terça-feira, março 06, 2007

Matéria da Secretaria de Educação e Eu

Acredito que, por causa da matéria que publiquei na TRIBUNA e no blog, a Secretaria de Educação elaborou um texto para mostrar sua versão. ____________________________________________
Indicadores do MEC mostram que educação do Acre
evoluiu muito nos últimos anos

Matéria de Edmilson Ferreira

Apesar das dificuldades, o Acre consegue reestruturar a educação pública. Todos os indicadores confirmam tendência de melhoria em todos os níveis, mas principalmente no ensino fundamental.
De acordo com o Ministério da Educação, em 2005 o Acre obteve a melhor variação absoluta no Prova Brasil, do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, que mediu o rendimento dos alunos das quartas e oitavas séries de todas as escolas do país. O Estado registrou crescimento de 12,4 pontos na avaliação atual em comparação ao Saeb 2003. Os estudantes acreanos tiveram média de 158,3 pontos em português, no Saeb 2003, e, na última avaliação, alcançaram média de 170,7 pontos na disciplina.
A média nacional é negativa, o Norte tem índices ruins, o pior do país. No entanto, a Frente Popular conseguiu melhorar a educação pública, mas estamos distantes e novos caminhos não foram apontados para o ensino médio.

Em 1999, no início do Governo da Floresta, o Acre ocupava as últimas colocações em todas as avaliações oficiais – era a pior educação do País. Em 2003, superou vários Estados e foi para 16ª posição e atualmente ocupa a 11ª colocação na avaliação de língua portuguesa, desempenho melhor que o obtido por Tocantins, Rondônia, Amazonas - e até mesmo por regiões ricas, como o Rio Grande do Sul.
No Enem, a colocação é 23ª e 24ª. O 11º refere-se ao ensino fundamental.
De acordo com a Secretaria de Educação, os avanços foram obtidos a partir de um grande esforço do Estado e dos professores. Os estudantes acreanos receberam nota média 158,7 no Saeb 2003 e conseguiram 171,9 pontos ou 13,2 pontos a mais no Prova Brasil. Em todo o Estado, no ano avaliado, 14.132 alunos de 179 escolas de 22 municípios participaram da Prova Brasil. Foram 10.474 alunos de 122 escolas estaduais, 3.570 de 56 escolas municipais e 88 do Colégio de Aplicação.
Os números remontam aos investimentos realizados desde 1999 na educação: construção e reforma de escolas, melhorias salariais a professores e pessoal de apoio, plano de carreira profissional, repasse de dinheiro diretamente às escolas, autonomia escolar, capacitação e formação em nível superior, integração do sistema municipal com o estadual. A descentralização da gestão, com o repasse de dinheiro diretamente às escolas, é uma das ferramentas para o Acre ter conquistado melhores posições no ranking nacional de ensino.
Quando o Governo da Floresta começou, somente oito municípios tinham o segundo grau. Hoje, o ensino médio está presente mesmo em comunidades distantes como a Foz do Breu, no extremo oeste do Acre. A qualificação dos professores tem sido fundamental no processo. Apenas em alguns programas de formação de professores em nível superior, o Estado já investiu mais de R$ 50 milhões com a ajuda do Governo Federal.
Questão não se reduz à qualificação do professor somente, é preciso haver uma nova forma de administrar a escola e isso passa também pelo encontro entre áreas.
Municípios – O Ensino Fundamental melhorou muito nos últimos anos e o ensino fundamental caminha a passos largos para um salto de qualidade. Existem problemas no Ensino Fundamental e Médio que já foram identificados pela Secretaria de Educação. Em alguns municípios, há um esforço adicional para que o segundo grau acompanhe o desempenho dos demais níveis de ensino. “Os resultados virão porque há pouco tempo deu-se início na formação de professores em alguns municípios”, esclareceu Josenir Calixto, gerente de Gestão e Planejamento de Ensino Médio da Secretaria de Educação.
Falo do Estado, porque leciono em uma escola pública estadual.
Até 99, ensino médio sequer tinha rede

Ao assumir o Estado em 1999, o Governo da Floresta encontrou a educação em situação crítica. “O sistema não tinha nem a rede de ensino médio”, lembra Josenir Calixto, gerente de Gestão e Planejamento do Ensino Médio da Secretaria Estadual de Educação. No ano de 1996, os paradigmas do ensino médio voltavam-se aos vestibulares e à profissão. Depois, passou a preparar os alunos para o exercício do trabalho e da cidadania – o que no Acre foi incurtido exatamente com o advento do Governo da Floresta ao implantar uma ampla e abrangente rede de escolas com ensino de segundo grau.
Sim, não havia rede, mas não podemos comparar a Frente Popular a um descaso sempre, porque não dá para comparar. Precisamos comparar com o que é melhor para melhorar ainda mais.
A avaliação feita pelo Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) envolve o ensino regular e o supletivo, situação que, na opinião de Calixto, torna a metodologia complexa e gera disparidades entre resultados.
Sou professor de Língua Portuguesa do Estado há dez anos e conheço a realidade dessa disciplina na escola pública.
Qualidade do ensino não é só escola
O fator “escola” não é o único para se construir uma educação de qualidade. “É preciso dar suporte às famílias”, observa Calixto. “E nós estamos fazendo isso”, assegura, citando como exemplo as reuniões de pais e professores no Cerb, escola localizada no Centro de Rio Branco. A participação era fraca, não mais que vinte ou trinta pais freqüentavam as reuniões. “Ultimamente chegamos a reunir cerca de 600 pais”, comemora Calixto.
Não há relação direta entre participações de pais e qualidade de ensino. Trata-se de um mito. Escrever bem, por exemplo, não depende de pais na escola. Se depende, esxplique.
“Nosso desafio é fazer investimentos na sala de aula para que o professor possa planejar corretamente, de acordo com as necessidades dos alunos”, diz.
Como assim "investimentos"? Especifique! Como asssim "planejar"? Especifique!
Além disso, a gestão escolar é instrumento importante nesse contexto. A eleição de diretores comprometidos com as diretrizes básicas vem trazendo bons resultados.
Bons resultados? Onde? Como? Que resultados são esses em termos de qualidade de ensino na Língua Portuguesa? Especifique-os!
Por essa política, a eleição é um dos passos para a boa gestão. Primeiro, o candidato a diretor passa por um curso de capacitação para gerir a escola;
Por causa disso, temos ótimas administrações? O processo de escolha é antes, e ele é um equívoco democrático.
em seguida se submete à certificação e depois é avaliado em processo eleitoral em que participam professores, pais e alunos. “Problemas existem, mas eles estão sendo sanados com a participação da comunidade”, afirmou o gerente da SEE.
Especifique essa participação. Não há verdade e qualidade por meio de generalizações.

Diretores têm acompanhamento constante:
32 afastados por descumprimento do trabalho


Todos os diretores escolares têm acompanhamento constante da Secretaria de Educação. Ainda segundo Josenir Calixto, reuniões periódicas promovem debates entre diretores e técnicos da SEE na busca de soluções para os mais diversos problemas e conflitos. Calixto lembrou que há punição para os diretores que não cumprem com as regras: “em oito anos, 32 diretores foram exonerados da função”, afirmou.
Se acompanhasse, escolas não estariam em péssima conservação. Há menos de dois anos, foram reformadas e muitas estão com janelas quebradas, com vidros arrancados. Há diretores que não cuidam da escola. Material some e eles não são punidos. Poderia dar exemplo, mas o tempo irá mostrar.
Os conselhos exercem papel positivo na gestão escolar porque são, segundo Calixto, instrumentos de controle social. Na busca de fazer uma boa educação, os professores têm carga horária que lhes possibilita fazer o planejamento pedagógico individual e coletivo,
Coletivo não, porque não há conselho de disciplina. A cobrança, quando há, é individual.
e atividades na escola e em suas casas. No Brasil, a formação de professores em nível superior atinge 30% do quadro do Governo Federal. No Acre, em poucos anos, esse número chegará a 100% dos docentes. A previsão é da Secretaria de Educação.
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A crítica ética e propositiva contribui para repensar procedimentos. Minha matéria não adulou o poder e muito menos caracterizou-se como um panfleto vulgar contra uma pessoa ou partido. Gosto de dialogar sobre idéias, algo carente em nosso jornalismo.
Em outro momento, escreverei um artigo sobre a Língua Portuguesa na sala de aula, um problema muito grave. Leciono há quase 20 anos, 1o dedicados ao Acre, e sei o que falo e como falo.
Lecionar tem sido a minha vida e, quando critico, é para que façamos sempre o melhor. Para mim, a esquerda deve sempre se sentir insatisfeita, nunca deve se acomodar e muito menos criar falas fáceis sobre problemas complexos.
Reconheço, repito, que a educação pública melhorou. Quero muito mais. E esse mais não se reduz a fazer da educação um ataque agressivo contra a Frente Popular ou contra o governador, porque a educação encontra-se, para mim, muito além da política partidária.



segunda-feira, março 05, 2007

Prefeitura de Rio Branco e a Língua Portuguesa

De Freud Antunes

Representantes da Prefeitura de Rio Branco e das 66 escolas de ensino fundamental estiveram reunidos no auditório da Secretaria Estadual de Educação (SEE) na manhã de ontem para discutir a aplicação de uma avaliação para os estudantes de 2a a 4a séries.
O objetivo do teste é verificar o nível de escrita e de leitura dos alunos de toda a zona urbana, identificando os jovens que ainda são analfabetos.
Segundo a técnica da equipe de ensino da Secretaria Municipal de Educação (Seme), Adelaide Costa, a avaliação deverá medir o grau de conhecimento dos estudantes, propondo a melhoria do ensino da Língua Portuguesa.
“Vamos verificar se os alunos aprenderam a ler e a escrever, identificando os problemas que causaram o analfabetismo. Com isso, poderemos traçar planos para uma melhor aprendizagem”, explicou.
Para isso, os técnicos e os professores terão que aplicar testes com perguntas básicas a todos os estudantes, podendo avaliar a capacidade de leitura, interpretação do texto e escrita.
“Assim, poderemos analisar caso a caso, podendo propor ações voltadas para cada escola, tudo de forma individual”, disse Adelaide.
As mudanças no ensino não representarão modificações no projeto pedagógico escolhido pelo sistema público de educação, mas pretende identificar os problemas de analfabetismo ainda no começo do ano.
“Não haverá mudanças nas formas pedagógicas. Queremos apenas tratar os casos no início do ano letivo, fazendo com que 100% desses alunos possam aprender a ler e a escrever até o final do ano”, detalhou a técnica.

