sexta-feira, junho 18, 2010

A fartura












Em Rio Branco, Acre, quem passa pela rua dos Engenheiros encontrará um barraco entregue à fé de se alegrar com o sexto título de campeão do mundo.

Neste "berço esplêndido", são 29,9 milhões de brasileiros que torcem, na pobreza, para a seleção brasileira.

Se em casa falta tudo, eles se fartam com títulos.


quinta-feira, junho 17, 2010

O Deus do povo judeu é intolerante

JERUSALÉM, 17 Jun 2010 (AFP) -Milhares de judeus ultraortodoxos furiosos realizaram manifestações nesta quinta-feira à tarde em Jerusalém e perto de Tel Aviv, em protesto contra uma decisão da Suprema Corte que proíbe a segregação entre crianças asquenazis e sefaraditas em uma escola de colonos.

"Há 30.000 manifestantes em Jerusalém e 20.000 em Bnei Brak", uma cidade de população judaica ortodoxa perto de Tel Aviv, declarou à AFP o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.

As manifestações foram transmitidas diretamente pela emissora israelense e ofuscaram por completo o anúncio do governo sobre uma flexibilização do bloqueio à Faixa de Gaza.

"É a Torá que decreta!", "Não encostem nos redentores de Israel", eram algumas das frases escritas nos cartazes levantados pelos manifestantes.

A polícia israelense foi colocada em "estado de alerta avançado". Cerca 10.000 agentes foram mobilizados, principalmente em Jerusalém, em Bnei Brak e em Beit Shemesh, base ultraortodoxa localizada no meio do caminho entre as duas localidades.

Também foram mobilizadas unidades da guarda fronteiriça, apoiadas pela polícia montada e por helicópteros.

O presidente israelense, Shimon Peres, reuniu-se com o vice-ministro da Educação, o rabino Meir Porush, uma figura da comunidade ortodoxa asquenazi, numa última tentativa de conciliação destinada a acalmar os ânimos.

Dois partidos ortodoxos que têm 16 deputados (de um total de 120 no Knesset, o parlamento unicameral israelense) pertencem à coalizão do primeiro-ministro Benajamin Netanyahu.

Na quarta-feira, o chefe do governo pediu "moderação, respeito à lei" e que fosse encontrada uma fórmula de compromisso satisfatória para todos.

A efervescência dos homens vestidos de preto - de acordo com a vestimenta uultraortodoxa - em Israel foi desencadeada por uma decisão da Suprema Corte que obriga dezenas de judeus ortodoxos asquenazis (originários da Alemanha, Polônia, Rússia, do antigo Império Austro-Húngaro e da Europa central e oriental) da colônia Immanuel (Cisjordânia) a receber em sua escola religiosa crianças sefaraditas (em Israel, originárias da África do Norte e da Ásia, apesar de o termo designar as comunidades judaicas que viveram na Espanha e em Portugal até 1492).

Colonos asquenazis pertencentes ao grupo hassídico Slonim, de origem russa, que retiraram suas filhas da escola há um ano, afirmaram que preferiam ser presos a partir desta quinta-feira durante duas semanas, a obedecer à decisão da Suprema Corte.

Os pais acusados de discriminação racial - 86 pessoas - devem apresentar-se, segundo a emissora de rádio estatal, às 14h00 GMT (11h00 de Brasília) a uma prisão em Jerusalém ocidental a partir da qual deverão ser transferidos para prisões no centro do país.

Os intocáveis

Na história do riso, o poder sempre se protegeu. No Congresso, deputados querem evitar os "constrangimentos" expostos pelo CQC. Não podemos rir deles.

Leia o texto abaixo.

O presidente interino da Câmara, Marco Maia (PT-RS), recomendou à assessoria jurídica da Casa que defina normas para evitar o constrangimento de parlamentares por parte de jornalistas.

Maia manifestou solidariedade ao deputado Nelson Trad (PMDB-MS), que agrediu uma equipe do humorístico "CQC", da Band.

Ao ser abordado por equipe do programa, na semana passada, Trad se exaltou após saber que subscrevera um abaixo-assinado para incluir um litro de cachaça no Bolsa Família.

Uma contratada do "CQC" coletou assinaturas de apoio a uma proposta fictícia de emenda à Constituição.

Na confusão, um cinegrafista teve parte do equipamento danificado. A repórter Monica Iozzi chegou a ser empurrada. As imagens foram ao ar na segunda-feira.

"Ao não querer falar, o deputado é constrangido pelos veículos de comunicação. Há excesso por parte de alguns jornalistas. Temos de tomar algumas medidas institucionais", disse o presidente interino da Câmara.

Segundo Marco Maia, as ações devem preservar a liberdade de imprensa, mas assegurar o direito dos deputados de não autorizarem o uso de imagens pelos programas de humor.

A assessoria de imprensa da Câmara afirmou que sempre liberou a entrada de programas como "CQC", "Pânico na TV" (RedeTV) e "Legendários" (Record), mas que é necessário "mais diálogo" com essas equipes sobre as formas de abordagem dos deputados.

Em discurso no plenário, Nelson Trad reclamou da conduta do "CQC". "Não tem necessidade de eu pedir desculpas aos meus companheiros, porque eu reagi legitimamente em defesa da minha dignidade. Não defendo só a mim, mas a própria instituição a que pertenço há mais de 30 anos", afirmou.

Ele recebeu o apoio do colega José Genoino (PT-SP). "Também tenho passado por essas situações. Conto até 10 para não falar. E passo reto. A coisa está chegando a um ataque individual", disse.

Em suas páginas no Twitter, apresentadores do programa criticaram a decisão de Maia. "A Câmara quer proibir o CQC de 'constranger' os deputados. Pelo jeito, não querem concorrência", disse Rafinha Bastos. Para Marcelo Tas, o "CQC mostrou como ninguém lê o que assina no Congresso".

quinta-feira, junho 10, 2010

A bola rola e nos enrola

Grite gol!!!
Quando os deuses da futilidade derem o pontapé inicial entre Brasil e Coreia do Norte, os problemas sociais dos brasileiros serão jogados para escanteio. Somos cinco vezes campões do mundo; Estados Unidos, Finlândia, Espanha não são.

Até hoje, eu não sei para que cinco títulos de futebol servem, eu não sei. Recentemente, para marcar uma consulta em um hospital público, eu disse "sou cinco vezes campeão do mundo".

Na mão direita, eu segurava uma bandeirinha do Brasil e usava a camisa 10, o mesmo número com que Rivaldo se consagrou na Copa do Mundo de 2002.

Mas, mesmo assim, mesmo cantando "eu sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor", a servidora pública, sem adereço patriótico, falou que não havia cardiologista para me atender, e isso já faz três meses. Com meus cinco títulos, saí derrotado da saúde pública mais uma vez. Tantas vezes torcedor, tive de sair do hospital torcido pela injustiça.

Agora, na Copa do Mundo da África do Sul, após oito anos, o Brasil enfrentará a Coreia do Norte no dia 15 de junho. De lá para cá, tive cinco derrames. Nesse tempo, os homens públicos, que jogam um "bolão", me driblaram muitas vezes para deixar a Pátria sempre em impedimento.

Vejo carro com bandeiras do Brasil. Ruas enfeitadas. Um novo circo repetido nos alegra. Um patriotismo fútil nos envolve com uma bola que rola e nos enrola. Nesta festa, como todas as festas, a realidade social permanece suspensa, é hora de se esquecer do Brasil.

Estamos felizes com o pouco que temos, um gol. Gritemos!!! porque nossas bocas nunca souberam protestar contra a nossa miséria. Estamos felizes com o pouco que temos, o gol. Gritemos!!! porque, calados, engolimos sapos.

O que farei com seis títulos de campeão do mundo?

domingo, junho 06, 2010

Onde está a inteligência acriana?















De Aldo Nascimento

Se colocarmos um microscópio nas câmaras de vereadores e na Assembleia Legislativa, correremos o risco de não encontrar uma inteligência que saiba falar, por exemplo, de educação pública.

Ainda assim, a imprensa acriana, quando publica suas superficialidades sobre o ensino dos pobres, só ouve os políticos. Nos programas de entrevista, onde entrevistador e entrevistado cometem o milagre do monólogo, a presença desses homens públicos predomina como se a inteligência acriana estivesse encarnada neles.

Onde se encontra então nossa inteligência?

Evidente que os jornais Página 20, A Tribuna, O Rio Branco e A Gazeta pautam-se pela inteligência, por isso, por meio deles, tomamos ciência de que as datas mudam. A maior função social de nossos jornais é registrar datas.

Onde se encontra a inteligência acriana?

Se o tema de uma revista é educação pública, a inteligência pulsa nas universidades, nas escolas. Na Universidade Federal do Acre, a inteligência habita nos livros de uma Olinda Batista Assmar, de uma Maria de Nazaré Cavalcante, de um João Carlos de Carvalho, de um Carlos Alberto Alves de Sousa e de tantos outros.

