terça-feira, dezembro 09, 2008

Capitu, de Machado de Assis

Hoje, a inteligência sensível de Luiz Fernando Carvalho ressurge nas cores e nas formas de Capitu, de Machado de Assis. Na televisão brasileira, Luiz é único com sua estética. Ele defende uma televisão que deve provocar o telespectador. Perturbá-lo.

Depois de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, a Capitu televisiva de Luiz Fernando é a evidência de que a TV não precisa ser burra para ter audiência.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Um dia, serei simpático


Como é insosso levar a educação pública a sério. Há anos, defendo idéias fixas na escola Heloísa Mourão Marques, um delas: o Conselho de Língua Portuguesa. Sua finalidade destina-se a organizar a disciplina, mas até a gestora Osmarina parece não acreditar nele, com certa razão.

Para organizar o conselho, precisávamos de um coordenador, e isso dependia de uma democracia que escolhesse o melhor, sabendo que o melhor é exigente e exige de si mesmo. Depositaram o voto, entretanto, em quem nem sabe organizar reuniões. Votaram na simpatia. Talvez, quem sabe, por causa dessa democracia que não sabe selecionar o melhor, o coordenador da área deva ser escolhido pelo gestor.

Ainda sim, por causa de alguns poucos professores de lingua portuguesa e de literatura, definimos procedimentos na disciplina, por exemplo, a prova vale 6 pontos e o trabalho escrito à mão, 4 pontos.

No entanto, muitos professores descumprem o que foi estabelecido. Avalia-se como bem quer, em outras palavras, aluno passa sem critério. "Não vou deixar aluno para a prova final, porque não quero ter trabalho", podemos escutar isso de um colega. Em outros casos, alunos com tantas faltas, inúmeras, mas as notas são 8, 9 ou 10.


Qual a questão?
Qual a questão central desse problema? Rezar ou orar, os professores talvez não rezem ou não orem antes de entrar em sala. É preciso pedir a Jesus luz para iluminar a preguiça e a incompetência.

Mas, em uma escola pública, não é Deus que coordena nossas vidas, porque, se assim fosse, nossos alunos seriam melhores, por exemplo, no Enem. Quem coordena professores é COORDENADOR DE ENSINO, ou seja, uma pessoa inteligente, culta, dinâmica e com uma vontade abismal de querer trabalhar para qualificar o ensino conforme o interesse do erário e não conforme o descaso de alguns parasitas, pseudo-educadores indiferentes à vida de alunos que são filhos de faxineiras, de domésticas, de vendedores ambulantes.

Aqui, neste ponto, o problema: COORDENADOR DE ENSINO. Quais suas qualidades? Por que foi escolhido? Quais seus méritos? Na escola Heloísa, nunca conheci um coordenador à altura dos sonhadores, dos que são inquietos, dos que dialogam com os professores para encontrar soluções por meio da ação, da prática, por meio da fiscalização.

Fiscalizar avaliações, por exemplo. Fiscalizar o coordenador do Conselho de Língua Portuguesa, por exemplo. Fiscalizar para cobrar e para obter resultados, por exemplo.

Como é insosso ser sério. Um dia, quem sabe, serei simpático para eles votarem em mim. Falso, cínico, indiferente, mas simpático, porque, como diz Maquiavel, o vulgo vive das aparências.

sábado, dezembro 06, 2008

Minhas aulas de...

Nesses 16 anos lecionando no Acre, fui processado algumas vezes e sacaneado tantas outras. Penso em ser um servidor público meio parasita, lecionando o suficiente para ser menos que um medíocre, mas, quando recebo mensagem de alguns alunos, sinto que eu os coloquei em outras trilhas, porque ainda leciono por causa de uma intensa e voraz paixão pela vida. Não sei até quando resistirei.

Hoje, a educada Elaíne deixou para os meus olhos estas palavras. Ser humano que deseja edificar um futuro melhor, Elaíne assistia às minhas aulas com muita atenção. Nós dois vencemos um pouco.

"Graças ao modo como ensinava aos alunos não só a lingua portuguesa, mas também a literatura, e não só o ensino escolar, mas também a lição de vida que nos dava, é que hoje agradeço ao professor Aldo pela confiança depositada em seus alunos, pela prática diária do ensino que exercia pela manhã na escola Heloísa Mourão Marques, pois fizeram valer a pena a nota que atingi no Enem, sendo que na redação, muito bem aplicada por ele a nós, alunos, foi que alcancei a média 85 na redãção do Enem. Retribuo a Ele esta honra de conquistar essa média e, desde já, agradeço-lhe por se mostrar o melhor professor da Escola Heloísa Mourão Marques."

Grata, Elaíne.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A escola

Hoje, conversando com a professora-gestora Osmarina, da Escola Estadual Heloísa Mourão Marques, colegas de profissão ouviram minhas enfadonhas argumentações. Um desses colegas ouviu-me outras vezes e, em um certo dia, disse-me:


"Aldo, você não aprende, o melhor é calar a boca, fazer bem seu serviço e ignorar a escola. Faça o seu. A maioria não quer transformar esta escola, quer sair 20 minutos antes do tempo devido de aula, não tá nem aí para os alunos. Faça seu trabalho e seja indiferente, porque isso aqui não tem jeito."

Calei-me diante de seu realismo, porque, no fundo, somos personagens de uma narrativa realista. Os valores do mundo minam resistência de sonhadores. Esse colega que tanto respeito tem razão. Heloísa Mourão Marques é difícil. Professores que brincam, que são indiferentes, que sorriem para todos, que aceitam tudo e não lecionam à altura das inquietações, bem, esses transitam entre o consenso e a resignação. Esses são eleitos.

Colocar Osmarina como gestora não foi fácil, nada fácil. Uma corrupção silenciosa e admitida por muitos quase impediu sua derrota, a nossa. Dois candidatos retiraram seus nomes para apoiar a professora Osmarina. Se não fosse assim, teríamos perdido por uma candidata que nunca zelou pelo erário.

Hoje, sabemos de acordos ilícitos entre ela e alguns funcionários. Funcionário, por exemplo, que vinha à escola segundo sua vontade, segundo seu relógio biológico. Diretora que não cumpria seu horário e, quando se ausentou durante um mês e uma semana, não apresentou justificativa ao Conselho Escolar e muito menos ao corpo docente. Nessa época, professores terminavam suas aulas 20 minutos antes. Uns se calavam. Outros contavam piadas. O descaso havia porque eles tinham a "liberdade" de sair 20 minutos antes. Eles, alguns.

Hoje, quase um ano como gestora, uma parte do corpo docente não defende idéias para a construção de uma escola pública MELHOR, mas corrói a gestão por meio da fofoca. "Ela é gestora de gabinete." "Ela é grossa." "Ela é ditadora." "Essa escola é um quartel." "Ela é um demônio." Não refletem sobre educação, educador, qualidade de ensino, alunos, problemas, soluções, mas reduzem à escola pública à personificação.

Já vejo luzes de desânimo nos olhos da professora-gestora Osmarina. Mas existem soluções, não se desanime. Dou-lhe estes conselhos:

1. fique fora da escola por mais de um mês e não dê satisfações;
2. faça acordos espúrios com os funcionários, com os professores e com Deus;
3. dê dobra a funcionários de apoio;
4. deixe professores sair 2o minutos mais cedo;
5. prepare festinhas com bolo e refrigerantes;
6. tire da escola professor que quer trabalhar;
7. conte piadas;
8. sorria com a pasta dental mais barata;
9. não cumpra horário;
10. sorria outra vez;
11. mais uma festinha;
12. seja falsa e cínica a ponto de ninguém perceber;
13. e o mais importante: entregue tudo a Deus e à propaganda de governo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Como referência...

No Acre, certos jornalistas têm como referência jornais do sul do país. Se escrevem assim, copiaremos. Leia esta resposta de Pasquale. Depois, leia sua resposta sobre o estrangeirismo.

Como anda o português no jornalismo?
Pasquale — É complicado discutir isso porque não se pode traçar um perfil. Depende do jornal, do ritmo. Imagina um jornal como a Folha de S. Paulo, que tem duas edições, pelo menos. A nacional tem de fechar às 8h e às cinco para as 8h está acontecendo o diabo e a matéria tem que ser escrita em cinco minutos. Então o que acontece? Besteira, é óbvio. Então não tem como exigir a perfeição nesse tipo de situação. E nós temos na Folha um trabalho que já vai longe. Eu estou lá desde 89. A Folha tem hoje duas professoras de português que ficam lá todo santo dia prestando assessoria e, mesmo assim, passa o diabo. De um modo geral, eu vejo a imprensa preocupada com a língua, o que é muito bom. O texto jornalístico brasileiro, na grande imprensa, tem um determinado padrão de correção. É um texto que pode ser chamado de semiformal. É um texto que serve com experiência para as pessoas que querem algo que ultrapasse as fronteiras do coloquial.

