terça-feira, novembro 13, 2007

Açeçêr de Inpremçá (1)




"Foi essa mobilização que levou os deputados da oposição à criticarem na sessão desta terça-feira, 13, o evento no Juruá."

1. Querido aluno, se você for amigo de político, fique tranqüilo, não precisa saber escrever, basta ser amigo de;

2. Como um assessor pode cometer um erro desse, minha nossa!!! Coloca-se um acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de verbo. Isso é o mesmo que 2 + 2= 5.

Desilusão


"Vou fechar o blog" e "Velhos companheiros, novos inúteis"

Li o blog de Altino Machado e de Gean Cabral e meus olhos se abriram para a desilusão. Mesmo discordando daquele por alguns motivos, reconheço sua importância para o jornalismo acreano. Este, em seu blog http://kabrow.blogspot.com/, revelou sua amargura.

No caso de Gean Cabral, esse acreano por quem tenho enorme apreço, fico triste quando vejo seu talento de caricaturista ser ignorado pela cultura deste estado. A inteligência de Gean é digna de um DAS à altura daqueles que não são medíocres. E há muitos no governo estadual e municipal que simulam inteligência, porém permanecem no poder por uma doença chamada adulação.

Por outro lado, eu critico Altino e Gean, porque desejam ser reconhecidos pelo poder. Pessoas como vocês só podem esperar isto: a boa solidão, a escura e segura solidão. E que ela venha com o seu sólido breu para que possa ser iluminado pelo caráter dos inquietos, dos irreverentes.

Faça, Gean, sem a esperança de receber algo em troca, por exemplo, elogios. Pior: o reconhecimento. A vida nos recompensa com a morte e com o esquecimento de outros; entretanto, ainda sim, devemos viver mais e mais, sempre.

Se chegarmos ao fundo do poço, cavemo-lo mais ainda até encontrar a fonte de água límpida.

Exemplo














Com o papel sobre a perna, blusa azul, Izanilde é uma das coordenadoras da escola Heloísa Mourão Marques.
Simples, sempre educada, essa colega de trabalho faz o que pode.

Em um momento tão ruim na escola, Izanilde tem sido muito companheira dos professores.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Provão do Fantástico

O programa Fantástico testou 270 alunos do ensino médio de todas as capitais. Os alunos responderam a cinco perguntas de cada disciplina e dissertaram em dez linhas. Não houve questão de múltipla escolha.

Dez alunos da maior escola de cada estado foram escolhidos por acaso. De cada cinco provas, uma recebeu nota zero. Só houve seis nota 10.

O resultado é péssimo para o país. No Acre, o provão ocorreu com alunos do Colégio Barão do Rio Branco.


Matemática
Acre no ranking nacional (27 capitais): 19º

Norte

1. Roraima: 3,0
2. Tocantins: 2,5
3. Rondônia: 2,4
4. Amazonas: 2,4
5. Acre: 1,6
6. Pará: 1,4
7. Amapá: 0,9
______________________

Português
Acre no ranking nacional:
14º

Norte

1. Amazonas: 6,8
2. Rondônia: 5,8
3. Acre: 5,0
4. Tocantins: 4,9
5. Roraima: 4,7
6. Amapá: 4,3
7. Pará: 3,6

______________________

Geografia

Acre no ranking nacional: 15º

Norte
1. Tocantins: 4,0
2. Pará: 3,6
2. Amapá: 3,6
3. Rondônia: 3,1
4. Amazonas: 2,6
5. Acre: 2,2
6. Roraima: 1,8
_____________________

História
Acre no ranking nacional: 18º

Norte
1. Rondônia: 3,7
2. Roraima: 3,5
3. Amazonas: 3,4
4. Amapá: 3,2
5. Tocantins: 2,5
6. Acre: 2,4
7. Pará: 1,9

_______________________

Redação
Acre no ranking nacional: 7º

Norte
1. Rondônia: 5,3
2. Amazonas: 5,2
3. Acre: 4,0
4. Tocantins: 3,2
5. Pará: 2,5
6. Amapá: 2,3
7. Roraima: 2,3
_________________________

Todas as disciplinas
Acre no ranking nacional: 15º

Norte
1. Rondônia : 4,1
2. Amazonas: 4,1
3. Tocantins: 3,4
4. Roraima: 3,1
5. Acre: 3,0
6. Pará: 2,9
7. Macapá: 2,9

sábado, novembro 10, 2007

Um apelo eleitoral

Não lanço palavras a alunos que nunca estudaram comigo, porque esses me ignoram, só ouvem falar de meu fantasma.

Falo aos que vivem comigo entre as quatro paredes da escola Heloísa Mourão Marques, sem ar-condicionado; profiro aos que, diante de mim, saboream minha virtude e aos que sentem o gosto amargo de meus defeitos.

Querido aluno, a eleição de gestor se aproxima para definir o que desejamos com a nossa escola pública. Teu voto representa uma escolha para os próximos quatro anos. O teu destino prende-se a teus estudos, pois, sem estes, aquele está condenado ao fracasso.

Não podemos mais suportar uma escola sem direção, sem proposta educacional, sem vontade de transformar a tua preciosa vida por causa de alguns que permanecem indiferentes e cínicos. Alguns.

Um gestor sensível, inteligente, franco, ético, ou seja, um pessoa que não se reduza à aparência das palavras, à dissimulação. Um gestor que trabalhe mesmo, que saiba apontar novos caminhos com todos e para todos. Um gestor que saiba exigir e que saiba ser amável com equilíbrio e com perseverança.

Aluno, aluna, por favor, vamos transformar a escola Heloísa Mourão Marques para o bem de nossos destinos, porque, como escreveu o poeta Affonso Romano de Sant'Anna,

"Uma coisa é um país,
outra um ajuntamento
".

E, para nós,

Uma coisa é uma escola,
outra um ajuntamento.

Professor e Professora, assistam!!!













Hoje, madrugada, assisti a este bom filme do diretor americano Richard LaGravenese, Escritores da Liberdade.

Com sua narrativa simples, sem nenhuma pretensão de ser um filme autoral ou filme-arte, Escritores da Liberdade reproduz uma realidade que ocorreu em uma escola dos Estados Unidos, na última década do século 20.


Essa película une-se aos filmes Ao Mestre com Carinho, Sociedade dos Poetas Mortos e O Sorriso de Mona Lisa, formando um quadrívio exemplar sobre a escola.

Professora de Literatura, Erin apresenta Homero em sala de aula, mas, conforme os conflitos tomam dimensões maiores, ela opta por um livro que se relaciona à vida social desumana e violenta dos alunos.

Para isso, eles lerão
O Diário de Anne Frank. Amável e rígida, sensível e austera, Erin mostrou o que venho afirmando há tempo, que o ensino de literatura no ensino médio é distorção, é anacrônico, com sua divisão histórica: Barroco, Arcadismo, Romantismo, Parnasianismo.

Quando ela escolhe O Diário de Anne Frank, a disciplina Literatura deixou de ser indiferente às relações socioexistenciais dos jovens. Erin tematiza, isto é, ela não generaliza o conhecimento e, assim, não o fragmenta, mas, especificando-o, vasculha conceitos, reflete. Em outras palavras, aprofunda-se sobre o conceito violência.

Mas se aprofunda não só de forma racional, sistemática, Erin promove o lúdico, promove a razão do sensível, muito bem escrita por Maurice Merleau-Ponty.

Momento Pô-Ético (1)


















Sob meus olhos, a poesia de Affonso Romano de Sant'Anna, Que país é este?, para outro conteúdo.

Uma coisa é uma escola,

outra um ajuntamento.

Uma coisa é uma escola,
outra um fingimento.

Uma coisa é uma escola,
outra o aviltamento.

Ronda Gramatical


Respeite a gramática, a norma padrão pede passagem

Seja consciente, dê preferência à crase,

à vida

Livro Didático



Nesta semana, para minha surpresa, vi esses livros didáticos na escola estadual Heloísa Mourão Marques.
Não me lembro da última reunião entre professores de Literatura e de Língua Portuguesa para eles escolherem o livro didático.

Reunião com ata e filmada.

Pois bem, como resultado, o livro de Literatura e de Língua Portuguesa que chega aos alunos de uma escola pública é muito ruim.

É preciso compreender que os conselhos de área devem estar no processo de construção do Plano Político Pedagógico.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Matéria de Josafá Batista


Foto de Selmo Melo










Faltam agulhas,
e pacientes ficam sem hemodiálise na Fundhacre

Jorge Martins do Nascimento, 52, professor. Maria Antônia Moraes Souza, 40, agricultora. Maria Martins de Oliveira, 54, dona-de-casa (foto).

