segunda-feira, maio 25, 2009

Ventoforte que varre tolos, superficiais

Encontrei este texto na revista virtual Bacantes.

"
Se o mundo fosse bom, o dono morava nele
"
por Juliene Codognotto

Uma visitinha pro Ariano

Música, máscaras, bonecos, gente. Na peça Se o mundo fosse bom o dono morava nele, o Ventoforte pega emprestada uma história de Ariano Suassuna pra brincar de teatro com ela (desnecessário). E brinca mesmo.

Tudo que se vê no palco durante duas horas e meia de peça é uma grande brincadeira usical que tem a cara do grupo e, o mais importante, a cara dos “dias de hoje”. Ao adaptar A pena e a Lei, obra original de Suassuna, Ilo Krugli incluiu - além da música, das máscaras, dos bonecos, e do contato próximo com gente alegre já citados - um prólogo e um epílogo, que aproximam a narrativa nordestina de 1959 de questões que estão hoje em todo lugar.

Há personagens divertidíssimos nas três partes dessa história, e quem reina no universo de Suassuna é Benedito, um negro esperto que se dá bem usando sua inteligência. Não, não é João Grilo, não, é Benedito mesmo.

No entanto, apesar de o rapaz chamar a atenção com sua malandragem (e o intérprete com sua voz e expressão corporal), o Ventoforte está falando mesmo é do dono do “Mamulengo”, o Cheiroso, que administra - por assim dizer - um teatro de bonecos.

Não vou contar aqui as histórias de Suassuna, pois elas são divertidas justamente pelas surpresas que causam com as quebras de repetições - que lembram gags de palhaço. Vou contar uma história de prólogo e epílogo. Um história de visão crítica do mundo por meio da fantasia, que tem início com um cutucãozinho na TV.

Quando a peça começa, está sendo gravada uma minissérie da Rede Globo - O Auto da Compadecida, que também virou filme, lembra? - no fim da rua. Então, Cheiroso explica que na TV não tem ação, eles até gritam “ação!”, mas quando o sujeito age mesmo, mandam cortar.

Daí pra falar da questão financeira é um pulo, afinal, a estrutura e os aparatos técnicos que a Globo tem pra brincar com Suassuna nem se comparam aos do Ventoforte, que já chegou a interromper peça por conta da chuva.

Mas não é preciso detalhar as diferenças, há outros recursos cênicos pra evidenciar isso de forma simples: apagam-se as luzes. “Será que não pagamos a Eletropaulo?”, se pergunta o próprio Ilo Krugli, ainda na batina do padre Antônio, personagem do segundo episódio, mas agora no papel dele mesmo.

E então, sob luzes de emergência, o público é levado para um outro ambiente onde serão aproveitados os refletores que a Globo esqueceu no fim da rua pra suprir a falta de luz do Mamulengo.

No teceiro e último episódio, os personagens de Suassuna fazem o julgamento de Deus (ou de Jesus, ou do Espírito Santo, não tenho muita certeza. Fiz catecismo, mas sempre confundo os três), por sugestão de Benedito, e acabam julgando a vida e a continuidade dela. Eis que entra Ilo Krugli, para um epílogo.

“Essa cena é improvisada mesmo. Pode falar, pode perguntar”, ele diz. Ao fundo, os personagens de Ariano, expostos. À frente, Ilo, prometendo contar-nos o destino deles e revelando que a maior parte migrou pro sudeste e pro sul.

A participação de Ilo é tema à parte, já que, como disse o Fabrício, ele é a própria quebra da quarta parede. Está lá, presente, vivo, ao mesmo tempo que parece um bonequinho de corda. Aquele é o espaço do jogo, da diversão e não há textos ou “escrituras” que o impeçam de improvisar e confundir, de revirar as cenas e fazer com que os próprios atores parem para rir dele.

Há que se dizer que o jogo cênico fica meio embaralhado e as cenas parecem, muitas vezes, uma grande bagunça impossível de entender. Fora da lógica, fora da “arrumação” com que estamos acostumados. Mas tudo isso faz parte da brincadeira e, sobretudo, de uma postura profissional de não se levar a sério. Já na história, a vida continua, o Mamulengo continua, os bonecos se reproduzem… pra quê? Bem, aí já é sério e abstrato demais pra explicar.

sábado, maio 23, 2009

Para o INFELIZ do revisorzinho

Pegue teu olhos, blogueiro(a), e leia, se for capaz, este parágrafo, ele abre uma entrevista em um jornal de Rio Branco. Veja o tamanho deste parágrafo, algo imenso. Texto jornalístico deve apresentar estruturas sintáticas curtas em certos casos, por exemplo, neste.

Pensei que eu corrigisse texto. Em verdade, eu faço milagre para o leitor entender o que outros não escrevem.

"O presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Arquelau de Castro Melo, decretou uma guerra sem trégua durante a sua gestão contra a compra de votos, demoranos julgamentos dos processos relativos ás denúncias de abuso do poder econômico, de uso da máquina estatal e municipal, supostamente ocorridos na última eleição, como forma de dar uma resposta rápida á sociedade sobre cada um desses casos. Na entrevista á TRIBUNA, Arquelau Melo fala sobre a Reforma Política, as listas montadas pelos candidatos, que funcionam como um cadastro da corrupção, as campanhas sobre o voto consciente, e acerca das doações ilegais na campanha, que envolve setenta e quatro políticos, que a medida que a apuração avança se descobre que foram usadas pessoas inocentes, pobres, como “laranjas”, para mascarar essas doações, que atingiram a um nível de um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos."

sexta-feira, maio 22, 2009

De Oswald de Andrade (1890-1954)













Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
.

quinta-feira, maio 21, 2009

Um gesto voluntário

O que ganhamos com um gesto voluntário? A Secretaria Estadual de Educação emitirá um documento, reconhecendo o compromisso de seu funcionário público com a educação? Deus dará a mim a sorte de acertar na megassena?

No sábado, dia 23 de maio, das 9 horas às 11 horas, na escola Heloísa Mourão Marques, lecionarei Redação para 59 alunos. À tarde, será a vez do professor Luís.

O que ganho com meu gesto voluntário? Se eu tivesse uma sala bem confortável, bem organizada, poderia cobrar R$ 50 por mês, sendo três horas de Redação por semana. Na conta, seriam R$ 2.950. Leio Drummond.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários
.

Lecionar, já disse, é uma forma de me manter vivo, e isso não tem preço, só tem paixão, amor, vontade voraz de ver no futuro próximo meus alunos em um emprego que possibilite a eles pagar contas, viajar, comprar bons DVDs, adquirir livros interessantes, comprar a casa própria, presentear pais, comprar um buquê caro de flores para a namorada ou para a esposa.

Até sábado!

Alunos, uni-vos!












Amados alunos, unidos, iremos à Usina de Arte João Donato para assistir à peça Se o mundo fosse bom, o dono morava nele!, texto de Ariano Suassuna e direção de Llo Krugli. Como só havia um único horário, o espetáculo começará às 21 horas.

O navio partirá da escola às 20 horas. Navegantes, quando aportamos no teatro, o barco logo afundará por causa de um Ventoforte vindo do Norte. Não nadem. Afoguem-se na imaginação.

Graças à política cultural do atual governo, nossos olhos se abrirão para o que não idiotiza a alma humana, para o que não nos emburrece. Neste dia, desligaremos a TV das pegadinhas sem graça de um Faustão para perceber a mais nobre de todas as mentiras - a mentira do teatro.

"A arte é o mais alto poder do falso, ela magnifica 'o mundo enquanto erro', santifica a mentira, faz da vontade de enganar um ideal superior." Quem disse isso aos meus olhos foi Deleuze.

Até lá!

quarta-feira, maio 20, 2009

Sem motorista para ir à Usina de Arte

Alunos da rede pública querem assistir a uma peça do grupo de teatro Ventoforte, mas a Secretaria de Educação está sem motorista para pegar os alunos.

Se fosse Rio Branco contra o Flamengo no Arena da Floresta... bandeirinhas e mais bandeirinhas...

A cultura não está com essa bola toda.

Há uma semana, a escola HMM deseja levar alunos ao teatro, porém, até o momento, a Usina de Arte não confirmou porque a Secretaria de Educação está sem motorista para levar os estudantes.

Vou rezar!

Mulheres no Sinplac

Hoje, conversando com uma representante do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac, ouvi críticas contra a Secretaria Estadual de Educação. Penso que faltam autocríticas a um sindicato administrado por mulheres.

Em seu segundo mandato, a atual direção não percebeu até hoje que o sindicato precisa criar uma imprensa autônoma e criativa dentro do próprio sindicato. Trata-se de um erro estúpido não investir em uma comunicação que pense a educação, que aponte, de forma inteligente e criativa, novos caminhos.

Não se trata de uma imprensa a serviço do aparelho sindical, não, não se trata de um panfleto, mas de uma imprensa bem escrita, com bons conteúdos, com boa diagramação, com ideias que saibam questionar o poder público e que saiba propor novos caminhos à Secretaria de Educação.

Se mulheres estão em sindicatos, qual a diferença em relação aos homens?

domingo, maio 17, 2009

Boa entrevista

















UM DOS PRINCIPAIS HISTORIADORES DO NAZISMO,
O INGLÊS IAN KERSHAW MOSTRA
COMO HITLER CHEGOU AO PODER
E EXPLICA POR QUE O REGIME
NÃO PROSPEROU EM OUTROS PAÍSES

O nazismo não nasceu do psiquismo ou
de uma característica específica da população alemã

MARTHA ZUBERMARTINE FOURKIEN

Apesar da fama que seus trabalhos sobre o nazismo lhe garantiu na comunidade internacional, Ian Kershaw continua apegado a sua Inglaterra natal.

