quarta-feira, abril 21, 2010

O Sinplac não quer olhar para si mesmo










Votei na atual direção; entretanto, independente disso, minhas críticas destinam-se ao Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), à sua forma de se organizar, de escrever na lousa sua maneira de se opor ao governo, ao poder.

Quando o Sinplac surgiu como APL, alegrei-me muito porque acreditei que novas trilhas seriam criadas por mulheres na direção sindical. Na época, trabalhando como repórter do Página 20, publiquei a matéria Fim do monopólio sindical.

Desde aquele dia, mulheres estiveram à frente do Sinplac, no entanto elas nunca deixaram marcas diferentes das marcas masculinas, isto é, mulheres ocupam espaços sindicais como os homens ocupariam. Se é para fazer o mesmo que os homens, melhor ficar em casa cuidando dos maridos e do filhos.

Descentralização

Só existe esta atual forma de organização sindical? só há esta maneira de votar em um dirigente? A atual democracia do Sinplac, cópia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac), representa o gênero masculino por ser esse gênero centralizador e por não haver critério qualitativo para escolher o candidato.

Pertence ao gênero feminino descentralização e qualidade [democrática], mas isso não existe no Sinplac.

Imprensa

Não me refiro ao nome Alcilene, atual presidente, mas ao Sinplac de antes e de hoje. O sindicato está acima das direções, muito acima de nomes. O Sinplac permanece, e direções passam.

Trata-se de uma vergonha como se encontra a comunicação do Sinplac. Quando existe, apequena-se com seus panfletos. O Sinplac deve formar uma imprensa autônoma, criada por bons profissionais, jornalistas sem vínculo com a pouca inteligência de obreiros sindicais.

O atual assessor de comunicação do Sinplac, Josafá Batista, está para apresentar uma proposta de um novo jornalismo sindical. Espero que vingue.

Sindicato-empresa

O Sinplac não pode mais se reduzir a receber dinheiro dos filiados. Esse dinheiro precisa criar, por exemplo, bens culturais. O dinheiro sindical precisa criar riqueza e precisa todo ano passar por uma auditoria.

E não é só isso.

terça-feira, abril 20, 2010

Documento, interior e Osmarina

Hoje, cheguei à paralisação dos professores por voltas das 10 horas. O Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), até 12h20, esperou por um documento do governo, mas as palavras escritas do patrão não chegaram.

Por causa de o governo não ter entregado o documento à categoria, sindicalistas falaram ao microfone do descaso do PT pelos professores. Não digo descaso; porém, por não se sentir pressionado, o governo permaneceu indiferente, não entregou o documento.

Se a reposição de aula, que chamam de "greve", pressionasse o governo, ele teria entregado o documento.

Na quinta-feira, nova concentração no Centro, diante da Assembleia Legislativa do Acre. Acredita-se que o documento chegará nesse dia.

Uma TV local usou meu blogue para apontar a fragilidade do Sinplac, publicando que o sindicato não tem representatividade no interior. Isso é fato, mas a questão não se reduz só a isso. O Sinplac, antes de criar núcleos no interior, precisa debater a forma como o sindicato deve ser organizar para escolher seus representantes.

A gestora Osmarina, da escola Heloísa Mourão Marques, afirmou que professor não reporá aulas aos sábados. O ano letivo irá até janeiro, e o vestibular do terceiro ano poderá ficar comprometido.

segunda-feira, abril 19, 2010

Carioca, às 16 horas

Hoje, conversando com um repórter em uma concentração de professores no centro de Rio Branco, ele me disse que o governo não cederá ao Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Às 16 horas, haverá uma reunião com Carioca, representante do governo.

Carioca não está preocupado com a "greve", dorme tranquilo toda noite, porque, para ele, o sindicato é o Pateta da história.

domingo, abril 18, 2010

Sinplac

NOTA DE REPÚDIO E ESCLARECIMENTO

O SINDICATO DOS PROFESSORES LICENCIADOS DO ACRE (SINPLAC) VEM A PÚBLICO REPUDIAR A NOTA RECHEADA DE INVERDADES VEICULADA NA IMPRENSA PELA SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO (SEE). ESCLARECEMOS QUE A INTENÇÃO É DESMORALIZAR O SINPLAC E DESMOBILIZAR A GREVE DA CATEGORIA, UMA VEZ QUE O SINPLAC BUSCOU TODOS OS CANAIS DE NEGOCIAÇÃO DENTRO DO PRAZO ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO ELEITORAL, O QUE PODEMOS PROVAR COM DOCUMENTOS.
SOLICITAMOS QUE OS PROFESSORES NÃO CEDAM ÀS PRESSÕES DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E DE ALGUNS DIRETORES CONTRÁRIOS AO NOSSO MOVIMENTO.
REAFIRMAMOS: A GREVE CONTINUA. CONVIDAMOS OS PROFESSORES, PAIS E ALUNOS PARA A NOSSA CONCENTRAÇÃO A PARTIR DAS 8 HORAS DESTA SEGUNDA-FEIRA, 19 DE ABRIL, EM FRENTE À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA.
A GREVE FOI O ÚLTIMO RECURSO QUE ENCONTRAMOS PARA ROMPER COM O DESCASO E O DESRESPEITO DO GOVERNO PARA COM OS PROFESSORES LICENCIADOS. RESISTIR SEMPRE, DESISTIR JAMAIS!

A DIRETORIA

Lei de greve

Agimos como se a liberdade de uma minoria pudesse votar a favor de uma "greve" (reposição de aula) de professores como se não houvesse lei. Até motorista de ônibus, com o ensino médio, sabe que 30% da frota precisa funcionar para que a greve não caia na ilegalidade.

O professor não lê, ignora o que seja lei de greve, a 7.783. Como o Sinplac desobedeceu ao artigo terceiro, parágrafo único, a grave, caso se estenda, será julgada como ilegal pelo Judiciário.

O Sinplac não avisou com antecedência de 48 horas ao governo. Tá tudo errado. Tudo é oba-oba de um sindicalismo ainda obreiro, de um sindicalismo que não se (re)organiza para médio prazo. Tudo é imediatismo. Somos tão previsíveis como sindicato que o nosso amanhã é um ontem antecipado.

Estamos esclerosados com nossos discursos vazios de inteligência, cada palavra proferida tem a imobilidade da velhice. Secreções viscosas de burrice escorrem de cérebros atrofiados pela incapacidade de pensar o novo.

Mas, ainda sim, somos arrogantes com o tempo. Quem desconhece o deus Cronos ignora que esse deus devora seus filhos. Esse modelo de sindicato que votou a favor da "greve" (reposição de aula), o tempo devorou há anos.

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos


LEI Nº 7.783, DE 28 DE JUNHO DE 1989.

Dispõe sobre o exercício do direito de greve, define as atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Parágrafo único. O direito de greve será exercido na forma estabelecida nesta Lei.

Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador.

Art. 3º Frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a cessação coletiva do trabalho.

Parágrafo único. A entidade patronal correspondente ou os empregadores diretamente interessados serão notificados, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas, da paralisação.

Art. 4º Caberá à entidade sindical correspondente convocar, na forma do seu estatuto, assembléia geral que definirá as reivindicações da categoria e deliberará sobre a paralisação coletiva da prestação de serviços.

§ 1º O estatuto da entidade sindical deverá prever as formalidades de convocação e o quorum para a deliberação, tanto da deflagração quanto da cessação da greve.

§ 2º Na falta de entidade sindical, a assembléia geral dos trabalhadores interessados deliberará para os fins previstos no "caput", constituindo comissão de negociação.

Art. 5º A entidade sindical ou comissão especialmente eleita representará os interesses dos trabalhadores nas negociações ou na Justiça do Trabalho.

Art. 6º São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:

I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;

II - a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.

§ 1º Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem.

§ 2º É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.

§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.

Art. 7º Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.

Parágrafo único. É vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos, exceto na ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 9º e 14.

Art. 8º A Justiça do Trabalho, por iniciativa de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho, decidirá sobre a procedência, total ou parcial, ou improcedência das reivindicações, cumprindo ao Tribunal publicar, de imediato, o competente acórdão.

Art. 9º Durante a greve, o sindicato ou a comissão de negociação, mediante acordo com a entidade patronal ou diretamente com o empregador, manterá em atividade equipes de empregados com o propósito de assegurar os serviços cuja paralisação resultem em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades da empresa quando da cessação do movimento.

Parágrafo único. Não havendo acordo, é assegurado ao empregador, enquanto perdurar a greve, o direito de contratar diretamente os serviços necessários a que se refere este artigo.

Art. 10 São considerados serviços ou atividades essenciais:

I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis;

II - assistência médica e hospitalar;

III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;

IV - funerários;

V - transporte coletivo;

VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;

VII - telecomunicações;

VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nucleares;

IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;

X - controle de tráfego aéreo;

XI compensação bancária.

Art. 11. Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

Parágrafo único. São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população.

Art. 12. No caso de inobservância do disposto no artigo anterior, o Poder Público assegurará a prestação dos serviços indispensáveis.

Art. 13 Na greve, em serviços ou atividades essenciais, ficam as entidades sindicais ou os trabalhadores, conforme o caso, obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas da paralisação.

Art. 14 Constitui abuso do direito de greve a inobservância das normas contidas na presente Lei, bem como a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho.