O que você acha do projeto do deputado Aldo Rebelo para proibir o uso de expressões estrangeiras na língua portuguesa?
Pasquale — Eu já disse isso a ele pessoalmente quando foi entrevistado por mim no programa “Nossa Língua Portuguesa”, falei que não acredito no projeto e ele disse que se fosse professor de português talvez não acreditaria também. Eu reconheço que existe um abuso, devido muito mais a tolice do que a qualquer outra coisa. Eu só posso justificar pela tolice alguém colocar uma propaganda e, na hora de anunciar o telefone 0800, que é gratuito, escrever “toll free” (taxa grátis). Isso é bobo, porque ele é tão deslumbrado com o estrangeirismo e acha que todo mundo vai entender aquilo. Uma parte significativa desse abuso do estrangeirismo se deve à tolice, ao deslumbramento, a essa coisa subdesenvolvida, atrasada, terceiromundista. A outra parte se deve ao poder, nós somos nada, o português é uma língua periférica então é natural que haja essa invasão. O que a gente deve fazer é mastigar, engolir o que serve e cuspir o que não serve. Há um monte de estrangeirismos que não servem para nada, não vêm para enriquecer a língua, vêm só para encher a paciência. Agora, lei resolve isso? De jeito nenhum Quem vai definir o que pode e o que não pode? Vai haver uma comissão e um cara com carimbo marcando essa pode, essa não pode?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Escola pública


O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, do PT, deu ordem para a escola Diogo Feijó ser reformada. Ao que era antes, a escola está bonita. Bom gosto.

Para a história do Partido dos Trabalhadores, entretanto, reformar prédios escolares é o menos importante, porque a história do PT exige bem mais.

O mais difícil é ótima administração, é qualidade de ensino. O mais difícil é mudar hábitos de coordenadores de ensino, de gestores, de professores, de funcionários. Reformar relações humanas em uma escola é o mais difícil.

Coordenador de ensino sai da escola quando quer, não cumpre horário. Coordenador de ensino não sabe imprimir transformações, nem quer. Coordenador de ensino não trabalha. Eu, por muito menos, recebi advertência.

Não consigo me calar diante do que está errado em uma escola pública. O governo, com sua propaganda, diz que está tudo bem. Eu, um insignificante blog, digo que não é bem assim. Existem muitas falhas na educação pública. Muitas.

Talvez, agora, não seja tarefa do PT refletir sobre gestão, novos rumos. Talvez, agora, seja função do PT reformar prédios, o mais fácil.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Ao Josafá Batista

"Aldo, Orkut é nome próprio e pertence ao criador desse site de relacionamentos, o turco Orkut."

1. Josafá, nós não acessamos um turco, uma pessoa, mas um sítio, uma página virtual. Orkut deixou de ser substantivo próprio para ser substantivo comum.

"Uma dúvida: pelo critério de aportuguesamento gostaria de saber como ficariam as palavras: background, making-off, shopping-center, recall, pizza, marketing, show business, status, jeans, performance, scanner, mouse (de computador) e aids (sida?)."

2. Josafá, em certos lugares deste país, evitam-se termos estrangeiros. O deputado Aldo Rabelo, até onde sei, apresentou um projeto de lei que proíbe termos ingleses em estabelecimentos comerciais. Em Portugal, na França, por motivos históricos, a língua-pátria não se submete à grafia do estrangeiro.

3. Certos autores de nosso país, estudiosos, homens com nomes reconhecidos, com livros publicados - eu só sou um reles reprodutor do que leio -, admitem certas alterações, por exemplo, internete, orcute.

4. No caso de aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), deixou de ser iniciais de nomes para ser um substantivo comum, ou seja, uma doença tal qual câncer, por exemplo. Entretanto, meu amigo, podemos encontrar Aids ou AIDS como duas formas gráficas que mantêm a sigla. Eu prefiro
sida, porque, dessa forma, não me submeto à organização norte-americana, mas, como aceitamos "síndrome" vindo depois, isto é, como os norte-americanos escrevem, registramos, repito, conforme o estrangeiro. Não somos portugueses. Não somos franceses. Já pensou eu colocar no jornal A TRIBUNA "sida"? Se ouço piadinhas quando registro "orcute", imagine "sida", seria demitido, porque os jornais Folha de São Paulo e O Globo não escrevem assim. Esta é a nossa identidade: copiar os outros.

Ronda Gramatical

"No Acre, 401 pessoas foram detectadas pelo vírus da AIDS, dessas 162 foram a óbito, sendo que na Capital concentra 85% dos casos. O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, comemorado no dia 1º, alertou a população para os cuidados necessários de prevenção para que esses números não cheguem a crescer."

Preciso dizer algo?

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orkut ou orcute?

Há mais de dez como jornalista, Francisco Costa, do blog reporter24horas.blogspot.com, não gostou quando escrevi em sua matéria "orcute" e não "Orkut". Ele tem a mais absoluta razão, pois o texto pertence a ele, não é verdade? Não. O texto pertence também ao revisor.

Ele não me elogiou quando coloquei vígulas nos lugares certos. "Tua obrigação", ele diria. Bem, se é minha obrigação retificar, eu retifico segundo o que penso sobre a LÍNGUA portuguesa. No caso de "orcute", eu defendo a idéia de uma escrita abrasileirada. A intenção, lembrando-me de Oswald de Andrade, é antropofágica. Além desse autor, baseio-me em outros autores para preferir "orcute" a "Orkut".

E ainda escrevem Orkut, caixa-alta. Trata-se de um substantivo próprio?

Retirei alguns trechos de seu texto.

"Site para o qual Venícios trabalha publicou várias reportagens sobre o assunto. Enquanto isso, o jovem e habilidoso repórter, tenta gravar uma entrevista com o agenciador. Foram vários dias de negociações e, finalmente, Ivan decidiu falar. Pepsi, como o agenciador também é conhecido, gravou uma entrevista de três horas de duração. Mas, com medo de represálias, não se deixou fotografar."

1. Retirei a vírgula, mas não fui elogiado.

"Ivan também revelou o perfil de seus clientes e a maneira como as meninas eram selecionadas. Contou, por exemplo, que usava a internet (blogs e comunidades do Orkut) para divulgar seu trabalho, a qual classificou de “cooperativa do sexo fácil”.

1. Por que a preposição "a" antes de "qual"? Mais uma correção, e não vieram os abraços e os doces.
Há outros erros, são humanos. Eu erro. Para falar a verdade, eu sou um erro.

Públicas x Particulares

Públicas x Particulares

Neste ano, mais uma vez, segundo o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, as escolas privadas obtiveram um desempenho melhor do que as escolas públicas na média nacional. No Acre, seguindo a mesma tendência, as públicas não superaram as particulares quando o assunto é Redação.

O professor de uma particular pode chegar a lecionar para 11 turmas, e o professor-servidor público, para 4 ou 5. Se em média há 30 alunos em cada sala, aquele corrige 330 redações e este, 150. Além de os números registrarem menos trabalho, a escola pública estadual ainda paga melhor no Acre

Os salários, melhores. Em um passado não muito distante, verborréias sindicais acreditavam que bons salários equivalessem à qualidade de ensino, por exemplo, a boas aulas de Redação. Por trás dessa dissimulação sindicalesca, a prioridade não era a qualidade, mas tão-somente salário por ser ele mais fácil para unificar a categoria. Tamanha associação entre dinheiro e bom ensino, além de mentirosa, só serviu para mostrar que sindicalista não entende o que possa qualidade de ensino. Esse pretérito imperfeito elevou-se como falácia

Na outra ponta discursiva, a Secretaria de Educação do Estado, a fim de qualificar seu corpo docente, oferece aos professores cursos e mais cursos. No último, professoras-doutoras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) falaram sobre letramento. A secretaria crê que, após concluir um curso de letramento, o professor, motivado pela causa pública (kkkkkkk), retornará à sala de aula para que alunos escrevam ótimas redações

Se há bons salários e se há qualificação profissional, por que a escola pública estadual não supera há anos a escola particular? Se professores recebem menos e se não são qualificados por meio de cursos, por que a iniciativa privada consegue há anos melhores notas

