deformidades. Nas artes, a literatura de Campos de Carvalho, a música de Johnny Cash e os filmes de Sergio Leone", ela declarou numa entrevista recente. A Leone poderíamos acrescentar Tarantino e Takeshi Kitano, como lembra a crítica Beatriz Resende.

Na segunda história, é mais evidente o lado político da autora, que se manifesta na investigação crua da condição humana, da imposição do trabalho, da resignação sem saída: "A minha intenção com a literatura é fazer minha política e estabelecer através da ficção uma série de códigos de ética, de conduta e investigação. Acho que a literatura tem algumas funções importantes como o autoconhecimento e a especulação do espírito humano".

"O Trabalho Sujo dos Outros" acompanha o dia a dia de Erasmo Wagner (há alguma ironia na escolha dos nomes), lixeiro, morador da região contínua de miasmas azedos, verdadeiro soldado desconhecido. Seus amigos são Alandelon e Edivardes (não falei?), que trabalham com britadeira no asfalto, tremendo os miolos sob o sol cáustico, e na limpeza da gordura acumulada nas pias e esgotos de bares e restaurantes.

A simbologia é explícita, o que não torna a novela menos impactante. Nas entrelinhas brutais do relato surge um bode com poderes místicos, cujo cheiro contamina cada parágrafo. É, talvez, o "bode" da literatura bem comportada, feita de beletrismos e frases harmônicas, de falta de compromisso com a realidade, de sujeição à acomodação. Daí a marca forte de Ana Paula Maia, que veio para ficar.

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"ENTRE RINHAS DE CACHORROS E PORCOS ABATIDOS"
Autora: Ana Paula Maia
Editora: Record
Número de páginas: 160
Preço sugerido: R$ 29

Tua vulgaridade me assombra, menina

Não posso neste espaço incidir luz sobre o nome dela, por isso deixo sua identidade ocultada. Só posso afirmar que seu jeito de andar e de falar conduz 15 anos da mais grosseira e gosmenta vulgaridade.

Não, enganei-me, ela não nasceu há 15 anos, parece ter mais idade. Entranhada em sua roupa, em seu sapato alto, em seu rímel, a vulgaridade a envelheceu. Velha em um corpo que exibe as deformações de seus 15 anos.

Desde Vladimir Nabokov, Lolitas espalham-se; porém, no caso dessa menina-velha de 15 anos, não existe a inocência inicial da protagonista do autor russo. A malícia evidencia-se para agredir sua própria idade, para agredir sua mãe.

Sua origem a rejeita. Expulsa de casa, seu rosto pintado perambula entre programas e conselho tutelar. Não me refiro a programas educativos na TV, longe disso, mas a programas cujo canal é outro. Quanto ao conselho, ela, aos 15 anos, não aceita conselhos, muito menos ser tutelada. Velhas são independentes.

Essa velha vulgar de 15 anos, entretanto, não espera a morte como tantas outras velhas de 70 ou de 80 anos. Nela, algo já morreu: a juventude.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Rio Branco x Asa

Errei, Rio Branco não derrotou o Asa por 2 a 0. A manchete, Paulo Nascimento, é "contra o Estrelão, Asa voou para a série B".

domingo, agosto 16, 2009

Crase

Aprendemos na escola - em algumas - que é facultativo o uso do acento grave, indicador do fenômeno da crase, depois de "até". É bom ler este texto de Thaís Nicoleti.

"Até a" e "até à"
Por Thaís Nicoleti

"As autoridades (...) poderiam condená-lo até à pena de morte."A frase acima suscita uma questão de emprego do acento grave: afinal, a crase ocorre ou não antes de "pena de morte"

Sabemos que a crase, fusão de duas vogais numa só, ocorre hoje sobretudo quando a preposição "a" e o artigo definido "a" se encontram. Quando o termo regente requer a preposição "a" (condenado "a") e o termo regido requer o artigo "a" ("a" pena de morte), a crase ocorre. Eis, portanto, uma situação simples de ocorrência da crase: "Fulano foi condenado à morte".

Por outro lado, não são poucas as vezes que vemos redatores, inadvertidamente, usarem o acento grave em construções do tipo "a reunião estendeu-se até às 18h". Num caso como esse, não ocorre crase. O numeral que indica as horas é obrigatoriamente antecedido de artigo ("as 18h"), mas, para que ocorra a crase, é necessário haver também a preposição "a". Esta, nessa construção, cedeu seu lugar à preposição "até", que indica limite. Daí não haver crase. O mesmo vale para sequências como "reunião marcada para as 15h", "esperava desde as 10h" etc.

Dito isso, há quem faça o raciocínio rápido: "não existe até à". E é aí que mora o perigo. No caso das horas, isso é válido porque a crase ocorre quando as horas integram uma locução adverbial de tempo ("O evento começou às 19h"). Observe que a preposição "a" faz parte da locução (não é uma preposição exigida pelo verbo anterior).

A preposição exigida pelo termo regente ("condenado a") não pode ser substituída por outra (não existe algo como "condenado até"). A palavra "até", por sua vez, nem sempre é uma preposição. Pode ter valor de advérbio (de inclusão), como na célebre frase de Júlio César: "Até tu, Brutus?", caso em que poderia ser reforçada pelo advérbio "mesmo" (Até mesmo tu, Brutus?).

Voltamos, assim, à nossa frase inicial, em que "até" é um advérbio (tem valor de "até mesmo") e, portanto, não interfere na regência do verbo "condenar", que exige a preposição "a". Assim, vemos que a frase está correta.

sábado, agosto 15, 2009

Camile Paglia para as feministas acrianas

Blogueiro, leia com muita atenção esta BELÍSSIMA entrevista com a charmosa Camile Paglia. Quando a inteligência surge, deixe-a varar teus olhos com as palavras.

A combativa teórica do pós-feminismo
Reconhecida intelectual norte-americana, Camille Paglia fala à CULT sobre feminismo, homossexualidade, política e cultura pop

De seu grande livro de estreia, Personas Sexuais, publicado no Brasil em 1990, ao recente Break, Blow, Burn, antologia comentada de 43 poemas, ainda inédito no Brasil, a historiadora da arte Camille Paglia tornou-se conhecida pela importância de sua obra e pela sua combatividade em muitas controvérsias nas quais se envolveu.

Formada pela Yale University e professora no Philadelphia College of the Performing Arts, na Pennsylvania, a nova-iorquina de ascendência italiana é considerada uma das principais teóricas do assim chamado pós-feminismo, sendo reconhecida no ranking da revista Foreign Policy como uma das intelectuais mais influentes do planeta.

Seu método acadêmico é erudito, comparativo e descritivo. É, portanto, a partir de sólida base - a reflexão sobre a religião comparada, sobre a apropriação simbólica das artes ou sobre a maneira pela qual uma obra artística foi produzida - que Camille produz ensaios de grande repercussão midiática. Apesar da elaborada formação clássica, Camille interessou-se pela cultura popular, valorizando o tema da cultura de massas no ambiente acadêmico.

Camille visitou quatro vezes o Brasil. Em 1996, promovendo o lançamento de seu Vamps & Tramps (Vampes e Vadias), foi ao Rio de Janeiro e a São Paulo, em companhia de sua então companheira Alison Maddex.

Em 2007, conferenciou em Porto Alegre, e, em 2008, em Salvador. Retornou a Salvador em fevereiro de 2009 para curtir o carnaval baiano. Declara-se apaixonada pelo Brasil. Na entrevista a seguir, Camille fala de Madonna, de Michael Jackson e de Daniela Mercury. Discute a política norte-americana e comenta seu mais recente trabalho publicado nos Estados Unidos. Fala ainda de casamento gay, da adoção de crianças por casais gays e de religião.

CULT - Seu último livro, Break, Blow, Burn, é um comentário de 43 poemas. Como foi que você selecionou esses poemas e que método usou para analisá-los?
Camille Paglia - O livro é uma mistura de poemas ingleses famosos e obscuros. Ele vai de Shakespeare a Joni Mitchell, cuja canção "Woodstock" abordo como uma ode à natureza durante os revolucionários anos 1960. Eu queria alcançar as massas que já não lêem poesia, e que agora são absorvidas pela TV, pelos videogames e pela Internet.

O livro tornou-se, surpreendentemente, um bestseller nos EUA - o que demonstra que de fato há um anseio por beleza e por sentido que não tem sido satisfeito pela nova tecnologia. Break, Blow, Burn foi o resultado das três décadas que passei na sala-de-aula ensinando alunos de procedências muito diversas, mais e menos privilegiadas economicamente. Um poema lírico curto oferece uma oportunidade magnífica para se estudar as operações da arte com atenção microscópica.

Meu método crítico é bastante tradicional: uma leitura atenta, "close reading", ou "explication du texte", que trata o poema como uma unidade autônoma e fechada em si mesma e que examina cada palavra como se fosse uma jóia. Ele descende do "higher criticism" do século 19, que analisou sistematicamente a Bíblia. Eu também ministro um curso chamado "A arte das letras de canções".

