terça-feira, setembro 30, 2008

Mário Quintana (1)


Poeminho do contra

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!


Os poetas dizem mais que políticos, porque a palavra, por meio deles, encanta, isto é, eleva-nos. Os políticos empobrecem a palavra.

Mário Quintana entregou-se à poesia sem pedir nada em troca. Morreu simples como simples é a brisa.

No Acre, alguns homens de esquerda dizem lutar por essa abstração chamada povo, mas, em nome da esperança, da justiça social, aumentam seu patrimônio; enriquecem-se com o dinheiro público.

Visite o sítio Políticos do Brasil e veja o patrimônio de políticos acreanos antes de serem deputados e, após algumas reeleições, perceba o quanto o dinheiro público enriquece as pessoas, tudo em nome do povo.

segunda-feira, setembro 29, 2008

De Altino Machado

Nepotismo no Tribunal de Justiça

Desembargadores do Acre descumprem resolução do Conselho Nacional de Justiça e súmula vinculante do Supremo Tribunal FederalO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderá fracassar pela segunda vez na tentativa de estancar a tradicional prática de nepotismo no Tribunal de Justiça do Acre, onde cargos, empregos e funções costumam ser exercidos por parentes, cônjuges e companheiros de magistrados e de servidores em cargos de direção e assessoramento.

Daniela Flores Praça e Giuliana Evangelista de Araújo Silva, por exemplo: ambas são servidoras concursadas, filhas de desembargadores e exercem cargos de confiança. Daniela está lotada no gabinete do desembargador Feliciano Vasconcelos, mas trabalha mesmo é no gabinete do pai, o desembargador Francisco Praça.

Giuliana Evangelista, colunista social (veja aqui) do diário A Tribuna, é filha da desembargadora Eva Evangelista, corregedora do Tribunal de Justiça. Exerce, desde fevereiro de 2005, o cargo comissionado de secretária, código PJ-DAS-101.4, do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça.

O conselho serve exclusivamente à presidência, vice-presidência e à corregedoria, para controlar todas as informações relacionadas à vida funcional dos magistrados acreanos, como promoções, salários, férias e indenizações. É quem elabora a folha de pagamento dos magistrados, pois a folha dos servidores é atribuição do setor de recursos humanos.

Portanto, a mãe da colunista social, que é a corregedora do Tribunal de Justiça, exerce o cargo baseada em informações que são controladas e repassadas pela filha. Outro exemplo é o datilógrafo Afonso Evangelista Araújo, irmão da corregedora, que exerce há sete anos cargo comissionado como responsável técnico do Juizado de Trânsito.

Digamos que os três casos podem ser considerados emblemáticos porque expõem uma prática recorrente entre os demais magistrados que mantém parentes ocupando funções ou cargos comissionadas no Tribunal de Justiça do Acre. Ao tomar posse, todos declararam não ter incompatibilidade para o exercício do cargo, conforme as hipóteses previstas na legislação.Leia mais no Blog da Amazônia.

A imagem feminina e simpática de um sindicato

Quando o Sindicato dos Professores Lincenciados do Acre (Sinplac) atracou em Rio Branco, eu pensei que fosse, ao longo do tempo, apresentar uma organização oposta à do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac). Enganei-me.

Por causa de seu modelo de escolha de dirigentes, o Sinplac, um dia, será domesticado pela partidarização, a mesma do Sinteac. Como a atual gestão não apresenta outro modelo de escolha para dirigentes, PT e PC do B tomarão para si o Sinplac um dia. Questão de tempo.

Mas, enquanto isso não ocorre, o Sinplac se opõe ao Sinteac na pessoa da simpática Francisca Cíntia Costa de Souza Pontes. Agradabilíssima, Cíntia é uma secretária que não coloca no rosto a maquiagem pesada e enfadonha de sindicalista.

Eficiente, educada, muito feminina, ela é a boa imagem do Sinplac. Entretanto, se um dia PT ou PC do B administrar o Sinplac - o que acho uma infelicidade -, Cíntia não poderá permanecer em um ambiente brutalizado pelo ranço sindicalesco.