Ele concedeu a entrevista abaixo na Universidade de Sheffield, onde leciona história contemporânea. Kershaw fala de seus estudos sobre o nazismo com confiança tranquila, revelando conhecimento aprofundado de inúmeras publicações sobre o assunto.

Como esse homem sossegado se tornou um dos maiores especialistas no regime hitlerista? Um pouco por acaso, explica. Duas circunstâncias orientaram sua escolha.

Por um lado, seu interesse nas questões políticas desse período e na história social; por outro, as aulas de alemão que cursou no Instituto Goethe de Manchester.

Em 1972 e 1974, duas estadas na Baviera reforçaram seu interesse pela civilização alemã. Trabalhou no prestigioso Instituto de História do Tempo Presente, em Munique, dirigido pelo historiador alemão Martin Broszat.Dessa época nasceria o livro "Popular Opinion and Political Dissent in the Third Reich" [Opinião Popular e Dissenso Político no Terceiro Reich].

Uma coisa levou a outra, e várias questões começaram a despertar a curiosidade do historiador: como explicar o "sucesso" do nazismo? A população alemã era impregnada de um antissemitismo mais profundo que o antijudaísmo tradicional dos países católicos? Por que, entre todas as economias industriais e capitalistas, a Alemanha foi a única a ter produzido uma ditadura fascista tão extrema?

PERGUNTA - Hitler elaborou uma teoria política ou aproveitou circunstâncias favoráveis para instalar sua ditadura? A quem, de fato, cabe a responsabilidade pelo nazismo?
IAN KERSHAW - Hitler foi alguém que tinha opiniões muito fortes e decididas sobre qualquer assunto. Radicalizava tudo e podia igualmente bem se enfurecer rapidamente ou entusiasmar-se de maneira desmedida.Em Viena, ele era solitário e pouco sociável. Na Primeira Guerra, foi considerado um soldado muito corajoso, mas um pouco excêntrico, que se mantinha à margem dos outros.Mas em 1919, em Munique, ele se deu conta de que podia ser ouvido. Ele diz em dois momentos do livro "Minha Luta": "Então tomei consciência de que eu podia falar". Essa visão muito maniqueísta das coisas se tornou um trunfo formidável quando ele começou a falar com as pessoas nas cervejarias de Munique.Foi essa visão de conjunto, taticamente muito flexível, que lhe permitiu, nos anos 1920 e 1930, adaptar-se aos interesses mais diversos -aqueles das diferentes facções nazistas e os da população alemã.Contudo seria restritivo demais dizer que a responsabilidade pelo nazismo recai sobre um único indivíduo. É verdade que Hitler tem mais responsabilidade que qualquer outra pessoa, mas, à medida que a crise da democracia alemã foi se desenvolvendo, ele foi atraindo mais e mais pessoas.Tampouco podemos dizer que o nazismo tenha nascido do psiquismo ou de uma característica específica da população alemã. Nas eleições de 1932 e 1933, 13 milhões de alemães votaram no partido nazista, número que não representava mais do que um terço dos eleitores. Quando as eleições eram livres, Hitler nunca recebeu mais de um terço dos votos, o que significa que dois terços dos alemães não votaram nos nazistas.O que se pode afirmar é que Hitler conseguiu articular certas tendências da cultura política alemã e atrair mais e mais pessoas. Portanto, a responsabilidade pelo regime nazista cabe, ao mesmo tempo, a Hitler, o homem, e a certos setores da sociedade -mas não à sociedade alemã em sua totalidade.

PERGUNTA - Então o sr. não aprova a tese do americano Daniel J. Goldhagen, que defende que o conjunto da população alemã, fundamentalmente antissemita, foi cúmplice do nazismo e do Holocausto?
KERSHAW - É evidente que havia um antissemitismo profundo na Alemanha muito antes da Primeira Guerra. Talvez mais do que na França, mas não mais que em toda a Europa oriental -na Polônia, Romênia, Hungria, Áustria, onde Hitler nasceu, e, sobretudo, Rússia. Nos anos 1920, porém, esse antissemitismo alemão era sobretudo passivo; o antissemitismo violento -e ativo- era obra de uma pequena minoria.É claro que essa minoria despertou entre 1929 e 1932, e os eleitores que votaram no Partido Nacional Socialista alemão (ou seja, os nazistas) sabiam que estavam votando num partido que odiava os judeus. Mas os estudos que foram feitos sobre o voto nazista nesse período mostram que o antissemitismo não foi a motivação principal desses eleitores.

PERGUNTA - Foi Hitler quem decretou a "solução final"?
KERSHAW - Considerar que Hitler tenha decretado a solução final equivaleria a dizer que essa ditadura funcionava segundo as leis ditadas por ele. Acontece que o que constatamos ao estudar o período dos anos 1930 é, antes, uma forma pragmática de governar.A radicalização do nazismo se deu por etapas até 1941-42, quando a Alemanha já estava em plena guerra contra a União Soviética, visando a erradicar o "bolchevismo judaico". Para os nazistas, judeus e bolcheviques eram a mesma coisa. Desde o primeiro dia da operação Barbarossa (a invasão da União Soviética pelas tropas alemãs), não houve nenhuma ordem explícita de Hitler.É preciso destacar o papel das SS como a organização mais poderosa e mais radical do Estado nazista. Foram elas que, nessa fase, colocaram em prática a divisa de Hitler sobre ser preciso livrar a Alemanha dos judeus.No verão de 1941, na União Soviética invadida pelas tropas alemãs, esse movimento se radicalizou. Os judeus começaram a ser fuzilados às dezenas de milhares. Em setembro, 33 mil judeus foram mortos em dois dias!O que seria feito, então, com os outros judeus da Europa? O extermínio já tinha começado na União Soviética; os chefes nazistas pressionavam Hitler para deportar os judeus austríacos e alemães para o leste, e Hitler deu sinal verde. Em seguida, o mesmo passou a ser feito com os judeus da Europa ocidental (incluindo a França).Os massacres foram o resultado de um processo que se desenrolou por etapas. Hitler tinha uma visão geral das coisas, mas deixava os outros agirem em seu lugar.Não pode haver dúvida quanto a sua responsabilidade nem quanto ao fato de ele ter sido um antissemita fanático. Mas foi o sistema nazista, com sua radicalização progressiva, que levaria ao genocídio dos judeus.

PERGUNTA - Em que Hitler, como o sr. diz em seus trabalhos, foi um líder carismático
KERSHAW - É preciso entender a palavra "carismático" em seu sentido técnico, e não no sentido usual que assumiu hoje, quando falamos do carisma de um astro da música pop ou até mesmo de John F. Kennedy.Para o sociólogo Max Weber, o carisma significa que uma comunidade se investe em uma pessoa e atribui a ela certo número de qualidades heroicas. O que retiro de Weber é que o indivíduo não necessariamente possui essas qualidades que os outros enxergam nele. No caso de Hitler, por que esse homem que descrevemos como estando à margem da sociedade, ao mesmo tempo excêntrico e tão voluntarista, começa a ser ouvido por certas pessoas?Porque ele responde às aspirações delas.Na sociedade alemã dos anos 1920, as pessoas que nunca tinham ouvido falar em Hitler consideravam que o regime era corrompido pelos políticos, que a Alemanha estava afundando e que ela precisava de um grande líder como Bismarck ou Frederico, o Grande -alguém que pudesse salvar o país dessa terrível crise política e econômica e que permitisse um renascimento nacional.Foi assim que as pessoas começaram a acreditar em Hitler.Para um megalomaníaco como ele, que naquele momento já conquistara muita autoconfiança, o caminho estava traçado: o grande personagem que salvaria a Alemanha era ele.Ele ocupava o ápice de um sistema, tendo por missão alcançar certos objetivos.Mas, por trás disso, era submetido a pressões de diferentes facções -entre as quais é preciso destacar o papel poderoso do Exército, que até 1938 teve exatamente os mesmos objetivos de expansão militar que Hitler, embora a maioria dos oficiais não fosse nazista.Durante muito tempo, os objetivos dos nazistas mais ou menos coincidiram com os de grande número de nacionalistas alemães que faziam parte das elites tradicionais do país. Podemos afirmar que as Forças Armadas, os grandes empresários, os grandes proprietários de terras e os altos funcionários apoiaram Hitler durante muito tempo, até que foi tarde demais e se viram presos numa armadilha, dentro do culto a esse líder carismático.

PERGUNTA - Um modelo como esse poderia funcionar em outro país?
KERSHAW - É preciso levar em conta que uma das causas muito importantes para a ascensão do nazismo foi a crise profunda que atingiu a Alemanha nos anos 1930.A particularidade dessa crise é que ela foi multiforme: crise do sistema político e governamental, crise econômica, social e ideológica, tudo isso associado a um sentimento de humilhação nacional devido à derrota na Primeira Guerra.A Alemanha era um país em que a democracia tinha raízes frágeis, e o sistema político instalado após a guerra (a República de Weimar) nunca chegou a ser verdadeiramente aceito, nem por grande parte da população, nem pelas elites.Quando chegou a depressão mundial, em 1929, todo o sistema que passou a ser questionado, e não apenas certos setores. Na Grã-Bretanha, por exemplo, de 1929 a 1931, houve uma crise econômica e política, mas não uma crise de Estado. Com a exceção de uma pequena minoria muito radical, ninguém cogitava em questionar o rei ou o Parlamento. O sistema era suficientemente estável para fazer frente a uma crise.Na França, os governos da Terceira República (1870-1940) foram muito frágeis. Mas a França estava no campo dos vencedores (de 1914-18) e não passava por uma crise de amplitude igual à dos países em que o fascismo se instalou.Na Alemanha, a necessidade de uma regeneração nacional era uma mensagem muito forte da qual Hitler era o portador.Alguns imaginaram que ele não permaneceria no poder por muito tempo, mas, sob o Terceiro Reich, a economia começou a crescer novamente, o Exército foi reconstituído, a Alemanha recuperou territórios que havia perdido.Os ingleses e os franceses se mostraram muito fracos diante de Hitler, que foi se fortalecendo mais e mais. Diante disso, os alemães que hesitavam ou que não gostavam de Hitler se uniram à sua volta. E a dinâmica carismática funcionava cada vez melhor.Quando a guerra chegou, já era tarde para recuar -a ditadura já estava bem instalada por um processo progressivo de radicalização. O mito só desabou com a derrota, quando o sistema se audodestruiu depois de ter exterminado mais de 5 milhões de judeus.