Parágrafo único. Na vigência de acordo, convenção ou sentença normativa não constitui abuso do exercício do direito de greve a paralisação que:

I - tenha por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição;

II - seja motivada pela superveniência de fatos novo ou acontecimento imprevisto que modifique substancialmente a relação de trabalho.

Art. 15 A responsabilidade pelos atos praticados, ilícitos ou crimes cometidos, no curso da greve, será apurada, conforme o caso, segundo a legislação trabalhista, civil ou penal.

Parágrafo único. Deverá o Ministério Público, de ofício, requisitar a abertura do competente inquérito e oferecer denúncia quando houver indício da prática de delito.

Art. 16. Para os fins previstos no art. 37, inciso VII, da Constituição, lei complementar definirá os termos e os limites em que o direito de greve poderá ser exercido.

Art. 17. Fica vedada a paralisação das atividades, por iniciativa do empregador, com o objetivo de frustrar negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos empregados (lockout).

Parágrafo único. A prática referida no caput assegura aos trabalhadores o direito à percepção dos salários durante o período de paralisação.

Art. 18. Ficam revogados a Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, o Decreto-Lei nº 1.632, de 4 de agosto de 1978, e demais disposições em contrário.

Art. 19 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 28 de junho de 1989; 168º da Independência e 101º da República.

JOSÉ SARNEY
Oscar Dias Corrêa
Dorothea Werneck

A lei e a greve

Vamos supor que a "greve" dos professores do Acre se estenda. Caso isso ocorra, penso que ela cairá na ilegalidade segundo o Poder Judiciário. Não entrarei em detalhes, mas fonte do governo falou o óbvio a mim.

sábado, abril 17, 2010

Dias parados, descontados

Desconto da greve de professor será parcelado
Luciana Lazarini
do Agora

Os professores da rede estadual terão o desconto dos dias parados durante a greve, parcelado em duas vezes.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o desconto será de até 35 dias (referente aos dias parados). A primeira dedução será no próximo pagamento, em 7 de maio, quando será retirado o valor correspondente a 13 dias parados. No holerite de junho, por sua vez, serão contados até 14 dias de greve restantes de março, além dos oito dias de paralisação em abril. Assim, o pagamento de junho poderá ter o abatimento de até 22 dias no holerite de quem entrou em greve.

Na última terça, a Apeoesp (sindicato dos professores) se reuniu com o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza, e pediu que o desconto dos dias parados não fosse feito de uma vez só.

Aos alunos da escola HMM


No dia 15 de abril, aprovada a "reposição de aula" por uma minoria, professores da escola HMM se reuniram no térreo da Assembleia Legislativa do Acre e ficou acertado que no dia 16, no encontro pedagógico, o corpo docente debateria o que chamam de greve.

Para minha surpresa, quando cheguei à escola no sábado, soube que uma maioria votou a favor da greve (reposição de aula) quando os alunos já se encontravam em sala de aula. Defendi um debate no sábado, porque, na sexta, com alunos em sala, é um descaso com o corpo discente.

Não sou a favor desse modelo falido de "greve" e muito menos votaria em uma reposição de aula quando aluno se encontrasse em sala.

Penso que os alunos sérios, maduros, interessados por qualidade de ensino deveriam se posicionar contra essa postura irresponsável de uma maioria. Aluno bom deve cobrar, deve abrir a boca com os outros alunos. Aluno bom deve falar para transformar a escola. Aluno responsável deve colocar professor irresponsável contra a parede.

Alunos, coloquem a boca no trombone.

E tem professor que concordou com um documento escrito por mim para ser apresentado ao Sinplac, discordando do atual modelo de greve.

Operação Nota Azul

A escola Heloísa Mourão Marques parou suas atividades. Minha proposta tinha sido assinar o ponto para não haver reposição de aula e, depois, em sala de aula, não lecionar, e, como estamos em período de avaliação, as provas seriam objetivas, isto é, dez questões fáceis para o aluno marcar X.

O que o governo espera do professor em sala de aula, nós negaríamos o governo entre as quatro paredes, ou seja, nada de leitura, nada de texto, nada de letramento, nada de qualidade de ensino. O nome dessa desobediência civil seria “operação nota azul”. Como canta o talentoso grupo Los Poronga, "criando atalhos a golpes de insatisfações, faço escultura em luz de lampião, (...). Tudo ao contrário então."

Diante de câmeras de tevê, representantes do sindicato, movidos pela inteligência e por um bom português, diriam:

- Nós, professores, estamos em sala negando o que o poder deseja de nós. No lugar de dizer o que esperam de nós, diremos que ler não é importante, que estudar não é importante, que ser professor não é importante. Nossa greve não é parar a escola, mas fazer com que o aluno pare de pensar, por exemplo, por meio de provas objetivas fáceis.

Gosto do pensamento anarquista porque nega o sistema dentro dele. Martin Luther King [1929-1968] e Mahatma Gandhi [1869-1948], por exemplo, realizaram ações conforme o pensamento anárquico.

Nos ônibus, os negros só podiam se sentar atrás, nas últimas cadeiras. Na frente, o negro deveria ceder o espaço ao branco. Luther King percebeu que uma maioria negra pagava passagens. Sendo assim, por meio de uma ótima comunicação, os negros foram convencidos a não entrar em ônibus. Eles andariam a pé. Os empresários sentiram no bolso o prejuízo porque a greve materializou um prejuízo.

Quando os ingleses desejaram mudar o modo de se vestir dos indianos, Gandhi propôs ao povo tecer sua própria roupa. As fábricas inglesas faliram.

Mas é impossível propor o novo quando entre meus pares circula há anos um discurso sindical envelhecido. O que é velho, sabemos, merece todo respeito, não é verdade?

No pensamento sindical, é preciso criar o fato visível, a sociedade precisa ver pela tevê que os professores pararam as aulas. O sindicato quer medir força com o governo, precisa mostrar que as escolas pararam. Quem pode mais? Da forma como as coisas estão colocadas, o governo.

A hegemonia da informação

Depois de uma minoria aprovar uma greve por tempo indeterminado, inicia-se a guerra de informação entre o governo e o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

A questão aqui não se reduz a dizer que o governo tem a imprensa rio-branquense na mão, mas admitir por meio de uma autocrítica que o Sinplac não criou até hoje um jornalismo sindical eficaz e inteligente.

O sindicato não possui força informativa. Suas palavras, imprensas em panfletos, ecoam na contramão da história moderna. No panfleto, a palavra sindical é tarefeira, obreira, autômata; não é palavra persuasiva.

Como se ainda não fosse pouco, o sindicato não tem programa de rádio criado – eu disse “criado” – por ótimos profissionais da área e, se tivesse, seria muito malfeito por sindicalistas que ignoram a “sedução de comunicar”.

Quando se trata de informação, a luta será entre profissionais (o governo) e os amadores (o sindicato). Não aprendemos com o tempo.

sexta-feira, abril 16, 2010

A minoria vota












Em 15 de abril, por volta de 12h30, no térreo da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac, por meio de uma minoria, aprovou uma “greve” (reposição de aula) porque o governo da Frente Popular manteve-se imóvel diante das reivindicações dos professores.

A postura fria do governo justifica-se porque ele sabe que o Sinplac não tem poder de parar a máquina. Os médicos, esses sim, não só param um hospital público, mas afligem a vida dos pacientes visto que o corpo no hospital não se assemelha ao corpo escolar. Naquele, o corpo sente dores; e neste, pensa. Em outras palavras, no hospital, o corpo exterioriza sua condição de matéria; e, na escola, ele assimila abstrações.

Se o hospital público parar por uma semana, corpos gritam, sofrem, doem, avolumam-se. Em pouco tempo, a greve dos médicos gera caos, desordem, tumulto. Se a escola pública parar por uma semana, a greve dos professores não gera caos na escola porque o corpo na escola não é o mesmo corpo no hospital. Além disso, o médico não repõe consulta. O hospital, esses sim, senhores, pressiona o governo.

Posso afirmar, portanto, que médico faz greve porque causa colapso visível no sistema. Quando paralisa as aulas, o professor não causa colapso material, ou seja, o significado original de “greve” perde-se ou deforma-se na educação.

Não podemos usar o signo “greve” para o corpo docente quando sabemos que, ao repor aula e ao não causar colapso material no sistema, o significado original de “greve” altera-se - eu chamo reposição de aula. A escola, senhores, não pressiona governos.

O que fazer?

Os búzios responderão.

quinta-feira, abril 15, 2010

O Sinplac não aprende

Não houve aula hoje na escola Heloísa Mourão Marques por causa da paralisação do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac. Marcada para as 8 horas, a assembleia deu sinal de vida somente 15 minutos antes das 9 horas. Esperei 1 hora.

Depois de tanto falatório inútil - houve pouca exceção -, formou-se uma comissão para negociar com o governo da Frente Popular. Às 12h20, terminada a negociação, a presidente do Sinplac informou que o governo se recusou a repor as perdas salariais.

Segundo o Sinplac, há 5 mil professores filiados, mas nem 10% deles encontravam-se na assembleia. Mesmo assim, mesmo sendo minoria da minoria, os professores votaram a favor de uma "greve". Já assisti a esse filme.