A qualidade das letras de canções nos EUA decaiu muito nos últimos 30 anos. O antigo ofício da composição americana de canções descendeu de baladas escocesas e irlandesas, do blues afro-americano, do vaudeville e da Broadway. O hip-hop é um estilo fértil, mas o seu tom agressivo dificulta efeitos delicados. O que me encanta na música popular brasileira é a alta qualidade das letras das canções - as quais apresentam com frequência uma obliquidade poética, uma insinuação atmosférica e uma ressonância emocional que a música americana perdeu quase completamente.

CULT - Como você analisa os primeiros meses do presidente Barack Obama?
Camille - Eu apoiei Obama nas eleições primárias do Partido Democrata e doei dinheiro para a sua campanha. Acho que ele está ocupando seu cargo com autoridade e dignidade e que sua esposa Michelle se tornou uma vigorosa e elegante primeira dama. Infelizmente, a crise econômica mundial que o presidente herdou tornou seus primeiros meses muito turbulentos. Eu não acho que suas nomeações, em especial na área da economia, tenham sido tão boas quanto deveriam. Sua escolha de um companheiro de Chicago, o conspiratório e durão Rahm Emanuel, para chefe de gabinete foi particularmente infeliz.

O resultado foi uma primeira semana desastrosa em que Obama permitiu passivamente que o congresso aprovasse um pacote de incentivo econômico tão grotesco e extravagante que fez com que o desmoralizado Partido Republicano ressuscitasse. Num piscar de olhos, Obama perdeu toda a esperança de governar de maneira unificadora na estrutura bipartidária. Aquela atrapalhada primeira semana pode ter sido sua Waterloo.

Fiquei satisfeita com seu discurso no Cairo, que tratou de curar as divisões entre o Ocidente e o mundo muçulmano, mesmo que alguns detalhes tenham me parecido ingenuamente otimistas ou historicamente imprecisos. A atmosfera política nos EUA voltou ao partidarismo amargo e feroz. O país está divido entre os que amam Obama e os que o detestam. Mas sua raça não tem nada a ver com isso. Os inimigos de Obama o acusam de ser secretamente um marxista radical que odeia os EUA.

CULT - E quanto a Hillary Clinton, cuja campanha presidencial você criticou?
Camille - Eu era uma fã de Hillary quando ela apareceu na cena nacional durante a primeira campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992. Achei que ela era uma mulher forte e franca. Mas depois me decepcionei com sua megalomania à Evita, com seus sigilos paranoicos e seu gerenciamento amador da reforma da saúde em 1993. As duas administrações de Clinton foram uma cadeia de escândalos auto-induzidos.

Quais eras as qualificações de Hillary para a presidência - além de ter sido casada com Bill? As feministas a adoravam, mas ela nunca conseguiu nada por si própria. Durante as eleições primárias do ano passado, Hillary se comportou com arrogante condescendência em relação a seus rivais do sexo masculino. Ela agiu como uma imperadora, esperando que a nomeação lhe fosse entregue. Os Clintons nunca anteciparam a ascensão meteórica de Obama, que os atordoou.

Quando Obama foi nomeado, as feministas se comportaram como bebês chorões, acusando os eleitores e a mídia de sexismo - uma alegação ridícula. A equipe de Obama realizou uma das manobras mais espertas que já vi na política americana. Eles ofereceram a Hillary o cargo de Secretária de Estado como se fosse uma enorme honra.

Os Clintons aceitaram tolamente - pensando que agora Hillary era importante demais para o Senado. Então Obama concluiu o bote: apontou inesperados emissários especiais para cada uma das regiões problemáticas do mundo, minando o poder de Hillary e tornando-a uma espécie de fantoche sem autoridade real. Ela obviamente odeia esse papel.

A caminho de uma recente reunião com Obama sobre o Irã, ela tropeçou no estacionamento do Departamento de Estado e quebrou o cotovelo - o que causou o cancelamento de várias viagens intercontinentais. Os antigos romanos, que eram muito supersticiosos com estreias, teriam interpretado esse acontecimento como um mau presságio! E Freud teria concordado; para ele, tal incidente sinaliza conflitos profundos e raiva reprimida.

CULT - Como você avalia, numa perspectiva cultural, o fenômeno atual de ferramentas da Internet como o Twitter e o Facebook?
Camille - Sou uma defensora fervorosa da Internet, que sempre enalteci como uma nova fronteira nas comunicações humanas. Tenho escrito para o Salon.com desde sua primeira edição em 1995 - quando a Web ainda era vista como uma simples novidade passageira.

Um importante repórter do Boston Globe chegou a me criticar por "desperdiçar" minha energia na Web, que ele disse que nenhum jornalista levava a sério. Eu certamente fui a primeira intelectual estabelecida a escrever na Web. Contudo, hoje estou um pouco decepcionada com o baixo número de revistas virtuais que obtiveram sucesso.

Existem milhares de sites e milhões de blogs, mas me entedio com frequência com as coisas que aí encontro. Eu me preocupo com a fragmentação da Internet desencadeada pelos blogs - que picotam o discurso em pequenas notações e separam as pessoas em seus feudos privados. O Twitter e o Facebook aceleraram essa tendência.

Quero que a Internet seja um grande fórum público com um amplo escopo. O Twitter e o Facebook são como clubes privados, cheios de bate-papo aleatório e fugaz. São veículos importantes de intercomunicação social, em especial para os jovens, mas não estão promovendo uma troca séria de idéias.

Eu tentei combater essa tendência escrevendo colunas bem longas para o Salon.com - para mostrar que as pessoas têm, sim, paciência para ler documentos longos na Internet, se esses forem escritos num etilo dinâmico. Estou muito preocupada com o curto período de atenção de que se mostram capazes os jovens, que estão sendo treinados, por meio de torpedos e do Twitter, a usar a linguagem em arroubos curtos e desconexos. Como poderão ser capazes de ler Guerra e paz do Tolstói?

CULT - Recentemente você deu uma palestra no Museu Real de Ontário, em Toronto, logo após uma palestra de Christopher Hitchens- algo que também aconteceu em Porto Alegre, em 2007. Qual é sua posição acerca da visão extremamente negativa que Hitchens tem da religião?
Camille - Eu respeito Christopher Hitchens como um pensador independente e como um engenhoso orador. No entanto, ele sabe muito pouco sobre história da religião e muitas das suas conclusões não passam de cínica retórica. Sou uma atéia que tem profundo respeito por todas as religiões. Eu venho propondo há 20 anos que um estudo comparativo das religiões deveria estar no núcleo dos currículos educacionais de todo o mundo. Todos deveriam conhecer as escrituras, a arte, e os locais sagrados de todas as grandes religiões - Hinduísmo, Budismo, Judaico-Cristianismo e Islã.

A ciência é muito importante, mas sempre incompleta, porque ela jamais pode dar conta dos grandiosos mistérios do universo. Hitchens está simplesmente errado ao dizer que a religião é sempre uma fonte do mal. Seus códigos morais foram de grande serventia para a humanidade - ainda que eu mesma tenha me rebelado contra o puritanismo e o autoritarismo da igreja na minha juventude.

Quando me perguntaram sobre o livro de Hitchens God is Not Great, na parte de discussão da minha palestra em Toronto, respondi: "que Hitchens seja lembrado por esse título. E que toda a minha carreira seja julgada pela frase mais importante que já escrevi: 'Deus é a mais grandiosa ideia do homem".


CULT - Você também se dedicou ao estudo de carreiras de superstars. Você foi a primeira intelectual a tratar do fenômeno Madonna em universidades. O que você acha que mudou da Madonna que você celebrava nos anos 1980 para a superstar de hoje?
Camille - Algumas feministas acadêmicas escreviam sobre a Madonna - mas de um ponto de vista pós-estruturalista, tratando-a como uma pós-modernista, o que eu achava absurdo. Elas não sabiam nada sobre a poderosa tradição comercial da música pop americana que Madonna absorveu em sua adolescência em Detroit. Eu a vi como uma diva de Hollywood e uma femme fatale na linha da Marlene Dietrich e da bad girl Elizabeth Taylor.

E eu adorava a maneira com a qual a Madonna legitimava o gênero da disco music, que nasceu em bares de negros e de gays e que era deplorado pelos críticos musicais da época. Uma das frases mais proféticas que já escrevi foi a que concluiu meu artigo de 1990 para o New York Tines: "A Madonna é o futuro do feminismo". Algumas pessoas se chocaram, outras desprezaram o vaticínio. Mas foi exatamente o que aconteceu: a ideologia pró-sexo, pró-beleza, pró-moda da Madonna transformou radicalmente o feminismo e desbancou as puritanas stalinistas que eu vinha combatendo.