Sobre o texto do universitário

Não me apego a nomes, mas, nesse caso, a instituições. Quando um aluno está no 7o período e escreve dessa forma, a única responsável é a instituição. Jornalista tem a obrigação de escrever muito bem e de ter uma cultura plural.
Quanto aos erros publicados na TRIBUNA, eles ocorrem, porém, ainda sim, consigo diminuir a margem de erro. Queria diminuir mais essa margem, mas, para isso, é preciso haver um trabalho de equipe na Redação.
Apresentei uma proposta ao proprietário do jornal, o senhor Assem: uma vez por semana, pela manhã, revisor e repórteres dialogarem sobre o que é escrito.
Para uma primeira etapa desse diálogo, registrei alguns erros mais comuns a fim de que sejam evitados. Precisamos padronizar o texto da TRIBUNA em alguns aspectos.
Busco dar minha contribuição, mas também é preciso haver a boa vontade de outras pessoas para que A TRIBUNA tenha o melhor texto entre os jornais acreanos.
É preciso haver trabalho de equipe. Por exemplo, penso que "foca" deveria estar ao lado do revisor para observar as correções em seu próprio texto.

sexta-feira, março 02, 2007

Não leia, por favor!!!

Houve um tempo em que eu publicava o nome em meu blog. Parei. Hoje, não publico os nomes dos repórteres e nem das instituições de ensino. Preservamos a identidade, mas não poderia deixar de publicar aqui parte de um texto escrito por um universitário.

No sétimo período, não sei o que seus professores lhe ensinaram para que ele produzisse o texto abaixo. É uma vergonha para o Estado colocar no mercado de trabalho profissionais que só contam de 1 até 5 e soletram de A até C.

Os alunos deveriam exigir de seus professores a absoluta qualidade, mas são os primeiros que rejeitam as cobranças. O resultado nos espanta aqui.

Um acadêmica observação:
antes de produzir matérias, o universitário, quando estagiasse, deveria, primeiro, corrigir textos dos jornalistas para, depois, somente depois, produzir seu próprio texto.
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"Circo Portugal trás também o fantástico Globo da morte com a apresentação de 5 motos simultaneamente os únicos em toda a América Latina a executar tal apresentação e os mesmos giram no Globo a uma velocidade de 80 a 100 Km por hora.

O circo tem hoje uma das Melhores estruturas para dar conforto e segurança ao publico as arquibancadas foram trocadas por cadeiras e camarotes.Existem também uma praça de alimentação diversificada na entrada do circo.
Circo Portugual nasceu em Portugual mais precisamente na cidade de Braga e tudo começou no cassino de Estoril e a Família Portugual já esta na sua sexta geração e a base da empresa é na cidade de Brasília e entre os artistas e funcionários tem um total de 120 pessoas sendo destes 30 artistas com 16 mulheres.
A ultima apresentação do circo Portugal antes de Rio Branco foi nas cidades de Campo Grande (MS),Rondonópolis (MT) , Cuiabá (MT) e por ultimo na Cidade de Porto Velho o circo deverá permanecer na cidade pelo menos uns 20 dias, por isso não percão."
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Se fosse um médico muito mal formado, cadáveres espalhariam-se pelas ruas. Como é educação, como o corpo é a palavra, não sentimos o odor desagradável.

Amazônia: de Galvez a Chico Mendes







Não conheço nenhum abismo ou penhasco na Floresta Amazônica, mas a Glória Perez colocou a audiência de sua minissérie em queda livre.

Os números são inferiores à minissérie JK. Sua audiência não se compara às cenas de Hoje é Dia de Maria.
Amazônia: de Galvez e Chico Mendes despenca na audiência como O Clone e América.
O que fazer? Uma microssérie estreará em julho, é A Pedra do Reino, dirigida pela inteligência sensível dele, o mesmo diretor de Lavoura Arcaica e Hoje é Dia de Maria, sim, ele: Luiz Fernando Carvalho. Luiz baseia-se no texto de Ariano Suassuna.
Muito oposto à proposta estética de Glória Perez e de Marcos Schechtman (foto à esquerda), Luiz Fernando é senhor de um trabalho artesanal, imaginário. É como ele mesmo diz.
"O desafio é manter o mistério, a ambigüidade, o diálogo entre o que você vê e o que não vê. O desafio é diminuir a alta definição."
Abaixo, um texto de
_Carla__Neves________
Apesar de contar de maneira interessante a pouco conhecida História do Acre, a trama de Glória Perez peca pelas cenas previsíveis e pela escassez de cenários. Não se nota ousadia na câmara e na edição. O diretor Marcos Schechtman sempre opta pelos enquadramentos mais óbvios.
Além disso, muitas vezes, nota-se uma falta de fidelidade histórica, principalmente no que diz respeito aos seringueiros. Eles defendem posições política e ecológica impensáveis para o período histórico retratado na trama.
Em contrapartida, Amazônia prende a atenção através da minuciosa produção de arte e da maneira detalhada de retratar os contrastes sociais nos áureos tempos da extração da borracha. Outro acerto da minissérie está em reunir um elenco experiente, lindas paisagens da Amazônia, um figurino impecável e uma dosagem perfeita de ficção e realidade.
A escalação de José de Abreu e José Wilker foi acertada. Ao lado de Christianne Torloni, que encarna a espanhola Maria Alonso, Wilker está primoroso como o engajado Galvez. José de Abreu, por sua vez, esbanja segurança como o autoritário coronel Firmino. São bem verossímeis as cenas em que o ácido dono de seringal maltrata os seus colonos.
Débora Bloch também constrói uma agradável Beatriz, que decide ir para Manaus morar com a irmã, dizendo a todos que ficou viúva. A atriz está tão bem na minissérie que, até sem falar, consegue se expressar melhor do que muitos dos seus colegas de elenco. O mais surpreendente, porém, tem sido o grande desempenho de Jackson Antunes como Bastião, que encarna um nordestino que migra para o Acre na tentativa de ganhar dinheiro com a extração do látex.
A atuação de Regina Casé é de idêntico acerto. Como a impagável parteira Maria Ninfa, a atriz consegue divertir o público. É impressionante a maneira como ela torna engraçadas as situações mais miseráveis da minissérie.
Assim como Regina Casé, Antônio Calloni tem feito bonito como o Padre José, inspirado em uma figura real e muito querida pelo povo acreano. O ator acertou em cheio ao abandonar o seu insosso Gustavo, de Páginas da Vida, para se dedicar à composição do padre que faz partos, distribui remédios e conselhos e adora contar histórias mirabolantes para os seringueiros.
Nem a mudança de horário, que tem aborrecido alguns admiradores da minissérie que odeiam o Big Brother, e tampouco uma certa idilização da saga da borracha, ofuscam o brilho da trama de Glória Perez, tão envolvente que vale a pena esperá-la. Mesmo que seja até tarde da noite.

Sobre violência

A razão distorcida
Crítico comenta artigo do filósofo Renato Janine Ribeiro
publicado no Mais! de 18/2, sobre a violência no Brasil

