domingo, outubro 05, 2008

Dos 22 municípios...

O PT ficou com 12:
Rio Branco, Feijó, Brasiléia, Plácido de Castro, Xapuri, Porto Acre, Rodrigues Alves, Jordão, Capixaba, Porto Walter, Rodrigues Alves e Assis Brasil.

O PMDB com 4:
Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo e Bujari.

O PP com 3:
Acrelândia, Tarauacá e Manoel Urbano.

O PSB com 1:
Epitaciolândia.

O PSDB com
1:
Senador Guiomard.

O PR com
1:
Sena Madureira.

Do jeito que o povo quis

De Aldo Nascimento

São 14h47 e não chove mais neste domingo de eleições. Retornei de minha seção eleitoral com a certeza de que Raimundo Angelim (PT) permanece por mais quatro anos à frente da prefeitura de Rio Branco. Com o trabalho que realizou como homem público e com a oposição partidária que o destino ofertou a Angelim, não preciso consultar os búzios para saber que os vermelhos colorirão esta terra ainda por um bom tempo.

Antes de Angelim na prefeitura e antes de Jorge Viana no Estado, o que a oposição melhor fez foi arruinar a administração pública com uma competência inigualável. O trabalho dessa escória foi tão perfeito que projetou e consolidou a Frente Popular na política acreana e nacional. Se foram tão inaptos para cuidar do município e do Estado, agora são ineptos como oposição para qualificar debates, para aprimorar a democracia, para apontar caminhos inteligentes. Boa parte da população não sente saudade deles, por isso acumulam perdas e mais perdas. E acumularão ainda mais.

Nestas eleições municipais, ninguém apresentou provas de que Raimundo Angelim tenha desviado dinheiro público para interesses ilícitos. Elas inexistem. O que a oposição apresentou foi uma mãe para comover eleitores. Em vão. A peteca caiu com mãe e tudo, e Petecão (PMN) perdeu do jeito que o povo quis.

Tião Bocalom (PSDB) mostrou mais uma vez que é candidato a prefeito de Rio Branco só para fazer propaganda de Acrelândia. O tucano até que é um belo pássaro com suas cores, mas o PSDB projetou um candidato sem brilho, sem condições de voar acima da mediocridade. Mas, em uma coisa, pelo menos, o candidato Bocalom foi convincente: depois das eleições, ele não andará de ônibus.

E Antônio Rocha, do P-SoL? O quê?! Quem?! Onde?! Quando?! Como?!

Na era do vazio, falta à oposição o que sobra na Frente Popular: o mito. Raimundo Angelim e Arnóbio Marques não são correligionários partidários, mas, acima de tudo, amigos deste mito, Jorge Viana - político sedutor que sabe como poucos teatralizar o discurso.

Políticos cacofônicos como Petecão, estressados como Bocalom e bobinhos como Antônio Rocha jamais superariam nestas eleições a “sombra” de Jorge Viana. Como se ainda não fosse o bastante, há entre Marina Silva, Arnóbio Marques, Jorge Viana e Raimundo Angelim a mais leal amizade, valor humano cultivado há anos por eles. Tamanha virtude não se obtém às vésperas de eleições com o nome 100% Popular. Amontoar Flaviano Melo, Márcio Bitar, Petecão e Cadaxo em uma coligação é saber que, depois das urnas, assim como o MDA, a brisa a desmanchará.

Mais quatro anos para Raimundo Angelim. Mais quatro anos para Arnóbio Marques. E pensar que isso, com essa pseudo-oposição, é só o começo.

Angelim...

sem segundo turno.

TV Gazeta

Foto de Alan Rico no estúdio-salão de TV


Hoje, pela manhã, no Acre, o âncora da TV Gazeta, canal 11, cumpriu seu papel democrático de não saber o que significa "política". Ele disse que "polis" significa "povo". Segundo o âncora, "política" quer dizer "poder do povo". E ainda afirmou que a palavra vem do grego, dando ar de quem tem dicionário em casa, o que não tem. Se tivesse, falaria o correto para seus telespectadores.

