domingo, julho 08, 2012

Leitor. Eleitor.



A saúde política do senador Jorge Viana (PT) não passa bem
pelas urnas eletrônicas desde as últimas eleições,
quando, ao colocar o dedo na tomada de sua seção eleitoral,
levou um choque de realidade 
  

Lendo as notícias dominicais, deparo-me com o proprietário dos jornais rio-branquenses, o senador e pensionista Jorge Viana, do PT, o mesmo que deu a maior força ao senador Demóstenes Torres quando este afirmou que não tinha nenhuma relação com Carlos Cachoeira, o mesmo que aceitou a união entre o PT de São Paulo e Paulo Salim Maluf.

Muito presente nos jornais da capital por causa também das eleições municipais deste ano, o senador, mais uma vez, surge em A Gazeta para afirmar, com alguns anos de atraso, o que muitos já sabiam:

1) que o tempo na para;

2) que o Natal é em dezembro;

3) que "a FPA precisa aprender a fazer com o povo e não só para o povo".

Com essa frase de efeito eleitoreiro, Jorge Viana admite com isso que o PT errou ao longo dos anos.

Por exemplo: há muito tempo, o orçamento participativo - um dos produtos da propaganda O Modo Petista de Governar - deixou de existir.

O PT concentrou o poder em nome de uma "democracia" que exclui a participação popular.

Em tempo de eleições, Jorge agora fala do óbvio. Ora, do já sabido, nós já sabíamos.

Senador, Agora é Tarde.

O programa do Danilo Gentili é mais original.

sábado, junho 30, 2012

Poesia para mim









De Aldo Nascimento

com sua afiada paciência,

a lâmina do tempo,


em minha carne,
deixa novos cortes.


Há muito,
minha juventude entrou em fuga:

é que o punhal das horas,
em silêncio tão lento,

começou a talhar na pele
o germe da morte:

minhas rugas.

Eu nem lamento,
porque, em ponta de faca,
dou meus murros.

E luto.

terça-feira, junho 26, 2012

Sobre sindicatos e interesses pessoais

Tanto o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac) quanto o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre(Sinplac) acham-se no direito de eles não darem nenhuma satisfação a seus filiados a respeito do dinheiro arrecadado.

O caso da professora Alcilene torna-se mais grave, porque o Sinplac surgiu para corrigir os erros do Sinteac, o que não ocorre.

Para falar a verdade, peço a Deus perdão por ter feito campanha e por ter votado na atual presidenta do Sinplac, um erro infeliz que cometi.

A presidenta do Sinplac abusa do poder que tem, por exemplo, usa o carro do sindicato para realizar suas compras pessoais; alongou de forma ilegal seu mandato sindical; e o pior: mantém relações escusas com gente do governo.

E o revolucionário Manoel Lima, o presidente do Sinteac? Esse sindicalista NÃO POSSUI dois valores que aprecio tanto nos seres humanos: a inteligência e os ideais. Lima não passa de um objeto da história.

Eles desejam ocupar a Câmara dos Vereadores de Rio Branco ou a Assembleia Legislativa. Eu não voto.  

domingo, junho 24, 2012

Ronda Eleitoral









Candidato do PT
coloca o pé no chão   



Marcus Alexandre,
 candidato do PT a prefeito de Rio Branco e acriano de Ribeirão Preto,  declarou ontem na convenção da Frente Popular que fará uma campanha "pé no chão". 

A reação dos podólogos da capital foi imediata. "Esse candidato está dando um péssimo exemplo às crianças e à saúde pública."

Não deu outra. Hoje, o acriano Marcus, de São Paulo, também conhecido como O Novo de Novo, depois de colocar o pé no chão em ruas não asfaltadas das periferias de Rio Branco, contraiu micose e pereba no pé.

Após ser medicado em um clínica particular, seu pé passa bem. Marcus disse que não colocará mais seus dez dedos no chão da periferia.

"Eu vou esperar o governo asfaltar todas ruas e, só depois disso, farei uma campanha pé no chão", disse muito emocionado.

A periferia ainda espera pelas calçadas de Jorge Viana (PT) e pelos pontos de ônibus do Angelim (PT).

   

Ronda Gramatical

Jornalista é sequestrado
pela milícia Olavo Bilac



Hoje, por volta das 2 horas da madrugada, o repórter Rutemberg Crispim, do jornal A Gazeta, foi sequestrado à porta de sua casa.

Quando o dia amanheceu, sua família recebeu um bilhete. Nele, os sequestradores disseram que, se sua mãe não o colocar outra vez na escola, Rutemberg será torturado em aulas particulares de Língua Portuguesa.

“Acreditamos que isso ocorreu porque, na capa do jornal, ele escreveu ‘o candidato à prefeito Marcus Alexandre (PT)’, dando, aos leitores, um péssimo exemplo de uso errado do fenômeno da crase”, disse Sérgio Nogueira, capitão da Grupo Especializado em Antissequestro Gramatical, o Geag.

O capitão Nogueira desconfia de que os sequestradores pertençam a uma dissidência da Polícia Ortográfica. Para ele, trata-se da milícia Olavo Bilac.

“Como perderam a paciência com alguns jornalistas acrianos, Olavo Bilac faz agora justiça gramatical com as próprias mãos”, observou o capitão Sérgio Nogueira. “Porque o bilhete está muito bem escrito, só pode ser Olavo Bilac.”

Sua mãe se recusa a pagar o resgate, que é colocar o filho outra vez na escola pública. Neste momento, o jornalista já deve estar sendo torturado no cativeiro de aulas particulares.

“Não adianta meu filho voltar a estudar na escola pública, lá não se ensina acentuação, pontuação, regência verbal, concordância verbal e muito menos crase, lá não se ensina gramática, agora tudo é gênero textual”, desabafou a mãe.

Segunda ela, Gutemberg jamais ouviu seus conselhos, um deles: não se coloca acento grave, indicador do fenômeno da crase, antes de palavras masculinas.