Os nomes, as idades e as profissões são diferentes, mas os três têm a mesma necessidade: o serviço de hemodiálise oferecido na Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre). Ontem, porém, os três ajudavam a aumentar uma fila de dezenas de pessoas. Motivo: faltaram agulhas no hospital.

Além de não terem dinheiro para pagar hemodiálises, Jorge, Maria Antônia e Maria Martins compartilham a mesma dificuldade para acessar o serviço público. Horas de caminhadas, ônibus superlotados, caronas mal-humoradas e outras humilhações são suportadas por esses e outros cidadãos que têm RG e CPF. A lembrança de horas de espera no hospital foi só um item a mais.

“Tenho que vir fazer esse tratamento três vezes por semana, quatro horas por sessão. Quando falta, sinto dores pelo corpo e vários problemas de saúde. O pior é que se a situação se normalizar muita gente vai perder a condução de volta pra casa. Muitas vezes, isso é feito como um favor de amigos mais próximos ou vizinhos”, revela Jorge Martins, que está de licença-prêmio para fazer o tratamento.

A possibilidade de publicação, nos jornais, de histórias de usuários do serviço como Jorge Martins ou Maria Antônia - que três vezes por semana caminha 22 quilômetros entre a sua casa, na zona rural, e a Fundhacre - mobilizou a diretoria do hospital. Por volta das 14 horas, o problema havia sido resolvido, e o subsecretário estadual de Saúde, Sérgio Roberto Gomes de Souza, atendeu gentilmente a reportagem.

Atraso no fornecimento

Perguntado por qual razão a Fundhacre não comprou agulhas suficientes para atender os pacientes da hemodiálise, Sérgio Roberto disse que houve um atraso para entregar parte do fornecedor do produto.

“A Fundhacre comprou agulhas em quantidade suficiente, o que houve foi uma demora no fornecimento do produto. Nós trabalhamos com um prazo máximo de entregas, numa quantidade suficiente para atender o intervalo até a próxima entrega, mas, infelizmente, nesse último caso, houve um atraso além do prazo máximo. Como resultado, faltaram agulhas”, justificou.

O subsecretário garantiu, mesmo assim, que todas as famílias serão atendidas.

“Não vamos deixar ninguém sem atendimento, é um compromisso que assumimos de atender todos os que estavam esperando”, afirmou.

As agulhas utilizadas desde ontem para suprir a deficiência fazem parte de um fornecimento especial. A estimativa do governo é que a entrega atrasada deve ser feita por volta do meio-dia desta segunda-feira.

Ronda Gramatical

"O Exército e as Polícias Federal, Civil e Militar apreenderam mais de 128 quilos de cocaína, armas, munição e a elucidação da chacina na quarta-feira, no Ramal Progresso. Três homens foram executados."

1. Da forma com está escrito, Exército e policiais apreenderam a elucidação. O correto é "e elucidaram a chacina".

Obrigado, Evandro!

Aldo, te parabenizo pelo blog. É uma delícia. Minhas filhas não vão à escola sem antes te ler. Dizem que escrevo razoavelmente, talvez por ser humilde o suficiente para acompanhar críticas como as tuas, assim como sempre consulto meu amigo professor-doutor Francisco Dandão.

Um grande abraço,
Evandro Cordeiro
_________________________

Evandro, todos, sem exceção, têm seus limites. O que me desagrada são eles se acomodarem. Há jornalista que representam a idade da pedra, os caras pensam que, para escrever, basta ser alfabetizado. São figurinhas petrificadas, congeladas. Textos previsíveis.

Se não fossem os revisores, nossos jornais seriam impublicáveis, porque os caras estacionaram mal no tempo e foram multados pela ignorância. Há exceções, poucas.

E ainda são arrogantes. Para essas pessoas, sim, também sou.

Queria um tempo a meu favor para escrever com mais calma e com um conteúdo melhor, mas a realidade se impõe, nem sempre, nem sempre.

Obigado por tuas educadas palavras.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Ao talentoso Enilson Amorim



Não considero Enilson um chargista, porque seus traços, na verdade, são caricaturais. Trata-se de um acreano talentoso quando o assunto é retrato e caricatura.

À margem dos que estão no poder, Enilson paga o preço de não receber incentivo. Não existem filhos da terra. Existem, isso sim, os interesses diferentes dos filhos da terra.

Um abraço em tua vida, Enilson!!! Crie, meu irmão, crie para muito além das dificuldades.

Com sua caricatura, deforme a imagem de nossos políticos.

Açeçôr de Inpremsá

Carvalho almoçou com o secretário de agricultura do município, Sebastião Saraiva e com o diretor da COPEL, vereador Xixico de quem recebeu uma sexta contendo os principais produtos da cooperativa.

Procura-se!

Quanto vale a indiFerenÇa?

Quanto custa tomaR conta só da próPria viDa?

Qual o preço do siLênciO?

Qual a vantagem do ciNisMo?

O preço de publicar a verdade, algumas, as pequenas, ainda sim, é alto. Ao redor de ti, uma plêiade de antipáticos à sua pessoa sustentam a leveza das aparências. Nunca é bom dizer a verdade.

A não ser que você... que você...

bem, que você não tenha negociado com Satanás - senhor da mentira, da dissimulação. Não me submeti à plástica de Ivo Pitanguy, quer dizer, não tenho duas caras e escrevo com palavras que olham no olho.

Gestora

A gestora da escola Heloísa Mourão Marques, enferma, muito doente, pediu licença para cuidar de sua combalida saúde. Eu também estive mal. No semestre passado, um leito do hospital Santa Juliana me acolheu por quase duas semanas. É humano, ficamos doentes.

Mas, como vivo em sociedade, como leciono em uma escola pública estadual, não posso me afastar sem, antes, dar satisfação por escrito. Devo satisfação.

Eu devo.

Mas a gestora Lúcia não deve satisfação a quem votou nela ou à escola pública. Perguntei ao presidente do Conselho Escolar, e ele me disse que a gestora não apresentou sequer um documento para legalizar seu afastamento. Perguntei ao setor administrativo e... a gestora não apresentou documento.

Gestor é mais bonito que professor? Não sei se é mais bonito, mas duas alunas me disseram que viram a gestora Lúcia não em posto médico, mas em um salão de beleza cuidando de sua saúde estética. Escrevo para (des)cobrir as aparências de uma escola pública e, dessa forma, expor o que insiste manter-se à sombra. Quero luz - visibilidade, franqueza.

Há um mês e duas semanas, ela, sem dar satisfação, recebe todo mês seu dinheiro como gestora de uma escola sem Plano Político Pedagógico.

Quanto vale a indiFerenÇa?

Quanto custa tomaR conta só da próPria viDa?

Qual o preço do siLênciO?

Qual a vantagem do ciNisMo?

quarta-feira, novembro 07, 2007

O PT da vereadora Maria Antônia














Quando defendemos um partido a qualquer custo, aceitamos que um palanque custe aos cofres públicos mais de R$ 90 mil para o presidente Lula subir.

O presidente, como não veio, não subiu ao palanque. Subir, subir mesmo, bem, só o preço.

Pela TV, a vereadora Maria Antônia disse que, quando foi sindicalista, Lula subia ao caminhão para falar. Como presidente, ela justifica o gasto.

Houve uma época em que petista chegava ao Congresso pedalando bicicleta, ele: Gabeira. Mas o partido é poder, e o poder não pode ser simples, acreditam alguns.

Um país pobre para muitos, um palanque com esse preço, esse é um PT que me entristece.

Matar Aula



Escondida, essa aluna matou Aula com sete facadas no coração e com um golpe de terçado na cabeça. Motivo: Aula era chata.

"O professor quer que eu leia um livro e ler é muito chato, porque tenho que ir ao dicionário, tenho que prestar atenção", reclamou.

Impune, ela afirmou que matará outras. Trata-se de uma assassina cruel. Seu futuro, bem, ela está matando Futuro.

O PT de Raimundo Angelim


Voto, mais uma vez, em Angelim. Às vezes, critico a Frente Popular por meio de artigos ou de matérias, mas eu escrevo minhas críticas com sensatez, não panfleto.

Panfletar diminui o valor da democracia.

Na foto, a prefeitura de Rio Branco limpa bairros desde que Angelim chegou ao poder. Eu tenho um apreço por essa administração.

Como digo, posso criticar a esquerda, mas, quando se trata da direitona no poder, eu rio e rio.

Minha acreana filha


Meu Amor, sei que você só se limita a teus dez anos, comemorados hoje, mas, por favor, entenda que a realidade exigirá de ti muito mais do que eu exijo.

E, quando ela exigir, por favor, sonhe mais ainda; imponha à realidade a alegria de viver com um caráter ímpar.