Se uma minoria vota pela maioria, qual pode ser o resultado disso? O Sinplac não aprende e, por isso, reproduz como autômato práticas inúteis de luta sindical, por exemplo, uma minoria vota por todos.

Penso que, em cada escola, deveria haver uma urna para que o professor votasse a favor ou não de uma greve. Dessa forma, a votação seria expressiva para negar ou afirmar uma paralisação. Preso a uma prática ilegítima, isto é, uma minoria é a voz de todos, o Sinplac se condiciona a não renovar o atual modelo sindical, repetindo as formas do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac.

Por causa de sua atual estrutura, o Sinplac não conseguirá êxito com essa "greve". Nem todos aderiram. A forma como organiza os professores e como se organiza é um erro. Um dia parado equivale-se a um dia de reposição de aula.

O tempo mais uma vez denunciará o fracasso dessa "greve". O Sinplac não aprende com o tempo.

quarta-feira, abril 14, 2010

O salário da educação estadual

No Acre, em início de carreira, o professor recebe hoje R$ 1.675,79, o bruto, para lecionar em cinco turmas, 30 horas-aulas.

Em 30 anos, um educador receberá R$ 3.184,00, 30 anos depois.

Em 2005, o professor recebia R$ 1.400,00. Três anos depois, R$ 1.675,79, o bruto. Em três anos, portanto, um aumento de R$ 275,79.

E dizem que a situação do professor no Acre é boa. Deus é testemunha!!!

sábado, abril 10, 2010

Que o anjo do Senhor os mate

As cenas trágicas em Niterói, segundo informações da imprensa, foram causadas pelos políticos do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. A eles, dedico estas palavras.

Seus pulhas com fantasias de terno e gravata, suas línguas de promessas deveriam estar sob os escombros do Morro do Bumba porque suas vidas inúteis de homens públicos valem menos do que o lixo que soterrou inocentes e pobres.

Canalhas, marginais protegidos por suas leis, eu sei que o Mal não se manifesta em igrejas e nem se chama diabo, mas se senta em assembleias legislativas e em câmaras de vereadores para ser chamado de autoridade.

Irmãos da injustiça social e da miséria, vocês desobedecem a Deus porque são inimigos do Senhor. Sendo assim, "por chuva da tua terra, o Senhor te dará pó e cinza; dos céus, descerá sobre ti, até que sejas destruído". E, uma vez destruído o diabo-político, "o teu cadáver servirá de pasto a todas as aves dos céus; e ninguém haverá que os espante", diz a mim Deuterônimo 28, versículos 24 e 26.

Enquanto esses malditos legislaram em causa própria regalia, conforto, patrimônio, riqueza, uma avalanche de descaso público assassinou assalariados, pais de assalariados, filhos de assalariados, avós de assalariados.

Pior do que permanecerem impunes, é saber que seus ternos e suas gravatas ainda vivem. Autoridades, vocês são mais úteis mortos, sem missa de sétimo dia e sem sepultamento digno. Cova rasa e coletiva com o lixão do Morro do Bumba.

Que o anjo do Senhor crave a espada de sua ira em suas bocas e, somente depois disso, dessa morte redentora, Niterói festejerá sobre seus túmulos.

quinta-feira, abril 08, 2010

Esses sindicalistas não aprendem

Terminou a greve do professores de São Paulo. Mais uma vez, os sindicalistas escrevem na lousa a palavra fracasso. Velhas práticas não respondem ao século 21.

Segundo o UOL, no final da quarta-feira (7), a Apeoesp reconheceu que caiu a adesão à greve. Em reportagem da Folha de S. Paulo, a presidente afirmou: "Tenho de admitir que a adesão diminuiu", disse Maria Izabel Noronha.

Segundo o levantamento da entidade, a paralisação chegou a abranger 63% dos docentes em março. Para a Secretaria da Educação, nunca atingiu 1%. O sindicato não divulgou novo balanço de paralisação. Afirmou apenas que há "significativos índices de adesão, afetando todas as regiões do Estado".

Desde o início da paralisação, o governo tucano diz que não negociará enquanto os grevistas não voltarem ao trabalho. "O governo se mostra intolerante. Com esse panorama, as pessoas vão desanimando", afirmou a líder sindical.

No Acre, sindicalistas da educação estão mortos e não sabem. Foram sepultados em uma cova rasa e coletiva da burrice.

Os blogues da escola HMM

Diretora-professora Osmarina, estou fascinado com os blogues que alunos da escola Heloísa Mourão Marques criaram. Minha nossa, uma mistura de beleza com inteligência, imagens de puro gosto e de impuras inquietudes.

Alguns professores permanecem com apodrecidas práticas em sala, mas os alunos criam mais do que seus mestres. Que juventude!!!

Osmarina, bem que a sua direção poderia premiar os melhores blogues da escola. Os caras estão mandando bem!!! As garotas estão destruindo!!!

Parabéns, vocês são... são... apaixonantes!!!

quarta-feira, abril 07, 2010

Um currículo homossexual


Conae - Livros didáticos e escolas terão de incluir temática LGBT

Escrito por Portal UOL - Simone Harnik

Quinta, 01 de Abril de 2010

Os temas sobre orientação sexual e homossexualidade terão de aparecer nos livros didáticos e nas salas de aula. Pelo menos, foi essa a decisão da Conae (Conferência Nacional de Educação), que acontece em Brasília até quinta-feira (1º).

Segundo o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, o movimento LGBT está satisfeito com a conferência. “Saímos vitoriosos. Se o país cumprir o que foi aprovado, a homofobia na escola está com os dias contados”, afirma.

A Conae pretende traçar diretrizes para a educação do país, que podem ser incorporadas no Plano Nacional de Educação. É este plano que define o que será prioridade no ensino brasileiro nos próximos dez anos.

Além da presença nos livros escolares, a temática LGBT deverá ser ensinada nas faculdades e cursos de formação de professores. Além disso, de acordo com Reis, a conferência definiu que o livro didático não poderá ter conteúdos que discriminam homossexuais. “É o fim das piadas sobre gays nos livros”, diz.

Propostas LGBT na conferência

O movimento LGBT levantou três propostas na Conae: o fim da homofobia na escola; que travestis possam usar o nome feminino nas salas de aula; e que a discriminação a homossexuais seja considerada crime no Brasil. “Hoje temos uma preocupação especial com a situação das travestis, que são as que sofrem mais discriminação na escola”, acrescenta.

Segundo Reis, entidades nacionais apoiaram os projetos, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras).

Agora a ABGLT pretende utilizar a decisão da Conae como uma referência para pressionar por mudanças. “Queremos avaliar, monitorar, e acompanhar de forma propositiva as políticas públicas”, diz Reis.

A revolução que faltou ao encontro

Postaram estas palavras, elas se referem à "Revolução do PT faltou ao encontro", texto escrito por mim. Escreve-se:

Além disso, outras questões para as quais o PT fez-se de cego e surdo em relação à educação:

* Elaborar e fazer circular material didáico regionalizado;
Esta questão é muito interessante. Os currículos regionais partiram do governo federal e, até hoje, a Secretaria de Educação do Acre, administrada pela Frente Popular há quase 12 anos, jamais rascunhou uma possibilidade.

Não temos, por exemplo, uma produção textual de alunos analisada pelo próprio corpo docente da área que leciona na escola, ou seja, o que ocorre na escola não se transforma em material didático.

* Promover nas escolas o "tempo do diálogo", pois a falta disso tem-nos feito emburrecer a cada dia;
O cotidiano escolar permanece congelado com práticas carcomidas pela tristeza de lecionar, pela ausência de reflexões. Uma observação irônica: o emburrecimento também alegra as pessoas.

* Premiar os bons alunos, não de forma esporádica, mas como programa permanente e contínuo;
A escola pública acriana é o lugar perfeito onde não se reconhece o melhor aluno.

* Estabelecer para a escolha dos coordenadores das escolas não o critério político ou do apadrinhamento, mas sim o da inteligência e o da competência.
Há 12 anos na rede pública estadual de ensino, nunca conheci coordenadores de ensino que transpirassem um pouco de inteligência. Peças indicadas por direções arbitrárias e incompetentes, os coordenadores de ensino fazem parte de uma paisagem sem cor, sem vida, sem paixão para transformar o ensino-aprendizagem.

Se a coordenação de ensino deveria ser o cérebro da escola, ela sempre foi anencefálica, fútil, tola, cômoda, preguiçosa. Não me refiro à escola Heloísa Mourão Marques, hoje.

Senhores, não estamos nos céus, isso aqui não é a Suíça, a escola pública não é Assembleia Legislativa e o PT jamais revolucionou a educação pública. As coisas estão apenas em sua enfadonha ordem.





segunda-feira, abril 05, 2010

Que livro!

Cara, certos autores merecem nossos olhos, merecem nossa atenção. Seu texto exala um perfume poético incomum embora tenha sido escrito por um filósofo. Eu o conheci há oito anos, digo conheci no sentido de ler suas palavras.

Depois, em 2006, eu o reli. Deixei no livro marcas de minha leitura e, após quatro anos, meus olhos debruçaram-se outra vez sobre o parapeito de suas palavras para ver melhor a paisagem, o mundo, a vida.