A íntegra desta entrevista saiu na revista francesa "Sciences Humaines". Tradução de Clara Allain.

sábado, maio 16, 2009

Quem é o Diabo?
















Pastor tenta matar macumbeira a pauladas

Alegando que lutava contra Satanás, o pastor João Francisco Ferreira da Silva (51) tentou matar, na noite de sexta-feira, sua vizinha, a macumbeira Maria José Valdivino de Oliveira (42).

O evangélico fugiu antes da chegada de policiais militares e responderá pelo crime na 3ª Regional (Sobral). A vítima, medicada no pronto-socorro, recebeu alta e se recupera em casa.

João Francisco e Maria José Valdivino são vizinhos há pouco mais de dois meses, período em que se desentenderam muitas vezes por causa do evangélico que não aceita que Maria José mantenha um terreiro de macumba em sua residência.

Por volta das 20 horas de sexta-feira, dia 16, Maria se preparava para iniciar os trabalhosde terreiro quando o pastor pediu para que ela acabasse com o que ele considera um culto a Satanás. Discutiram outra vez.

Em dado momento, João Francisco bateu na mulher com uma ripa. Ele só não a espancou mais porque adeptos seguraram o pastor. Lesionada nas costas, nos braços e no rosto, Maria José foi amparada por amigos e levada para o pronto-socorro. Frequentadores do terreiro prometeram surrar o evangélico caso ele voltasse ao local possuído pelo Diabo.

sexta-feira, maio 15, 2009

Suicídio

Foto de Debora Mangrich











Em Rio Branco, na passarela Joaquim Macedo, o jovem José Gonçalves Neto, de Manaus, pulou para morrer no rio Acre. Desempregado, doente, sem dinheiro e longe de uma família indiferente a ele, José recebeu da plateia que assistia a seu drama o riso, o deboche. "Seu corno, pula, pula, porque corno tem que morrer."

Salvo pelos bombeiros, José teve depois um ataque de epilepsia. "Isso é cena", disse um popular da plateia.

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
------------------------------------
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação
.
________________
"Os ombros suportam o mundo", de Drummond

Fui!



Alberto Nogueira,
repórter-fotográfico

da TRIBUNA

Quando eu soube que a vida não daria uma chance sequer a Alberto, o silêncio de uma breve lembrança encostou-se em mim. Outro amigo agora é passado.

Por causa do câncer, causado pelo cigarro, ele sofreu muito antes de ir embora para sempre. A dor dessa maldita doença o fez sofrer muito. Somos tão frágeis.

quarta-feira, maio 13, 2009

Ronda Gramatical












Deixaram esta foto para nós. Esse gramaticídio foi cometido em Rio Branco.

O assassino não foi preso. À margem da ortografia, o bandido ainda permanece vivo.

A Assembleia Legislativa do Acre e uma escola

Segundo o sítio Transparência Brasil, a Assembleia Legislaltiva do Acre não é uma instituição que expõe os seus reais gastos públicos. Não sabemos quanto o contribuinte paga para manter o cafezinho. Não sabemos quanto vale um deputado acriano. Não sabemos...

Parece que a escola estadual Heloísa Mourão Marques não seguirá o exemplo público da assembleia. Hoje, surgiu o sítio dessa escola: www.heloisamm-ac.webnode.com e, segundo a gestora, professora Osmarina, na página virtual, receita e despesas serão publicadas. Dinheiro público exposto ao público.

Acho que votarei na Osmarina para ser presidente da Assembleia Legislativa do Acre.

terça-feira, maio 12, 2009

Uma breve poesia

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.














Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Drummond________________________

Uma matéria e um breve comentário

Conselho Universitário decide que Ufac
realizará vestibular mas a discussão não acabou

Matéria de Freud Antunes

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Acre (Ufac) decidiu na tarde de ontem que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não substituirá os vestibulares deste ano. O posicionamento não extinguiu a discussão que será retomada em uma próxima reunião.

Segundo a assessoria de imprensa da instituição, uma comissão será formada para debater a substituição do processo seletivo, o que deverá ter a participação da sociedade.

Mesmo com incertezas para o futuro, neste ano, a Ufac lançará um vestibular em julho e outro no final do ano para selecionar novos alunos para 2010.

A assessoria de imprensa informou que a única alteração será na forma de seleção dos estudantes para as mais de cem vagas remanescentes, que serão completadas por meio do Enem.

Fontes ligadas ao Conselho Universitário informaram que a decisão final poderá mudar a forma de seleção apenas em 2011, porque a reitoria não conseguirá organizar em tempo hábil uma comissão e os debates antes do vencimento do prazo de adesão estipulado pelo Ministério da Educação (MEC) que termina no dia 30.

Mesmo com a organização de uma análise mais aprofundada, muitos professores se mostram contra o Enem, porque a seleção de alunos poderá privilegiar os candidatos de outros Estados, tomando as vagas dos acrianos.

No Enem de 2008, os estudantes das Regiões Sul e Sudeste conseguiram os melhores resultados do Brasil.
________________________

Comentário: privilegiar candidatos de outros Estados!? Professores que se mostram contra o Enem precisam, primeiro, perder o medo da concorrência e, para tanto, a Ufac deverá manter outra relação com o ensino público, por exemplo, o estágio na rede pública.

Se transformações não ocorrerem na Ufac, o senhor Tempo dirá.

(E)nem Ufac

Como sabemos, o Ministério da Educação prorrogou para o dia 20 de maio a decisão das federais optarem pelo novo vestibular. Segundo me informaram, a Universidade Federal do Acre (Ufac) não ficará com o Ministério da Educação. A federal acriana manterá seu modelo de vestibular.

Mas qual o modelo da Ufac?

Nos últimos anos, o modelo da Ufac tem sido copiar prova de vestibular na internete. Ainda: passa uma lista com dez livros; uma questão dessa lista, porém, não cai na prova. Evidente que alguns professores universitários, quando "elaboram" provas, comprometem a instituição. Alguns. O que aconteceu com eles?

No campo da literatura, provas ainda exalam o cheiro espesso de mofo do historicismo literário. Uma professora-doutora que sempre resguardou esse historicismo foi Laélia Alcântara, aposentada hoje.

Em Letras, na condição de intelectual que formou professores, ela colocou na rede pública de ensino profissionais que reproduzem até hoje a linha reta Quinhetismo-Barroco-Arcadismo-Romantismo-Parnasianismo-Pré-Modernismo-Modernismo.

Para o novo vestibular, essa história da literatura - e não a Literatura - não tem sentido. Há um bom tempo, estuda-se em sala o texto literário.

Penso que a atual reitora, professora-doutora de Literatura Olinda Batista Assmar, terá a missão de promover uma outra literatura no vestibular e, por tabela, outra literatura na rede pública de ensino.

Entretanto, caso a Ufac não opte pelo novo vestibular, a Universidade, mesmo assim, será forçada a repensar sua relação com o ensino público e com a formação de professores no curso de letras, por exemplo.

Se não houver essa transformação, alunos da rede pública não conseguirão concorrer por meio do novo vestibular com alunos de outros estados. Se não houver transformação, nosso ensino público permanecrá isolado do Brasil.

Como diz o velho e bom Cazuza, "o tempo não para". Alguns ficaram parados. Alguns perderam o mouse da história.

segunda-feira, maio 11, 2009

Foto Grafia & Luz Escrita

Na fotografia, encontro eternizada a memória daquilo que já não é mais, daquilo que já passou, porque já morreu ou, de alguma forma, deixou de existir. Com a fotografia, posso brincar e fazer de conta que alguma coisa ainda existe.

Posso me alegrar simplesmente pela lembrança, pela recordação, com toda a nostalgia de que uma simples imagem pode me proporcionar. Lembrar-me de coisas que me trazem alegria, de coisas que me trazem saudade, de coisas que me fazem rir ou chorar.

São amores antigos e perdidos (ou não), são pessoas preciosas que passaram por minha vida, lugares que conheci, brinquedos que tive, delícias que comi. Tantas são as coisas que podem ser registradas em uma fotografia.

A fotografia luta contra o esquecimento, contra o vazio.

A fotografia me enche os olhos e aquece o coração.

Em outros momentos, a fotografia é uma mentira. Sem ofensas, mas, quando vejo um retrato e fecho os olhos logo em seguida para ter a sensação de que o passado ainda é presente, isso é uma mentira. Uma mentirinha gostosa, porém completamente perdoável. Mexe com a minha mente e com meus sentimentos. Me faz sonhar acordada.

E essa fotografia mentirosa pode também me fazer viajar por lugares que eu nunca conheci, ela me traz notícias dos que estão longe, meus amores, minha família. Amo essa mentira em todas as suas formas e expressões.