Filha, jamais traia teus amigos e os valores que dignificam a vida. Não seja irresponsável com as palavra, assuma-as.

Eu a amo mais do que a minha vida e não se esqueça: sempre amigos!!!

Um abraço em teu destino e um beijo em tua alma.

terça-feira, novembro 06, 2007

Ronda Gramatical

Hoje, o jornalista Josafá Batista foi criticado por escrever em sua matéria "sul-cruzeirense". O ruim não é a crítica, mas a soberba da ignorância de quem critica um dos melhores textos jornalísticos do Acre.

O que existe de errado em "sul-cruzeirense"? O crítico disse que não há norte-cruzeirense. Bem, a melhor saída, ele: o livro.

Se você abrir uma gramática ou o Manual da Redação, da Folha de São Paulo, encontrará a resposta.

Na página 278, do Manual da Redação, quem nasce em Mato Grosso do Sul é mato-grossense-do-sul ou sul-mato-grossense. Não há nenhum impedimento para haver uma analogia, isto é, quem nasce em Cruzeiro do Sul é sul-cruzeirense ou cruzeirense-do-sul.

Os livros, sim, é preciso ir a eles antes que a arrogância se engane.

Açeçôr de Inpremçá

Quem lhe procurou?

1. Eu tenho meus limites gramaticais, porque, sei, não domino a LÍNGUA. Sabedor disso, o caminho é leitura e mais ela: leitura;

2. Tem gente que critica texto de jornalista e erra 2 + 2. Sim, essa matemática equivale a uma regência verbal errada;

3. Quem procura, meu caro, procura alguém e não a alguém, ou seja, o verbo não pede a preposição "a", não havendo, portanto, o uso de "lhe"; e

4. O correto é "quem a procurou?" Primário.

A professora











Conheço a professora Lucinéa Wertz há anos, 15 para ser exato. Conheço seus defeitos, conheço os meus defeitos. Os meus.

O seu maior defeito é confiar no ser humano e esperar deles o gesto simples da confraternização.

Em uma escola, não precisamos de bundas e de coxas, mas de belos cérebros. Miss Inteligência deveria receber apoio da direção, mas, como não recebe, ela realiza sozinha uma ótima idéia.

De Bernardo de Carvalho









Escritor, Bernardo de Carvalho recebeu o Prêmio Jabuti em 2004 com o romance Mongólia. Estou para ler um de seus romances. Sua inteligência, sedutora.

Ótimo artigo.

O fracasso do pensamento

Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia, é lógico que o bom senso não tem vez

UM MUNDO sem reflexão, onde a violência da realidade obriga o sujeito a deixar de pensar para agir, cedendo ao senso comum, ao simplismo e ao pragmatismo cínico, recorrendo ao preconceito e a ações impensadas que antes ele condenava, quando essa mesma realidade ainda não o atingia diretamente e ele podia repetir belas teorias da boca para fora, não é um mundo menos hipócrita (como alguns gostariam), é um mundo pior.

Um mundo sem arte (no qual a arte, aceitando a pecha de ilusão e perfumaria, cede ao consenso da realidade e passa a funcionar como jornalismo e sociologia) também.

É nesse mundo desiludido que a representação de jovens tolos e inconseqüentes, repetindo Foucault da boca para fora, para acabar quebrando a cara na prática contraditória do trato direto com a realidade nua e crua, passa a ter um efeito catártico junto a platéias em busca de um bode expiatório.

É desse mundo (o do fracasso do pensamento) que trata "Tropa de Elite": onde só é permitido escapar à violência (e deixar de ser violento) fora da realidade -tudo o que o capitão Nascimento quer, ou diz querer, é sair desse mundo (onde quem pára para pensar morre), para poder cuidar em paz do filho e da família.

Gostei do filme, embora tivesse preferido o longa-metragem anterior de José Padilha, o documentário "Ônibus 174". Não acho o filme fascista. Mas é inegável que, como qualquer representação da realidade, ele tem um discurso (que não é exatamente o mesmo do capitão Nascimento), a despeito de dizer que se limita a mostrar a realidade. E não é um discurso novo.

É o discurso de um realismo funcional que volta e meia reaparece para dizer que a realidade é o que é. E que só os fatos (ali representados) contam.

Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia (e em que a arte se esconde como discurso para se apresentar como espelho de uma realidade unívoca), é lógico que o bom senso não tem vez. A demagogia e a ira, sim. É preto no branco. Produção de subjetividade é coisa de elite irresponsável. Aqui, nós tratamos de fatos objetivos.

Com o desbaratamento das idéias, este passa a ser um mundo de polarizações em torno de questões simplistas e indiscutíveis. Não se produz pensamento; tomam-se partidos. Vozes da ponderação e do conhecimento de causa -como a de Alba Zaluar, que exercita o bom senso semanalmente e sem maiores alardes nas páginas deste jornal- vão se tornando inaudíveis em meio ao bruaá dos lugares-comuns estridentes.

O bom senso não aparece, porque não tem graça nem dá manchete. As idéias foram reduzidas a representações sociais. Basta que cada um fale e seja reconhecido como representante do seu grupo social (e que muitas vezes se aproveite disso para respaldar a banalidade ou a demagogia do que diz).

O que conta não é o teor das idéias (em geral, as mais simplistas), mas que sirvam para identificar o lugar social de quem as manifesta no campo de batalha. Essa aparente desordem apenas encobre uma ordem geral, o consenso em torno da realidade como um campo de forças autônomo, um teatro de ação e reação, imune à reflexão e à inteligência.

Foi em meio a esse contexto que bati com os olhos na recém-publicada edição espanhola dos artigos e palestras do dramaturgo francês Enzo Cormann: "Para que Serve o Teatro?" (Universidade de Valência). Na conferência de 2001 que dá título à coletânea, o autor diz que o teatro (e de resto toda arte que se preze), por ser reflexão, "consiste em reinjetar subjetividade num corpo social entrevado pelo uniforme demasiado estreito do pragmatismo econômico" -ou (por que não?) do realismo oportunista que reivindica para si uma pretensa objetividade, condenando ao mesmo tempo toda produção subjetiva à impotência e ao ridículo, como se dela não fizesse parte.

Em nome de uma representação unívoca da realidade, o discurso embutido em "Tropa de Elite" (que não se assume como discurso) limita a própria possibilidade de produção de subjetividade a quem está fora desse mundo, ao diletantismo ridicularizado de estudantes inconseqüentes.

Ao associar a produção de subjetividade aos ricos, aos tolos e aos irresponsáveis, como se tampouco estivesse produzindo subjetividade, o filme acaba, provavelmente sem perceber, dando um tiro no próprio pé, pois contribui para estreitar o entendimento do que num passado não muito remoto, e graças ao esforço e à resistência de grandes cineastas, garantiu ao cinema um lugar entre as artes, justamente como produção de subjetividade.

Muito além dos sindicalistas (2)



A Secretaria de Educação do Estado do Acre deveria promover um encontro estadual com os professores de língua portuguesa e de literatura para que idéias pudessem ser registradas como parâmetros.
Trata-se de um assunto urgente. O texto ao lado, escrito por um outro aluno de ensino médio, delata a péssima qualidade de ensino em língua portuguesa.

Para iniciar as melhoras, o problema ultrapassa a própria disciplina. A solução depende também de administração escolar.

Muito além dos sindicalistas (1)



Quando o assunto é qualidade de ensino, sindicalistas pensam que sabem o que dizem. Ao lado, texto de aluno do ensino médio.
Como um aluno chega ao ensino médio com essa escrita?

E não é somente um. Não são somente dois. Não são somente três. Muito chegam ao ensino médio com uma escrita que se assemelha à quinta série, no máximo.
Trata-se de uma questão muito séria, ou melhor, a palavra encontra-se enferma na escola sem que o tratamento seja adequado.

Não basta o professor em sala. É pouco. Muito pouco.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Um ótimo feriado

A Vida. Sempre a Vida. Mais: a Vida. Ela, a Vida. Sempre. Outra vez. Sim, a Vida.

Até segunda.

Admirável Mundo Novo


Em 1932, Aldous Huxley publica um romance de ficção científica. Mais: profetiza. Em suas páginas, Admirável Mundo Novo prevê a clonagem humana. Huxley, portanto, narra uma revolução que não é política.

Em seu prefácio, ele afirma que essa revolução não se dará no mundo exterior, mas, sim, na carne humana, no corpo. "Robespierre havia realizado a espécie de revolução mais superficial, a política", está lá escrito.

O tempo passa. Após 75 anos, em 22 de outubro de 2007, a revista Época publica Hormônios contra o crime. Há três anos, a Itália debate debate a castração química. Por meio de hormônios femininos, o pedófilo perde seu desejo sexual.