Mas não só eles. É preciso registrar falas de nomes que vivem à margem do poder, do conhecimento institucional; pessoas que recebem salário mínimo e reinventam a vida em bairros esquecidos, em lugarejos isolados do conforto institucional. A inteligência acriana encontra-se em quem sofre.

“Visões...

O governo edita uma felicidade coletiva que não existe na casa de Eunice Maria. O jornal, semelhante a papagaio de pirata, repete o que o dono manda. O entrevistador e o entrevistado monologam na TV. O político, o oráculo da imprensa, acredita pensar o Acre. Há anos, sinto o fedor de uma paralisia mental.

Acima de interesses partidários, de interesses pessoais, acima de verbas públicas, muito acima de políticos que falam bem de escola pública, mas matriculam seus filhos em escolas particulares, precisamos (pro)vocar a felicidade coletiva, precisamos despenar o papagaio sem voz própria, precisamos promover o diálogo entre entrevistador e entrevistado, precisamos questionar o oráculo da imprensa, porque eu acredito, como outros acreditam, que nesta cegueira que nos confunde exista clareza de “Visões Amazônicas”.

Como aprecio a desobediência de um Altino Machado. Como entendo as contradições de um Antonio Stélio. Como me encanto com as palavras selvagens de Leila Jalul. Como aprecio o humanismo de um Guilherme da Silva Cunha. Como leio as inquietudes de um Cláudio Porfiro. Como a simplicidade de uma Toinho Alves questiona.

Por causa deles e de outros, justifica-se a circulação de uma revista que reflita de maneira irônica, sarcástica, profunda, desobediente, lúcida. Existe um Acre que não é burro e muito menos adulador.

... Amazônicas”

O professor-doutor Carlos Alberto chamou-me para pensar uma revista. “Visões Amazônicas”, Carlos deu o nome. O que penso sobre ela?

1. 52 páginas. Seu tamanho e sua imagem devem atrair o leitor. Diagramação deve ser absurdamente criativa e audaz. O texto deve estar a serviço da imagem. Tamanho de Caras e papel de CUT. Quero ver o texto dos doutores Carlos Alberto e de Olinda Batista em um salão de beleza, entre pédicure e manucure; em uma clínica de estética, entre limpeza de pele e drenagem linfática; em uma biblioteca pública ou no terminal urbano;

2. Fotos simétricas e assimétricas. Misturar regularidade com irregularidade. Harmonia de cores. Brincar com imagens;

3. Textos acadêmicos (populares) convergem com textos jornalísticos. Dados, números, gráficos. Matérias trabalhadas, pesquisadas. Textos objetivos com traços subjetivos. Textos com jornalismo literário, quem souber escrever. Ensaios. Artigos. Misturar gêneros textuais em um único texto. Entrevistas que não sejam monólogos. Resenhas. Poesia.;

4. Sem ser situação ou oposição, entrevistar homens públicos para provocá-los com inteligência, com ética, nada de insultá-los. PC do B e DEM, o mesmo peso. Tratá-los com respeito, provocá-los com respeito. (Des)cobrir vereadores, deputados. (Des)cobrir as câmaras e a Assembleia. Os homens públicos não importam, o que importa são suas ideias, se existirem;

5. Ouvir os que vivem à margem do poder. Ouvir os nativos. Ouvir os marginais. Ouvir os homens rurais, a vida acriana legítima das matas. Ouvir o interior do Acre. Ramais dizem mais que viadutos;

6. Refazer matérias de jornais, expondo precariedade, superficialidade. Matérias com breves artigos. Ouvir os que pensam nas universidades e nas escolas. Ouvir o poder para questioná-lo sempre. Sempre;

7. Uma revista autocrítica e, depois, crítica. Uma revista insatisfeita com o rebanho. Uma revista que não pasta. Inquieta como a insolência. Solene, só o inconformismo. Nada nos conforta, a não ser desobedecer ao conformismo de ideias prontas.

Passos iniciais foram dados. A temática, educação pública. Quando virá a revista? Antes de o messias chegar e antes de o governo da Frente Popular transformar o Acre no melhor lugar para você e eu morarmos, porque esperar muito cansa.

sábado, maio 29, 2010

De amantes a casados

Só os amantes sabem aproveitar o tempo, só eles sabem o valor ímpar de um breve instante.

E se, nesse breve momento, alegram-se, é porque o tempo dos amantes é "às vezes".

É esse "nem sempre" que extrai deles o cansaço das horas contínuas, a monotonia do previsível.

"Quando?"
"Não sei, talvez amanhã, quem sabe".

Entre eles, sempre a lacuna, sempre o espaço sem as horas contínuas. Assim, sem saberem quando será o próximo encontro, o próximo instante, eles sentem a presença intensa da ausência do outro.

Na falta, sente-se no peito a dor, a saudade, é como se a morte espreitasse os amantes. Nessa ausência, momento de solidão, (des)cobre-se então que o breve tempo vivido com o ser amado não pode ser desperdiçado, por exemplo, com brigas.

Só os casados perdem tempo com discussões, com desencontros, não os amantes. De tanto viverem a monotonia dos dias, de tanto o tempo ser saturado pela rotina, os casados não mais se surpreendem nas horas. No casamento, a saudade não pulsa.

É preciso que um morra para que o outro sinta falta. É preciso que um vá embora para que o outro sinta falta. Mas aí pode ser tarde demais.

quinta-feira, maio 27, 2010

O Estúpido

Nesta semana, entre restos de alienação e migalhas de destino, conversei com um cara estranho. Seu nome, Estúpido de Nascimento. Sua miséria mental não me comoveu.

Disse-me que a paralisação dos professores da rede estadual foi um sucesso. Sugeri a ele procurar um psiquiatra, porque sua mente confunde realidade com fantasia, mas Estúpido, sempre alegre com sua ideologia sindical, não entendeu.

Contente como um inocente inútil, disse-me que votará para eleger o novo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac. Por falar nisso, o atual presidente poderá deixar o cargo sem antes submeter sua direção a uma auditoria fiscal.

Estúpido não entende isso, não assimila a ideia de que dinheiro alheio deve ser administrado com clareza, com imparcialidade, com ética, por isso nada mais justo do que uma auditoria fiscal.

Estúpido riu e virou as costas.

sábado, maio 22, 2010

Um pouquinho de Macunaíma

Na foto, ator Grande Otelo representa o personagem Macunaíma. A locadora Tenny Vídeo tem o filme.



De Aldo Nascimento

No Acre, depois que o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B) ocuparam o Executivo e o Legislativo, entronizou-se a imagem de Plácido de Castro como herói do povo acriano.

Entretanto, quando percebemos a realidade sociocultural desta terra, não vemos uma gente pisando o chão com os ideais militarizados desse mito, ou seja, entre o herói forjado por burocratas do Estado e o imaginário popular, desalinha-se o laço.

A cultura popular, sabemos, não se encontra em quartel, não usa farda, não tem patente, isto é, a força da imaginação popular não é obediente à hierarquia inventada pela classe dominante. Da marginalidade do negro, a ginga do samba germina para se opor à elite nacional, que dança minueto com indumentária à francesa em 1920.

Por meio do marginal Macunaíma, o homossexual Mário de Andrade materializou a força invisível de nossa brasilidade. Se Plácido de Castro é sério, Macunaíma quer rir; se o herói do Estado é “revolucionário”, Macunaíma quer brincar, desorganizar, carnavalizar.

O estrangeiro

Mas de quem Macunaíma ri? Ora, como encarnação da cultura popular, nosso anti-herói ri do colonizador, representado pelo gigante Venceslau Pietro-Pietra, industrial estrangeiro que explora a terra brasileira.

O gigante tem espírito prático, segundo Jorge de Lima. Começou como mascate, regatão nas águas amazônicas, e termina ricaço, com palacete na rua Maranhão e com influência política. Casado com uma Caapora nacional, esse estrangeiro tem duas filhas brasileiras.

Por isso, quando o mandavam trabalhar, Macunaíma, índio da tribo tapanhuma, que significa negro, exclamava: - “Ah! que preguiça!”. Negro-índio, cafuzo, Macunaíma, porque não se submete ao capital estrangeiro, desmascara, por meio de seu riso sarcástico, quem domina.

Por isso, esse herói do avesso quer de volta a muiraquitã, pedra roubada pelo gigante Venceslau. Uma vez com esse objeto sagrado, ela tem o poder de tornar respeitado quem a traz consigo.

São Paulo

Na narrativa de Mário de Andrade, Macunaíma, para chegar a São Paulo, cidade de padre José de Anchieta, do racionalismo cristão, transforma-se em homem branco com olhos azuis.