Confesso que particularmente tenho uma queda pela fotografia em papel, tem um certo charme que uma tela de computador passa longe ter. Posso sentir com minhas mãos, abraçar junto ao meu peito, guardar dentro de um livro, colocá-la em um porta-retrato na estante.
___________________________
Texto de Debora Mangrich, fotógrafa do jornal A TRIBUNA

Do Rio Grande do Sul

Da professora e amiga Ivone Bengochea
"Não conheço a luta das mulheres acreanas, mas como toda a luta das minorias deve ser respeitada. Lar, cozinha, cuidar das crianças, lavar a louça, cortar cebolas nâo é uma tarefa exclusivamente feminina, pertence a homens e mulheres. Ser mâe biológica é uma opção de vida, nunca uma imposição social, ninguém é melhor ou pior por ter gerado filhos. Toda sociedade tem responsabilidade com as novas gerações. A luta feminista é favor da liberdade dos seres humanos, no capítulo das mulheres, ainda precisamos de mais delegacias, de extrair o machismo que mata. Mulheres sâo covardemente mortas, massacradas humilhadas. O dia das maes, dos pais, das criançãs, são datas comerciais para se vender. Só que dignidade se conquista,não está nas lojas. Bem viva as mães, os pais e todos neste domingo, na minha casa os homens lavam louça, cortam cebolas melhor do que eu, preciso deixar o registro. Acho muita severidade com as mulheres acreanas."

As mulheres no sindicato

Uma resposta a uma amiga virtual do Rio Grande do Sul.












Na foto, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, Sinplac, deu como brinde uma caneta e um erro de português.

Ivone, por meio de sua postagem, percebi que teus olhos se reviraram com o meu curto texto sobre as feministas acrianas. Você saiu em defesa da luta feminista. Minha amiga, o atual modelo de feminismo encontra-se em refluxo há alguns anos. Revistas, jornais e teses problematizam o que ocorreu no século 20, na década de 1960.

Em 1987, só para dar um exemplo, Micchèle Fitoussi, de 32 anos, publicou o pequeno livro O basta das supermulheres, suas páginas foram um tapa nas feministas de 1970. Em seu livro, ela defende a ideia de que as mulheres foram tapeadas quando lutaram por igualdade.

Edgar Morin, em Cultura de Massa no Século XX - volume 2 -, tece crítica ao feminismo quando seu texto afirma "o feminismo tradicional não cessou de reivindicar a plenitude dos direitos masculinos, como se o masculino significasse plenitude da humanidade".

Poderia citar outros exemplos, mas me reduzo a esses. Citados, reafirmo que o feminismo acriano representa um equívoco grosseiro quando balbucia sobre a violência contra a mulher, sobre a luta da mulher no sindicato.

Serei específico. Após as limitações mentais do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac, algumas mulheres criaram o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac, repito, um sindicato criado por mulheres. Pergunto, Ivone: onde está o gênero feminino em um sindicato organizado por mulheres? Outra pergunta. Na escola pública, há muitas mulheres. No entanto, onde está o gênero feminino?

Resposta: não há.

No sindicato, prevalece o gênero masculino. Quero dizer com isso que não adianta a mulher ocupar o Congresso se a organização dessa instituição representa o gênero masculino. Ivone, o homem pode estar na cozinha - e deve - , essa não é a questão; a questão é a cozinha permanecer com sua representação simbólico-feminina.

As sindicalistas são homens com voz fina, com saia; elas reproduzem de forma inconsciente os arquétipos masculinos. Em A República, Platão admite que as mulheres ocupem a pólis conforme, repito, conforme as representações do masculino.

O discurso feminino contra a violência masculina, centralizado em formas jurídicas, não pertence ao gênero feminino. Existe algo mais falocrático do que o Poder Judiciário?

Mosca no supermercado













Sei que meu blogue não é muito visitado e, por causa disso, muitos não saberão que havia uma mosca - não tirei a foto da outra mosquinha - na carne do supermercado Araújo. Os donos bem que poderiam colocar um aparelho no açougue que mata as moscas com descarga elétrica.

Não comprei a carne.

domingo, maio 10, 2009

As feministas acrianas não são mães














Na história, mulheres conceberam à luz vários feminismos; um, porém, foi castrado pelas feministas acrianas, ei-lo: feminismo maternalista (1890-1930). No Acre, elas, todo ano, em 8 de março, reproduzem o discurso do trabalho, da economia.

No Dias das Mães, elas se ocultam, não aparecem em jornais, como se lar, família e maternidade não pertencessem à luta feminista. Para elas, o dia das mulheres é 8 de março. Burro engano. O dia das mulheres é o Dia das Mães.

Em 1905, Käthe Schirmacher afirmou que o verdadeiro trabalho é o trabalho do lar. "Não existe trabalho mais produtivo do que o da mãe, que, sozinha, cria o valor dos valores, que se chama um ser humano."

Em História das Mulheres - o século XX -, na página 440, Gisela Bock afirma que "Schirmacher protestou contra esta 'exploração da dona de casa e da mãe', argumentando que as mulheres, em nome de sua emancipação, não deveriam ter ainda de suportar a exploração acrescida de um emprego mal pago, mas que a sociedade lhes devia o reconhecimento social, político e econômico do seu trabalho doméstico".

Em 1892, a primeira conferência de mulheres a autodenminar-se "feminista" sublinhou a necessidade da proteção social para todas as mães.

Como Käthe Schirmacher, outras mulheres defenderam esse feminismo, por exemplo, Marguerite Durand, Nelly Roussel, Katti Anker Moller, Ellen Key. Sobre família, lar, as feministas acrianas calam-se e, no lugar dessas palavras, dizem que delegacia, polícia e lei ajudam a diminuir a violência contra a mulher.

No Dia das Mães, seu eu pudesse, daria às feministas acrianas o livro Rumo equivocado - o feminismo e alguns destinos -, da feminista Elisabeth Badinter.

sábado, maio 09, 2009

Ronda Gramatical

Por Thaís Nicoleti

"O celibato tem que ser olhado não só sobre o ponto de vista humano mas também como formação espiritual. "Não seria descabido lembrar que a expressão "ponto de vista" tem origem nas artes plásticas. O ponto de vista é aquele escolhido por um pintor ou por um desenhista para melhor observar um objeto ou para colocá-lo em perspectiva.

Esse sentido ganhou extensão figurativa e passamos a empregar a expressão como a maneira de considerar ou de entender um assunto. Isso, entretanto, não quer dizer que qualquer preposição possa ser empregada para indicar o ponto do qual se observa ou considera uma questão.

No fragmento acima, o redator usou "sobre o ponto de vista", que, rigorosamente, quer dizer "em cima do ponto de vista". Talvez sua intenção fosse empregar a preposição "sob", de sentido inverso, que comumente aparece ao lado da expressão. Ocorre, porém, que não estamos nem em cima nem embaixo do ponto de vista. Assumimos um ponto de vista e dele observamos a paisagem ou a questão em debate.Assim, o ideal é empregar a preposição "de" com a expressão ponto de vista. Veja abaixo.

O celibato tem de ser olhado não só do ponto de vista humano mas também como formação espiritual.

Paulo Ramos
Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL
E-mail: peramos@uol.com.br

Nota Anote Anotou Anotação

A pavimentação do trecho amazonense na BR-317, que será feita pela empresa Colorado, de Orleir Cameli, receberá cerca de R$ 700 mil por quilômetro asfaltado. A mesma empresa de Orleir, que atua na BR-364, recebe cerca de R$ 2,2 milhões por quilômetro pavimentado.

Interessante ainda é que na mesma BR-364, outra empresa, desta vez a Construmil, recebe uma soma diferenciada das demais. Ela é regiamente com quase R$ 3 milhões por quilômetro pavimentada. Cada trecho, claro, tem suas peculiaridades, mas a diferença é muito grande.

quinta-feira, maio 07, 2009

Demanda reprimida

A cidade vai ser palco hoje de novas manifestações populares. Haverá um ato de protesto do Sindecaf, sindicato integrado por servidores do Deracre, Imac, Seater e Funbesa, reivindicando melhores salários. Também vão protestar os enfermeiros, que devem desfilar pelas ruas trajando negro. Nas duas manifestações, o alvo é o mesmo: o governo estadual.

quarta-feira, maio 06, 2009

O novo ensino médio

MEC quer trocar matérias por áreas temáticas

A intenção é eliminar a atual divisão do conteúdo em 12 disciplinas no ensino médio e criar quatro grupos mais amplos Proposta será discutida hoje pelo Conselho Nacional de Educação; União planeja incentivos financeiros para obter adesão dos Estados.

FÁBIO TAKAHASHIDA
REPORTAGEM LOCAL

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio, o antigo colegial. A proposta do governo é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grupos mais amplos (línguas; matemática; humanas; e exatas e biológicas).

Na visão do MEC, hoje o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola e a qualidade do ensino.A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados (responsáveis pela etapa), pois a União não pode impor o sistema. O Conselho Nacional de Educação aprecia a proposta hoje e amanhã e deve aprová-la em junho (rito obrigatório).

O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas.

Liberdade
Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar seus currículos, desde que sigam as diretrizes federais e uma base comum. Poderão decidir a forma de distribuição dos conteúdos das disciplinas nos grupos e também o foco do programa (trabalho, ciência, tecnologia ou cultura).


Assim, espera-se que o ensino seja mais ajustado às necessidades dos estudantes.O antigo colegial é considerado pelo governo como a etapa mais problemática do sistema educacional. Resultados do Enem mostram que 60% dos alunos do país estudam em escolas abaixo da média nacional.