Há respostas que se combinam, mas uma é capital: o lucro. A escola particular lucra com o Enem, porque, por meio desse exame, o diretor-proprietário propaga a boa imagem de sua escola. Assim, para manter sua imagem, o lucro não admite desperdícios, por isso sabe administrar seus bens e seu patrimônio. Ora, como o diretor-proprietário precisa de bons resultados no Enem, o lucro se organiza e organiza seu espaço escolar, quer dizer, controla-se e controla. O dinheiro faz questão de manter a boa imagem e, para isso, sabe que, sem organização, sem boa administração, não há controle para obter resultados. A iniciativa privada não admite desperdício

E a escola pública? Como todo setor público deste “berço esplêndido”, o desperdício é a regra. Nesses meus 12 anos lecionando na rede pública estadual, nunca conheci um coordenador de ensino que tivesse metas para a Redação. Ocupa-se a coordenação segundo não o mérito muito bem posto, mas conforme a indicação de um gestor, que, por sua vez, foi escolhido por um processo democrático também sem mérito. Como pode haver qualidade de ensino quando a própria democracia escolar é desqualificada? Ela é um desperdício de tempo

Gestor escolar, uma vez formado em administração, deveria ocupar sua função por meio de concurso público. E mais: esse administrador público não deveria ter estabilidade de emprego, nem o professor. Quanto ao coordenador de ensino, escolhê-lo dependeria também de seus méritos como professor e como pessoa. Além disso, alunos deveriam avaliar esse professor por meio de questionário para que seu nome pudesse se candidatar a coordenador e, dessa forma, ser votado pelo corpo docente

Absurdo? Hoje, se o professor quiser, leciona Redação. Hoje, o coordenador de ensino, se quiser, busca metas. Hoje, o gestor, se quiser, administra. Hoje, lecionando bem ou mal, o salário é o mesmo com uma estabilidade de emprego que acomoda o desperdício.

sábado, novembro 29, 2008

Não & Não

Irmã de minha saudosa e muito amada avó, minha tia-avó Vera deixou um brinquedo na sala com esta única finalidade: seus netos não poderiam tocar nele. "Há outros brinquedos, nesses, eles podem mexer, mas aquele que está sala é intocável."

Por que isso, tia? "Porque eles devem aprender que na vida há limites, restrições; que na vida existe o não".

Leia este artigo publicado no JB, da drª MARIA ISABEL, professora de psicologia.

A importancia de um não, o não de Eloá
Criando um Monstro.

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole?
Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência?
Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?
O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'.
A garota disse não, não quero mais falar com você.
E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.
Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão.
Que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados.
Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha.
Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida.
Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador converssasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim. NÃO.

Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças.
Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos temem dizer não às esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos.
Noras que não conseguem dizer não às sogras.
Chefes que não dizem não aos subordinados.
Gente que não consegue dizer não aos próprios desejos.
E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas.
Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco.
Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos.
Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes.
Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: Não, você não pode bater no seu amiguinho.
Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles.
E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam.
Usam drogas.
Compram armas.
Transam sem camisinha.
Batem em professores.
Furam o pneu do carro do chefe.
Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário.
Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.
E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso.
Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento.
Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor.
E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Ufac...

...irregular
A Universidade Federal do Acre (Ufac) foi uma das 14 instituições de federais de ensino superior do país onde o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades em contratos e em convênios firmados. As irregularidades foram encontradas nos 464 convênios e contratos que o TCU fiscalizou entre julho e setembro deste ano.

Fundações de apoio
O objetivo da fiscalização do TCU foi examinar o relacionamento das universidades públicas com suas fundações de apoio. As fundações foram criadas na década de 90 com o fim de garantir mais autonomia na gestão dos recursos das universidades.

Distância perigosa
Mas o relatório do TCU avalia que “essa autonomia universitária às avessas, promovida por intermédio de fundações privadas de apoio, significou também um perigoso distanciamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do ambiente de controle propiciado pela contabilidade pública e pelo trânsito dos recursos públicos por dentro do Sistema Integrado de Administração Financeira, do governo federal (Siafi)".

As irregularidades
As principais irregularidades encontradas pelo TCU nas universidades federais referem-se à contratação de pessoal e a serviços sem licitação, falta de transparência na prestação de contas e a não-observância de deliberações de órgãos de controle (internos e externos).
Gestão informalSegundo o TCU, em muitos casos, os contratos tinham a função de produzir recursos excedentes que eram guardados pelas fundações, mas geridos informalmente por reitores, chefes de departamento e coordenadores de cursos.

Prazo para correção
O TCU determinou um prazo de 180 dias para que as universidades corrijam as irregularidades. Entre as medidas que devem ser tomadas, está a disponibilização na Internet dos dados e do andamento dos projetos que estão sendo desenvolvidos em parceria, bem como os recursos envolvidos em cada um deles.

Contas específicas
Outra recomendação do TCU é a criação de contas bancárias e contábeis específicas para cada projeto firmado com as fundações de apoio. Em abril, os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia publicaram uma portaria para tornar mais rígido o repasse de recursos das fundações para as universidades.

Movimento Sindical

Já registrei aqui várias vezes o quanto Sinteac e Sinplac não contribuem para qualificar o ensino público. Conheço "professores" que fizeram do sindicato um modo de vida, uma profissão, um cargo para não trabalhar, apenas para ocupar espaço em chapas.

Tanto para problematizar sobre educação pública, o que ouvimos desses indivíduos são palavras toscas sobre educação pública. Há exceções. Poucas. Muito poucas. Quase nada.

O texto abaixo não se refere a esses dois sindicatos, mas se refere a dinheiro de outros filiados.
Num sindicato de servidores de um órgão público no Acre, o presidente só não é chamado de santo pelos filiados. A queixa é geral. E ele não tá nem aí. Para ficar ainda mais feio na foto, pegou o “namorado” e o sogro e foram morar na sede do sindicato, com água, luz, telefone e caseiro pagos pelos sindicalizados.

A luta continua, a minha, a tua, que trabalhamos.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Ao Jornalismo

Tenho recebido texto de "Jornalismo" neste inexpressivo blog. Pois bem, ainda que você tenha tentado me agredir, reconheço tua habilidade quando escreve. Texto claro. Só não gosto quando não ocupamos espaços para criticar com boas idéias, com boas ironias. Gosto de perder, porque, ao perder, refaço jogadas. Aprendo. Minha arrogância, além de ridícula, beira ao limite e ri de si mesma.

A questão do Enem é séria e pulsa um silêncio sobre a escola pública. No Acre, a fala que expressa conhecimento é a do político. Poucos os questionam quando o assunto é, por exemplo, escola pública. Dizem que está tudo bem, que a Frente Popular revolucionou a educação pública, e o amém de jornalistas e de professores é ouvido em igrejas sem Deus. Muitos estão de joelhos. Rezam em templo cínico de classe social.

Sem tempo para atualizar este blog, ainda sim preparo um texto sobre o Enem no Acre. Publicarei na próxima terça-feira, dia 2 de dezembro. Sabe, Jornalista, não me acho o melhor, porque sei que o melhor manifesta-se quando um corpo, o docente, articula-se para transformar a vida de jovens por meio da Literatura, da História, da Filosofia, da Redação. Como já foi dito, não existe indivíduo, existem relações.

Quem assiste às minhas aulas, se for sincero, dirá que eu não esmoreço em sala. Os livros me transformaram, por isso alunos não vêem em mim marcas do descaso, do relaxamento, do cansaço. Luto para que suas vidas sejam transformadas pela cultura, pelo conhecimento, pelos livros. E, acredite, faço pouco ainda. Preciso melhorar mais e mais, sempre. Sempre. Até para morrer, meu caro, temos que ser melhores. É no fundo do poço - Nietzsche ensina-me - que encontramos a fonte de água mais pura.

A realidade escolar, entretanto, não se reduz a mim. Dependo de outros, de relações. Com as palavras, luto, mas Drummond me diz que a luta é vã mal rompe a manhã. Lutamos, porém, meu caro, sempre perdemos. "Viver é não conseguir", fala Fernando Pessoa. Tenho noção do fim, da perda, da traição mais nojenta, mas, ainda sim, busco dar sentido à vida quando leciono. Aprecio o mito de Sísifo.

Sobre minhas aulas na Universidade Federal do Acre, um dia, quem sabe, conto aos teus olhos detalhes sobre o que certos servidores fazem com uma instituição pública. Guardo processos contra mim com muito carinho, porque são registros absurdos sobre o curso de Letras. Absurdos. É um documento histórico. Hoje, depois daquela ausência de ética pública, depois da arbitrariedade daquela farândola, eu rio dos que aparentam ser sérios e cultos.