Mas a trajetória criativa da Madonna colapsou tragicamente nos últimos 15 anos. Ela colaborou com jovens produtores eletrônicos, mas, apesar disso, ela se estagnou e não foi adiante artisticamente. A minha explicação é a de que sua inspiração primária foi sua rebelião contra o totalitarismo de sua família e igreja.

Quando ela passou do catolicismo italiano para a cabala, ela perdeu tudo enquanto artista. E a despeito de suas alegações de espiritualidade cabalística, ela se tornou demasiado materialista e avarenta para o estilo de vida de uma celebridade. Cercada de guarda-costas e viajando com luxo, ela circula numa bolha, separada de seus fãs, com quem ela tem muito pouco contato, mesmo no palco. Sua mania de exercício e dieta a faz parecer anoréxica. Não sobrou nada genuinamente erótico na Madonna. Ela é toda força de vontade sem um corpo carnal - como um robô desajeitado.

CULT - O que você acha que Michael Jackson representa para a cultura pop?
Camille - Como a Madonna, Michael Jackson decaiu lentamente do ofuscante cume de seu brilho artístico. Historiadores da música estudarão quanto os álbuns mais importantes de Michael deveram à sua colaboração com o produtor virtuoso Quincy Jones. Michael fez muito pouco de grande música depois que a parceria com Jones acabou.

Michael é uma de muitas estrelas infantis admiráveis, como Judy Garland, que tiveram problemas na transição para a vida adulta e que acabaram se tornando viciados em drogas. É triste que Michael nunca tenha feito a retomada que Judy conseguiu em sua apresentação de grande fôlego em 1961 no Carnegie Hall em Nova York - cuja gravação representa um dos pontos altos da música moderna.

Michael era muito talentoso e, apesar disso, deleitava-se com produções exageradas em que se apresentava arrogante como um mártir semelhante a Cristo, um gangster pomposo, ou um líder de esquadrão fascista. Ele era um dançarino maravilhoso, mas nunca evoluiu para além de um conjunto nuclear de passos de marionete e aquele ilusório "moon walk". Seu repertório vocal também cessou de se desenvolver - a emoção sincera era truncada por grunhidos e soluços sufocados.

Todos nós intuíamos as agonias acerca de sua raça e de seu gênero sinalizadas pelas cirurgias plásticas que ele fazia compulsivamente. Menos perdoável era a maneira com a qual ele tratava seus filhos, mentindo sobre sua paternidade e forçando-os a usar máscaras em público. A ironia é que agora que Michael morreu, nós podemos rever todo o corpus de sua obra e aproveitar e celebrar o que nele há de soberbo e de melhor. Não há dúvida de que a vida mais autêntica de Michael se deu no palco. Todo o resto foi um caos.

CULT - Você já criticou o casamento gay. Por quê?
Camille - Por vinte anos, eu tenho clamado pela substituição de todo casamento, homossexual ou heterossexual, pela união civil. O Estado, que governa os direitos de propriedade, deve ser estritamente separado da religião e não deve jamais sancionar sacramentos religiosos. Pessoas que querem a benção de uma igreja devem se sentir livres para ter uma segunda cerimônia na igreja que escolherem.

Eu acredito que os ativistas gays dos Estados Unidos cometeram um sério erro estratégico ao reivindicar o casamento, porque a palavra "casamento" é muito associada à tradição religiosa e gera uma revolta entre os conservadores. Ao contrário, os ativistas deveriam se concentrar nos benefícios específicos injustamente negados às uniões gays. Por exemplo, nos EUA, se um gay morre, seu parceiro não recebe os benefícios do Seguro Social, que no caso das uniões heterossexuais vai automaticamente para o parceiro. Isso é uma afronta! Mas este ponto tem sido deixado de lado pelos ativistas gays por conta do seu entusiasmo pela quimera reacionária do "casamento". Uma visão de esquerda autêntica (como nos anos 1960) iria desafiar todo o conceito do casamento.

CULT - Você terminou recentemente um relacionamento de 15 anos com sua parceira Alison Maddex. Vocês foram casadas formalmente?
Camille - Na realidade, nós terminamos há um ano e meio, mas a notícia surgiu na mídia somente agora. Não, nós não fomos casadas. Um dos pontos altos do nosso relacionamento foi a repercussão na mídia de nossa visita ao Brasil em 1996! Nós amamos os brasileiros. Na verdade, o mais importante relacionamento da Alison, antes do nosso, foi com uma brasileira.


CULT - Como você avalia a possibilidade de um relacionamento amoroso de longa duração entre duas mulheres?
Camille - Para ser franca, sou pessimista quanto a eles do ponto de vista erótico. As lésbicas formam laços de lealdade muito profundos - compromissos vitalícios que têm sido observados desde o famoso caso das "senhoritas de Llangollen", que aconteceu há dois séculos no País de Gales. Mas sou cética sobre quanto "fervor" sexual ainda pode existir entre duas mulheres depois de 10 ou 20 anos.

Existem, entre escritores gays, casos muito famosos de casais de homens que ficaram juntos por toda a vida - W.H. Auden, Allen Ginsberg, Gore Vidal. Mas eles jamais exigiram de seus parceiros a exclusividade sexual. Ambos os amantes tinham divertidas aventuras alhures com jovens atraentes. Isso não parece possível com as lésbicas. A aventura externa acaba representando uma traição do laço emocional. Eu mesma fui, de modo entediante, monogâmica em minha conduta. Olhando em retrospecto (dado o número de assédios que recebi tanto de homens quanto de mulheres nos últimos 20 anos), acho que foi um erro!


CULT - Vocês duas têm um filho. Qual é a sua opinião sobre a adoção e a criação de crianças por casais gays?
Camille - Meu filho, que adotei legalmente depois que nasceu, sete anos atrás, é o filho biológico de Alison e está sendo criado por nós duas de modo amigável. Usamos uma clínica de fertilidade da Filadélfia e um banco de esperma da Califórnia para escolher um doador anônimo. Tivemos a sorte de a adoção gay ser permitida no estado da Pensilvânia - o que não ocorre em algumas partes dos EUA. Não gosto da ideia de "duas mamães" ou de "dois papais" para os filhos de casais gays. Acho que isso pesa muito sobre a criança na forma de aborrecimentos desnecessários durante a adolescência.

Meu filho tem apenas uma mãe - Alison - e é por isso que ele tem o sobrenome dela. Não gosto dos nomes longos nem das combinações hifenizadas construídas por muitos pais gays. Essas são estratégias desenvolvidas para proteger o amor-próprio de adultos e não para o bem da criança. De forma geral, a criação de uma criança por um casal gay é um enorme experimento social tornado possível por um clima liberal na cultura ocidental. Tenho muita esperança de que os resultados gerais serão positivos - mas a essa altura ninguém pode ter certeza.


CULT - Em recente entrevista a uma emissora de televisão de Toronto, você declarou que estava "loucamente apaixonada" por Daniela Mercury, que você conheceu no último carnaval de Salvador. Alguns sites brasileiros especularam que vocês estavam tendo um caso amoroso. Como é a sua relação com ela?
Camille - Tendo Vênus por minha testemunha, afirmo ser uma simples devota no culto a Daniela, que tem inúmeros seguidores ao redor do mundo. Tudo começou a um ano, muito antes de conhecê-la pessoalmente, quando fui presenteada com um pacote com seus DVD's depois de uma palestra que proferi em Salvador. Eu estava absolutamente eletrizada pelo brilho artístico de Daniela e me tornei uma estudiosa de seu trabalho, sobre o qual escrevi no site Salon.com.

Depois de anos de desilusão com o declínio da qualidade dos filmes de Hollywood e da música popular nos Estados Unidos, fiquei estonteada com o samba-reggae da Bahia, que Daniela reinterpretou de forma explosiva. Além disso, Daniela era a encarnação viva de muitas de minhas ideias - como as desenvolvidas em "Personas Sexuais", que ela representa em seus maravilhosos figurinos teatrais e coreografias.

Quando conheci Daniela no carnaval, fiquei encantada pelo seu calor despretensioso e humano. Mas esse também foi um momento de grande revelação, porque nunca na minha vida eu tinha conhecido alguém, homem ou mulher, em quem eu tenha reconhecido uma corajosa imaginação sincrética como a minha. Talvez seja por nossa ascendência italiana! O barroco Bernini floresce em Daniela. Nas artes, nós somos almas gêmeas. Do ponto de vista pessoal, sim, eu estava completamente encantada - quem não estaria? Esta é uma estrela brasileira de incandescência solar! Mas eu penso em mim como uma figura da tradição do amor cortês de Petrarca - um cavaleiro das cruzadas que jurou serviço à sua gloriosa, distante rainha.

À parte disso, Daniela casou-se com um homem que eu adoro. Desde o momento em que conheci Marco Scabia na casa de Daniela, eu fiquei profundamente impressionada com ele, como pessoa e como pensador. Ele é tão bonito espiritualmente quanto fisicamente. Toda foto tirada de Daniela e Marco juntos resplandece com a luz da química mútua que eles têm. Eles merecem toda felicidade na vida!


