sexta-feira, maio 04, 2012

Que escola pública nós queremos?

Ontem, à tarde, a gosma da insanidade sujou funcionários, professores e gestão da escola Heloísa Mourão Marques.

Um aluno não foi à escola para estudar, mas para matar à faca outro aluno. Não conseguiu. Atingida duas vezes, a vítima  encontra-se no hospital. O aluno marginal encontra-se preso.    

Dias antes, um estranho entrou na escola e roubou um celular de uma aluna.

Mas isso não é comigo. A vítima não é meu filho. O marginal não é meu sobrinho. A faca não foi retirada de minha casa. Eu não leciono à tarde. Mais: na prévia, não votei no professor Waldir.

Por último: meu pai chama-se Pôncio Pilatos, e eu aprendi com ele que devemos lavar as mãos diante da desgraça alheia.

Se não fui atingido, permaneço indiferente em meu cristão lugar. Sempre vou à igreja aos domingos. Entrego tudo a Deus.

Eu, entretanto, não creio em um Deus impassível. O Deus em que eu creio não se finge de morto.

Perdi na prévia eleitoral da escola. A professora Osmarina deixou a disputa porque perdeu na prévia - isso foi uma consequência de um acordo entre os professores.

Dessa forma, ou seja, com a saída da professora Osmarina, uma esmagadora quantidade de voto destinou-se ao professor Waldir.

Quando lancei a ideia da prévia, era para não haver briga entre candidatos, era para haver uma unidade absoluta ao redor de um nome, no caso, professor Waldir.

Ora, eu faço parte dessa unidade. A violência na escola me atingiu. O professor Waldir é gente muito boa, um ótimo colega de profissão, e escola pública não é circo para a gente ver pegar fogo.

Na tristeza ou na alegria escolar, estamos juntos, todos, funcionários, professores e gestão, porque não se trata de diretor A ou B, mas da imagem do lugar onde trabalhamos.

Eis o sentido da prévio, agora é hora de manter esta palavra: unidade.

Nesta semana, uma reunião urgente é necessária.
  

terça-feira, maio 01, 2012

"Lírica e Sociedade"...


é uma obra de Adorno (1903-1969). Como meus alunos estão postando versos em seus blogues, quero deixar aqui algumas breves palavras relacionadas à linguagem lírica segundo o sociólogo Theodor Adorno.

1. O eu-lírico ou linguagem lírica não pulsa somente nos versos. Podemos encontrá-la, por exemplo, nos cinemas "O Carteiro e o Poeta", "Lavoura Arcaica", "Doutores da Alegria"; nas minisséries "Hoje é Dia de Maria", "A Pedra do Reino";

2. A linguagem lírica é a força provocativa do ato estético. Compreendamos como estético o sentido da "forma", do significante, ou seja, o adversário do significado conforme diz Roland Barthes;

3. A importância do significante, eu a encontrei quando li "Da Sedução", de Baudrillard. Por que seduz? Seduz porque não significa, ou seja, a sedução é o significante;

4. Ao Adorno. Ele afirma que "o conteúdo de um poema não é a mera expressão de emoções e experiências individuais". Para esse alemão, a universalidade do conteúdo lírico é essencialmente social;

5. Nesse aspecto, a poesia "tem sua grandeza unicamente em deixar falar aquilo que a ideologia esconde". O eu-lírico (des)cobre;

6. A poesia "implica o protesto contra um estado social que todo indivíduo experimenta como hostil, alheio, frio, opressivo (...)";

7. Hostil, "desfavorável"; alheio, "estranho"; frio, "sem vigor"; opressivo, "fechado". Essas palavras, nós as encontramos no filme "O cheiro do ralo", onde predomina o realismo, ou seja, a presença dos objetos, a presença da palavra-objeto, da palavra ordinária, da palavra utilitária. 

