segunda-feira, abril 05, 2010

Que livro!

Cara, certos autores merecem nossos olhos, merecem nossa atenção. Seu texto exala um perfume poético incomum embora tenha sido escrito por um filósofo. Eu o conheci há oito anos, digo conheci no sentido de ler suas palavras.

Depois, em 2006, eu o reli. Deixei no livro marcas de minha leitura e, após quatro anos, meus olhos debruçaram-se outra vez sobre o parapeito de suas palavras para ver melhor a paisagem, o mundo, a vida.

Hoje, 2010, abro outra vez a janela. Sensual, envolvente, sensível, charmoso, meus olhos são seduzidos mais uma vez por ele, este francês, homem esguio que sabe ser fino com as palavras; que escritor, sim, seu nome, este: Maurice Merleau-Ponty. O livro, A prosa do mundo, de 1969.

Bom apetite!

Leia isto:

"Mas o livro não me interessaria tanto se me falasse apenas do que conheço. De tudo que eu trazia ele serviu-se para atrair-me para mais além. Graças aos signos sobre os quais o autor e eu concordamos, porque falamos a mesma língua, ele me fez justamente acreditar que estávamos no terreno já comum das significações adquiridas e disponíveis. Ele se instalou no meu mundo. Depois, imperceptivelmente, desviou os signos de seu sentido ordinário, e estes me arrastam como um turbilhão para um outro sentido que vou encontrar."

sábado, abril 03, 2010

A revolução petista faltou ao encontro

Muito acima de partidos e de militância, existem ideias que só desejam ser livres, porque não suportam as grades da obediência inútil ou as cadeias superlotadas da adulação. Como coro de anjos, jornalistas colocam a educação pública acriana nos céus. Mas anjos são mentiras.

Nesses 12 anos de Partido dos Trabalhadores no Acre, o PT não revolucionou a educação pública embora políticos da Frente Popular acreditem nisso. Mas é muito fácil crer nesse mito quando político não leciona em salas sem ares-condicionados e quando muito menos recebe salário de professor.

Tanto não revolucionou que seus filhos não estudam em escola pública. O modo petista de governar, nesses 12 anos, não deslocou os filhos da classe média ou dos políticos às salas do ensino público. Deputados e vereadores trabalham pouco e recebem muito para colocar suas crianças em ótimas escolas particulares daqui e fora daqui.

Neste ano, a inteligência humana se apequenará por causa da campanha política. Trata-se de um momento em que a vida perde sentido porque as boas ideias ficam suspensas, por exemplo, as boas ideias sobre educação pública.

E o PT acriano contribui para isso, deixando de pensar nisto:

1) Após 12 anos, o partido não colocou as escolas estaduais na rede de computadores, fazendo com que o professor lance nota como há mais de 50 anos;

2) O atual modelo de democracia escolar não escolhe o que é melhor para o erário, mas legitima conveniências de grupos que visam ao corporativismo e não ao bem público;

3) O tempo do aluno na escola deve ser integral;

4) Se o PT quer qualidade de ensino, deve pensar também que o professor com um contrato deve ter duas turmas, sendo que em cada turma deve haver no máximo 20 alunos;

5) Se educação é prioridade, um professor não pode iniciar sua carreira no Estado com menos de R$ 1.500,00 por mês, lecionando para 5 turmas;

6) É preciso criar na rede pública de ensino os conselhos de disciplina e de turma;

7) O PT precisa instituir nas escolas uma forma de os melhores alunos avaliarem seus professores;

8) Os cursos de aperfeiçoamento para professor são infecundos, impróprios, ineficientes, não passando de um gasto público desnecessário;

9) No lugar desses cursos, a escola de magistério, ideia criada pelo PSDB de São Paulo.

Narciso, olhando para sua própria imagem, diz que é belo. O PT é perfeito. A educação pública acriana é revolucionária.

Este blogue é que não sabe o que escreve sobre educação embora seu autor lecione na rede pública estadual há 12 anos.

quarta-feira, março 31, 2010

O Homem que eu Amava

De Aldo Nascimento

Nesses meus anos, jamais ouvi um homem afirmar que ama outro homem. Quando criança, quando adolescente, o sexo masculino aprende na rua a bater em outra criança, em outro adolescente.

Assim, pelas mãos rudes de ser macho, esculpimos em nós a negação do sensível. Entre homens, não se propaga “eu te amo”, por isso somos homens.

Entretanto, contra essa violência de “não dizer eu te amo”, exponho neste blogue o meu amor pelo Homem, entenda, não confesso aqui o Amor pelo “meu homem”, mas meu Amor pelo Homem, porque eu não amaria qualquer homem. O Amor, sabemos, exige qualidade.

O Homem a quem me refiro encarnava qualidades. Alto, corpulento, olhos azuis, a sua beleza, entretanto, não morava na casa das aparências ou na superfície vã de sua imagem. A lembrança eterna do Amor não habita na pele perecível mas nela: a Alma.

Que Alma grandiosa esse Homem tinha! Generosas como criança, suas mãos delicadas sempre se estendiam para acolher seu semelhante. Sempre.

Quando eu o conheci em 1992, ele apareceu no alojamento da faculdade de Cruzeiro do Sul para me convidar a almoçar em sua casa. Ofertar o alimento, eu o conheci como oferenda, como quem se oferece como amigo.

Ontem, recebi a notícia de que o Homem que eu amava faleceu. Existe o Amor de pai. Existe o Amor de filho. Existe o Amor de esposa. Existe também o Amor de amigo. O médico Matheus foi meu amigo-irmão, um ser humano raro, Homem por quem eu tinha carinho, ternura, respeito. Amor.

terça-feira, março 30, 2010

Soneto do Amor Total












Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

domingo, março 28, 2010

Melhor a tradição

No dia 21 de março, recebi uma aluna de uma escola pública acriana. Ela pediu transferência depois de um mês.

Olhei seu caderno e não havia sequer uma redação. No segundo do ensino médio, ela não tinha refeito um texto em sala.

Para não ficar só nisso, as aulas de literatura não têm relação com os atuais parâmetros curriculares. Li no caderno o nome Gonçalves Dias e suas características, e chamam isso de literatura. Pior ainda é que a escola, dizem, é modelo.

A aluna sai de uma escola e, quando entra em outra escola pública, percebe que não há relação de conteúdo entre as duas unidades de ensino. O sistem não funciona.

Se é para permanecer assim, melhor retornar ao modelo clássico de currículo formal.

sábado, março 27, 2010

Renato, o Russo

Neste domingo, irei a muitas igrejas para pedir a Deus que devolva a certos jovens o bom gosto musical. Perderam o paladar auditivo, por isso ouvem os ruídos de Cavaleiros do Forró, de Calcinha Preta, de Dejavu, de Aviões do Forró. Que o Senhor tenha piedade de seus tímpanos!!!

Creio que esse mau gosto ou mesmo a falta dele é coisa do diabo, só pode ser. O tinhoso se apossa da audição e, no interior do ouvido, age em nome de um horrendo pecado sonoro.

Oremos! Rezemos!
Para que o mal saia de seus tímpanos, para que a salvação eleve e leve-os a boas letras, a bons ritmos, a boas harmonias, peço ao Senhor que neste dia esses jovens sintam as letras de Legião Urbana na voz inconfundível dele, Renato Russo, que hoje chegaria ao mar inquieto de seus 50 anos.

Saia, diabo, desses ouvidos porque eles não te pertencem!

terça-feira, março 23, 2010

De objeto a signo

Lembro-me das aulas de gramática em minha adolescência. Lá estavam os termos em condições de sujeito, de objeto direto preposicionado. Analisávamos. Classificávamos. Estudar a língua portuguesa assemelhava-se à matemática: analisar.

Analisávamos porque as palavras eram objetos, não pertenciam à vida, ao sentido. Distantes de nós, elas eram sujeitos e predicados, porém sujeitos e predicados não existiam nas ruas, em casa, nos livros, nas poesias de Drummond; sujeitos e predicados existiam somente na escola.

Revisitando Proust e os Signos, de Gilles Deleuze, onde os signos não são objetos, o autor me diz que "alguém só se torna marceneiro tornando-se sensível aos signos da madeira". Em Deleuze, a arte e a filosofia, Roberto Machado abre ainda mais meus olhos quando afirma que "o sentido, ou a essência, vive enrolado no signo, no que nos força a pensar, e só é pensado quando somos coagidos ou forçados".

Escrever jamais foi sujeito oculto.

domingo, março 21, 2010

A bebida dos deuses

O caderno Mais!, da Folha de São Paulo, publicou um ótimo texto sobre ayahuasca. Leia-o!

A viagem
Autora de "Fumaça Negra", musicóloga Margaret de Wys diz que os médicos não acreditam que tenha se curado com hoasca; feito de cipó e arbusto, chá alucinógeno lança altas doses de serotonina no sistema nervoso central

A hoasca confere status de realidade às experiências interiores

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

O poder da ayahuasca sobre a vida de uma pessoa pode ser devastador -em geral, para o bem. A americana Margaret de Wys que o diga. Depois do contato com a bebida alucinógena originária da Amazônia, conhecida no Brasil como hoasca, sua carreira de compositora sofreu um baque e o casamento acabou, mas ela se curou de um câncer de mama.

O tumor havia sido diagnosticado em 1999. Com simpatia pelo xamanismo, De Wys (pronuncia-se "di uaiz"), rumou para a Guatemala. Queria buscar uma cura entre os participantes de uma cerimônia maia de caráter ecumênico, com curandeiros de vários países. Ali encontrou o equatoriano Carlos e, por suas mãos, a hoasca.