Para início de conversa, "poli(s)" signfica "cidade". "Política" quer dizer "o que é comum à cidade".

Ocupar espaço na TV, um concessão pública, para deseducar merece sempre críticas.

sexta-feira, outubro 03, 2008

O primeiro mundo já não é o mesmo

















Ontem, 2 de outubro, por volta das 10h55, uma dor desgraçada no abdome ordenou que eu saísse de sala para conhecer o primeiro mundo. Suando frio, pressão baixa, deitei-me na sala da diretora. Mesmo com ar-condicionado, eu não parava de suar.

Coordenadora de ensino, a Izanilde, quando me viu, tratou logo de me ajudar. Otacília, a chefe da coordenação, telefonou para o Samu. A partir dessa ligação, senti na pele, digo, no abdme, que o primeiro mundo não é o mesmo, o Samu não atendeu ao chamado.

Sem poder andar, fui carregado por dois colegas de trabalho, a Ozélia e o Waldir. Entrei no carro de um professor e aí começou minha viagem para o primeiro mundo: o pronto-socorro.

Entre os sacolejos e a dor, cheguei vivo às 11h30 para esperar uns 10 minutos, a médica conversava com uma funcionária. Quem sabe, não sei, trocavam idéias sobre o sentido da vida em momento muito impróprio. Não quis interromper, a dor me incomodava. Paciência. Mas um homem branco e magro não teve paciência e deu uma reprimenda. "Vocês duas conversam aí enquanto pessoas estão sentindo dores."
A médica se tocou que aquele espaço não era um bar e, finalmente, deu-me atenção. Entre algumas perguntas, escreveu no pepel exame de sangue, de urina e uma dose de Buscopan. Pego o papel. Se algo se assemelhava ao primeiro mundo até aquele momento, ele veio em forma de maqueiro, levando-me, imediatamente, à sala de observação 1. Depois que o maqueiro me deixou na cadeira de rodas, aí sim, não vi mais o imediatamente, a rapidez, a eficiência.

Fiquei na fila durante quase 25 minutos para tomar Buscopan, só que o tempo é muito largo quando sentimos dor. Suava frio, pressão baixa, camisa encharcada, pensei em gritar, dar uma esculhambação nas enfermeiras, xingar a mãe de alguém, mas logo me culpei por não ter um plano de saúde particular. Aproveitei o curso intensivo que tinha feito no Tibete com os monges budistas e elevei minha alma acima de promessas políticas.

Por volta das 12h10, finalmente, porra!, tomei injeção para depois deitar em um leito... Leito? Meu irmaõ, não havia leito desocupado, tive que permanecer em uma cadeira (como você pode ver o otário na foto). Minutos depois, com efeito do remédio, a dor me deixou de lado.

O que não me deixou de lado foi a espera. O exame - aquele que a médica tinha pedido por volta das 11h40 - só chegou aos meus olhos de contribuinte às 19h40, mesmo assim porque fui pedir. Mas quem tinha amizade com algum enfermeiro conseguia por fora o exame bem antes daqueles que não tinham um enfermeiro como amiguinho.

O médico sentou-se à mesa às 20 horas e só me atendeu depois que conversou com uma médica, sua amiga. Ele queria saber sobre uma aulas de medicina cursadas por ela. Paciência. Foi quando senti saudade da rapidez do maqueiro novamente.

Quando ele finalmente deu seu parecer médico, eu descobri que deveria ter um plano de saúde particular, porque o que ele disse, a partir dos exames de sangue e de urina, não me fizeram sentir no primeiro mundo. Saí do, socorro, pronto-socorro! às 20h30 com muita saudade do maqueiro.