Hoje, 2010, abro outra vez a janela. Sensual, envolvente, sensível, charmoso, meus olhos são seduzidos mais uma vez por ele, este francês, homem esguio que sabe ser fino com as palavras; que escritor, sim, seu nome, este: Maurice Merleau-Ponty. O livro, A prosa do mundo, de 1969.

Bom apetite!

Leia isto:

"Mas o livro não me interessaria tanto se me falasse apenas do que conheço. De tudo que eu trazia ele serviu-se para atrair-me para mais além. Graças aos signos sobre os quais o autor e eu concordamos, porque falamos a mesma língua, ele me fez justamente acreditar que estávamos no terreno já comum das significações adquiridas e disponíveis. Ele se instalou no meu mundo. Depois, imperceptivelmente, desviou os signos de seu sentido ordinário, e estes me arrastam como um turbilhão para um outro sentido que vou encontrar."

sábado, abril 03, 2010

A revolução petista faltou ao encontro

Muito acima de partidos e de militância, existem ideias que só desejam ser livres, porque não suportam as grades da obediência inútil ou as cadeias superlotadas da adulação. Como coro de anjos, jornalistas colocam a educação pública acriana nos céus. Mas anjos são mentiras.

Nesses 12 anos de Partido dos Trabalhadores no Acre, o PT não revolucionou a educação pública embora políticos da Frente Popular acreditem nisso. Mas é muito fácil crer nesse mito quando político não leciona em salas sem ares-condicionados e quando muito menos recebe salário de professor.

Tanto não revolucionou que seus filhos não estudam em escola pública. O modo petista de governar, nesses 12 anos, não deslocou os filhos da classe média ou dos políticos às salas do ensino público. Deputados e vereadores trabalham pouco e recebem muito para colocar suas crianças em ótimas escolas particulares daqui e fora daqui.

Neste ano, a inteligência humana se apequenará por causa da campanha política. Trata-se de um momento em que a vida perde sentido porque as boas ideias ficam suspensas, por exemplo, as boas ideias sobre educação pública.

E o PT acriano contribui para isso, deixando de pensar nisto:

1) Após 12 anos, o partido não colocou as escolas estaduais na rede de computadores, fazendo com que o professor lance nota como há mais de 50 anos;

2) O atual modelo de democracia escolar não escolhe o que é melhor para o erário, mas legitima conveniências de grupos que visam ao corporativismo e não ao bem público;

3) O tempo do aluno na escola deve ser integral;

4) Se o PT quer qualidade de ensino, deve pensar também que o professor com um contrato deve ter duas turmas, sendo que em cada turma deve haver no máximo 20 alunos;

5) Se educação é prioridade, um professor não pode iniciar sua carreira no Estado com menos de R$ 1.500,00 por mês, lecionando para 5 turmas;

6) É preciso criar na rede pública de ensino os conselhos de disciplina e de turma;

7) O PT precisa instituir nas escolas uma forma de os melhores alunos avaliarem seus professores;

8) Os cursos de aperfeiçoamento para professor são infecundos, impróprios, ineficientes, não passando de um gasto público desnecessário;

9) No lugar desses cursos, a escola de magistério, ideia criada pelo PSDB de São Paulo.

Narciso, olhando para sua própria imagem, diz que é belo. O PT é perfeito. A educação pública acriana é revolucionária.

Este blogue é que não sabe o que escreve sobre educação embora seu autor lecione na rede pública estadual há 12 anos.

quarta-feira, março 31, 2010

O Homem que eu Amava

De Aldo Nascimento

Nesses meus anos, jamais ouvi um homem afirmar que ama outro homem. Quando criança, quando adolescente, o sexo masculino aprende na rua a bater em outra criança, em outro adolescente.

Assim, pelas mãos rudes de ser macho, esculpimos em nós a negação do sensível. Entre homens, não se propaga “eu te amo”, por isso somos homens.

Entretanto, contra essa violência de “não dizer eu te amo”, exponho neste blogue o meu amor pelo Homem, entenda, não confesso aqui o Amor pelo “meu homem”, mas meu Amor pelo Homem, porque eu não amaria qualquer homem. O Amor, sabemos, exige qualidade.

O Homem a quem me refiro encarnava qualidades. Alto, corpulento, olhos azuis, a sua beleza, entretanto, não morava na casa das aparências ou na superfície vã de sua imagem. A lembrança eterna do Amor não habita na pele perecível mas nela: a Alma.

Que Alma grandiosa esse Homem tinha! Generosas como criança, suas mãos delicadas sempre se estendiam para acolher seu semelhante. Sempre.

Quando eu o conheci em 1992, ele apareceu no alojamento da faculdade de Cruzeiro do Sul para me convidar a almoçar em sua casa. Ofertar o alimento, eu o conheci como oferenda, como quem se oferece como amigo.

Ontem, recebi a notícia de que o Homem que eu amava faleceu. Existe o Amor de pai. Existe o Amor de filho. Existe o Amor de esposa. Existe também o Amor de amigo. O médico Matheus foi meu amigo-irmão, um ser humano raro, Homem por quem eu tinha carinho, ternura, respeito. Amor.

terça-feira, março 30, 2010

Soneto do Amor Total












Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

domingo, março 28, 2010

Melhor a tradição

No dia 21 de março, recebi uma aluna de uma escola pública acriana. Ela pediu transferência depois de um mês.

Olhei seu caderno e não havia sequer uma redação. No segundo do ensino médio, ela não tinha refeito um texto em sala.

Para não ficar só nisso, as aulas de literatura não têm relação com os atuais parâmetros curriculares. Li no caderno o nome Gonçalves Dias e suas características, e chamam isso de literatura. Pior ainda é que a escola, dizem, é modelo.

A aluna sai de uma escola e, quando entra em outra escola pública, percebe que não há relação de conteúdo entre as duas unidades de ensino. O sistem não funciona.

Se é para permanecer assim, melhor retornar ao modelo clássico de currículo formal.

sábado, março 27, 2010

Renato, o Russo

Neste domingo, irei a muitas igrejas para pedir a Deus que devolva a certos jovens o bom gosto musical. Perderam o paladar auditivo, por isso ouvem os ruídos de Cavaleiros do Forró, de Calcinha Preta, de Dejavu, de Aviões do Forró. Que o Senhor tenha piedade de seus tímpanos!!!

Creio que esse mau gosto ou mesmo a falta dele é coisa do diabo, só pode ser. O tinhoso se apossa da audição e, no interior do ouvido, age em nome de um horrendo pecado sonoro.

Oremos! Rezemos!
Para que o mal saia de seus tímpanos, para que a salvação eleve e leve-os a boas letras, a bons ritmos, a boas harmonias, peço ao Senhor que neste dia esses jovens sintam as letras de Legião Urbana na voz inconfundível dele, Renato Russo, que hoje chegaria ao mar inquieto de seus 50 anos.

Saia, diabo, desses ouvidos porque eles não te pertencem!

terça-feira, março 23, 2010

De objeto a signo

Lembro-me das aulas de gramática em minha adolescência. Lá estavam os termos em condições de sujeito, de objeto direto preposicionado. Analisávamos. Classificávamos. Estudar a língua portuguesa assemelhava-se à matemática: analisar.

Analisávamos porque as palavras eram objetos, não pertenciam à vida, ao sentido. Distantes de nós, elas eram sujeitos e predicados, porém sujeitos e predicados não existiam nas ruas, em casa, nos livros, nas poesias de Drummond; sujeitos e predicados existiam somente na escola.

Revisitando Proust e os Signos, de Gilles Deleuze, onde os signos não são objetos, o autor me diz que "alguém só se torna marceneiro tornando-se sensível aos signos da madeira". Em Deleuze, a arte e a filosofia, Roberto Machado abre ainda mais meus olhos quando afirma que "o sentido, ou a essência, vive enrolado no signo, no que nos força a pensar, e só é pensado quando somos coagidos ou forçados".

Escrever jamais foi sujeito oculto.

domingo, março 21, 2010

A bebida dos deuses

O caderno Mais!, da Folha de São Paulo, publicou um ótimo texto sobre ayahuasca. Leia-o!

A viagem
Autora de "Fumaça Negra", musicóloga Margaret de Wys diz que os médicos não acreditam que tenha se curado com hoasca; feito de cipó e arbusto, chá alucinógeno lança altas doses de serotonina no sistema nervoso central

A hoasca confere status de realidade às experiências interiores

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

O poder da ayahuasca sobre a vida de uma pessoa pode ser devastador -em geral, para o bem. A americana Margaret de Wys que o diga. Depois do contato com a bebida alucinógena originária da Amazônia, conhecida no Brasil como hoasca, sua carreira de compositora sofreu um baque e o casamento acabou, mas ela se curou de um câncer de mama.

O tumor havia sido diagnosticado em 1999. Com simpatia pelo xamanismo, De Wys (pronuncia-se "di uaiz"), rumou para a Guatemala. Queria buscar uma cura entre os participantes de uma cerimônia maia de caráter ecumênico, com curandeiros de vários países. Ali encontrou o equatoriano Carlos e, por suas mãos, a hoasca.

"Eu enxergo dentro de você -suas veias, seus órgãos, seu sangue, suas células", anunciou-lhe Carlos, da etnia shuar (ou jivaro), na cerimônia em que beberam o preparado do cipó Banisteriopsis caapi e das folhas de Psychotria viridis.