Há exceções, mas não no caso de “à prefeito”.
   

domingo, junho 17, 2012

Jornal A Gazeta

O que há de mais verdadeiro nos jornais acrianos são as datas. Fora esse tempo contado, os erros de português são precisos como os relógios suíços. Aqui, o leitor desaprende.


Hoje, por R$ 2, comprei A Gazeta. Comparado a O Globo, do Rio de Janeiro, R$ 4 aos domingos, embora receba subsídios do governo, o jornal acriano é muito caro por faltar nele o que mais enobrece a espécie humana: a inteligência.


Publicam-se jornais no Acre não para (e)levar a informação e a cultura à população, mas com a finalidade de fazer circular a imagem do governo com o português bem... bem embaçado.


Português 1. Paguei R$ 2 para ler isto: “os partidos da oposição tem uma semana decisiva”. 

Anos atrás, o professor de Português diria que não se fala “tem aula”, mas que “há aula”. Ao pé da letra, ninguém “tem aula”, assim como ninguém “tem uma semana”. Tem-se um livro, mas não se tem uma semana. Melhor teria sido escrever “semana decisiva para os partidos de oposição”.



Português 2. Paguei R$ 2 para ler isto: “os partidos de oposição tem uma semana decisiva”.

O repórter fez a concordância verbal entre “oposição” e “tem”, porém a concordância é com “os partidos”, ou seja, deveria ter escrito “têm”, com acento.

Português 3. Paguei R$ 2 para ler isto: “Senado prestará homenagem aos 50 anos do Acre Estado”.



Entre Acre e estado deveria haver um hífen: Acre-estado. Nos bons manuais do jornalismo, só se coloca estado em caixa-alta quando o seu sentido for o de Nação, que não é o caso.


Português
4. Paguei R$ 2 para ler isto: “o revendedor de jóias, Isaías Peres da Silva, 39 anos, teve sua residência, no bairro Sobral, invadida pela segunda vez neste ano.”

Por ser uma paroxítona com ditongo decrescente (oi), não se acentua, assim como “jiboia”, é a nova ortografia.

Quem disse que há vírgula depois de “joia”? Colocam-se vírgulas quando escrevemos “a presidenta da República, Dilma Rousseff, esteve no Acre”, mas nós não as colocamos quando escrevemos “o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso governou bem”.


Motivo: a primeira é oração subordinada adjetiva explicativa; e a segunda, restritiva. O correto é escrever “o revendedor de joias Isaías Peres da Silva, 39 anos, (...)”, por ser uma oração subordinada adjetiva restritiva.


Ronda Gramática

No último sábado, dia 16, final de tarde, a sede do jornal A Gazeta foi invadida pela Polícia Ortográfica. Porque os jornalistas resistiram à prisão, houve um forte tiroteio, deixando a Acentuação morta e a Concordância Verbal ferida.

O comandante Evanildo Bechara, da Operação Mãos Sujas de Erros de Português, afirmou que a tropa de elite da Polícia Ortográfica cansou-se de ver tanto erro nas páginas de A Gazeta. “Não podemos tolerar mais essa desobediência, esse descaso com a língua-padrão”, disse o militar.

Armado com um 38, o repórter Rutemberg Crispim atirou contra a língua, a portuguesa, ferindo Concordância Verbal com um tiro de raspão em “os partidos tem”. Quando se preparava para matar outra regra gramatical, o soldado Celso Cunha jogou na cara de Rutemberg o Manual da Folha de São Paulo, deixando-o desacordado.

Cúmplice de Rutemberg, Lenilda Cavalcante também resistiu à prisão gramatical, sendo baleada na 5ª série vertebral da coluna. Foi ela-ele quem matou pelas costas Jóia com “requintes de crueldade” e com outros clichês.

Em seu depoimento, Lenilda soltou o verbo com a regência errada.

“Técnicos da Língua Portuguesa da Secretaria de Educação do Acre me disseram que não é preciso estudar mais gramática, que nas escolas públicas alunos só estudam gêneros textuais, não obedecem regras, por isso eu atiro para qualquer canto da acentuação e da vírgula”.

Os meliantes foram conduzidos ao presídio Celso Pedro Luft, onde estudarão noções básicas de bom comportamento gramatical.

sábado, junho 16, 2012

Um filme de 1965

Extraído da novela de Boris Pasternak, voltei, após vinte anos, a assistir ao belíssimo filme "Doutor Jivago", do diretor David Lean.


De 1965, esse clássico conta a história de uma paixão no período da Revolução Russa. A realidade externa passa por profunda transformação enquanto o médico Jivago (Omar Sharif), amante da poesia, encarna outra revolução, a da paixão por Lara (Julie Christie).

Filmes autorais foram criados para dar exemplos; no caso de "Doutor Jivago", o exemplo, este: de não dominar o próprio destino, de não possuí-lo: o exemplo da perda.

Aconselhado pelo irmão, general do partido, a deixar a cidade porque a poesia do médico incomoda a revolução, Jivago, tratado em sua fuga como gado em um trem de carga, é objeto da história.

Em vão fugir. Preso. No interrogatório, o chefe comunista diz que "discorda de sua poesia, porque sentimentos afetivos são triviais na revolução", e continua. "Não há mais vida pessoal na Rússia."

A poesia individualiza, explico, Jivago não pode ser dividido, nenhuma parte sua pode pertencer aos ideais revolucionários. A paixão por Lara também o individualiza.

Após o interrogatório, deixam-no livre, sendo apanhado pelo Exército Vermelho mais tarde. Consegue fugir e, agora livre, busca aquela que o individualiza - Lara, esposa de uma patente alta do partido.

Ela o encontra, mas se separam por força da história. Jivago, dentro do bonde, vê Lara anos depois. Sai do bonde e, na tentativa de tocá-la, de chamá-la, uma parada cardíaca retira sua vida. Lara continha a andar.

:Perder. A vida de Jivago é isto:
   
 

Cinema na escola pública

Há 13 anos no poder, o PT acriano já demonstrou nenhum interesse de transformar as escolas públicas em espaços culturais sérios.

Já imaginou peças teatrais profissionais e ótimas salas de cinema nas escolas?