"Eu enxergo dentro de você -suas veias, seus órgãos, seu sangue, suas células", anunciou-lhe Carlos, da etnia shuar (ou jivaro), na cerimônia em que beberam o preparado do cipó Banisteriopsis caapi e das folhas de Psychotria viridis.

"A fumaça negra está presa em seu peito. Venha para o Equador e eu a curarei."

"Black Smoke - A Woman's Journey of Healing, Wild Love, and Transformation in the Amazon" (Fumaça Negra, ed. Sterling, 240 págs., US$ 19,95, R$ 36) é o título do livro que a professora do Bard College, de Nova York, publicou há um ano sobre "a jornada de cura, amor selvagem e transformação de uma mulher na Amazônia", como diz o subtítulo.

"Carlos" é um nome fictício que ela deu, na obra, à sua paixão sul-americana. Após a publicação, De Wys passou a organizar pequenos grupos de americanos para conhecer os poderes do shuar (a primeira viagem, em fevereiro, tinha cinco pessoas).

Entre a Guatemala e o Equador, ela se submeteu a uma lumpectomia (retirada de tumor e tecidos adjacentes) nos EUA. Não seguiu, contudo, o tratamento prescrito pelos médicos americanos: seis semanas de radioterapia e cinco anos do antitumoral tamoxifeno.

"Fico aterrorizada com remédios ocidentais", diz, "por causa dos efeitos colaterais".

Todos os anos ela faz exames para verificar se o tumor voltou, e o resultado é sempre negativo. "Você não tem mais nada no peito, não enxergo nada", disse-lhe Carlos há poucos meses, durante sua última visita ao Equador.

"Nem eu", respondeu-lhe a compositora. "Mas os médicos não acreditam em cura."

Na iniciação com "natem" (nome shuar para a hoasca) há dez anos, porém, De Wys viu de tudo. Suas "mirações", como se diz entre praticantes brasileiros do Santo Daime e da União do Vegetal, incluíram entrar na boca de uma sucuri do tamanho de uma garagem.

Numa das alucinações, uma onça macho invadiu o corpo de Carlos, e outra, fêmea, o da americana. "O jaguar em Carlos era selvagem e brutal", contou De Wys à jornalista Roberta Louis em entrevista publicada pela "Bomb Magazine".

Hoje, sua relação com o equatoriano é estritamente profissional, ressalva.

Olhos bem fechados
O poder da hoasca sobre a mente deriva dos potentes alcalóides presentes no cipó B. caapi e no arbusto P. viridis empregados no preparo do chá.

O arbusto é rico na substância alucinógena dimetiltriptamina (DMT), que não tem efeito quando ingerido. Mas a DMT conta com a ajuda da harmina e da harmalina do cipó para chegar ao sistema nervoso central, onde juntas iniciam a subversão da consciência.

O mecanismo básico é uma inundação de serotonina, neurotransmissor com múltiplos e complexos efeitos no corpo e no cérebro.

Pessoas deprimidas, por exemplo, costumam ter baixos teores de serotonina. A fluoxetina (Prozac) consegue melhorar sua vida porque impede a recaptação (retirada) do neurotransmissor no espaço livre entre os neurônios, reforçando a comunicação entre eles.

Há uma tradição de pelo menos duas décadas de pesquisa sobre a hoasca no Brasil.

Uma equipe de dez neurocientistas da USP de Ribeirão Preto, do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e do Centro IBM JB Watson (Nova York) tem apresentado em congressos um trabalho com algumas revelações surpreendentes sobre a beberagem. Seis deles já experimentaram a hoasca.

Draulio de Araujo, Sidarta Ribeiro e seus colegas trabalharam com dez usuários frequentes do chá. Todos eram membros do grupo de Mestre Pelicano (irmão do cartunista Glauco) em Ribeirão Preto. O manuscrito tem o título "Vendo com os Olhos Fechados".

O grupo de pesquisa registrou imagens de atividade cerebral obtidas por ressonância magnética funcional durante tarefas visuais antes e depois da ingestão de 0,2 litro do chá.

A tarefa tinha três passos: contemplar uma imagem familiar por 21 segundos, depois fechar os olhos e imaginar a foto mostrada, e, por fim, olhar uma versão embaralhada da mesma imagem.

Três testes psiquiátricos padronizados avaliaram sintomas psicóticos, despersonalização/desrealização e sintomas maníacos dos participantes. Como era de esperar, todos tiveram aumento de sintomas depois de tomar o chá.

Todos também relataram aumento da capacidade de imaginação no segundo passo da tarefa, com as cenas tornando-se muito mais vívidas e reais -apesar dos olhos bem fechados. As áreas cerebrais mais ativadas estão associadas com a recuperação de memórias episódicas (fatos, lugares, pessoas), a ação intencional e o processamento visual.

Sua ordem unida, contudo, é reorganizada pela hoasca. Na vigília sem o chá, sensações interiores são intencionalmente interpretadas à luz de memórias e servem de base para a ação, a cada momento.

Revelações místicas
Sob a ação do chá, a imaginação chega ao poder, de certo modo, com a área visual primária (BA17) tomando a dianteira da ativação das áreas frontais envolvidas na vida consciente. Nessa sequência, as imagens compostas pela imaginação sem peias aparecem para a mente como fatos.

"A hoasca confere status de realidade às experiências interiores", resumem os neurocientistas. "É compreensível, portanto, por que a hoasca foi culturalmente selecionada ao longo de muitos séculos por xamãs da floresta tropical para facilitar revelações místicas de natureza visual."

"As mirações são tão reais quanto a percepção visual de elementos externos, pelo menos no que diz respeito à modulação observada no sistema visual primário", explica Draulio de Araujo.

"Foi uma baita surpresa", afirma Sidarta Ribeiro. "Esperávamos que as áreas frontais assumissem a liderança."

Tais conclusões, no entanto, "explicam" (aspas de Ribeiro, em comunicação por e-mail) como ocorrem as mirações, sem excluir nem confirmar interpretações místicas.

-----------------------------------------
No Brasil, a hoasca foi retirada em 1987 da lista de substâncias proibidas
É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína

-----------------------------------------

Na tradição de pesquisa sobre a hoasca, ganhou fama um artigo publicado em fevereiro de 1996 por cientistas brasileiros, americanos e finlandeses no periódico "The Journal of Nervous & Mental Disease".

Tinha como primeiro autor Charles Grob, da Universidade da Califórnia.

Era tudo de bom: 15 usuários do chá na União do Vegetal, comparados com 15 não usuários no grupo de controle, se mostraram mais reflexivos, leais, estoicos, frugais, ordeiros e persistentes. E ainda mais confiantes, relaxados, otimistas, despreocupados, desinibidos, enérgicos...

O estudo chegou a ser usado em tribunais americanos na batalha iniciada em 1999 por Jeffrey Bronfman em favor da legalidade da hoasca. Representante da União do Vegetal nos EUA e um dos herdeiros do império Seagram de bebidas alcoólicas, Bronfman teve três tambores da bebida confiscados como droga ilegal.

O caso só se encerraria em fevereiro de 2006, quando a Suprema Corte confirmou decisões anteriores determinando a devolução da hoasca e a legalidade de seu uso em contexto religioso.

No Brasil, a hoasca foi retirada da lista de substâncias proibidas em 1987, e a decisão sofre contestações desde então. No entanto, foi reconfirmada em 25 de janeiro deste ano pela resolução nº 1 do Conad (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas).

Apesar do reconhecimento da legitimidade do uso religioso do chá, parece haver consenso de que se trata, sim, de uma droga. "Certamente, como o LSD, a maconha, o álcool e o café", afirma o neurocientista Sidarta Ribeiro.

"É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína, pois não há overdose conhecida, nem adição [vício] pronunciada."

Potencial perturbador
Henrique Carneiro, especialista em história de alimentos e bebidas da USP, concorda que o chá não é fisiologicamente perigoso: "Psicologicamente, depende. É uma substância com potencial perturbador para quem não é experiente, ou dependendo do ambiente -um ambiente sereno tende a garantir boas experiências".

Para Ribeiro, a hoasca não deve ser dada a quem estiver no limiar de psicose, grávida ou for criança. "Pessoas com tendências psicóticas? Mentes frágeis? Esquece!", sentencia De Wys, que não admite gente desse tipo em seus grupos.

Mas ela sustenta que Carlos já curou esquizofrenia com a hoasca -e até gangrena.

Seu fascínio pelas curas que evita chamar de "miraculosas" -pois, para os xamãs, elas e os espíritos envolvidos fazem parte da ordem natural do mundo- também a trouxe "quatro ou cinco vezes ao Brasil".

Quem a atraiu foi o médium João de Deus, de Abadiânia (GO), mas ela aproveitou para conhecer terreiros de umbanda. Tudo para escrever um novo livro, concentrado em curandeiros do Brasil e da África do Sul.

Para a americana, Carlos e João de Deus, de certo modo, têm práticas similares, na medida em que se comunicam com espíritos ou os incorporam para realizar as curas.

Há uma grande diferença, porém: Carlos o faz de forma "consciente".

É ver para crer.

sábado, março 20, 2010

Pedagogia, a primeira semana

Na segunda semana de março, minhas aulas na faculdade de pedagogia iniciaram-se com a origem da gramática, tendo como base "Crátilo", de Platão, e "A vertente grega da gramática tradicional", de Maria Helena.

Platão definitivamente submeteu a palavra à condição de objeto, analisando e classificando-a. Não só isso. Como representante da razão clássica, ele, conforme sua concepção de língua, organizou a ação do corpo docente na escola.

Hoje, essa organização inexiste porque o modelo platônico foi desmoronado pela presença do texto e da leitura em sala de aula.