Serei obrigado a pedir minha desfiliação.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Ao Josafá Batista (2)

Não enrola. A explicação que cabe à "Petrobrás", por exemplo, cabe à "internete", ou seja, as duas palavras são siglas. Pela última vez, leia a explicação de Antônio Houaiss.

c) sílabas iniciais, formando quase-palavras (Benelux = Bélgica, Nederland [Países Baixos] e Luxemburgo); d) partes iniciais, formando quase-palavras (Petrobras = Petróleo Brasileiro S.A.); acrógrafo, acrograma [Não são red. apenas de letras iniciais, mas tb. de sílabas iniciais, que podem combinar-se com letras iniciais.]

Outra questão: suas comparações com os integralistas e com o nazismo. Desde quando o PT instalou um Estado totalitário no Acre? Penso que, para o bem da democracia, criticar o PT é prestar um bom serviço à sociedade, mas alucinações não são críticas, Josafá.

Asfaltar rua não tem importância para mim, porque MINHA RUA é asfaltada. Entretanto, para pessoas que moram em bairros marginalizados pelo poder público há anos, me desculpe, Josafá, mas isso é um avanço. Você, Josafá, não pode negar que índices sociais melhoraram no Acre desde que a Frente Popular chegou ao poder. A imprensa nacional não os contesta.

Outra questão: o prefeito Angelim não é um canalha politiqueiro, um oba-oba. A Frente erra, sabemos, mas erramos mais ainda quando nossas críticas não passam de alucinações. Hoje, a educação pública tem problemas, porém não são iguais ao passado. Criticá-la hoje é apontar novos caminhos, o que alucinações não podem fazer.

Rio Branco é melhor. Os índices sociais são melhores. A única coisa que não é melhor, Josafá, chama-se oposição - e que ela continue assim por muitos e muitos anos com suas alucinações.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Ao Josafá Batista

SIGLA, do dicionário Houaiss

Rubrica: paleografia.
letra inicial de uma palavra ou conjunto de letras iniciais de diversas palavras, us. como abreviação em monumentos, moedas, medalhas e manuscritos antigos
1.1 letra inicial ou conjunto de letras iniciais de um nome próprio empregada(s) como monograma
2 Derivação: por extensão de sentido.
redução de um intitulativo complexo a suas: a) letras iniciais, sem formar palavra (ABCD ou A.B.C.D. = Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema, municípios da Grande São Paulo); b) letras iniciais, formando palavra (U.N.E. = União Nacional dos Estudantes, O.N.U. = Organização das Nações Unidas); c) sílabas iniciais, formando quase-palavras (Benelux = Bélgica, Nederland [Países Baixos] e Luxemburgo); d) partes iniciais, formando quase-palavras (Petrobras = Petróleo Brasileiro S.A.); acrógrafo, acrograma [Não são red. apenas de letras iniciais, mas tb. de sílabas iniciais, que podem combinar-se com letras iniciais.]

Recriar Laélia Alcântara

Uma vez, pensei que a justiça social em minha Pátria fosse rápida como a intolerância de muitos. O processo é lento. Quando vejo um prefeito colocar o poder público em bairros que sempre permaneceram à margem, eu respeito muito, por isso, quando rascunho críticas à Frente Popular, faço-as com moderação, faço-as para haver sempre o melhor. Prefiro errar com a esquerda a ter que errar com aqueles.

Foto de Evandro Deze (Antes)

Como leva tempo para melhorar uma cidade, porque a idade de uma cidade não se assemelha ao tempo de nossas vidas. Quero dizer com isso que o tempo na política é mais lento do que o meu tempo.

Jorge Viana (PT) iniciou o calçamento, mas, depois, com Mauri Sérgio (PMDB), com Flaviano Melo (PDMB) e com Isnard Leite (PP), não houve calçamento. A cidade só foi retomá-lo com Raimundo Agelim (PT).

Algo mínimo, calçar, mas nem o mínimo realizaram.

Foto de Evandro Deze (depois)












Minha cidade não é só a minha rua. Rio Branco não pode ser a minha intolerância.

Esta capital precisa de uma política contínua no tempo e no espaço até a Frente Popular dar sinais de que não irá se superar. Quando PT e PC do B derem sinais de que não se superarão, quando um nova esquerda der sinais de que será muito melhor, aí poderei pensar em outras possibilidades.

No momento, não é o caso.

terça-feira, setembro 23, 2008

Para Márcio e Altino

Diagramador do jornal A TRIBUNA, Márcio ri quando lê no jornal "internete". Altino Machado, quando pode, ri de mim quando coloco no jornal "internete".