ANDREA LOMBARDI
ESPECIAL PARA A FOLHA

S ou estrangeiro. Há 25 anos resolvi morar no Brasil, por achar que aqui o convívio era decididamente mais tolerante, menos carrancudo e mais leve do que na velha Europa. Confesso que, nesse meio tempo, nunca tinha lido um acúmulo de idéias tão corriqueiras, brutais e potencialmente perigosas como as contidas no artigo do Renato Janine Ribeiro (Mais! de 18/2), com outros textos, escritos para debater o ínico e monstruoso crime, que levou a vida do menino João, no Rio.
Confesso que estava esperando uma reação irracional, daquele Brasil profundo e recalcado: uma defesa de medidas extremas. Confesso que imaginava (há um certo tempo) que alguém viria a ocupar o lugar de uma extrema direita, que no Brasil nunca teve a coagem de se apresentar de forma explícita, legítimos continuadores de uma tradição que havia antes do golpe de 64. Fiquei surpreso e, sinceramente indignado, pois o texto do Ribeiro nas entrelinhas pode levar à incitação ao crime ("Quando penso que desses infanticidas, os próprios colegas da prisão se livrarão, confesso sentir um consolo").
Sou professor numa universidade pública (fui e sou ainda colega de Ribeiro). Mas, se ser intelectual resultar em algo parecido ao que alega em seu texto, vou preferir abdicar de minha profissão. Pois o papel do intelectual, em minha opinião, é apontar para um caminho na literatura e na leitura, que é o contrário ao corriqueiro e ao banal. Existe uma ética na leitura, que defendo, pela qual os leitores (sejam docentes, recém-alfabetizados ou alunos, sejam amadores ou apaixonados) devem exercer sua responsabilidade sempre e novamente, tentando decifrar no texto o que está escrito e o que está nas entrelinhas, o que é evidente e o que é recôndito, o que é banal e o que é novo e criativo e o que, a partir do texto, em nova leitura se possa dizer.
O leitor deve ser sempre como um regente de uma partitura: criativo e atento, apaixonado e cuidadoso. A sensibilidade e a razão (distorcidas no artigo em questão) devem estar a serviço de uma leitura nova e original, que defenda e abra sempre mais novos espaços de liberdade (alguns o chamaram de livre-arbítrio, e essa definição parece ter vingado, pelo menos na letra). Considero-me um simples leitor, e a leitura que Ribeiro fez do episódio resulta numa acúmulo de banalidades e patentes inverdades, desmontando a aura de intelectual que reivindica, fornecendo suas munições a um movimento realmente reacionário, de justiceiros, de cegos vingadores (o que vai pensar dessas idéias um aluno de um curso de ética?).
Aponto três aspectos, dos tantos problemáticos, do texto. 1. No texto há um apelo a Deus, blasfemo para um crente, paradoxal e oportunista para um intelectual iluminista. 2. Reitera-se uma posição brutal e perigosa, que parte da defesa da pena de morte, para conclamar a fatos e iniciativas mais graves: "Se não defendo a pena de morte é apenas por que acho que é pouco". "(Eles) deveriam ter uma morte hedionda." "Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga." 3. Entre as inverdades brilha: "Não vejo diferença entre eles e os nazistas". Os nazistas optavam pelo mal, como esses assassinos. "Sei que os pobres são honestos, mais até que os ricos". "O que vivemos não é diferente do nazismo".
Revisão das idéias Eu, como muitos, respeitava e gostava de Ribeiro. Respeito também que possa ter revisto suas próprias idéias, mas julgo prudente lembrar que um obscuro jornalista socialista na Itália resolveu inventar a mais modernas das ditaduras reacionárias. E que havia um banal pintor de paisagens, na Áustria, que se tornou o realizador de uma imensa arquitetura da destruição.
Respondo aqui à última das afirmações do texto, por sentir-me diretamente atingido, pois sou de origem judaica e acredito ser o dever de todos esclarecer as condições em que o nazismo e o fascismo nasceram e proliferaram. Uma dessas condições foi a queima dos livros, real e metafórica, o apelo a reações irracionais contra a tradição humanista e erudita da Alemanha e da Europa.
O nazismo foi uma ditadura (não uma iniciativa de um homem do mal), que cristalizou de forma monstruosa os sentimentos de medo contra o desemprego, contra a criatividade artísticas desenfreiada das vanguardas e de medo contra o apelo à oralidade e à liberdade do leitor, numa nova versão do antisemitismo. A violência crônica e brutal contra o pobre menino é provavelmente expressão de uma doença crônica, que convive com essa nossa sociedade contemporânea, em suas entrelinhas ou em suas entranhas.
É pensando na patologia desses casos que devem ser tratados que se justifica uma reação da sociedade, utilizando-se de instrumentos específicos e o bom senso, como o psicanalista Renato Mezan, sensatamente sugere, em seu artigo publicado na mesma edição do Mais!. Pois essa nossa sociedade proclama a felicidade e vive a neurose, almeja a paz dos sentidos e não consegue vencer o medo, a angústia e o pânico. Mas os cidadãos comuns trancados e queimados pelo tráfico no Rio no final de 2006, o índio queimado há alguns anos em Brasília e os linchamentos são um triste primado do Brasil e expressão de intolerância profunda.
São índices de uma violência que sempre existiu (leia-se "Totem e Tabu" [de Freud] ou qualquer estatística sobre estupros e violência doméstica para ter uma confirmação). Não há solução "final" para o problema da violência (nem para qualquer outro problema, mesmo social). Lutar para diminuir a idade penal e defender a instituição da pena de morte mostram unicamente a dependência do mais corriqueiro e brutal senso comum, o contrário do bom senso. Essa sociedade esconde a doença com toda a gama de antidepressivos liderados pelo Prozac e seus derivados.
As palavras de Ribeiro soam como o equivalente ao Viagra, feito para mostrar mais roxo do que é realmente e revelam que a idade e a preparação intelectual não necessariamente trazem sabedoria. Não me sinto mais tão estrangeiro, não tenho certeza de que quero ser considerado um intelectual ou um professor, mas sinto-me tão humanista e ligado à ética quanto quando cheguei. Escolhi o Brasil, há quase um quarto de século, por ser mais tolerante, mais aberto do que a velha Itália. Hoje quero defender essa escolha.
Penso que contra a violência, contra a pena de morte, contra a corrupção que autoriza descrença, desengajamento, hipocrisia e cinismo, é necessário retomar uma atitude inconformada. Ou melhor: rebelde. Fazendo, talvez, como fizeram, há alguns anos, os ambientalistas no Rio, que com um gesto simpático, abraçaram a Lagoa de Freitas. Declarando talvez como há 50 anos o fazia veementemente o fundador do situacionismo -Guy Debord- ou [o cineasta] Pasolini, seu inconformismo com a sociedade do bem-estar e da apatia. Protestando como em 1968, com milhões de jovens no mundo inteiro, para chegar a gritar hoje (talvez?): "O bom senso ao poder" que ecoa o "poder da imaginação" de então. Qualquer coisa, menos a indiferença pós-moderna, como escreveu um autêntico intelectual carioca.
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ANDREA LOMBARDI é professor de língua e literatura italianas na Universidade Federal do RJ e membro da pós-graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Ronda Gramatical

“Trata-se de um projeto de lei que, apesar das polêmicas, está sendo defendido em nível nacional. Em Rio Branco, já apresentamos o anti-projeto que, certamente, neste ano, o prefeito Raimundo Angelim enviará para votação. Para isso, precisamos estar de posse de todas as informações sobre a real necessidade dessa prorrogação”, defendeu a vereadora.
  1. Fragmento de um texto de "açeçor de gabineti"; e
  2. As vírgulas não estavam assim.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Nudez Carioca





Para muito além da criminalidade de minha cidade, o Rio de Janeiro possui lugares lindos. Um deles, praia do Abricó (marcada). Aqui, andamos nus. Ela localiza-se depois do Recreio, depois da praia da Macumba.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Língua Portuguesa, um problema muito sério no ensino médio acreano

Foto da sala da José Rodrigues Leite, a primeira escola do Enem de 2006 entre as escolas públicas do Acre.
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De Aldo Nascimento

Propaga-se que o ensino público acreano escreve bem na lousa. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apagou essa idéia. O Ministério da Educação, por meio de pesquisa, reconhece: o ensino de Língua Portuguesa no Brasil é insatisfatório em sala de aula.

Se os índices nacionais não são bons nem para o Ministério da Educação, como poderiam propagar no Acre que as escolas do ensino médio escrevem bem no quadro-negro? Ainda que a Frente Popular tenha iniciado um processo de transformação na rede pública, não estamos nos céus. Há imperfeições nesta terra avaliada pelo Enem.

Enem – 0 a 100 pontos
Em 2005, os alunos brasileiros conseguiram 39.41 na prova objetiva e 55.96 na prova de redação. No Acre, os estudantes pontuaram 31.96 na prova objetiva e 50.21 na redação.
Em 2006, a média diminuiu. O país recebeu 34.94 na prova objetiva e 51.23 na prova de redação. As escolas estaduais acreanas ficaram com 30.27 na objetiva e com 47.10 pontos na redação.
Por causa desses números, o ensino estadual acreano no Enem de 2005 obteve entre os Estados a 24ª posição na prova objetiva e a 26ª em redação. Em 2006, o Acre não saiu do 24º lugar, mas subiu para o 23º na prova de redação.
Comparada às outras regiões, o Norte tem a menor média do Enem tanto em 2005 quanto em 2006, sendo, portanto, a região que puxa para baixo a média nacional.

Prova-Brasil
Em outra pesquisa do Ministério da Educação, o Prova-Brasil, o Estado do Acre deixou a Língua Portuguesa da 4ª série do ensino fundamental em uma boa posição, a 11ª. No entanto, na 8ª série, na mesma disciplina, o Estado caiu para o 16º lugar.
Entre as capitais, a Língua Portuguesa da 4ª série em Rio Branco está no 8ª lugar e, na 8ª série do ensino fundamental, ocupa o 15º lugar.

Saeb
No Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb), os números favorecem o Estado quando os alunos escrevem na 4ª série (9ª lugar) e na 8ª série (9º lugar). Entretanto, a Língua Portuguesa escreve e lê muito mal no 3º ano do ensino médio, deixando a terra da escritora Glória Perez na 17ª posição.
Mesmo assim, o Acre puxa para cima, segundo o Saeb, os números da região Norte embora o Ministério da Educação reconheça, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que cerca de 59% de estudantes de todo o Brasil em Língua Portuguesa distribuam-se entre os estágios muito crítico e crítico na 4ª série. Na 8ª série, a situação do Brasil torna-se pior: apenas 10% dos estudantes estão no estágio considerado adequado.