8. Despossuída de lirismo, a palavra sindical é opressiva porque, fechada em si mesma, ela  asfixia ou sufoca a transfiguração, o desejo, o imaginário;

9. "O eu que ganha voz na lírica é um eu que se determina e se exprime como oposto ao coletivo, à objetividade", diz Adorno. A fala sindical destina-se ao coletivo, por isso ela é fechada.    
O grande erro dos movimento sociais foi negar, por causa de suas incompreensões, o ato estético nas lutas políticas.

No entanto, o capital, há um bom tempo, manipula, a seu favor, a estética.

O capital, que ironia!, poetizou-se.

Aos velhos do PT, poesia


O governador do Acre eliminou dois valores apreciados por meu paladar: a bienal do livro e o festival de teatro na Usina João Donato.

Em termos de cultura, o PT de Tião Viana tem sido um zero "à esquerda".

Você já reparou que governantes não falam aos jornais de cultura? Só falam frases feitas de estradas, de economia, de mercado.

Um desses dias, estava lendo os versos de Camões. Lembrei-me de dirigentes petistas acrianos.

A eles, os velhos do PT, dedico o que não entendem, ela: a poesia.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo de esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


domingo, abril 29, 2012

A Frente Popular está velha

Até as pedras envelhecem, o tempo não perdoa quem não se renova.

Para a prefeitura de Rio Branco, PT e PC do B escolheram Marcus Alexandre (PT) como candidato a prefeito e Márcio Batista (PC do B), a vice.

Não conheço pessoalmente Marcus. De sindicato e de curso Ideal, conheço Márcio Batista. Como pessoa, como ser humano, Márcio é gente boa.

Eu também sou.

A questão é como homem público, como sindicalista e como político, isto é, como indivíduo que administrou dinheiro de professores e que hoje administra a verba da Secretaria Municipal de Educação.

Separar, portanto, a pessoa do político, o particular do público. Nessa compreensão, a imagem de homem pública não pertence mais ao indivíduo Márcio Batista. 



Lançar os nomes Marcus e Márcio, segundo a Frente Popular, significa o novo. Mas quem disse que aparência jovem é sinônimo "de novo"? Quem disse que Márcio Batista é o novo?

Como presidente do Sindicato do Trabalhadores da Educação (Sinteac), Márcio não atualizou o sindicato para o século 21. Na condição de secretário municipal da Educação, Márcio Batista só trouxe "de novo" as roupas e o carro. 


Quais suas ideias novas para a educação pública? Desconhecemos. Na verdade, assim como o PC do B, Márcio Batista é velho de ideias, por isso o Sinteac não saiu da clínica geriátrica.

Envelhecemos quando acomodamos nossas provocações, nossas inquietações, nosso bom senso de justiça social; envelhecemos quando o valor no contracheque de um secretário municipal vale o mesmo que seu conformismo.    

Na foto, Márcio deixou de ser professor, deixou de ser sindicalista. Agora, ele é um "executivo".

O poder o deixou garboso, limpo; tudo nele agora deve ser correto, cauteloso, gramático.  Sua aparência não luta mais contra as injustiças sociais.

Quando o candidato Cabide entrou na Câmara dos Vereadores de Rio Branco, Márcio, excluído na última eleição para vereador, afirmou que "a população rio-branquense não sabe votar".

Vindo de classe social pobre, Cabide, que não é garboso, que não tenta nem falar o politicamente correto da gramática, não poderia ter sido eleito, porque Cabide representa aquele que desqualifica a câmara, lugar dos ternos, da cordialidade, da boa aparência, da formalidade.

Ora, se o PC do B, por meio de Márcio Batista, não apresenta o novo por se acomodar no poder, Cabide foi a novidade nas últimas eleições.

Márcio Batista e Marcus Alexandre representam ideias velhas "de novo".

terça-feira, abril 24, 2012

Só ouça!

Um tanto quanto pitoresco

Por causa da professora Osmarina, lancei em sala o concurso do melhor blogue para os alunos do segundo ano do ensino médio.

O que é bom, sabemos, emite cores raras e se chama "Um tanto quanto pitoresco", o melhor blogue do segundo ano até o momento.