Pois bem, senhores, conheço os seguintes registros:

1. Internet;
2. internet; e
3. internete.

Como Altino só vê escrito Internet, copia. Mas o fato é que os três registros estão corretos, mas a palavra, como passa por transformações, eu opto por uma explicação mais coerente.

Antes, escrevia-se INTERNET. Mas, em manuais jornalísticos, havendo quatro letras pronunciadas e não soletradas, escreve-se Internet. Só que, por causa de seu uso constante, Internet transformou-se em um substantivo comum, ou seja, internet, deixando de ser uma sigla. Assim, transformada em um veículo de comunicação de massa como os substantivos comuns televisão e rádio, a palavra é escrita assim: internet.

O gramático Celso Pedro Luft observa que na língua portuguesa não existe terminação com "t". Ele dá exemplos: shoot (chute), report (reporte e depois repórter), guichet (guichê), kitchenet (quitinete), filet (filé), cachet (cachê), camelot (camelô), carnet (carnê), bonnet (boné), blackout (blecaute), deficit (défice), cabaret (cabaré), lockout (loucate).

Poderia citar mais. O fato é que no livro de Celso Luft registra-se internete por uma questão, Altino e Márcio, de analogia.







"Nós usamos Rexona"












Para mostrar que o desodorante da Frente Popular protege 24 horas e é antitranspirante, políticos têm levantado os braços nesta campanha para o povo cheirar. Pesquisas revelam que eles não têm sovaqueira.

domingo, setembro 21, 2008

De Anchieta aos evangélicos

de Aldo Nascimento











No dia 16 de março deste ano, chegou aos meus olhos por R$ 33 o teatro do padre José Anchieta, uma bonita edição da Martins Fontes. Trata-se de Auto de São Lourenço, texto dramático representado em 10 de agosto de 1587, na Capela de São Lourenço, hoje Niterói, no Rio de Janeiro. Debrucei minhas retinas sobre o parapeito de palavras durante dois meses para eu perceber a sedução que Anchieta exerceu sobre os povos tupis e tupinambás. Em pleno século 16, a igreja, em um lugar inóspito, teatralizou seu domínio no adro da igreja.

Profundo estudioso da língua nativa, Anchieta chegou mais tarde, em 1595, a elaborar a Arte de grammatica da lingva mais vsada na costa do Brasil a fim de penetrar na cultura local por meio da própria língua indígena. Em Auto de São Lourenço, o teatro anchietano lança duas variantes dialetais mais usadas no Brasil quinhentista, o tupi e o tupinambá. Aprendemos com esse sacerdote católico que o poder mistura-se com seu oposto para corrompê-lo por dentro. Estar dentro significa, nesse caso, tudo o que a palavra pode representar, por exemplo, a alma de um povo, sua vida.

Se Santo Agostinho condenou o teatro ao inferno em Cidade de Deus, a igreja, por ter duas ou mais faces, usará essa arte para colocar do avesso os valores místicos dos nativos. Couto Magalhães, estudioso da cultura tupi, mostra a nós sua teogonia. Anhanga, deus da caça, protege os animais terrestres contra os índios que quisessem abusar de seu pendor pela caça, destruindo-o inutilmente. Anhanga significa sombra, espírito. A figura com que as tradições o representam é de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que persegue um animal que amamenta corre o risco de ver o Anhanga, e sua vista traz febre e, às vezes, a loucura. Esse conhecimento sobre Anhanga, nós podemos ler em Geografia dos mitos brasileiros, de Luís Câmara Cascudo.

Pois bem, em que Anchieta transformou o mito indígena em Auto de São Lourenço? A tradução de xe anhanga moro-pé, segundo o poder sacerdotal, é eu sou um diabo esquentador de gente. Anhanga, portanto, o mal, um diabo.

Quando faleceu em 1597, em Rerityba, no atual estado do Espírito Santo, em 9 de junho, seu corpo foi levado por um cortejo de três mil índios, por cem quilômetros, até Vitória, onde foi sepultado no Colégio dos Jesuítas, hoje o Palácio do Governo.