Ensino médio
O ponto crítico encontra-se no ensino médio. Nessa fase escolar, o Enem e o Saeb reprovaram não só Acre em Língua Portuguesa, mas a própria média nacional. Nas escolas públicas do Estado, os alunos não lêem sequer um livro em sala de aula durante os três anos do ensino médio, e as aulas de Redação dependem da vontade do professor.
Para a Saeb, a situação crítica de Língua Portuguesa é quando o aluno ainda não é bom leitor. Apresenta algumas habilidades de leitura, mas aquém das exigidas para a série - lê apenas textos narrativos e informativos simples. É o caso do Acre.

Qualidade de ensino
Acreditava-se que, pagando melhor ao professor, haveria qualidade de ensino. Com especialização e há dez anos no Estado, um professor recebe por mês, lecionando 20 horas semanais, R$ 1.570, líquido. O salário não chega a ser ruim, mas não representa a grandeza de educar e muito menos qualidade de ensino. Não há relação direta entre bons salários e boas aulas.
Nos cursos de pré-vestibular, poucos desejam ser professor, o salário não compensa. “Os políticos falam tanto sobre valorizar o professor, mas eles continuam a receber pouco pelo que a educação vale para uma nação”, disse Simony, estudante do pré- vestibular Ideal e deseja cursar medicina na Universidade Federal do Acre.
E se um professor recebesse igual a um médico? A Simony poderia mudar até sua opção no vestibular, mas seus alunos do ensino médio teriam um ótimo desempenho no Enem?
Qualidade de ensino significa um conjunto de ações. Uma delas, administração escolar. Quem conhece a gestão escolar pública sabe que há falhas e uma dessas falhas inicia-se pelo processo democrático, que tem sido incapaz de votar em ótimos candidatos para que eles administrem muito bem as escolas.
Ainda se vota em candidato a gestor de escola como ato nocivo ao bem público, por exemplo, troca de favores, simpatia, cor partidária. Alguns defendem que, para ser gestor, a pessoa deveria ser formada em administração. E mais. Uma vez formada, deveria se submeter a um concurso público.
“Eu já presenciei várias eleições na minha escola e sei o quanto a democracia escolar é corrupta, os alunos votam sem saber o que é escola, votam porque esse é simpático, aquele é antipático, votam porque esse tem as cores partidárias”, observa a professora Fátima (o nome é fictício a fim de não comprometer a educadora).

Ainda a qualidade
Daniele, de 24 anos, estudou na escola Heloísa Mourão Marques há alguns anos. Ela revela que, quando estava no 3º ano do ensino médio, uma professora de História pediu para que os alunos desenhassem e pintassem um índio.
“Não é mentira, é um absurdo, mas uma professora fez isso em sala, porque era o Dia do Índio”, e conclui. “Professor fazia o que queria e o que não queria em sala. Para você ter uma idéia, certa vez, um colega meu faltou muito, mais de 75% de falta, mas, mesmo assim, passou de ano com 9 e 10.”
A Lei 1.513, de 11 de novembro de 2003, apresenta equívocos, e um deles lê-se em seu capítulo 3, sobre a organização da gestão escolar. Esse capítulo admite somente os conselhos escolares como estrutura, mas essa estrutura tem sido insuficiente para qualificar o ensino. Não pode haver qualidade se, também, não houver uma nova estrutura escolar. Na escola Heloísa Mourão Marques, criaram-se os conselhos de disciplina e de turma.
“No ano passado, minha área se reuniu aos sábados e delimitou algumas idéias em conjunto. Como não são possíveis encontros de áreas na semana, porque a chamada folga não contempla todos os professores, nós trabalhamos no sábado enquanto área a fim de refletir sobre problemas e soluções na disciplina de Matemática”, argumenta o professor Gleidson.
Como pode haver qualidade de ensino se os próprios professores de área não se encontram para definir critérios que exigem qualidade, por exemplo, no processo avaliativo?
Hoje, com a atual estrutura escolar, cobra-se, e mal, individualmente do professor, o que é um erro. A cobrança não deve ser sobre o indivíduo, mas sobre as áreas, as disciplinas, mas, para tanto, a Lei 1.513 precisa ser alterada.

José Rodrigues Alves. - Presente, professora!
Uma escola pública tem contribuído para que o Acre obtenha uma pontuação melhor no ensino médio. No Enem de 2006, ela tirou 33.60 pontos na prova objetiva e 43.94 na prova de redação, ficando na quarta posição, atrás somente das particulares: Meta (53.37), Lato Sensu (52.73) e Instituto Imaculada Conceição (50.46). Essa escola, a Prof. José Rodrigues Leite, conhecida como Etca, mantém-se, mais uma vez, acima das escolas estaduais.
Na entrada da escola, uma faixa informa que 42 alunos do José Rodrigues Alves passaram no vestibular da Universidade Federal do Acre (Ufac). “Somos a escola que mais coloca alunos na Ufac”, observa o gestor da escola, prof. João de Souza Lima. No corredor, um painel expõe as fotos dos alunos que chegaram às suas respectivas faculdades. Faixa e painel: isso mostra que essa instituição pública reconhece o mérito de seus alunos.
Pode haver uma escola sem cobrança, sem ordem, sem disciplina? Para obter bons resultados, a José Rodrigues Leite exige dos professores e dos alunos e quem não consegue se adequar sai automaticamente. Há professores que não suportam e vão embora.
Alunos de outras escolas públicas também saem muito não da escola, mas da sala de aula para ficar pelos corredores, isso quando não pulam os muros.
“Menos em minha escola, ninguém aqui fica pelos corredores”, compara. “Sou um gestor muito presente, cobro muito de mim para, depois, cobrar do corpo docente e do corpo discente, além de cobrar dos funcionários de apoio.”

Conselhos
Mas a escola José Rodrigues Leite não se difere quando o assunto é Coordenação de Ensino. Como outras, a coordenação cobra individualmente do professor o conteúdo da disciplina. Não há reuniões de área. Cada um faz seu trabalho. “O planejamento pedagógico em nossa escola se realiza duas vezes por ano, uma vez em cada semestre”.
Não há encontros semanais entre os professores de Língua Portuguesa ou de Matemática para que eles possam criar um trabalho conjunto. O tempo para planejamento pedagógico, tão reivindicado no passado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), transformou-se em dia de “folga”. Argumenta-se que durante a semana não há condições de marcar encontro entre professores da mesma área.
Também não há conselhos de turma. Professores e representantes dos alunos não se reúnem para solucionar problemas da classe. Tudo se concentra em torno da coordenação.

O ensino médio melhorou?
Para o diretor João Lima, a política educacional da Frente Popular não conseguiu qualificar o ensino médio em oito anos.
“O que há são pontos isolados. Se o diretor está na escola, a escola funciona; se não está, a escola não funciona”, e o professor João ressalta. “Educação não é para oito anos, mas para 30 anos”.
E os diretores não são cobrados? João Lima responde que não são.
Na Lei 1.513, de 11 de novembro de 2003, o artigo 33º obriga o diretor a prestar contas semestralmente para a comunidade escolar, mas, como afirma o professor João, não há fiscalização.
“Para você ter uma idéia, há escolas que estão sendo reformadas novamente em pouco tempo, porque o diretor não preserva o patrimônio público e muito menos é cobrado a preservá-lo”, e ele continua. “Se um DVD some na escola, se uma TV é furtada, é preciso que alguém faça uma queixa-crime na delegacia, porque, como não existe lei para punir esse diretor irresponsável e muito menos existe fiscalização da Secretaria de Educação, o DVD ou a TV só retornarão à escola se um novo diretor agir”.
Em muitas escolas públicas, objetos “somem” e os diretores não são obrigados a pagar o que foi “retirado” em sua gestão, deixando para o próximo diretor, se esse assim quiser, a responsabilidade de recuperar TVs, DVDs, aparelhos de som. Na José Rodrigues Leite, não há uma carteira rabiscada. O patrimônio público, preservado.
Mas o maior furto que ocorre nas escolas públicas do ensino médio, como mostrou o Enem, é “meter a mão” na qualidade de ensino. Para o diretor do José Rodrigues Leite, enquanto o interesse político se mantiver soberbo acima do interesse educacional, as escolas públicas de ensino médio não apresentarão índices satisfatórios de qualidade. “Cobrou-se muito de quem não era do grupo político, e isso, creio, não poderá mais haver”, finaliza. “O poder público tem que pagar melhor a quem trabalha melhor, porque há funcionários públicos que, mesmo pagando para trabalhar, dão prejuízos à sociedade, ao Estado”.

oS granDes JornaiS

A editora-chefe da TRIBUNA, Alessandra Machado, recebeu e deu a mim os erros grosseiros dos cariocas.

"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano". JORNAL DO BRASIL.

"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente". O GLOBO

"Os sete artistas compõem um trio de talento". EXTRA (pertence ao Globo).

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão". O DIA

"Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável". O GLOBO.

"No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos". O DIA.

"Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva". JORNAL DO BRASIL.

"Parece que ela foi morta pelo seu assassino". Jornal EXTRA.

"O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas". (Até ontem era um triângulo!) EXTRA.

"O velho reformado antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou". O DIA.

"A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço". EXTRA.

"Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes".
(água no além para purificar as almas...) - Jornal do BRASIL.

"O aumento do desemprego foi de 0% em novembro".

"O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos".

"Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio".
(Ah, bom! Achei que fosse um churrasco!).

"Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel".
(Viu como ele é disciplinado?).

"O cadáver foi encontrado morto dentro do carro".

"Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto".

sábado, fevereiro 24, 2007

Matéria de Josafá Batista

Pena que o repórter não teve tempo para entrevistar pessoas. Faltou isso na matéria. Ele deveria ser melhor aproveitado para escrever sobre questões sociais e comportamento.
Considero o texto de Josafá um dos melhores do Acre. No entanto, sinta-se insatisfeito para buscar sempre o melhor.
Josafá, leia uns bons livros de Roland Barthes.
________________Vivendo para comer
Gasto de famílias com alimentos ultrapassa valor do salário mínimo em Rio Branco
Uma pesquisa da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico-Sustentável (Seplands) traz um dado preocupante sobre a propalada qualidade de vida acreana.
Segundo a pesquisa, uma “família padrão” de Rio Branco, formada por dois adultos e por três crianças, precisa gastar R$ 435,34 por mês só com itens básicos de alimentação.
O estudo foi realizado em 51 estabelecimentos comerciais da capital, com duas visitas ao mês a cada local. O montante corresponde a mais de um salário mínimo e meio, denunciando o baixo poder de compra do piso salarial pago à classe trabalhadora.
De acordo com o IBGE, 129.568 acreanos sobreviviam com até um salário mínimo em dezembro de 2005.
“Uma família padrão precisaria ter uma renda de R$ 562,42 para suprir sua necessidade básica com alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica, representando 1,62 salários mínimos”, acrescenta a pesquisa Cesta Básica, cuja responsabilidade técnica é da Gerência de Estudos e Pesquisas Aplicadas à Gestão.
O documento tem como referência janeiro de 2007. Ele analisa em separado o impacto de três cestas básicas com diferentes itens na renda do trabalhador.
A principal delas, e também a mais conhecida, é a cesta básica alimentar. As outras são a cesta básica de limpeza doméstica e a cesta básica de higiene pessoal.
Ainda, segundo a pesquisa, as três cestas têm um impacto de R$ 161,55 no salário de cada trabalhador. “Esse valor representa aproximadamente 46,2% do salário mínimo vigente, sendo o restante do salário considerado para outros gastos”, informa o documento.
O acesso à pesquisa é livre e cópias podem ser requeridas na própria Seplands, que funciona no Palácio das Secretarias. O telefone é 3224 1240.

Cesta básica mais cara
Não bastasse não corresponder ao poder de compra das famílias, a cesta básica também está ficando mais cara a cada mês. De acordo com a pesquisa, o custo do conjunto de alimentos em janeiro foi de R$ 124,38 por pessoa. Em comparação a dezembro, houve uma alta de 0,56% nos preços.
O malabarismo necessário para equilibrar gastos com alimentação deve ficar maior nas próximas semanas, graças à volta às aulas e à recente polêmica do veto à carne acreana no Rio Grande do Sul.
Apesar disso, a carne foi um dos itens que apresentou queda de preços no período pesquisado (3,18%). O pão também ficou 3,18% mais barato.
Em compensação, itens de produção local como café, mandioca e até a banana puxaram a alta da cesta básica alimentar. A maior alta foi obtida pelo café, com 9,43% de reajuste. Em segundo lugar veio o tomate, com 3,76%. A mandioca e a banana ficaram em terceiro e quarto lugar, com 2,63% e 1,89% de reajustes, respectivamente.
Os percentuais se referem aos preços médios obtidos por outra pesquisa do mesmo tipo realizada em dezembro de 2006.

Limpeza e higiene
Nem tudo é negativo no mercado de consumo acreano. A pesquisa revela também queda de preços nas cestas básicas de limpeza doméstica (1,24%) e de higiene pessoal (1,43% em relação à coleta de preços anterior). Enquanto a cesta de limpeza doméstica chegou a 26,04 reais, a de higiene pessoal foi a 11,12 reais.
Dos nove produtos da cesta de limpeza doméstica, apenas a água sanitária teve aumento de preços entre dezembro e janeiro. O reajuste foi de 2,08%. Na cesta de higiene pessoal, todos os produtos apresentaram queda.
Segundo a metodologia da pesquisa, a cesta básica alimentar é composta por 14 itens, a cesta de higiene pessoal por cinco e a de limpeza doméstica por nove.
O objetivo da pesquisa é mensurar as variações mensais, informar a defasagem entre o salário mínimo e o valor da cesta e identificar o tempo necessário para a aquisição dos produtos da cesta.

Ronda Gramatical

"O aposentado José Nogueira Filho, o Zé Padeiro (61), tomou um porre tão grande na tarde de anteontem que não só esqueceu o caminho de casa como sofreu amnésia."

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Ronda Gramatical

"Reduzir dos patamares a que ela encontra."

A frase-oracional acima foi escrita por três repórteres.

  1. - reduzir dos - O correto é "reduzir os patamares"; e
  2. - a que - O correto é "em que ela se encontra".

Ronda Gramatical

"Membro titular da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara Federal, o deputado acreano Fernando Melo (PT-AC), está no olho do furacão em que se transformou o debate em torno da onda de violência que assola o país, principalmente depois da comoção nacional em função da morte do menino João Hélio, de 6 anos, no Rio de Janeiro. A comoção que tomou conta do país e vem dominando os debates no Congresso Nacional fora os principais motivos que levaram os congressistas a apresentarem pelo menos sete projetos de lei propondo reformas no Código de Processo Penal Brasil, que devem entrar na pauta de votação da Câmara no próximo dia 28."
Tenho escrito que dinheiro público deve ser melhor usado quando o assunto é, também, "açeçores de gabineti". O texto acima encontra-se medonho.

Os sem-parada



Há muito tempo, uma rua, a Terminal, não era asfaltada no Aeroporto Velho. Na administração de Angelim, do PT, recebeu asfalto.

Mas nem tudo é lama. No ponto final de ônibus, não há aquele modelo de parada.

Os trabalhadores não têm um abrigo para esperar um ônibus que demooooooooooooora muuuuuuuuito!!!..

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Criança terminal

Que decente é viver em um país onde crianças, de 9 anos, não vendem doces em terminal de ônibus.
O poder público, eficiente, proíbe no Carnaval pais com seus filhos menores depois das 22 horas, mas crianças podem trabalhar à noite, porque o trabalho dignifica o homem, digo, a criança.
Antônio José, de 9 anos, disse que fica até as 23h30 no terminal. O Conselho Tutelar e a Promotoria da Infância e da Juventude não sabem sobre isso?
Deus sabe. Rezarei por Antônio para que o milagre aconteça, porque já estou farto dos "milagres" dentro das igrejas.

Um trabalhador



Considero meu amigo Enílson Amorim um talento quando o assunto é desenho. Já disse a ele que não o admiro como chargista, mas, como desenhista, o cara é bom.

Com seus desenhos, Enílson poderia expor a caricatura do poder, dos ricos e a realidade desumana da pobreza.

Mas, para tanto, falta loucura a esse artista acreano.

Bloguista, repare só na parada de ônibus. Há grupo político nesta terra que nem faz questão de oferecer à população uma parada de ônibus à altura do dinheiro público.

Na época, a prefeitura de Rio Branco propagou que as paradas de ônibus dariam cidadania ao rio-branquense.

O prefeito Angelim, do PT, construiu ótimas paradas na capital, mas não em todo canto. No Aeroporto Velho, no ponto final do Ginásio Coberto, por exemplo, não existe cobertura na parada de ônibus.

Se chover, Enílson e os trabalhadores do Ginásio Coberto tomam banho fora do banheiro, sem água quente, sem chuveiro e sem toalha para se secar.

De Enílson Amorim


Há pessoas que não me levam a sério. Brincam comigo. Curtem. O Enílson, cartunista da TRIBUNA, resolveu fazer isso.
Pode brincar, pode me caricaturar. Não existe algo tão sério quanto o riso.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Razão e Sensibilidade


Leia a inteligência
de Renato Janine Ribeiro.
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Filósofo e estudioso do iluminismo,
Renato Janine Ribeiro
repensa a pena de morte à luz da morte de João Hélio

RENATO JANINE RIBEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Escrever sobre o horror em estado puro: assim vivi o convite para participar deste número do Mais!. É insuportável pensar no crime cometido contra o menino João Hélio. E é nisso que mais penso, nestes dias. Não me saem da cabeça duas ou três coisas. A primeira é o sofrimento da criança.


Se há Deus, e acredito que haja, embora não necessariamente antropomorfo, como admite Ele esse mal extremo, gratuito, crudelíssimo? Se a alma ou o espírito tem um destino após a morte, chame-se esse de juízo eterno ou de uma série de reencarnações, como poderá esse infeliz menino ser recompensado pela vida que lhe foi ceifada, não apenas tão cedo, mas, além disso, de modo tão bárbaro? Essas são questões religiosas, ou melhor, de fé. E quanto aos assassinos?


A outra coisa que não me sai da cabeça é como devem ser punidos. Esse assunto me faz rever posições que sempre defendi sobre (na verdade, contra) a pena de morte. Anos atrás, me convidaram a escrever um artigo para uma revista de filosofia contra a pena de morte. Perguntei então: mas alguém escreverá a favor? E me responderam que era possível, por que não? Acabei escrevendo meu artigo (contra a pena capital), mas este caso horrível me faz repensar ou, melhor, não pensar, sentir coisas distintas, diferentes.

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Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga;
torço para que a recebam de modo demorado e sofrido
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Se não defendo a pena de morte contra os assassinos, é apenas porque acho que é pouco. Não paro de pensar que deveriam ter uma morte hedionda, como a que infligiram ao pobre menino. Imagino suplícios medievais, aqueles cuja arte consistia em prolongar ao máximo o sofrimento, em retardar a morte.