CULT - "Vamps & Tramps" (Vampes e vadias) finalmente está sendo publicado na França. É seu primeiro livro publicado naquele país. Você acha que a sua crítica ao pós-estruturalismo francês pode ter contribuído para eventual desafeto encontrado por sua obra ali? O que mudou?
Camille - Duvido que tenha sido minha campanha militante contra Jacques Derrida, Jacques Lacan e Michel Foucault o que causou esse atraso, por que esses autores já estavam obsoletos na França na época em que os professores norte-americanos os promoviam servilmente. Não foi pelo fato de eu ter absorvido tanto as ideias francesas desde a minha infância (meu pai ensinava francês) que os franceses não precisavam de mim.

Fiquei famosa por atacar o puritanismo anglo-americano no feminismo e na academia. Eu estava simplesmente pondo em prática as lições que aprendi de Sade, Gautier e Balzac, assim como de Jeanne Moreau e de Catherine Deneuve! As feministas francesas eram muito chiques e nunca atacaram a arte ou a indústria da moda, como fizeram as feministas anglo-americanas. Mas algo estranho pode estar acontecendo na França; por exemplo, um documentário francês sobre pornografia para o qual fui entrevistada há vários anos teve seu lançamento proibido em um julgamento. Assim, o meu trabalho, com sua defesa da liberdade de expressão e da fantasia sexual, pode parecer especialmente relevante nesse momento.

CULT - Você está trabalhando em algum novo projeto nesse momento?
Camille - Estou escrevendo um novo livro na linha de Break, Blow, Burn. É sobre a história das artes visuais e também visa o grande público.

De Paulo Leminski



Liberdade

vento














onde tudo

cabe

Rio Branco e Asa

Amanhã, Rio Branco vencerá pelo placar de 2 a 0. Paulinho Nascimento, jornalista de esporte, discorda de minha manchete: "contra o Asa, Estrelão voa para a série B".

Não tem veia poética esse menino. Pena!

sexta-feira, agosto 14, 2009

Falta de...

Tenho andado MUITO ocupado. Falta tempo para atualizar. Mais tarde, ainda hoje, colocarei uma poesia de Paulo Leminski.

terça-feira, agosto 11, 2009

LeIlEILEIleiLEiLeiLEIleiLEiLEilEIlEiLEI

Escolas são obrigadas a informar frequência de alunos aos pais
Agência Brasil

BRASÍLIA - A partir de hoje, as escolas de todo o país serão obrigadas a informar pai e mãe sobre a frequência e o rendimento dos alunos, além de apresentar a eles a proposta pedagógica da escola. A medida publicado no Diário Oficial da União acrescenta um parágrafo ao Artigo 12 da Lei nº 9.394, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

De acordo com o Artigo 12, os estabelecimentos de ensino têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica, assegurar o cumprimento dos dias letivos e carga horária estabelecidos, velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada professor, prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento, e articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola.

domingo, agosto 09, 2009

sábado, agosto 08, 2009

Com a palavra, deputada Perpétua Almeida











Há dias, Carioca (PT), assessor do governo, declarou que não existe o Estado de direito em Cruzeiro do Sul. A deputada federal Perpétua Almeida (PC do B) pediu a Carioca calar a boca.

O que falar, deputada, depois desta matéria?

Tarifa de táxi revolta população de Cruzeiro do Sul


A população de Cruzeiro do Sul e as pessoas que visitam a cidade reclamam das tarifas dos taxistas. Como não existe tabela de preço, os taxistas cobram as corridas sem critério definido.

Não é por outra coisa que agentes do Inmetro de Rio Branco estão recebendo as reclamações e prometem averiguar in loco as irregularidades. Na verdade, os taxistas, simplesmente, não cumprem o Decreto 276, de 3 de dezembro de 2008, que define as tarifas remuneratórias dos serviços de táxi do município.

Segundo o decreto, a parte fixa, ou seja, a bandeirada custa R$ 2,50, com valor de R$ 2,30 por quilômetro rodado na bandeira um, e custa R$ 2,90 por quilômetro rodado na bandeira dois. A hora parada deve custar R$ 25 para o usuário desse tipo de transporte. O decreto foi assinado ainda na gestão da ex-prefeita Zila Bezerra.

Os taxistas de Cruzeiro do Sul também estão obrigados pelo decreto a utilizar o taxímetro, o que a maioria não cumpre. Eles tiveram, aliás, um prazo de três meses para se adequar ao decreto, mas decidiram ignorá-lo.

Além desrespeitarem o decreto na íntegra, os representantes da categoria, em nome do sindicato, até lutam para derrubar o decreto e manter as cobranças irregulares do jeito que estão. E, a cada dia que passa, as reclamações contra eles se acumulam nos órgão de defesa do consumidor. Em Cruzeiro do Sul, o Procon existe há pouco tempo.

O decreto da prefeitura foi elaborado por uma exigência da Lei 247, de 24 de dezembro de 1998, devidamente aprovada pela câmara de Cruzeiro do Sul. As tarifas somente foram definidas após estudos do Departamento de Transporte Público.

Uma comissão está sendo formada para pressionar as autoridades e para que órgãos responsáveis exijam que os taxistas cumpram a lei e respeitem os usuários.

Saudade de...












Depois da lavagem de roupa entre o desqualificado Renan Callheiro (PMDB-AL) e o bom moço Tasso Jereissati (PSDB-CE), espero que Heloísa Helena (P-SoL-AL) retorne ao Senado na próxima legislatura.

A impaciência também tem seus direitos, PRINCIPALMENTE, contra Sarney e Renan. Da voz inquieta e provocadora de Helena, meus ouvidos sentem falta.

sexta-feira, agosto 07, 2009

O progreço

Foto do professor-doutor Carlos Alberto Alves de Souza












Se existe alguém neste Acre que ouve os que vivem à margem do poder econômico, ele se chama Carlos Alberto. Mantemos uma relação de respeito mútuo há 17 anos, eu o conheci quando comecei a lecionar na Universidade Federal do Acre, Rio Branco, isso foi em 1993.

Gosto de sua amizade porque ele sugeriu a meus olhos bons livros. Bons amigos sugerem boas páginas.

Em uma recente interessante conversa, ele apresentou-me algumas fotos de sua viagem pelo interior do Acre. Acima, três crianças, à margem de uma estrada a ser asfaltada, estão prontas para ir à escola.

O progresso, segundo os políticos, é a estrada.

Pedi ao Carlos Alberto para enviar uma foto que mostra a estrada já asfaltada. Não a recebi. Nessa segunda foto, à margem do progresso asfaltado, as mesmas crianças caminham descalças e sem uniforme.

Essa estrada segue em direção a Cruzeiro do Sul, ele não disse o local exato.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Liberdade de expressão

O que seria “ir mais fundo na questão” da democracia?

Ivo Lucchesi – A mídia, principalmente, se esforça em alardear a vigência do exercício democrático. Para tanto, ela exalta a "liberdade de expressão". Curiosamente, no Brasil, não se usa "liberdade de pensamento". O que define democracia não se situa nos limites da "expressão". A questão é saber se o indivíduo foi educado para libertar o "pensamento". Em caso contrário, ele apenas expressará livremente conteúdos que, na raiz, já foram delimitados.

terça-feira, agosto 04, 2009

Duas mulheres e um Sinplac

Professora Alcilene ou professora Luziele?

Presidenta do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac) por duas vezes, a professora Luziele busca manter-se na posição pela terceira. Infelizmente, o estatuto (errado) do sindicato permite esse abuso. Sou contra o continuísmo.

A professora Luziele, nesse longo tempo, mostrou-se incapaz de criar novas linhas para o jornalismo sindical. Se (ótima) informação é essencial não só para os filiados mas para a sociedade, a atual presidenta permaneceu indiferente a um jornalismo inteligente, irreverente, ético e abusadamente criativo.

Em sua gestão, o Sinplac não tem um sítio (o português de "site"). Não falo de blogue, mas de um sítio muito elaborado. Sem trilhar o caminho da informática, o Sinplac, submetido a duas gestões da professora Luziele, perdeu o "mouse" da história.

No lugar de uma Redação independente do sindicato, compra-se, sem minha autorização e sem a autorização de outros filiados, um terreno por R$ 80 mil. O que é prioritário para o Sinplac? Não penso em R$ 80 mil para isso. Penso que o sindicato, além do dinheiro dos filiados, precisa criar receita.

Por causa desses dois exemplos, não votarei na atual presidente.

E a professora-candidata Alcilene? Eu lhe disse que ela cometou um erro crasso ao ir para o Sinteac. Por outro lado, ela foi a primeira presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) submeter as contas do sindicato a uma auditoria embora não tenha feito isso quando presidenta do Sinplac.