Tirei, infelizmente, uma foto, só havia energia na bateria para uma só, acredite. No dia seguinte, fui ao médico particular, algo de primeiro mundo. Estou com incontinência urinária por causa, talvez, de um cálculo renal. Hoje, à tarde, irei à Fundação Hospitalar para exames. Na segunda segunda-feira, irei ao Sindicato dos Professores Licenciados para assinar meu plano de saúde particular.
É, o primeiro mundo já não é o mesmo. Ainda sim, sabendo que já foi bem pior, no domingo, votarei em Raimundo Angelim, sem segundo turno.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Embriaguem-se

"É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher
."

Charles Baudelaire

Cabra Cega

"Será que o jornal A Tribuna ainda não ouviu falar de uma coisinha chamada 'revisor'??? De vez em quando é bom ter um desses na redação para evitar esses errinhos, até engraçados as vezes, mas que comprometem a credibilidade de qualquer veiculo de comunicação."

O texto acima, escrito por um Charles Foster Kane, foi retirado do blog do Altino Machado.

Meu amado Foster, como você pode notar, li seu comentário no blog do Altino Machado e, para quem ri "de uma coisinha chamada revisor", seu texto apresenta erros de português. Entretanto, não comentarei sobre os seus, mas sobre o meu "Cabra Cega".

Quando corrijo o jornal, minha atenção toda só se destina à gramática, por exemplo, à vírgula, à concordância, à regência. Isso é feito por uma só passagem de olho. Eu me condiciono à gramática, porque são os erros mais comuns. Pois bem, impossível conferir se nomes no texto são iguais aos nomes das chamadas, porque olho o texto uma só vez. Se tivesse que olhar um segunda vez, sairia do jornal mais tarde.

Evito muitos erros, mas sei que não os elimino. Queria muito que A TRIBUNA fosse o jornal acreano melhor escrito, mas isso depende de uma vontade interna acima de mim.

Nos jornais acreanos, o texto elaborado e a palavra correta não têm importância. Como disse um ex-dono de jornal, "tudo acaba no lixo".

Mário Quintana (2)



(O maior encanto dos bebês são as babás)

terça-feira, setembro 30, 2008

Mário Quintana (1)


Poeminho do contra

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!


Os poetas dizem mais que políticos, porque a palavra, por meio deles, encanta, isto é, eleva-nos. Os políticos empobrecem a palavra.

Mário Quintana entregou-se à poesia sem pedir nada em troca. Morreu simples como simples é a brisa.

No Acre, alguns homens de esquerda dizem lutar por essa abstração chamada povo, mas, em nome da esperança, da justiça social, aumentam seu patrimônio; enriquecem-se com o dinheiro público.

Visite o sítio Políticos do Brasil e veja o patrimônio de políticos acreanos antes de serem deputados e, após algumas reeleições, perceba o quanto o dinheiro público enriquece as pessoas, tudo em nome do povo.

segunda-feira, setembro 29, 2008

De Altino Machado

Nepotismo no Tribunal de Justiça

Desembargadores do Acre descumprem resolução do Conselho Nacional de Justiça e súmula vinculante do Supremo Tribunal FederalO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderá fracassar pela segunda vez na tentativa de estancar a tradicional prática de nepotismo no Tribunal de Justiça do Acre, onde cargos, empregos e funções costumam ser exercidos por parentes, cônjuges e companheiros de magistrados e de servidores em cargos de direção e assessoramento.

Daniela Flores Praça e Giuliana Evangelista de Araújo Silva, por exemplo: ambas são servidoras concursadas, filhas de desembargadores e exercem cargos de confiança. Daniela está lotada no gabinete do desembargador Feliciano Vasconcelos, mas trabalha mesmo é no gabinete do pai, o desembargador Francisco Praça.

Giuliana Evangelista, colunista social (veja aqui) do diário A Tribuna, é filha da desembargadora Eva Evangelista, corregedora do Tribunal de Justiça. Exerce, desde fevereiro de 2005, o cargo comissionado de secretária, código PJ-DAS-101.4, do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça.