O PT acriano não é dono do menor interesse de realizar tamanha transformação.

Antes não era assim, mas, hoje, a agenda da filmoteca, que fica na Biblioteca do Estado, está muito lotada. O professor que não se programa com muita antecedência, não consegue assistir a filme com seus alunos.

Sem que a escola tivesse dinheiro para consertar um problema no telão, eu retirei do bolso quase 500 reais. O problema, solucionado. Meses depois, a escola me pagou.
Mas, após alguns dias, uma funcionária colocou a tomada em 220, foi o suficiente para queimar o telão.

A escola não tem grana. A filmoteca não tem vaga. Meus alunos não assistirão ao filme.
   

Escola pública 1, 2 e 3


Escola pública 1

A escola pública deveria ser espaço sério de cultura cinematográfica. O governo da Frente Popular - diga-se, Partido dos Trabalhadores -  construiu a ponte de Cruzeiro do Sul por 25 milhões de reais e, por ano, gasta - e não investe - em torno de 16 milhões de reais com a educação pública.

Escola pública 2

E o Sinplac? A presidenta realiza compras com o carro do sindicato e, como exercer o poder é confortável, ela ainda prolongou o seu mandato sem pedir permissão a Deus.

Quando votei na professora Alcilene, tive a burra ilusão de ela criar um jornal não para a categoria, mas para a população, a fim de que a educação pública acriana pudesse ser pensada de forma ética, sem partidarismo. Como fui tolo.  

Escola pública 3

Na escola Heloísa Mourão Marques, os alunos estão sem nota de Química do primeiro bimestre. Eles estão com o terceiro professor, mas o cara falta muito e o conteúdo...

Quem deseja ser professor substituto de Química? Ganha-se pouco, mas, em compensação, Deus lhe dará em dobro.
        

  

quarta-feira, junho 13, 2012

Outro bom blogue

Hoje, em uma programa de televisão local, ouvi o balbuciar ainda tropeçado do secretário de Comunicação, Leonildo Rosas.

Trabalhei muitos anos com esse "cavalheiro das palavras" no jornal Página 20. Jamais conheci um secretário de Comunicação que falasse tão mal.

Em seu lugar, as palavras do blogue www.pulsarpoetica.blogspot.com. Ouvindo Nat King Cole, li belos textos de alunos que têm o bom gosto.

Ótimo blogue!!!

segunda-feira, junho 11, 2012

Charmosos alunos

Por causa da professora Osmarina, iniciei uma competição entre os alunos: criar o melhor blogue.

Há outros, mas, desde o início, o blogue www.umtantoquantopitoresco.blogspot.com destacou-se. Ele pertence ao 2º ano D.

As fotos e os textos trocam entre si confidências do bom gosto, uma combinação que surpreende os olhos e a inteligência. Jovens sensíveis.

Tantos só dizem que "os alunos não querem nada com os estudos". A burra generalidade. Há muitos alunos bons, talentosos; a escola pública, indiferente a transformações, permanece teimosa com sua organização de século 19, com sua péssimas salas iguais ao um tempo imóvel.

Um Tanto Quanto Pitoresco é criação de alunos      que não mereciam a escola pública que eles têm: chata, tediosa, cansativa, infeliz, preguiçosa.



A culpa, deles: os homens públicos.



  

  

domingo, junho 10, 2012

Primeiro, os meus

Nesses dias de frio, concluí a leitura do estudo da professora Maria Celina D’Araujo, do Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Antes, eu soube desse estudo ao ler a coluna de Merval Pereira, do jornal “O Globo”. Do que se trata esse estudo?

Trata-se de uma análise da composição dos ocupantes de cargos de Direção e Assessoramento Superiores - os famosos DAS – nos níveis 5 e 6 e de Natureza Especial, o NES. A professora constatou que o índice de partidarização dobrou no governo de Lula (PT) se comparado ao de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No PSDB, de todos os ocupantes no governo FHC eram filiados a algum partido político, o índice chegou a 6,5%; no governo do PT, Lula subiu para 12,6%. A questão é que houve uma concentração do Partido dos Trabalhadores em cargos.

Nesse sentido, ou seja, de concentração de um partido no DAS e no NES, o índice sobre no PDS, 17,1%; e 38% no PT. Os filiados do PT em cargos de DAS chegam a 40% no governo Lula enquanto no de Fernando Henrique limitou-se a 20%, mesma proporção de seu aliado político, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB.

E os cargos do PT no governo de FHC? Mesmo na condição de adversário, o PT teve proporção semelhante aos partidos da base do PSDB, como o PP e o DEM.

Nos níveis 4 e 6, o PSDB teve 40%; e o PT, 60%. Agrupando os níveis 5 e 6 dos DAS e dos NES, 11% eram filiados a partidos políticos no governo de FHC, e 24% no governo de Lula. Desses filiados a partidos, no governo Fernando Henrique, 42% eram filiados ao PSDB, e 77% ao PT.

E as ocupações em ministérios? “A concentração de pastas em mãos petistas chegou a 50% no governo Lula, embora o PT tivesse em torno de 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados e reunisse 29% das cadeiras da coalizão governamental”, escreveu Merval Pereira em “O Globo”.



Do PT na época de FHC, Francisco Weffort foi ministro do governo tucano.


Esse estudo evidencia o aparelhamento do Estado ou a sua partidarização. No Acre, não há estudos sobre isso, mas nós sabemos que princípios republicanos e técnicos inexistem, por exemplo, na Secretaria de Educação.



sábado, junho 09, 2012

"Um dia"


Em um dia frio, meus olhos foram aquecidos pela simplicidade do filme "Um dia", uma história de paixão sem cena de sexo, mas com imagens de Carinho,

essa dança suave de dedos pedintes de mais Carinho.

Pertence à sua natureza o silêncio, porque palavra nenhuma te faz sentir mais leve e profundo do que a pele.

O Carinho jamais tem pressa, o seu tempo pertence aos movimentos da calma.

E todo Carinho passa a impressão de ter sido breve, porque, em mundo habitado por ruídos, o silêncio (do Carinho) é passageiro, mas a memória que o Carinho deixa na pele nunca passa. A eternidade é breve.