Ela possibilitou a mim (des) cobrir o que fazem com o dinheiro dos filiados. Publiquei a matéria neste blogue e no jornal Folha do Acre. O Sinteac Bank chegou até a emprestar dinheiro.

Outro erro: ser candidata à vereadora, confirmando aquela velha imagem de pessoas que passaram por sindicatos para chegar à política.

Ainda sim, penso que ela aprendeu e pode retornar ao Sinplac para possibilitar um novo jornalismo sindical e uma nova forma de organizar o Sinplac. Caso as transformações não ocorram, este blogue estará aqui para criticar até a própria mãe, dona Dilma Tavares do Nascimento.

Voto na professora Alcilene.

segunda-feira, agosto 03, 2009

E agora PT?

Salário de professor pode chegar a R$ 7 mil em São Paulo

O governador de São Paulo, José Serra, vai lançar na próxima terça-feira projeto para que um professor da rede estadual tenha um salário de até R$ 7 mil e um diretor, R$ 8 mil - os valores são cerca do dobro que essas categorias atingem atualmente, depois de chegar ao máximo da carreira.

Mas, para chegar lá, eles terão de submeter a vários testes, não faltar às aulas e ficar pelo menos três anos na mesma escola. Foi o jeito encontrado de reduzir a rotatividade e o absenteísmo, além de estimular a formação.

Todo o processo vai demorar 12 anos, dividido em quatros exames a cada três anos. Se aprovado, o candidato terá um aumento de 25% no salário. Mas a nota exigida será maior a cada exame, indo de 6 a 9, tornando mais difícil atingir o salário máximo. Uma das ideias é fazer com que os professores e diretores sejam ajudados presencialmente ou em cursos a distância a realizar os exames.

Ninguém será obrigado a fazer os exames, mas, aí, terá se submeter aos aumentos regulares, baseados em tempo de serviço e diplomas - um professor com 40 horas/aulas ganha, no final da carreira, cerca de R$ 3.100 mensais. A educação é apontada como uma das áreas mais vulneráveis da gestão do PSDB em São Paulo - a imensa maioria dos alunos sai do ensino médio sem saber ler e escrever adequadamente.

Neste ano, foi lançada a obrigatoriedade para que todo professor que passe no concurso tenha de ficar pelo menos quatro meses estudando até ir para sala de aula.

(Folha de S.Paulo)

Resposta a um ânonimo

1. Vc. faz uma análise errada, quando coloca ALCILENE e LUZIELE num mesmo saco. Existem grandes diferenças entre elas. A Prof. Alcilene, é guerreira, sempre pautou suas administrações com transparência prestando contas trimestralmente de suas ações, nunca deixou os associados sem notícias das contas do sindicato (...);

Anônimo, no texto 2, o senhor foge ao assunto, porque a questão não é prestar conta a cada três meses. Eu não me refiro a isso. Eu me refiro a uma auditoria, e isso o senhor reconhece em seu primeiro.

2. Vc ja teve provas da honestidade dela, quando vc procurou fazer uma reportagem sobre a auditoria do SINTEAC e ela colocou todo o setor financeiro daquele sindicato para vc fazer suas pesquisas. E o resultado vc não teve coragem de publicar. faça uma reflexão e não agrida a imagem de uma pessoa honesta, distorcendo os fatos e a comparando com pessoa sem escrúpulos e alto egocentrista.

Anônimo, o senhor não leu a matéria que publiquei no jornal "Folha do Acre" e em meu blogue. Não publiquei em outros jornais porque fui impedido. O senhor não leu, mas eu publiquei a matéria sobre a auditoria nas contas do Sinteac. Ninguém está agredindo aqui, estou é afirmando que Alcilene e Luziele assemelham-se porque não submeteram suas contas a uma auditoria, e isso o senhor mesmo reconhece.

3. (...) é muito natural, não é caro professor? mas vc. deveria fazer as devidas comparações honestamente e não políticamente. A professora Alcilene fez auditoria no SINTEAC e foi severamente punida e perseguida e não me lembro de que vc. tenha saído em defesa da professora. não escreveu uma linha sobre a sua dignidade em denunciar os desmandos do SINTEAC. vc. não pode falar que a ALCILENE não fez prestações de contas no SINPLAC, pois a mesma publicava no informativo do SINPLAC todos os movimentos financeiros do sindicato. é indigno, vc comparar a ALCILENE com a LUZIELE. a ALCILENE tem história no sindicato, é digna , honesta e não merece ser tratada como farinha do mesmo saco, como vc fez.

Anônimo, publicar informativo não se equivale a uma AUDITORIA.

4. Quem mandou as notas não foi o Prof. Edileudo. EU, não quiz criar nenhuma polêmica sobre o caso. Não entenda assim.apenas queria e quero deixar claro que a Prof. ALCILENE GURGEL nunca em sua história em defesa do sindicalismo, praticou alguma ilegalidade. E a sua resposta, insistindo em uma auditoria, leva-nos a pensar que vc. tem alguma acusação a fazer e não a torna público. Se tem alguma coisa contra a PROF. ALCILENE, torne público, de conhecimento a nossa categoria. Agora ficar lançando indiretas, não é legal. e muito menos compará-la à LUZIELE é um absurdo. É a treva. Até onde sei vc. tem respeito pelo trabalho da prof. ALCILENE, que houve para atacá-la desta forma vil. Reflita mestre. DEUS castiga o "iníquos".

Anônimo, não não sou de lançar indiretas, apenas é fato que as duas não submeteram o sindicato a uma auditoria. É só isso, nada mais, entendeu? A comparação relaciona-se a ausência de auditoria.

Em uma campanha, não posso escrever aqui que uma é indigna e que outra é honesta. Prefiro trilhar o caminho das ideias. No caso de uma auditoria, as duas negaram esse procedimento em suas contas. Isso não é acusação, é um fato.

Espero ter sido claro para que minhas palavras não sejam deformadas pela dipersão de sua argumentação.

sexta-feira, julho 31, 2009

O Sinplac não foi criado para isso

Marcada para 30 de setembro, a eleição do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre tem duas candidaturas: a da atual presidente, professora Luziele; e a da atual vice, professora Alcilene.

Criado por causa dos erros do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac), o Sinplac comete erros semelhantes e não aponta caminhos opostos do concorrente. Um erro, as brigas internas entre Luziele e Alcilene.

Quando a professora Rosane foi a primeira presidente, disse-lhe que ela deveria buscar um caminho que propusesse uma nova organização sindical para, por exemplo, escolher seus representantes. Em vão.

O processo eleitoral não pode ser o atual, porque ele acirra conflitos pessoais, empobrecendo a democracia sindical. Como a professora Rosane não se antecipou aos fatos, eles, hoje, apresentam-se em forma de acusações mútuas entre as professoras Luziele e Alcilene.

As duas estão erradas

Duas mulheres que não ergueram um Sinplac oposto ao modelo sindical criado pelos homens. Antes de sair do sindicato, a professora-presidente Alcilene não submeteu o Sinplac a uma auditoria, deixando, segundo a oposição, uma dívida de R$ 80 mil.

A professora Luziele sempre seguiu esse caminho errado. Em sua segunda gestão, jamais permitiu uma auditoria em sua administração. Nesse sentido, assemelha à gestão anterior.

Dinheiro de terceiro deve ser administrado com muita clareza, por isso existe auditoria. Não promover uma fiscalização imparcial e ética nas contas do Sinplac representa para mim uma desonestidade daqueles que administram o dinheiro dos outros.

Na condição de filiado, tenho o direito de saber o que fazem com a minha contribuição mensal.

Um procurador público pode...

terça-feira, julho 28, 2009

E a auditoria no Sinplac?

A presidente do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), professora Luziele Alvez Dias, candidata-se pela terceira vez para continuar na função. Até hoje, não houve uma auditoria nas contas do sindicato.

Como filiado que paga ao sindicato, eu deveria saber o que ocorre com o (meu) dinheiro administrado. Não submeter o Sinplac a uma auditoria é cair no mesmo erro do Sinteac. Luziele, nesse sentido, não aponta um caminho novo, reproduz o mesmo engano.

A eleição está marcada para 30 de setembro.
Lamentável.

domingo, julho 26, 2009

O exibicionismo de uma classe social

De Aldo Nascimento
Fotos de Debora Mangrich

Ontem, sábado, dia 25 de julho, abriram-se as porteiras da Expo-Acre com a tradicional calvagada. Donos de vastas terras bovinas, fazendeiros com suas famílias ricas e empresários ao galope do lucro exibiram as marcas da pecuária na avenida que leva o nome - que ironia! - Chico Mendes.














Por essa avenida, jamais assistiremos ao desfile do seringueiro. Em seu lugar, o pecuarista, o dono da festa, atravessa Chico Mendes com seus cavalos, caminhões, quadriciclos e caminhonetes em nome de uma festa que não é popular, por isso o povo humilde, à margem da avenida, só assiste à opulência daqueles que ostentam poder. Pobre não desfila a cavalo.