Assim, se as caravelas europeias aportaram em terras primitivas, agora o primitivo chega à civilização quatro séculos depois. Na cidade, longe da natureza, o negro-índio fica enfermo. A civilização adoece. Modelada pela esperança messiânica e pelo aparelhamento colonial político-religioso, a cidade de Anchieta é doente.

Macunaíma é personagem-mito contra a cristandade, “contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema”, porque esse anti-herói sabe que, “antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade”, escreveu Oswald de Andrade em seu Manifesto Antropofágico.

domingo, maio 16, 2010

Os Amantes. Diamantes













Em sua insana consciência, o Amante jamais pensa como beijará o ser Amado porque o que é vital no beijo é o não pensar. Uma vez nele, uma vez entre lábios e língua, entre a saliva e o céu da boca, já não queremos ver mais nada, por isso fechamos os olhos.

Desejamos tão somente sentir o movimento incerto da carne para partir... e, fechados os olhos, a Alma se sente cair no abismo de uma breve viagem. Deixar ir.

Nada no beijo é exato, preciso ou calculado. Quanto mais errado, quanto mais a língua escapa, foge, escorre, quanto mais os lábios se jogam, a boca só deseja se perder, mais ainda, na boca Amada.

Mas quem disse que o beijo são só os movimentos da carne? Antes de eu ter minha boca de volta, antes de eu ir embora, pouco antes de minha partida, deixei na tua não só o pecado molhado da saliva, mas meu sopro...

meu sopro de vida.

sexta-feira, maio 14, 2010

Alvorada do Amor

Homem que é homem recita poesia à mulher amada. Na cama, diante de sua bela nudez, li os desobedientes versos de Olavo Bilac.

Aprisionaram Bilac como poeta parnasiano, mas o que não importa é classificar poesia.

Ninguém lê poesia para a mulher amada para depois classificar versos. "Meu amor, essa poesia é romântica porque", que coisa horrível. Poesia se sente, não se classifica. E foi pensando assim que abracei com minha língua os versos de Alvorada do Amor.

Na poesia, o Amor, esse signo profano, rebela-se contra Deus, mito inventado pelos homens ocidentais, para edificar um novo sagrado, um outro gesto divino que se ergue entre a carne e a alma.

Delicie-se!

Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A Natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!

Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
- Terra, melhor que o céu! homem, maior que Deus!".

Cara malvado

Quando deixei as férias de 2009-2010 atrás de meu destino, fotografei meu pai com o temor de nunca mais revê-lo.

"Olha só para a minha cara de malvado", disse seu Aldo.

Quando acabou de dizer isso, lembrei-me de nós em um passado sem afeto, sem diálogo, sem compreensão.

Se o Brasil era marcado pela intolerância da ditadura militar, eu, em minha própria casa, conhecia a opressão na figura "malvada" de meu pai.


Se tanques de guerra, fuzis, soldados e generais ocupavam as ruas desta Pátria, eu, por duas horas, permanecia de joelhos no canto da parede depois de receber dez palmatórias em cada mão. Lá fora, os militares; em minha casa, armas da incompreensão.

Minha mãe e minha avó mostraram a meu corpo o que a masculinidade de meu pai se recusou a questionar, no caso, que o macho domina, fere, centraliza, submete o outro a. Com Dilma e Esther, aprendi feminilizar minha carne e minha alma. Sem elas, eu teria morrido por dentro.

Mas o tempo é absoluto. Ele ensinou a meu pai brincar, por isso ele disse "cara de malvado". O tempo me ensinou a amá-lo por causa de sua condição humana, que é também a minha. Com quase 80 anos, sua idade me comove porque seu corpo revela a mais profunda despedida em forma de rugas.

Eu o amo por sua condição humana e, por causa dessa condição, olho para o passado como aprendizado. Meu pai teve outro derrame. Sua fala não é mais a mesma. Penso em voltar para casa para abraçá-lo, conversar sobre o que a incompreensão não permitiu.

Se for possível, se tenho de ir, darei a esse "cara malvado" o meu mais tenro Amor de filho, sua vida está muito acima do que houve no passado.

Quando amamos, compreendemos a hora de uma separação e a hora de recomeçar o que ainda existe para ser recomeçado.

A paralisação parou

Na segunda-feira, dia 17, os professores estaduais do Acre retornarão às salas de aula com mais 10% no salário após um mês de paralisação. No lugar do autoritarismo, o governo não se cansou de buscar o diálogo ou, como disse Carioca, "a força da argumentação".

Mais: a proposta partiu do governo. Sem comprometer a Lei de Responsabilidade Fiscal, os professores mudarão de letra para receber o aumento. Em época de eleições, o governo da Frente Popular se saiu muito bem. Muito bem.

O sindicato, por sua vez, reforça a ideia de que o atual modelo sindical pressiona o poder, ou seja, o sindicato permanece o mesmo, quem sabe, até a eternidade.

Ironia
Com 10% no bolso, o professor retornará à sala motivado para qualificar o ensino público. Seremos agora melhores no Enem do que as escolas particulares.

Nossas reuniões serão sempre a favor da qualidade de ensino. Não nos reuniremos para prolongar feriados, mas para apresentar propostas pedagógicas que exigem do aluno o melhor.

quinta-feira, maio 06, 2010

Retornaremos às aulas com...

Paulo Leminski (1944-1989)
O governo, por meio do assessor Carioca, não vê mais sentido se sentar à mesa para negociar com o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Como o sindicato rejeitou a proposta de 3% do patrão e estendeu a paralisação até 5 de julho, isso significa que os professores estaduais retornarão às aulas com nada no bolso e com uma reposição de aula para, no mínimo, fevereiro.

Pela tevê, a secretária de Educação, Maria Correa, afirmou que, se o professor tiver de repor em janeiro ou em fevereiro as aulas, ele irá repor sem aulas no sábado, no feriado e no contraturno.

HMM

Professores que votaram a favor da "greve" (reposição de aula) terão de sustentar essa paralisação até 5 de julho. Não podem recuar! Deverão sustentar suas palavras até as últimas (in)consequências.

Se acreditam nesse modelo de sindicato, se acreditam que "reposição de aula" pressiona o governo, deverão provar, agora, na prática.

Por causa disso, dedico este hai-cai a colegas de profissão do HMM que votaram a favor da reposição de aula, mas chamam de "greve", tão inocentes. Os versos são de Paulo Leminski.

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

E o que pintou foi o fracasso de uma reposição de aula. Assinem.

Vaia
Comenta-se que alunos se articulam por meio da internete uma orquestra de vaia aos professores da escola Heloísa Mourão Marques. Se isso acontecer, professores retornarão sem reposição salarial, com bolso vazio, com vaias nos ouvidos, derrotados, acreditando no atual modelo sindical e ainda confundindo greve com reposição de aula.

A essa monotonia sindical, a essa luta vã, a esses sindicalistas infecundos, eu repito aqui os versos de Leminski:

vazio agudo

ando meio

cheio de tudo

desse sindicalismo

feio

e

burro.

quarta-feira, maio 05, 2010

Minoria vota na continuidade do erro

Depois de não comparecer a três assembleias, sentei-me em um banco de praça para ouvir sindicalistas e professores ao microfone.

A presidente do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), professora Alcilene, informou que o governo ofereceu 3% de reposição salarial, porcentagem referente à inflação de janeiro a maio.

Depois disso, governo e Sinplac não se sentarão mais à mesa de negociação. Chegou-se ao limite. Na assembleia de hoje, professores (minoria) votaram a favor da paralisação até 5 de junho (ou será 5 de julho?). Digo minoria porque, em relação ao número de filiados, não havia 20% de professores na assembleia.

Clichês

O sindicato permanece com suas falas tão previsíveis, linguagem fechada em si mesma. A representante da CUT acriana ainda concebe "movimento de massa". Em seu discurso, ela reproduz as palavras "luta", "enfrentamento".

Trata-se de um sindicalismo que, por meio de discursos padronizados e dramáticos, ainda defende o confronto e a força para que se mantenha a unidade da luta. O mais triste é que mulheres usam palavras que reforçam o gênero masculino no sindicato.

Escolas retornam

Aos poucos, professores retornam às aulas. Na escola Armando Nogueira, por exemplo, alunos estão em sala. Outra, Rodrigues Leite. O governo conta com o tempo como seu aliado, o desgaste agora é gradual.

Greve ou férias antecipadas?

Como as férias foram antecipadas, preparei minhas malas, estou com viagem marcada para a Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. Antes de as aulas começarem, passarei meus dias lendo sobre os anarquistas e sobre a falência do atual modelo sindical.

domingo, maio 02, 2010

Onde Deus não se encontra


O caderno Mais!, da Folha de São Paulo, está ótimo neste domingo. Aqui, deixo uma pequena parte sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. Na foto, o bispo Edir Macedo em Portugal.