Todo Carinho, por causa de seus movimentos, é elegante, é educado. É "preciso", não como um cálculo matemático, mas exato como um vaivém incerto.

    

sexta-feira, junho 01, 2012

Curso de extensão


Iniciarei um curso de extensão na Faculdade 

Euclides da Cunha, que recebeu ótimas notas do

MEC.


É um curso relacionado à pontuação em textos

de grandes autores, ou seja, trata-se de um

curso sobre organização sintática.    



1) Dia 16 de junho de 2012

Das 08h30 às 09h
: poesia “A Alvorada do Amor”, de Olavo Bilac;  
Das 09h às 09h30: “Paixão”, de Roberto Mangabeira Unger;
Das 09h30 às 09h45min: intervalo;
Das 09h45min às 10h15min: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos; e
Das 10h15min às 12h: vírgula segundo a ordem sintática indireta.   

Fotocópias de 16 de junho
a
) “A Alvorada do Amor” (da pág. 115 à pág. 116);
b) “Paixão” (da pág. 93 à pág. 98); e   
c
) “Vidas Secas” (da pág. 18 à pág. 21).

2) Dia 23 de junho de 2012

Das 08h30 às 10h: “Aula”, de Roland Barthes;
Das 10h às 11h: “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar;
Das 10h às 10h15min: intervalo; e
Das 16h45min às 18h: vírgula segundo as orações adjetivas e adverbiais.

Fotocópias de 23 de junho
a
) “Aula” (da pág. 10 à pág. 18)
b) “Lavoura Arcaica” (da pág. 53 à pág. 59, o pai; da pág. 135 à pág. 142, o filho)

3
) Dia 30 de junho de 2012

Das 08h30 às 09h: “Catecismo Positivista”, de Augusto Comte.  
Das 09h às 10h: “O Rumor da Língua”, de Roland Barthes;
Das 10h às 10h15: intervalo; 
Das 10h15 às 11h15min: “Sermão da Quinta Quarta-Feira de Quaresma”,
de Antônio Vieira; e
11h15min às 12h: “Rios sem Discurso”, de João Cabral de Melo Neto.

Fotocópias de 30 de junho
a
) “Catecismo Positivista” (pág. 272)
b) “O Rumor da Língua” (A guerra das linguagens, da pág. 123 à pág. 127);
c) “Sermão da Quinta Quarta-Feira de Quaresma” (da pág. 190 à pág.192)

sexta-feira, maio 25, 2012

Faculdade Euclides da Cunha

Nos dias 16, 23 e 30 de junho, das 14h às 18h, aplicarei um curso de extensão na Faculdade Euclides da Cunha, com as notas 4 no curso de Geografia e 3 no curso de Pedagogia.

Estudaremos as orações subordinadas adjetivas e adverbiais, além de pontuações em textos, por exemplo, de Roland Barthes, em uma das cartas de Heloísa a Abelardo.

domingo, maio 20, 2012

A gestão do professor Waldir 2


Ontem, houve a entrega dos boletins aos pais dos alunos.


Essas reuniões deveriam ser melhor planejadas. Raras foram as bem planejadas na escola HMM. 

Raras.

Pulsa um hábito nessas reuniões de se falar mal dos estudantes ("os alunos estão agressivos", "os alunos não querem estudar") e ainda falam de forma genérica.

Os professores não apresentam números específicos. No entanto, não são todos os alunos. Na turmas, sabemos quais são, é uma minoria em cada sala.

A maioria não é violenta. A maioria se dedica aos estudos. Por que os professores não apresentam números no lugar das generalidades?

Outra: por que não elogiam os melhores alunos, os mais destacados? Não, os professores preferem dizer que "os alunos são agressivos".
Os alunos mal comportados e com notas ruins deveriam estar com os pais nos conselhos de turma em dias distribuídos na semana.

É um saco ouvir que "os alunos são agressivos". Generalidades das generalidades.

Que coisa chata!!!


A gestão do professor Waldir 1

Quase um semestre de gestão do meu colega de trabalho, o professor de Física Waldir.

Sobre gestão escolar, a imprensa acriana só noticia em época de eleição.

Fora desse período, só existe a petrificada mudez, porque os nossos jornais não são alfabetizados o suficiente para ler a importância da educação pública para a identidade de uma região.

Talvez não devamos falar do gestor, mas de uma parte do corpo docente e dos funcionários que o elegeu na prévia eleitoral.

Waldir, sabemos, é a consequência dessa parte de funcionários que não gostou da gestão anterior. Ora, se não gostamos de algo, se rejeitamos, é pelo fato de termos condições de fazer o melhor.

Se funcionários negaram o nome da Osmarina na prévia, isso não quer dizer que conquistas da gestão anterior não estarão na gestão atual.

Uma dessas conquistas: a ordem.

Osmarina deixou falhas para qualificar o ensino - disse isso a ela -, porque talvez sua prioridade tenha sido a ordem.

Certas vez, colocando o pé encostado no armário da escola, ela me chamou atenção: "Não coloque o pé aí". Outra vez, quando estava na sala dos professores para beber água, "não é horário de beber água, você deve estar em sala".

Jamais a vi como "desumana" ou "menos humana" por causa de suas "chatices". Jamais. Nesses meus anos de Acre, Osmarina foi a primeira diretora que conheci, porque ela ordenava, ou seja, ela colocava as pessoas no seu devido lugar.

Na escola pública, sabemos, a desordem existe, porque as pessoas desconhecem o seu lugar. Um aluno, se passar pela sala de professores, precisa pedir licença ou então não é lugar de aluno passar.

A ordem manifesta-se nos detalhes.

Hoje, brotam-se murmúrios de que a escola HMM está sendo regada pela desordem.

Eu permanece com a mesma postura de antes. A escola é o meu ambiente de trabalho e não gosto quando falam mal dela.

Qual será a postura dos funcionários que elegeram o professor Waldir na prévia?
         