Estou vivo como nunca para (me) incomodar a brisa, a folha. O fruto.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Sem face

Fácil escrever sem expor a face. Melhor defender idéias com a face à mostra. Em azul, um texto anônimo busca agredir-me. Ruim ocupar este virtual espaço para não registrar boas idéias.
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A culpa é SUA. Isso mesmo, SUA! Não é você que está na escola "dando aula", senhor Aldo Nascimento?
A escola´não é um professor ou dois. A escola é uma ação pedagógica articulada e, para essa articulação, é preciso haver O COORDENADOR DE ENSINO. Pior se torna quando a escola pública não tem plano pedagógico, por exemplo, de redação. E, por favor, não use o termo culpa, soa muito cristão. Melhor o termo RESPONSABLIDADE, porque, em sala, eu a tenho.

O senhor que se acha o melhor e pensa que o mundo gira ao redor da sua falácia vazia?
Busco sempre fazer o melhor, porque, ao fazer o melhor, desejo transformar a escrita de meus alunos. Falácia vazia é não lecionar. Em sala, minha palavra não é vazia. Leciono muito sério, com empenho, porque é isso que cabe a mim em sala. Há quase 20 anos lecionando, ainda sou apaixonado pelo ato de lecionar. Aluno, para mim, deveria avaliar professor para comprovar por meio de documento se há falácia ou não. E, por favor, falácia vazia é redundância inútil. Não me acho melhor, mas me dedico para ser o melhor. Gosto de competir para ganhar ou para perder.

Pena que SEE nunca lhe chamou para fazer parte do seu célebre seleto de intelectuais, não é mesmo?! Se bem que me lembro de você várias vezes almejando uma cadeira na refrigerada sala da Secretaria. Sei que nela, na sala fria, você faria menos do que faz hoje. Não que os que estão lá nada façam, a questão é que se o que você faz hoje é tão pouco, distante da sala de aula - lugar transformador - sua contribuição seria tão menor do que o que já é hoje e é por isso que digo, repito, a culpa é sua.
Nessa parte de teu texto, você surtou. Vá ao médico.

Se acha o contrário, procure a SEE e ajude os que preferem as salas com ar condicionado. Eles precisam de você! Ajude-os a não dar desculpas. Ajude-os a mudar a situação que você contribui para piorar, afinal você também recebe mais que os profissionais das escolas privadas e, mesmo assim, continua na roda viva do fracasso. Vá lá! Ajude...
Quem está na secretaria que faça bem. Quem está em sala que faça bem. Eu desejo a sala. Só uma observação: especifique de que forma eu contribuo para piorar.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Enem Enem Enem

O governo do Estado do Acre não pode negar que a rede pública sempre fica, em relação à rede privada, com as menores notas. Sempre. Pessoas que preferem as salas da Secretaria de Educação às salas de aula precisam dar uma resposta. Não darão.

Conversando com um professor de uma escola particular, ele me disse que leciona para 11 turmas e, por mês, recebe menos que um professor da rede pública. Por ser escola privada, aluno de classe média é mais inteligente, tem mais recursos em casa? Não acredito nas respostas.

Os anos passam, e a escola pública acreana perde sempre para a escola privada. Se derem respostas a esse fato, acredite, serão desculpas.

terça-feira, novembro 18, 2008

Reitora


Cheguei a tempo para ouvir as palavras da professora-doutora Luísa Galvão Lessa e da reitora Olinda Batista Assmar. O texto da Luísa, por sinal, foi ótimo. Com humildade, reconheceu diante de muitos o caráter da atual reitora.

quinta-feira, novembro 13, 2008

A desembargadora está errada?

TCU acaba com farra em carros oficiais na Advocacia-Geral da União no Acre
De Ana Paula Batalha

Consta no relatório de outubro e divulgado recentemente pela auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) o uso indevido de um bem público a serviço de uma funcionária. O caso foi levado ao órgão após gravações do servidor público federal Getúlio França de Almeida, do quadro de pessoal da Advocacia-Geral da União (AGU), na Secretaria de Controle Externo no Acre.

Nas gravações, constam informações e documentos circunstanciando possíveis práticas de irregularidades em relação ao uso de veículo locado pela AGU.

Segundo o relatório, no final de 2006, a Procuradoria da União no Estado do Acre (PU-AC) teve aumentada sua frota de veículos locados, de dois para quatro carros, o que seria desnecessário à medida que os dois veículos atendiam toda demanda da procuradoria.

No caso, um automóvel atendia ao gabinete do procurador-chefe, conduzindo-o a audiências, além de transportar os servidores a serviço. O outro veículo, que deveria atender aos demais serviços do órgão, atendia com exclusividade Sueli Alves Marques, coordenadora da Procuradoria da União no Estado do Acre.

“Com o incremento da frota, em desvio de finalidade, o veículo Corsa, placas AOI-9474, passou a atender unicamente a funcionária, com utilização abusiva para fins particulares durante e fora do expediente”, diz o relatório.

O relatório diz ainda que a servidora passou a conduzir o veículo até a sua residência, guardando-o em sua garagem residencial, além de utilizá-lo em lugares proibidos por lei, como supermercado, casa de diversão, boate, restaurantes e aeroporto e a disponibilizá-lo para o uso pessoal de seu filho. Essas condutas foram demonstradas em diversos vídeos.

Não bastasse isso, foram apresentadas provas que, além de não portar os dizeres exigidos pelas normas - serviço público federal, uso exclusivo em serviço -, o veículo circulava na cidade exibindo conteúdo publicitário de evento festivo a ser realizado na boate Excalibur (Miss Mister Excalibur).

O documento ressalta ainda que as razões apresentadas por Sueli não trazem justificativas aceitáveis para a utilização do veículo fora das situações de serviço. Com base nos elementos constantes nos autos — especialmente nos boletins mensais de controle dos veículos, nos DVDs anexados à contracapa dos autos principais e nas justificativas trazidas pela representada —, conclui-se, segundo o documento, que todos os quilômetros rodados foram custeados pela Advocacia-Geral da União uma vez que a quilometragem inicial registrada em um determinado dia sempre coincide com a quilometragem final referente ao dia útil anterior.

A servidora afirma que o uso do veículo não se deu de forma ilegal uma vez que o valor da franquia (estipulada em 2,5 mil km-mês) não foi ultrapassado.

“Ela dá a entender que, como alcançou no período considerado apenas 65% da quilometragem mensal contratada, os demais 35% poderiam ser utilizados livremente, não trazendo qualquer prejuízo ao erário, porque a franquia contratual cobria tudo”, consta.

A servidora, pelo que consta no relatório, deixou de utilizar o veículo locado fora do horário de expediente a partir de novembro de 2007.

Por esse motivo, o TCU adotou aplicação da multa à servidora pelo uso irregular para fins particulares do veículo locado pelo órgão, além de ter determinado à Procuradoria da União no Estado do Acre tomar providências especificadas quanto às irregularidades encontradas.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Máquina pública

"Vocês que são diretores de divisão levem para seus setores o que está acontecendo aqui e ponham todos a barbinha de molho. Vocês não têm o direito de trabalhar mal. Estão ganhando muito bem. Uma FC3, R$ 1.200 em média a mais para trabalhar mal. Ai, que é isso tem tanta gente que não tem o que comer aí fora, querendo trabalhar. Vocês viram quantas pessoas foram demitidas do gabinete da doutora Marli a bem do serviço público pela doutora Marli?".

Pegando carona no blogue do Altino Machado, a desembargadora Marisa Santos (foto), do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, tem lá suas razões, e elas estão bem claras nas palavras acima.

A máquina pública é eficiente?

Conheço diretores de escolas que se ausentam durante dias e ainda privilegiam funcionários públicos, ofertando a eles as famosas dobras, mas só que muitos nem comparecem às escolas.

Conheci servidor público que usava dinheiro público de instituição de ensino superior para promover festinhas na faculdade.

Conheço servidor público que trabalha para qualificar o erário e conheço servidor público que trabalha para não qualificar o erário, mas recebem o mesmo salário. Trabalhar mal ou bem mantém o servidor na máquina mesmo assim, ele não será "demitido".

A desmbargadora disse: "Vocês não têm o direito de trabalhar mal. Estão ganhando muito bem. Uma FC3, R$ 1.200 em média a mais para trabalhar mal".
Eu, por exemplo, não leciono Redação na escola, passo todo mundo, bato-papo com meus alunos, passo trabalhos fáceis, não compareço a reuniões, só me preocupo com meus interesses e não estou nem aí para o dever cívico de uma escola pública. Os alunos me aldoram, sou simpático, não critico, sorrio para todos e recebo meu salário todo mês.