Após a primeira encenação de Auto de São Lourenço, 421 anos depois, entrei em uma igreja no bairro Aeroporto Velho para assistir a um culto. Com um saber que não se compara ao saber do padre José Anchieta, o pastor pregava de forma rude nas mentes dos fiéis que o daime é coisa do diabo. Dois alunos meus ouviam a palavra. Ouvindo-o, eu tive a impressão de que o intelectual José de Anchieta realizou um trabalho perfeito.

sexta-feira, setembro 19, 2008

A Alvorada do Amor















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Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê tudo nos repele! a tôda a
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrêlas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sôbre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se amaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degrêdo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da bôca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em tôrno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa?
A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico na terra, luz dos olhos teus,
Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!


De Olavo Bilac

Boa dica

Evite a dupla interpretação
Por Thaís Nicoleti

"Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu o guarda que a abordou com palavras racistas e tentou dar pontapés na equipe."

Assim, fora do contexto, a frase permite diferentes leituras, diferentes interpretações. Afinal, a mulher ofendeu o guarda com palavras racistas ou foi o guarda que a abordou com palavras racistas? Quem tentou dar pontapés na equipe? O guarda ou a mulher?

O referido gerente operacional deve ter proferido a explicação com uma entonação propícia a assegurar a sua clara compreensão. Na página em branco, porém, as coisas mudam de figura.

Para garantir a exata compreensão da matéria, o redator deve buscar estratégias de organização da frase capazes de evitar a ambigüidade. Muitas vezes, a simples alteração da ordem dos termos resolve o problema. Há casos em que é a pontuação que distingue um sentido de outro. A mudança da voz verbal também pode auxiliar nesse processo.

Enfim, cada caso requer um tipo de solução.

Vejamos algumas possibilidades - tendo em mente que não sabemos qual é exatamente o sentido pretendido pelo redator. Uma construção possível é a seguinte: "Segundo o gerente operacional, a mulher não só ofendeu com palavras racistas o guarda que a abordou como tentou dar pontapés na equipe". Observe que a estrutura correlativa "não só... mas também" assegura que a mulher ofendeu o guarda e tentou dar pontapés na equipe.

Se tivesse sido usada apenas a conjunção aditiva "e", teríamos o seguinte: "Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu com palavras racistas o guarda que a abordou e tentou dar pontapés na equipe". Nessa construção, não fica claro se foi a mulher ou o guarda que tentou dar pontapés na equipe. Daí o emprego, na formulação anterior, da correlação "não só... mas também".

Seguem outras idéias, cada qual expressando uma situação diferente: "Segundo o gerente operacional, a mulher, ofendida pelo guarda que a abordou com palavras racistas, tentou dar pontapés na equipe", "Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu o guarda que a abordara com palavras racistas e que tentara dar pontapés na equipe". O leitor certamente encontrará outras construções possíveis. O importante é impedir a dupla leitura.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Programa Dinheiro Direto na Escola

Poderia elaborar uma matéria para publicar neste blog, mas, infelizmente, por falta absoluta de tempo, vejo-me impossibilitado de expor Gestão Escolar-Conselho Escolar-Secretaria de Educação.

Em 2007, a gestora Lúcia, da escola Heloísa Mourão Marques, por não ter apresentado o Plano Político Pedagógico com sua, impediu que a escola recebesse R$ 72.400,00, a segunda maior verba das escolas públicas estaduais, perdendo só para a escola Barão do Rio Branco (R$ 86.360,00). Mais: a gestão deixou retornar mais R$ 9 mil em outro momento.

O Conselho Escolar, não cumprindo a lei que rege sua função e presidido na época pelo professor João, manteve-se em absoluto silêncio, indiferença. Na escola, não havia nem papel para imprimir prova.

O que me incomoda mais ainda é que a Secretaria de Educação parece não exerce poder para evitar tamanha irresponsabilidade, tamanho descaso com a educação, com o dinheiro público. Nada ocorre contra quem (não) administra uma escola pública, deixando-a sem R$ 72.400,00.

É minha culpa? Deve ser, porque eu deveria calar minha boca, tomar conta da minha vida e sorrir para todos. A indiferença nos premia. A simpatia nos recompensa.

Gestores que (não) administram ainda recebem cargos em outras escolas, uma fonte me disse. Tais gestores não desejam nunca mais ser professores outra vez e são gratificados para que fiquem fora da sala de aula.

Quase 20 anos lecionando, digo com toda convicção: qualidade de ensino tem relação estreitíssima com gestão escolar.