O pastor que não leu a Bíblia
De Genebra

Deus levou Antonio, 26, do arquipélago africano de Cabo Verde à suíça Genebra, no meio da Europa. Ou ao menos é o que ele diz. Pastor recém-chegado, prega altivo no altar sem se importar que nos bancos da igreja sentem-se somente quatro fiéis nesta quinta-feira à noite.

"Sempre tem gente nova", comentara antes da chegada de seu rebanho. "Muitos vêm e não ficam, mas os que ficam acabam voltando e trazendo mais. É o Espírito Santo se manifestando na pessoa."

Esguio, de um olhar direto que encara o interlocutor sem fugir nem piscar, o pastor Antonio Tony -ele jura que é sobrenome e não apelido- ainda está se adaptando.

Chamado
Conta que recebeu um chamado da igreja ordenando que viesse à Suíça pregar. Antonio não confirmou à reportagem durante a conversa no fim do ano passado, mas uma das fiéis disse que ele acabara de chegar.

Está aprendendo francês. Já era pastor em Cabo Verde, mas está reaprendendo a pregar na Suíça. Seu exemplo é o pastor Felipe, o número um do centro, de quem tenta mimetizar a retórica. Antonio é diferente, domina menos as palavras, mas se conecta rapidamente com sua audiência de mulheres de meia-idade, à qual narra pedaços de sua história e faz pequenas encenações numa espécie de terapia de grupo.

Como foi parar na Universal? "Foi coisa de ainda muito jovem", diz, sem explicar, justificando que, se começar a falar sobre a manifestação do Espírito Santo em sua vida, nem a repórter nem ninguém será capaz de compreendê-lo. Passou por outras religiões, mas sentiu-se bem só ao achar a atual.

Dali a virar pastor ele não revela quanto tempo levou. Conta só que largou o emprego num hospital para assumir o posto, pelo qual recebe, afirma, uma "ajuda para viver". Mas que pode, arregala os olhos, levá-lo ainda a qualquer outro lugar do mundo.

Na sua África mesmo, a presença da igreja avança voraz, o que ele descreve com alegria no sotaque nativo. "Estão muito, muito grandes já lá. Aqui na Europa também."
Aprendizado para o púlpito não houve, admite, apenas uma vontade de "entender melhor as coisas".

"Nunca li a Bíblia toda. É porque, se você sabe algumas coisas, já dá para entender tudo", conclui para si. Ele minimiza a falta de estudo e treino para exercer sua atividade e diz compensá-la com devoção. "É como na escola. A maioria das pessoas decora tudo e não entende nada. Estudar assim não serve, sim ou não?" (LC)

sábado, maio 01, 2010

Outra assembleia do Sinplac

Na segunda-feira, dia 3, os professores estaduais se reunirão em assembleia, às 8 horas, no Colégio Barão do Rio Branco, para aprovar ou não a proposta do governo petista. Segundo informações, essa proposta de reposição das perdas limita-se a menos de 2% porque se refere à inflação dos últimos três meses.

Se realmente for isso, estamos muito longe dos 10.96%, ou seja, a paralisação continua.

sexta-feira, abril 30, 2010

Entre o governo e o Sinplac...

Diante de seu próprio espelho, o governo do Partido dos Trabalhadores do Acre repete há 12 anos que a educação pública é uma das melhores do país. O senador Tião Viana chegou a afirmar que é "revolucionária". Não há na fala de quem governa a ponderação.

Se fosse revolucionária, se fosse exemplo, os professores não estariam paralisados. O governo narcísico do PT não pode negar que, entre as quatro paredes de uma sala de aula, leciona-se uma educada insatisfação. A educação pública acriana não é o que o governo propaga.

No entanto, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), sem falar dos probelmas na rede pública de ensino, aprovou uma paralisação por tempo indeterminado por causa somente de uma reposição salarial de 10.96%. O nosso problema não é só esse.

Um novo jornalismo sindical

De um lado, um governo que se acha lindo de vermelho; de outro, um Sinplac, que não sabendo quebrar o espelho de Narciso, reduz sua luta à reposição salarial, é quando os professores surgem para a sociedade em forma de passeatas enfadonhas, mórbidas, sem vida.

Depois dessa paralisação, eles retornarão às salas de aula, e a sociedade não os verá, a menos que haja outra paralisação. Não é o "corpo docente" que deve ser visto pela sociedade, mas a sua palavra pensada sobre a atual situação (não só salarial) da educação pública.

A palavra dos professores deve circular diariamente no Acre e, para isso, o Sinplac precisa profissionalizar a imprensa sindical. A atual direção tem a obrigação de criar uma estrutura de comunicação independente, ética, imparcial, inteligente, provocadora.

Nada de imprensa escrita por sindicalistas, mas por pessoas da área que ouvirão os problemas das escolas acrianas, as contradições do governo, os avanços do governo, os atrasos do governo. A sociedade precisa ler o que professores pensam sobre a educação pública por meio de um jornalismo sindical sério, antipanfletário.

O Sinplac, até hoje, não percebeu que a luta contra governos se trava também na arena da comunicação, e isso não quer dizer informativos, panfletos.

quarta-feira, abril 28, 2010

Agora, não pode recuar 1%

O Sindicato dos Professores Licenciados do Acre escolheu seu destino, o de prolongar a paralisação por tempo indeterminado.

Uma vez proferida a palavra, não há mais recuo, ou seja, se a porcentagem é 10.96%, o Sinplac não poderá terminar a paralisação com 10.95%, 10.94% ou 5%.

A palavra do Sinplac não pode ser dobrada, não pode ser inclinada; deve ser firme até o final. O governo é que deve ceder, só ele, só.

Quem tem mais força? Lanço uma resposta, ele: o poder.

Paixão


Aprecio livros que recriam a vida, e vida, para mim, significa palavras e gestos que afetam as relações humanas. Recriar, entenda, sempre nos perturba, desestabiliza nossas vidas tão previsíveis pelas horas da rotina.

Aprecio livros que me deslocam deste tempo-rotina para o que ainda não existe e, por ainda não existir, minha alma já sente a ausência, saudade. Do que não existe no tempo previsível, disso, eu sinto falta em mim e nas relações humanas.

Por isso, por meio da força imaginativa da palavra escrita, arte que lateja em ótimos livros, recrio minha vida no meu eu para ir ao encontro teu com o que há de mais belo em nós: o nome. Ouça, chamo-me André, e minha vida encarna-se na obra inquietante de Lavoura Arcaica, esculpida por Raduan Nassar.

Só vou aos bons livros para retornar mais vivo aos teus olhos e afirmar que belas palavras escritas despertam em mim a importância de viver na forma de gestos intensos e suaves da paixão.

Aprendo com André que o ser apaixonado assenta as fundações de sua individualidade no verbo, na palavra laboriosa, imaginativa, incomum, intensa. Sem a força do dizer ao ser amado, não há paixão.

Quando emerge essa força laboriosa, imaginativa, incomum, intensa, a palavra rompe com a estabilidade das horas previsíveis quando André, em uma casa abandonada, igreja fundada por ele porque André é profeta de seu próprio destino, agradece a Deus o corpo não de Cristo, mas a carne-hóstia de Ana.

“Meu Deus, eu pedia, um milagre e eu na minha descrença Te devolvo a existência, me concede viver esta paixão singular (...).”

terça-feira, abril 27, 2010

O governo não irá repor perdas

Assisto agora, às 12h30, à entrevista com a secretária de Educação do Estado do Acre, professora Maria Correa. Ela foi firme ao dizer que o governo não irá repor as perdas salariais.

"Não iremos apontar para reposição salarial quando o governo não tem condições de manter essa proposta", disse ao entrevistador Jorge Henrique, da TV Aldeia.

Do outro lado, hoje, em uma assembleia geral, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac) aprovou uma "greve" (reposição de aula) por tempo indeterminado.

A comunicação do governo

Os técnicos do governo colocaram Jorge Henrique, o entrevistador, e a entrevistada, secretária de Educação do Acre, professora Maria Correa, em um stúdio. O telespectador desatento afirmaria que na entrevista havia duas pessoas; mas, em verdade, a presença física menos importa.

Jorge Henrique pergunta o que secretária Maria Correa quer responder. Entrevistador e entrevistada, portanto, monologam. Embora a câmera filme duas pessoas, há tão somente uma só e única fala.

A TV Aldeia, a serviço do governo, poderia criar um espaço-fala para haver debate entre governo, sindicato, professores e alunos, porém o governo, por meio do poder da comunicação, propaga sua imagem.

Enquanto isso, o Sinplac, sem poder de comunicação, é pautado pelo governo.

domingo, abril 25, 2010

"O Arco", de Kim Ki-Duk

Há anos, cultivo belos filmes, por exemplo, O Arco. Quando pensamos que tudo sobre o amor já foi revelado, eis que surge a arte de Kim Ki-Duk. Sua película é a força belíssima do sensível, do lírico.