Sem ordem, impossível o equilíbrio

  

 

quinta-feira, maio 17, 2012

Alunos e uma revista

Retorno ao assunto.

Contra a postura antiprofissional de uma funcionária da Secretaria da Educação do Acre, alunos do 1º e do 2º ano e ex-alunos do 3º assinaram um documento contra essa funcionária.

Foram 320 nomes.

Jovens, mais uma vez, muito obrigado pela solidariedade.

Revista Pontos da Educação

A Faculdade de Educação Superior Acriana Euclides da Cunha é a única instituição particular a publicar uma revista.

Após meses de trabalho, eu consegui materializar, em parte, uma ideia de revista acadêmica.

Ainda não saiu da forma como pensei, mas o resultado final me agradou. Procurei, dentro do possível, conceber uma revista acadêmica que não ficasse condicionada às bibliotecas.

Por causa da forma da revista, os textos de  intelectuais, de mestres e de doutores podem estar em lugares mais populares.

É o começo. A próxima poder ser mais elaborada. É um bom começo.               

terça-feira, maio 15, 2012

Vanessa, 20 turmas e mais de 800 alunos

Hoje, pouco antes entrar em sala, caminhei pelo corredor com a colega de trabalho Vanessa, professora de Espanhol.

"Estou muito cansada, não estou me sentido bem", disse antes de entrar em sala.

Existem funcionários públicos que trabalham em gabinetes com ares-condicionados, porém estão lá sem o critério republicano.

Deixar de lecionar em salas desconfortáveis para ocupar espaço na secretaria só com tais princípios: o padrinho escolhe ou o partido indica.

Recentemente,disseram "não quero ficar em sala", e a secretaria arranjou um lugar para esse profissional da educação. Nunca deu o suor como funcionário e, como não criticava a ordem estabelecida, porque para esse indivíduo tanto faz como tanto fez, recebeu como descanso um gabinete da secretaria.

Muito diferente desse funcionário público vagabundo, Vanessa leciona para 20 turmas. Por causa da secretaria e por causa de alguns professores da escola HMM, Vanessa leciona para 20 turmas, ou seja, leciona para mais de 800 alunos.

E pessoas que estão na secretaria por apadrinhamento ou por partidarismo ainda dizem que "o professor deve saber prender a atenção do aluno com aulas interessantes".

Desgraçado quem fala assim. Vanessa não concluiu seu tempo de aula hoje, porque ela achou mais interessante ir para o hospital.

sábado, maio 12, 2012

A semestralidade e o muro

É hábito secular do poder transferir a culpa a outros, nesse caso, aos professores.

A  qualidade de ensino não se reduz somente a eles, mas a um conjunto de ações da Secretaria de Educação do Acre.

Segundo uma fonte da própria secretaria, existem números que confirmam resultados positivos com a semestralidade.

Existe escola estadual que manteve a semestralidade, não foi o caso da Heloísa Mourão Marques.

Com a semestralidade, corta-se pela metade o número de alunos, o número de salas, ou seja, cansa-se menos e, com isso, leciona-se com mais empenho.

A secretaria, no entanto, sem uma avaliação mais profunda, determinou a anualidade na escola por questões de ordem econômica.

Quem está na secretaria exige qualidade de ensino, mas a própria secretaria não prioriza a qualidade, e sim redução de custos.

O muro
A máquina estatal é lenta. Há anos diretores da escola HMM pedem um muro e há anos a Secretaria de Educação só ouve.

Em um posto de gasolina, o secretário de Educação viu alunos da escola pulando o muro. Disse que colocará uma grade de um lado para evitar a desordem.

Alunos então deverão pular agora do outro lado, porque, do outro lado, quem está no posto não vê.
  

sexta-feira, maio 11, 2012

"Paraísos Artificiais"

Quando o poder público fala de drogas, a imagem é horrenda.


Policiais civis e militares mostram fotos de pessoas "destruídas" pelas drogas.

Poucos dias em cartaz - diferente de "Os Vingadores", filme de entretenimento -, a película "Paraísos Artificiais" teve uma bilheteria pequena.

Em 1851, o poeta francês Charles Baudelaire iniciou seus ensaios sobre "alteração da percepção" com o título "Paraísos Artificiais".

Ler Baudelaire é perceber o quanto as autoridades são superficiais. Assistir ao filme é perceber o quando as autoridades são superficiais.

Em 1860, dando continuidade a seus ensaios sobre drogas, o poeta escreve "a verdadeira realidade está apenas nos sonhos". Quem assistiu ao filme viu sonhos.

As drogas, senhores, não leva à morte, mas às delícias dos Paraísos Artificiais. A batalha é desigual. O prazer venceu.







   

Política cultural do PT

Em São Paulo, tem "Virada Cultural".

No Rio de Janeiro, tem "Viradão Carioca".

E no Acre?

Neste ano, não houve a bienal do livro.

No ano passado e neste ano, não houve o circuito de teatro na Usina de Arte João Donato.

"Virada Cultural". "Viradão Carioca".

No Acre,tem "Virando as Costas para a Cultura".

 


Em menos de 6 meses

Hoje, houve uma reunião entre direção e corpo docente para que esses dois segmentos coloquem Heloísa Mourão Marques em seu devido lugar.

Um fedor grácil de desordem já ultrapassou os muros da escola.

O aroma da ordem precisa retornar, por isso a reunião de hoje. No entanto, se alguns professores nem mais usam o crachá, outras medidas podem ser impossíveis.

Crachá
Como sabemos, o crachá foi uma ideia da professora Osmarina. Antes de sair de sala, o professor entrega o crachá ao aluno para ele ir, por exemplo, ao banheiro, garantia de que ele foi autorizado para sair de sala.

Quem está sem crachá não foi autorizado a ficar no corredor escolar.

Ideia simples e boa; no entanto, até hoje, ela é ineficaz, porque certos professores se negam a cumprir essa norma.

É aluno ou professor que deve ser advertido?

Horário
Os professores fecharam um acordo: 
para quem estuda no  horário matinal, o aluno deve estar na escola às 8 horas.

Depois disso, portão se fecha. Todavia, existe caso e existe Caso.