Esse conteúdo daria ótima matéria em um jornal, mas "carro bateu no poste e matou galinha e sete pintinhos " e "polícia apreendeu duzentos gramas de maconha com velhinha de 87 anos" são notícias que se repetem, porque valem mais do que a educação de um Estado, de um país.

Novelas e PSDB-PMN-P-SoL


















Saíram os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Não preparei um texto sobre isso, mas, se Bocalom (PSDB), Petecão (PMN) e Josafá Batista (P-SoL) compararem os números, o Acre, depois da Frente Popular, tem índices sociais que estão em ascensão.

Os números não estão em queda.

Outros números, esses sim, estão em queda, graças. Espero que caiam mais ainda. Falo da audiência das novelas da Globo.

Isso é revolucionário.

quarta-feira, setembro 17, 2008

E...

















...José Saramago (clique no nome) criou um lindo blog. Como você sabe, blog deve exalar o aroma de uma boa escrita. Sinta a fragância de sua inteligência.

Confissão


Querido Diário Virtual,

Tenho assistido aos programas do Partido dos Trabalhadores todo dia por meio da TV. Votarei em Raimundo Angelim, mas, infelizmente, a propaganda petista está muito ruim, parece que o PT perdeu a força criativa, a irreverência. É um programa muito burocrático, formal, ou seja, muito chato.

Em termos de propaganda, o PT acreano não se superou.

Gosto das crônicas do Toinho Alves, é a fala do bobo dos tempos modernos, isto é, o bobo fala o que o poder não pode falar. Toinho ironiza, põe do avesso as críticas da oposição, promovendo o riso moderado. Gosto muito.

Fora isso, falta a inteligência criadora, talvez seja a conseqüência de um partido modelado pelo poder. É uma pena. Tenho saudades do Henfil. Um dia, não agora, um dia, caso o PT não se supere, eu poderei me cansar dele. Deixarei votar, gesto que faço desde meus 18 anos. Faz tempo.

terça-feira, setembro 16, 2008

Uma Nova Coluna Social (3)

Ontem, a nata da sociedade rio-branquense compareceu a uma superfesta, a um ambiente badaladíssimo por famílias poderosas. Foi na boate Leitura é Tudooooooo. Amei! O bofe Sérgio Buarque esteve por lá.

URDIDURA DO VIVIDO:Visão do Paraíso e a Obra, de Sérgio Buarque de Holanda nos Anos 1950. De Thiago Lima Nicodemo. Editora Edusp. São 248 páginas e custa R$ 33.

Sérgio Buarque de Holanda não foi apenas um dos mais importantes historiadores brasileiros, mas também eminente escritor e crítico, um estudioso do passado fascinado pelo modernismo. Em Urdidura do Vivido, de Thiago Lima Nicodemo, faz uma contribuição importante para a sua bibliografia, dando enfoque ao percurso intelectual de seu protagonista durante uma década, a de 1950, em que Sérgio decidiu estabelecer-se no mundo acadêmico, e ao seu livro, Visão do Paraíso, que lhe possibilitou isso. Trata-se de um estudo de história, de teoria da história, de historiografia e de sociologia da cultura, entremeando com habilidade os objetivos que norteiam esses campos, diversos mas aparentados, dentro das ciências do homem, e fazendo com que estejam presentes o tempo todo, e ao longo de todo o trabalho. (Fonte: Edusp)
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Meu nome é José Ly Rely Abreu e minha coluna, Books Soceity.

Uma Nova Coluna Social (2)

Gente, pela primeira vez, os pobres aparecem em uma coluna social. Claro que a ralé não freqüenta os lugares badalados que nós freqüentamos. Mas, ainda sim, pobre em minha coluna, eu acho um luxo.

AS CLASSES PERIGOSAS: banditismo urbano e rural
De Alberto Passos Guimarães. Editora UFRJ. São 274 páginas e custa R$ 34. Escrito em 1982 e publicado quando a intelectualidade acadêmica mal despertava para os fenômenos da violência urbana contemporânea, As classes perigosas: banditismo rural e urbano, de Alberto Passos Guimarães, permanece absolutamente relevante decorrido um quarto de século desde que viu a luz: suas teses centrais permanecem sólidas e sua argumentação não perdeu densidade. Obra indispensável para dar conta do fenômeno da violência (urbana e rural), não pode ser ignorada por nenhum pesquisador sério da problemática. (Fonte: UFRJ)

segunda-feira, setembro 15, 2008

Uma Nova Coluna Social (1)

Eu, José Ly Rely Abreu, fui convidada pelo bofe Aldo Nascimento a escrever a coluna social Books Soceity. Relutei muito por causa de outros compromissos, mas resolvi aceitar este desafio de mostrar que ricos, autoridades, famílias chiques e salões de beleza também lêem e têm cultura para o bem-estar social. Arrasei!