O governo Lula pretende que já no ano que vem, último ano da gestão, algumas redes adotem o programa, de forma experimental. No médio prazo, espera que esteja no país todo."A ideia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, com 12 disciplinas, em que os meninos dominam pouco a leitura, o entorno, a vida prática", disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar.

Está previsto também o aumento da carga horária (de 2.400 horas para 3.000 horas, acréscimo de 25%)."A mudança é positiva. Hoje, as disciplinas não conversam entre si", afirmou Mozart Neves, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente-executivo do movimento Todos pela Educação."A análise de uma folha de árvore, por exemplo, pode envolver conhecimentos de biologia, química e física. O aluno pode ver sentido no que está aprendendo", disse Neves.

A implementação, no entanto, será complexa, diz o educador. "Precisa reorganizar espaços das escolas e, o que é mais difícil, mudar a cabeça do professor. Eles foram preparados para ensinar em disciplinas. Vai exigir muito treinamento."O MEC afirma que neste momento trabalha apenas o desenho conceitual. Não há definição de detalhes da implementação ou dos custos.O relator do processo no conselho, Francisco Cordão, disse que dará parecer favorável. "Talvez seja preciso alguns ajustes. Mas é uma boa ideia. Hoje o aluno não vê motivo para fazer o ensino médio."

segunda-feira, maio 04, 2009

Estudantes vão à biblioteca para matar












A Biblioteca Estadual, tão charmosa, não foi atingida pela leitura de alunos, mas por balas disparadas por alguns estudantes. Bem mais que um fato em si, trata-se de um acontecimento simbólico.

PM prende três adolescentes que dispararam contra estudantes
Matéria de FREUD ANTUNES
Foto de DEBORA MANGRICH

A PM prendeu três estudantes do Colégio Estadual Barão do Rio Branco (Cerb) acusados de atirar contra dois adolescentes da mesma escola no final da tarde de ontem, no Centro de Rio Branco.

De acordo com testemunhas, P.S.D.M. (17 anos), E.R.S. (16 anos) e T.C.L. (16 anos) abordaram as vítimas, apontando um revólver, calibre 22, e uma peixeira, assustando os dois rapazes que procuraram refúgio na Biblioteca Pública.

Com a fuga, P.S.D.M. apontou a arma e disparou duas vezes na porta principal do prédio, atingindo de raspão um dos adolescentes.

O barulho chamou a atenção de policiais militares que começaram a perseguir o jovem, sendo detido na frente da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

Durante o tumultuo e o socorro às vítimas, o vigia identificou E.R.S. e T.C.L., que tentavam se misturar à multidão de curiosos, mas acabaram flagrados como coautores do crime e presos. Quando revistados, os agentes descobriram que eles portavam uma peixeira em uma mochila.

As vítimas foram encaminhadas para o pronto-socorro; e os acusados, para a Delegacia de Proteção ao Menor.

No local, uma testemunha confirmou uma desavença entre os jovens que brigaram na quinta-feira.

Justiça

Familiares de vítima de trânsito pedem justiça
De GILBERTO LOBO

Familiares e amigo de Carlos Augusto de Vasconcelos, de 43 anos, protestaram, na manhã de ontem, em frente ao prédio dos juizados especiais cíveis, pedindo justiça. Carlinhos, como era conhecido, foi vítima de acidente de trânsito no início de fevereiro deste ano. Sua moto colidiu com um carro, conduzido pela defensora pública Wânia Lindsay. Ontem, foi a audiência de conciliação.

De acordo com a mãe de Carlinhos, Eliuda Araújo, a defensora não fugiu do local do acidente, mas nenhum boletim de ocorrência foi registrado. Isso levantou a suspeita de que Wânia teria sido favorecida por ser defensora pública.

O Ministério Público Estadual (MPE) está investigando o caso. O acidente aconteceu por volta das 21horas de 3 de abril de 2009, na avenida Nações Unidas, sentido Centro-bairro. Carlinhos ainda foi socorrido por uma equipe de paramédicos do Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no pronto-socorro de Rio Branco. A defensora pública não foi encontrada para falar sobre o assunto.

domingo, maio 03, 2009

O carteiro e o poeta, e os meus alunos













Na Biblioteca Estadual do Acre, em Rio Branco, meus alunos assistiram ao filme O carteiro e o poeta, que começou às 10 horas, no primeiro sábado de maio.

Depois que valores do eu-lírico foram colocados em sala de aula, um filme para eles perceberem a palavra encarnada em personagens. Não gosto que assistam a filmes em sala de aula, porque a percepção não é a mesma e, com efeito, o filme não é o mesmo.

Depois da reforma, a Biblioteca Estadual ficou ótima, um espaço de cinema em uma capital onde não há a cultura do cinema. Em Rio Branco, só há o espaço Cine João Paulo.

O governo do PT possibilitou um belíssimo espaço para os estudantes. Confortável, bonito e organizado, o espaço da Biblioteca Estadual é o melhor.

quinta-feira, abril 30, 2009

Os primeiros de maio serão os últimos

De Aldo Nascimento

Meu alimento sobre esta mesa
confessa
que não é meu trabalho
em si
que me alimenta.











Ouço vozes: são caroços de feijão.

Bem negros e pobres,
eles dizem que não é o meu trabalho
em si
que me alimenta:

dependo de mulheres
de crianças
de homens
que estão à mesa neste lar.












De outra forma,
estão no prato:

MARIAS
SILVAS
SEVERINOS
JOSÉS
DOLORES
CHICOS











Semea(dores) de terra,
boias-frias
em meu prato quente de comida.

Tantos cabem neste espaço fundo de louça
que meu garfo
orgulhoso
suspende a nação

e sente o peso de mãos para o terçado
de dedos para a marmita
de corpos para o latifúndio
de choros ressecados em rostos rachados de exploração imensa
de filhos não deitados em nenhum berço esplêndido.

Esta (re) feição
denuncia a história
(sem) feição
de uma gente.

Agora compreendo:
não é meu trabalho
em si
que me alimenta:

são estes resíduos de Nação
entre meus dentes.

TCU apura sobrepreço em anel viário de Rio Branco

Da Assessoria de Comunicação do TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a instauração de quatro tomadas de contas especiais após detectar orçamentos supervalorizados na obra do anel viário em Rio Branco (AC).

O projeto prevê construção, duplicação e restauração do Rodoanel na BR-364, em torno da capital acreana. A apuração do Tribunal refere-se a quatro contratos para obras em um trecho de 15,90 km que deviam ter sido corrigidos por determinações anteriores do TCU. O Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) concluiu a obra, mas não fez as correções dos valores e pagou os serviços contratados com preço supervalorizado.

A construção do trecho com sobrepreço foi dividido em quatro lotes. No primeiro, sob responsabilidade da empresa Marts Transportes e Serviços Ltda., o dano apontado é de R$ 207.334,85. No segundo, executado pela Empresa de Engenharia em Eletricidade e Comércio Ltda. (Etenge), o dano é de R$ 1.048.122,13. O terceiro lote ficou com as empresas Serviços de Engenharia e Construções Ltda. (SEC) e Cidade Construtora Ltda. e o valor do dano é de R$ 670.690,56. No último lote, o sobrepreço pago à empresa Slump Engenharia Ltda. pela execução da obra foi de R$ 1.569.070,78.

As empresas beneficiadas com pagamentos indevidos e os responsáveis pela licitação, pelo contrato e pelos pagamentos deverão ser informados da decisão para apresentar esclarecimentos ou ressarcir o dano.

O TCU fará nova fiscalização para verificar a correção e a qualidade final do empreendimento, incluindo pavimentação, equipamentos de drenagem de água da chuva, sinalização das pistas e cumprimento de exigências ambientais.

Cabe recurso da decisão. O relator do processo foi o ministro Augusto Sherman Cavalcanti.

quarta-feira, abril 29, 2009

Enem, Calixto e Heloísa

Homens públicos enaltecem tanto a ensino público, mas, quando o assunto é resultado, eles pagam para ver as boas notas das escolas particulares no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No Brasil e no Acre, mais uma vez, escolas pagas significam o topo, isto é, as melhores. Agora, leitor, responda-me: por que vereadores, deputados, senadores e governadores colocam seus filhos no ensino pago?

No Brasil, a melhor escola, batizada com o nome São Bento, no Rio de Janeiro, foi abençoada com a nota 80.58. A melhor pública estadual colocada é o Instituto de Aplicação Fernando da Silveira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com 75.11, na 19ª posição.

No Acre, o Lato Sensu levou o bicampeonato, com 61.27, mas, na classificação nacional, sua posição é a 1.772ª. Antes privada, o agora estadual Instituto São José ficou por cima, com 52.0. Na colocação nacional, seu número é 5.437. A escola Prof. José Rodrigues Leite, que sempre ficou em primeiro lugar entre as escolas públicas acrianas, caiu para segundo, com 50.81, estando na 6.386ª posição da classificação nacional.

Quando o novo vestibular bater à porta de nossas escolas não pagas, homens públicos não medirão esforços para pagar o ensino de seus filhos, porque o processo da qualidade de ensino na escola pública não é proporcional ao acúmulo de suas riquezas.

Ainda que eu tece neste espaço virtual críticas à política educacional da Frente Popular – leia-se PT e PC do B -, o atual trabalho deve continuar para que possamos alçar novas possibilidades. Critico e, por outro lado, reconheço avanços e limites.

Coordenador do ensino médio

Em uma semana de abril, estive na Secretaria Estadual de Educação para retirar uma dúvida com uma funcionária, mas, sem querer, o coordenador do ensino médio, professor Josenir Calixto, encontrou-se comigo. "Poxa, você me queimou em seu blogue", reclamou.