Semelhança

Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente da Assembléia Legislativa do Acre. O acabamento pertence ao jornalista Gilberto Lobo.




segunda-feira, novembro 10, 2008

Os canalhas deveriam ir primeiro

De Aldo Nascimento

Em casa, o celular registra um toque às 13h35. É Alessandra, editora-chefe da TRIBUNA. Conheci Pheyndews no Página 20, em 1996. A última vez que nos reencontramos foi na Redação da TRIBUNA, ano passado. Se a morte retira de nós qualquer sopro de arrogância, a ida eterna de um bom colega de trabalho é injusta. Haveria justiça se os canalhas fossem na frente, sempre na frente.

Jamais vi Pheyndews triste. Às vezes, seu humor crítico expunha um Acre sem infância: “Aqui, Aldo, perde-se a virgindade com a chupeta”. Com piadas ácidas, ele era um acreano que não ocultava as imperfeições de sua terra com frases feitas ou com ufanismo de tolos.

Quando ele disse que crianças perdem a virgindade com chupetas, não havia ainda a internete no Acre para constatar por meio de imagens uma realidade socioeconômica que deformava a infância e a pré-adolescência. No Acre de hoje, como em várias partes deste “berço esplêndido”, meninas de 10 anos abrem as pernas em uma rede de orcute, expondo em seus prostíbulos virtuais fotos de um erotismo infantil diante do rosto velado da Justiça.

“Dizem sempre que quem bebe a água do rio Acre não vai embora daqui, eu não acredito nisso. Eu, na verdade, não aconselho nem beber a água desse rio, porque está muito poluída”, e ria. Com sua morte, além da ironia, perde-se parte da memória política deste Estado, a política que jornais não publicam. Sepultar essa memória me incomoda, porque a fala subterrânea de políticos, a fala ocultada pelo silêncio, só alguns a ouviram, e Pheyndews foi um deles. Mas, no lugar de um livro, uma lápide para sua memória.

Pheyndews faz parte de uma época em que não precisava passar pela faculdade para ser jornalista. Seu texto imprimia personalidade, postura que muitos recém-formados evitam por medo, por alienação. Quando saem da faculdade, focas se acomodam com frases feitas, comestruturas sintáticas e semânticas empobrecidas pela repetição de outros. Diferente desses acadêmicos, Pheyndews não era clichê.

Entre nós, quando nos encontrávamos, havia um cumprimento muito acima da formalidade, do padrão, do comum. No lugar de um forte aperto de mãos entre dois machos, nós dávamos um pulinho bem gay e batíamos as mãozinhas no alto com um gritinho mais gay ainda. Eu gostava muito dele. Estive no velório e vê-lo em um caixão foi se deparar com uma profunda tristeza. Gente boa, esse “Pheyndews”.

No ambiente de trabalho, ele não armava para prejudicar os outros, porque não escorria por sua boca o muco da arrogância. Nunca me desdenhou na Redação. Há nesta terra pessoas por quem oferto admiração, apreço, o Pheyndews sempre será um desses acreanos por quem terei afeição. Como escrevi antes, os canalhas deveriam ir primeiro, sempre primeiro.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Pedofilia e Morte



O Acre me deu uma filha linda. No dia 7 deste mês, fará 11 anos, uma criança ainda.

Duas notícias me perturbaram hoje.

No Paraná, uma criança de 9 anos foi estuprada e esquartejada, os restos foram colocados em uma mala.

Na Bahia, um menino de 8 anos foi estuprado, e, para matá-lo, os anormais desgraçados atiraram 40 vezes.

Em 2011, Antônio Manoel, condenado por estuprar menores, entrará em regime semi-aberto. De graça, comeu à custa do dinheiro do contribuinte.

Deputados federais não alteram leis, crianças são estupradas e assassinadas. O bom de tudo isso é que não foi com o teu filho, não é mesmo? Somos um dos países mais cristãos da Terra. Além disso, em 2014, a Copa do Mundo será no Brasil. Seremos hexacampeões.

Peço a Deus que proteja a minha filha e a tua; mas, segundo Nietzsche, Deus está morto. Eu acho que os assassinos são brasileiros e mataram-no em algum canto escuro do Congresso. Para mim, futebol não é paixão nacional. Paixão nacional é a impunidade ou penas leves como as mãos de certos políticos.

domingo, novembro 02, 2008

Intervenções Urbanas

De Aldo Nascimento

Atrás do palco, a Candelária compunha o cenário político que se completava com uma avenida populista, a Getúlio Vargas. O deus Tempo contava 1989, ano em que assisti no Rio de Janeiro ao comício de Lulalá, candidato a presidente da República.

Se era muito difícil chegar a Brasília, sonhava com o Partido dos Trabalhadores no poder estadual ou municipal para promover uma transformação radical na cultura. Mas o PT no Rio de Janeiro se complicou e só pude ver o partido de Henfil no poder quando, anos depois, em 1994, já no Acre, Jorge Viana deixou suas digitais na prefeitura da capital e depois no Palácio Rio Branco.

Mas o sonho de ver uma transformação radical na cultura não se realizou, porque, quando o cenário é o teatro, o Partido dos Trabalhadores apresenta-se de forma conservadora, acanhada. Não me refiro à Usina de Cultura João Donato, espaço à margem do centro e delimitado por paredes. Refiro-me a intervenções no espaço urbano por meio da ficção, por meio da voz do teatro. Uma ação estética imprópria para amadores.

Quem apreciei realizando essa ação no espaço urbano foi Ivan de Castela. O PT, contudo, apropriou-se desse nome para ser imagem de governo. Enquadraram-no. Reconfiguraram o artista. O poder calou a voz ficcional. Em seu lugar, burocratas remunerados da cultura emitem seus ruídos pela TV, pseudo-intelectuais escolhidos pelo dedo descriterioso da amizade ou pelo lastro genético de famílias tradicionais acreanas. Há exceções, eu sei, são poucas.

Ontem, pela manhã, entrei no ônibus para trabalhar no centro de Rio Branco. Recebo pouco menos de R$ 500 por mês, e meu trabalho me aliena. Vindo do bairro Calafate, a rotina realista guia meu destino há anos. Hoje, porém, a surpresa abriu meus olhos, tocou em meus ouvidos.

Com roupas coloridas, diferentes do comum, dois artistas falaram da vida, das injustiças, da ordem do mundo e, no final, já no terminal de ônibus, disseram nomes que nunca ouvi: Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Cruz e Sousa, Paulo Leminski.

Depois, com muita calma, explicaram: “Essa apresentação foi uma maneira de mostrar a vocês poetas que precisam estar vivos na vida, porque suas palavras raras dizem o que o mundo cala.” Colocou a mão no bolso e retirou um papel. “Chamamos ‘atrás da folha’ verso, isto é, por meio do verso, lemos o que está atrás das coisas, do mundo, da realidade.”

Mas a surpresa não tinha chegado ao fim. Quando saí do ônibus, já no terminal de ônibus, muitos, mais de 30 Ivans, com seus trajes de artistas, expressaram outras poesias por meio de vozes que me emocionaram.

Quem bom saber que o PT surpreende os trabalhadores com um ótimo teatro de rua. O PT mostrou ser diferente de outros partidos quando o assunto é cultura. Nesse aspecto, ele é revolucionário.

Duas vezes por semana, essas intervenções ocorrem em Rio Branco, porque, sem os versos desses poetas consagrados, o ônibus que vem dos lugares sem teatro conduz tristezas, emudecimento, a morte das palavras. São passageiros empobrecidos pelo cansaço de uma rotina que desencanta a vida.

Sonho... ainda sonho.

terça-feira, outubro 28, 2008

Quem é deficiente?

Apae pode fechar suas portas
De Gilberto Lobo

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Acre (Apae) e o Colégio Dom Bosco podem ser fechados. O projeto da Secretaria Estadual de Educação (SEE) é inserir todos os alunos com necessidades especiais na rede pública de ensino para promover a inclusão social. Dessa forma, os órgãos que trabalham com os excepcionais passariam a ser, apenas, centros de saúde especializados.

Mas o problema desse tipo de trabalho de inclusão, atualmente utilizado em Minas Gerais, pode não dar certo no Estado.

“A nossa realidade é outra. Lá, eles têm o incentivo da iniciativa privada, bancado o transporte para levar as crianças com necessidades especiais à escola, e as escolas públicas já estão adequadas para recebê-los, com rampas de acesso e com professores capacitados”, explicou a diretora da Apae, Raimunda Souza, que há seis anos trabalha com ensino especial.

Agora, para tentar contornar a situação, de acordo com a diretora, os pais de alunos e a diretoria da Apae terão que elaborar uma contraproposta, um conteúdo com novas propostas de ensino e as dificuldades por que alguns excepcionais passarão para se adaptar a esse projeto de inclusão.