"A fumaça negra está presa em seu peito. Venha para o Equador e eu a curarei."

"Black Smoke - A Woman's Journey of Healing, Wild Love, and Transformation in the Amazon" (Fumaça Negra, ed. Sterling, 240 págs., US$ 19,95, R$ 36) é o título do livro que a professora do Bard College, de Nova York, publicou há um ano sobre "a jornada de cura, amor selvagem e transformação de uma mulher na Amazônia", como diz o subtítulo.

"Carlos" é um nome fictício que ela deu, na obra, à sua paixão sul-americana. Após a publicação, De Wys passou a organizar pequenos grupos de americanos para conhecer os poderes do shuar (a primeira viagem, em fevereiro, tinha cinco pessoas).

Entre a Guatemala e o Equador, ela se submeteu a uma lumpectomia (retirada de tumor e tecidos adjacentes) nos EUA. Não seguiu, contudo, o tratamento prescrito pelos médicos americanos: seis semanas de radioterapia e cinco anos do antitumoral tamoxifeno.

"Fico aterrorizada com remédios ocidentais", diz, "por causa dos efeitos colaterais".

Todos os anos ela faz exames para verificar se o tumor voltou, e o resultado é sempre negativo. "Você não tem mais nada no peito, não enxergo nada", disse-lhe Carlos há poucos meses, durante sua última visita ao Equador.

"Nem eu", respondeu-lhe a compositora. "Mas os médicos não acreditam em cura."

Na iniciação com "natem" (nome shuar para a hoasca) há dez anos, porém, De Wys viu de tudo. Suas "mirações", como se diz entre praticantes brasileiros do Santo Daime e da União do Vegetal, incluíram entrar na boca de uma sucuri do tamanho de uma garagem.

Numa das alucinações, uma onça macho invadiu o corpo de Carlos, e outra, fêmea, o da americana. "O jaguar em Carlos era selvagem e brutal", contou De Wys à jornalista Roberta Louis em entrevista publicada pela "Bomb Magazine".

Hoje, sua relação com o equatoriano é estritamente profissional, ressalva.

Olhos bem fechados
O poder da hoasca sobre a mente deriva dos potentes alcalóides presentes no cipó B. caapi e no arbusto P. viridis empregados no preparo do chá.

O arbusto é rico na substância alucinógena dimetiltriptamina (DMT), que não tem efeito quando ingerido. Mas a DMT conta com a ajuda da harmina e da harmalina do cipó para chegar ao sistema nervoso central, onde juntas iniciam a subversão da consciência.

O mecanismo básico é uma inundação de serotonina, neurotransmissor com múltiplos e complexos efeitos no corpo e no cérebro.

Pessoas deprimidas, por exemplo, costumam ter baixos teores de serotonina. A fluoxetina (Prozac) consegue melhorar sua vida porque impede a recaptação (retirada) do neurotransmissor no espaço livre entre os neurônios, reforçando a comunicação entre eles.

Há uma tradição de pelo menos duas décadas de pesquisa sobre a hoasca no Brasil.

Uma equipe de dez neurocientistas da USP de Ribeirão Preto, do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e do Centro IBM JB Watson (Nova York) tem apresentado em congressos um trabalho com algumas revelações surpreendentes sobre a beberagem. Seis deles já experimentaram a hoasca.

Draulio de Araujo, Sidarta Ribeiro e seus colegas trabalharam com dez usuários frequentes do chá. Todos eram membros do grupo de Mestre Pelicano (irmão do cartunista Glauco) em Ribeirão Preto. O manuscrito tem o título "Vendo com os Olhos Fechados".

O grupo de pesquisa registrou imagens de atividade cerebral obtidas por ressonância magnética funcional durante tarefas visuais antes e depois da ingestão de 0,2 litro do chá.

A tarefa tinha três passos: contemplar uma imagem familiar por 21 segundos, depois fechar os olhos e imaginar a foto mostrada, e, por fim, olhar uma versão embaralhada da mesma imagem.

Três testes psiquiátricos padronizados avaliaram sintomas psicóticos, despersonalização/desrealização e sintomas maníacos dos participantes. Como era de esperar, todos tiveram aumento de sintomas depois de tomar o chá.

Todos também relataram aumento da capacidade de imaginação no segundo passo da tarefa, com as cenas tornando-se muito mais vívidas e reais -apesar dos olhos bem fechados. As áreas cerebrais mais ativadas estão associadas com a recuperação de memórias episódicas (fatos, lugares, pessoas), a ação intencional e o processamento visual.

Sua ordem unida, contudo, é reorganizada pela hoasca. Na vigília sem o chá, sensações interiores são intencionalmente interpretadas à luz de memórias e servem de base para a ação, a cada momento.

Revelações místicas
Sob a ação do chá, a imaginação chega ao poder, de certo modo, com a área visual primária (BA17) tomando a dianteira da ativação das áreas frontais envolvidas na vida consciente. Nessa sequência, as imagens compostas pela imaginação sem peias aparecem para a mente como fatos.

"A hoasca confere status de realidade às experiências interiores", resumem os neurocientistas. "É compreensível, portanto, por que a hoasca foi culturalmente selecionada ao longo de muitos séculos por xamãs da floresta tropical para facilitar revelações místicas de natureza visual."

"As mirações são tão reais quanto a percepção visual de elementos externos, pelo menos no que diz respeito à modulação observada no sistema visual primário", explica Draulio de Araujo.

"Foi uma baita surpresa", afirma Sidarta Ribeiro. "Esperávamos que as áreas frontais assumissem a liderança."

Tais conclusões, no entanto, "explicam" (aspas de Ribeiro, em comunicação por e-mail) como ocorrem as mirações, sem excluir nem confirmar interpretações místicas.

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No Brasil, a hoasca foi retirada em 1987 da lista de substâncias proibidas
É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína

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Na tradição de pesquisa sobre a hoasca, ganhou fama um artigo publicado em fevereiro de 1996 por cientistas brasileiros, americanos e finlandeses no periódico "The Journal of Nervous & Mental Disease".

Tinha como primeiro autor Charles Grob, da Universidade da Califórnia.

Era tudo de bom: 15 usuários do chá na União do Vegetal, comparados com 15 não usuários no grupo de controle, se mostraram mais reflexivos, leais, estoicos, frugais, ordeiros e persistentes. E ainda mais confiantes, relaxados, otimistas, despreocupados, desinibidos, enérgicos...

O estudo chegou a ser usado em tribunais americanos na batalha iniciada em 1999 por Jeffrey Bronfman em favor da legalidade da hoasca. Representante da União do Vegetal nos EUA e um dos herdeiros do império Seagram de bebidas alcoólicas, Bronfman teve três tambores da bebida confiscados como droga ilegal.

O caso só se encerraria em fevereiro de 2006, quando a Suprema Corte confirmou decisões anteriores determinando a devolução da hoasca e a legalidade de seu uso em contexto religioso.

No Brasil, a hoasca foi retirada da lista de substâncias proibidas em 1987, e a decisão sofre contestações desde então. No entanto, foi reconfirmada em 25 de janeiro deste ano pela resolução nº 1 do Conad (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas).

Apesar do reconhecimento da legitimidade do uso religioso do chá, parece haver consenso de que se trata, sim, de uma droga. "Certamente, como o LSD, a maconha, o álcool e o café", afirma o neurocientista Sidarta Ribeiro.

"É uma droga muito mais benigna para o organismo do que a heroína e a cocaína, pois não há overdose conhecida, nem adição [vício] pronunciada."

Potencial perturbador
Henrique Carneiro, especialista em história de alimentos e bebidas da USP, concorda que o chá não é fisiologicamente perigoso: "Psicologicamente, depende. É uma substância com potencial perturbador para quem não é experiente, ou dependendo do ambiente -um ambiente sereno tende a garantir boas experiências".

Para Ribeiro, a hoasca não deve ser dada a quem estiver no limiar de psicose, grávida ou for criança. "Pessoas com tendências psicóticas? Mentes frágeis? Esquece!", sentencia De Wys, que não admite gente desse tipo em seus grupos.

Mas ela sustenta que Carlos já curou esquizofrenia com a hoasca -e até gangrena.

Seu fascínio pelas curas que evita chamar de "miraculosas" -pois, para os xamãs, elas e os espíritos envolvidos fazem parte da ordem natural do mundo- também a trouxe "quatro ou cinco vezes ao Brasil".

Quem a atraiu foi o médium João de Deus, de Abadiânia (GO), mas ela aproveitou para conhecer terreiros de umbanda. Tudo para escrever um novo livro, concentrado em curandeiros do Brasil e da África do Sul.

Para a americana, Carlos e João de Deus, de certo modo, têm práticas similares, na medida em que se comunicam com espíritos ou os incorporam para realizar as curas.

Há uma grande diferença, porém: Carlos o faz de forma "consciente".

É ver para crer.

sábado, março 20, 2010

Pedagogia, a primeira semana

Na segunda semana de março, minhas aulas na faculdade de pedagogia iniciaram-se com a origem da gramática, tendo como base "Crátilo", de Platão, e "A vertente grega da gramática tradicional", de Maria Helena.

Platão definitivamente submeteu a palavra à condição de objeto, analisando e classificando-a. Não só isso. Como representante da razão clássica, ele, conforme sua concepção de língua, organizou a ação do corpo docente na escola.