Mais: o diretor quer que os professores cheguem às salas de aula antes dos alunos. Quando o aluno entrar, o professor deve estar à espera dos alunos.

Celular
Nunca antes na história da escola HMM, celulares incomodam tanto as aulas.

Eu sugeri que celular
, se estiver em sala, deve ser recolhido pelo professor para ser destinado à coordenação.

Se não for contra alguma lei, os aparelhos devem ficar retidos na escola durante 10 dias e, só depois disso, os pais devem ser notificados.

Se o aparelho não puder ser retido por dez dias, o aluno deve ser advertido por escrito.

Caso haja uma segunda advertência, suspensão por dois dias. Se houver a terceira, três dias. Se houver a quarta, quatro dias de suspensão e assim sucessivamente.    

Antes disso, os pais devem assinar um documento, determinando o não uso do aparelho na escola segundo as normas.

Quer telefonar para o filho? Ligue para a escola. Antes do celular existir, era assim. Ninguém reclamava.

Agressão verbal e desrespeito verbal
Conselho de turma precisa funcionar, nunca funcionou na escola. Nunca.

O professor Hildo foi agredido verbalmente. Os professores da turma precisam se reunir para que possa ser deliberada uma ação pedagógica a esse aluno.

Um colega de trabalho agredido significa que o aluno agrediu todos os professores.

Faltas
Problema que sempre retorna, nunca há solução. Para mim, a solução é simples: se o professor já está caracterizado como faltoso, ponto cortado e aula reposta.

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Será que, em uma próxima reunião, nós falaremos dos mesmos assuntos?

Por exemplo, falaremos do crachá?

Espero que não.

sábado, maio 05, 2012

A morte





Não compreendo a vida 
senão pela intensidade do gesto.





A intensidade do gesto da amizade.
A intensidade do gesto do amor de mãe.
A intensidade do gesto de exercer a profissão.
A intensidade do gesto das paixões.

Sem intensidade, o peito não se estufa.
Sem intensidade, a alma não se expande.
Sem intensidade, a palavra não se agiganta.
Sem intensidade, o corpo se retrai. Se cala.


Mas há pessoas que não são intensas. Jamais estão à vontade. Até o choro é retido. Medido. Os que não são intensos estão sozinhos, escondidos.

Desejo o que é intenso para tocar na maior de todas as intensidades: a morte. A tua. A minha. A nossa.
 

Alunos, obrigado!

A vocês, eu sempre disse "assistam a bons filmes, a filmes que deem bons exemplos para nossas vidas".

"O Sorriso de Mona Lisa", "Ao Mestre com Carinho" e "Sociedade dos Poetas Mortos" são alguns que mostram a relação entre professor, aluno e escola. Boas películas. 

Mas por que são boas? Porque, entre outros valores, elas expressam a importância vital e elegante da desobediência.

Esses filmes projetam a ideia de que não devemos nos conformar. A desobediência, meus jovens, é virtude contra a arbitrariedade, contra o falso, contra a opressão, contra o cínico, contra o indiferente, contra o parcial,

contra uma funcionária da Secretaria de Educação do Acre que pressiona a direção da Heloísa Mourão Marques para eu ser retirado da escola.

Bendita sonoridade que sai
da boca dos inquietos

dos que não são domesticados
pelo afago de um deus

sonso
cínico
e lerdo.

Bendita sonoridade que sai
da boca dos injustiçados

dos que não são apascentados
nos campos dos obedientes ruminantes,

que comem sapos
que mastigam cadáveres de esperança
que ingerem a constância do fim
que degustam, sem tempero,

a abundância do manso capim.

Bendita sonoridade
chamada Desobediência,

palavra sem repouso
que também tem os 
seus direitos

perante os que falam como franciscanos
aos que passam, quase todo dia,

fome (de feijão com arroz bem feitos)
sede (de água pura e cristalina).

aos que passam
fome e sede

de justiça
.

Uma funcionária da Secretaria de Educação e o abaixo-assinado dos alunos

De forma arbitrária, uma funcionária pressiona a escola para que um professor seja retirado da escola, que ele seja advertido.

Sem apurar os fatos ocorridos em uma sala, sem ouvir alunos que presenciaram o ocorrido, o pré-juízo de uma funcionária determina uma acusação parcial, determina uma acusação unilateral: ele é culpado.

No entanto, de forma espontânea, alunos da turma onde aconteceu o problema manifestaram-se a favor do professor por meio de um abaixo-assinado, com a clara intenção de dizer que "o professor não tem esse tipo de postura agressiva ou de constrangimento em sala de aula".

Mais do que isso: alunos de outras turmas assinaram o documento. Muitos, tantos, vários, a grande maioria, enfim, segurou firme canetas para assinar nomes e nomes, e nomes, e mais nomes, e tantos, e vários nomes em nome de um professor.

Funcionária, o abaixo-assinado será entregue à senhora. Agora, por favor, tenha coragem e diga aos olhos deles: jovens, vocês estão errados, porque esse professor já foi processado e ele só arranja confusão.

   



  
 

Uma funcionária da Secretaria de Educação do Acre

Uma aluna diz à sua mãe que o professor a destratou em sala de aula. A mãe e a irmã da aluna vão à Secretaria de Educação.

Uma funcionária diz à mãe e à irmã que o professor tem muitos processos contra ele e que se trata de um indivíduo que só apronta confusão.

Depois, instrui para que a família da aluna vá ao Ministério Público para processá-lo.

Achando pouco, essa funcionária pressiona a escola para que o professor seja retirado da unidade de ensino e que leve ainda uma advertência.

Uma instituição não pode agir dessa forma. Isso é abuso de poder. Abuso. A funcionária confunde antipatia por uma pessoa com o cargo que ocupa em uma secretaria. Impressões pessoais não coadunam com a ética e com a imparcialidade de uma instituição de ensino.

Antes de qualquer condenação prévia ou unilateral, a sala de aula em que o fato ocorreu deve ser ouvida. Alunos simpáticos ou antipáticos ao professor devem ser ouvidos.