“Aqui, temos um aluno com síndrome de down de 27 anos, que é muito carinhoso, muito amoroso, mas têm dias que ele fica violento e é difícil contê-lo. Ele bate em todo o mundo. Como será um aluno que passa por esse tipo de dificuldade no meio dos outros? Vai ser complicado”, detalhou.

Problemas
Outro problema com esse tipo de projeto é o pré-conceito que pode ser gerado, porque as salas de aulas que forem receber esse tipo de aluno terão que reduzir o número de vagas. Isso pode gerar conflitos com a comunidade.

“Na hora do intervalo, como uma criança com deficiência física irá se sentir quando vir as outras correndo e brincando? Quando não conseguir acompanhar o desempenho da turma, ele vai se sentir inferior, e isso pode causar um mal irreversível.

“Fechamento”
A Apae, atualmente, tem 250 alunos. Todos com necessidades especiais. Eles têm, além do ensino básico e fundamental, aulas de informática, artesanato e acompanhamento médico. Os funcionários, alimentação e parte das despesas são pagos pelo Estado.

“Temos que oferecer tudo que uma escola comum oferece e um pouco mais, mas sem recurso, mas, como dependemos do governo para nos manter, pedimos que o Estado compreenda a nossa situação, porque queira ou não a transformação da Apae em centro de saúde é quase um fechamento”, desabafou.

“Não sou contra a inclusão, mas isso deve ser feito aos poucos, com cuidado. Temos alunos que saíram daqui para a rede pública de ensino. Eles estão bem e são ainda acompanhados, assim pode dar certo”, explicou Raimunda Souza.

domingo, outubro 26, 2008












Navegando sem bóia pela internete, Selmo Melo, fotógrafo da TRIBUNA, encontrou esse exemplo de professor de jardim de infância. Isso está mais para "pasto de infância".

quinta-feira, outubro 23, 2008

Dinheiro público pelos ares

Policiamento acreano terá reforço de helicóptero

Convênio entre Governo do Estado e Ministério da Justiça foi publicado no Diário Oficial da União

O policiamento no Estado do Acre terá o auxílio de um helicóptero, especialmente nas áreas de fronteira. O extrato de convênio para a compra da aeronave foi publicado no Diário Oficial da União, fruto do empenho do governador Binho Marques e sua equipe junto ao ministro Tarso Genro, e integra o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci).

1. O que significa "especialmente"? Quer dizer "também"? Além da fronteira, o helicóptero ajudará a polícia no bairro Sobral?;

2. Especialmente deveria estar entre vírgula; e

3. E "junto ao" significa que o governador e sua equipe estão perto do ministro. O correto é com o ministro.

O valor do convênio ultrapassa R$ 6 milhões e tem contrapartida do Governo do Estado. Após a licitação, a aeronave será fabricada e entregue à Secretaria de Estado de Segurança Pública.

"Esse é um processo demorado, mas após o fechamento da licitação faremos todos os esforços possíveis junto à empresa vencedora para agilizar a fabricação e entrega do helicóptero", disse o secretário de Segurança Pública, Antônio Monteiro.

1. Quer dizer que "faremos todos os esforços possíveis perto da (junto à) empresa vencedora". O correto é com a empresa vencedora.

De acordo com o secretário, a fronteira acreana tem mais de dois mil quilômetros de extensão e foi uma das causas principais da adesão do Acre ao Pronasci. "A fronteira tem pontos de fragilidade que serão mais bem monitorados com o auxilio do helicóptero. Dois policiais já estão em treinamento para atuar no pelotão aeropolicial e mais profissionais serão preparados para o trabalho."

O major da Polícia Militar Paulo César ressaltou que o helicóptero vai auxiliar também no policiamento das rodovias que dão acesso ao Estado, além de agilizar o combate ao narcotráfico e furto de veículos.

terça-feira, outubro 21, 2008

A literatura segundo os comunistas

De Aldo Nascimento

Há muitos anos, não ouço daquela esquerda palavras de ordem contra “políticas neoliberais”. Hoje, adequada à economia de consumo neoliberal, essa esquerda não protesta contra a mais-valia na forma de uma Hilux. Ignora-se, entretanto, que o neoliberalismo permite ao indivíduo o que comunistas não permitiram na história: a liberdade de criar.

Se tivesse nascido no berço da economia de mercado, a arte de Vladimir Maiakóvski teria seguido outro destino. Os burocratas comunistas não apreciavam sua arte, por isso entre eles os choques foram inevitáveis. Em 14 de abril de 1930, Maiakóvski suicida-se com um tiro. Tinha apenas 37 anos.

Não há mais União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS), mas os versos desse fascinante poeta permanecem vivos. O Estado comunista ruiu. Maiakovski não: “Nesta vida/morrer não é difícil/o difícil/é a vida e seu ofício”, poetizou. Para quem ainda pensa que suicídio é ato de fraqueza, digo que, no caso de Maiakóvski, o suicídio foi apenas a confissão de que a existência não valia a pena em um Estado totalitário.

Devo aqui, entretanto, reconhecer que Lênin admitia que o trabalho literário “não é possível de nivelamento mecânico, de um domínio de uma maioria sobre a minoria”. Para ele, deveria haver “o máximo de espaço à iniciativa individual e às inclinações individuais, o máximo de espaço ao pensamento e à fantasia, à forma e ao conteúdo”. Para a desgraça de Maiakovski, entretanto, Lênin morre antes que seu pensamento fosse uma realidade política.

Sob a tutela de Stálin, em 17 de agosto de 1934 – pouco mais de quatro da morte de Maiakóvski -, o 1º Congresso de Escritores Soviéticos coroa, por meio de Andrei Jdanov, o “realismo socialista” como doutrina oficial, mesma doutrina com que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) asfixiaria a liberdade de criação com as mãos rudes de uma ideologia que não admitiria a imaginação, as inquietações da forma.

Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, não suportaram a pressão do PCB e, como resposta, arrancaram as mordaças da anticriação literária. Outro dissidente foi Graciliano Ramos. Em 1935, o autor de Vidas Secas envia uma carta ao crítico Oscar Mendes, dizendo: “Acho que transformar a literatura em instrumento de propaganda política é horrível. Li umas novelas russas e, francamente, não gostei.”

Sem imaginação, preso à objetividade, o realismo socialista de Andrei Jdanov fechou a palavra em si mesma, evitando a polissemia ou enfraquecendo-a por meio de um discurso autoritário. Assim, sem pluralidade, o monólogo panfletário de comunistas sacramentou um jogo parafrásico a fim de sepultar a ficção.

Por que domesticar a imaginação? Por que comunistas identificaram-se com o realismo? Por que eliminar a ficção? Em um pedaço de jornal, impossível responder. Posso, isso sim, deixar esta ótima dica para quem deseja (des)cobrir essa caça ao texto ficcional: A Trilogia do Controle, um denso livro do professor Luís Costa Lima.

Boa leitura!!!

Raionery, obrigado!

"Ainda hoje lembro-me das aulas hiperdinâmicas de um superprofessor chamado Aldo A. T. do Nascimento que lecionava na Escola Raimundo Gomes de Oliveira. Este revolucionou ao implantar um jornalzinho na escola, ao incentivar as leituras em baixo das árvores da escola, no auditório do centro cultural ao lado da escola, ou em qualquer lugar que lhe fosse adequado para o aprendizado dos alunos ao deleitarem-se em livros como Cinderela ou Fernão Capelo Gaivota, também levava os alunos à Filmoteca Acreana para assistirem "Sociedade dos Poetas Mortos". Dessas atividades o referido professor extraia valiosos debates e lições de literatura, gramática e redação, que ficavam gravados na mente dos alunos (de alguns, pelo menos), contribuindo imensamente para o aprendizado dos mesmos. Os tempos passaram, alguns se esqueceram dos professores, contudo aquelas aulas ficaram cravadas nas memórias. As atitudes daquele professor e seus métodos fortaleceram ainda mais meu desejo de ser professor e de lecionar na escola púlblica, hoje estou cursando Licenciatura em História na Universidade Federal do Acre, devendo em parte, àquelas ações do professor Aldo Nascimento."
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Raionery, lembro-me de ti e é bom saber que deixei algo em você. Fico feliz com tuas palavras, sei que são verdadeiras. Bom saber que você segue um caminho correto para melhorar a vida das pessoas. Estude, leia muito, compre livros, erga uma bibloteca aos poucos em tua casa e, quando entrar em sala para lecionar, alegre teus alunos para transformar o destino.