Josenir, você sabe que eu o critico - não queremos alunos críticos? - por você ser uma pessoa séria. Dos que não são, eu só rio. Você sabe que minhas críticas são leais porque sei que podemos melhorar mais. A crítica é uma forma de exigir mais, sabendo que a minha é propositiva.

Não fique chateado. Reconheço a sua inalienável virtude de querer o bem para a educação acriana, você é um cara da esquerda que luta muito por isso e trouxe transformações significativas para a rede pública. A questão só é esta: quero mais, mais sempre.

Crítica propositiva

Há muito tempo, mais de cinco anos, eu tenho dito - e está no arquivo deste blogue - dos conselhos de disciplina. Você me disse que eles existirão na rede pública depois - é o que acho - de ter pagado a uns consultores. E eu falei sem cobrar.

Heloísa Mourão Marques

Do Enem de 2008, entristeceu-me o resultado da escola Heloísa Mourão Marques, onde leciono há seis anos. Caímos 25 posições. Em 2007, entre as 40 escolas do Estado que se submeteram ao Exame Nacional do Ensino Médio, Heloísa ficou na 15a posição. Em 2008, entre 53 escolas, a escola deixou o ano na 40a posição.

Alguns preferem culpar alunos, eu prefiro assumir a minha culpa. Assumindo-a, digo a mim que preciso trabalhar melhor. Esse resultado me incomodou.

53 Escolas do Acre no Enem

1. RIO BRANCO - LATO SENSU - Particular - 61,27
2. RIO BRANCO - MAX REINO ENCANTADO - Particular - 59,54
3. RIO BRANCO - META - Particular - 58,8
4. RIO BRANCO - ENSINO MEDIO E TÉCNICO PLÁCIDO DE CASTRO - Particular -58,045.
5. CRUZEIRO DO SUL - INST ORFANOLÓGICO SANTA TERESINHA - Particular - 55,28
6. RIO BRANCO -INSTITUTO IMACULADA CONCEIÇAO - Particular - 55,27
7. RIO BRANCO - COLÉGIO ALTERNATIVO - Particular - 53,3
8. RIO BRANCO -INSTITUTO SÃO JOSÉ - Estadual -52
9. RIO BRANCO - PROF. JOSÉ RODRIGUES LEITE -Estadual - 50,81
10. RIO BRANCO - FUNDAÇAO BRADESCO - Particular - 49,93
11. RIO BRANCO - COLEGIO DE APLICAÇAO Federal 49,54
12. CRUZEIRO DO SUL - DOM HENRIQUE RUTH - Estadual - 48,11
13. CRUZEIRO DO SUL - FLODOARDO CABRAL - Estadual - 47,59
14. RIO BRANCO - ARENA DA FLORESTA - Estadual - 47,27
15. RIO BRANCO ESC JORNALISTA ARMANDO NOGUEIRA - Estadual - 46,54
16. RIO BRANCO - ALCIMAR NUNES LEITÃO - Estadual - 46,27
17. RIO BRANCO - LUÍZA CARNEIRO DANTAS - Estadual - 46,27
18. RIO BRANCO - COLEGIO ESTADUAL BARAO DO RIO BRANCO - Estadual - 46,16
19. BUJARI - SÃO JOAO BATISTA - Estadual - 45,92
20. SENADOR GUIOMARD - 15 DE JUNHO - Estadual - 45,82
21. PORTO ACRE - EDMUNDO PINTO DE ALMEIDA NETO - Estadual - 45,69
22. RIO BRANCO - JOSE RIBAMAR BATISTA - Estadual - 45,6
23. PORTO ACRE - JADER SARAIVA MACHADO - Estadual - 45,5
24. BRASILEIA - KAIRALA JOSE KAIRALA - Estadual - 45,31
25. RIO BRANCO - HENRIQUE LIMA - Estadual - 45,2
26. EPITACIOLÂNDIA - JOANA RIBEIRO AMED - Estadual - 45,07
27. RIO BRANCO - LOURIVAL SOMBRA PEREIRA LIMA - Estadual - 44,92
28. SENA MADUREIRA ESC DOM JULIO MATTIOLI - Estadual - 44,83
29. FEIJÓ - JOSE GURGEL RABELO - Estadual - 44,82
30. MÂNCIO LIMA - ANTONIO OLIVEIRA DANTAS - Estadual - 44,64
31. ACRELANDIA - MARCILIO PONTES DOS SANTOS - Estadual - 44,3
32. XAPURI - DIVINA PROVIDENCIA - Estadual - 44,3
33. RIO BRANCO - GLORIA PEREZ - Estadual - 44,15
34. PLÁCIDO DE CASTRO - JOAO RICARDO DE FREITAS - Estadual - 44,11
35. RIO BRANCO - LEONCIO DE CARVALHO - Estadual - 43,52
36. CRUZEIRO DO SUL - MANOEL BRAZ DE MELO - Estadual - 43,08
37. TARAUACA - DR DJALMA DA CUNHA BATISTA - Estadual - 42,9
38. RIO BRANCO - DR JOAO BATISTA AGUIAR - Estadual - 42,73
39. RIO BRANCO - LOURIVAL PINHO - Estadual - 42,71
40. RIO BRANCO - PROF. HELOÍSA MOURAO MARQUES - Estadual - 42,54
41. RIO BRANCO - INSTITUTO DE EDUCAÇAO LOURENÇO FILHO - Estadual - 42,42
42. ASSIS BRASIL - PROF. IRIS CELIA CABANELLAS ZANNINI - Estadual - 42,09
43. CAPIXABA - ARGENTINA PEREIRA FEITOSA - Estadual - 42,03
44. RIO BRANCO - HUMBERTO SOARES DA COSTA - Estadual - 42,02
45. RIO BRANCO - PROF BERTA VIEIRA DE ANDRADE - Estadual - 41,81
46. RIO BRANCO - DR SANTIAGO DANTAS - Estadual - 41,79
47. CRUZEIRO DO SUL - MARCILIO NUNES RIBEIRO II - Estadual - 41,72
48. CRUZEIRO DO SUL - CRAVEIRO COSTA - Estadual - 40,63
49. PORTO WALTER - BORGES DE AQUINO - Estadual - 40,46
50. MANOEL URBANO - NAZIRA ANUTE DE LIMA - Estadual - 40,38
51. ACRELÂNDIA - SANTA LÚCIA III - Estadual - 39,85
52. PLÁCIDO DE CASTRO - SÃO LUIZ GONZAGA - Estadual - 39,52
53. JORDÃO - JAIRO DE FIGUEIREDO MELO - Estadual - 39,02

terça-feira, abril 28, 2009

Para eles, meus alunos

Desde 1990, realizo a comunhão entre um bom filme e uma boa literatura para meus alunos. De lá para cá, são longos 19 anos. De lá para cá, minha paixão por essa comunhão tornou-se madura, tornou-se mais intensa.
Sábado, dia 2 de maio, assistiremos, em um ótimo espaço da Biblioteca do Estado, ao filme O Carteiro e o Poeta.

Por que oferto a teus olhos, aluno, esta película?

Para você crer na vida. Para você ver e ouvir o que Faustão ou Sílvio Santos ocultam aos domingos. Para você se sensibilizar. Para você crer na amizade entre dois homens, para crer na honra do amor por uma mulher, para crer na dignidade da morte, para crer na ação transformadora da poesia. Repito: para crer na vida.

Fique atento ao carteiro, homem simples, pouco alfabetizado, ser humano que em sua bicicleta levará cartas, digo, palavras ao poeta Pablo Neruda. No começo, ele, na condição de carteiro, carregará as palavras; porém, em outro momento, por causa do poeta, ele será carregado por elas para chegar à sua amada. A poesia o conduzirá para anular a brutalidade dos homens.

Para tanto, para chegar ao poeta, para entregar as cartas, ele, com a bicicleta, sobe um morro, ou seja, a poesia encontra-se no alto para o carteiro, claro, elevar-se.

Assista, não passa na Tela Quente.

segunda-feira, abril 27, 2009

Não nãO nÃo não NãO NÃO

Com a Reforma Ortográfica, não há mais hífen depois de não. Antes, se houvesse um prefixo antes da palavra, colocava-se não com hífen. Se escrevíamos ametal, registrávamos não-metal.

Pois bem, consultando o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), hífen depois de não deixa de existir. Agora, escreve-se não metal.

domingo, abril 26, 2009

Olhos do Rio Grande do Sul

"O prédio é o da Biblioteca Pública, no centro de Porto Alegre, uma construção da década de 10,
durante os governos positivistas. O exterior consta nichos com o calendário positivista", palavras de minha amiga virtual.

Seus olhos são do Rio Grande do Sul e encontraram na rede minhas palavras lançadas do Acre.

Professora da rede estadual, os olhos a que eu me refiro pertencem à Ivone Bengochea, uma amiga virtual que leciona Filosofia no ensino médio e na faculdade. Seu olhar sobre o PT gaúcho, sobre o PSDB. Uma entrevista breve como uma piscada.

Sem aspas, ela fala.

Eu coordeno o Centro de Estudos de Filosofia e Humanidades, o Pensare. Nasci no município de Rio Grande, num lugarejo chamado Corujas, talvez o destino tenha me guiado para a Faculdade de Filosofia. Meu avô era escrivão, registrava tudo e me ensinou a gostar da palavra escrita.

Abin
-Agência Brasileira de Inteligência
Moro em Porto Alegre, desde do final da década de 70, vivenciei o calor da luta pela liberdades democráticas, onde aprendi muito, participei da primeira greve do magistério, em 1979, tudinho registrado na ficha da Abin.