Com o fim da tradicional organização escolar, quando professores lecionavam fonologia, morfologia e sintaxe, o professor de leitura e de texto, passando por momento de crise, precisa se reorganizar fora de sala para fundamentar na prática um novo currículo oculto.

Se a palavra não passava de objeto para Platão, Bakhtin rompe com essa tradição em "Estética da criação verbal".

Bem, clique em Faculdade Euclides da Cunha e leia o conteúdo da aula.

quinta-feira, março 18, 2010

de 28 para 13

Às vezes, transformar significa colocar algo ou alguém em seu devido lugar. Transformar pode ser, portanto, colocar na ordem. Em um passado recente, na escola Heloísa Mourão Marques, as coisas estavam fora do lugar.

Em 2008, a ordem começou a tormar forma, a ter rosto. Nesse ano, houve 28 ocorrências policiais. Um ano depois, 13 ocorrências. Esses números são a consequência de gestora que encarna a imagem da autoridade (antipática). "Uma coisa que eu sei fazer é mandar", disse certa em uma reunião com os professores.

No passado, sem a imagem da autoridade, a violência domesticava alunos e, para evitar essa violência, o policial, não o gestor, é quem colocava ordem. "Hoje, as ocorrências na nossa escola têm mais um caráter educativo", observou a gestora.

Heloísa Mourão Marques é outra...

domingo, março 14, 2010

Makro vende mais barato

Hoje, comprei em dois locais: Makro e Araújo. Sem a menor dúvida, o Makro vende mais barato.

Em Rio Branco, Acre, Araújo e Gonçalves não são mais referências de supermercados que vendem mais barato.

Veja os números.

Nescau
Araújo: R$ 3.79
Makro: R$ 2.76
R$ 1.03

Azeite Galo
Araújo: R$ 17.59
Makro: R$ 15.45
R$ 2.14

1 quilo de açúcar
Araújo: R$ 2.44
Makro: R$ 2.37
R$ 0.07

Papel higiênico
Araújo: R$ 6.50
Makro: R$ 5.56
R$ 0.94

Sabão líquido
Araújo: R$ 0.98
Makro: R$ 0.94
R$ 0.04

Sabão em pó
Araújo: R$ 2.99
Makro: R$ 2.39
R$ 0.60

Amaciante
Araújo: R$ 5.35
Makro: R$ 3.99
R$ 1.36

Atum
Araújo: R$ 4.69
Makro: R$ 3.96
R$ 0.73

Ingrediente de feijoada
Araújo: R$ 10.69
Makro: R$ 7.50
R$ 3.19

Arroz Urbano
Araújo: R$ 12.98
Makro: R$ 9.55
R$ 3.43

Macarrão
Araújo: R$ 1.79
Makro: R$ 1.69
R$ 0.10

Sulco Dell Vale
Araújo: R$ 4.49
Makro: R$ 3.58
R$ 0.91

Só com esses produtos, a economia chega a R$ 14.54. Com essa sobra, compra-se mais de 1 quilo de alcatra.

quinta-feira, março 11, 2010

A democracia é 10

Há mais de uma semana, um cartaz do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado do Acre, o Sinteac, encontra-se colado na entrada da escola Heloísa Mourão Marques, ao lado externo da porta da sala dos professores.

No cartaz, o corpo docente é convocado a uma paralisação.

O sinal toca, e os alunos caminham às salas. Enquanto isso, os professores reúnem-se para aprovar em cima da hora uma paralisação. O cartaz estava colado há dias, há mais de uma semana.

Votos contados, dez professores aprovam a paralisação. Os alunos retornam às suas casas.

"Tudo bem que a maioria votou a favor, mas o cartaz está na escola há dias e só agora vocês se reúnem para não haver aulas quando os alunos já estão em sala, isso é uma desconsideração pelos alunos", disse a professora-diretora Osmarina.

Minha crítica

Vindo do grego krinein, "crítica" implica julgamento. Interessante observar que "julgar" tem a mesma origem de "judiciário". "Criticar" significa, segundo Houaiss, "avaliar", "ponderar".

Escrita, lanço minha crítica aos olhos de dez professores que votaram, conforme eles acreditam, em uma paralisação. É preciso considerar, no entanto, que a paralisação da educação não se assemelha à paralisação bancária. Esta não repõe os dias parados. Aquela adia o fim do ano letivo à medida que o professor não leciona.

Parece ser uma verdade absoluta: o professor para um dia e, depois, repõe a aula. Nesse sentido, que pressão a rede pública de ensino pode exercer sobre a secretaria se está garantida a reposição de aula? O ano letivo será atrasado, mas isso é problema dos professores.

Pois bem, pessoas que passaram por uma faculdade votaram em uma "reposição de aula" porque estão convictas de que, com essa "paralisação", o sindicato pressionará o governo. Serei eufêmico: pouco inteligente. Paralisação ou greve de escola pública não passa de um erro crasso contra o bom senso.

Democracia

Entre nós, o critério da democracia é o número, ou seja, a maioria, neste caso, 10 professores votaram a favor da paralisação. Mas será isso democracria? Será democracia o desejo de uma maioria?

Democracia não é a maioria se manifestar, mas a melhor ideia prevalecer muito acima do desejo de grupo. A ideia. O melhor. O justo. O bom senso. Repor aula é bom senso? Votar em uma paralisação que não pressiona o poder é a melhor ideia?

Em minha pura tolice, cheguei a pensar que, quando formado, quando passasse por uma faculdade, bons debates e inquietantes reflexões sedimentariam ideais na escola. Enganei-me: a escola não é lugar de ideais, por exemplo, democráticos.

Ela é o lugar onde a democracia, sem bons debates e sem inquietantes reflexões, não passa de uma maioria que impõe não apenas o seu corporativismo, mas a incapacidade de perceber que as velhas formas de luta do Sinteac caducaram no século 19.

Escrevo em vão. Na escola, democracia é maioria, é isto: número - tudo a ver com uma época que vive "A era do vazio", de Gilles Lipovetsky.

Prolongaram o calendário escolar.

terça-feira, março 09, 2010

À amiga virtual do Rio Grande do Sul

Ivone, não existe igualdade entre o sexo masculino e o sexo feminino. Não existe igualdade porque, por meio dessa diferença entre esses dois sexos, o menino aprende com a menina.

Você já reparou que o menino alegra-se quando exibe seu pênis? Tenho uma filha com 12 anos e eu não receberia nada bem a notícia de que a Lara exibiu seu órgão genital em sala de aula. Você concorda comigo que ele pode exibir o pênis, mas ela não pode exibir sua vulva. A diferença existe.

Imagine agora um menino de 5 anos mostrando seu pipiu aos coleguinhas. Imaginou, Ivone? Repare como ele, por meio de seu pequeno órgão, inibe as meninas, constrange-as. O seu pipiu pode sair da calça, pode ser balançado, apontado, ou seja, o pênis dessa criança pode se impor publicamente.

Esse mundo, Ivone, pertence ao masculino e discordo dele. Se eu soubesse que meu filho tinha exibido seu pênis em uma sala de aula, ele aprenderia com a mãe e com um pai de alma feminina os valores nobres da mulher , um deles: a compostura ou, se quiser, o decoro público, ou, se quiser ainda, não violentar, ou, se quiser ainda, o respeito pelo outro.

Penso estar sendo muito claro em meu texto. Outro exemplo, eu encontro no filme O contador de histórias. Na Febem, Roberto Carlos aprende a ser violento em um espaço onde é marcante a ausência não da mulher, mas de signos que representam o domínio simbólico do feminino.

A única mulher que encarna esses signos é Margherit, uma pedagoga francesa. O garoto, submetido à devassidão do mundo masculino, isto é, à destruição, conhece essa educadora para aprender um outro valor simbólico do gênero feminino: a delicadeza. E entenda: delicadeza significa a força de edificar o bom, o belo.

Ivone, eu poderia tecer mais e mais sobre o assunto, mas acredito que neste limite está bem clara a minha exposição, a de que não existe igualdade entre os sexos. Os meninos devem aprender com as meninas por não haver igualdade entre eles.

segunda-feira, março 08, 2010

Discórdia vinda do Sul, tchê!








Ivone Bengochea, do Rio Grande do Sul, não gostou do que escrevi em "Um livro e uma matéria de jornal". Minha amiga virtual, ela não me compreende quando rabisco algo sobre as feministas neste blogue.

Ivone, já disse a teus olhos que o feminismo não fala uma só língua. Entretanto, uma ideia de feminismo se perdeu ao longo dos anos, ideia defendida por Käthe Schirmacher, por Marguerite Durand, por exemplo.

Jogo pesado contra um feminismo tolo, um modelo que serviu ao capital, à indústria. Esse tipo é um erro. Não sou contra o feminismo, mas contra uma concepção dele. O feminismo que você defende não fugiu ao domínio masculino.

Ivone, sei que estou devendo a ti a leitura de Drummond, estou em falta. Por favor, tenha paciência.

Um abraço suave em teu destino!

domingo, março 07, 2010

Um Livro e uma Matéria de jornal

Na matéria do jornal Folha de São Paulo, mais mulheres têm carreiras "masculinas". E não falta este enfadonho clichê feminista: "as mulheres estão conquistando seu espaço". Ocupar espaço na cidade, convenhamos, Platão, há 300 anos antes de Cristo, escrevera isso em A República.

Elas ocupam o espaço físico de uma profissão; porém, quando se trata de linguagem simbólica, quem domina é o masculino. Melhor ouvir uma feminista acriana ou ler A Dominação Masculina, de Pierre Bourdieu?