Um grande abraço em tuda vida e, por favor, mande uma foto para eu perceber como você é hoje. Vida longa aos que são inquietos! Vida longa aos que lutam contra a ignorância e a alienação!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Escola pública: não leia na escola (1)

No começo de 2008, lecionei para uma turma de primeiro ano. Como sempre, fui rígido sem perder a ternura jamais. Meses depois, alunos dessa turma me chamaram para uma festa e, com uma câmera, brincaram com o meu rosto. Essas são as minhas caras quando a coordenadora disse que...










ler livro em sala para alunos é perder tempo. "O aluno deve ler em casa", disse. É preciso ter muita calma nessa hora. Leitura de um romance em sala depende não de um professor, mas do corpo docente, no caso, do Conselho de Disciplina de Língua Portuguesa.

A questão é que o conselho deveria funcionar segundo o que uma coordenadora tem como objetivo, como meta. Sem meta, sem objetivos, sem uma ação educacional clara, os conselhos não têm vida. O Plano Político Pedagógico, como sabemos, depende também do funcionamento dos conselhos.

O que a escola pública pensa sobre leitura? Cada professor irá responder no papel para depois entregar à coordenadora de ensino? Se não há outra idéia melhor, eu tenho proposto há anos a reunião sistemática dos conselhos de disciplina. Eu disse SISTEMÁTICA. Quem define leitura na escola é o corpo docente por meio do conselho. Escola é ação conjunta.

Na escola Heloísa Mourão Marques, o conselho deliberou há mais de um ano que leitura em sala deve existir. Não sei se houve registro em ata e muito menos onde está essa ata, o fato é que detalhes sobre essa leitura não ficaram especificados. Retirar o que da leitura?

Se sou criticado por ler em sala de aula para meus alunos, ignora-se, por outro lado, o que cobro deles embora o conselho não tenha determinado o que cobrar. Sem saber o que leciono e como leciono, escrevei à minha crítica sobre minha leitura em sala.

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Desde agosto, leio o romance Rebeldes, do húngaro Sándor Mórai. Com antecedência, peço à coordenadora Izanilde marcar o dia em que lerei na sala de vídeo ou no teatro, porque são espaço onde o silêncio pulsa.
Nos primeiros dias, marcamos verbos, marcamos o uso dos pronomes oblíquos, algumas regências verbais, só para dar exemplo. Em outro momento, as cenas criadas pelo narrador, importantes como descrição e como interpretação.

Ora, tais observações textuais não são dadas ao relento, ao acaso, mas porque se relacionam à produção textual dos alunos, ou seja, em suas redações, surgem problemas verbais e pronominais. No desenvolvimento redacional, cobrarei o uso de pronome oblíquo para evitar a repetição do substantivo.

Fora essas observações, o sentido da leitura. Por que ler Rebeldes? A violência avoluma-se em nossa realidade, e esse romance apresenta um mundo ficcional que expõe a violência de adolescentes.

Na condição de leitor, desejo compreender o porquê dessa violência, o que não ocorre no filme Sociedade dos poetas mortos. Por qual motivo os adolescentes desse filme não cultuam a violência? Em uma prova dissertativa, eles compararão o livro ao filme. Quero que compreendam a importância da ordem (no filme) e as conseqüências da desordem (no livro).

Bem, depois me dizem que livro lido em sala não tem importância, só para quem não se habitou a ler.

terça-feira, outubro 14, 2008

Casa de Chico Mendes não era do Chico

Matéria de Gilberto Lobo

A verdadeira proprietária da Casa de Chico Mendes, um dos maiores símbolos do Estado, é a professora aposentada Carmem Rodrigues Moreira, de 68 anos. Ela afirma que há quase 20 anos está com um processo na Justiça para reaver o imóvel, que ainda está registrado no nome do falecido marido, Raimundo Pereira Bastos.

A aposentada explicou que tentou vender a casa a Chico Mendes, um ano antes de seu assassinato, por 400 mil cruzeiros, mas só recebeu 150 mil. “Ele disse que estava de viagem marcada para o estrangeiro, para receber um prêmio e, quando chegasse, pagaria o restante da dívida”, disse.

Mas, quando retornou da viagem, o ambientalista não pagou o restante da dívida. Dívida essa que se somou aos aluguéis pagos apenas com a amizade entre a professora e o sindicalista. “Nunca o cobrei, porque eu gostava muito dele. Ele era uma boa pessoa, preguiçoso, mas uma boa pessoa. Pagou apenas três meses de aluguei e nunca mais”, enfatizou.

“Eu precisava do dinheiro da venda da casa em Xapuri para poder terminar de pagar o local onde estava morando na capital. Se eu fosse esperar, até hoje, também, estaria devendo a minha casa. Disse a ele que já estava fazendo um bom desconto: o preço era 500 mil cruzeiros e, para ele, acabei passando por um valor menor”, desabafou a viúva.

Arquivado
Dona Carmem disse ainda que, para lutar contra a sombra do herói Chico Mendes, conhecido em todo o mundo como o defensor do meio ambiente, foi difícil. Uma das barreiras foi conseguir um advogado que assumisse a causa.

“Tentei vários e eles sempre me diziam que não iam comprar briga com isso. E, quando, finalmente, consegui encontrar um, parece que ele não resistiu à pressão por muito tempo. Há tempo, peço ao advogado que me devolva a documentação anexada no processo, mas não consigo. Por último, me disse que estava no arquivo geral do Estado. Chegando lá, não me deixaram pegar a documentação. No entanto, confessaram que estava realmente lá,” lembra.

A viúva de Chico, Ilzamar Mendes, foi em algumas audiências com a professora aposentada, no entanto, afirmou, diante do juiz, que não a conhecia e que a denúncia não era verdadeira.

“Esculhambei com essa mulher. Eles não tinham nada quando foram morar juntos, sequer tinham comida. Eu os ajudei, eles viviam em minha casa, sempre lhes tive muito respeito. Como ela disse que não me conhece? Esse bem é herança dos meus filhos e ela ganhou dinheiro com a morte do Chico e não quis pagar a dívida. Só quero que me paguem e fica tudo bem”, detalhou a senhora com seus cabelos grisalhos, com sérios problemas de circulação sanguínea.

“Vou até o final com minha luta. Isso não pode e nem vai ficar assim”, finalizou num tom de revolta a professora aposentada e proprietária da Casa de Chico Mendes, o mais importante ponto turístico de Xapuri.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Blog aberto ao deputado Calixto

Deputado estadual,

Li com muita atenção seu texto sobre minha postagem a respeito de uma ex-aluna minha. Ela me chamou e me disse que ainda se recordava de minhas aulas. Lembrou-se quando eu li em sala de aula o livro Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach.

O fato de eu ter sido lembrado só me revelou a paixão que possuo por lecionar, por lecionar há 20 anos. Sei que, na condição de professor, posso muito pouco, bem menos que um deputado. Uma lembrança, um livro, meu limite para transformar a vida de uma pessoa, quase nada.

O destino dela tem suas particularidades, algo ignorado por nós dois. Ex-alunos meus conseguiram ingressar na Universidade Federal do Acre (Ufac) depois de estudaram na escola pública acreana, reorganizada pela Frente Popular. Penso que sua observação sobre essa ex-aluna entregar panfleto na rua é pertinente, mas superficial quando joga a culpa no Partido dos Trabalhadores. Como eu disse, repito, ex-alunos meus estudam na Ufac, não entregam panfleto em rua.

Sabe, deputado, como simples professor deste Estado, minha situação profissional é bem menos pior do que no passado ou bem melhor do que antes. O PT apontou outros caminhos para a educação, melhores. Não sou estúpido a ponto de dizer não. Votei e votarei sempre no PT para lecionar na escola pública de hoje. Leciono neste meu Estado, parte de minha Pátria, há 16 anos, 11 nas escolas públicas, e sei o que tenho hoje e o que não tenho.

Não se trata de ser petista, pois seria pouco, trata-se de ser um professor que pensa, acima de tudo, na educação pública por eu me dedicar a ela. A oposição, entretanto, não pensa nessa educação, porque se limita a agredir ou a desqualificar o governo em nome de um estéril maniqueísmo nocivo à democracia.

A oposição, com seu agouro, gralha aos ouvidos da pobreza, mas os pobres já foram seduzidos por um Acre e por um país menos injusto. Os índices sociais acreanos são melhores. Queria muito, deputado, que não houvesse pobreza neste Estado para que a oposição começasse a ter idéias inteligentes sobre educação, por exemplo. Sem a pobreza - pobreza que o PT não ergueu neste Acre -, a oposição morre. Alguns se alimentam politicamente de cadáveres.