O mais usado nos Estados Unidos, acetato de medroxiprogesterona. A morte da política representa a morte das instituições - incapazes, por meio da palavra, de ordenar a vida social.


Em 1932, o livro previu a biopolítica.

Dia dOs MorTos

Primeira Morte

O imposto sindical está com seus dias contados. Em breve, será sepultado sem honras.

No começo do próximo ano, ainda sairá de meu bolso uma quantia de R$ 50 para o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac, sendo que eu não sou filiado a ele.

Não sou obrigado a pagar o que não sabe me representar com inteligência. Neste ano, escrevi uma matéria, depois de uma semana coletando informações, sobre o que se faz com o dinheiro dos filiados. Não quero que meu dinheiro sirva de empréstimo a "coleguinhas de partido". Sindicato não é banco.

Sou filiado ao Sinplac.

Segunda Morte

Hoje, entrego aos olhos de quem me lê uma poesia dele, Fernando Pessoa, digo, Alberto Caeiro, escrita em 7 de novembro de 1915.

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Vagno Di Paula



Eu, crítico de colunas sociais que EXIBEM a riqueza de uns, não poderia deixar de reconhecer quando um colunista não EXIBE a plutocracia.

Di Paula é muito bem alfabetizado, o cara escreve bem. Por isso, seu texto pode alçar outras possibilidades.

Na próxima quinta, ele apresentará em sua coluna CIRCULANDO algo que nenhum colunista local ousou. Mostrará o chique que muitos ricos não têm.

A TRIBUNA ganha muito com sua escrita.

terça-feira, outubro 30, 2007

Volte, Naluh, para a sala de aula, volte!

Hoje, em frente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, uma manifestação de professores da rede pública pediu com toda educação que a ex-professora Naluh Gouveia volte para a sala de aula.

Eles acreditam que ela não pode deixar a sala de aula depois que o Estado do Acre começou a pagar o melhor salário do país. "TCE, TCE, Naluh em sala de aula, a gente quer", em só coro, gritavam seus colegas de trabalho.

"Naluh é formada em Letras, ela adora poesia, romances, Carlos Drummond, Guimarães Rosa; ela não sabe contar, não entende matemática", declarou uma professora. "Agora que conseguimos a isonomia salarial, agora que ganhamos o melhor salário do Brasil, ela precisa saber que a sala de aula é melhor do que o TCE."

A teus olhos


De Aldo Nascimento

A única verdade inviolável setenciará o tempo, meu caro, em que a tua carne banqueteará a fome dos vermes e, após a missa de sétimo dia, o universo tratará de esquecê-lo para sempre.

Tua morte, questão de um tempo laborioso, acolherá tua empáfia a fim de envergá-la até os limites de tua dor. A Morte rirá de tua condição humana, e vós se inclinareis como um súdito se inclina ao Senhor.

Não credes em Deus? Não importa, porque a Morte crê em ti, e ela só exigirá isto, não mais que isto: a dor. Quem sabe um câncer em tua boca com um dente de ouro para que tua língua profira o mal hálito de tua palavra putrefata.

Teu espírito não surportará teu inegável fim, porque, ao longo da vida, ele careceu de honra, de caráter, de humildade, de um amor profundo pela vida.

Será amanhã? O tempo não dialoga com os mortais.

Isso não é obra literária



O Ministério da Saúde adverte:

droga faz mal à saúde.

Em outro momento, baseando-me em um livro de teoria literária, tecerei algumas breves observações sobre Seringal.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Os conselhos são essenciais

Existem vários bons professores e excelentes idéias, mas pouco norteamento por parte do eixo gestão-coordenação pedagógica. Esse direcionamento vai bem além de acatar uma idéia boa como os conselhos de área.

Você concordou com tais conselhos. Está muito claro que questões de Língua Portuguesa devem ser definidas com os professores de Língua Portuguesa, por exemplo: Redação. Se tem professor que sabe muito bem o que fazer com Redação em sala, ele deve coordenar a área para, com seus pares, definir práticas e metas.

Sobre coordenação, defendo esta idéia: na coordenação, deve haver um professor de Matemática e de Língua Portuguesa. Esses dois profissionais precisam ser escolhidos por meio de critérios bem definidos pelo corpo docente.


Significa participar ativamente, dando sugestões e cobrando relatórios, baseando-se na proposta pedagógica da escola.

A proposta pedagógica de Língua Portuguesa, por exemplo, inicia-se pelas áreas. Antes de pensar o todo, a escola, é preciso pensar a parte, a área. Os relatórios são essenciais, porque asseguram a memória da escola, das reuniões.

Vai além de parcos elogios quando um conselho vai bem e mostra resultados: estabelecer metas futuras que superem as atuais é fundamental. A escola deve funcionar como uma empresa: O objetivo final deve ser impreterivelmente alcançado, e para isso seus vários segmentos devem se articular produtivamente.

Quem é gestor tem a obrigação de saber o que faz, no caso, buscar qualidade de ensino e posturas na escola.

Açeçôr de inpremçá

"Durante a solenidade, o secretário Antônio Monteiro, disse que sua pasta vive um momento de celebração após o governador Binho Marques ter elegido a Segurança Pública como “carro chefe” de sua gestão."

1. Vírgula entre sujetio e predicado. Assessor não é escolhido por concurso ou por competência, mas por obediência.

Cesta básica


Na propaganda do governo do Estado do Acre, propaga-se pela TV que o salário do professor é bem maior do que o de São Paulo quando se compara a cesta básica paulista à cesta básica acreana.

Imagine o poder de compra de um médico se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Agora, imagine o poder de compra de um promotor se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Imagine o poder de compra de um juiz se o seu salário estiver associado à cesta básica, imaginou?

Nós não imaginamos essas comparações quando se trata de tais profissões, mas o governo do Estado, com sua propaganda ufanista, associa cesta básica ao salário do professor.

A Língua Marginal



Uma classe social marginalizada pelos ricos, só poderia marginalizar a LÍNGUA.

Conheço texto do Poder Judiciário muito mal escrito. Os pobres não são motivo de riso para mim.

Aos alunos

Professor, está na hora de dar um basta em projetos fajutos de Língua Portuguesa! Letras maiúsculas no meio da frase, "o" Heloísa em vez de "a" Heloísa, "segundão", "terceirão" (essas turmas não existem!). Dê uma olhada nos cartazes e panfletos que circulam por lá...Até o nome, "Sebinho", já virou motivo de chacota. E o pior é que estão querendo levar isso para fora do âmbito escolar!Como professor de Língua Portuguesa, tome uma atitude. Isso é uma vergonha!

Se são projetos fajutos, assim como você disse, os alunos, os interessados, poderiam criar um blog para criticar de forma inteligente e para dar propostas à escola.

Uma pergunta: que projeto poderia ser criado para ajudar os alunos?

Sobre o "Sebinho", há idéias boas, ótimas, mas elas precisam ser assumidas pela disciplina Língua Portuguesa por meio da área, não podendo, portanto, ser um ato isolado. Isso, é claro, depende da gestão, da direção.

A mesma professora que criou o Sebinho também deu a idéia de corrigir as placas com erros ortográficos, mas, como não há proposta educacional por parte da direção, idéias se perdem.

Eu já defendi na escola conselho de disciplina, porque, dessa forma, projetos passariam pela área. Infelizmente, a atual gestão não teve vontade ou entendimento para que tais conselhos funcionassem. Um problema da escola pública acreana chama-se administração.

Não temos, por exemplo, os conselhos de turma. Eles são importantes na estrutura escolar, mas pessoas, com péssima formação mental, não conseguem visualizar sua funcionalidade.

Penso que alunos interessados, jovens que lutam por uma escola pública com qualidade, deveriam se manisfestar por meio de um blog criativo. Precisamos lutar por boas idéias e criticar quem merece ser criticado por sua incompetência e por seu desinteresse.

sábado, outubro 27, 2007

Ronda Gramatical

A) "Botafogo quer voltar à vencer hoje contra Sport"

1. Botafogo quer voltar a - Esse "a" surgiu por causa de "voltar", ou seja, trata-se de uma preposição;

2. A vencer hoje contra Sport - Nesse caso, não podemos usar o artigo "a" antes do verbo vencer;

3. Podemos usar a preposição "a", mas não podemos usar o artigo "a". Dessa forma, não há união (crase) entre preposição e artigo, não podendo, portanto, haver o acento grave que indica o fenômeno da crase; e

4. Voltar a a vencer - Como não se usa artigo "a" antes de verbo, fica somente a preposição "a", ou seja, "voltar a vencer".