Todo o discurso que conheço, e que em larga medida sustento, sobre o Estado não dever se igualar ao criminoso, não dever matar pessoas, não dever impor sentenças cruéis nem tortura -tudo isso entra em xeque, para mim, diante do dado bruto que é o assassinato impiedoso. Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga; torço para que a recebam de modo demorado e sofrido.


Conheci o sr. Masataka Ota, pequeno empresário cujo filho pequeno foi assassinado. Entrevistei-o para meu programa de ética na TV Futura (episódio "Justiça e Vingança"). Masataka perdoou os assassinos, isto é, embora pudesse matá-los, não o fez. Quis que fossem julgados e lamenta que já estejam soltos, poucos anos após o crime hediondo, mas ele é um caso raro -e admirável- em não querer se vingar, em não querer que os assassinos sofram mais do que a pena de prisão.


Confesso que não seria a minha reação. Quem é humano? Penso -porque ainda consigo pensar, em meio a esse turbilhão de sentimentos- também que há diferentes modos de impor a pena máxima. A punição com a morte se justifica ora pela gravidade do crime cometido, ora pela descrença de que o criminoso se possa recuperar.


No caso, as duas razões comparecem. Parecem irrecuperáveis, e seu crime é hediondo. Não vejo diferença entre eles e os nazistas. Creio que só um insensato condenaria as execuções decretadas em Nuremberg. Há, hoje, quem debata se Luís 16 deveria ou não ter sido guilhotinado: dizem alguns que o melhor seria reduzir o último rei absoluto da França a um cidadão privado, um pouco como a China (curiosamente, campeã em execuções) fez com Pu Yi, seu derradeiro imperador.


Mas Luís era culpado apenas de ser rei. Pessoalmente, era um homem bom. Os nazistas foram culpados do que fizeram. Optaram pelo mal. Como esses assassinos. Em países como os Estados Unidos, a demora na execução é ela própria uma parte -talvez involuntária- da pena. Alguém passa 20 anos no corredor da morte, e é executado quando já pouco tem a ver com quem foi.


Na Inglaterra, antes de abolir a pena de morte, era diferente: dois ou três meses após o crime, o assassino era enforcado. Nos dois países, a garantia de todos os direitos de defesa ao réu faz parte, por curioso que pareça, da engrenagem que diz ao acusado: você terá todos os direitos, mas não escapará. No Brasil é diferente. Não temos pena de morte, na lei. A Constituição a proíbe.


Mas provavelmente executamos mais gente que o Texas, o Irã ou a China. É que o fazemos às escondidas. Quando penso que, desses infanticidas, os próprios colegas de prisão se livrarão, confesso sentir um consolo. Mas há algo hipócrita nisso. Se as pessoas merecem morrer, e se é péssimo o Estado se igualar a quem tira a vida de outro, por outro lado é uma tremenda hipocrisia deixar à livre iniciativa dos presos ou aos justiceiros de esquina a tarefa de matar quem não merece viver.


Abrimos mão da responsabilidade, que pode ter uma sociedade, de decidir -no caso, quem deve viver e quem merece morrer. Tudo isso traz questões adicionais. É-se humano somente por se nascer com certas características? Ou a humanidade se constrói, se conquista -e também se perde? Alguém tem direito, só por ser bípede implume, de fazer o que quiser sem perder direitos? A todos assiste o direito da mais ampla defesa.


Mas, garantida esta, posso fazer o que quiser sem correr o risco da pena última? Isto, que relato, põe em questão meu próprio papel como intelectual. Intelectual não é apenas quem tem uma certa cultura a mais do que alguns outros. É quem assina idéias, quem responde por elas. Tive, na graduação, uma amiga que teve bloqueio de escrita. Mas, na verdade, ela até fazia trabalhos -de graça- para outros colegas.


Seu bloqueio não era de escrita, mas de assinatura. Talvez possa dizer: o cientista escreve, o intelectual assina. O intelectual é público. Só que, para ele cumprir seu papel público, é preciso acreditar no que diz. Ora, quantas vezes o intelectual afirma aquilo em que não acredita? Quantos não foram os marxistas que se calaram sobre os campos de concentração, que eles sabiam existir? Por isso, o mínimo que devo fazer, se sou instado a opinar, é dizer o que realmente penso (ou, então, calar-me).


Sei que a falta de perspectiva ou de futuro é o que mais leva pessoas a agirem como os infanticidas. Sei que devemos reformar a sociedade para que todos possam ter um futuro. Creio que isso reduzirá a violência. Mas também sei que os pobres são honestos, mais até do que os ricos. A pobreza não é causa da falta de humanidade. Quer isso dizer que defenderei a pena de morte, a prisão perpétua, a redução da maioridade penal? Não sei. Não consigo, do horror que sinto, deduzir políticas públicas, embora isso fosse desejável.


Mas há algo que é muito importante no exercício do pensamento: é que atribuamos aos sentimentos que se apoderam de nós o seu devido peso e papel. Não posso pensar em dissonância completa com o que sinto. A razão, sem dúvida, segura muitas vezes as paixões desenfreadas.


Quantas vezes não nos salvamos do desespero, do desamparo, do ódio e da agressividade, apenas porque a razão nos acalma, nos contém, nos projeta o futuro? Que crimes o amor desprezado não causaria, não fosse ele contido pela razão? Mas isso vale quando a dissonância, insisto, não é completa.


Se o que sinto e o que digo discordam em demasia, será preciso aproximá-los. Será preciso criticar os sentimentos pela razão -e a razão pelos sentimentos, que no fundo são o que sustenta os valores. Valores não são provados racionalmente, são gerados de outra forma. Afinal de contas, o que vivemos no assassínio bárbaro de João Hélio, como meses atrás quando queimaram viva uma criança num carro, não é diferente do nazismo. Dizem uns que o Brasil está como o Iraque. Parece, pior que isso, que temos algumas mini-auschwitzes espalhadas pelo território nacional.

RENATO JANINE RIBEIRO é professor de Ética e Filosofia Política na USP e autor de, entre outros, "A Ética na Política" (ed. Lazuli).


Violência segundo o jornalista

"Pelo menos, 14 corpos foram conduzidos ao IML durante o Carnaval. A cúpula da Secretaria de Segurança Pública ficou preocupada. Foram quatro homicídios, três afogamentos, três mortes no trânsito, dois suicídios, um carbonizado e uma vítima de choque elétrico. Há ainda um caso suspeito e um feto deixado em uma lixeira, no Taquari."
Cortei muito nesste texto. O repórter colocou mortes sem relação com o policiamento no Carnaval. Qual relação, por exemplo, entre a Secretaria de Segurança e suicídio?
Convidei o repórter a passar alguns dias no Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa para alguns deslumbrados acreanos de classe média.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Rei Momo e Cinderela na Floresta Encantada



O Carnaval de Cinderela
De Aldo Nascimento

Dias antes de Momo receber a chave da cidade de Rio Branco, o poder público vai à TV para falar somente de segurança, de camisinha e da programação do Carnaval. Para piorar o nosso imaginário, durante a festa, sempre aparece aquele repórter da TV a perguntar se o folião está alegre no baile.

Programada pelo Estado e pela Prefeitura da capital, a festa de Momo aqui se assemelha a uma “alegria paraestatal”, porque ela não encarna espontaneamente a irreverência popular.

O tempo carnavalesco no Acre, por exemplo, regulado por instituições públicas, recebe a ordem de que Momo deverá parar de brincar à meia-noite. Argumenta-se que é para evitar índices maiores de violência. Mas uma festa acreana, cujo índice de violência é maior, não termina à meia-noite. O lucro que a Expoacre gera dura cinco dias.

Nosso Carnaval é programado e domesticado pelo poder público. Não se trata de uma manifestação que se espalha pela cidade como corpo social motivado pelo Riso, pela Máscara, mas se concentra, por exemplo, no calçadão da Gameleira até meia-noite. Por isso, nossa festa recebeu o apelido de Carnaval de Cinderela.

A Fundação Garibaldi Brasil, da Prefeitura de Rio Branco, e a Fundação Elias Mansour, do Estado, nunca apresentaram alguém para falar na TV Aldeia sobre a importância imaginária e social do Carnaval.

Há, por parte dessas instituições, a necessidade inconsciente de substituir a desobediência do Riso por um didatismo que enquadra Momo em um espaço restrito, em um horário limitado e em blocos carnavalescos domesticados.

Se nossas fundações culturais não vão à TV com sua fala desconcertante, irreverente, ouvimos então aquele representante da Polícia Militar falar sobre segurança e aquela jornalista perguntar ao folião sobre o que acha do Carnaval deste ano.

Cinderela

Até meia-noite, o povo voltará a ser Gata Borralheira, e sem direito a sapatinho de cristal. O mito de Ciderela, que tem três versões [a chinesa, a dos Irmãos Grimm (estética romântica) e outra de Charles Perrout (estética clássica)], chegou a nós modelada pela ideologia clássica, e Walt Disney tratou de industrializar.

Cinderela simboliza uma personagem limpa, muito bem-comportada, uma jovem que não anda à margem da sociedade. Cinderela é obediente. Nesse sentido, batizaram o Carnaval de Rio Branco de Carnaval de Cinderela, porque à meia-noite Momo perde seus encantos.