Projeto: colocar fotos de Rio Branco em preto e branco com poesias relacionadas às imagens.

Acesse www.umtantoquantopitoresco.blogspot.com  
 

sexta-feira, abril 20, 2012

Trabalho escrito à mão (2º ano)

Alunos do segundo ano do ensino médio.

Grupos formados por cinco alunos deverão elaborar trabalho escrito à mão sobre as estéticas Barroca e Árcade.


Mais: o trabalho seguirá normas básicas da ABNT para capa, contracapa e sumário.

O trabalho está assim divido: 


1. Período histórico do Simbolismo, do Realismo e do Naturalismo;


2. A história do Simbolismo na França e a história do Realismo-Naturalismo na França.

3. Sobre os poetas Stéphane Mallarmé e Arthur Rimbaud;

4. Três conceitos do Simbolismo, três conceitos do Realismo e três conceitos do Naturalismo. Tais conceitos serão pensados pelos grupos;  

5. As histórias do Simbolismo, do Realismo e do Naturalismo no Brasil;

6. Sobre os poetas Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.
OBS: após o aluno ser submetido a uma prova oral sobre esse trabalho escrito à mão, a nota será registrada. 


Trabalho escrito à mão (1º ano)

Alunos do primeiro ano do ensino médio.

Grupos formados por cinco alunos deverão elaborar trabalho escrito à mão sobre as estéticas Barroca e Árcade.

Mais: o trabalho seguirá normas básicas da ABNT para capa, contracapa e sumário.

O trabalho está assim divido:

1. Período histórico do Barroco e do Arcadismo;

2. A história do Barroco e do Arcadismo na Europa e no Brasil;

3. Cinco conceitos do Barroco e cinco conceitos do Arcadismo.

4. Pensar esses conceitos e pensar os conflitos entre esses conceitos.

OBS: após o aluno ser submetido a uma prova oral sobre esse trabalho escrito à mão, a nota será registrada.    

 
 

Amor edifica-se no tempo



quinta-feira, abril 19, 2012

A Língua da Frente, e eu não fui aos Estados Unidos

Como todo canto deste "berço esplêndido", político fala muita merda sobre educação pública.

No Acre, câmaras de vereadores e Assembleia Legislativa são infecundas para qualificar o ensino das classes mais pobres.

A Frente Popular, até hoje, mostrou-se incompetente para qualificar o ensino de língua portuguesa.

O PT não superou seus limites, e o governador Tião Viana será o último a desligar a luz. Angelim, o penúltimo.

O ensino de língua portuguesa é péssimo nas escolas acrianas, eu guardo quilos de redação para constatar isso ATÉ HOJE.

Estados Unidos

Hoje, mais uma reunião com técnicos da Secretaria de Educação do Acre.

Um resolveu então falar de sua viagem aos Estados Unidos. Foi conhecer o ensino do Tio Sam.

Leciono há anos no estado e nunca fui convidado a ir aos Estados Unidos. Eu ralo em sala de aula. Ralo.

Por que não me convidam?

Por que não trabalho na equipe de Língua Portuguesa da secretaria?

Não trabalho porque o Partido dos Trabalhadores está cagando e andando para os princípios republicanos.

Serei claro como água do Saerb:

não existe concurso público para trabalhar em uma equipe de Língua Portuguesa. A escolha não é republicana.

Escolhe-se segundo o critério pessoal (amizade), o critério da simpatia (afinidade), o critério partidário (corporativismo), o critério da indicação de alguém.

Qual o resultado disso?

O resultado é que eu não fui aos Estados Unidos.

Sacanagem!

(kkkkkkkkkk)
       

quarta-feira, abril 18, 2012

O alimento é sagrado?

Os que administram o dinheiro público ordenam que trabalhadores construam estradas, pontes, viadutos. Tudo em nome do desenvolvimento.

Na escola pública, no entanto, ninguém ordenou que construíssem um refeitório. Existe  estrada que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, mas alunos comem em pé, em qualquer canto.  