B) "Ensino à distância leva curso superior à todo o Acre"

1. Quando a distância não é especificada, não se usa o acento grave que indica o fenômeno da crase;

2. Como não cabe artigo "a" antes de "todo", fica só o "a" da preposição, isto é, não há união entre o "a" da preposição com o "a" de artigo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Para as feministas acreanas


Há alguns tempo, publiquei no jornal A TRIBUNA uma matéria sobre movimento feminista que defendia na Europa a maternidade e a família.

No dia 21 de outubro, na Folha de São Paulo, publicou-se uma minientrevista com Camille Paglia, bom material. Leia com atenção o que a norte-americana disse.

"
O movimento feminista tende a denegrir ou marginalizar a mulher que quer ficar em casa, amar seu marido e ter filhos, que valoriza dar à luz e criar um filho como missão central na vida," diz Paglia. "Está mais do que na hora de o feminismo conseguir lidar com a centralidade da maternidade."

No Acre, quando chega 8 de março, anacrônicas que são, elas ainda ovulam muita besteira, por exemplo, o clichê "a mulher está ocupando seu espaço". É urgente pensar a casa, a família, a sexualidade, mas fica impossível quando o raciocínio é a própria
menopausa.

Dia das mães é muito mais significatico do que 8 de março.

Médicos ameaçam entrar em greve se a saúde não melhorar

De Josafá Batista

Em assembléia geral realizada na última quinta-feira, médicos de Rio Branco aprovaram um parecer que define uma greve de advertência se as negociações com o governo do Estado não avançarem.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC), essas negociações se arrastam há meses e até hoje nada ficou definido.

Os médicos reclamaram da lentidão das negociações e autorizaram o Sindmed-AC a tomar uma postura mais firme. Uma nota distribuída à imprensa afirma que “está ficando impossível trabalhar sem condições estruturais”. A categoria reclama de excesso de plantões e salários que não têm reajuste desde o inicio do atual governo.

“Hoje, pela manhã, fui ao pronto-socorro para acompanhar a movimentação e lá estava um caos. Faltam médicos, havia pacientes deitados no chão e só um médico para atender. É um absurdo que as coisas fiquem assim, porque está faltando profissionais. Por isso, quando um médico adoece, não tem ninguém substitui-lo e cria-se um caos”, reclama Enoque Pereira de Araújo, presidente do Sindmed-AC.

Além da contratação de médicos para as emergências e a melhoria das condições de trabalho, os médicos querem que o governo pague insalubridade e que reforme algumas instalações. No caso do pronto-socorro, por exemplo, um dos ambulatórios não tem sequer ar-condicionado.

Na próxima semana, o Sindmed-AC vai elaborar um documento com todas as reivindicações da classe para entregá-la ao representante da Sesacre e, se nenhuma solução for encontrada, a greve começa em novembro, especificamente, a partir do dia 12.

A paralisação, se acontecer, vai paralisar o pronto-socorro e todos os centros de saúde da capital.

Governo vai negociar

O subsecretário estadual de Saúde, Sérgio Roberto Gomes de Souza, disse que ainda não recebeu o documento, mas que, quando receber, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) vai “estabelecer uma relação de negociação com os médicos, consolidar direitos e estabelecer deveres”.

Perguntado sobre o significado desse pacote fechado, ele aproveitou para reclamar das entrevistas feitas por telefone. “Vocês ficam aí na Redação, coletando versões, é complicado”.
Mesmo assim, o subsecretário ressaltou.

“Vamos ouvir e discutir as reivindicações e estabelecer uma lógica de gestão. E, ao mesmo tempo, vamos normatizar as atribuições. É uma pista de mão dupla, vamos discutir, só isso”, afirmou o secretário.

Atento à própria fala, ele mandou repetir o que havia dito - foi obedecido.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Dissertar

Na prova dissertativa, meus alunos, a maioria, não entendeu o que o Enem propôs em 2000. Fui ao quadro para explicar. Mostrei um esquema sobre.

Na próxima terça-feira, reconstruirão a introdução segundo a proposta do Enem de 2000. Poderia deixar assim mesmo, porque o estado paga da mesma forma. Exigindo ou não do aluno, tendo ou não tendo mais trabalho, o salário é o mesmo.

Não ganho mais por trabalhar melhor, por me esforçar mais.

A questão, entretanto, é que eu não sou assim mesmo: sou problemático.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Maior salário do país...

Acabei de dar uma olhadinha em um concurso da prefeitura de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Lá, com 20 horas semanais, o professor recebe R$ 1.559,99, o bruto. O custo de vida é mais barato do que no Acre.

Deputado-ex-professor

Os deputados estaduais, principalmente os ex-professores Edvaldo Magalhães, Naluh Gouvea e Moisés Diniz, deveriam criar leis para qualificar a gestão das escolas públicas acreanas.

Gestores escolares transitam livres e alegres com suas irresponsabilidades, com seus descasos, com suas indiferenças. Há caso de escola pública saqueada por diretores e, sem nenhuma punição séria, deixam a escola pública depredada. Ganham muito bem para deixarem muito mal o ensino público.

O caso da escola Heloísa Mourão Marques é exemplar no sentido de que, até hoje, ela se encontra inadimplente com a Secretaria de Educação. Sem papel, professores tiram do bolso dinheiro para que provas sejam impressas. A escola não tem verba. Ninguém é responsabilizado e punido.

Gestores escolares devem ser submetidos à avaliação por meio de questionário respondido por alunos, por professores, por pais de aluno e por funcionários de apoio. Essa avaliação deve ser semestral.

Os deputados pouco, ou quase nada, trabalham para apresentar idéias que qualifiquem a gestão escolar. Lamentável.

terça-feira, outubro 23, 2007

Parabéns!!!



O que dizer à editora-chefe da TRIBUNA?

Sem Alexandra Machado, a redação desse jornal não seria a mesma.

Simpática e charmosa, essa menina sabe exercer como ninguém o gênero feminino no trabalho.

Que a tua família seja farta de compreensão e empanturrada de amor.

Vida longa, menina!!!

Aluno & Ronda Gramatical

Aluno

Professor Aldo, foi muito bem colocada a sua correção a respeito da expressão no comunicado, mas o senhor chegou a falar para a coordenação que não estava correto daquela forma?

Não avisei.

Professor, gostaria que o senhor divulgasse também os trabalhos interessantes que são feitos na escola. O turma vespertino realizará amanhã, 23/10, uma pequena mostra de trabalhos desenvolvidos por meio de maquetes. São trabalhos simples, porém criativos.

Você não me chamou na escola para fotografar e para comentar sobre, além de vocês comentarem sobre.

Ronda Gramatical

"A presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargadora Isaura Maia, fez ontem a tarde, uma visita ao gabinete do senador Sibá Machado. Izaura Maia procurou o senador acreano para pedir apoio do parlamentar na destinação de emendas que ajudem a desenvolver projetos do Tribunal que atendem gratuitamente a população acreana."

1. Sempre digo a meus alunos que evitem palavras desnecessárias no texto. "Fez ontem a tarde uma visita". Muito melhor escrever "visitou ontem, à tarde". Péssimo "fez uma visita". Transforme "visita" em verbo, é melhor.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A ética dos robôs


De Aldo Nascimento

Depois da revolução industrial no século 18, conseqüência também de investimentos na educação, a cova secular entre Europa e países como Brasil só tem se tornado mais funda.

Aqui, país do samba e do futebol, o pentacampeão do mundo, a falta de ética na vida pública parece dar um show de bola no povão. Na Europa, Reino Unido, o debate sobre a ética dos robôs revela que nós, nação com os piores índices educacionais, perdemos o mouse da história.

Para os países desenvolvidos, enviamos mão-de-obra barata, nós não precisamos pensar no velho continente. Pois bem, daqui a alguns anos, a Europa não precisará de nós nem como garçons ou como lavadores de prato - os robôs humanóides nos substituirão.

"Bill Gates, cuja Microsoft acaba de desenvolver um sistema operacional padronizado para esse tipo de máquina, acredita que a indústria da robótica, como a dos computadores pessoais 30 anos atrás, está às portas de uma forte expansão", escreveram FRANÇOISE LAZARE e PHILIPPE MESMER no Le Monde.

Leia com atenção o que os dois registraram no jornal francês.

Podem votar?

Sob o título "sonhos utópicos ou máquinas melhores", os especialistas discutem aquilo que será preciso prover aos robôs à medida que sua inteligência artificial se desenvolva. Será que terão direito de voto? Serão forçados a pagar impostos, a prestar serviço militar?