Se você gosta de ficar na moda, uma ótima leitura cairá muito bem não em teu corpinho, mas em teu cérebro. Querida, pare de freqüentar aquele salão de beleza e entre logo na livraria mais próxima para você dar um trato em seus neurônios.

SOCIALISMO E DEMOCRATIZAÇÃO, de György Lukács. Tradução de Carlos Nelson Coutinho e José Paulo Netto. Editora UFRJ. São 260 páginas e custa R$ 36. Reunião de cinco textos (como "Meu Caminho para Marx" e "Testamento Político") do pensador húngaro escritos entre 1956 e 1971, ano em que morreu.

Campanha Prolixa


Tenho ficado atento à campanha do Petecão (PMN), candidato a prefeito de Rio Branco pela coligação 100% Popular. Por causa dele, eu entendi agora o porquê da "zona eleitoral".

Nas entrevistas, ele arrasa:

1. "Quando você não persegue camelô, você está gerando emprego."

2. "A violência é coisa séria, é coisa de polícia."

3. "Não podemos tapar o céu com a peneira."

4. "Vamos encarar o problema de frente."

Ele é deputado federal do que jeito que o povo quer, mas um dia a peteca cai.

sábado, setembro 13, 2008

Roberto Mangabeira Unger

Se você aprecia um bom prato, estão à mesa as palavras deste intelectual brasileiro. Sinta com teus olhos o sabor desta inteligência. Bom apetite!


A reconstrução da democracia

Com a proposta de uma esquerda
imaginativa e transformadora

Francisco Bosco
(Foto/José Paulo Lacerda)

"O Brasil precisa deixar de ter medo de idéias" - essa frase, dita recentemente pelo atual ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, emite uma verdade tanto sobre o país quanto sobre o ministro. De um lado, ela evoca nossa propensão crônica para a imobilidade, nossa incapacidade de sairmos do atoleiro da cena pré-política, por assim dizer, das denúncias de corrupção, das mais diversas falcatruas, das tramas fisiológicas do legislativo etc. Mas, de outro lado, e é isso o que importa, essa frase tem uma dimensão auto-referente: Mangabeira Unger é um homem de idéias, um pensador audacioso e original, e, ao mesmo tempo, um homem de vocação pública, voltado para a ação.

É fundamental compreender isso a seu respeito, ou seja, que sua "imaginação institucional" destina-se à transformação do real histórico. Ela não é, como querem alguns (que geralmente ou são ignorantes, não o tendo lido, ou agem de má-fé), a obra escapista e delirante de um doidivanas. Só que seu pensamento não se conforma ao "falso critério do realismo político: a proximidade com o existente"; ele se propõe o desafio de imaginar uma ampla reconstrução da democracia, para além dos impasses e do conservadorismo que segundo ele definem a esquerda, hoje, em âmbito mundial. As diretrizes dessa transformação são apresentadas no livro cuja edição brasileira está sendo lançada nesse momento, O que a esquerda deve propor (originalmente escrito em língua inglesa e intitulado What should the left propose?). São algumas das idéias desse livro, e seu sentido geral, que Mangabeira Unger se dispôs a apresentar a CULT, na entrevista que se segue.