Hoje, essa organização inexiste porque o modelo platônico foi desmoronado pela presença do texto e da leitura em sala de aula.

Com o fim da tradicional organização escolar, quando professores lecionavam fonologia, morfologia e sintaxe, o professor de leitura e de texto, passando por momento de crise, precisa se reorganizar fora de sala para fundamentar na prática um novo currículo oculto.

Se a palavra não passava de objeto para Platão, Bakhtin rompe com essa tradição em "Estética da criação verbal".

Bem, clique em Faculdade Euclides da Cunha e leia o conteúdo da aula.

quinta-feira, março 18, 2010

de 28 para 13

Às vezes, transformar significa colocar algo ou alguém em seu devido lugar. Transformar pode ser, portanto, colocar na ordem. Em um passado recente, na escola Heloísa Mourão Marques, as coisas estavam fora do lugar.

Em 2008, a ordem começou a tormar forma, a ter rosto. Nesse ano, houve 28 ocorrências policiais. Um ano depois, 13 ocorrências. Esses números são a consequência de gestora que encarna a imagem da autoridade (antipática). "Uma coisa que eu sei fazer é mandar", disse certa em uma reunião com os professores.

No passado, sem a imagem da autoridade, a violência domesticava alunos e, para evitar essa violência, o policial, não o gestor, é quem colocava ordem. "Hoje, as ocorrências na nossa escola têm mais um caráter educativo", observou a gestora.

Heloísa Mourão Marques é outra...

domingo, março 14, 2010

Makro vende mais barato

Hoje, comprei em dois locais: Makro e Araújo. Sem a menor dúvida, o Makro vende mais barato.

Em Rio Branco, Acre, Araújo e Gonçalves não são mais referências de supermercados que vendem mais barato.

Veja os números.

Nescau
Araújo: R$ 3.79
Makro: R$ 2.76
R$ 1.03

Azeite Galo
Araújo: R$ 17.59
Makro: R$ 15.45
R$ 2.14

1 quilo de açúcar
Araújo: R$ 2.44
Makro: R$ 2.37
R$ 0.07

Papel higiênico
Araújo: R$ 6.50
Makro: R$ 5.56
R$ 0.94

Sabão líquido
Araújo: R$ 0.98
Makro: R$ 0.94
R$ 0.04

Sabão em pó
Araújo: R$ 2.99
Makro: R$ 2.39
R$ 0.60

Amaciante
Araújo: R$ 5.35
Makro: R$ 3.99
R$ 1.36

Atum
Araújo: R$ 4.69
Makro: R$ 3.96
R$ 0.73

Ingrediente de feijoada
Araújo: R$ 10.69
Makro: R$ 7.50
R$ 3.19

Arroz Urbano
Araújo: R$ 12.98
Makro: R$ 9.55
R$ 3.43

Macarrão
Araújo: R$ 1.79
Makro: R$ 1.69
R$ 0.10

Sulco Dell Vale
Araújo: R$ 4.49
Makro: R$ 3.58
R$ 0.91

Só com esses produtos, a economia chega a R$ 14.54. Com essa sobra, compra-se mais de 1 quilo de alcatra.

quinta-feira, março 11, 2010

A democracia é 10

Há mais de uma semana, um cartaz do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado do Acre, o Sinteac, encontra-se colado na entrada da escola Heloísa Mourão Marques, ao lado externo da porta da sala dos professores.

No cartaz, o corpo docente é convocado a uma paralisação.

O sinal toca, e os alunos caminham às salas. Enquanto isso, os professores reúnem-se para aprovar em cima da hora uma paralisação. O cartaz estava colado há dias, há mais de uma semana.

Votos contados, dez professores aprovam a paralisação. Os alunos retornam às suas casas.

"Tudo bem que a maioria votou a favor, mas o cartaz está na escola há dias e só agora vocês se reúnem para não haver aulas quando os alunos já estão em sala, isso é uma desconsideração pelos alunos", disse a professora-diretora Osmarina.

Minha crítica

Vindo do grego krinein, "crítica" implica julgamento. Interessante observar que "julgar" tem a mesma origem de "judiciário". "Criticar" significa, segundo Houaiss, "avaliar", "ponderar".

Escrita, lanço minha crítica aos olhos de dez professores que votaram, conforme eles acreditam, em uma paralisação. É preciso considerar, no entanto, que a paralisação da educação não se assemelha à paralisação bancária. Esta não repõe os dias parados. Aquela adia o fim do ano letivo à medida que o professor não leciona.

Parece ser uma verdade absoluta: o professor para um dia e, depois, repõe a aula. Nesse sentido, que pressão a rede pública de ensino pode exercer sobre a secretaria se está garantida a reposição de aula? O ano letivo será atrasado, mas isso é problema dos professores.

Pois bem, pessoas que passaram por uma faculdade votaram em uma "reposição de aula" porque estão convictas de que, com essa "paralisação", o sindicato pressionará o governo. Serei eufêmico: pouco inteligente. Paralisação ou greve de escola pública não passa de um erro crasso contra o bom senso.

Democracia

Entre nós, o critério da democracia é o número, ou seja, a maioria, neste caso, 10 professores votaram a favor da paralisação. Mas será isso democracria? Será democracia o desejo de uma maioria?

Democracia não é a maioria se manifestar, mas a melhor ideia prevalecer muito acima do desejo de grupo. A ideia. O melhor. O justo. O bom senso. Repor aula é bom senso? Votar em uma paralisação que não pressiona o poder é a melhor ideia?

Em minha pura tolice, cheguei a pensar que, quando formado, quando passasse por uma faculdade, bons debates e inquietantes reflexões sedimentariam ideais na escola. Enganei-me: a escola não é lugar de ideais, por exemplo, democráticos.

Ela é o lugar onde a democracia, sem bons debates e sem inquietantes reflexões, não passa de uma maioria que impõe não apenas o seu corporativismo, mas a incapacidade de perceber que as velhas formas de luta do Sinteac caducaram no século 19.

Escrevo em vão. Na escola, democracia é maioria, é isto: número - tudo a ver com uma época que vive "A era do vazio", de Gilles Lipovetsky.

Prolongaram o calendário escolar.

terça-feira, março 09, 2010

À amiga virtual do Rio Grande do Sul

Ivone, não existe igualdade entre o sexo masculino e o sexo feminino. Não existe igualdade porque, por meio dessa diferença entre esses dois sexos, o menino aprende com a menina.

Você já reparou que o menino alegra-se quando exibe seu pênis? Tenho uma filha com 12 anos e eu não receberia nada bem a notícia de que a Lara exibiu seu órgão genital em sala de aula. Você concorda comigo que ele pode exibir o pênis, mas ela não pode exibir sua vulva. A diferença existe.

Imagine agora um menino de 5 anos mostrando seu pipiu aos coleguinhas. Imaginou, Ivone? Repare como ele, por meio de seu pequeno órgão, inibe as meninas, constrange-as. O seu pipiu pode sair da calça, pode ser balançado, apontado, ou seja, o pênis dessa criança pode se impor publicamente.

Esse mundo, Ivone, pertence ao masculino e discordo dele. Se eu soubesse que meu filho tinha exibido seu pênis em uma sala de aula, ele aprenderia com a mãe e com um pai de alma feminina os valores nobres da mulher , um deles: a compostura ou, se quiser, o decoro público, ou, se quiser ainda, não violentar, ou, se quiser ainda, o respeito pelo outro.

Penso estar sendo muito claro em meu texto. Outro exemplo, eu encontro no filme O contador de histórias. Na Febem, Roberto Carlos aprende a ser violento em um espaço onde é marcante a ausência não da mulher, mas de signos que representam o domínio simbólico do feminino.

A única mulher que encarna esses signos é Margherit, uma pedagoga francesa. O garoto, submetido à devassidão do mundo masculino, isto é, à destruição, conhece essa educadora para aprender um outro valor simbólico do gênero feminino: a delicadeza. E entenda: delicadeza significa a força de edificar o bom, o belo.

Ivone, eu poderia tecer mais e mais sobre o assunto, mas acredito que neste limite está bem clara a minha exposição, a de que não existe igualdade entre os sexos. Os meninos devem aprender com as meninas por não haver igualdade entre eles.

segunda-feira, março 08, 2010

Discórdia vinda do Sul, tchê!








Ivone Bengochea, do Rio Grande do Sul, não gostou do que escrevi em "Um livro e uma matéria de jornal". Minha amiga virtual, ela não me compreende quando rabisco algo sobre as feministas neste blogue.

Ivone, já disse a teus olhos que o feminismo não fala uma só língua. Entretanto, uma ideia de feminismo se perdeu ao longo dos anos, ideia defendida por Käthe Schirmacher, por Marguerite Durand, por exemplo.

Jogo pesado contra um feminismo tolo, um modelo que serviu ao capital, à indústria. Esse tipo é um erro. Não sou contra o feminismo, mas contra uma concepção dele. O feminismo que você defende não fugiu ao domínio masculino.

Ivone, sei que estou devendo a ti a leitura de Drummond, estou em falta. Por favor, tenha paciência.