De acordo com o estudo, caso os robôs participem da força de trabalho e, portanto, do crescimento da economia, será necessário fornecer a eles, por exemplo, uma cobertura de seguro social que garanta o bom funcionamento de seus equipamentos. Como aponta o texto, um computador, que legalmente não é considerado uma pessoa, não poderia ser responsabilizado judicialmente por qualquer delito. Seu fabricante, no entanto, poderia proteger seus direitos de propriedade intelectual.

No Japão, os avanços não se comparam aos europeus. Os robôs humanóides vêm sendo desenvolvidos pouco a pouco pelos laboratórios. O Wakamaru está à venda para trabalhar como recepcionista em empresas. A Alsok, uma fabricante de produtos de segurança, está oferecendo aos clientes os robôs de vigilância C4 e C5, para operar em centros comerciais.

A Coréia do Sul, país igualmente avançado em termos de robótica e grande rival do Japão nessa área, redigirá uma "carta ética dos robôs" ainda neste ano. O texto se inspira nos princípios propostos pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov.

Para uma nação que fica entre as piores nas olimpíadas de matemática, não serviremos nem mais como garçons.

Oremos, irmãos!

Abandonada cidade cenográfica da minissérie

Ficou só na intenção a promessa de tornar a cidade cenográfica da minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes um ponto turístico permanente do Acre. A falta de manutenção transformou o local em um grande depósito de quinquilharias e várias estruturas já começaram a ficar inutilizadas.

A promessa de transformar a cidade cenográfica, localizada no Quixadá, em um ponto turístico, foi feita pelo governo do Estado antes da gravação da própria minissérie, durante a construção. Na época, alardeou-se que o objetivo era popularizar a história e as tradições acreanas.

No local, porém, tudo está se transformando em ruínas. A casa onde morou o coronel Firmino, personagem do ator José de Abreu, por exemplo, está começando a ser invadida por insetos. Não há qualquer indício de uma estrutura digna de ponto turístico.

Os espaços começaram a virar pontos de encontro de moradores da região, que se dizem donos da cidade cenográfica. Festinhas particulares são registradas com freqüência, de acordo com a vizinhança.

Pela promessa, o local teria um restaurante de comidas típicas, como galinha caipira, tacacá, tapioca, açaí e outros. Moradores do Quixadá chegaram a sugerir que o governo do Estado procurasse parceiros na iniciativa privada para restaurar o espaço, inclusive, mantendo outros elementos do cenário e não somente as casas.

O problema não é específico da cidade cenográfica do Quixadá. Em Porto Acre, de acordo com uma denúncia, funcionários de um órgão do governo do Estado já começaram a demolição de quase tudo o que foi construído nas gravações. Ao contrário do prometido, nenhum investimento foi feito.

Desmatamento em alta

Do caderno Mais!,
da Folha de São Paulo

De Marcelo Leite

Permanece limitada a capacidade do governo de inibir
a ação de grileiros, madeireiros e seus sócios

Em agosto, duas colunas neste espaço ofereceram informações contraditórias sobre desmatamento na Amazônia brasileira. A primeira, no dia 5 daquele mês, previa aumento no corte de florestas com a subida dos preços de commodities como soja e carne bovina.

A segunda, duas semanas depois, apontava erro no primeiro texto, diante de dados de satélite que indicavam queda no desmate pelo terceiro ano consecutivo.Ambas as colunas estavam certas, e também erradas. O desflorestamento de fato vinha caindo, pelo menos até junho ou julho. Mas começou a subir de novo, forte, em agosto.

Apesar disso, ainda está distante da cifra escandalosa de 2003/ 2004, a segunda maior área devastada de todos os tempos (27.429 km2). Eis o dado do Sistema Deter, acompanhamento em "tempo real" (poucas semanas de defasagem entre coleta de imagens por satélites e processamento dos dados) operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) orientar a fiscalização: de junho a setembro, foram derrubados 4.570 km km2 de mata amazônica, contra 4.250 km2 no mesmo período do ano anterior.

Isso dá um aumento de 8%, como noticiou a Folha na quinta-feira. O MMA ainda se contorcia para dizer que não estava ocorrendo um aumento substantivo, só uma desaceleração da queda. O ano de 2007 terminaria ainda com uma redução na taxa de desmatamento, argumentava.

A série histórica de estatísticas oficiais iniciada em 1988 leva em conta o período de agosto a julho. Como até três meses atrás a taxa vinha caindo, tendo registrado -33% de variação em junho e oscilação de 4% em julho (no confronto com os mesmos meses de 2006), o ano-desmate 2006/2007 terminará, sim, com redução.

Marina Silva terá, portanto, mais um relatório positivo sobre desmatamento anual para apresentar. Mas já não será um retrato fiel da situação quando se iniciar a reunião das Nações Unidas sobre mudança climática de Bali, Indonésia, em dezembro. Ali o Brasil e outros países emergentes serão pressionados a adotar metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, como já fizeram vários países desenvolvidos no quadro do Protocolo de Kyoto. Três quartos das emissões brasileiras vêm do desmatamento.

Em agosto deste ano, ele aumentou 53% sobre agosto de 2006 (passou de 474 km km2 a 723 km km2). Em setembro, mais 107% (de 687 km km2 a 1.424 km km2). Como de hábito, a aceleração é mais acentuada nos Estados que compõem o chamado Arco do Desmatamento. Rondônia, aquela Unidade da Federação em que Lula vai erguer os monumentos hidrelétrico-desenvolvimentistas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, teve aumento de 602%.

Em Mato Grosso, terra de Blairo Maggi e portanto de soja, foram 84%. No Pará de tantas unidades de conservação criadas na gestão Marina Silva, 59% (e maior área total, 655 km km2). É bom repetir: 4.570 km km2 de desmate nos melhores meses (mais secos) para derrubar e queimar floresta não chega a ser um desastre (ainda que a área represente três vezes a do município de São Paulo).

A aceleração inegável, no entanto, vem sugerir que permanece limitada a capacidade do governo federal de inibir a ação predatória de grileiros, madeireiros e seus sócios no avanço da frente agropecuária, sobretudo quando capitalizados pelo aumento nos preços de commodities.
_____________________________
MARCELO LEITE é autor de "Promessas do Genoma" (Editora da Unesp, 2007) e de "Clones Demais" e "O Resgate das Cobaias", da série de ficção infanto-juvenil Ciência em Dia (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia (www.cienciaemdia.zip.net). E-mail: cienciaemdia@uol.com.br

sábado, outubro 20, 2007

Ronda Gramatical
















"Os alunos deverão está 30 minutos"

Essa frase-oracional foi escrita em uma escola pública. Os alunos lêem e, como isso, copiam o errado. Para saber se é "está" ou "estar", substituamos o verbo por outros verbos.

Os alunos deverão estudar (e não estuda). Os alunos deverão cantar (e não canta). Os alunos deverão viver (e não vive). O alunos deverão estar (e não está).

Coordenação de ensino não pode vacilar dessa maneira.

Polanco, ameaçado

STJ pode retirar Polanco do cargo de conselheiro do TCE

Matéria de Edinei Muniz

Um mandado de segurança, em trâmite final no Superior Tribunal de Justiça(STJ), pode complicar a vida de Ronald Polanco, conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado pelo PT.

O ex-deputado é acusado de não preencher os requisitos constitucionais exigidos aos ocupantes do cargo de conselheiro do TCE, razão que levou o advogado Vicente Prado - que concorreu à vaga, hoje ocupada por Polanco - a ingressar na Justiça, visando tornar nula a decisão da Assembléia Legislativa, que, por maioria de votos, escolheu o ex-petista para o cargo em desacordo com a lei.

Os riscos de Polanco vir a perder o cargo são grandes, pois, no STJ, a jurisprudência firmada pelos Ministros é de que "devem ser preservados os requisitos exigidos na Constituição", e ele não cumpre todos, especialmente, por não ter mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade na área jurídica, econômica e financeira ou de administração pública.

Para complicar mais ainda a situação, a Procuradoria da Republica, convocada a opinar no processo, manifestou-se pela nulidade de todos os atos que culminaram com a indicação de Polanco para o cargo. O mandado de segurança (RMS 23400) está pronto para ser julgado pelo ministro-relator, Teori Albino Zavascki, desde o dia 2 deste mês.

A decisão final deve sair nos próximos dias e, se favorável, além de complicar Polanco, cairá como um balde de água fria nas pretensões da deputada Naluh Gouveia, que, por sinal, enfrenta os mesmos problemas de Polanco no tocante ao cumprimento dos requisitos expressos na Constituição Federal.

sexta-feira, outubro 19, 2007

A Folha de São Paulo nos pauta mal

Artigo publicado neste sábado na TRIBUNA, dia 20
De Aldo Nascimento

Na matéria Professor de SP ganha 39% menos que do AC, publicada em 14 deste mês pela Folha de São Paulo, a repórter Daniela Tófoli evidenciou em seu texto um conhecimento profundo sobre sua ignorância a respeito do Acre, isto é, ela não sabe quanto custa uma cenoura e um pepino em Cruzeiro do Sul.