O lugar onde se alimenta deveria ser bem melhor. 



Uma coisa é um refeitório; outra, um ajuntamento. 


.

 











Pode parecer normal se alimentar dessa forma, mas eu estranho o que é normal.








    


terça-feira, abril 17, 2012

Setor público

Se você reparar bem na foto, há quatro funcionários públicos limpando um pequeno espaço de uma escola estadual:

dois estão à esquerda; e dois, à direita.

Se fosse escola particular, haveria um funcionário. Economia.

Mas dinheiro em escola pública é isto: desperdício.

Se o pré-sal colocar mais grana na escola, teremos, no lugar de quatro, dez funcionários limpando esse mesmo espaço.

Quando o dinheiro do pré-sal chegar a esta escola pública acriana,
serão dez funcionárias para limpar um espaço que poderia ser limpo
por uma só funcionária

sábado, abril 14, 2012

A língua do povo. A língua do comércio

Rimos de pessoas simples quando a escrita delas circula pela internete. Rir de quem estudou pouco, ou não estudou, ou estudou em escolas públicas tão ruins.

No interior do Acre, onde a escola rural jamais foi prioridade de governos, rimos desta frase: 

A língua é uma consequência do meio social
e, também, de políticas públicas de educação

Rimos da escrita que mora no mato, mas não rimos do erro que está no moderno computador de um grande supermercado.

Rimos dos pobres, não do empresário que não sabe colocar uma vírgula em uma frase-oracional tão simples.

O erro do supermercado, esse sim, é inadmissível, porque ele se encontra em um meio social que se diz muito bem alfabetizado.   
 
Não rimos do erro que não está na zona rural

Quando leio "Restauran
te: du:
povo
",

lembro-me de versos de Oswald de Andrade:

- Midá um bejo na minha testa
- Praquê?
- Eu gosto
- Ocê tá brocha hoje
- Foi ar que deu.

Ou das palavras de Macunaíma: "Caterina era mas uma boneca de cera carnaúba posta ali pelo gigante" ou "(...) seguindo com arame do Governo não é milhor?".

Quando leio "Restauran
te: du:
povo
",

lembro-me de personagens de Guimarães Rosa.

O erro popular de uma gente no interior do Acre ou dos personagens Chicó e João Grilo é uma maneira de negar a cultura daqueles que exercem o domínio da "fala correta" em tribunais, em igrejas, em palácio de governo
.

Ou em supermercado.

terça-feira, abril 10, 2012

Tempo


                                                                           
                     

Palavras são inúteis
a certos humanos.

Menos uma:

tempo.





Com a firmeza
do seu silêncio,

só ele
nos humilha


para que aprendamos
que a liberdade

não nos livra
dos limites.

Só o tempo,
essa palavra,

à frente de todas,
nos espera,

com toda calma,
para dizer que, 

agora em diante,

daqui,

não se passa.

Faça o que faça,
já no fim,
nada se move -

só a boa lembrança

das horas
nos ultrapassa.

      

domingo, abril 08, 2012

O tempo


É tempo de retornar a meus pais. Cuidar de suas idades.

Com mais de 80 anos, seu Aldo não precisa mais acenar para se despedir, porque o seu corpo já é todo partida.

Nas fendas intensas de sua pele, não habita mais em seus poros prepotência.

Com suas rugas, o tempo nos dobra.

  

Senador Jorge Viana não tem vergonha na Caras

Em castelo italiano, o pensionista do PT
arrecada culinárias francesa e italiana
para os alagados do rio Acre 

O deputado estadual acriano Calixto postou no blogue dele. O jornalista Altino Machado pegou do Calixto e postou.  

Eu só venho bem depois.

Sou o último a saber que o senador Jorge Viana (PT), em 19 de março, no dia do patriarca São José, esteve em Castello Superiore de Marostica, em Vêneto, Itália, para comemorar o aniversário do escritor ruim Paulo Coelho. 

É preciso repor a verdade.