Por ser um filme autoral, mentes domesticadas pela gosma da vulgaridade estão impedidas de assimilar o lirismo de O Arco. O vulgar não é profundo; obtuso como um animal que pasta, eis o vulgar. Os estúpidos jamais entenderão as imagens dessa obra.

Não irei aqui tecer interpretações, agora não. Esse filme, eu passarei para as retinas de meus alunos.

Amanhã, reunião definitiva

Às 16 horas, na Secretaria de Articulação Política, Carioca, sua equipe de governo e professores do Sindicato do Professores Licenciados do Acre dialogarão à mesa sobre reposição de perdas salariais, usando o prêmio de valorização do magistério.

O Sinplac não vê o todo

Se dependesse somente do orçamento do Estado, a reposição de 10.96% seria impossível porque a Lei de Responsabilidade Fiscal impede. O Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), ignorando ou não se importando com o orçamento estatal, exige 10.96% de reposição sem pensar nas reais condições de sua exigência.

O Sinplac vai às ruas sem conhecer os cofres do Estado. Quero dizer com isso que o sindicato olha só para sua porcentagem e não para a real situação orçamentária do Estado. O sindicato não vê o todo porque exige só sua parte, o que é um erro.

Antes de ir às ruas, o Sinplac deveria ter visto o que há nos cofres do Estado para saber o verdadeiro valor da folha de pagamento e sua relação com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Se depender dessa lei, a reposição, como declarou Carioca a mim, seria "irrisória", isto é, menos de 1%. Mas essa porcentagem não se limitaria aos professores, outras categorias receberiam, o que poderia ser possível ou não para o Estado. Se o Sinplac pensa só nos professores, a equipe de governo pensa nas outras categorias, pensa no todo, o Estado.

Reposição é possível

Não havendo, portanto, saída por meio da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Sinplac propôs de forma inteligente o prêmio de valorização do magistério para repor as perdas salariais. Quando entrevistei Carioca, a Secretaria da Fazenda ainda não estava com os números.

Eu acredito que na segunda-feira, dia 26, a reposição será possível por meio do prêmio de valorização. No entanto, não acredito em 10.96%. O lado negativo será acreditar que o Sinplac venceu esse duelo porque o seu modelo de luta é o correto.

Os tolos vivem da aparência.

sexta-feira, abril 23, 2010

Carioca, o Entrevistado (1)


Às 12h10, entrei no gabinete do assessor da articulação política do governo do Acre, o petista Carioca. Há 16 anos como homem que não foge ao diálogo, ele enfrenta a paralisação também dos professores estaduais.

"Minha equipe negocia há 16 anos, nós estamos com o couro curtido", enfatiza Carioca. "Se você acompanhar as negociações, você irá perceber que há respeito entre as partes, nunca me senti insultado à mesa pelos servidores públicos."

Segundo ele, no passado, professores conversavam com gente do terceiro escalão do governo; mas, hoje, professor nem precisa parar para exigir do governo negociação com o primeiro escalão.

"O nosso ativo é que nós conhecemos o lado de lá tanto quanto quem está do lado de lá."

LÍNGUA – O governo irá repor as perdas para os professores estaduais?

“Eu coloquei duas coisas para o sindicato.”

Eu conversei com o Sinplac, eu e a equipe de negociação, que a Lei Eleitoral, que é modificada em cada eleição, preceitua uma série de regras e normas que devem ser levadas a termo pelo governo.

Eu coloquei duas coisas para o sindicato, o que precede uma decisão política do governo são dois pareceres que devem nos orientar porque nós não podemos nos abdicar de proceder assim, pois nós somos regulados pelo Estado de Direito.

“Primeiro parecer.”

Um deles é o que preceitua a Lei de Responsabilidade Fiscal, qual a nossa margem de manobra em relação ao comprometimento com o pessoal, considerando que nós estamos vivendo ainda o desdobramento da crise de 2008.

Com essa crise, o Estado brasileiro arrecadou menos, o nosso Estado do Acre é um Estado dependente, portanto, com os repasses diminuindo para municípios e estados, nós tivemos uma espécie de comprometimento cada vez maior com a folha de pagamento, dada a queda da receita.

Era fundamental um parecer da Secretaria de Fazenda, colocando a nossa margem de manobra ser muito pequena.

“Segundo parecer.”

Nós trabalhávamos com o que preceitua a Lei Eleitoral e o que nós recebemos foi o seguinte: “Lei Eleitoral, Procuradoria-Geral do Estado tem o seguinte entendimento, os governos estaduais, em ano de eleição, podem recuperar perdas salariais no ano em curso, do dia 1º de janeiro ao 5 de julho.”

Só que há um problema. Ao fazer dessa maneira, você tem de fazer um reajuste linear, eu não posso repor perdas diferenciadas para as categorias, eu não posso dar aumento só para professor. Se o governo repor para professores, ele tem de repor para todos, ou seja, para os 40 mil servidores públicos.

Esse é um problema que cria obstáculos para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ainda que a inflação nesse período chegasse a uns 2.5%, isso projetado para 40 mil servidores é um valor bem significativo.

“Mas nós estamos fazendo alguns cálculos sem ferir as duas leis.”

Nós podemos discutir o prêmio de valorização que existe no magistério. Nós estamos fazendo um estudo com a Secretaria de Fazenda para dialogarmos com os trabalhadores da educação.

Na segunda-feira, dia 26, às 16 horas, haverá uma reunião conclusiva sobre isso.

O Sinplac está pedindo que o valor do prêmio, ao invés de ser pago duas vezes no ano, parte dele seja pago mensalmente. Esse é um pedido do Sinplac. Nós estamos dando atenção a todas as possibilidades, a todas as saídas, desde que de forma democrática, respeitosa, sem violar a lei.

LÍNGUA – Você diz “respeitosa”, mas tem sindicalista propagando que Carioca mandou as mulheres lavarem roupa.

“Vou processar esse professor.”

Vou colocar em alto e em bom som: não tem como eu não processar esse professor, impossível. Ou eu processo esse professor ou a irresponsabilidade de ele dizer isso ao microfone para centenas pessoas, sobretudo de mulheres, ficará sendo a verdade. Por isso, em juízo, ele terá de provar o que disse.

À mesa de negociação, eu interpelei a própria presidente do Sinplac, que disse, na frente de todo mundo, que o professor sugeriu isso a ela, porque a massa ficaria muito mais exaltada, com a temperatura elevada.

A professora Alcilene, sabendo que isso não era verdade, não colocou isso ao microfone, mas o professor que sugeriu disse. Eu vou processá-lo senão passará a ideia de que eu disse isso contra as professoras, contra as mulheres. Não se trata de ameaça, mas compromisso com a minha honra.

“Quer debater comigo?”

Vamos debater. O que prevalece à mesa de negociação é sempre a autoridade do argumento e não o argumento da autoridade; é a força do argumento e não o argumento da força. Se for assim, a gente vai.

LÍNGUA – Carioca, para evitar esse disse me disse, por que sua equipe não filma as reuniões para depois serem colocadas no sítio do governo?

É uma boa ideia.

quinta-feira, abril 22, 2010

Alunos, eu lecionarei na segunda


Hoje, distante, ouvi pessoas ao microfone do carro de som do Sinplac. Às 16 horas, Carioca se reunirá com os professores. Amanhã, haverá churrasco pela manhã.

Eu não sou a maioria. Eu sou a minha individualidade, entenda, isso não significa individualismo. Não sou o que a maioria pensa e nem o que penso. Sou a favor do bem senso, da boa ideia, do novo, de novas possibilidades. O que é ultrapassado pelo tempo não merece minhas horas de atenção.

Eu não sou a maioria. Eu sou a minha liberdade de escolher o que não é burro. Esse atual modelo sindical é tolo, amador, infecundo. Uma maioria não me representa quando não pensa no novo, quando não sabe o que diz, quando acredita que sindicalismo é carro de som na rua, quando diz que greve de professor não é reposição de aula.

Eu não sou a
maioria. Eu sou a minha palavra contra uns professores que nunca se reúnem rápido na escola HMM para qualificar o ensino público, mas se reúnem em segundos para prolongar feriados, para votar a favor de reposição de aula ("greve").

Eu não sou a maioria, porque a maioria não sabe o que eu penso e não está nem aí para o que eu penso, eu sou a minha inquietude, valor oposto ao rebanho sindical que pasta no campo árido das mesmas ideias, das mesmas práticas.

Eu não sou a maioria quando essa mesma maioria defende um sindicalismo de século 19. Estou no século 21. A maioria perdeu o mouse da história.