A ordem masculina permanece inabalada. Elas podem ocupar espaços masculinos, entretanto a dominação perpetua-se masculinazada por ser essa dominação simbólica. Toda feminista é tola, menos Käthe Schirmacher, Marguerite Durand, Katti Anker, Ellen Key, por exemplo.

Pierre Bourdieu (1930-2002)










Autor de A Dominação Masculina

Rafael Andrade/Foto Imagem









Maria Neusa Machad, 33, e Maria Aparecida Lemoa, 40, entre as poucas motoristas de ônibus de São Paulo

Nos últimos 30 anos, cresceu a presença de mulheres em funções consideradas masculinas, mas o inverso não ocorreu.

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Nos últimos 30 anos, as mulheres aumentaram sua presença em ocupações tradicionalmente masculinas. O inverso, no entanto, não ocorreu, e profissões que sempre foram consideradas femininas permanecem com baixos percentuais de homens atuando.

A constatação é da pesquisadora Regina Madalozzo, do Insper, que comparou na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) o percentual de mulheres em 21 ocupações entre 1978 e 2008.

No final da década de 70, menos de um quinto dos advogados e médicos eram mulheres. Hoje, elas são quase metade dos profissionais dessas áreas.

Algumas carreiras seguem altamente masculinas, mas, mesmo nelas, é possível identificar aumento da participação feminina. Entre engenheiros, por exemplo, a proporção foi de 5% para 11%. Entre policiais e detetives, de 2% para 13%.

Se elas demonstram vontade e capacidade de atuar em ocupações onde eram minoria, o mesmo não se pode dizer dos homens em relação a áreas majoritariamente femininas.

Em 30 anos, houve pouca ou nenhuma alteração nos percentuais masculinos de enfermeiros, professores, profissionais de creche ou costureiros.

"Embora ganhando menos que os homens nas mesmas ocupações, as mulheres estão entrando em áreas tradicionalmente masculinas. Eles, no entanto, não aceitam, ou não são bem aceitos, em profissões dadas como femininas", afirma Regina Madalozzo.

Ela explica que o perfil mais feminino de algumas ocupações é explicado pela similaridade dessas funções com o trabalho doméstico. "As mulheres entraram no mercado em profissões relacionadas ao cuidado. Isso era entendido como extensão do que faziam em casa."

Salários
A desigualdade entre salários de homens e mulheres diminuiu no Brasil nos últimos 30 anos, mas o diferencial é, quase sempre, a favor dos homens.

Dados tabulados pela Folha a partir da Pnad de 2008 mostram que, de um total de 61 ocupações analisadas, em apenas seis o rendimento das mulheres por hora de trabalho superava o de homens.

Mesmo em profissões em que a participação masculina é inferior a 20%, o rendimento delas é, em média, menor.

Secretários do sexo feminino, por exemplo, representam apenas 7% do total, mas recebem por hora 32% a mais que mulheres na mesma profissão.

Nas poucas áreas em que as mulheres têm rendimentos maiores, Regina Madalozzo explica que, frequentemente, isso ocorre porque o nível de escolaridade delas é superior ao dos homens na mesma profissão.

Um exemplo disso pode ser constatado entre guardas e vigias, ocupação em que as mulheres são apenas 5% do total.

O rendimento médio por hora de trabalho delas é 10% superior ao de homens. Mais da metade (53%) dessas profissionais têm ao menos nível médio completo. Entre homens, esta proporção não passa de 31%.

quinta-feira, março 04, 2010

Um blogue a Tiago Tavares

Tiago, existe um livro que meus olhos apreciam muito: O Carteiro e o Poeta. Folheamos nessa obra literária o valor da amizade entre dois homens. No passado, acreditei em duas amizades e estendi minhas mãos a elas para, em troca, receber o gesto dos canalhas.

Eles lecionam em uma universidade. Dois pulhas. Infelizmente, eu não os considero humanos e, em mim, despertaram a mais fria e sólida insensibilidade. A vida, entretanto, continua e, mesmo assim, precisamos crer na amizade, nem todos, sabemos, fedem a velhacos.

Como você pôde ler, cultivo em mim um mal que me alegra, não sou bem aquilo que você escreveu em seu blogue. Por outro lado, ainda preservo ideais.

Sou grato por suas palavras. Você tem apenas 21 anos e, com essa pouca idade, vejo um espírito transformador; um homem dedicado ao ato de lecionar para muito além do senso comum.

Um abraço em teu destino!








quarta-feira, março 03, 2010

Um novo blogue novo

Os alunos do terceiro ano do ensino médio criaram um charmoso blogue.

Que juventude fascinante! É um pessoal muuuuuuuuuito bom, um dos exemplos da escola Heloísa Mourão Marques.

A professora de História Sezimária os levou ao CDIH, da Universidade Federal do Acre, para eles lerem a história em jornais pautados pelo passado.

Motivar a criação de blogues é essencial na escola. No ano passado, cometi alguns erros nesse sentido; porém, neste ano, providenciei algumas alterações, só que ainda não estão boas - preciso pensar em outras possibilidades.

Professora Sezimária, parabéns!
Alunos, inquietem-se!
Acesse o terceiro ano A da escola HMM

terça-feira, março 02, 2010

Gramática: vírgula

"Esse um não é numeral e, sim, artigo."

O Celso Pedro Luft não defende o "sim" entre duas vírgulas. Ele argumenta que "e sim" é uma unidade inseparável.

Não se trata de um termo deslocado na frase-oracional, porque, se o colocarmos no final, o sentido é outro.

Vejamos: "esse um não é numeral e artigo sim." O lugar desse "sim" só pode ser ao lado de "e" segundo Luft. Inseperável de "e", "e sim", segundo Celso, é uma locução adversativa. Para ele, as palavras "e sim" significam "mas", e não "e".

Para Celso Pedro Luft, o correto é "esse um não é numeral, e sim artigo."

Justificam-se as duas vírgulas se colocarmos o "mas" porque, sozinho, o "mas" é adversativo.

"Esse um não é numeral; mas, sim, artigo."

sábado, fevereiro 27, 2010

Muita dengue e confusão

Segundo informações, ontem, por volta das 20 horas, o centro de saúde Barral y Barral, bairro Estação Experimental, em Rio Branco, a irmã do ex-governador Jorge Viana, sem ficar na fila, pediu que um enfermo saísse do lugar para ela pôr um doente que estava com ela.

A funcionária pública Sílvia disse-lhe que, se quisesse ser atendida, que ficasse na fila. Em época de dengue, iniciou-se uma confusão.

"Você sabe com quem está falando?", perguntou Sílvia, a irmã do ex-governador. "Não me interessa com quem estou falando, a senhora deve ficar na fila como outra pessoa", respondeu a funcionária.

Depois, comentarei.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A imprensa e Clarice Lispector












Houve uma época em que os jornais editavam inteligência e pautavam cultura. O Jornal do Brasil, por exemplo, publicava as entrevistas de Clarice Lispector [1920-1977], além de seus artigos.

Textos muito bem escritos, linhas que faziam o leitor se sentir humano, eu disse humano, não burro.

A editora Rocco publicou essas entrevistas em um charmoso livro, Clarice Lispector, entrevistas. Entre tantos entrevistados, Emerson Fittipaldi, Paulo Autran, Pablo Neruda, Zagallo, João Saldanha, Tarcísio Meira, Jardel Filho, Elis Regina.

Neste blogue, separo: Nelson Rodrigues. Escreve Clarice.

"Avisei a Nelson Rodrigues que desejava uma entrevista diferente. É um homem tão cheio de facetas que lhe pedi apenas uma: a da verdade. Ele aceitou e cumpriu.

- Você é da esquerda ou da direita?
-
Eu me recuso absolutamente a ser de esquerda ou de direita. Eu sou um sujeito que defende ferozmente a sua solidão. Cheguei a essa atitude diante de duas coisas, lendo dois volumes sobre a guerra civil na História. Verifiquei então o óbvio ululante: de parte a parte todos eram canalhas. Rigorosamente todos. Eu não quero ser nem canalha da esquerda nem canalha da direita.

- Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
-
Do ponto de vista amoroso eu encontrei Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal."

Outro estrevistado: Hélio Pellegrino.

"- Que é o amor?
-
Amor é surpresa, susto esplêndido - descoberta do mundo. Amor é dom, demasia, presente. Dou-me ao Outro e, aberto à sua alteridade, por mediação dele, recebo dele o dom de mim, a graça de existir, por ter-me dado."

___________________________________

No Acre, vivemos o período mais pobre de seu jornalismo. Triste.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Nota de Esclarecimento

Presidente da FEM explica investimentos no carnaval 2010

Em correção à informação publicada no Diário Oficial do Estado que leva à interpretação de que o valor contratado tenha sido pago apenas à banda baiana que animou as últimas três noites de carnaval na Arena da Floresta, a Fundação Elias Mansour esclarece que:

Com as três noites animadas pela banda baiana a FEM teve uma despesa de R$ 106 mil.

Com as cinco noites animadas pelas bandas locais a FEM teve uma despesa de R$ 127.5 mil.

As despesas operacionais de passagens, transporte de equipamentos, hospedagem, alimentação, taxa de administração e outras ficaram em R$ 67 mil, somando ao todo o valor de R$ 300.5 mil do contrato, cujo extrato foi incorretamente publicado.

Atenciosamente,
Daniel Sant'Ana
Presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour
____________________________

Como Altino Machado é o responsável pela publicação em seu blogue desses R$ 300 mil, termino com seu comentário sobre a nota do presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour.