Eles presenciaram tudo. Eles ouviram tudo. Não é funcionária que assiste às aulas do professor mas eles, somente eles: os alunos.

Só quem pode falar de um professor com justeza(sua postura, suas brincadeiras, sua responsabilidade, sua irresponsabilidade, suas humilhações, seus constrangimentos, sua alegria, sua agressão, sua gentileza, se ele bom, se ele é ruim) é o aluno.

Os alunos, entretanto, não foram ouvidos. Uma acusação em si mesma determinou o que o professor é, sendo ainda essa acusação parcial, instruída ainda por uma funcionária parcial.

Isso não é justo.      




sexta-feira, maio 04, 2012

Que escola pública nós queremos?

Ontem, à tarde, a gosma da insanidade sujou funcionários, professores e gestão da escola Heloísa Mourão Marques.

Um aluno não foi à escola para estudar, mas para matar à faca outro aluno. Não conseguiu. Atingida duas vezes, a vítima  encontra-se no hospital. O aluno marginal encontra-se preso.    

Dias antes, um estranho entrou na escola e roubou um celular de uma aluna.

Mas isso não é comigo. A vítima não é meu filho. O marginal não é meu sobrinho. A faca não foi retirada de minha casa. Eu não leciono à tarde. Mais: na prévia, não votei no professor Waldir.

Por último: meu pai chama-se Pôncio Pilatos, e eu aprendi com ele que devemos lavar as mãos diante da desgraça alheia.

Se não fui atingido, permaneço indiferente em meu cristão lugar. Sempre vou à igreja aos domingos. Entrego tudo a Deus.

Eu, entretanto, não creio em um Deus impassível. O Deus em que eu creio não se finge de morto.

Perdi na prévia eleitoral da escola. A professora Osmarina deixou a disputa porque perdeu na prévia - isso foi uma consequência de um acordo entre os professores.

Dessa forma, ou seja, com a saída da professora Osmarina, uma esmagadora quantidade de voto destinou-se ao professor Waldir.

Quando lancei a ideia da prévia, era para não haver briga entre candidatos, era para haver uma unidade absoluta ao redor de um nome, no caso, professor Waldir.

Ora, eu faço parte dessa unidade. A violência na escola me atingiu. O professor Waldir é gente muito boa, um ótimo colega de profissão, e escola pública não é circo para a gente ver pegar fogo.

Na tristeza ou na alegria escolar, estamos juntos, todos, funcionários, professores e gestão, porque não se trata de diretor A ou B, mas da imagem do lugar onde trabalhamos.

Eis o sentido da prévio, agora é hora de manter esta palavra: unidade.

Nesta semana, uma reunião urgente é necessária.
  

terça-feira, maio 01, 2012

"Lírica e Sociedade"...


é uma obra de Adorno (1903-1969). Como meus alunos estão postando versos em seus blogues, quero deixar aqui algumas breves palavras relacionadas à linguagem lírica segundo o sociólogo Theodor Adorno.

1. O eu-lírico ou linguagem lírica não pulsa somente nos versos. Podemos encontrá-la, por exemplo, nos cinemas "O Carteiro e o Poeta", "Lavoura Arcaica", "Doutores da Alegria"; nas minisséries "Hoje é Dia de Maria", "A Pedra do Reino";

2. A linguagem lírica é a força provocativa do ato estético. Compreendamos como estético o sentido da "forma", do significante, ou seja, o adversário do significado conforme diz Roland Barthes;

3. A importância do significante, eu a encontrei quando li "Da Sedução", de Baudrillard. Por que seduz? Seduz porque não significa, ou seja, a sedução é o significante;

4. Ao Adorno. Ele afirma que "o conteúdo de um poema não é a mera expressão de emoções e experiências individuais". Para esse alemão, a universalidade do conteúdo lírico é essencialmente social;

5. Nesse aspecto, a poesia "tem sua grandeza unicamente em deixar falar aquilo que a ideologia esconde". O eu-lírico (des)cobre;

6. A poesia "implica o protesto contra um estado social que todo indivíduo experimenta como hostil, alheio, frio, opressivo (...)";

7. Hostil, "desfavorável"; alheio, "estranho"; frio, "sem vigor"; opressivo, "fechado". Essas palavras, nós as encontramos no filme "O cheiro do ralo", onde predomina o realismo, ou seja, a presença dos objetos, a presença da palavra-objeto, da palavra ordinária, da palavra utilitária. 

8. Despossuída de lirismo, a palavra sindical é opressiva porque, fechada em si mesma, ela  asfixia ou sufoca a transfiguração, o desejo, o imaginário;

9. "O eu que ganha voz na lírica é um eu que se determina e se exprime como oposto ao coletivo, à objetividade", diz Adorno. A fala sindical destina-se ao coletivo, por isso ela é fechada.    
O grande erro dos movimento sociais foi negar, por causa de suas incompreensões, o ato estético nas lutas políticas.

No entanto, o capital, há um bom tempo, manipula, a seu favor, a estética.

O capital, que ironia!, poetizou-se.

Aos velhos do PT, poesia


O governador do Acre eliminou dois valores apreciados por meu paladar: a bienal do livro e o festival de teatro na Usina João Donato.

Em termos de cultura, o PT de Tião Viana tem sido um zero "à esquerda".

Você já reparou que governantes não falam aos jornais de cultura? Só falam frases feitas de estradas, de economia, de mercado.

Um desses dias, estava lendo os versos de Camões. Lembrei-me de dirigentes petistas acrianos.

A eles, os velhos do PT, dedico o que não entendem, ela: a poesia.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo de esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


domingo, abril 29, 2012

A Frente Popular está velha

Até as pedras envelhecem, o tempo não perdoa quem não se renova.

Para a prefeitura de Rio Branco, PT e PC do B escolheram Marcus Alexandre (PT) como candidato a prefeito e Márcio Batista (PC do B), a vice.

Não conheço pessoalmente Marcus. De sindicato e de curso Ideal, conheço Márcio Batista. Como pessoa, como ser humano, Márcio é gente boa.

Eu também sou.