Minoria

Em verdade, não foi a maioria que votou a favor da "reposição de aula", foi uma minoria que decidiu por uma maioria. Na minha escola, em uma sexta-feira, um grupo votou quando nem todos os professores estavam na Heloísa Mourão Marques, por exemplo, eu não leciono na sexta.

Professor vota em paralisação do corpo docente da escola HMM, mas se prepara para sair do magistério, quer receber melhor no Poder Judiciário. Luta (?) tanto pela escola pública que deseja sair logo da sala de aula para atrevessar as portas do Tribunal Regional Eleitoral.
Liberdade de um só

Eu não sou uma minoria que decide pela maioria. Eu sou um eu, a minoria absoluta, que decide retornar às aulas na segunda-feira, dia 26 de abril de 2010, porque a liberdade de um só deve ser respeitada em um país livre e democrático.

Quando vocês forem um dia melhores do que são, aí, quem sabe, poderá haver diálogo entre nós.

quarta-feira, abril 21, 2010

O Sinplac não quer olhar para si mesmo










Votei na atual direção; entretanto, independente disso, minhas críticas destinam-se ao Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), à sua forma de se organizar, de escrever na lousa sua maneira de se opor ao governo, ao poder.

Quando o Sinplac surgiu como APL, alegrei-me muito porque acreditei que novas trilhas seriam criadas por mulheres na direção sindical. Na época, trabalhando como repórter do Página 20, publiquei a matéria Fim do monopólio sindical.

Desde aquele dia, mulheres estiveram à frente do Sinplac, no entanto elas nunca deixaram marcas diferentes das marcas masculinas, isto é, mulheres ocupam espaços sindicais como os homens ocupariam. Se é para fazer o mesmo que os homens, melhor ficar em casa cuidando dos maridos e do filhos.

Descentralização

Só existe esta atual forma de organização sindical? só há esta maneira de votar em um dirigente? A atual democracia do Sinplac, cópia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre (Sinteac), representa o gênero masculino por ser esse gênero centralizador e por não haver critério qualitativo para escolher o candidato.

Pertence ao gênero feminino descentralização e qualidade [democrática], mas isso não existe no Sinplac.

Imprensa

Não me refiro ao nome Alcilene, atual presidente, mas ao Sinplac de antes e de hoje. O sindicato está acima das direções, muito acima de nomes. O Sinplac permanece, e direções passam.

Trata-se de uma vergonha como se encontra a comunicação do Sinplac. Quando existe, apequena-se com seus panfletos. O Sinplac deve formar uma imprensa autônoma, criada por bons profissionais, jornalistas sem vínculo com a pouca inteligência de obreiros sindicais.

O atual assessor de comunicação do Sinplac, Josafá Batista, está para apresentar uma proposta de um novo jornalismo sindical. Espero que vingue.

Sindicato-empresa

O Sinplac não pode mais se reduzir a receber dinheiro dos filiados. Esse dinheiro precisa criar, por exemplo, bens culturais. O dinheiro sindical precisa criar riqueza e precisa todo ano passar por uma auditoria.

E não é só isso.

terça-feira, abril 20, 2010

Documento, interior e Osmarina

Hoje, cheguei à paralisação dos professores por voltas das 10 horas. O Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac), até 12h20, esperou por um documento do governo, mas as palavras escritas do patrão não chegaram.

Por causa de o governo não ter entregado o documento à categoria, sindicalistas falaram ao microfone do descaso do PT pelos professores. Não digo descaso; porém, por não se sentir pressionado, o governo permaneceu indiferente, não entregou o documento.

Se a reposição de aula, que chamam de "greve", pressionasse o governo, ele teria entregado o documento.

Na quinta-feira, nova concentração no Centro, diante da Assembleia Legislativa do Acre. Acredita-se que o documento chegará nesse dia.

Uma TV local usou meu blogue para apontar a fragilidade do Sinplac, publicando que o sindicato não tem representatividade no interior. Isso é fato, mas a questão não se reduz só a isso. O Sinplac, antes de criar núcleos no interior, precisa debater a forma como o sindicato deve ser organizar para escolher seus representantes.

A gestora Osmarina, da escola Heloísa Mourão Marques, afirmou que professor não reporá aulas aos sábados. O ano letivo irá até janeiro, e o vestibular do terceiro ano poderá ficar comprometido.

segunda-feira, abril 19, 2010

Carioca, às 16 horas

Hoje, conversando com um repórter em uma concentração de professores no centro de Rio Branco, ele me disse que o governo não cederá ao Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

Às 16 horas, haverá uma reunião com Carioca, representante do governo.

Carioca não está preocupado com a "greve", dorme tranquilo toda noite, porque, para ele, o sindicato é o Pateta da história.

domingo, abril 18, 2010

Sinplac

NOTA DE REPÚDIO E ESCLARECIMENTO

O SINDICATO DOS PROFESSORES LICENCIADOS DO ACRE (SINPLAC) VEM A PÚBLICO REPUDIAR A NOTA RECHEADA DE INVERDADES VEICULADA NA IMPRENSA PELA SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO (SEE). ESCLARECEMOS QUE A INTENÇÃO É DESMORALIZAR O SINPLAC E DESMOBILIZAR A GREVE DA CATEGORIA, UMA VEZ QUE O SINPLAC BUSCOU TODOS OS CANAIS DE NEGOCIAÇÃO DENTRO DO PRAZO ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO ELEITORAL, O QUE PODEMOS PROVAR COM DOCUMENTOS.
SOLICITAMOS QUE OS PROFESSORES NÃO CEDAM ÀS PRESSÕES DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E DE ALGUNS DIRETORES CONTRÁRIOS AO NOSSO MOVIMENTO.
REAFIRMAMOS: A GREVE CONTINUA. CONVIDAMOS OS PROFESSORES, PAIS E ALUNOS PARA A NOSSA CONCENTRAÇÃO A PARTIR DAS 8 HORAS DESTA SEGUNDA-FEIRA, 19 DE ABRIL, EM FRENTE À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA.
A GREVE FOI O ÚLTIMO RECURSO QUE ENCONTRAMOS PARA ROMPER COM O DESCASO E O DESRESPEITO DO GOVERNO PARA COM OS PROFESSORES LICENCIADOS. RESISTIR SEMPRE, DESISTIR JAMAIS!

A DIRETORIA

Lei de greve

Agimos como se a liberdade de uma minoria pudesse votar a favor de uma "greve" (reposição de aula) de professores como se não houvesse lei. Até motorista de ônibus, com o ensino médio, sabe que 30% da frota precisa funcionar para que a greve não caia na ilegalidade.

O professor não lê, ignora o que seja lei de greve, a 7.783. Como o Sinplac desobedeceu ao artigo terceiro, parágrafo único, a grave, caso se estenda, será julgada como ilegal pelo Judiciário.

O Sinplac não avisou com antecedência de 48 horas ao governo. Tá tudo errado. Tudo é oba-oba de um sindicalismo ainda obreiro, de um sindicalismo que não se (re)organiza para médio prazo. Tudo é imediatismo. Somos tão previsíveis como sindicato que o nosso amanhã é um ontem antecipado.

Estamos esclerosados com nossos discursos vazios de inteligência, cada palavra proferida tem a imobilidade da velhice. Secreções viscosas de burrice escorrem de cérebros atrofiados pela incapacidade de pensar o novo.

Mas, ainda sim, somos arrogantes com o tempo. Quem desconhece o deus Cronos ignora que esse deus devora seus filhos. Esse modelo de sindicato que votou a favor da "greve" (reposição de aula), o tempo devorou há anos.

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos


LEI Nº 7.783, DE 28 DE JUNHO DE 1989.

Dispõe sobre o exercício do direito de greve, define as atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Parágrafo único. O direito de greve será exercido na forma estabelecida nesta Lei.

Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador.

Art. 3º Frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a cessação coletiva do trabalho.

Parágrafo único. A entidade patronal correspondente ou os empregadores diretamente interessados serão notificados, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas, da paralisação.

Art. 4º Caberá à entidade sindical correspondente convocar, na forma do seu estatuto, assembléia geral que definirá as reivindicações da categoria e deliberará sobre a paralisação coletiva da prestação de serviços.

§ 1º O estatuto da entidade sindical deverá prever as formalidades de convocação e o quorum para a deliberação, tanto da deflagração quanto da cessação da greve.

§ 2º Na falta de entidade sindical, a assembléia geral dos trabalhadores interessados deliberará para os fins previstos no "caput", constituindo comissão de negociação.

Art. 5º A entidade sindical ou comissão especialmente eleita representará os interesses dos trabalhadores nas negociações ou na Justiça do Trabalho.

Art. 6º São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:

I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;

II - a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.

§ 1º Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem.

§ 2º É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.

§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.

Art. 7º Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.

Parágrafo único. É vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos, exceto na ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 9º e 14.