"Meu comentário: existem dois contratos assinados pela FEM com a empresa Kampa Viagens, Serviços e Eventos Ltda., relativos à organização do "Carnaval na Floresta Digital". Eles somam R$ 608 mil. O governo do Acre menciona existência de erro após a divulgação neste blog do extrato do contrato de R$ 300 mil, portanto onze dias após a assinatura do mesmo. A soma de seis contratos já publicados no Diário Oficial totaliza mais de R$ 2 milhões. Como outros extratos de contratos terão que ser publicados, estima-se que o valor total da festa ultrapasse os R$ 2,5 milhões. O blog sempre serve, convenhamos. Desde julho do ano passado, quando começou a versão digital do Diário Oficial do Estado, existem 45 ocorrências da relação do governo com a empresa Kampa, que negocia, entre outros, passagens aéreas, eventos e locação de carros."

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Dinheiro Público


Se você deseja conhecer Fernanda Farani, acesse nela. Em seu blogue, você irá entender o porquê de o governo do Estado do Acre pagar R$ 300 mil a essa jovem que representou o autêntico Carnaval .

E viva a cultura axé acriana!

"A Partida"

Quando entro em uma locadora, minha mão sempre busca um filme que ponha diante de meus cansados olhos esta palavra: sensibilidade. O mundo da rua - lugar deste objeto chamado multidão - não tem sabor. Assistir a um bom filme, no entanto, é oferecer aos olhos

o gosto,
o sabor,
as delícias

da sensibilidade. "A Partida" é um filme sobre a morte, digo, sobre a beleza da morte. No passado, o Japão sepultava seus filhos com beleza; porém, no Japão moderno, o corpo não passa de objeto, de coisa.

Músico irrealizado, um jovem retorna às suas origens para, com a sensibilidade de dedos que tocaram Beethoven, Bach, sepultar o pai. Antes, porém, a arte.

Para o primeiro semestre, escolhi um livro de Clarice Lispectos para ler em sala. No segundo semestre, penso em ler um sobre a morte, "O Deserto dos Tártaros", talvez.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Literatura e Vídeo

Você quer lecionar ?

Desmoralizaram os professores
Texto de Giberto Dimenstein

Apenas 2% dos estudantes do ensino médio querem ser professores - esse índice se aproxima de zero quando computados os alunos de maior aquisitivo, que estudam em escolas privadas. Esse fato mostra que a profissão de professor está em baixa, diria até desmoralizada.

Há dados ainda piores no relatório sobre a atratividade da carreira de professor que a Fundação Victor Civita encomendou à Fundação Carlos Chagas.

O pior dos dados: os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas, sendo que quase 90% são de escolas públicas. Portanto, o curso de licenciatura e pedagogia é, para muitos, a opção de quem não tem opção. O resto é apenas consequência.

Considero a profissão de professor a mais nobre que existe. Mais nobre, por exemplo, do que a medicina --afinal, sem professor ninguém chegaria a uma faculdade de medicina. Não é compatível, portanto, um projeto de nação civilizada com a categoria de professor desmoralizada.

__________________________
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

As pérolas e a ostra













1. Poriço. 2. Achão. 3. Intender. 4. Insina. 5. Piquenos. 6. Dependençia. 7. Salvalos. 8. Ajudalos. 9. Paçam fome. 10. Começão. 11. Mizeria. 12. Imdependente. 13. Isnobis. 14. Eses. 15. Enfrente. 16. Condinções. 17. Precissam. 18. Intrar. 19. Encinar. 20. Precosseito. 21. Entrão. 22. Trájico. 23. Porisso. 24. Conserteza.

No Carnaval, diante de meus olhos, 96 redações de alunos do segundo ano do ensino médio. Erros e mais erros, limitei 24. Batizaram-nos (de) "pérolas". No Programa do Jô, o apresentador os exibe e ri deles.

Não vejo graça. Não são motivos de riso.

Quando um corpo estranho penetra na ostra, esta libera uma substância chamada madrepérola. A função dessa substância é cristalizar o corpo estranho, impedindo sua reprodução. Após três anos, esse corpo transforma-se em pérola.

Vindo de escolas públicas, alunos, se escrevem assim, é porque uma ostra os cristalizou, impedindo o crescimento deles. Cristalizar, isto é, paralisar, estacionar. Muitos jamais refizeram dissertações em sala de aula. Jamais.

Desde a antiga quinta série, a ostra nunca pediu para que procurassem no dicionário a palavra "ensino" e, depois, corrigissem o erro. Cristalizar.

Aos meus alunos, entreguei o calendário escolar de Escrita (redação e gramática) e de Leitura (filmes, poesias, ensaios, charges). Com isso, eles sabem antecipadamente que estudarão dissertação na próxima semana, partindo do enunciado do Enem de 2000, um dos mais difíceis.

Antes, porém, corrigirão seus erros ortográficos após o dicionário ser consultado. Só reorganizarão suas ideias depois de cada um corrigir seu erro - "encino", "precosseito", "poriço", "começão".

Se as ostras são as únicas responsáveis por isso, por que rimos das pérolas?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Minha escola, campeã

A escola de samba São Clemente foi a campeã do Grupo de Acesso no Carnaval de 2010 do Rio de Janeiro e, com isso, voltará ao Grupo Especial em 2011. A apuração dos votos aconteceu às 15h desta terça-feira (16), no Terreirão do Samba.

Com o enredo Choque de ordem na Folia, a agremiação, cores amarelo e preto, ficou sob a responsabilidade do carnavalesco Mauro Quintaes.

Fundada em 1961, a São Clemente tem como principais características a irreverência e enredos com temática social, preocupados com a qualidade de vida do povo brasileiro.

Como exemplo, temos o Carnaval de 1984, que levou para a avenida o enredo Não Corra, Não Mate, Não Morra: O Diabo Está Solto no Asfalto, sobre o caos e a violência no trânsito.

No ano seguinte, a escola apresentou o tema Quem Casa, Quer Casa, uma sátira ao sério problema do défice habitacional no Brasil.

Em 1987, inovou ao levar para a Sapucaí uma comissão de frente formada por meninos de rua de verdade, no enredo Capitães do Asfalto, que falava sobre menores que moravam nas ruas do Rio.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Carnaval, Pátria e a morte de Momo






O governo do Acre usou os dias de Momo para propagar sua política de comunicação. "Viva o Carnaval na Floresta Digital" é propaganda de governo em uma festa que deveria ser popular. Os secretários de Cultura, se têm algum conhecimento sobre rei Momo, são figuras apagadas porque nunca colocaram o Carnaval rio-branquense em seu devido lugar simbólico.

No Dia da Pátria, 7 de Setembro, que é a festa do poder, tudo permanece em seu devido lugar. Nessa festa, o governo não faz a propaganda "7 de Setembro na Floresta Digital". Os signos do Dia da Pátria são fixos e preservados, isto é, a tradição do poder é mantida.

No Carnaval, entretanto, os signos linguísticos não são preservados, por exemplo, Momo. Os secretários de Cultura deveriam existir para preservar esses signos do Carnaval, porém Marcos Vinícius, da Prefeitura de Rio Brannco, não ocupa a Secretaria de Cultura para manter o sentido original do reino momesco.

Marcos - um carioca muito bem domesticado pelo poder - matou rei Momo e permanece impune em fevereiro todo ano. Em dias de Carnaval, esse secretário de Cultura deveria ser preso para não falar tanta besteira contra Momo.

TV Aldeia

Não conhecço comunicação como Aníbal Diniz, secretário do governo petista acriano, mas não sou estúpido o bastante para afirmar que a TV Aldeia emite qualidade, por exemplo, no Carnaval.

Seus repórteres, uniformizados, nunca colocaram roupas adequadas à festa, isto é, jamais se fantasiaram para entrevistar com alegria, com deboche, com riso. Para um Carnaval caricaturesco, nada mmelhor do que uma TV que não sabe o que é Carnaval, nada melhor do que repórteres sem graça e uniformizados a serviço do poder.

Mais um ano e não vi em Rio Branco o rei Momo escarnecendo ex-governadores com seus salários eternos. Não vi foliões com fantasias que desmascarassem os políticos. Não vi blocos que rissem do fanatismo de neopentecostais. Momo está morto.

Pior é saber que no próximo ano a enfadonha mesmice continuará.

Alterando os versos de Affonso Romano de Sant'Anna, termino:

Uma coisa é um Carnaval,
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um Carnaval,
outra um alheamento.

Uma coisa é um Carnaval,
Outra um gerenciamento.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

EntreVista

Em época de Carnaval, a inteligência, tão raríssima na TV, desaparece quando, por exemplo, aquele repórter pergunta ao folião se o Carnaval está alegre ou quando aquele folião diz que o Carnaval está alegre. Detalhe: repórter e folião concluíram o ensino superior.

Se isso é superior, estive com Georges Minois em Rio Branco para entrevistá-lo sobre o reino de Momo. Minois não é repórter e nem trabalha na TV Aldeia. Historiador francês, ele publicou História do riso e do escárnio, um belíssimo livro sobre o Carnaval.

EntreVista

Minois, há três dias você assiste ao Carnaval de Rio Branco, qual sua observação?
Georges Minois - Diferente do que o russo Bakhtin escreveu, o riso na Idade Média é usado a serviço dos poderes, ou seja, ele é mais conservador do que destruidor. Em Rio Branco, o riso de Momo é domesticado, não zomba dos que exercem o poder em Rio Branco. Aqui, o poder público organiza o Carnaval conforme seu entendimento. Organiza para dominar sua subversão simbólica.

Subversão simbólica?
Georges Minois - Sim, Momo é um mito que subverte a ordem dos deuses, ou seja, ele coloca em seu reino o poder do avesso. No Acre, o governo do Estado organiza o Carnaval para alterar o sentido dessa festa e, nesse sentido, o poder não aparece do avesso por meio do riso, do sarcasmo.