A questão é como homem público, como sindicalista e como político, isto é, como indivíduo que administrou dinheiro de professores e que hoje administra a verba da Secretaria Municipal de Educação.

Separar, portanto, a pessoa do político, o particular do público. Nessa compreensão, a imagem de homem pública não pertence mais ao indivíduo Márcio Batista. 



Lançar os nomes Marcus e Márcio, segundo a Frente Popular, significa o novo. Mas quem disse que aparência jovem é sinônimo "de novo"? Quem disse que Márcio Batista é o novo?

Como presidente do Sindicato do Trabalhadores da Educação (Sinteac), Márcio não atualizou o sindicato para o século 21. Na condição de secretário municipal da Educação, Márcio Batista só trouxe "de novo" as roupas e o carro. 


Quais suas ideias novas para a educação pública? Desconhecemos. Na verdade, assim como o PC do B, Márcio Batista é velho de ideias, por isso o Sinteac não saiu da clínica geriátrica.

Envelhecemos quando acomodamos nossas provocações, nossas inquietações, nosso bom senso de justiça social; envelhecemos quando o valor no contracheque de um secretário municipal vale o mesmo que seu conformismo.    

Na foto, Márcio deixou de ser professor, deixou de ser sindicalista. Agora, ele é um "executivo".

O poder o deixou garboso, limpo; tudo nele agora deve ser correto, cauteloso, gramático.  Sua aparência não luta mais contra as injustiças sociais.

Quando o candidato Cabide entrou na Câmara dos Vereadores de Rio Branco, Márcio, excluído na última eleição para vereador, afirmou que "a população rio-branquense não sabe votar".

Vindo de classe social pobre, Cabide, que não é garboso, que não tenta nem falar o politicamente correto da gramática, não poderia ter sido eleito, porque Cabide representa aquele que desqualifica a câmara, lugar dos ternos, da cordialidade, da boa aparência, da formalidade.

Ora, se o PC do B, por meio de Márcio Batista, não apresenta o novo por se acomodar no poder, Cabide foi a novidade nas últimas eleições.

Márcio Batista e Marcus Alexandre representam ideias velhas "de novo".

terça-feira, abril 24, 2012

Só ouça!

Um tanto quanto pitoresco

Por causa da professora Osmarina, lancei em sala o concurso do melhor blogue para os alunos do segundo ano do ensino médio.

O que é bom, sabemos, emite cores raras e se chama "Um tanto quanto pitoresco", o melhor blogue do segundo ano até o momento.

Projeto: colocar fotos de Rio Branco em preto e branco com poesias relacionadas às imagens.

Acesse www.umtantoquantopitoresco.blogspot.com  
 

sexta-feira, abril 20, 2012

Trabalho escrito à mão (2º ano)

Alunos do segundo ano do ensino médio.

Grupos formados por cinco alunos deverão elaborar trabalho escrito à mão sobre as estéticas Barroca e Árcade.


Mais: o trabalho seguirá normas básicas da ABNT para capa, contracapa e sumário.

O trabalho está assim divido: 


1. Período histórico do Simbolismo, do Realismo e do Naturalismo;


2. A história do Simbolismo na França e a história do Realismo-Naturalismo na França.

3. Sobre os poetas Stéphane Mallarmé e Arthur Rimbaud;

4. Três conceitos do Simbolismo, três conceitos do Realismo e três conceitos do Naturalismo. Tais conceitos serão pensados pelos grupos;  

5. As histórias do Simbolismo, do Realismo e do Naturalismo no Brasil;

6. Sobre os poetas Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.
OBS: após o aluno ser submetido a uma prova oral sobre esse trabalho escrito à mão, a nota será registrada. 


Trabalho escrito à mão (1º ano)

Alunos do primeiro ano do ensino médio.

Grupos formados por cinco alunos deverão elaborar trabalho escrito à mão sobre as estéticas Barroca e Árcade.

Mais: o trabalho seguirá normas básicas da ABNT para capa, contracapa e sumário.

O trabalho está assim divido:

1. Período histórico do Barroco e do Arcadismo;

2. A história do Barroco e do Arcadismo na Europa e no Brasil;

3. Cinco conceitos do Barroco e cinco conceitos do Arcadismo.

4. Pensar esses conceitos e pensar os conflitos entre esses conceitos.

OBS: após o aluno ser submetido a uma prova oral sobre esse trabalho escrito à mão, a nota será registrada.    

 
 

Amor edifica-se no tempo



quinta-feira, abril 19, 2012

A Língua da Frente, e eu não fui aos Estados Unidos

Como todo canto deste "berço esplêndido", político fala muita merda sobre educação pública.

No Acre, câmaras de vereadores e Assembleia Legislativa são infecundas para qualificar o ensino das classes mais pobres.

A Frente Popular, até hoje, mostrou-se incompetente para qualificar o ensino de língua portuguesa.

O PT não superou seus limites, e o governador Tião Viana será o último a desligar a luz. Angelim, o penúltimo.

O ensino de língua portuguesa é péssimo nas escolas acrianas, eu guardo quilos de redação para constatar isso ATÉ HOJE.

Estados Unidos

Hoje, mais uma reunião com técnicos da Secretaria de Educação do Acre.

Um resolveu então falar de sua viagem aos Estados Unidos. Foi conhecer o ensino do Tio Sam.

Leciono há anos no estado e nunca fui convidado a ir aos Estados Unidos. Eu ralo em sala de aula. Ralo.

Por que não me convidam?

Por que não trabalho na equipe de Língua Portuguesa da secretaria?

Não trabalho porque o Partido dos Trabalhadores está cagando e andando para os princípios republicanos.

Serei claro como água do Saerb:

não existe concurso público para trabalhar em uma equipe de Língua Portuguesa. A escolha não é republicana.

Escolhe-se segundo o critério pessoal (amizade), o critério da simpatia (afinidade), o critério partidário (corporativismo), o critério da indicação de alguém.

Qual o resultado disso?

O resultado é que eu não fui aos Estados Unidos.

Sacanagem!

(kkkkkkkkkk)