O conselho serve exclusivamente à presidência, vice-presidência e à corregedoria, para controlar todas as informações relacionadas à vida funcional dos magistrados acreanos, como promoções, salários, férias e indenizações. É quem elabora a folha de pagamento dos magistrados, pois a folha dos servidores é atribuição do setor de recursos humanos.

Portanto, a mãe da colunista social, que é a corregedora do Tribunal de Justiça, exerce o cargo baseada em informações que são controladas e repassadas pela filha. Outro exemplo é o datilógrafo Afonso Evangelista Araújo, irmão da corregedora, que exerce há sete anos cargo comissionado como responsável técnico do Juizado de Trânsito.

Digamos que os três casos podem ser considerados emblemáticos porque expõem uma prática recorrente entre os demais magistrados que mantém parentes ocupando funções ou cargos comissionadas no Tribunal de Justiça do Acre. Ao tomar posse, todos declararam não ter incompatibilidade para o exercício do cargo, conforme as hipóteses previstas na legislação.Leia mais no Blog da Amazônia.

A imagem feminina e simpática de um sindicato

Quando o Sindicato dos Professores Lincenciados do Acre (Sinplac) atracou em Rio Branco, eu pensei que fosse, ao longo do tempo, apresentar uma organização oposta à do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac). Enganei-me.

Por causa de seu modelo de escolha de dirigentes, o Sinplac, um dia, será domesticado pela partidarização, a mesma do Sinteac. Como a atual gestão não apresenta outro modelo de escolha para dirigentes, PT e PC do B tomarão para si o Sinplac um dia. Questão de tempo.

Mas, enquanto isso não ocorre, o Sinplac se opõe ao Sinteac na pessoa da simpática Francisca Cíntia Costa de Souza Pontes. Agradabilíssima, Cíntia é uma secretária que não coloca no rosto a maquiagem pesada e enfadonha de sindicalista.

Eficiente, educada, muito feminina, ela é a boa imagem do Sinplac. Entretanto, se um dia PT ou PC do B administrar o Sinplac - o que acho uma infelicidade -, Cíntia não poderá permanecer em um ambiente brutalizado pelo ranço sindicalesco.

Serei obrigado a pedir minha desfiliação.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Ao Josafá Batista (2)

Não enrola. A explicação que cabe à "Petrobrás", por exemplo, cabe à "internete", ou seja, as duas palavras são siglas. Pela última vez, leia a explicação de Antônio Houaiss.

c) sílabas iniciais, formando quase-palavras (Benelux = Bélgica, Nederland [Países Baixos] e Luxemburgo); d) partes iniciais, formando quase-palavras (Petrobras = Petróleo Brasileiro S.A.); acrógrafo, acrograma [Não são red. apenas de letras iniciais, mas tb. de sílabas iniciais, que podem combinar-se com letras iniciais.]

Outra questão: suas comparações com os integralistas e com o nazismo. Desde quando o PT instalou um Estado totalitário no Acre? Penso que, para o bem da democracia, criticar o PT é prestar um bom serviço à sociedade, mas alucinações não são críticas, Josafá.

Asfaltar rua não tem importância para mim, porque MINHA RUA é asfaltada. Entretanto, para pessoas que moram em bairros marginalizados pelo poder público há anos, me desculpe, Josafá, mas isso é um avanço. Você, Josafá, não pode negar que índices sociais melhoraram no Acre desde que a Frente Popular chegou ao poder. A imprensa nacional não os contesta.

Outra questão: o prefeito Angelim não é um canalha politiqueiro, um oba-oba. A Frente erra, sabemos, mas erramos mais ainda quando nossas críticas não passam de alucinações. Hoje, a educação pública tem problemas, porém não são iguais ao passado. Criticá-la hoje é apontar novos caminhos, o que alucinações não podem fazer.