Sim, eu sei, o PT apresenta falhas na educação, questões bem específicas a ela, ignoradas por uma oposição que não sabe elevar o debate acima de uma ex-aluna que entrega panfleto na rua ou de um ex-aluno que hoje estuda na Ufac.

Sobre ser petista, mantenho com o PT acreano uma relação ambígua, e isso não que dizer ter duas caras. Digo ambígua no sentido de reconhecer e de criticá-lo com equilíbrio a fim de querer sempre o melhor para quem precisa mais do que eu. Tenho fome de justiça, deputado; mas, no passado, políticos superfaturam o prato de comida com o "sopão enche o bucho".

Não mudei o destino dessa minha ex-aluna - e, como o senhor escreveu, nem o PT -, mas, pelo menos, ela reconheceu em mim a paixão de lecionar em um Estado que não me humilha mais em sala de aula.

O Cavaleiro Andante



Texto de Aldo Nascimento
Montagem de Gilberto Lobo

No início do século 17, em 1605, Miguel de Cervantes Saavedra publicou sua obra-prima, Dom Quixote de la Mancha, supõe-se que tenha escrito na prisão. Na primeira página, em seu primeiro parágrafo, leio que esse personagem é seco de carnes, enxuto de rosto e amigo da caça.

Em tempos hodiernos, o meu Dom Quixote também é seco de carnes, enxuto de rosto e amigo da caça, e sua arma, para pegar a presa, tem sido o sonho. Meu sonhador caça, há muitos anos, o voto para ser vereador de Rio Branco. No lugar do cavalo Rocinante, uma bicicleta. No lugar de Sancho Pança, Deus. No lugar de Dulcinéia, a vida.

Cabides sempre estiveram nas instituições
Neste ano, com 2.117 votos caçados, Manoel Waldir Teixeira de Souza foi um dos 14 escolhidos para trabalhar pouco e ganhar muito na Câmara de Vereadores de Rio Branco. Muitos, entretanto, manifestaram surpresa. Muitos. “Como pode tamanha criatura com 1m44 de altura representar a coisa pública?!”.

Confesso que a surpresa não chegou a mim, porque, há muitos anos, cabide sempre esteve na Assembléia Legislativa, na Câmara de Vereadores, no Poder Judiciário. Sim, sempre houve cabide de emprego. Agora, nada mais justo do que o verdadeiro Cabide ocupar seu espaço no erário para fazer justiça com as próprias eleições, digo, com as próprias mãos.

Políticos se enriquecem
No sítio
www.politicosdobrasil.com.br, acessamos o patrimônio de políticos acreanos que se multiplicou por dez no período de oito anos. Em nome do povo, da justiça social, enriquecem-se com o dinheiro público. Mas, se Cabide é povo, a justiça não veio para ele. Começará a vir em janeiro quando entrar na Casa Legislativa. “Não tenho minha casa ainda, moro com um amigo de infância”, disse o Dom Quixote acreano. Um de seus sonhos pessoais, este: construir sua casa. Cabide é o povo que não escolheu seu representante de esquerda ou populista, mas o povo escolhido ou que se escolheu para conseguir sua moradia, trabalhando muito pouco.

Vamos encher o Legislativo de Cabides?
Já pensou 14 Cabides eleitos nas próximas eleições municipais? Imagino a propaganda eleitoral: “Vote em mim, eu sou o povo, só quero ficar quatro anos na Câmara de Vereadores para construir minha casa, prometo meter a mão só no meu salário para comprar tijolos, pagar o cimento. Vote em mim, porque, nas próximas eleições, o sorteado poderá ser você, que é pobre igual a mim, igual a Cabide.”

Que voto de protesto?
Seria voto de protesto? Pela TV, não vi nenhuma pessoa ao lado de Cabide com rostinho de quem protesta contra alguma coisa. Assisti, isso sim, ao povão querendo tirar vantagem, por meio de Dom Quixote, da mufunfa que circula na Câmara de Vereadores. Muitos desejam ser assessores. Muitos querem se pendurar no Cabide. Não houve nenhum protesto, só risos, euforia.

Morreram-se as ideologias
Em uma época de pós-ideologia, quando João Amazonas (PC do B) senta-se à mesa com Roberto Campos (PP) por meio da Frente Popular, Márcio Batista (PC do B), pastor Jonas (PSB), Concita (PT) não convenceram os eleitores; porém, com sua fala de caipira, fala de quem fica à margem da gramática normativa, um pobre seco de carnes, enxuto de rosto, ele, Cabide, nos comove.

Espero que Dom Quixote não seja modelado pela formalidade, às vezes falsa, do poder institucionalizado como alguns da esquerda já foram. Ainda quero ver Cabide ir à Câmara de Vereadores com sua bicicleta. Ainda desejo ouvir seus discursos com uma LÍNGUA portuguesa que desobedece à norma gramatical. Que o poder formal não o deforme, não tire desse autêntico acreano quixotesco a verdade pura de ser humilde. Se Manoel Waldir Teixeira de Souza não for seduzido pelas aparências do poder, Cabide terá caçado mais um voto:) o meu.

domingo, outubro 12, 2008

O poeta



Há pouco mais de vinte anos, minha audição era polida pelas letras de Renato Russo - época em que uma juventude ouvia bons textos.
Em 11 de outubro, há 12 anos, saía de cena este poeta. Hoje, na casa dos 40 anos, ouço ainda esta referência musical.

Só tenho pena auditiva de alguns alunos meus, eles escutam ruídos fecais de um Calypso, de um Calcinha Preta.

Um pedaço de uma letra da Legião Urbana
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto
Isso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?

sábado, outubro 11, 2008

Notinha


Circo da revolta

O ator Marcos Frota está com o pé tão frio que, segundo informações não confirmadas, até trapezista caiu durante o espetáculo. E, depois da campanha incentivando o boicote ao circo, promovida por alguns blogueiros da cidade, o perigo é aparecer alguém disposto a atear fogo no circo. A previsão é de chuva para o domingo. Até quando eles ficam nesta bosta?

De Gilberto Lobo

sexta-feira, outubro 10, 2008

O tempo...


Hoje, à tarde, andando no centro de Rio Branco, uma pessoa me chamou. Parei.









"Não está me conhecendo?", perguntou. "Fui sua aluna em 1995, na escola Luísa Carneiro Dantas, na quinta série."

Eu, vejam só, após 13 anos, lembrado.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Marcos Frota

Hoje, no programa Geração Gazeta, o ator Marcos Frota pedirá desculpas aos acreanos e à apresentadora Jocely Abreu por, entre outras, ter chamado o Acre de "uma bosta".

Segundo me disseram, Jocely não está convencida, porque, segundo ela, Marcos Frota é ator.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Fala feminina

Parte da matéria de Nayanne Santana

Durante a coletiva, a coordenadora do PT, Rose Escalabrin, lamentou a perda da representatividade feminina na câmara. Rose acredita que o fato se deu por uma "herança cultural".

"Isso é um retrocesso, nunca tivemos uma chapa feminina tão qualificada como a dessas eleições. A mulher está mais preparada para a vida privada do que para a vida política", declarou Escalabrin.
________________________

Observação:
Se está mais preparada para a vida privada, isso significa que a mulher deve se limitar ao espaço da casa, ao espaço doméstico. Além disso, a fala de Rose emitiu um certo timbre de superficialidade sobre a mulher no poder. É uma pena.

No apagar das luzes

Vereadores reajustam salários em Brasiléia

Os vereadores de Brasiléia anteciparam o presente de Natal e Ano-Novo, reajustando os seus próprios salários e também do prefeito e do vice-prefeito. O novo salário aprovado por unanimidade na sessão da última terça-feira.

O salário do vereador de Brasiléia na atual legislatura é de R$ 1,7 mil. Em janeiro do próximo ano, quando o novo salário entrar em vigor, o vereador passa a ganhar R$ 3 mil. Para a mesa-diretora, o salário é bem melhor.

De acordo com o decreto que disciplina o novo salário, o próximo presidente do Poder Legislativo Municipal receberá R$ 4,8 mil; o primeiro secretário, R$ 4,2 mil; vice-presidente, R$ 3,7 mil; segundo secretário, R$ 3,5 mil.

O salário aprovado pelos vereadores de Brasiléia entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009.

terça-feira, outubro 07, 2008

A bunda, que engraçada

Após ter digitado meu voto em Angelim, depositei meus olhos nesta bunda. Quando vi este tumulto de carne no terminal de ônibus, vieram à minha cabeça... os versos de Carlos Drummond de Andrade.

Retirei-os do livro Amor natural, e a poesia se chama A Bunda, que Engraçada.

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Onde batendo
numa praia infinita
.