Art. 8º A Justiça do Trabalho, por iniciativa de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho, decidirá sobre a procedência, total ou parcial, ou improcedência das reivindicações, cumprindo ao Tribunal publicar, de imediato, o competente acórdão.

Art. 9º Durante a greve, o sindicato ou a comissão de negociação, mediante acordo com a entidade patronal ou diretamente com o empregador, manterá em atividade equipes de empregados com o propósito de assegurar os serviços cuja paralisação resultem em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades da empresa quando da cessação do movimento.

Parágrafo único. Não havendo acordo, é assegurado ao empregador, enquanto perdurar a greve, o direito de contratar diretamente os serviços necessários a que se refere este artigo.

Art. 10 São considerados serviços ou atividades essenciais:

I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis;

II - assistência médica e hospitalar;

III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;

IV - funerários;

V - transporte coletivo;

VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;

VII - telecomunicações;

VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nucleares;

IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;

X - controle de tráfego aéreo;

XI compensação bancária.

Art. 11. Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

Parágrafo único. São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população.

Art. 12. No caso de inobservância do disposto no artigo anterior, o Poder Público assegurará a prestação dos serviços indispensáveis.

Art. 13 Na greve, em serviços ou atividades essenciais, ficam as entidades sindicais ou os trabalhadores, conforme o caso, obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas da paralisação.

Art. 14 Constitui abuso do direito de greve a inobservância das normas contidas na presente Lei, bem como a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho.

Parágrafo único. Na vigência de acordo, convenção ou sentença normativa não constitui abuso do exercício do direito de greve a paralisação que:

I - tenha por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição;

II - seja motivada pela superveniência de fatos novo ou acontecimento imprevisto que modifique substancialmente a relação de trabalho.

Art. 15 A responsabilidade pelos atos praticados, ilícitos ou crimes cometidos, no curso da greve, será apurada, conforme o caso, segundo a legislação trabalhista, civil ou penal.

Parágrafo único. Deverá o Ministério Público, de ofício, requisitar a abertura do competente inquérito e oferecer denúncia quando houver indício da prática de delito.

Art. 16. Para os fins previstos no art. 37, inciso VII, da Constituição, lei complementar definirá os termos e os limites em que o direito de greve poderá ser exercido.

Art. 17. Fica vedada a paralisação das atividades, por iniciativa do empregador, com o objetivo de frustrar negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos empregados (lockout).

Parágrafo único. A prática referida no caput assegura aos trabalhadores o direito à percepção dos salários durante o período de paralisação.

Art. 18. Ficam revogados a Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, o Decreto-Lei nº 1.632, de 4 de agosto de 1978, e demais disposições em contrário.

Art. 19 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 28 de junho de 1989; 168º da Independência e 101º da República.

JOSÉ SARNEY
Oscar Dias Corrêa
Dorothea Werneck

A lei e a greve

Vamos supor que a "greve" dos professores do Acre se estenda. Caso isso ocorra, penso que ela cairá na ilegalidade segundo o Poder Judiciário. Não entrarei em detalhes, mas fonte do governo falou o óbvio a mim.

sábado, abril 17, 2010

Dias parados, descontados

Desconto da greve de professor será parcelado
Luciana Lazarini
do Agora

Os professores da rede estadual terão o desconto dos dias parados durante a greve, parcelado em duas vezes.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o desconto será de até 35 dias (referente aos dias parados). A primeira dedução será no próximo pagamento, em 7 de maio, quando será retirado o valor correspondente a 13 dias parados. No holerite de junho, por sua vez, serão contados até 14 dias de greve restantes de março, além dos oito dias de paralisação em abril. Assim, o pagamento de junho poderá ter o abatimento de até 22 dias no holerite de quem entrou em greve.

Na última terça, a Apeoesp (sindicato dos professores) se reuniu com o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza, e pediu que o desconto dos dias parados não fosse feito de uma vez só.

Aos alunos da escola HMM


No dia 15 de abril, aprovada a "reposição de aula" por uma minoria, professores da escola HMM se reuniram no térreo da Assembleia Legislativa do Acre e ficou acertado que no dia 16, no encontro pedagógico, o corpo docente debateria o que chamam de greve.

Para minha surpresa, quando cheguei à escola no sábado, soube que uma maioria votou a favor da greve (reposição de aula) quando os alunos já se encontravam em sala de aula. Defendi um debate no sábado, porque, na sexta, com alunos em sala, é um descaso com o corpo discente.

Não sou a favor desse modelo falido de "greve" e muito menos votaria em uma reposição de aula quando aluno se encontrasse em sala.

Penso que os alunos sérios, maduros, interessados por qualidade de ensino deveriam se posicionar contra essa postura irresponsável de uma maioria. Aluno bom deve cobrar, deve abrir a boca com os outros alunos. Aluno bom deve falar para transformar a escola. Aluno responsável deve colocar professor irresponsável contra a parede.

Alunos, coloquem a boca no trombone.

E tem professor que concordou com um documento escrito por mim para ser apresentado ao Sinplac, discordando do atual modelo de greve.

Operação Nota Azul

A escola Heloísa Mourão Marques parou suas atividades. Minha proposta tinha sido assinar o ponto para não haver reposição de aula e, depois, em sala de aula, não lecionar, e, como estamos em período de avaliação, as provas seriam objetivas, isto é, dez questões fáceis para o aluno marcar X.

O que o governo espera do professor em sala de aula, nós negaríamos o governo entre as quatro paredes, ou seja, nada de leitura, nada de texto, nada de letramento, nada de qualidade de ensino. O nome dessa desobediência civil seria “operação nota azul”. Como canta o talentoso grupo Los Poronga, "criando atalhos a golpes de insatisfações, faço escultura em luz de lampião, (...). Tudo ao contrário então."

Diante de câmeras de tevê, representantes do sindicato, movidos pela inteligência e por um bom português, diriam:

- Nós, professores, estamos em sala negando o que o poder deseja de nós. No lugar de dizer o que esperam de nós, diremos que ler não é importante, que estudar não é importante, que ser professor não é importante. Nossa greve não é parar a escola, mas fazer com que o aluno pare de pensar, por exemplo, por meio de provas objetivas fáceis.

Gosto do pensamento anarquista porque nega o sistema dentro dele. Martin Luther King [1929-1968] e Mahatma Gandhi [1869-1948], por exemplo, realizaram ações conforme o pensamento anárquico.

Nos ônibus, os negros só podiam se sentar atrás, nas últimas cadeiras. Na frente, o negro deveria ceder o espaço ao branco. Luther King percebeu que uma maioria negra pagava passagens. Sendo assim, por meio de uma ótima comunicação, os negros foram convencidos a não entrar em ônibus. Eles andariam a pé. Os empresários sentiram no bolso o prejuízo porque a greve materializou um prejuízo.

Quando os ingleses desejaram mudar o modo de se vestir dos indianos, Gandhi propôs ao povo tecer sua própria roupa. As fábricas inglesas faliram.

Mas é impossível propor o novo quando entre meus pares circula há anos um discurso sindical envelhecido. O que é velho, sabemos, merece todo respeito, não é verdade?

No pensamento sindical, é preciso criar o fato visível, a sociedade precisa ver pela tevê que os professores pararam as aulas. O sindicato quer medir força com o governo, precisa mostrar que as escolas pararam. Quem pode mais? Da forma como as coisas estão colocadas, o governo.

A hegemonia da informação

Depois de uma minoria aprovar uma greve por tempo indeterminado, inicia-se a guerra de informação entre o governo e o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac).

A questão aqui não se reduz a dizer que o governo tem a imprensa rio-branquense na mão, mas admitir por meio de uma autocrítica que o Sinplac não criou até hoje um jornalismo sindical eficaz e inteligente.

O sindicato não possui força informativa. Suas palavras, imprensas em panfletos, ecoam na contramão da história moderna. No panfleto, a palavra sindical é tarefeira, obreira, autômata; não é palavra persuasiva.

Como se ainda não fosse pouco, o sindicato não tem programa de rádio criado – eu disse “criado” – por ótimos profissionais da área e, se tivesse, seria muito malfeito por sindicalistas que ignoram a “sedução de comunicar”.

Quando se trata de informação, a luta será entre profissionais (o governo) e os amadores (o sindicato). Não aprendemos com o tempo.

sexta-feira, abril 16, 2010

A minoria vota












Em 15 de abril, por volta de 12h30, no térreo da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, o Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac, por meio de uma minoria, aprovou uma “greve” (reposição de aula) porque o governo da Frente Popular manteve-se imóvel diante das reivindicações dos professores.

A postura fria do governo justifica-se porque ele sabe que o Sinplac não tem poder de parar a máquina. Os médicos, esses sim, não só param um hospital público, mas afligem a vida dos pacientes visto que o corpo no hospital não se assemelha ao corpo escolar. Naquele, o corpo sente dores; e neste, pensa. Em outras palavras, no hospital, o corpo exterioriza sua condição de matéria; e, na escola, ele assimila abstrações.