Rio Branco é melhor. Os índices sociais são melhores. A única coisa que não é melhor, Josafá, chama-se oposição - e que ela continue assim por muitos e muitos anos com suas alucinações.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Ao Josafá Batista

SIGLA, do dicionário Houaiss

Rubrica: paleografia.
letra inicial de uma palavra ou conjunto de letras iniciais de diversas palavras, us. como abreviação em monumentos, moedas, medalhas e manuscritos antigos
1.1 letra inicial ou conjunto de letras iniciais de um nome próprio empregada(s) como monograma
2 Derivação: por extensão de sentido.
redução de um intitulativo complexo a suas: a) letras iniciais, sem formar palavra (ABCD ou A.B.C.D. = Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema, municípios da Grande São Paulo); b) letras iniciais, formando palavra (U.N.E. = União Nacional dos Estudantes, O.N.U. = Organização das Nações Unidas); c) sílabas iniciais, formando quase-palavras (Benelux = Bélgica, Nederland [Países Baixos] e Luxemburgo); d) partes iniciais, formando quase-palavras (Petrobras = Petróleo Brasileiro S.A.); acrógrafo, acrograma [Não são red. apenas de letras iniciais, mas tb. de sílabas iniciais, que podem combinar-se com letras iniciais.]

Recriar Laélia Alcântara

Uma vez, pensei que a justiça social em minha Pátria fosse rápida como a intolerância de muitos. O processo é lento. Quando vejo um prefeito colocar o poder público em bairros que sempre permaneceram à margem, eu respeito muito, por isso, quando rascunho críticas à Frente Popular, faço-as com moderação, faço-as para haver sempre o melhor. Prefiro errar com a esquerda a ter que errar com aqueles.

Foto de Evandro Deze (Antes)

Como leva tempo para melhorar uma cidade, porque a idade de uma cidade não se assemelha ao tempo de nossas vidas. Quero dizer com isso que o tempo na política é mais lento do que o meu tempo.

Jorge Viana (PT) iniciou o calçamento, mas, depois, com Mauri Sérgio (PMDB), com Flaviano Melo (PDMB) e com Isnard Leite (PP), não houve calçamento. A cidade só foi retomá-lo com Raimundo Agelim (PT).

Algo mínimo, calçar, mas nem o mínimo realizaram.

Foto de Evandro Deze (depois)












Minha cidade não é só a minha rua. Rio Branco não pode ser a minha intolerância.

Esta capital precisa de uma política contínua no tempo e no espaço até a Frente Popular dar sinais de que não irá se superar. Quando PT e PC do B derem sinais de que não se superarão, quando um nova esquerda der sinais de que será muito melhor, aí poderei pensar em outras possibilidades.

No momento, não é o caso.

terça-feira, setembro 23, 2008

Para Márcio e Altino

Diagramador do jornal A TRIBUNA, Márcio ri quando lê no jornal "internete". Altino Machado, quando pode, ri de mim quando coloco no jornal "internete".

Pois bem, senhores, conheço os seguintes registros:

1. Internet;
2. internet; e
3. internete.

Como Altino só vê escrito Internet, copia. Mas o fato é que os três registros estão corretos, mas a palavra, como passa por transformações, eu opto por uma explicação mais coerente.

Antes, escrevia-se INTERNET. Mas, em manuais jornalísticos, havendo quatro letras pronunciadas e não soletradas, escreve-se Internet. Só que, por causa de seu uso constante, Internet transformou-se em um substantivo comum, ou seja, internet, deixando de ser uma sigla. Assim, transformada em um veículo de comunicação de massa como os substantivos comuns televisão e rádio, a palavra é escrita assim: internet.

O gramático Celso Pedro Luft observa que na língua portuguesa não existe terminação com "t". Ele dá exemplos: shoot (chute), report (reporte e depois repórter), guichet (guichê), kitchenet (quitinete), filet (filé), cachet (cachê), camelot (camelô), carnet (carnê), bonnet (boné), blackout (blecaute), deficit (défice), cabaret (cabaré), lockout (loucate).