CULT - O senhor afirma que "duas concepções de esquerda deveriam lutar", nesse momento histórico, em âmbito mundial, "pela primazia". Uma delas é a que expressa a orientação da social-democracia, que o senhor considera insuficiente, porque resignada a um "conservadorismo institucional", contentando-se com práticas de redistribuição compensatória. A outra, cujas diretrizes o senhor estabelece em seu livro, não se conforma ao "falso critério do realismo político" - a "proximidade com o existente" - e propõe uma ampla "experimentação institucional". Gostaria que o senhor desenvolvesse essa distinção.
Roberto Mangabeira Unger - Há duas concepções filosóficas da esquerda, hoje. A concepção dominante combina uma valorização do objetivo da igualdade com um conservadorismo institucional. Diz ser fiel ao objetivo da igualdade, mas combina essa fidelidade à igualdade com a aceitação das instituições sociais, econômicas e políticas existentes. Por isso um aparente radicalismo da fé igualitária se enquadra dentro do horizonte restrito do mundo estabelecido. Essa concepção filosófica serve para as duas principais formas aparentes da esquerda que existem no mundo hoje. De um lado há uma esquerda recalcitrante e protetora; ela quer cercear o mercado e a globalização, ainda que não tenha alternativa a eles. E quer cerceá-los para proteger os direitos adquiridos de suas bases históricas, que são sobretudo os operários organizados e sediados nos setores intensivos do capital. A outra esquerda aparente no mundo hoje é uma esquerda rendida e humanizadora, que aceita o mercado e a globalização em sua forma atual e tenta humanizá-los por meio de políticas sociais. A mesma concepção filosófica com sua combinação paradoxal de alegado igualitarismo e conservadorismo institucional serve para essas duas esquerdas.

CULT - E o que o senhor propõe?
RMU - Eu proponho uma outra esquerda, uma terceira esquerda, imaginativa e transformadora. Essa outra esquerda insiste em transformar as formas institucionais estabelecidas da economia de mercado, da sociedade civil livre e da democracia política. Ela tem por guia um método e um objetivo. O método é o experimentalismo institucional, colocado no lugar do conservadorismo institucional. É a idéia de que as formas institucionais estabelecidas nos países ricos - nos países que nós brasileiros estamos acostumados a tomar como referência - representam segmentos de um universo muito mais amplo de possibilidades institucionais. E de acordo com esse método, as sociedades contemporâneas só podem resolver seus problemas caminhando no espaço de novas formas de organizar o mercado, a sociedade civil e a democracia. O objetivo que se combina com esse método é o do engrandecimento das pessoas comuns e o da intensificação da vida cotidiana. A desigualdade extrema é inaceitável, mas a luta contra ela é um objetivo acessório, e não o principal; este é soerguer a humanidade e libertá-la. Esse é o contraponto que está no centro da argumentação desse pequeno livro.

CULT - Mas, antes de pedir ao senhor que discorra sobre as diretrizes de seu experimentalismo institucional, devo lhe perguntar: o governo Lula, pelo menos até o presente momento, não se inscreve precisamente no que o senhor define como orientação social-democrata?
RMU - Há uma trajetória em curso. Eu aceitei o convite para participar do governo Lula convencido de que o governo e a nação buscam avançar na direção que defendo. O Brasil é um país que tradicionalmente cresce dentro dos setores favorecidos e internacionalizados de sua economia; esses setores geram riqueza e uma parte pequena dessa riqueza é usada para financiar programas sociais. Agora o presidente, o governo e a nação querem mais do que isso. Querem construir um modelo de desenvolvimento baseado em ampliação de oportunidades econômicas e educativas e em participação popular. Portanto, ancorar a dinâmica de crescimento econômico na democratização das oportunidades para aprender, trabalhar e produzir. Para isso, porém, o Brasil terá de fazer o que não está acostumado a fazer, que é jogar fora o formulário institucional - o formulário recomendado pelas autoridades políticas, econômicas e acadêmicas dos países ricos do Atlântico norte - e colocar-se na vanguarda da inovação institucional do mundo. Essa tarefa está ligada à superação de um grande paradoxo da nossa vida nacional. O atributo mais marcante do Brasil é sua vitalidade: o Brasil fervilha de vida desmesurada, frustrada e dispersa. Hölderlin, o grande poeta alemão, escreveu que quem pensa com mais profundidade ama o que tem mais vida. E por esse critério somos um país amável, mas o Brasil veste uma camisa-de-força de instituições e práticas, inclusive as práticas de ensinar e aprender, que suprime nossa vitalidade e desinstrumentaliza-a. O que eu quero é que o Brasil tire essa camisa-de-força e redefina o arcabouço de suas instituições e suas premissas; todas as iniciativas em que estou engajado têm a ver com essa aspiração. O presidente está apoiando com grande entusiasmo, e, para falar com toda franqueza, eu não sei até onde poderemos chegar, mas a minha determinação é ficar empurrando os limites, testando-os, ampliando-os - e a argumentação desse pequeno livro apresenta o pano de fundo das idéias que inspiram essa minha ação pública.