Amigos
Percorri o Brasil nos encontros de professores e na luta pelo retorno obrigatório da Filosofia e da Sociologia. Gosto de andar pelas ruas da cidade, de conversar com os amigos no café - sou movida a amigos, não sei viver sem eles.

Trabalhei na escola pública por 25 anos, paralelamente no ensino privado universitário. Atualmente, sou pesquisadora e oficineira e presto assessoria na área do ensino de filosofia e do potencial das cidades como espaços educativos. Algumas coisinhas publicadas e outras à procura de um editor

LÍNGUA - No Rio Grande do Sul, houve um período em que o PT governou. Foi então que perguntei sobre quais transformações o PT realizou na escola pública.
Sobre a vida, eu deponho à esquerda. O PT representou a esperança, o alento da nossa geração na caminhada pela democracia. Quando o PT ganhou a prefeitura, a cidade, aconteceram transformações interessantes: o orçamento participativo, grandes eventos na área da cultura, criação de espaços públicos de discussão. A rede pública municipal foi ampliada, com experiências educacionais inovadoras como o construtivismo e o sistema de ciclos etc. As escolas municipais ficam na periferia urbana, em comunidades muito carentes. Cumprimento do plano de carreira que a gestão anterior tinha deixado. No estado, quando o PT assumiu a educação, deixou a desejar, não foi exitosa como a da Prefeitura. Dói muito lembrar o que aconteceu.

LÍNGUA - Hoje, qual o salário de professor?
Tanto no Estado como no município, a carga horária é de 20 e 40 horas. Um professor do município de Porto Alegre inicia sua carreira, com 20 horas semanais, em torno de 1.200,00. Mesmo sendo um salário razoável, o fim da bimestralidade (retirada ainda no último governo do PT) tem causado desgaste econômico. No Estado, o professor inciante recebe em torno de 500,00 por 20 horas, existe um estratagema chamado parcela autônoma que complementa para não ficar abaixo do salário mínimo. O último governo do PT na prefeitura retirou a bimestralidade, foi um dos desgastes da gestão petista.

LÍNGUA - Se o PT realizou um trabalho tão bom em Porto Alegre, por que tem perdido eleições?
Uma pergunta complexa é muito difícil de responder, vou tentar. A cultura e a política gaúcha foi muito influenciada pelo Positivismo de Augusto Comte, aqui e no Rio de Janeiro tem templo positivista, onde se cultuam a doutrina positivistas. Temos registros iconográficos como monumentos, arquitetura e governos como Julio de Castilhos Borges de Medeiros, a nossa Constituição até 1989 era nitidamente castilista. Getúlio Vargas era influenciado pelo positivismo. Se, por um lado, tivemos movimentos pela Legalidade, por exemplo, existem forças ultraconservadoras. Geisel, Costa e Silva eram gaúchos, Figueiredo estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, o general Golbery também. Porto Alegre, como as demais capitais, era área de segurança, o primeiro governo eleito pós-64 foi o de Collares, PDT, em 1985, populista mas autoritário, depois veio o PT. Foi uma aposta que deu certo. Mas, nos 16 anos, muita coisa aconteceu. O poder é afrodisíaco, muitos militantes deslumbraram-se, aproveitaram e esqueceram que existe a roda inexorável do poder. Uns ganham, outros perdem. Não leram Maquiavel certamente ou leram mal. O governo Lula teve reflexos negativos por aqui. O PT se isolou, correu sozinho. A oposição se uniu: PMDB, PDT, PTB, PSDB, PPS, Democratas contra PT e o minúsculo PC do B. Ganharam e reelegeram o Fogaça. O PT é ainda uma força política considerável, mas precisa costurar as alianças para retornar ao governo do Estado.

LÍNGUA - Como tem sido o governo atual do PSDB?
O PSDB não é partido grande aqui no Estado, ganhou com a s alianças e o isolamento do PT. A Yeda Crusius sempre foi uma deputada conservadora, não tem trajetória como o José Serra. É autoritária, seu governo é permeado pela polêmica interna,ela e o vice José Feijó dos Democratas são adversários. Desde que assumiu trocou várias vezes o secretariado, alguns assessores diretos indiciados em corrupção como a do DETRAN. A Brigada Militar é extremamente repressiva com os movimentos sociais. Professores, sindicalistas, os sem-terra tiveram confrontos resultando em pessoas feridas. O plantio desmedido de eucaliptos tem devastado o ambiente, enfrentamos catástrofes ecológicas com estiagem etc. Na educação, o confronto é direto com investidas pela modificação do plano de carreira, fechamento de escolas, salas de aulas lotadas, falta de professores em várias disciplinas. A secretária de Educação é a professora Mariza Abreu, ex militante política e dirigente do CPERS-Sindicato. Ironia.

sábado, abril 25, 2009

Ufac e a alegria das gratificações


TCE condena ex-reitor e assessores a pagar multas que chegam a R$ 27 mil

De Freud Antunes

O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Jonas Filho e seus assessores a pagar multas que chegam a R$ 27 mil. O motivo do castigo seria o descumprimento da ordem de realizar um levantamento dos pagamentos irregulares da gratificação chamada vantagem pessoal nominalmente identificada (VPNI).

De acordo com os auditores do órgão fiscalizador, o benefício que era dado a todos os servidores de funções comissionados (FC) e de funções gratificadas (FG) rendeu um prejuízo de R$ 22.952.413,77 aos cofres da instituição de ensino entre os anos de 2006 e 2008.

As gratificações estavam sendo oferecidas de forma indiscriminada, o que foi averiguado pelos técnicos do TCU, que solicitaram que Jonas Filho tomasse providências em 2005.

Na época, o reitor pediu um prazo maior que o oferecido pelos técnicos, o que foi acatado, mas o levantamento e a suspensão não foram realizados. O gestor então foi cobrado novamente.

Para mostrar que o caso estava sendo apurado, o representante da Ufac determinou a abertura de processo administrativo, criando uma comissão composta por Rosemir Santana de Andrade Lima, Rosemary de Almeida Gomes, Roberto Feres, José Ronaldo Melo, Falbernandes Mendes de Farias e Pedro Ferreira Cavalcante Filho, que não conseguiram concluir o estudo.

Os auditores voltaram a cobrar o reitor, que apontou o grupo de servidores como responsáveis pelo trabalho de cálculo das gratificações.

Cobrado pelo TCU, o presidente da comissão, Falbernandes, informou que o tempo oferecido para o levantamento seria insuficiente, pois a averiguação estava sendo realizada de forma individual, atingindo todos os contracheques.

A resposta não foi acatada pelos técnicos do tribunal, que encaminharam o caso ao ministro-relator do processo, Aroldo Cedraz.

Com isso, o relator decidiu que a atual reitora da Ufac, Olinda Batista, terá 30 dias, a partir do dia 25 de março, para realizar o levantamento do prejuízo e suspender os pagamentos.

Aroldo Cedraz ainda determinou que o caso das irregularidades no pagamento das gratificações deva ser incluído na prestação de contas de 2009 da instituição de ensino.

Enem

Em 1911, boa memória era sinônimo de inteligência. Até dá para entender. Naquela época, quando o governo brasileiro tornou o vestibular obrigatório para universidades públicas e particulares, conhecimento era coisa para poucos.

Ter um baú de informações na cabeça já permitia a qualquer um ser pelo menos um bom profissional. Então não era surpresa que os vestibulares se preocupassem em testar basicamente a capacidade de memorização. Um século e muita decoreba depois ela continua sendo uma habilidade louvável, mas não é nem nunca foi a mais importante – só a mais fácil de testar numa prova.

Coisas fundamentais, como o raciocínio e a criatividade, ainda são menos levadas em consideração do que deveriam na hora de selecionar quem entra na universidade. Não é de espantar, então, que muita gente deseje a morte dos testes tradicionais.

E não é desculpa de estudante burro: o próprio Albert Einstein dizia que a obrigação de decorar fórmulas foi a maior, e mais inútil, tortura pela qual passou na vida. Por isso mesmo todo mundo interessado no assunto vibrou quando o Ministério da Educação anunciou uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio para substituir e unificar as provas das universidades federais.

A exemplo do Enem antigo, ela promete exigir muito mais análise e raciocínio lógico do que informação bruta a ser decorada. Está aí a solução para o tormento? Vamos ver. O MEC admitiu que inspirou-se no americano SAT (sigla em inglês para Teste de Medição Escolar), que é aplicado 7 vezes por ano (por enquanto aqui é só uma, mas a ideia é alcançar 7 também).

Em duas versões: uma de raciocínio, que avalia matemática, leitura crítica e redação, e outra que testa o aprendizado de matérias específicas – física, história etc. Ambas reconhecidas pela qualidade das questões, que obrigam o aluno a de fato raciocinar. Mas a grama do vizinho não é tão verde assim.

Apesar de bem formulado, o SAT é o terror mais profundo dos estudantes. Igualzinho ao que ocorre aqui, existe por lá toda uma indústria de cursinhos especializados em dicas e macetes para que os alunos se saiam bem nas provas. E há quem garanta que são necessários anos para esquecer o trauma do exame.

Os chineses que o digam. Por lá, a pressão para se sair bem em uma prova semelhante, que também é unificada e ocorre uma vez por ano, é tão forte que o vestibular está entre as causas das altas taxas de suicídio no país, de até 3,5 milhões de pessoas por ano. Na Dinamarca, a prova simplesmente não existe: o que conta são as notas obtidas durante todo o ensino médio.