Um abraço suave em teu destino!

domingo, março 07, 2010

Um Livro e uma Matéria de jornal

Na matéria do jornal Folha de São Paulo, mais mulheres têm carreiras "masculinas". E não falta este enfadonho clichê feminista: "as mulheres estão conquistando seu espaço". Ocupar espaço na cidade, convenhamos, Platão, há 300 anos antes de Cristo, escrevera isso em A República.

Elas ocupam o espaço físico de uma profissão; porém, quando se trata de linguagem simbólica, quem domina é o masculino. Melhor ouvir uma feminista acriana ou ler A Dominação Masculina, de Pierre Bourdieu?

A ordem masculina permanece inabalada. Elas podem ocupar espaços masculinos, entretanto a dominação perpetua-se masculinazada por ser essa dominação simbólica. Toda feminista é tola, menos Käthe Schirmacher, Marguerite Durand, Katti Anker, Ellen Key, por exemplo.

Pierre Bourdieu (1930-2002)










Autor de A Dominação Masculina

Rafael Andrade/Foto Imagem









Maria Neusa Machad, 33, e Maria Aparecida Lemoa, 40, entre as poucas motoristas de ônibus de São Paulo

Nos últimos 30 anos, cresceu a presença de mulheres em funções consideradas masculinas, mas o inverso não ocorreu.

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Nos últimos 30 anos, as mulheres aumentaram sua presença em ocupações tradicionalmente masculinas. O inverso, no entanto, não ocorreu, e profissões que sempre foram consideradas femininas permanecem com baixos percentuais de homens atuando.

A constatação é da pesquisadora Regina Madalozzo, do Insper, que comparou na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) o percentual de mulheres em 21 ocupações entre 1978 e 2008.

No final da década de 70, menos de um quinto dos advogados e médicos eram mulheres. Hoje, elas são quase metade dos profissionais dessas áreas.

Algumas carreiras seguem altamente masculinas, mas, mesmo nelas, é possível identificar aumento da participação feminina. Entre engenheiros, por exemplo, a proporção foi de 5% para 11%. Entre policiais e detetives, de 2% para 13%.

Se elas demonstram vontade e capacidade de atuar em ocupações onde eram minoria, o mesmo não se pode dizer dos homens em relação a áreas majoritariamente femininas.

Em 30 anos, houve pouca ou nenhuma alteração nos percentuais masculinos de enfermeiros, professores, profissionais de creche ou costureiros.

"Embora ganhando menos que os homens nas mesmas ocupações, as mulheres estão entrando em áreas tradicionalmente masculinas. Eles, no entanto, não aceitam, ou não são bem aceitos, em profissões dadas como femininas", afirma Regina Madalozzo.

Ela explica que o perfil mais feminino de algumas ocupações é explicado pela similaridade dessas funções com o trabalho doméstico. "As mulheres entraram no mercado em profissões relacionadas ao cuidado. Isso era entendido como extensão do que faziam em casa."

Salários
A desigualdade entre salários de homens e mulheres diminuiu no Brasil nos últimos 30 anos, mas o diferencial é, quase sempre, a favor dos homens.

Dados tabulados pela Folha a partir da Pnad de 2008 mostram que, de um total de 61 ocupações analisadas, em apenas seis o rendimento das mulheres por hora de trabalho superava o de homens.

Mesmo em profissões em que a participação masculina é inferior a 20%, o rendimento delas é, em média, menor.

Secretários do sexo feminino, por exemplo, representam apenas 7% do total, mas recebem por hora 32% a mais que mulheres na mesma profissão.

Nas poucas áreas em que as mulheres têm rendimentos maiores, Regina Madalozzo explica que, frequentemente, isso ocorre porque o nível de escolaridade delas é superior ao dos homens na mesma profissão.

Um exemplo disso pode ser constatado entre guardas e vigias, ocupação em que as mulheres são apenas 5% do total.

O rendimento médio por hora de trabalho delas é 10% superior ao de homens. Mais da metade (53%) dessas profissionais têm ao menos nível médio completo. Entre homens, esta proporção não passa de 31%.

quinta-feira, março 04, 2010

Um blogue a Tiago Tavares

Tiago, existe um livro que meus olhos apreciam muito: O Carteiro e o Poeta. Folheamos nessa obra literária o valor da amizade entre dois homens. No passado, acreditei em duas amizades e estendi minhas mãos a elas para, em troca, receber o gesto dos canalhas.

Eles lecionam em uma universidade. Dois pulhas. Infelizmente, eu não os considero humanos e, em mim, despertaram a mais fria e sólida insensibilidade. A vida, entretanto, continua e, mesmo assim, precisamos crer na amizade, nem todos, sabemos, fedem a velhacos.

Como você pôde ler, cultivo em mim um mal que me alegra, não sou bem aquilo que você escreveu em seu blogue. Por outro lado, ainda preservo ideais.

Sou grato por suas palavras. Você tem apenas 21 anos e, com essa pouca idade, vejo um espírito transformador; um homem dedicado ao ato de lecionar para muito além do senso comum.

Um abraço em teu destino!








quarta-feira, março 03, 2010

Um novo blogue novo

Os alunos do terceiro ano do ensino médio criaram um charmoso blogue.

Que juventude fascinante! É um pessoal muuuuuuuuuito bom, um dos exemplos da escola Heloísa Mourão Marques.

A professora de História Sezimária os levou ao CDIH, da Universidade Federal do Acre, para eles lerem a história em jornais pautados pelo passado.

Motivar a criação de blogues é essencial na escola. No ano passado, cometi alguns erros nesse sentido; porém, neste ano, providenciei algumas alterações, só que ainda não estão boas - preciso pensar em outras possibilidades.

Professora Sezimária, parabéns!
Alunos, inquietem-se!
Acesse o terceiro ano A da escola HMM

terça-feira, março 02, 2010

Gramática: vírgula

"Esse um não é numeral e, sim, artigo."

O Celso Pedro Luft não defende o "sim" entre duas vírgulas. Ele argumenta que "e sim" é uma unidade inseparável.

Não se trata de um termo deslocado na frase-oracional, porque, se o colocarmos no final, o sentido é outro.

Vejamos: "esse um não é numeral e artigo sim." O lugar desse "sim" só pode ser ao lado de "e" segundo Luft. Inseperável de "e", "e sim", segundo Celso, é uma locução adversativa. Para ele, as palavras "e sim" significam "mas", e não "e".

Para Celso Pedro Luft, o correto é "esse um não é numeral, e sim artigo."

Justificam-se as duas vírgulas se colocarmos o "mas" porque, sozinho, o "mas" é adversativo.

"Esse um não é numeral; mas, sim, artigo."

sábado, fevereiro 27, 2010

Muita dengue e confusão

Segundo informações, ontem, por volta das 20 horas, o centro de saúde Barral y Barral, bairro Estação Experimental, em Rio Branco, a irmã do ex-governador Jorge Viana, sem ficar na fila, pediu que um enfermo saísse do lugar para ela pôr um doente que estava com ela.

A funcionária pública Sílvia disse-lhe que, se quisesse ser atendida, que ficasse na fila. Em época de dengue, iniciou-se uma confusão.

"Você sabe com quem está falando?", perguntou Sílvia, a irmã do ex-governador. "Não me interessa com quem estou falando, a senhora deve ficar na fila como outra pessoa", respondeu a funcionária.

Depois, comentarei.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A imprensa e Clarice Lispector












Houve uma época em que os jornais editavam inteligência e pautavam cultura. O Jornal do Brasil, por exemplo, publicava as entrevistas de Clarice Lispector [1920-1977], além de seus artigos.

Textos muito bem escritos, linhas que faziam o leitor se sentir humano, eu disse humano, não burro.

A editora Rocco publicou essas entrevistas em um charmoso livro, Clarice Lispector, entrevistas. Entre tantos entrevistados, Emerson Fittipaldi, Paulo Autran, Pablo Neruda, Zagallo, João Saldanha, Tarcísio Meira, Jardel Filho, Elis Regina.

Neste blogue, separo: Nelson Rodrigues. Escreve Clarice.

"Avisei a Nelson Rodrigues que desejava uma entrevista diferente. É um homem tão cheio de facetas que lhe pedi apenas uma: a da verdade. Ele aceitou e cumpriu.

- Você é da esquerda ou da direita?
-
Eu me recuso absolutamente a ser de esquerda ou de direita. Eu sou um sujeito que defende ferozmente a sua solidão. Cheguei a essa atitude diante de duas coisas, lendo dois volumes sobre a guerra civil na História. Verifiquei então o óbvio ululante: de parte a parte todos eram canalhas. Rigorosamente todos. Eu não quero ser nem canalha da esquerda nem canalha da direita.

- Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
-
Do ponto de vista amoroso eu encontrei Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal."

Outro estrevistado: Hélio Pellegrino.

"- Que é o amor?
-
Amor é surpresa, susto esplêndido - descoberta do mundo. Amor é dom, demasia, presente. Dou-me ao Outro e, aberto à sua alteridade, por mediação dele, recebo dele o dom de mim, a graça de existir, por ter-me dado."

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No Acre, vivemos o período mais pobre de seu jornalismo. Triste.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Nota de Esclarecimento

Presidente da FEM explica investimentos no carnaval 2010

Em correção à informação publicada no Diário Oficial do Estado que leva à interpretação de que o valor contratado tenha sido pago apenas à banda baiana que animou as últimas três noites de carnaval na Arena da Floresta, a Fundação Elias Mansour esclarece que:

Com as três noites animadas pela banda baiana a FEM teve uma despesa de R$ 106 mil.