Sobre esse desejo do poder disciplinar o Riso, de conter uma manifestação popular e marginal, Georges Monois registra no livro História do Riso e do Escárnio.

“Em 1538, nas cidades flamengas, o imperador interdita a festa do Rei dos Bobos, como em Lille, em 1540, e um cronista de Valenciennes justifica essas medidas pelo fato de que esses regozijos ‘induzem o povo a fazer badernas e derrisões contra nossa santa religião’”.

Nesse período da história, os Carnavais não só atentaram contra a religião católica como também ameaçaram a ordem pública, degenerando, às vezes, em conflitos armados. Assim, como Rei Momo representa um conflito contra a aparência ética dos sacerdotes, dos reis, dos políticos, o século 16 marca uma época em que o Carnaval precisava ser domesticado. Escreve Monois.

“Para essa elite, a festa torna-se celebração didática e séria de uma ordem, isto é, o inverso da festa popular”, e continua. “Os valores da sensibilidade subjetiva, o gosto do prazer, os frutos da ‘natureza’ foram rejeitados em nome de uma subordinação a uma concepção ética.” Cinderela, na condição de princesa, ensina bons modos a Rei Momo.

Momo

Filho da Noite, da sombra, do sono, esse deus personifica a “maledicência”, o comentário maldoso. A história de Momo representa uma história que difama aqueles que têm poder. Sua festa, em sua origem, ri de quem oprime os humilhados.

“Particularmente ridículos são aqueles que se julgam importantes, porque, no mais alto trono do mundo, só estamos sentados sobre o cu”, diz Momo quando abre a porta para os loucos (os foliões).

Na condição de sombra, sua festa noturna inverte a opressão do trabalho, realizado de dia. Se o fruto do trabalho não paga uma vida digna, resta zombar de quem explora e, assim, distribuir o excesso, o exagero, a desmedida, por isso o corpo de Momo, gordo, representa simbolicamente esse excesso, a fartura.

O Riso, esse excesso, como concebe Henri Bérgson em seu livro O Riso, coloca do avesso as diferenças sociais por meio da paródia, da fantasia. “Assim rimos do acusado que dá lição de moral ao juiz”, observa o autor.

Outro nome, Roberto DaMatta, em Carnavais, Malandros e Heróis, analisa essa cultura popular com maestria, tecendo uma comparação entre o Carnaval, o Dia da Pátria e a Procissão. Sua descoberta, por exemplo, sobre a palavra brincar é interessante.

“E brincar significa literalmente ‘colocar brincos’, isto é, unir-se, suspender as fronteiras que individualizam e compartimentalizam grupos, categorias e pessoas”, interpreta DaMatta. “Criamos, então, um espaço especial onde as rotinas do mundo diário são rompidas e de onde se pode observar, discutir ou criticar o mundo real visto de pernas para o ar.”

Em Rio Branco, as pernas, entretanto, pertencem a ela - Cinderela.
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Indicações para uma boa leitura
sobre as representações simbólicas de Rei Momo

História do Riso e do Escárnio, de Georges Minois, editora Unesp;

Comicidade e Riso, de Vladimir Propp, editora Ática;

O Riso, de Henri Bérgson, editora Guanabara;

Mitologia Grega (volume 2), de Junito de Souza Brandão, editora Vozes;

A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin, editora Hucitec;

Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto DaMatta, editora Guanabara

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Frase-oracional de uma doutora

Às vezes, fotografamos placas a fim de apontar erros gramaticais de pessoas muito humildes e muito humilhadas pela vida.
A frase-oracional abaixo não foi escrita por uma pessoa que nem concluiu o primário, mas por uma doutora que trabalha em faculdades de Rio Branco. Ei-la:
"Em fevereiro de 1988, foi nomeado a juiz de direito substituto."
Quando se consulta um livro de Regência Nominal, por exemplo, o de Celso Pedro Luft, o termo "nomeado" admite duas preposições, quais sejam: para e como.
O correto, portanto, é "em fevereiro de 1988, foi nomeado como juiz de direito substituto".
Para quem se forma em direito, escrever muito bem é obrigação, menos para os que não tiveram a oportunidade sagrada de estudar.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Nomes dos secretários

Nossos jornalistas políticos desejavam tanto os nomes que comporiam o governo do petista Arnóbio Marques. Nomes. Bem, eles foram apresentados.
Especularam-se os nomes e se esqueceram do mais importante: as idéias.

A vida social está errada






Os erros gramaticais são insignificantes ou uma conseqüência natural de brasileiros que não tiveram oportunidade de estudar.

Júlio, atrás, não concluiu o ensino fundamental, e José Carlos não terminou a antiga 3a série.

José, você estudou?
Meu pais eram pobres. Comecei a trabalhar com 12 anos e saí do Paraná com 16 anos para andar pelo Brasil. Parei na 3a série.

Você lê?
Lia muito a Bíblia, mas hoje eu não leio nem mais a Bíblia.

Seus pais eram cristãos?
Meus pais eram bóias-frias, eram muito pobres. A gente se levantava às 5 horas da madrugada e voltava às 5 horas da tarde. A vida era muito difícil e não tive oportunidade de estudar.
E aí, em um jornal de Rio Branco, um jornalista publica:
"(...) não foi levado em conta a capacidade individual de cada um dos indicados."

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Crianças terminais







Quando meus pés pisaram o Acre em 1992 pela primeira vez, logo observei que faltavam calçadas na capital e praças com brinquedos para as crianças. A ordem pública ignorava os pedestres e esquecia-se da inocência.

No passado? Crianças, ainda, continuam à margem, por exemplo, Thaísa, de 10 anos, e Fábio, de 8 anos, seu irmão. Elas são crianças terminais.
Trabalham no terminal urbano de Rio Branco como vendedores de doces com seus seus rostos desfigurados pela amargura da vida.
A mãe recebe menos de um salário mínimo por mês, também, como vendedora de doces. "Preciso ajudar a minha mãe", disse a menina, magra e triste. Thaísa freqüenta a escola, a 3a série. No banco, os dois, a foto registrou a hora do expediente infantil: 21h09.
Prender a mãe? Não. É preciso libertar o mundo infantil. Chamem o Ministério Público.






Meninas da Playboy 4



Essa coelhinha chegou ontem à Redação da TRIBUNA. Tímida, até hoje, não disse seu nome, mas pela foto já disse para que veio.

Meninas da Playboy 3



Coelhinha Aldo, menor de idade, a mais cachorra de todas.

Meninas da Playboy 2



Essa se chama coelhinha Josafá, 21 aninhos, a única que mostra os dentinhos.

A mãe da figura viu a foto do filho em meu blog. Passa bem no hospital.

Meninas da Playboy 1



Elas têm um sonho como coelhinhas, além do desejo, é claro, de comer uma cenoura. Elas querem ser capa da Payboy.
Primeiro, ela: coelhinha Freud, 18 anos. Prendada, essa coelhinha costura e passa roupa para fora, para dentro, para fora, para dentro, para fora, para dentro. (Ufa!!!)

sábado, fevereiro 10, 2007

Amorim, do jornal Correio do Povo (RS)


Aroeira, do jornal O Dia (RJ)


Vírgula, um detalhe

Na Redação, um bom jornalista perguntou-me o porquê de colocar a vírgula nesta situação: "Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo."
    1. Matei o jornalista.

Jornalismo Educacional

A Construção da Linguagem no Jornalismo Educativo

O jornalismo educativo - um tipo de material de imprensa que não é jornalismo sobre educação - tem sido meu trabalho na última década e meu objeto de estudo. Parto do pressuposto de que existem muitas diferenças entre fazer jornalismo sobre Educação e jornalismo educativo, mas neste artigo pretendo me deter apenas na questão da construção da linguagem naquilo que venho chamando de interface da Comunicação com a Educação e que é o objeto do meu projeto de doutorado.
E que resumo em: Levar notícia para a sala de aula e labrir a sala de aula para além da escola, sempre no formato de notícia; levar além da informação, formação, atualização com elementos colhidos no próprio universo educacional em geral e escolar em particular, sem perder de vista o pano de fundo da política educacional. Tanto na forma de material impresso, quanto televisivo ou ainda nos modernos suportes da informática, o jornalismo educativo guarda uma cumplicidade estreita com o ensino.
Partindo de um pressuposto, que é também um princípio (no sentido ético) - quem sabe educação é o educador - o papel dos jornalistas seria fazer a mediação entre os dois mundos, equalizando as abordagens e buscando uma linguagem que unisse os dois universos teóricos e semânticos.
Um trabalho que envolve o exercício constante de apropriações de saberes e linguagens e a construção e reconstrução de representações que se tem — no senso comum e na profissão de jornalista — do que seja o educador e a educação.