O poder sempre buscou domesticar Momo?
Georges Minois - Eu digo em meu livro que o Carnaval muda de tom no século XVI. Eu poderia lhe dar vários exemplos, mas fico com o que ocorreu nas cidades flamengas. Nelas, o imperador interdita a festa do Rei dos Bobos. Nessa época, o cômico é substituído pelo didatismo, como ocorre em Rio Branco. Aqui, a interdição existe, ela é sutil.

Suas últimas palavras.
Georges Minois - Isso que está aí não é Carnaval, o poder público matou o sentido original do reindo de Momo, e o que restou ao povo foi brincar sobre seu cadáver.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

A TV Aldeia desconhece rei Momo



Imagem de Nêmesis, deusa da Vingança, irmã de Momo.











O Estado

Antes de deixar a prefeitura do Rio de Janeiro, César Maia (DEM ou ex-PFL, ou ex-PDS) propôs à escola de samba São Clemente uma verba pública para desfilar na Marquês de Sapucaí. Mas, para justificar tamanha generosidade, o prefeito impôs esta condição – a escola de Botafogo deveria se apresentar como as outras escolas de samba.

Entrave para o poder público carioca, a São Clemente sempre exibiu na avenida o “avesso” do Rio de Janeiro e do Brasil, o que Portela, Salgueiro, Mangueira, por exemplo, não exibem. A proposta de César Maia tentou colocar na ordem uma escola que representava a autenticidade da festa de Momo. A escola de Botafogo recusou a proposta.

Em Rio Branco, como o reino momesco não é organizado pela irreverência ou pela desobediência popular, o governo do Estado fala por rei Momo. Não apenas diz onde Momo deve estar; mas propaga, segundo seus interesses, quem ele é.

Aqui, o Carnaval, submetido à ordem do Estado, que define seu espaço público e sua simbologia, não manifesta uma de suas características históricas: o “avesso”.

A TV Aldeia


O Carnaval é muito sério para ser deixado para a TV Aldeia. As suas verborréias carnavalescas emitem uma ignorância bem comportada contra o significado original do reinado de Momo. Nesse aspecto, a TV Aldeia não se diferencia das outras emissoras.

Igual às outras, ela cumpre a função social de deformar essa festa porque deconhece, por exemplo, sua rede semântica. A TV Aldeia não sabe dizer quem é Momo.

Meu dedo desliga a TV, meus olhos leem Georges Minois. “Filho da noite, censor dos costumes divinos, Momo termina por tornar-se tão insuportável que é expulso do Olimpo e refugia-se perto de Baco. Ele zomba, caçoa, escarnece, faz graça, mas não é desprovido de aspectos inquietantes: ele tem na mão um bastão, símbolo da loucura, e sua máscara. O que quer dizer isso?”, pergunta o autor de História do riso e do escárnio, editora Unesp.

O que quer dizer isso?, eu pergunto à TV Aldeia.

O português do www.ac24horas.com



"Os poucos minutos de chuva que caiu (...)."

Defendo a ideia tradicional de que o verbo "caiu" deve concordar com o núcleo do sujeito, no caso, "poucos minutos".

Alguém poderia dizer que é a "chuva" que caiu, não "poucos minutos". No entanto, os termos "poucos minutos" prendem-se ao termo "chuva" por meio da preposição "de".

Não está errado, portanto, escrever "os poucos minutos de chuva que caíram".

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A TV Aldeia não sabe o que é Carnaval


Nesses anos de TV Aldeia, nunca assisti a uma programação que soubesse falar do Carnaval porque sua direção ignora a história de Momo e a representação simbólica dessa festa. A TV Aldeia contribui para o vazio semântico do Carnaval. Isso é admissível para uma TV comercial, mas não para uma TV educativa, que deveria promover a cultura original dessa festa popular.

Nesses anos de política da Frente Popular, a TV Aldeia nunca se corrigiu e, por causa disso, neste ano, mais uma vez, não tenho esperança de assistir a algo inteligente ou de ouvir palavras que revelem o sentido autêntico dessa folia (loucura).

No Acre, o poder público, em tudo, organiza o espaço do Carnaval; porém, por meio da TV, esse poder não organiza o sentido histórico do reino de Momo.

Diante da TV, a sala de aula pode muito pouco ou quase nada; entretanto, mesmo assim, apresentei a meus alunos uma rede (simbólica) de palavras relacionadas ao Carnaval, partindo de rei Momo, que é gordo, que recebe a chave do prefeito.

O que significa a palavra "Momo"? O que representa sua condição de "gordo"? Qual o sentido de receber uma "chave" de um "prefeito"? A isso, a TV Aldeia não responde e, se não responde, não pode saber o que é Carnaval.

Não sabe.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Quando a TV Aldeia deseduca


Escrevi em jornais acrianos muitos textos sobre o Carnaval, breves ensaios sobre Momo, o rei da festa. Escrevi para registrar (em vão) o sentido original do Carnaval diante da deformação imposta por evangélicos.

Não só fiéis, mas até o governo da Frente Popular, por meio da TV Aldeia, propaga uma ideia deformada de Momo. Na condição de TV que se diz "cultura", ela presta um péssimo serviço quando repórteres e âncoras abrem suas bocas para falar dessa festa popular.

A TV Aldeia deveria saber falar do Carnaval, da sua importância simbólica, da sua história, do seu sentido mais original. Mas, neste ano, mais uma vez, não será diferente. Aníbal, um dos responsáveis pela TV Aldeia, contribui para desfigurar essa festa.

Sugiro a leitura do livro História do Riso e do Escárnio para compreendermos o sentido do Carnaval.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

O português da imprensa oficial

Lembra aquelas placas com erros de português? Escritas por pessoas humildes, brasileiros com baixa escolaridade, elas sempre são motivos de galhofa. E quando pessoas ilustradas não escrevem bem? E quando um representante da imprensa oficial erra?

O texto entre aspas, retirado do blogue de Altino Machado, foi escrito pelo secretário Aníbal Diniz. Só quero me referir ao "junto à".

Na condição de homem da imprensa oficial, o erro é um péssimo exemplo. "Junto à" é o mesmo de "perto da", o que não tem sentido no texto. Comprou-se o helicóptero em algum lugar (na Helibrás) e não "perto da" Heliobrás.

Há outros probleminhas, mas esse basta como exemplo a meus alunos.

"A compra de um helicóptero Esquilo AS 350 feita pelo governo do Acre junto à Helibras se deu como resultado de uma licitação em que concorreram as empresas TAM e Helibras, que venceu pelo critério de menor preço e cumpriu o contrato de entrega do aparelho, além de um pacote de treinamento de pilotos e mecânico, assistência técnica e seguro. Todas as informações e documentos alusivos à licitação foram disponibilizados para o Ministério Público Federal. O contrato para a aquisição do helicóptero ocorreu de forma lícita e transparente. Entendemos que o MPF tem todo o direito de investigá-lo para que a União não venha a ser responsabilizada por atos abusivos de autoridades que a representam. O ex-governador Jorge Viana, que responde pela presidência do conselho administrativo da Helibras, e não pelo seu departamento de vendas, não teve participação no processo que resultou na compra do helicóptero."

Aníbal Diniz
Secretário de Comunicação do governo do Acre
Por e-mail

sábado, fevereiro 06, 2010

PMDB é um exemplo

Flaviano Melo, campeão de gastos com verba indenizatória
De Freud Antunes

Em pleno recesso parlamentar, em janeiro, os deputados continuaram realizando gastos por conta do dinheiro público, utilizando a antiga verba indenizatória que atualmente é chamada de Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap).

De acordo com o levantamento realizado no prório site do Congresso Nacional, Flaviano Melo (PMDB) foi o campeão do disperdício, chegando a R$ 26.206,13. A maior parte, ou seja, R$ 12 mil foi usada para financiar viagens entre Rio Branco, Santa Rosa, Tarauacá e Feijó.

A manutenção do escritório que deve ficar aberto mesmo quando não há sessões consumiu R$ 6.657,97, custo que incluiu o pagamento de quatro assessores, cerca de R$ 400 em Sky (tv via satélite), gasto com energia elétrica e telefonia.

O segundo colocado foi Ilderlei Cordeiro (PPS) que utilizou R$ 25.330,38 do dinheiro público, apresentando também R$ 12 mil em viagens com escalas em Cruzeiro do Sul, Feijó e Jordão.

O Ceap financiou ainda o aluguel de carros em uma empresa chamada Center Comércio e Consultoria LTDA que cobrou do parlamentar de oposição R$ 6 mil.

O terceiro colocado foi Gladson Cameli (PP) que usou R$ 19.608,10, sendo R$ 9,4 mil apenas com passagens de avião para Cruzeiro do Sul, Foz do Breu, Marechal Thaumaturgo e Porto Valter. A locação de veículos também chegou a R$ 5,4 mil.

O deputado que menos gastou em janeiro foi Nilson Mourão (PT) que utilizou R$ 296,67 da antiga verba indenizatória.

O segundo menor gasto ficou com Sérgio Petecão (PMN) que utilizou R$ 618,26 do Ceap depois de ter registrado em novembro e dezembro os maiores gastos do dinheiro público.

Todos os parlamentares acrianos utilizaram em janeiro R$ 82.438,17, um valor que poderia ser aproveitado para suatentar quase 162 assalariados, levando por base o novo mínimo que é de R$ 510.

O Ceap foi criado em 2001 com o nome de verba indenizatória para financiar as atividades parlamentares. Para ter acesso ao benefício, o deputado precisa apenas apresentar as notas fiscais, informando o que foi gasto.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Avaliar e ser avaliado

Ainda defendo a ideia de que bons alunos devem avaliar professores nas escolas públicas acrianas. Em 2004, alunos começaram a me avaliar na escola Heloísa Mourão Marques. Só não me avaliaram em 2009 porque o questinário precisava ser outro.