Se o curso pretendido é engenharia, os examinadores levam mais em conta as notas do candidato nas aulas de matemática. Se a ideia é cursar letras, não tem muita importância ter passado raspando em química por 3 anos. Um sistema correto, mas também desesperador: quem é bom, mas repetiu o 1º colegial por alguma bobeira de adolescência, pode se complicar na hora da seleção.

Como não dá para voltar no tempo e mudar as notas, o jeito é mudar de país. Quem sabe para a Argentina, a Bélgica ou a França. Nesses, o acesso é garantido sem vestibular nem currículo: basta ter um diploma de nível médio, pelo menos para entrar nas faculdades menos concorridas (é o que acontece na prática por aqui também, já que os “processos seletivos” de algumas das nossas particulares permitiriam a matrícula de um babuíno).

Mas o acesso automático não garante nada em alguns casos: na Argentina, ao fim do primeiro ano de curso, há uma prova para decidir quem segue na faculdade ou não. Entre as universidades mais disputadas do mundo, o método é mais complexo. É o caso das que fazem parte da Ivy League, o grupo das 8 americanas de elite (entre as quais Yale, Harvard, Colúmbia e MIT).

Elas até levam em conta as notas do SAT, mas também avaliam currículos, exigem cartas de recomendação, fazem entrevistas pessoais... até a personalidade do candidato entra em jogo. Tudo conta: participação em grêmio estudantil, viagem de mochilão, trabalhos comunitários... Na Universidade de Colúmbia, por exemplo, o que os examinadores olham mesmo são os trabalhos que o candidato desenvolveu na escola nos 4 anos anteriores.

Para conquistar uma vaga no MIT, entre outras coisas o aspirante precisa fazer uma lista das 5 atividades mais importantes que considera já ter feito na vida. E pode ainda optar por falar sobre isso ao vivo, em uma entrevista com um examinador da universidade, o que pode aumentar significativamente as chances de admissão.

Tudo isso, por sinal, não existe só para o bem do aluno. Mas para o da própria instituição. Um diploma de Harvard foi importante para a carreira de Barack Obama. Mas ter formado um Barack Obama que virou presidente é ainda mais valioso para Harvard, pois aumenta o prestígio que a universidade já tem.

Daí a importância de uma seleção realmente precisa. Mas claro que, por melhor que seja, o novo Enem não vai transformar nossas federais em Harvards. Será apenas mais justo que os vestibulares-decoreba de sempre. Mas, se você acha que isso vai deixar as coisas mais fáceis, pode tirar o gabarito da chuva.

Neste ano, cerca de 5 milhões de estudantes vão concluir o ensino médio no Brasil, mas há menos de 300 mil vagas nas faculdades públicas, as mais concorridas. Nos 5 cursos mais disputados das 5 universidades top de linha, são só 1 300 vagas. Um baita funil, que vai continuar duro de atravessar.

Além disso, não importa o quanto o vestibular, ou mesmo a educação como um todo, melhore: sempre vai haver um punhado de instituições preferidas por alunos, professores e pelo mercado de trabalho. O caso dos EUA é emblemático: entre as mais de 4 mil universidades de lá, só aquelas 8 são objetos de desejo para valer. E, se é numa das favoritas que alguém quer entrar, não tem jeito: vai ter que ralar para mostrar mérito. Ainda bem.

sexta-feira, abril 24, 2009

Deputado se defende de acusação de emitir passagens para o exterior

De Freud Antunes

O deputado Nilson Mourão (PT) se defendeu na manhã de ontem da acusação de concessão de passagens aéreas para o exterior à sua filha e a seus amigos. A denúncia foi divulgada na edição do jornal A TRIBUNA desta sexta-feira.

O parlamentar afirmou que decidiu doar os tíquetes apenas para ajudar Cláudio Ezequiel Passamani e Luziane de Souza Santos que foram para Paris, França.

O legislador ainda afirmou que a viagem de sua filha Lidiane Mourão foi realizada por meio de milhagens, mas, mesmo com essa resposta, ele não informou como o nome dela foi parar na lista publicada pelo sítio www.congressoemfoco.com.br

O parlamentar ainda informou que a sua ida para Caracas, Venezuela, foi uma missão oficial, autorizada pela mesa-diretora da câmara e que acabou sendo descrita em um relatório publicado na internete.

Na relação, o deputado aparece com a emissão de cinco passagens, deixando o parlamentar em segundo lugar no Acre. O primeiro lugar ficou com Ilderlei Cordeiro (PPS), com seis viagens autorizadas. A Perpétua Almeida (PC do B) autorizou apenas a ida para Buenos Aires, Argentina.
Todos os casos foram notificados entre 2007 e 2008.

De acordo com o Congresso em Foco, dos 513 deputados, 261 realizaram turismo em outros países.

Com a falta de controle, a câmara desembolsou R$ 4.765.946,91 com o benefício, sendo que desse total foram gastos R$ 1.744.388,93 com taxas de embarque.Na contabilidade, foram 2 mil trechos para 13 destinos diferenciados.

quinta-feira, abril 23, 2009

Ministro Joaquim Barbosa

Quando o tempo estiver a favor, içarei uma pequena vela para escrever neste mar virtual um breve texto sobre o que ocorreu no Supremo.

Falta a nós um CQC

Hoje, à tarde, conversando com um jornalista acriano, ele disse-me que a Assembleia Legislativa não trabalha e, como prova, tem acompanhado as sessões.

"É a assembleia mais cara do Norte, sendo que o Acre é o menor Estado da região, esses caras não trabalham e ganham muito." Ele prepara um material para publicar na rede.

Infelizmente, nem sítios (site) e muitos menos blogues monitoram a produção da assembleia. Não há um acompanhamento apurado com requintes de inteligência. Creio que um sítio bem criativo poderia registrar com fatos e com críticas saborosas o que deputados pensam, aprovam, defendem, criticam, sem a necessidade de atualização diária.

Para leitores virtuais, faltam matérias incomuns sobre o Poder Legislativo com textos bem criativos. Guardadas as devidas comparações, a falta um CQC acriano na rede.

Falta..
.

segunda-feira, abril 20, 2009

Blog ou blogue?

No último domingo, por volta das 9 horas, o telefone tocou. Quando atendi, uma voz masculina disse “seu revisor de merda, A TRIBUNA é o único jornal do país que publica blogue, será que não sabe que o correto é blog?”.

Óbvio que nós, brasileiros, somos falantes da LÍNGUA portuguesa. Nossa identidade linguística difere-se da LÍNGUA inglesa. Blog, como sabemos, pertence à cultura norte-americana e inglesa. Trata-se, portanto, de um micro-organismo gráfico estranho a um corpo social que fala português.

Há duas semanas, comprei o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, páginas que deveriam estar sobre a mesa de nossos jornalistas. Os imortais registraram blogue, não prevalecendo, pois, a grafia inglesa em minha LÍNGUA-PÁTRIA.

Ao longo dos anos, aprendi a olhar algumas palavras não só como estrangeiras, mas como indivíduos forasteiros que invadem com nosso consentimento a cultura linguística de minha amada Pátria. Em Lisboa, não há um só comércio com nome inglês. Por pertencer à cultura inglesa, os portugueses nem falam e muito menos escrevem gol mas golo. Com efeito, não dizem goleiro, e sim guarda-redes. Na França, seus falantes escrevem Hollywood como a palavra é pronunciada em francês. Por que isso ocorre? Entre outras, esta resposta: guerras contra a dominação de uma nação sobre a outra na história do continente europeu.

No Brasil - e aprendemos com o padre José Anchieta desde 1587 -, o processo de colonização da igreja católica infiltrou-se nas palavras do povo tupi para alterar o comportamento desses nativos. Sei que o inglês blog não alterará nosso comportamento, porém me sinto bem quando visto essa palavra com as roupas de nosso significante: b-l-o-g-u-e. Se fôssemos portugueses, substituiríamos blog por bolha; se fôssemos lusitanos, escreveríamos sítio e não site. Por que não escrevemos? Porque fomos colonizados; e os portugueses, colonizadores.

Em Rio Branco, o governo do Estado, que não é inglês ou norte-americano, nomeia um espaço do Parque da Maternidade com a grafia “circuito skate”. Se a palavra já foi aportuguesada, se já existe a conversão, o governo deveria ter registrado “circuito esqueite”. O aportuguesamento é um processo natural, mas alguns insistem na norte-americanização de nosso idioma.

Como escrevi antes, a Academia Brasileira de Letras registrou blogue no VOLP; entretanto – e aí eu não entendi – deixou a grafia internet. Quem registra internete é o gramático Celso Pedro Luft. Se nomes consagrados aportuguesaram, não há sentido manter a escrita segundo a cultura de outro país. Já pensou se nós escrevêssemos faux-bourdon e não forró? E se ainda registrássemos shampoo e não xampu? Pena que não há registro oficial de xou para substituir show, mas podemos escrever espetáculo no lugar da palavra inglesa.

“É bom saber que você está preocupado com a forma de escrever”, e desliguei o telefone. É preciso muita paciência com os alfabetizados funcionais.

Uma nova escola pública

Durante um bom tempo, a escola estadual Heloísa Mourão Marques rastejou-se à margem da competência administrativa. desordem e indisciplina, tudo por causa do desinteresse de gestores, deixaram a escola com uma péssima imagem.

Hoje, a escola HMM é outra. O Instituto da Cidadania Brasil e a CNI-Sesi premiarão a Heloísa com Honra ao Mérito por causa do projeto escolar A Importância da Água para Sobrevivência da Espécie Humana.

Esse projeto envolveu seis disciplinas: Português, Biologia, Química, Geografia, História e Artes. Heloísa é oura escola.