Primeiro, o senador petista não esteve Contigo, povão, na Itália para sentir o aroma inebriante da riqueza. Mesmo assim, o senador pensou nos acrianos mais pobres.
 

O choucrute francês será introduzido na mesa dos pobres  
Jorge esteve no castelo de seu amigo Paulo Coelho para arrecadar a culinária e o vinho dos ricos a fim de doá-los depois aos alagados do rio Acre.



Um dia depois da noite de 19 de março, o senador levou para o Acre o  melhor da culinária francesa. 

Estima-se que o pensionista do Partido do Trabalhadores arrecadou uma tonelada de 
cassoulet, de homard persillé, de choucrute, de ratatouille.


Não só culinária francesa, mas também italiana.   

Ganhando muito bem como senador para lutar na Europa pelos acrianos mais pobres, Jorge aproveitou a oportunidade para doar cinco meses de sua pensão de ex-governador na festa de aniversário e não teve a menor vergonha na Caras ao pedir a Paulo Coelho mil livros do autor para que suas páginas fossem distribuídas nos banheiros e nas latrinas dos mais pobres.

Por ter sido a festa no dia do patriarca dos trabalhadores, São José apoia a causa do senador pensionista, menos Calixto e Altino, que não acreditam nas boas intenções de um príncipe no castelo dos outros.



sábado, março 31, 2012

Beijo


Em uma turma, um bom aluno encontra-se encantado por uma jovem bem educada. "Professor, ela não é qualquer uma".

Imagino o primeiro beijo entre eles: igual àquele conquistado por casais seculares: batimento cardíaco disparado, suor nas mãos, circulação sanguínea intensa, sem chão, silêncio trêmulo.

No exato instante do toque, nuvens, nuvens, nuvens, e eles, extasiados, contemplam o brilho intenso do sol ainda que seus olhos estejam selados pelo silêncio à margem da alegria dos que beijam escondidos.



"O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar
"





Beijo







Em sua insana consciência,






o Amante jamais pensa como beijará
o ser 
Amado,

porque a essência do beijo

é não pensar.
Inebriar-se!

Uma vez no Beijo, digo,
uma vez entre
lábios,

línguas,
salivas,

chega-se ao céu...

ao céu da boca

com os olhos divagando
na escuridão. 


Já não há mais
vontade de ver o mundo,
por isso fechamos os olhos
para sentir na boca 
a fartura da alegria mais profunda.      

Tudo no beijo é
sobra,
excesso,
largura.

Nada no beijo é
exato, 
preciso,calculado ou
nulo.

Quanto mais errado,
quanto mais desordem ele excita, 
a língua mais escapa, foge,

escorre.

Quanto (dê)mais a língua se movimenta
no precipício

a boca deseja mais ainda
perder,
na boca Amada, o juízo.

Mas quem disse que o beijo
são só os movimentos da carne?


Antes de eu ter minha boca de volta
ao normal,

antes de eu sair de ti,

deixei na tua não só o pecado molhado
da saliva,


mas meu sopro...
sinta! 

meu sopro de vida!
    

Ganhei 10 aulas em dois sábados

A esquerda acriana e os sindicatos da educação
foram às ruas de Rio Branco hoje para que
a memória do golpe de 64 não morra do mal de Alzheimer.
Adoro a cor rosa, acho tão feminina (Ui!)

Hoje, 31 de março, dia em que a esquerda e em que os sindicatos da educação do Acre saíram às ruas para que os 48 anos de golpe militar de 64 não sejam esquecidos,

eu confesso que tenho dado meu golpe na escola onde leciono.

Eu não presto, principalmente, nas gestões da professora Osmarina e, agora, na gestão do professor Waldir. Meus amiguinhos de micropoder.

Serei claro como a água do Saerb.

Meus alunos assistiram a um filme no sábado passado segundo meu interesse mesquinho de receber aula e mais aula extra, aulas extra ou aulas extras.