Quem conhece a avenida Chico Mendes sabe que se trata de um corredor de bairros periféricos e, justamente através desse corredor, os ricos pavoneiam-se com seus chapéus caros, suas botas de couro, suas calças bem-justas com seus cintos de cowboy. O pecuarista é country. Ele não tem nem o linguajar do homem do interior acriano.
Nesse momento, à margem da avenida, os pobres do Taquari não desejam justiça social, mas tão-somente o desejo (reprimido) de consumir a moda country. Ricos não só exploram - seduzem.

Quando a Expo-Acre chega a cavalo, lojas de roupa não expõem a moda seringueiro em vitrinas de Rio Branco, mas a moda norte-americanizada do pecuarista country. Seringueiro não tem bens culturais que possam circular em forma de roupa. Seringueiro tem museu, símbolo de sua imoblidade cultural.

Por causa disso - e mais -, não existe a Expo-Acre do seringueiro e, se não existe, ele não desfila na avenida Chico Mendes. O seringuerio não tem nada para mostrar, a não ser o seu museu, seu túmulo.

Muitos podem ver a Expo-Acre como uma festa - o deputado Moisés Dinis (PC do B) a viu, por exemplo, como festa popular -, mas eu a vejo com o lugar onde se sepulta um outro mundo rural - o do caipira, imagem oposta à do homem cowboy.








Em Xapuri, porque o gado se alimenta em reserva extrativista, os ideais de Chico Mendes pastam em uma reserva que leva seu nome. A festa do boi de rodeio não deixa de ser menos nociva do que um gado em uma reserva, porque, por meio dessa festa, o pecuarista country, sabemos, não derruba a floresta, mas substitui o homem rural caipira pelo homem rural das botas de couro, das calças com cinto e fivela, da música das duplas sertanejas.








A Expo-Acre é um processo de aculturação do homem simples do interior, uma forma alegre de se esquecer do caipira.

sábado, julho 25, 2009

"Feche a matraca, Carioca!"











Deputada comunista manda
Carioca (PT) fechar a matraca

Texto de Gleiciane Cunha

"Está na hora dele fechar a matraca e falar apenas do que conhece, porque de Cruzeiro do Sul esse nosso amigo não conhece nada", declarou ao jornalista Mariano Maciel, em entrevista nessa quinta-feira, a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Ela referia-se ao assessor do governo estadual, Nepomuceno Carioca.

Ele teria dito a um jornal de Rio Branco que "não há estado de direito em Cruzeiro do Sul", segundo o assessor "o Partido dos Trabalhadores sofre represálias no município, porque cobra dos comerciantes o imposto devido".

"As pessoas precisam conhecer melhor Cruzeiro do Sul. Saber como os empresários de lá dão duro, e a população se esforça para que a cidade evolua", disse. Perpétua lembra que "há algum tempo uma deputada do PT (Naluh Gouveia) disse que na região de Cruzeiro do Sul a droga corria solta, e que as pessoas enriqueciam a custa de (venda) de drogas". Indignada ela conta que "dessa vez também um dirigente do PT diz que no município não existe estado de direito. Acho isso um absurdo" afirma a deputada.

Para a parlamentar, a cidade não pode ser avaliada mediante aos fatos que ocorrem com algumas pessoas. "Porque um ou outro têm problema com a justiça, não se pode achar que todos têm o mesmo problema". Na sua opinião, a declaração de Carioca é uma falta de respeito, porque, segundo avalia, "aquela região tem um povo batalhador, que vive em uma área isolada do estado do Acre e até do país, e que luta para sobreviver e sustentar seus filhos".

Perpétua garante que a opinião de Carioca não é a mesma da Frente Popular (união de partidos que apóiam o governo estadual). "Esse cidadão deveria vir a público pedir desculpa às pessoas, e falar apenas do que conhece. Estamos todos unidos para melhorar Cruzeiro do Sul. O que queremos é unir esse estado de ponta a ponta", finaliza. De acordo com a comunista, a conclusão da estrada (referindo-se a BR-364) que liga Cruzeiro do Sul a capital, está prevista para 2010.

sexta-feira, julho 24, 2009

A turma A fora da pauta sindical













1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40.

Quarenta alunos. Eu disse, 40. Em uma sala de aula, QUARENTA jovens. Em 2010, com o fim da semestralidade, teremos 40 multiplicado por 4 turmas, ou seja, 160 alunos. Há também multiplicação por 5, total , 200 alunos. Contemos.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118, 119, 120, 121, 122, 123, 124, 125, 126, 127, 128, 129, 130, 131, 132, 133, 134, 135, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 142, 143, 144, 145, 146, 147, 148, 149, 150, 151, 152, 153, 154, 155, 156, 157, 158, 159, 160, 161. 162, 163, 164, 165, 166, 167, 168, 169, 170, 171, 172, 173, 174, 175, 176, 177, 178, 179, 180, 181, 182, 183, 184, 185, 186, 187, 188, 189, 190, 191, 192, 193, 194, 195, 196, 197, 198, 199 e 200.

Imagine esses números transformados em estudantes entre 14 e 18 anos. Imagine ainda o professor de Português corrigindo 200 redações em um domingo, em sua casa. É possível haver qualidade de ensino (escrever) com esses números?

Sinteac &
Sinplac nunca colocaram em suas pautas 15 ou 20 alunos por sala, por quê?

Professores, subvertamos a ordem injusta imposta pelo poder, declarando a impossibilidade de lecionar Produção de Texto em sala por causa de 40 x 5= 200. A máquina deseja nos moer.

Professores de Língua Portuguesa, uni-vos!


Do Anônimo

O Anônimo, quando pode, deixa boas mensagens neste blogue. Leia esta dele:

Professor quero parabenizá pelo o seu blog. Espero que este canal de comunicação possa nos ajudar a desvendar o ministério da compra de um terreno pelo SINPLAC no valor R$ 80.000,00 sem o conhecimento e sem a autorização dos filiados, num local inadequado e fora do valor de mercado. Nos ajude a desvendar esse mistério.

Se isso for verdade, os filiados devem exigir que a atual presidente, antes de deixar seu cargo, submeta o sindicato a uma auditoria para que os verdadeiros números apareçam.

Por falar nisso, onde fica esse terreno?

quinta-feira, julho 23, 2009

Progresso

Estradas e pontes. Ruas asfaltadas. Pavimentação. Sobre esse chão, mercadorias e mais mercadorias. Políticos dizem que isso é progresso. Mercadorias. Televisões cruzam o Estado.
Que engano relacionar progresso a objetos. Progresso não está no aparelho de TV. Progresso é a programação a que assistimos.

quarta-feira, julho 22, 2009

O panfleto do Sinplac
















Não sou de ir a assembleias de sindicato. Às do Sinplac, poucas vezes. Se houvesse um encontro amplo sobre jornalismo sindical, o Sinplac teria minha presença para ouvir e sugerir ideias.

A questão, entretanto, é que jamais irei porque o Sinplac é incapaz de perceber a importância desse assunto.

Como não percebe, limita-se a gastar dinheiro (meu) com panfletos esporádicos. Como sabemos, por sua natureza, o panfleto apequena o jornalismo sindical.

Segundo a contabilidade do Sinplac, verba existe, o que não existe é ideia para formar uma equipe (muito criativa) e equidistante do aparelho sindical.

Criticam tanto o governo, mas falta autocrítica para novos caminhos esse jornalismo.

segunda-feira, julho 20, 2009

A entrevista do Carioca

Li com muita atenção a entrevista que o assessor político do governo do Acre, o Carioca, concedeu à TRIBUNA. Conheço Carioca desde 1993, quando participei de um congresso estadual do Partido dos Trabalhadores.

Quando vi esse acriano se expressando, logo percebi que eu estava diante de um petista arrogante, vaidoso, pedante, ou seja, diante de um ser político interessante. Ele tem suas falhas, mas bate um bolão por ser muito ético.




Hoje, mais velho, ele não perdeu o charme de ser um exímio provocador. Diante dele, a oposição e os sindicalistas não passam de Pateta.


Por causa de uma parte da entrevista, a oposição na Assembléia Legislativa espalha que Carioca falou contra o povo sul-cruzeirense. Sempre o apelo sentimentalesco.

Como me considero uma pessoa um pouco alfabetizada, Carioca afirmou na entrevista que, em 1999, comerciantes de Cruzeiro do Sul pagavam menos imposto à prefeitura do que o supermercado Araújo arrecadava. Ele disse comerciantes, não o povo.

Ele citou o exemplo dos taxistas. Impostos, eles não pagam à prefeitura. Em Cruzeiro do Sul, táxi não tem taxímetro.

Carioca, na entrevista, não fala contra acrianos humildes de Cruzeiro do Sul- é só ler o texto -, mas contra os que possuem poder econômico e político, contra os que não pagam impostos.