O lugar do jornalista

"Toda ordem de conhecimento, (...) pressupõe uma prática e uma atmosfera que lhe são próprias e lhe dão corpo. E, também, sem dúvida alguma, um papel particular do indivíduo conhecedor. Cada um de nós preenche de modo diferente esse papel quando se trata de exercer o seu ofício na arte, na técnica ou na ciência, ou quando se trata da formação de representações sociais".
Serge Moscovici - que tem sido um referencial teórico importante nas minhas reflexões sobre a interface comunicação-educação — começa o item 2 do primeiro capítulo de A representação social da psicanálise , descrevendo, desta forma muito simples, o lugar onde o jornalista está colocado no momento em que pensa, cria imagens, constrói opiniões, seleciona temas, elabora pautas, busca, identifica e relata "experiências em sala de aula", levadas a cabo por professores da rede pública de ensino de 1o. Grau que imaginamos modelos a serem seguidos.
Para dar conta dessa construção, o jornalista envolvido na produção de um programa ou de um texto jornalístico educativo precisa _ em primeiro lugar _ ter muito claro quem é seu público-alvo, delimitado pelo conceito de segmento. Se o trabalho estiver voltado para o professor, sua linguagem terá que passar por um processo de despojamento e apropriações de conceitos e linguagens, exatamente no sentido a que se refere Roger Chartier.
Para Roger Chartier, a história cultural tem como objeto principal "identificar o modo como em dife-rentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler". Para chegar a isso, é necessário que nos detenhamos sobre como a sociedade percebe e aprecia o real e, para tanto, é preciso entender como se dá a organização dessa apreensão, essa apropriação.
Esse entendimento passa pela identificação das classes sociais ou o meio intelectual a que o grupo pertença.É deles que surgem os "esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras graças às quais o presente pode adquirir sentido, o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado".
É exatamente isto que acontece no momento em que se constrói o discurso de um programa educativo de natureza jornalística. O que nos chama a atenção no trabalho de Chartier é a possibilidade de ver com mais clareza esses momentos de apropriação e reconstrução, no dia a dia do trabalho do jornalista que atua nessa área.
Como jornalista participei de dois projetos _ um impresso, outro televisivo _ destinados à atualização do professor e dos estudantes do Curso de Formação do Magistério. Ambos pressupunham a imersão nas práticas de sala de aula, para em seguida divulgá-las, agregando-lhes o embasamento teórico e apontando de forma sistemática as possibilidades e dificuldades didáticas.

A busca da interface

Do ponto de vista jornalístico, a idéia central do trabalho do jornalista é mostrar reportagens sobre experiências de ensino que estivessem dando certo.Uma idéia simples e aparentemente fácil de executar. Ver, ouvir, fotografar, filmar. A interface, no entanto, precisa de mais que técnicas jornalísticas.
Quando uma equipe envolvida nesse processo descobre que o jornalismo sozinho não dá conta de resgatar os processos que se passam na sala de aula, em geral realiza um mergulho no aprendizado do que é pedagógico.
As equipes em que trabalhei realizaram esse mergulho, em cursos, leituras, freqüentando congressos etc. A apropriação de conhecimentos da pedagogia, no entanto, não garante o resultado. Toda produção de programas desse tipo passa pelo dilema: ou o programa fica extremamente pedagógico e perde o jornalismo, ou se prende ao jornalismo de superfície, distanciando-se do pedagógico e do didático.
Acaba não respondendo COMO as coisas acontecem. Não chega perto dos processos e, muito menos, da teoria.A barreira que separa Educação e Comunicação leva tempo para dar os primeiros sinais de fissuras, para que os sujeitos dos processos de ensino/aprendizagem fiquem claros, dentro dos paradigmas teóricos que se acredita darem conta dessa caminhada. Ou seja, envolve um processo em que a equipe se dá conta, toma consciência, de quem é o sujeito do saber e também se apercebe da representaçãoconservadora que nós, jornalistas, temos do educador _ unicamente como portador de conteúdos estáticos repassáveis e não como o facilitador, que realmente é, do processo de aprendizagem.
Ao se apropriar da pedagogia, os jornalistas, no entanto, correm o risco: elaboram de tal forma a linguagem, costuram conceitos recentes e acabam pecando pelo excesso. Corremos o risco de nos afastar do público-alvo na medida em que se torna a narrativa hermética. Em vez de abrir para o entendimento, a repetição de conceitos, vazios muitas vezes, fecha. Vira chavão sem conteúdo.
Além da apropriação dos conceitos e da sua recolocação na linguagem jornalística, sem abrir mão do rigor acadêmico, a equipe trabalha o tempo todo revendo suas representações do que seja aprender/educar.
Existe - com certeza - a representação da Educação como missão, tarefa, que se dá com o uso dos verbos fazer, dever, sempre conjugados no imperativo negativo ou afirmativo, mas sempre embebidos de uma legitimidade, de uma autoridade do que sabe para o que não sabe. Uma representação da Educação como algo imbuído de espírito altruísta, filantrópico, salvacionista. E se corre o grande risco de ter essa representação impregnando o discurso jornalístico.
Outra frente delicada desse trabalho, além da escrita, quer seja de textos de matérias quer seja dos roteiros de CD ROM ou de TV, é o uso da câmera. Sobretudo na TV, o uso construtivista da câmera pode trazer um enriquecimento enorme ao programa, relevando detalhes nunca antes imaginados por quem fica fora da sala de aula.
Todas essas considerações, no entanto, apontam para um processo que ainda está em construção em qualquer dos veículos que em nossos dias se dedicam ao jornalismo educativo ou a produtos que estão inseridos na interface da Comunicação com a Educação. Ainda estamos buscando.

Ana Mascia LagôaJornalista e ProfessoraUniversidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Brasil

Autor do Artigo
Ana Mascia Lagôa


Inf. sobre o artigo
Jornal "a Página"Nº 88
Ano 8 Fevereiro 2000
Pag. 23


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Um guarda e uma desembargadora

Os indivíduos não podem estar acima das instituições. Nem guarda. Nem desembargadores. Antes, no Acre, não havia medida para isso. O indivíduo era o poder; situava-se acima da lei.

Polícia Militar, Ciatran e Corpo de Bombeiros agiram de forma correta, porque um guarda na sociedade não é menos importante que uma desembargadora ou menos humano. Merece respeito tal qual um juiz.

Ainda sonho com uma pátria justa.
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Matéria de Josafá Batista

Policiais defendem agente que multou marido de desembargadora

Agentes da Polícia Militar, da Companhia de Trânsito (Ciatran) e do Corpo de Bombeiros se uniram ontem em solidariedade ao agente de trânsito que multou o advogado Raimundo Menandro de Souza.

Segundo eles, o policial não dirigiu sequer a palavra à desembargadora Eva Evangelista Araújo e Souza, esposa de Menandro, e que o acompanhava no incidente.

Ainda na versão do policial, era Menandro e não Eva que ocupava a direção do veículo, cuja placa não tinha o lacre de segurança. Por isso, o breve diálogo teria acontecido apenas com o motorista.

A desembargadora, que ocupava o banco da frente, teria se limitado a sair do veículo pouco depois do agente anunciar a Menandro a retenção do automóvel. A retenção sumária é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Há uma padronização das abordagens no trânsito. Ela diz que a fala deve ser dirigida ao motorista, com requisição de documentos do veículo e do próprio. Esse policial faz esse mesmo serviço há 14 anos e é um exemplo para nós. O que está acontecendo é uma infâmia, já que ele não dirigiu a palavra à desembargadora”, argumenta o presidente da Associação dos Militares do Estado do Acre (Ame-AC), Natalício Braga.

Segundo Braga, o episódio, ocorrido nesta quinta-feira, está causando comoção entre os militares. Eles aguardam o desfecho com preocupação.

Ontem, os jornais acreanos trouxeram várias notas de solidariedade à desembargadora, assinadas por instituições representativas dos magistrados.

No mesmo dia, o automóvel da desembargadora, um Corolla, já não estava mais no pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Para Wherles Rocha, vice-presidente da Ame-AC, o policial também está recebendo solidariedade de instituições ligadas aos policiais militares do Acre. O agente, que não quis se identificar, é considerado um modelo de comportamento na corporação.

“Ele é muito respeitado e tudo isso está abalando o exercício da função de fiscalização do trânsito como um todo. Essa polêmica é um episódio muito triste e não podemos deixar que alguém seja atingido injustamente”, finaliza.

A retenção de veículos sem lacres de segurança nas placas é estabelecida em lei, no artigo 230, inciso 1º, do CTB.

Enem dos Estados

------------A fonte é do Ministério da Educação---------------
---------------Pontuação é de 0 a 100-----------------------
---------Prova Objetiva & Prova de Redação-----------------

1º RGS - 39.29 -------------------1º RGS - 57.22
2º MG - 37.34 --------------------2º SC - 53.29
3º DF - 36.77 ---------------------3º MS - 53.15
4º PR - 36.28---------------------4º PR - 53.13
5º SP - 36.00---------------------5º DF - 52.39
6º ES e SC - 35.91-----------------6º MG - 52.36
7º RJ - 35.88----------------------7º RJ - 51.73
8º GO - 33.66---------------------8º ES - 51.10
9º MS - 33.65---------------------9º SP - 51.09
10º CE - 33.08--------------------10º BA - 51.02
11º PE - 32.98---------------------11º CE - 50.67
12º RN - 32.71---------------------12º RN - 50.29
13º MT - 32.44---------------------13º AP - 50.20
14º BA e RO - 32.33----------------14º PE - 49.84
15º SE - 32.17----------------------15º AM - 49.74
16º PB - 32.16----------------------16º GO - 49.39
17º PA - 32.07----------------------17º PA - 49.13
18º PI - 31.57-----------------------18º PB - 49.06
19º RR - 31.43----------------------19º RO - 48.99
20º AL - 31.28----------------------20º MA - 48.72
21º AP - 31.20----------------------21º SE - 48.05
22º MA - 31.00---------------------22º PI - 47.85
23º AM - 30.65---------------------23º AC - 47.10
24º AC - 30.27--------------------24º AL - 46.88
25º TO - 29.96---------------------25º MT - 46.85
-------------------------------------26º RR - 45.78
-------------------------------------27º TO - 45.26