Sábado passado, recebi 5 aulas por uma projeção cinematográfica de 2h20min. Safado. Canalha.

Por causa disso, sábado sim e sábado não, meus alunos assistem a bons filmes, o próximo será "Anaconda"; no próximo sábado, "Homem-Aranha 1".

Se a coisa for assim, em outubro - ou até antes -, concluirei minhas aulas.

Mas tem coisa melhor do que isso: a gincana de conhecimento.

Com a finalidade de receber mais 5 aulas, meus alunos das turmas A e B disputaram, hoje, dia do golpe, os conhecimentos  

da obra "Álbum de família";

da   "Nova Ortografia";

dos textos "A força das palavras" (material da Secretaria de Educação), de Lya Luft, "Grande Amor", de Cruz e Sousa;

das escolas literárias "Naturalista",  "Realista" e "Simbolista"; e

dos filmes "Lavoura Arcaica" e "O carteiro e o poeta".


Como a secretaria exige que o professor seja criativo, porque todas as condições são ofertadas pelo Estado para isso, eu sei que o governo aumentará meu salário, deixando-o alto e forte como Anderson Silva, algo perto de um UFCDAS.


Também sei que, assim como o educador Iraílton, serei premiado e convidado para trabalhar no MEC, porque eu poderia ter dormido até meio-dia ou ter assistido ao  programa Teletubbies neste sábado, mas acordei cedo para alegrar meus alunos com uma gincana do conhecimento. Tudo em nome de 1 + 1 + 1 + 1 + 1 = 5 aulas.

E não é só.

Em minha alma à margem esplêndida, sinto em meu ovário que conseguirei um cargo importante ao lado do diretor Waldir (por exemplo, puxa-saco) para, em uma segunda situação de puro interesse, trabalhar na secretaria.

Bem, depois que eu disse todas essas verdades, hoje, 31 de março, sairei com o PT, com o PC do B, com o P-SoL, com o PSB e com o PPS pelas ruas de Rio Branco para dizer ao Luan Santana e ao seu povo que eu não me esqueci do golpe militar de 1964.

   

Mas não é hoje que tem a reprise dos teletubies na tevê?



Poderia ter ficado em casa com meus amiguinhos








 

Duas ideias à equipe técnica da SEE

Em pleno período de velocidade de arquivo pela internete - sim, com "e" no final, existe registro de gramático -, eu proponho a invenção da roda.

A equipe de Língua Portuguesa e (de Literatura)  da Secretaria de Educação do Acre possui bons materiais sobre as disciplinas.

Na última reunião, por exemplo, a professora queria passar arquivos para o seu "pendraive" - aportuguesamento é questão ideológica -, mas, como estava com pressa, não pôde.

Eu sugeri que a equipe colocasse seus arquivos no sítio - aportuguesamento é ideológico - da Secretaria da Educação.

Com isso, um professor de Mâncio Lima ou de Cruzeiro do Sul poderiam acessar a página da secretaria para realizar a transferência para seu computador.

Outra:

a secretaria poderia deixar um espaço chamativo para os professores da rede pública estadual publicarem seus textos, suas opiniões e suas críticas propositivas inerentes às suas disciplinas.

Espaços virtuais para para os professores interessados pensarem a Língua Portuguesa na escola ou até deixarem propostas de atividades em sala de aula.

Mais: como o governo petista faz propaganda de estrada, ele também poderia realizar boas propagandas para divulgar esse tipo de comunicação virtual a favor da educação.

Como o PT é um partido revolucionário no campo das ideias educacionais, eu gostaria de deixar, no sítio da Secretaria de Educação do Acre, um convincente artigo de opinião sobre Literatura e sobre Língua Portuguesa.      

Veio da Secretaria de Educação

Faz uns anos.


Ouvi de um professor (ou terá sido de uma professora?) da equipe de Língua Portuguesa da Secretaria de Educação do Acre que gramática só tem sentido se for no texto.

Quando parte de uma equipe da secretaria afirma isso, dissemina um grande equívoco nas escolas públicas. Melhor: um imenso erro.