CULT - Uma das idéias institucionais do senhor é a "democratização da economia de mercado". O senhor afirma que a controvérsia entre um estado mínimo, um estado regulador e um estado dirigista estabelece falsas alternativas, pois o verdadeiro problema está em como criar novos arranjos entre o Estado e a iniciativa privada.
RMU - Uma diretriz dessa parte das minhas idéias é que a economia de mercado pode e deve ser reconstruída na sua forma institucional. Não basta regular a economia de mercado, não basta contrabalançar as desigualdades geradas na economia de mercado, por meio de políticas de redistribuição retrospectiva. Para tornar a economia de mercado mais includente, para dar mais acesso a mais mercados, para mais pessoas, de mais maneiras, é preciso reorganizar as instituições que definem o que é a economia de mercado. E para reorganizá-las é preciso reimaginá-las. Essa reimaginação, essa reconstrução tem um sentido muito tangível no nosso país. A maior força da nossa economia está numa multidão de pequenos empreendimentos, empreendimentos emergentes, que atuam dos dois lados da fronteira entre a economia formal e a informal. É nesse mundo dos empreendimentos emergentes que está a grande maioria dos empregos e a maior parte do nosso produto nacional. Mas esses empreendimentos vivem à míngua do acesso aos instrumentos da produção: o crédito, a tecnologia, as práticas avançadas etc. Se nós conseguíssemos instrumentalizar essa iniciativa que emerge de baixo, essa iniciativa descentralizada, desobediente e teimosa, nós criaríamos o que o país mais quer, que é um dínamo de crescimento econômico includente. Entre minhas preocupações no governo Lula estão alguns projetos de construção nacional ligados a esse objetivo. Uma política industrial voltada para esse mundo, e não apenas para meia dúzia de grandes empresas; uma política agrícola que comece a superar o contraste entre a grande agricultura empresarial e a pequena agricultura social e familiar; e um novo modelo de relações entre o trabalho e o capital calcado nos interesses da maioria excluída e desorganizada: a metade da população economicamente ativa do país, que trabalha na economia informal, e a parte crescente de trabalhadores na economia formal que se encontra em situações de trabalho temporário, terceirizado e não-assalariado. Essas preocupações, expressas nesses três projetos de construção nacional, estão ligadas a uma das diretrizes de proposta programática nas doutrinas que defendo e que explico nesse livro.

CULT - Que diretriz é essa?
RMU - Há um novo conjunto de práticas vanguardistas e experimentais que começam a revolucionar o mundo. Uma nova maneira de produzir, inovando de tal maneira que as boas empresas cada vez mais se assemelham às boas escolas. O problema é que esse conjunto de práticas experimentalistas ameaça ficar encastelado em vanguardas isoladas do resto da sociedade, e nós queremos disseminá-las, queremos criar esses instrumentos que soergam a pequena iniciativa empreendedora emergente.

CULT - E como fazê-lo?
RMU - Essa obra passa por duas grandes etapas de construção institucional, no Brasil e em todo o mundo. A primeira etapa é ampliar o repertório de formas institucionais de coordenação estratégica entre o Estado e o produtor privado. Não bastam os modelos existentes no mundo, que são de um lado o modelo norte-americano (um Estado que apenas regula as empresas a distância) e de outro lado o modelo do nordeste asiático (um Estado que, por meio de um aparato burocrático, formula uma política industrial e comercial unitária e a impõe de cima para baixo). Nós precisamos de um terceiro modelo: o de uma coordenação estratégica descentralizada, pluralista, participativa e experimental entre o poder público e a iniciativa privada. Essa primeira etapa seria seguida por uma segunda. Dessas relações variadas entre o poder público e a iniciativa privada nasceriam, numa segunda fase, regimes alternativos de propriedade privada e social que passariam a coexistir experimentalmente dentro da mesma economia de mercado. Quer dizer, a economia de mercado, para tornar-se includente, não precisa e não deve assumir uma única forma institucional. Ela pode e precisa assumir formas institucionais múltiplas. Do ponto de vista do pensamento econômico essa construção institucional significa uma radicalização do conceito tradicional de racionalidade econômica. O conceito tradicional de racionalidade econômica é liberdade para combinar fatores de produção; o que se trata aqui é liberdade para combinar os elementos institucionais que organizam as relações de produção e troca.