Com outro questionário, meus alunos me avaliarão no primeiro e no segundo semestres de 2010. Não me exponho a esse procedimento para eu me punir, mas para buscar saídas segundo as críticas de bons estudantes.

Eu tinha dito "alunos", não serão todos. Os que se dedicam mais aos estudos me avaliarão, os mais interessados. Serão escolhidos dez jovens em cada turma, ou seja, 40. Assim como eu os avalio, eles também dirão se estou ou não reprovado como professor.

Se for reprovado, "farei recuperação".

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Mais! escola pública

No Acre, quando estamos em período de eleições, o debate entre homens públicos sobre educação pública é sofrível, e isso quando debatem. Na última campanha, até mãe de candidato tentou dar audiência a políticos chulos, pacóvios.

Longe disso, o caderno Mais!, do jornal A Folha de São Paulo, publicou textos sobre a escola pública. Um pouco a teus olhos.

Governo irá aperfeiçoar gestão, diz secretária
DA SUCURSAL DO RIO

A secretária estadual de Educação do Rio, Tereza Porto, diz que um de seus maiores desafios é melhorar a gestão das escolas estaduais, dando aos diretores e professores mais ferramentas para agilizar processos e tomar decisões.

Ela aposta que o investimento em tecnologia facilitará o trabalho, embora reconheça que ainda há muito a ser feito.

Uma das mudanças esperadas já para este ano é a diminuição do tempo em que alunos ficam sem aulas por causa de pedidos de licença médica.

"Quando assumimos [há dois anos], esse processo era ainda mais demorado. Mas, com o novo sistema funcionando plenamente, o aviso de que há uma vaga a ser preenchida será feito automaticamente pelo diretor, que visualizará on-line quais são os professores disponíveis."

Esse controle maior é essencial, em sua avaliação, não apenas para agilizar a reposição das aulas, mas também para evitar gastos desnecessários com professores temporários em escolas onde há profissionais com tempo vago para lecionar na disciplina em falta.

Tereza Porto diz, entretanto, que existem alguns entraves que dependem de mudanças na legislação, como a autonomia do diretor para montar sua própria equipe. É o próprio professor, com base em sua pontuação, que escolhe onde trabalhará.

Dentro do que é possível legalmente, ela diz que, no Rio, a secretaria tenta alocar o professor numa escola perto de sua residência e, de preferência, com dedicação exclusiva.

Sobre a valorização do magistério, a secretária reconhece que ainda há uma séria defasagem salarial a ser corrigida, mas diz que o esforço do governo tem sido "gigantesco".

"O salário na rede estadual ainda é baixo, mas evoluímos bastante. Em 2008, o aumento [de 8%] foi superior à inflação e, no ano passado, fizemos um esforço absurdo para incorporar ao salário de todos, inclusive aposentados, gratificações que eram pagas somente a alguns. Isso teve um impacto de R$ 7 bilhões na nossa folha de pagamento. Não é pouca coisa, e temos uma lei de responsabilidade fiscal para cumprir."

Outro investimento que ela espera trazer resultados é a implementação, neste ano, de um novo sistema de acompanhamento da frequência dos alunos, totalmente informatizado, em todas as 1.437 escolas.

Todo estudante terá um cartão eletrônico, que irá garantir a passagem gratuita em transportes públicos e que também irá controlar sua utilização da merenda e a presença.

Cada uma das salas terá um computador, onde o professor abre uma pauta eletrônica e pode fazer anotações sobre os alunos para serem compartilhadas com outros docentes.

No Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva, o sistema já funciona desde o ano passado. (AG)

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Como Deus, o salário é eterno

O que escrever na primeira postagem de 2010? Poderia falar das férias. Coisa ridícula é essa de promoção pessoal. Poderia falar da reunião de professores da escola pública. Não somos notícias. Uma observação gramatical? Creio que não, porque, em época de eleições, uma crase ou uma colocação pronominal não são mais importantes do que o salário eterno dos que foram governadores acrianos.

Segundo Altino Machado, um ex-governador recebe R$ 23 mil por mês.

Lembro-me quando a inquieta Naluh Gouveia, com útero e dentes, manifestou-se contra esse privilégio de casta política. Hoje, querendo ou não, Naluh pertence à casta. Do berreiro indignado no passado, o silêncio privilegiado no presente. Os extremos se tocam. Não só ela, o PT silencia-se.

Como Deus, o salário de ex-governadores é eterno. O movimento parado sindical é indiferente. A sociedade civil organizada permite. Após quatro anos ou oito anos no Poder Executivo, ex-governadores receberão por toda a vida um salário de governador.

Fora da ordem, Romildo. Nabor. Cameli. Flaviano. Yolanda. Jorge. Deus os abençoou, e o povo diz amém. Só os imortais merecem tamanha graça.

O ano começou neste blogue. Voltei.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Acabou

As férias chegaram ao final. Chegarei ao Acre no domingo, dia 31 de janeiro, se Deus assim permitir. Afirmo Deus por não ser eu o senhor de meu próprio destino. No primeiro dia de fevereiro, as postagens neste blogue voltarão ao normal.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Os voos do senador Geraldinho


A verba indenizatória, regulamentada em ato secreto de 2003 e republicado no ano passado, segundo o texto, é destinada “ao pagamento de despesas mensais realizadas pelo Senador com aluguel de imóvel, de veículos ou de equipamentos, com material de expediente para escritório, com locomoção e com outras despesas diretas e exclusivamente relacionadas ao exercício da função parlamentar.”

No Senado, polemizaram quando o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) usou parte de sua cota de passagens áreas para fretar jatinhos. Outros 13 senadores têm destinado verba indenizatória dos gabinetes para voar pelo país em aviões particulares.

Depois de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que gastou R$ 76.300, e de João Pedro (PT-AM), R$ 51.400, Geraldo Mesquita (PMDB-AC) aparece na terceira colocação, R$ 17.150.

Como disse o saudoso Bezerra da Silva, morto há cinco anos, "este país só vai melhorar quando morcego doar sangue e saci cruzar as pernas".

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Hai(de)ti!!!


Um livro retorna

Eu soube que “O Reino deste Mundo”, do cubano Alejo Carpentier, foi relançado. Antes de retornar ao Acre, comprarei suas palavras para compreender melhor meu continente.

O livro foi lançado em 1948, no México; mas, antes de sua publicação, Carpentier conheceu o Haiti em um jipe, em 1943. Fatos históricos e imaginados entrelaçam-se após os conflitos da independência haitiana, entre 1794 e 1808.

A narrativa situa o leitor nos anos de 1811 a 1820, época da monarquia de Henri Cristophe. O negro Ti Nöel, protagonista, luta contra as formas de poder.

Por falar em poder...

da França
Até início do século 19, a França metia a mão grande em 25% da agricultura haitiana, onde a terra não é tão fértil como na República Dominicana. Em 1804, derrotados por uma rebelião negra, os franceses foram embora do Haiti.

A França exigiu e recebeu reparação pela colônia perdida, deixando a economia da nova república debilitada por muitos anos.

Dos Estados Unidos
De 1957 a 1986, o Haiti viveu conforme as regras do governo de François Duvalier, o Papa Doc, apoiado pelos Estados Unidos da América.

Antes de Duvalier, a Estátua da Liberdade ocupou esse lugarejo de 1915 a 1934. Tio Sam tomou conta das finanças do Haiti até 1941, realizando obras de infraestrutura e pondo ordem na economia. Ordem.

Com Papa Doc e com seu filho, Baby Doc Duvalier, os Estados Unidos realizaram grandes negócios com a ordem econômica dos ditadores. Ordem.

Hoje, após a presença de norte-americanos, cerca de 55% da população vive com menos 1 dólar ou menos R$ 1,75 por dia. Ao lado, na República Dominicana, a renda diária de um dominicano está em média 7,4 dólares. Por mês, um haitiano recebe em média R$ 2.275, e um dominicano, R$ 12.950.

Hoje, após a presença dos norte-americanos, a população mais rica (?) fica com mais de 70% da renda. Os 20% mais pobres, com 1,4%.

Essa distribuição injusta de renda é uma das piores do planeta, semelhante à do Brasil nos anos de 1990.

Na época da ditadura militar, estudantes brasileiros escreveram esta frase muito criativa: “EE.UU sei quem me U.S.A.”. Durante décadas, a Estátua da Liberdade usou o Haiti.

A Águia

Segundo texto de Sérgio Dávila, os Estados Unidos enviaram vários navios da Guarda Costeira com helicópteros, o porta-aviões Carl Vinson, com 19 helicópteros, 51 leitos hospitalares, três centros cirúrgicos e capacidade de tornar potáveis centenas de milhares de litros de água por dia.

Nos próximos dias, chegarão mais dois navios com helicópteros e uma força-anfíbia com 2.200 fuzileiros e um navio-hospital. Além disso. isto: os Estados Unidos doaram 100 milhões de dólares.

A Águia ajuda o Haiti.

Fontes: Eduardo Fellipe, Elio Gaspari, Veríssimo e Cony

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Entre dois Rios: Branco e de Janeiro

Não temos shopping

Certa vez, lecionando na faculdade, um aluno disse-me não entender o motivo de eu estar no Acre. Perguntei-lhe o porquê de não entender. Sua resposta causou-me espanto. “No Acre, professor, não há shopping.”

Mais tarde, na escola, outro jovem acriano respondeu da mesma forma.