Na escola Heloísa Mourão Marques, por exemplo, o estudo gramatical está deixando de existir, porque esse estudo realiza-se somente no texto - se é que se realiza.

Mais do que estudar substantivo ou orações adverbiais, o pensamento gramatical -  Protágoras, Platão, Aristóteles - é uma forma de organizar, por exemplo, as relações entre professor e aluno e até de administrar uma escola.

Não irei, no entanto, tão longe.

Pergunto:

em quantos textos os alunos registram o fenômeno da crase?

Nesses meus dez anos de Heloísa Mourão Marques, não me lembro de ter visto o acento agudo, indicador do fenômeno da crase.

Ora, formas variadas de escrever implicam formas variadas de expressar o pensamento. Minhas ideias ou meus conteúdos precisam de formas ou de significantes para haver variações, deslocamentos, expansões do meu raciocínio.

Quem leu bem "Estética da Criação Verbal", de Mikhail Bakhtin, sabe que significantes permitem a distensão do raciocínio.  

"Se me sirvo da língua" - e não "se uso a língua", como poeticamente escreve o sedutor  Merleau-Ponty -, falar ou escrever "à" não só expõe um conhecimento, mas esse significante (
"à") acolhe e amplia a ideia, o conteúdo, o raciocínio.

"Sim, então dê ao aluno textos para ele saber usar crase", diz o representante da secretaria.  

Muita abstração. Aplique a sugestão do representante na realidade.

Aplicou?

O professor deverá procurar durante um bom tempo textos e mais textos para o aluno entender, nos textos, as muitas variações do fenômeno da crase.

Possível?            

Oposto ao técnico da secretaria.

O professor, servindo-se do pensamento gramática, deverá retirar as partes do todo, ou seja, ele dará ao aluno uma relação de exercícios descontextualizada de como se servir do fenômeno da crase.

Ora, não é isso que Celso Pedro Luft registra em seu livro "Decifrando a crase", da editora Globo? Ele não explica crase nos textos. Ele explica por meio de frases-oracionais isoladas; Celso, contudo - aí é muito interessante -, constrói textos para explicar.  

Hoje, no Acre, por causa da banalização das palavras "produção textual" e "leitura", não se estuda gramática fora do texto, exemplo, repito: Celso Pedro Luft usa frase isoladas e, por causa delas, constrói texto para explicá-las.

O pensamento gramatical retira do todo (o texto) a parte para ser estuda em si mesma. Lecionada essa prática, deve-se, evidente, em outro momento, alterar construções sintáticas dos alunos para eles se servirem do fenômeno da crase.

"Aqui, nesta parte, você pode retirar este verbo e, no lugar dele, colocar outro - pesquise no dicionário - que possibilite com sua regência a preposição 'a'. Repare, após o verbo com a preposição 
'a', existe um substantivo feminino, existe o artigo 'a'. Neste caso, se você encontrar o verbo adequado, realizar-se-á a crase, ou seja, a contração entre preposição e artigo", explica o professor ao aluno na aula de reconstrução textual.

Como se trata de um exemplo importante para todos, o professor escreve na lousa.



Assim, o aluno poderá escrever uma frase-oracional mais elaborada porque, na aula de gramática pela gramática, o aluno aprendeu por meio de exercícios separados do texto.

Na escola Heloísa Mourão Marques, o aluno não estuda gramática à parte do texto.

Tudo bem, tudo bem, nos próximos anos, o governo federal apresentará um currículo nacional, onde o aluno deverá estudar gramática.

Como alguns colegas de profissão são incapazes do milagre da antecipação, em um futuro bem próximo, eles farão o que o "tio mandar", no caso, o Ministério da Educação.

Só para concluir: assim como existe o cálculo  matemático ou a continha à parte de uma equação de 2º grau a ser resolvida (o todo), assim também existe a gramática à parte do texto. Um não anula o outro.

Os dois métodos completam-se: gramática à parte e gramática no texto.