Não desvie a conversa, oposição.

sexta-feira, julho 17, 2009

O senador e este blogue

Escrito pelo assessor do senador Tião Viana (PT), jornalista Tião Maia, o texto é uma consequencia do que escrevi neste blogue sobre "a conta mexicana de telefone" e sobre "a entrevista do senador na revista Veja".

O senador reconheceu seu erro - e isso é nobre. O senador José Sarney não admitiu um só, e olha que são muito mais graves. Quando vejo um Sarney ainda no Senado como se fosse imortal, compreendo que o jogo político ultrapassa o maniqueísmo do P-SoL. No poder, o PT não pôde ser maniqueísta, mas é preciso haver limites. Não pode ser refém de um vale-tudo.

Na Veja, o senador, bem mais do que criticar o vale-tudo do presidente Lula, publicou sua autocrítica, o PT olhou para si mesmo. Isso falta às vezes no PT acriano e na Frente Popular. No campo educacional, por exemplo, o PT acriano não promove grandes encontros com a sociedade civil ou com os atores da educação. Em termos de imprensa, o PT não deixou a marca da diferença, usando-a apenas como propaganda para suas realizações.

Não senti em meu estômago aquele Acre do "Sopão enche o Bucho", mas muitos pobres comeram aquela gororoba. Quando posso, meus olhos visitam jornais antigos. Em minha casa, guardo muitos.

O PT não distribui sopão, tudo bem, porém outros erros. Um deles: pensão vitalícia para ex-governadores. Sobre isso, um silêncio. Embora reconheça isso e outras coisas, ainda sim, opto pelo PT nas próximas eleições. Não gosto de sopão. Não gosto desse passado.

Contradição não é erro.

Abaixo, o texto do assessor do senador Tião Viana.
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Professor Aldo Nascimento;

De ordem do excelentíssimo senhor Senador Tião Viana (PT-AC), venho, por este, manifestar sinceros agradecimentos por seu comentário, no Blog que leva sua assinatura, em texto datado de sete de julho de 2009, no qual Vossa Senhoria, ainda que tecendo críticas sobre possíveis erros de Sua Excelência, manifesta pubicamente preferência pelo nome do Senador numa eventual disputa para o Governo do Estado nas eleições do ano que vem. Embora o debate sobre o assunto não tenha sido aberto, principalmente no âmbito próprio, o Partido dos Trabalhadores, o senador manifesta alegria por declarações como aquela sobretudo por reconhecer tratar-se de uma manifestação de um profissional conhecedor da realidade local e nacional, e por isso, em caso de vir a ser de fato o candidato ao Governo, espera poder continuar contando com sua lucidez e solidariedade nas lutas por um Acre melhor para todos quantos amamos este lugar e sua gente. No mais, um forte abraço e nos colocamos à disposição no endereço seguinte: Travessa Guaporé, número 67, Bairro da Cerâmica, com o telefone 3226-5607.

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terça-feira, julho 14, 2009

Em defesa de Brasiléia

Acho um absurdo injusto a Academia Acreana de Letras e a deputada federal Perpétua Almeida (PC do B) defenderem somente a grafia "acreano", permanecendo indiferentes a "Brasileia". Precisamos lutar contra a falta de acento em Brasileia.

Segundo a nova ortografia, palavras paroxítonas com ditongos (-ei) e (-oi) não são mais acentuadas, por exemplo, ideia, diarreia, paranoico, Brasileia. Sem esse acento, Brasileia não será a mesma, seu povo perderá sua identidade, sua história.

Apresentarei um documento ao professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, para expor a importância social, política, cultural e econômica do acento ( ´ ) em Brasiléia.

domingo, julho 12, 2009

O índio em Mâncio Lima

O texto abaixo foi publicado na Folha de São Paulo, caderno Mais!, ou seja, a escrita é conforme o jornalismo. Por causa disso, o jornal registra idioma poianaua e não idioma Poyanawas ou aldeia Poyanawas.
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Com apenas uma falante fluente, o idioma poianaua
é em sala de aula para que próximas gerações possam reutilizá-lo

LUIZA BANDEIRA
ENVIADA ESPECIAL A MÂNCIO LIMA (AC)

Parecem intermináveis os 30 segundos em que Railda Manaitá, 79, interrompe a conversa para tentar lembrar, em silêncio, como se diz "bananeira" em poianaua. Para qualquer um, seria um "branco" trivial. Mas, quando uma língua tem só três falantes, uma palavra esquecida é mais do que isso.

Railda olha para cima e se concentra. A insistência traduz o espírito dos poianauas: em um esforço conjunto, o grupo indígena tenta recuperar um idioma que foi proibido há quase cem anos e resgatar, com isso, uma identidade que parecia perdida.

A tarefa é árdua. Até hoje, a única história conhecida de língua que ressurgiu é a do hebraico, que perdeu seu uso durante a diáspora judaica e ficou restrito às cerimônias religiosas por cerca de 1.800 anos. Foi recriado como língua oficial em Israel.

O poianaua começou a desaparecer por volta de 1910, quando os índios foram sequestrados e escravizados na extração de borracha. A primeira providência dos seringalistas foi proibir o uso do idioma indígena e criar uma escola para que todos aprendessem o português.

Quem falava poianaua era castigado. Tinha os olhos furados, dentes e unhas arrancados e era açoitado, de acordo com o linguista Aldir de Paula, da Universidade Federal de Alagoas. "Os patrões foram inteligentes. É pela língua que existe controle social", diz.

Nos últimos 20 anos, morreram quase todos os falantes da língua, que eram crianças à época do contato. Após a escravização, os índios passaram a ter vergonha do idioma, que ficou quase esquecido.

Hoje, os cerca de 500 índios poianauas vivem onde funcionava a fazenda, em Mâncio Lima (AC), quase na fronteira com o Peru. Quem ainda fala a língua aprendeu escondido: além de Railda, seu irmão, Luiz Manaitá, 85, e o ex-cacique Mario Puyanawa, 65. Mas Railda é a única que ainda é fluente na língua.

DesobediênciaCriança nos anos de maior repressão, ela só lembra de ouvir falar na proibição uma vez. "Mas minha mãe não obedecia." Em casa, longe dos olhos dos patrões, Joana Manaitá continuava a falar poianaua. Foi devido a essa desobediência da mãe que ela e o irmão, Luiz, aprenderam o idioma.

Railda aprendeu a falar observando os mais velhos. Pegou os parentes de surpresa. "Ela vai falar nossa língua", comemoraram quando pronunciou as primeiras palavras, conta Railda, repetindo a frase em poianaua.

Mas a transmissão cessou aí. Nenhum filho de Railda aprendeu a língua. A neta Joana, 31, diz que não aprendeu porque, quando era criança, a identidade indígena não era valorizada. "A gente sabia que era índio, mas isso não mudava nada. Ninguém queria aprender poianaua".

Foi somente com o início do processo de demarcação da terra que a cultura poianaua começou a ser valorizada. Em 2002, um ano após o reconhecimento pela Funai [Fundação Nacional do Índio], a escola local passou a se chamar Escola Estadual Ixubãy Rabuy Puyanawa e adotou um modelo de ensino que valoriza a cultura indígena.A partir daí, o local criado para destruir o poianaua se tornou o principal foco de resistência à extinção do idioma.

A escola vai do ensino infantil ao médio. Todas as manhãs, os 232 alunos respondem à chamada em poianaua e dançam músicas indígenas. Eles aprendem nomes de animais, de partes do corpo, números e frases simples em poianaua.

O conteúdo das disciplinas é traduzido pelo professor Samuel Puyanawa, filho de Mario, de quem herdou um caderno com anotações em poianaua. Nas aulas de matemática, por exemplo, os nomes dos números são ensinados também em poianaua.

Mas, apesar do esforço, os resultados ainda são limitados. Nenhum aluno consegue manter um diálogo na língua. Uma gramática está sendo produzida, mas o sucesso do projeto dos poianauas ainda depende de Railda. Só ela sabe, por exemplo, a entonação das palavras.

ComplexidadeMorador da aldeia, Jósimo Constante, 20, fala inglês e espanhol e tenta aprender o poianaua. "Mas a lógica é bem mais complicada". A complicação à qual se refere é reflexo de um sistema linguístico que traduz uma forma diferente de enxergar o mundo. São essas riquezas, escondidas na diversidade dos idiomas, que desaparecem quando morrem as línguas. No poianaua, por exemplo, existem quatro formas diferentes de falar "nós": uma que inclui somente o interlocutor, outra para um grupo que não o inclui, uma terceira que inclui o interlocutor e todos os presentes e uma que significa todos os seres, todas as criaturas.

Tantas palavras para "nós" são reflexo da importância do coletivo para a etnia. "Eles fizeram várias assembleias até decidir escrever a língua e ensiná-la na escola. Levou muito tempo", diz a pedagoga Maristela Walker, da Universidade Federal do Acre.