Daniela afirmou que a cesta básica na terra da garoa, comparada à da terra de minha filha, custa R$ 194,34 (São Paulo) contra R$ 124,47 (Acre).

Enviei uma carta eletrônica à jornalista, aconselhando-a a passar um ano na terra dos nauas. Por causa dessa cesta básica, ela contabiliza uma diferença de 60% entre professores de José Serra (PSDB) e de Arnóbio Marques (PT). Daniela, em Cruzeiro do Sul, dois litros de Coca-Cola custam R$ 8.

A autora informou ao Brasil todo que o salário do professor é R$ 1.580. Mentira. Bruto, ele chega a R$ 1.560. Repito: bruto. Líquido, o salário acreano fica em R$ 1.408, sendo que o professor leciona para três turmas e sua carga de trabalho limita-se a 30 horas por semana.

Com esse número, façamos as contas:

Aluguel: R$ 400 – professor não paga aluguel?
Compras: R$ 400 – professor se alimenta bem?
Telefone: 100 – professor se comunica?
Internete: 130 – professor pode estar na rede?
Livros: 100 – professor compra seus livros?
Escola: 130 – filho de professor pode estudar em escola particular?
Gasolina: 100 – professor pode passear de carro?
Luz: 160 – professor pode usar ar-condicionado sem “gato”?
Água: não paga – professor toma banho com água de poço?

Total: R$ 1.520 em Rio Branco. Sem considerar outros gastos, ele deve R$ 112 no final mês. Professor poupa mensalmente? Com esse salário, portanto, deputado-professor e vereador-professor, quando deixarem de estar parlamentares, serão outra vez professores, porque o salário é o melhor do país.

Cínico, no mínimo, comparar com o pior. Muito semelhante quando se compara o atual salário ao da época desgraçada do ex-secretário de Educação, Alércio Dias, cujos índices assemelhavam-se a um professor do continente africano.

Evidente que não sou estúpido a ponto de ignorar ações benéficas na educação acreana depois que a Frente Popular chegou a poder. Não há dúvidas de que o salário aumentou muito em relação a políticas antieducacionais de desgovernos anteriores, mas afirmar que se trata de um salário à altura do que a educação representa para uma nação, bem, aí é demais. Gosto de seguir os bons exemplos salariais de professores chilenos e argentinos. São Paulo e Rio de Janeiro não são bons exemplos.

Comparar ao pior, no mínimo, repito, é cinismo.

Nesta semana, em uma sala do pré-vestibular Ideal, diante de 32 alunos, perguntei quem desejava cursar uma faculdade para ser professor. “Eu quero lecionar a disciplina Biologia”, disse-me um solitário aluno. Um.

Quem for a um pré-vestibular do Acre não encontrará muitos jovens que desejam ser professores, porque, dizem, o salário não compensa. O crime, esse sim, compensa, por isso esses jovens desejam ser advogados, promotores e juristas. Eles desejam ser médicos. Na conta bancária, professor vale bem menos do que advogado, bem menos do que médico. Trata-se de uma verdade no mercado de trabalho.

Mas nem tudo está perdido, professor. Se o senhor gosta de estrada, se o senhor gosta de apreciar carros em avenidas, o concurso da Polícia Federal está aberto. Com apenas o ensino médio, o senhor receberá por mês mais de R$ 5 mil. Repito: só com o ensino médio.

Muito mudou, eu sei. Muito ainda mudará. Sem ser professor, Lula possibilitará um piso salarial de R$ 950 para todos os professores do país. Fernando Henrique, um professor, ignorou isso em seu governo.

Só discordo desse ufanismo salarial no Acre. É preciso equilíbrio.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Um blog aberto a Cristina Maia


Um cometário infeliz sobre a minha pessoa obriga-me a escrever.

Professora de Língua Portuguesa e responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) na Secretaria de Educação do Estado do Acre, a servidora pública Cristina Maia declarou que sou "uma pessoa problemática".

É preciso ter muita calma nessa hora para não perder a postura de cavalheiro diante de uma dama. Prometo, serei elegante, semelhante a um esgremista que, com seu sabre, atinge a parte vital do adversário, no caso, o cérebro.

Um pessoa indicou-me a Cristina Maia para formular questões do Saeb e, como resposta, sentenciou que sou uma "pessoa problemática". Bem, na condição de funcionária do Estado, desqualificar outro funcionário do Estado não pode passar pela subjetividade. A administração estadual não pode avaliar segundo "o achar" ou "a opinião" de uma funcionária, sabemos, compentente e dedicada a qualificar o ensino da disciplina Língua Portuguesa.

Isso tem um nome bem chulo: queimação.

Leciono na rede estadual de ensino há dez anos e, até hoje, nunca fui avaliado pela Secretaria de Educação por meio, por exemplo, dos alunos. Em outras palavras, a secretaria e a funcionária Cristina Maia ignoram o meu ato de lecionar, minhas idéias, minhas relações com a escola pública, o que já fiz, o que não fiz.

Cristina Maia ignora, por meio de avaliações, de documentos, o trabalho de Aldo Antônio Tavares do Nascimento na sala de aula como professor de Literatura e de Língua Portuguesa. Ela já ouviu, isso sim, falar de mim. Uma representante do Saeb, no entanto, não pode desqualificar pelo fato de "ter ouvido falar de alguém". O Estado não julga segundo as "fofocas".

Viu a foto?

Acredito que a senhora Cristina Maia tenha chegado ao atual cargo da Secretaria da Educação por meio de um processo de avaliação, ou seja, seu trabalho nas escolas públicas ao longo dos anos ratificou sua função atual na Secretaria de Educação do Estado.

Não foram amigos partidários, antigas amizades e muito menos o nome de família que a colocaram onde está, mas, por meio de um procedimento institucional equânime e ético, repito, avaliação do corpo discente por meio de questionário, documentou-se que Cristina Maia não é "pessoa problemática". Tal procedimento representa o espírito republicano e não o espírito fisiológico.

"Problemático"!?!?!?

Cristina Maia, os cínicos, os indiferentes, os canalhas, os falsos, os fisiológicos, os incompetentes, os aduladores, esses sim, minha cara dama, esses sim, são problemáticos embora, reconheço, transitem livres e alegres pelos corredores, porque, ocultando o que são com seus joguinhos de aparência, recebem, que ironia!, o reconhecimento do que eles não são.

Minha cara, vós não sabeis quem sou.

Neste Acre, acredite, cultivadas há anos, tenho ótimas amizades, pessoas escolhidas a dedo. Para elas, nunca fui aparência. Para elas, a destreza de minhas palavras não dissumula. Somente os poucos podem saborear a lealdade de minhas palavras.

Vida longa aos que lutam sem duas caras por um Brasil e por uma Acre sempre melhor para os que precisam mais do que nós.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Matéria da Folha de São Paulo nos pauta mal

Para domingo, um texto sobre a matéria da jornalista DANIELA TÓFOLI. Eu não poderia ficar calado.

2º ano C do ensino médio


Que sejam vitoriosos na vida!!!

E a nossa Câmara?

Câmara do Rio aprova lei que proíbe
celular e MP3 em salas de aula

da Folha Online

A Câmara Municipal do Rio aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que proíbe o uso de telefones celulares, jogos eletrônicos, aparelhos de MP3 e demais equipamentos eletroeletrônicos em salas de aula. A lei inclui todas as instituições de ensino da cidade -municipais, estaduais, federais e municipais.

De acordo com o projeto, se sancionada pelo prefeito Cesar Maia (DEM), a lei será aplicada para alunos de ensino médio, fundamental e superior.

A lei, de autoria da vereadora Pastora Márcia Teixeira (PR), prevê que as instituições devem fixar em local visível uma placa indicativa com o seguinte texto: "É proibido o uso de aparelho celular e equipamento eletrônico durante as aulas".

Na justificativa da proposta, a vereadora diz que o uso desses equipamentos em sala de aula tornou-se um transtorno para os professores e alunos, já que tira a atenção de ambos.
O prefeito do Rio ainda não sancionou a lei.

São Paulo

Na semana passada o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sancionou projeto de lei que proíbe os estudantes de usar telefone celular nas escolas nos horários de aula.