Sair do Rio de Janeiro, onde há shopping, para morar no Acre, onde não há shopping, significa para esses jovens um atraso. Sem esse templo do consumo, o Acre, segundo eles, é tão inferior que esses jovens não entendem o motivo de eu morar entre açudes, árvores, rios, igarapés; não entendem o motivo de eu morar em uma cidade que cresce na floresta.

Aqui há shopping

Férias no Rio de Janeiro e, aqui, entre o Corcovado e a igreja da Penha, não há um só shopping, mas muitos, tantos. Estou aqui para consumir marcas de calça, de camisa, de sapato, não é verdade?

Não é verdade.

Quando plantarem um shopping na floresta acriana, um aluno ou parte da elite dirão que somos agora iguais aos grandes centros.

Se a elite acriana entrar no templo do consumo só para comprar marcas ou só para assistir a Avatar ou a 2012, nosso atraso mental será cinematográfico.

Acredito que no shopping verde, caso tenha quatro salas de cinema, predominará a cultura de massa. Por que Hanani - cerejeiras em flor? Nossa culta elite prefere Avatar.

Associa-se a ideia de progresso a viaduto, a shopping, O governo do PT, nesses anos, jamais associou progresso e desenvolvimento a filmes autorais, a teatro, à cultura.

Por meio de sua propaganda oficial, o governo deseduca meus alunos. "Professor, aqui é atrasado porque não tem shopping."

terça-feira, dezembro 08, 2009

Até quando eu retornar


A partir de hoje - a não ser em caso extraordinário -, não atualizarei este blogue até 30 de janeiro de 2010. As férias só permitem descanso, curtição, deixar rolar, preguiça, mãe, pai, amigos, primos, primas, mar, montanha. Mony.

Assim sendo, nesta última atualização deste ano, dedico meu texto a meus alunos, a esse pessoal que me suportou, que não teve preguiça em sala de aula, que teve preguiça, que se dedicou até o último momento, que não se dedicou ao último instante.

Estudar, sabemos, é árduo, porém também transformamos os estudos em uma brincadeira de gincana do conhecimento.

Muitos aceitaram o desafio de eu ser um (risível) obstáculo. Esses não desistem. Quanto mais dificuldades, mais se superaram. Outros, acarinhados pela preguiça, pelo desinteresse, pela falta de vontade, entregaram-se ao descaso, à derrota, esperando de minha parte o relaxamento, a facilitação ou um tipo de corrupção silenciosa que permitisse a aprovação de todos.

Enganaram-se. Há 20 anos, eu leciono e, até hoje, sou um tarado pela sala de aula. Podem falar tudo de mim, tudo, menos que eu não tenho a paixão indomável de lecionar. Já disse: leciono para não morrer. A sala, você viram, foi o espaço onde eu encenei a ordem e a desordem, a lucidez e a loucura, o sério e o cômico; foi o lugar onde sou mais humano, onde rio de mim, de ti, de nós. Mais tarde, após anos lecionando, eu descobri: a sala é o lugar sagrado e profano onde sou quem aprende primeiro.

Assistimos a "Jeca Tatu" para depois anotar três cenas e interpretá-las. Apreciamos "Tapete Vermelho". Refizemos textos. Lemos, mais e mais, interpretamos "O Navio Negreiro". Debruçamos nossos olhos sobre os versos de Cruz e Sousa. Entendemos a letra do Rappa e, no segundo momento, nós relacionamos à poesia de Castro Alves. A gramática só surgiu por causa da produção textual. Lemos "Auto da Compadecida".

Antes, lemos "Auto de São Sebastião" e, entendida a peça de José Anchieta, soubemos que no século 16 o poder da Igreja deformaca a cultura indígena. Lemos poesias. Aprendemos o poder da metáfora por meio do sensível filme "O carteiro e o poeta".

Busquei mostrar a vocês a beleza da cultura popular por meio do caipira, nossa identidade nacional. Lemos sobre o riso em um fragmento de texto do romance "O Nome da Rosa".

Faltei pouco. Falei muito. Repeti mais ainda: anote, anote, anote.

E quantos ótimos alunos o destino apresentou a meus olhos. Jovens humildes, problemas em suas casas, discriminados, mas com um espírito à altura da superação. Diante deles, preciso melhorar sempre. Sempre. São nomes que desejam mais saber. Alunos que sabem contestar. Inquietos.

Se eu pudesse ofertar a cada um de vocês um livro, ofertaria "Fernão Capelo Gaivota", de Richard Bach. Que o voo seja alto para que, quando você mergulhar, busque o peixe no fundo do mar, o melhor. Não se limite a comer o peixe que o pescador lança à superfície das águas. Não comam o que o bando come, porque a beleza da vida não está na superfície e muito menos no que os vulgares fazem. O melhor alimento habita no fundo, lugar onde poucos tocam.

Mas saiba que voar mais alto para chegar ao fundo exige esforço, erros, tentativas, porém é isso que nos eleva à condição de humanos. Supere-se! Seja melhor que seus pais e permita que seus filhos sejam melhores que você.

Navegamos melhores em mares revoltos. Em lagos, onde a água é calma, nada é exigido de nós, a não ser acomodação. Leia narradores que inquietam teus olhos, que perturbem a tua estabilidade. Proust. Lispector. Virgínia. Leminski. Raduan Nassar.

Leia bons livros. Releia-os. Assista a ótimos filmes. Ame as boas amizades, as que exigem de você o melhor de ti. Deixem a TV também no canal Cultura. Namorem para que possam ser melhores do que são. Amem!!! Aprendam que a Paixão não é algo passageiro - há 20 anos, sou apaixonado pelo ato inquietante de lecionar.

Leia Fernando Pessoa. Drummond. Mário Sá-Carneiro. Seja um leitor assíduo da vida. Afaste-se das palavras doentes das ruas. Leia o que eu não li. Obedeçam na hora certa. Desobedeçam na hora incerta. "A desobediência também tem seus direitos", grita André, protagonista de "Lavoura Arcaica".

Um beijo em seus destinos. Um abraço fraterno em suas vidas.

Sou apaixonado por vocês!!!

Os referenciais da Secretaria de Educação

No dia 7, participei do encontro entre professores de Literatura (Língua Portuguesa) e não assinei o documento que aprova os referenciais porque eles não foram dicutidos no encontro. Há uma questão sobre historicismo, apresentada pelos professores da escola Glória Perez, que não entrou em questão.

Em uma próxima reunião, se houver esse debate, se houver certas considerações, o documento poderá ser assinado.

Semestralidade

No Acre, alguns jornalistas e o senso comum acreditam que o poder concentra-se em assmbleias legislativas ou em câmaras de vereadores, ou seja, acredita-se que o poder é físico, é matéria; manifesta-se em prédios ou encarna-se em deputados ou em vereadores.

Ainda pensamos o poder como se fosse a imagem visível de O Príncipe, de Maquiavel, pensamento de 1513. Longe dessa concepção de poder, a escola surge em Vigiar e Punir, de Michel Foucault, pensador que nos fala de outro poder que nos modela.

Hoje, conversando colegas de profissão, afirmei que a escola pública se põe acima de interesses corporativistas. Opondo-se à minha fala, uma professora afirmou com tom irônico que busco tanto o melhor para o aluno que defendi a semestralidade. Não entendi a relação; porém, ainda assim, esforçar-me-ei para explicar.

Semestralidade
Hoje, leciono em duas turmas na escola Heloísa Mourão Marques. Em uma, há 33 alunos; na outra, 30. No diário, há, entretanto, 50 nomes. Ao todo, corrijo 63 redações em sala por meio da refacção ou da reconstrução textual. Caso opte por duplas, são 31 redações.

Como eu reconstruo os textos de meus alunos (com eles) em sala de aula, melhor essa cansativa refacção com 31 redações. No entanto, sem semestralidade, seriam quatro turmas, isto é, 126 redações.

Sem semestralidade ou com semestralidade, a carga de Literatura (Língua Portuguesa) limita-se a 160 horas-aulas e, desde que saibamos colocá-la na semestralidade, a quantidade de aula é a mesma se fosse anual, se não houvesse semestralidade.

Defender a semestralidade é, portanto, qualificar o ensino-aprendizagem de produção textual para quem reconstrói texto em sala de aula com os alunos. Em 2010, com o fim da semestralidade, lecionarei para 126 alunos, não mais para 63. Uma solução, talvez, seja criar duplas para que produzam e reconstruam seus textos.

Sinceramente, professora, não entendi a sua colocação de tentar, talvez, me constranger diante de colegas de profissão. Penso que o caminho para melhorar o ensino público não seja jogar palavras inconsequentes e direcionadas a uma pessoa em momento inadequado.

Defenda ideias, professora, com raiva, com choro, com gestos intensos, gritando, socando a mesa, não importa a aparência, a forma, a maneira de defendê-las, mas defenda ideias. Defenda-as!!! para qualificarmos o ensino público e não para prolongarmos o feriado.

Tenho defendido ideias, eis algumas:

1. Conselho de disciplina;
2. Conselho de turma;
3. Atividades lúdicas na escola (gincana do conhecimento);
4. Alunos exemplares avaliarem os professores;
5. Coordenador assistir às aulas de professor;
6. Não é o professor que deve escolher a turma para lecionar, mas o aluno é quem deve escolher o professor com quem deseja estudar;
7. Se o professor lecionou para o primeiro ano do ensino médio, ele deve acompanhar essa turma até o terceiro ano;
8. Por mérito profissional reconhecido, as coordenações deveriam ter um professor de Língua Portuguesa e um de Matemática.

De forma clara, em uma reunião de professores, diante de todos, defenda ideias.

Professora, o que a senhora defende?