Com as cinco noites animadas pelas bandas locais a FEM teve uma despesa de R$ 127.5 mil.

As despesas operacionais de passagens, transporte de equipamentos, hospedagem, alimentação, taxa de administração e outras ficaram em R$ 67 mil, somando ao todo o valor de R$ 300.5 mil do contrato, cujo extrato foi incorretamente publicado.

Atenciosamente,
Daniel Sant'Ana
Presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour
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Como Altino Machado é o responsável pela publicação em seu blogue desses R$ 300 mil, termino com seu comentário sobre a nota do presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour.

"Meu comentário: existem dois contratos assinados pela FEM com a empresa Kampa Viagens, Serviços e Eventos Ltda., relativos à organização do "Carnaval na Floresta Digital". Eles somam R$ 608 mil. O governo do Acre menciona existência de erro após a divulgação neste blog do extrato do contrato de R$ 300 mil, portanto onze dias após a assinatura do mesmo. A soma de seis contratos já publicados no Diário Oficial totaliza mais de R$ 2 milhões. Como outros extratos de contratos terão que ser publicados, estima-se que o valor total da festa ultrapasse os R$ 2,5 milhões. O blog sempre serve, convenhamos. Desde julho do ano passado, quando começou a versão digital do Diário Oficial do Estado, existem 45 ocorrências da relação do governo com a empresa Kampa, que negocia, entre outros, passagens aéreas, eventos e locação de carros."

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Dinheiro Público


Se você deseja conhecer Fernanda Farani, acesse nela. Em seu blogue, você irá entender o porquê de o governo do Estado do Acre pagar R$ 300 mil a essa jovem que representou o autêntico Carnaval .

E viva a cultura axé acriana!

"A Partida"

Quando entro em uma locadora, minha mão sempre busca um filme que ponha diante de meus cansados olhos esta palavra: sensibilidade. O mundo da rua - lugar deste objeto chamado multidão - não tem sabor. Assistir a um bom filme, no entanto, é oferecer aos olhos

o gosto,
o sabor,
as delícias

da sensibilidade. "A Partida" é um filme sobre a morte, digo, sobre a beleza da morte. No passado, o Japão sepultava seus filhos com beleza; porém, no Japão moderno, o corpo não passa de objeto, de coisa.

Músico irrealizado, um jovem retorna às suas origens para, com a sensibilidade de dedos que tocaram Beethoven, Bach, sepultar o pai. Antes, porém, a arte.

Para o primeiro semestre, escolhi um livro de Clarice Lispectos para ler em sala. No segundo semestre, penso em ler um sobre a morte, "O Deserto dos Tártaros", talvez.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Literatura e Vídeo

Você quer lecionar ?

Desmoralizaram os professores
Texto de Giberto Dimenstein

Apenas 2% dos estudantes do ensino médio querem ser professores - esse índice se aproxima de zero quando computados os alunos de maior aquisitivo, que estudam em escolas privadas. Esse fato mostra que a profissão de professor está em baixa, diria até desmoralizada.

Há dados ainda piores no relatório sobre a atratividade da carreira de professor que a Fundação Victor Civita encomendou à Fundação Carlos Chagas.

O pior dos dados: os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas, sendo que quase 90% são de escolas públicas. Portanto, o curso de licenciatura e pedagogia é, para muitos, a opção de quem não tem opção. O resto é apenas consequência.

Considero a profissão de professor a mais nobre que existe. Mais nobre, por exemplo, do que a medicina --afinal, sem professor ninguém chegaria a uma faculdade de medicina. Não é compatível, portanto, um projeto de nação civilizada com a categoria de professor desmoralizada.

__________________________
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

As pérolas e a ostra













1. Poriço. 2. Achão. 3. Intender. 4. Insina. 5. Piquenos. 6. Dependençia. 7. Salvalos. 8. Ajudalos. 9. Paçam fome. 10. Começão. 11. Mizeria. 12. Imdependente. 13. Isnobis. 14. Eses. 15. Enfrente. 16. Condinções. 17. Precissam. 18. Intrar. 19. Encinar. 20. Precosseito. 21. Entrão. 22. Trájico. 23. Porisso. 24. Conserteza.

No Carnaval, diante de meus olhos, 96 redações de alunos do segundo ano do ensino médio. Erros e mais erros, limitei 24. Batizaram-nos (de) "pérolas". No Programa do Jô, o apresentador os exibe e ri deles.

Não vejo graça. Não são motivos de riso.

Quando um corpo estranho penetra na ostra, esta libera uma substância chamada madrepérola. A função dessa substância é cristalizar o corpo estranho, impedindo sua reprodução. Após três anos, esse corpo transforma-se em pérola.

Vindo de escolas públicas, alunos, se escrevem assim, é porque uma ostra os cristalizou, impedindo o crescimento deles. Cristalizar, isto é, paralisar, estacionar. Muitos jamais refizeram dissertações em sala de aula. Jamais.

Desde a antiga quinta série, a ostra nunca pediu para que procurassem no dicionário a palavra "ensino" e, depois, corrigissem o erro. Cristalizar.

Aos meus alunos, entreguei o calendário escolar de Escrita (redação e gramática) e de Leitura (filmes, poesias, ensaios, charges). Com isso, eles sabem antecipadamente que estudarão dissertação na próxima semana, partindo do enunciado do Enem de 2000, um dos mais difíceis.

Antes, porém, corrigirão seus erros ortográficos após o dicionário ser consultado. Só reorganizarão suas ideias depois de cada um corrigir seu erro - "encino", "precosseito", "poriço", "começão".

Se as ostras são as únicas responsáveis por isso, por que rimos das pérolas?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Minha escola, campeã

A escola de samba São Clemente foi a campeã do Grupo de Acesso no Carnaval de 2010 do Rio de Janeiro e, com isso, voltará ao Grupo Especial em 2011. A apuração dos votos aconteceu às 15h desta terça-feira (16), no Terreirão do Samba.

Com o enredo Choque de ordem na Folia, a agremiação, cores amarelo e preto, ficou sob a responsabilidade do carnavalesco Mauro Quintaes.

Fundada em 1961, a São Clemente tem como principais características a irreverência e enredos com temática social, preocupados com a qualidade de vida do povo brasileiro.

Como exemplo, temos o Carnaval de 1984, que levou para a avenida o enredo Não Corra, Não Mate, Não Morra: O Diabo Está Solto no Asfalto, sobre o caos e a violência no trânsito.

No ano seguinte, a escola apresentou o tema Quem Casa, Quer Casa, uma sátira ao sério problema do défice habitacional no Brasil.

Em 1987, inovou ao levar para a Sapucaí uma comissão de frente formada por meninos de rua de verdade, no enredo Capitães do Asfalto, que falava sobre menores que moravam nas ruas do Rio.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Carnaval, Pátria e a morte de Momo






O governo do Acre usou os dias de Momo para propagar sua política de comunicação. "Viva o Carnaval na Floresta Digital" é propaganda de governo em uma festa que deveria ser popular. Os secretários de Cultura, se têm algum conhecimento sobre rei Momo, são figuras apagadas porque nunca colocaram o Carnaval rio-branquense em seu devido lugar simbólico.

No Dia da Pátria, 7 de Setembro, que é a festa do poder, tudo permanece em seu devido lugar. Nessa festa, o governo não faz a propaganda "7 de Setembro na Floresta Digital". Os signos do Dia da Pátria são fixos e preservados, isto é, a tradição do poder é mantida.

No Carnaval, entretanto, os signos linguísticos não são preservados, por exemplo, Momo. Os secretários de Cultura deveriam existir para preservar esses signos do Carnaval, porém Marcos Vinícius, da Prefeitura de Rio Brannco, não ocupa a Secretaria de Cultura para manter o sentido original do reino momesco.

Marcos - um carioca muito bem domesticado pelo poder - matou rei Momo e permanece impune em fevereiro todo ano. Em dias de Carnaval, esse secretário de Cultura deveria ser preso para não falar tanta besteira contra Momo.

TV Aldeia

Não conhecço comunicação como Aníbal Diniz, secretário do governo petista acriano, mas não sou estúpido o bastante para afirmar que a TV Aldeia emite qualidade, por exemplo, no Carnaval.

Seus repórteres, uniformizados, nunca colocaram roupas adequadas à festa, isto é, jamais se fantasiaram para entrevistar com alegria, com deboche, com riso. Para um Carnaval caricaturesco, nada mmelhor do que uma TV que não sabe o que é Carnaval, nada melhor do que repórteres sem graça e uniformizados a serviço do poder.

Mais um ano e não vi em Rio Branco o rei Momo escarnecendo ex-governadores com seus salários eternos. Não vi foliões com fantasias que desmascarassem os políticos. Não vi blocos que rissem do fanatismo de neopentecostais. Momo está morto.

Pior é saber que no próximo ano a enfadonha mesmice continuará.

Alterando os versos de Affonso Romano de Sant'Anna, termino:

Uma coisa é um Carnaval,
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um Carnaval,
outra um alheamento.

Uma coisa é um Carnaval,
Outra um gerenciamento.