Poderia citar mais. O fato é que no livro de Celso Luft registra-se internete por uma questão, Altino e Márcio, de analogia.







"Nós usamos Rexona"












Para mostrar que o desodorante da Frente Popular protege 24 horas e é antitranspirante, políticos têm levantado os braços nesta campanha para o povo cheirar. Pesquisas revelam que eles não têm sovaqueira.

domingo, setembro 21, 2008

De Anchieta aos evangélicos

de Aldo Nascimento











No dia 16 de março deste ano, chegou aos meus olhos por R$ 33 o teatro do padre José Anchieta, uma bonita edição da Martins Fontes. Trata-se de Auto de São Lourenço, texto dramático representado em 10 de agosto de 1587, na Capela de São Lourenço, hoje Niterói, no Rio de Janeiro. Debrucei minhas retinas sobre o parapeito de palavras durante dois meses para eu perceber a sedução que Anchieta exerceu sobre os povos tupis e tupinambás. Em pleno século 16, a igreja, em um lugar inóspito, teatralizou seu domínio no adro da igreja.

Profundo estudioso da língua nativa, Anchieta chegou mais tarde, em 1595, a elaborar a Arte de grammatica da lingva mais vsada na costa do Brasil a fim de penetrar na cultura local por meio da própria língua indígena. Em Auto de São Lourenço, o teatro anchietano lança duas variantes dialetais mais usadas no Brasil quinhentista, o tupi e o tupinambá. Aprendemos com esse sacerdote católico que o poder mistura-se com seu oposto para corrompê-lo por dentro. Estar dentro significa, nesse caso, tudo o que a palavra pode representar, por exemplo, a alma de um povo, sua vida.

Se Santo Agostinho condenou o teatro ao inferno em Cidade de Deus, a igreja, por ter duas ou mais faces, usará essa arte para colocar do avesso os valores místicos dos nativos. Couto Magalhães, estudioso da cultura tupi, mostra a nós sua teogonia. Anhanga, deus da caça, protege os animais terrestres contra os índios que quisessem abusar de seu pendor pela caça, destruindo-o inutilmente. Anhanga significa sombra, espírito. A figura com que as tradições o representam é de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que persegue um animal que amamenta corre o risco de ver o Anhanga, e sua vista traz febre e, às vezes, a loucura. Esse conhecimento sobre Anhanga, nós podemos ler em Geografia dos mitos brasileiros, de Luís Câmara Cascudo.

Pois bem, em que Anchieta transformou o mito indígena em Auto de São Lourenço? A tradução de xe anhanga moro-pé, segundo o poder sacerdotal, é eu sou um diabo esquentador de gente. Anhanga, portanto, o mal, um diabo.

Quando faleceu em 1597, em Rerityba, no atual estado do Espírito Santo, em 9 de junho, seu corpo foi levado por um cortejo de três mil índios, por cem quilômetros, até Vitória, onde foi sepultado no Colégio dos Jesuítas, hoje o Palácio do Governo.

Após a primeira encenação de Auto de São Lourenço, 421 anos depois, entrei em uma igreja no bairro Aeroporto Velho para assistir a um culto. Com um saber que não se compara ao saber do padre José Anchieta, o pastor pregava de forma rude nas mentes dos fiéis que o daime é coisa do diabo. Dois alunos meus ouviam a palavra. Ouvindo-o, eu tive a impressão de que o intelectual José de Anchieta realizou um trabalho perfeito.

sexta-feira, setembro 19, 2008

A Alvorada do Amor















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Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê tudo nos repele! a tôda a
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrêlas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sôbre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se amaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degrêdo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da bôca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em tôrno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa?
A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico na terra, luz dos olhos teus,
Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!


De Olavo Bilac

Boa dica

Evite a dupla interpretação
Por Thaís Nicoleti

"Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu o guarda que a abordou com palavras racistas e tentou dar pontapés na equipe."