A princípio, vale apenas para a rede estadual do ensino básico (fundamental e médio), mas, como a redação do texto é vaga ("estabelecimentos de ensino do Estado"), a Secretaria da Educação diz que é possível considerar que abrange também a particular. A dúvida será esclarecida apenas com a regulamentação da lei, prevista para ser publicada pelo governo em até 90 dias. A lei não estabelece como será a fiscalização da medida nem a que tipo de punição o estudante está sujeito.

O deputado estadual Orlando Morando (PSDB), autor da proposta, afirmou que os aparelhos podem ser retidos pelos professores e devolvidos apenas ao final das aulas. A punição, no entanto, não está prevista no texto da lei sancionada.

Comissão Eleitoral

Na última eleição de gestor escolar, a Comissão Eleitoral da escola Heloísa Mourão Marques deixou falhas e deve aprender com seus erros.

No auditório, os setores da escola se misturaram e, por causa disso, o debate deixou a desejar. Proponho que reuniões sejam separadas com cada setor e pautas devem ser bem específicas.

O corpo docente precisa realizar um debate com os candidatos, mas, antes, os professores devem marcar os tópicos, por exemplo:-) 1) qualidade de ensino de Língua Portuguesa e de Matemática, 2) conselhos de disciplina, 3) conselhos de turma, 4) escolha da coordenação de ensino, 5) Plano Político Pedagógico.

Mais: um termo de compromisso deverá ser assinado pelos candidatos a fim de que metas sejam cumpridas.

Não podemos transformar essa eleição em feira livre da palavra cínica. Precisamos transformar a escola pública Heloísa Mourão Marques na melhor escola do Estado.

Defendo a idéia de que o gestor escolar deve ser avaliado a cada seis meses pelos setores da escola. Quem terá coragem?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Confraternização


Uma confraternização em sala. Os alunos me chamaram. Fui. Gostei. Pessoal muito bom.

Novas cabeças



No Dia das Crianças, os novos professores ofertaram aos alunos balas e doces. Tiraram dinheiro do bolso e promoveram esse momento.

Esse pessoal novo deve administrar a escola.

Clonaram o Freud




Acima, um pedófilo procurado pela Polícia Federal dos EUA.

Abaixo, Freud, repórter da TRIBUNA.

Acredite, a clonagem humana começou.

A um bloguista (2)

Fico feliz em perceber essa sua vontade de melhorar a educação.

Uma pessoa não basta. Uma escola depende de um conjunto muito bem articulado.

Acho que a escola trabalha muito de forma unidirecional, isto é, o professor repassa conceitos e os alunos absorvem. Os alunos deveriam buscar o conhecimento.

"Deveriam" se as escolas públicas tivessem condições para tanto. O bom é combinar os dois procedimentos: o professor sistematizar e o aluno buscar.

Acho que a forma tradicional de usar as salas em fileiras causa inibição aos mais afastados. A forma de U como nos teatros antigos parece ser mais interativo.

Não pense que tudo é interação.

Certa vez, li um texto seu que mostrava a foto de uma menina dormindo na sua aula. Leitura é algo meio entediante para quem não é acostumado. Isso é culpa dela, entretanto, também um pouco sua. Afinal, você é o "dono" do espetáculo.

O espetáculo é saber o que se fala em sala. Não pense que é fácil realizar um espetáculo, pois isso exige tempo do professor; entretanto, meu caro, o professor não se dedica à escola em tempo integral. Ele tem seu tempo estilhaçado e a própria escola é fragmentada. Espetáculo exige elaboração, preparo anterior, isto é, tempo para criar.

Sem isso, a leitura é, por exemplo, para ser compreendida e para se interpretada. Para tanto, o aluno deve consultar o dicionário, marcar termos, conceitos. A leitura deve ser racionalizada para, depois, aí então, ser lúdica, ser espetáculo.

A leitura não deve ser algo de um professor, mas a proposta de uma escola muito bem articulada.

Você falou que os coodernadores deveriam assistir as aulas. Não acha que o ambiente dentro da sala mudaria tanto por parte dos alunos como por parte dos professores? O professor não iria querer "mostrar serviço"
?

Muitos não mostram serviço, porque fazem da solidão pedagógica um forma de desqualificar o ensino. O professor deve dialogar com quem coordena e, para isso, ele deve expor suas virtudes e seus limites diante da coordenação. Na escola pública, a liberdade é tamanha que se perdeu de vista a ética do conjunto. Não há liberdade se não houver ordem, noção de conjunto.

A uma bloguista (1)

Caro professor Aldo,

Ouço sempre você dizer que no Acre não temos uma identidade cultural, costumes próprios e/ou uma história.
Minha fala dirige-se somente à cultura. Costumes e história, claro, estão presentes. Agora, o que pensamos sobre "cultura"?

Não sei exatamente o que você quer dizer com isso. Na minha opinião nós temos uma história muito rica.

História de quem?

Essa semana estava lendo "O Empate"- de Florentina Esteves. Pude visualizar a construção do meu Estado, a identidade do povo acreano e muitas outras coisas que me fazem acreditar que eu vivo em um Estado que possui "alma".

Em que sentido identidade e alma? Queria visualizar isso com muita clareza.

Gostaria que você comentasse sobre isso
.

Comentarei, mas, por favor, especifique antes sobre identidade e alma.

Acre X São Paulo

Professor de SP ganha 39% menos que do AC

Ranking dos salários de docentes da rede estadual em início de carreira traz SP, que tem o maior Orçamento entre os Estados, em 8º lugar.

Se for levado em conta o custo de vida, a diferença entre São Paulo e Acre, que lidera a lista de melhores salários, aumenta para 60%

Greg Salibian/Folha Imagem

DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Os professores em início de carreira da rede estadual paulista recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida lá é menor, a diferença aumenta para 60%.

O ranking dos salários do país mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor seus professores em início de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. São Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior Orçamento do país. Pernambuco tem o pior salário.

A remuneração acreana, porém, ainda não é a ideal para especialistas. "O baixo salário dos docentes é uma questão histórica no país. Basta ver o de outros países da América Latina, como Chile e Argentina, que são maiores", afirma Célio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil.

Para ele, o salário baixo é uma das explicações para a má qualidade do ensino. "Um salário justo motiva os professores."O salário um pouco melhor no Acre começa a dar resultado. Prova disso pode ser a análise do Saeb (exame do MEC que avalia estudantes), divulgada em fevereiro. Na comparação entre 2003 e 2005, o Acre foi onde as médias dos alunos de 4ª série mais evoluíram.

Em português, houve aumento de 13,8 pontos (de 156,2 para 170). Já São Paulo melhorou 1,1 ponto (de 176,8 para 177,9)."Um docente bem pago trabalha melhor, sem dúvida", diz a professora da Faculdade de Educação da USP Lisandre Maria Castello Branco.

Para ela, os governos continuam mais preocupados em melhorar a estrutura das escolas do que em investir no docente. No Acre, os professores se organizaram para pressionar o governo, que criou um plano de carreira.

"Houve também uma reorganização que tirou docentes de funções burocráticas e os colocou na sala de aula, permitindo melhor uso dos recursos", diz Mark Clark Assem de Carvalho, da Universidade Federal do Acre. A maioria é formada no Estado e não há falta de docentes. Mas eles reclamam de salas lotadas.

Em São Paulo, a situação se agrava se levado em conta o custo de vida. Um professor que trabalha 120 horas por mês (30 por semana) tem salário de R$ 966 e consegue comprar 4,9 cestas básicas. Já o do Acre recebe R$ 1.580 e compra 12,6. Ou seja, a diferença do salário/ poder de compra chega a 60%.

Para comparação, a reportagem considerou a cesta básica de setembro. A paulista tinha 13 itens e custava R$ 194,34. A do Acre -com um item a mais, a carne de frango-, R$ 124,47.A secretária de Educação da gestão José Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães de Castro, não deu entrevista sobre o assunto. Sua assessoria pediu que fosse procurada a Secretaria de Gestão, responsável pelos salários dos docentes. Esta também não se pronunciou.

A única explicação dada pela Educação foi a de que, em São Paulo, os professores já iniciam a carreira recebendo gratificações. Mas no Acre, assim como em boa parte dos Estados, também é assim. Para calcular os salários por Estado, nenhuma gratificação foi contabilizada, pois a maioria pode ser cancelada e não é incorporada no cálculo da aposentadoria.

O levantamento considerou o piso inicial de um professor estadual com licenciatura plena (ensino superior). Conforme a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), 25% dos docentes do país estão em início de carreira.

Em São Paulo, segundo a secretaria, são 26%. Os salários foram fornecidos pela CNTE, e a reportagem procurou todos os Estados para checar as informações. Dezessete retornaram o contato. Quatro tinham dados diferentes (BA, PE, PR e SP), que foram corrigidos para o cálculo.

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