Os poianauas sabem que também vai levar muito tempo até o projeto de recuperação dar resultado. Como os pais não falam, as crianças não têm como usar o conhecimento adquirido na escola em casa. Por isso, ninguém espera que os alunos comecem a falar a língua naturalmente.

"A ideia é que eles cresçam e ensinem o idioma para os filhos", diz a diretora da escola, Olinda dos Santos, 49.Mas paciência não parece ser problema para os poianauas. Depois de intermináveis segundos, Railda Manaitá lembra da palavra: "xiku", diz, aliviada. E volta a contar suas histórias.

Espetáculo da depressão



Maria Rita Kehl analisa os imperativos do consumo,
que negam ao sujeito o tempo necessário para se constituir

JURANDIR FREIRE COSTA
ESPECIAL PARA A FOLHA

"O Tempo e o Cão - A Atualidade das Depressões", de Maria Rita Kehl, é um livro empolgante. A leitura do trabalho é extremamente agradável, dada a qualidade literária da escrita da autora. Não se engane, entretanto, o leitor. A leveza do que é escrito é inversamente proporcional à densidade do que é dito. As numerosas referências conceituais mobilizadas e as hipóteses sustentadas exigem atenção e tempo para compreender. Portanto, qualquer resenha -inclusive esta- pode apenas fazer reverberar alguns aspectos da riqueza do tema abordado. É pouco, mas é o possível.

Maria Rita retomou o problema da depressão contemporânea pelo viés mais árduo: fazer [Jacques] Lacan dialogar com [Donald] Winnicott -dois herdeiros de Freud supostamente avessos um ao outro- e trazer a cultura para o interior da subjetividade. Como instrumento de análise, uma distinção nosológica e três grandes noções operativas: a distinção entre melancolia e depressão e as noções de gozo, tempo e vazio.

A descrição da melancolia, diz ela, permanece marcada pela tese freudiana da perda do objeto e do ataque ao próprio Eu, identificado em parte com o objeto perdido amado e odiado. Os sintomas melancólicos seriam, de um lado, a expressão da agressão ao Outro internalizado e, de outro, a resposta sintomática ao desinteresse do Outro pelo sujeito.

O fantasiado desinteresse é interpretado como sinal da vacuidade ou nulidade libidinal do indivíduo, donde a contrapartida do desinvestimento no mundo. O correlato cultural dessa organização psíquica seria o ethos da modernidade e da civilização burguesa oitocentista. A partir dos ensaios de Walter Benjamin sobre o barroco e sobre o mundo oitocentista de [Charles] Baudelaire, Maria Rita busca mostrar como a ordem socioeconômica reduplica, no nível simbólico, a vivência de superfluidade melancólica potencialmente inscrita em todos nós.

A depressão contemporânea é outra coisa. O deprimido, nesse caso, não sofre pela omissão do Outro, mas por sua intrusão. O protótipo desse tipo de trauma é a situação da mãe ansiosa ou obsessiva, que afoga o filho em cuidados constantes e excessivos. Como consequência, a criança não pode experimentar a falta -desilusão, na terminologia de Winnicott- que o leva a recriar na fantasia o objeto da carência, condição "sine qua non" da existência de seu desejo.

Assim, onde o desejo deveria advir, surge um arremedo de resistência ao gozo do Outro na forma passiva e reativa do esvaziamento de si. Essa predisposição se repete na etapa edipiana de rivalidade com o pai e redunda no retraimento do sujeito diante da vida pública ou privada. A montagem depressiva, assim, tem como premissa a onipresença do gozo do Outro, que sonega ao sujeito o tempo necessário à substituição metafórica ou metonímica do objeto ausente.

Tempo angustianteDe forma breve, faltou desilusão no passado; sobra desesperança no presente. Sem tempo para desejar, o sujeito se rende à louca injunção do supereu lacaniano: "Goza! Não goza!". Goza para não desejar; não goza para que o Outro goze. Essa é a alavanca que Maria Rita aciona para passar do registro pessoal ao registro cultural, pois os filhos do Outro invasivo são a versão psicanalítica do que [o pensador e cineasta francês] Guy Debord chamou de "filhos do espetáculo".

Na sociedade do espetáculo, o Outro da publicidade também assedia o sujeito com imagens da felicidade do consumo, sem deixar-lhe tempo para elaborar as perdas ou fruir os ganhos da vida. Mães atribuladas, pais privados de autoridade simbólica, sujeitos mesmerizados pelas promessas do estilo de vida drogado, todos vivem angustiadamente correndo contra o tempo ou paralisados na atemporalidade da depressão.

Em suma e em bom português, o tempo depressivo do espetáculo é, verdadeiramente, um tempo de cão. Como o tempo do filme "Corra, Lola, Corra" ou o de Jack Bauer [herói de série televisiva americana] e suas 24 horas. Contra isso, lembra Maria Rita, tempo é memória; memória é desejo e desejo é sujeito. Nem derrotista, nem ufanista, ela afirma que recobrar o direito ao tempo é restaurar a dignidade do desejo e a alegria de sentir que a vida vale a pena ser vivida. Pode-se pedir mais de uma psicanalista?

JURANDIR FREIRE COSTA é psicanalista e professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É autor de "História da Psiquiatria no Brasil" (ed. Garamond), entre outros livros.

O TEMPO E O CÃO
Autora: Maria Rita Kehl
Editora: Boitempo (tel. 0/xx/11/3875-7250)
Quanto: R$ 39 (304 págs.)

sábado, julho 11, 2009

A chave da Biblioteca Estadual













Marcado com bastante antecedência, meus alunos chegaram à Biblioteca Estadual às 9h50 para assitir ao filme Escritores da Liberdade. A película começaria às 10 horas. Quando as portas se abriram, o relógio marcava 10h50.

Durante uma hora, os alunos esperaram por um objeto importantíssimo: a chave. Uma hora à espera do responsável pela chave, sr. Tota.

Assisto a filmes com meus alunos desde 1998 e sempre com ajuda de Tonivan, excelente pessoa que trabalha na Biblioteca Estadual até hoje. Em todo esse tempo, 11 anos, Tonivan jamais deixou de abrir a porta na hora certa, época em que a filmoteca não era tão confortável como hoje.

Reformada, com ambiente semelhante à cinema, muito confortável, a filmoteca foi aberta uma hora depois, e tudo isso porque uma só pessoa é responsável pela chave. Inacreditável. De quem foi a ideia centralizadora de deixar a chave com uma pessoa que não aparece?

Se for para deixar com um funcionário, deixem com Tonivan.

quinta-feira, julho 09, 2009

Freud na rádio

Talvez, na próxima segunda-feira, dia 13, a voz de Freud seja ouvida na rádio Gameleira (104.9), às 18 horas.

Evidente que não me refiro ao autor de Mal-Estar da Civilização, mas ao jornalista da TRIBUNA, o Freud Antunes.

O nome de seu programa? Freud explica. Essa, eu vou querer ouvir no divã.


Quem fará a autópsia do corpo sindical?

Há muito tempo, critico o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) e, recentemente, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Quando surgiu o Sinplac, escrevi uma matéria no jornal Página 20 com 0 título "o fim do monopólio sindical". Na época, pensei que o hoje Sinplac fosse apontar novos rumos, mas os tolos vivem de ilusões. Enganei-me. Mulheres que sempre organizam o Sinplac cometem os mesmos erros dos homens sindicalistas. Elas também perderam o mouse da história.

Nietzsche disse que Deus está morto. Fukuyama afirmou que a história acabou. E os sindicalistas acrianos não sabem que o atual modelo sindical não passa de um cadáver. Quem fará a autópsia? quem terá coragem de tocar em suas vísceras? quem leverá esse corpo à análise?

Enquanto esse dia não chega, esse cadáver, que pensa estar vivo, assusta a inteligência de mortais.

Matéria de Freud Antunes

Trabalhadores da educação aceitam a proposta do governo

Os trabalhadores da educação aprovaram a proposta do governo do Estado na assembleia do final da tarde de ontem, no colégio estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Manoel Lima, a categoria aceitou o acordo, pois houve avanços nos quatro pontos que tinham sido contemplados em negociações anteriores, entre eles, o reajuste da área administrativa das escolas, ou seja, níveis 1 e 2.

“Conseguimos contemplar, também, os aposentados e os assessores pedagógicos, além da implantação do piso nacional de R$ 1.132 até para os professores temporários”, explicou o sindicalista.

Com o fim da mobilização trabalhista, os trabalhadores começam a receber os aumentos de forma retroativa, sendo a partir de 1º de janeiro para os professores que tenham apenas o nível médio e, a partir de junho, para o setor administrativo.

“O nível 2 terá os R$ 50 de abono, além de 5% de aumento e o reenquadramento em outra letra, tendo até o final do ano 15% a mais no salário, então a categoria está sendo contemplada”, afirmou Manoel Lima.