Assim, fora do contexto, a frase permite diferentes leituras, diferentes interpretações. Afinal, a mulher ofendeu o guarda com palavras racistas ou foi o guarda que a abordou com palavras racistas? Quem tentou dar pontapés na equipe? O guarda ou a mulher?

O referido gerente operacional deve ter proferido a explicação com uma entonação propícia a assegurar a sua clara compreensão. Na página em branco, porém, as coisas mudam de figura.

Para garantir a exata compreensão da matéria, o redator deve buscar estratégias de organização da frase capazes de evitar a ambigüidade. Muitas vezes, a simples alteração da ordem dos termos resolve o problema. Há casos em que é a pontuação que distingue um sentido de outro. A mudança da voz verbal também pode auxiliar nesse processo.

Enfim, cada caso requer um tipo de solução.

Vejamos algumas possibilidades - tendo em mente que não sabemos qual é exatamente o sentido pretendido pelo redator. Uma construção possível é a seguinte: "Segundo o gerente operacional, a mulher não só ofendeu com palavras racistas o guarda que a abordou como tentou dar pontapés na equipe". Observe que a estrutura correlativa "não só... mas também" assegura que a mulher ofendeu o guarda e tentou dar pontapés na equipe.

Se tivesse sido usada apenas a conjunção aditiva "e", teríamos o seguinte: "Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu com palavras racistas o guarda que a abordou e tentou dar pontapés na equipe". Nessa construção, não fica claro se foi a mulher ou o guarda que tentou dar pontapés na equipe. Daí o emprego, na formulação anterior, da correlação "não só... mas também".

Seguem outras idéias, cada qual expressando uma situação diferente: "Segundo o gerente operacional, a mulher, ofendida pelo guarda que a abordou com palavras racistas, tentou dar pontapés na equipe", "Segundo o gerente operacional, a mulher ofendeu o guarda que a abordara com palavras racistas e que tentara dar pontapés na equipe". O leitor certamente encontrará outras construções possíveis. O importante é impedir a dupla leitura.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Programa Dinheiro Direto na Escola

Poderia elaborar uma matéria para publicar neste blog, mas, infelizmente, por falta absoluta de tempo, vejo-me impossibilitado de expor Gestão Escolar-Conselho Escolar-Secretaria de Educação.

Em 2007, a gestora Lúcia, da escola Heloísa Mourão Marques, por não ter apresentado o Plano Político Pedagógico com sua, impediu que a escola recebesse R$ 72.400,00, a segunda maior verba das escolas públicas estaduais, perdendo só para a escola Barão do Rio Branco (R$ 86.360,00). Mais: a gestão deixou retornar mais R$ 9 mil em outro momento.

O Conselho Escolar, não cumprindo a lei que rege sua função e presidido na época pelo professor João, manteve-se em absoluto silêncio, indiferença. Na escola, não havia nem papel para imprimir prova.

O que me incomoda mais ainda é que a Secretaria de Educação parece não exerce poder para evitar tamanha irresponsabilidade, tamanho descaso com a educação, com o dinheiro público. Nada ocorre contra quem (não) administra uma escola pública, deixando-a sem R$ 72.400,00.

É minha culpa? Deve ser, porque eu deveria calar minha boca, tomar conta da minha vida e sorrir para todos. A indiferença nos premia. A simpatia nos recompensa.

Gestores que (não) administram ainda recebem cargos em outras escolas, uma fonte me disse. Tais gestores não desejam nunca mais ser professores outra vez e são gratificados para que fiquem fora da sala de aula.

Quase 20 anos lecionando, digo com toda convicção: qualidade de ensino tem relação estreitíssima com gestão escolar.

Esse conteúdo daria ótima matéria em um jornal, mas "carro bateu no poste e matou galinha e sete pintinhos " e "polícia apreendeu duzentos gramas de maconha com velhinha de 87 anos" são notícias que se repetem, porque valem mais do que a educação de um Estado, de um país.