Se o hospital público parar por uma semana, corpos gritam, sofrem, doem, avolumam-se. Em pouco tempo, a greve dos médicos gera caos, desordem, tumulto. Se a escola pública parar por uma semana, a greve dos professores não gera caos na escola porque o corpo na escola não é o mesmo corpo no hospital. Além disso, o médico não repõe consulta. O hospital, esses sim, senhores, pressiona o governo.

Posso afirmar, portanto, que médico faz greve porque causa colapso visível no sistema. Quando paralisa as aulas, o professor não causa colapso material, ou seja, o significado original de “greve” perde-se ou deforma-se na educação.

Não podemos usar o signo “greve” para o corpo docente quando sabemos que, ao repor aula e ao não causar colapso material no sistema, o significado original de “greve” altera-se - eu chamo reposição de aula. A escola, senhores, não pressiona governos.

O que fazer?

Os búzios responderão.

quinta-feira, abril 15, 2010

O Sinplac não aprende

Não houve aula hoje na escola Heloísa Mourão Marques por causa da paralisação do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre, o Sinplac. Marcada para as 8 horas, a assembleia deu sinal de vida somente 15 minutos antes das 9 horas. Esperei 1 hora.

Depois de tanto falatório inútil - houve pouca exceção -, formou-se uma comissão para negociar com o governo da Frente Popular. Às 12h20, terminada a negociação, a presidente do Sinplac informou que o governo se recusou a repor as perdas salariais.

Segundo o Sinplac, há 5 mil professores filiados, mas nem 10% deles encontravam-se na assembleia. Mesmo assim, mesmo sendo minoria da minoria, os professores votaram a favor de uma "greve". Já assisti a esse filme.

Se uma minoria vota pela maioria, qual pode ser o resultado disso? O Sinplac não aprende e, por isso, reproduz como autômato práticas inúteis de luta sindical, por exemplo, uma minoria vota por todos.

Penso que, em cada escola, deveria haver uma urna para que o professor votasse a favor ou não de uma greve. Dessa forma, a votação seria expressiva para negar ou afirmar uma paralisação. Preso a uma prática ilegítima, isto é, uma minoria é a voz de todos, o Sinplac se condiciona a não renovar o atual modelo sindical, repetindo as formas do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Acre, o Sinteac.

Por causa de sua atual estrutura, o Sinplac não conseguirá êxito com essa "greve". Nem todos aderiram. A forma como organiza os professores e como se organiza é um erro. Um dia parado equivale-se a um dia de reposição de aula.

O tempo mais uma vez denunciará o fracasso dessa "greve". O Sinplac não aprende com o tempo.

quarta-feira, abril 14, 2010

O salário da educação estadual

No Acre, em início de carreira, o professor recebe hoje R$ 1.675,79, o bruto, para lecionar em cinco turmas, 30 horas-aulas.

Em 30 anos, um educador receberá R$ 3.184,00, 30 anos depois.

Em 2005, o professor recebia R$ 1.400,00. Três anos depois, R$ 1.675,79, o bruto. Em três anos, portanto, um aumento de R$ 275,79.

E dizem que a situação do professor no Acre é boa. Deus é testemunha!!!

sábado, abril 10, 2010

Que o anjo do Senhor os mate

As cenas trágicas em Niterói, segundo informações da imprensa, foram causadas pelos políticos do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. A eles, dedico estas palavras.

Seus pulhas com fantasias de terno e gravata, suas línguas de promessas deveriam estar sob os escombros do Morro do Bumba porque suas vidas inúteis de homens públicos valem menos do que o lixo que soterrou inocentes e pobres.

Canalhas, marginais protegidos por suas leis, eu sei que o Mal não se manifesta em igrejas e nem se chama diabo, mas se senta em assembleias legislativas e em câmaras de vereadores para ser chamado de autoridade.

Irmãos da injustiça social e da miséria, vocês desobedecem a Deus porque são inimigos do Senhor. Sendo assim, "por chuva da tua terra, o Senhor te dará pó e cinza; dos céus, descerá sobre ti, até que sejas destruído". E, uma vez destruído o diabo-político, "o teu cadáver servirá de pasto a todas as aves dos céus; e ninguém haverá que os espante", diz a mim Deuterônimo 28, versículos 24 e 26.

Enquanto esses malditos legislaram em causa própria regalia, conforto, patrimônio, riqueza, uma avalanche de descaso público assassinou assalariados, pais de assalariados, filhos de assalariados, avós de assalariados.

Pior do que permanecerem impunes, é saber que seus ternos e suas gravatas ainda vivem. Autoridades, vocês são mais úteis mortos, sem missa de sétimo dia e sem sepultamento digno. Cova rasa e coletiva com o lixão do Morro do Bumba.

Que o anjo do Senhor crave a espada de sua ira em suas bocas e, somente depois disso, dessa morte redentora, Niterói festejerá sobre seus túmulos.

quinta-feira, abril 08, 2010

Esses sindicalistas não aprendem

Terminou a greve do professores de São Paulo. Mais uma vez, os sindicalistas escrevem na lousa a palavra fracasso. Velhas práticas não respondem ao século 21.

Segundo o UOL, no final da quarta-feira (7), a Apeoesp reconheceu que caiu a adesão à greve. Em reportagem da Folha de S. Paulo, a presidente afirmou: "Tenho de admitir que a adesão diminuiu", disse Maria Izabel Noronha.

Segundo o levantamento da entidade, a paralisação chegou a abranger 63% dos docentes em março. Para a Secretaria da Educação, nunca atingiu 1%. O sindicato não divulgou novo balanço de paralisação. Afirmou apenas que há "significativos índices de adesão, afetando todas as regiões do Estado".

Desde o início da paralisação, o governo tucano diz que não negociará enquanto os grevistas não voltarem ao trabalho. "O governo se mostra intolerante. Com esse panorama, as pessoas vão desanimando", afirmou a líder sindical.

No Acre, sindicalistas da educação estão mortos e não sabem. Foram sepultados em uma cova rasa e coletiva da burrice.

Os blogues da escola HMM

Diretora-professora Osmarina, estou fascinado com os blogues que alunos da escola Heloísa Mourão Marques criaram. Minha nossa, uma mistura de beleza com inteligência, imagens de puro gosto e de impuras inquietudes.

Alguns professores permanecem com apodrecidas práticas em sala, mas os alunos criam mais do que seus mestres. Que juventude!!!

Osmarina, bem que a sua direção poderia premiar os melhores blogues da escola. Os caras estão mandando bem!!! As garotas estão destruindo!!!

Parabéns, vocês são... são... apaixonantes!!!

quarta-feira, abril 07, 2010

Um currículo homossexual


Conae - Livros didáticos e escolas terão de incluir temática LGBT

Escrito por Portal UOL - Simone Harnik

Quinta, 01 de Abril de 2010

Os temas sobre orientação sexual e homossexualidade terão de aparecer nos livros didáticos e nas salas de aula. Pelo menos, foi essa a decisão da Conae (Conferência Nacional de Educação), que acontece em Brasília até quinta-feira (1º).

Segundo o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, o movimento LGBT está satisfeito com a conferência. “Saímos vitoriosos. Se o país cumprir o que foi aprovado, a homofobia na escola está com os dias contados”, afirma.

A Conae pretende traçar diretrizes para a educação do país, que podem ser incorporadas no Plano Nacional de Educação. É este plano que define o que será prioridade no ensino brasileiro nos próximos dez anos.

Além da presença nos livros escolares, a temática LGBT deverá ser ensinada nas faculdades e cursos de formação de professores. Além disso, de acordo com Reis, a conferência definiu que o livro didático não poderá ter conteúdos que discriminam homossexuais. “É o fim das piadas sobre gays nos livros”, diz.

Propostas LGBT na conferência

O movimento LGBT levantou três propostas na Conae: o fim da homofobia na escola; que travestis possam usar o nome feminino nas salas de aula; e que a discriminação a homossexuais seja considerada crime no Brasil. “Hoje temos uma preocupação especial com a situação das travestis, que são as que sofrem mais discriminação na escola”, acrescenta.

Segundo Reis, entidades nacionais apoiaram os projetos, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras).

Agora a ABGLT pretende utilizar a decisão da Conae como uma referência para pressionar por mudanças. “Queremos avaliar, monitorar, e acompanhar de forma propositiva as políticas públicas”, diz Reis.

A revolução que faltou ao encontro

Postaram estas palavras, elas se referem à "Revolução do PT faltou ao encontro", texto escrito por mim. Escreve-se:

Além disso, outras questões para as quais o PT fez-se de cego e surdo em relação à educação:

* Elaborar e fazer circular material didáico regionalizado;
Esta questão é muito interessante. Os currículos regionais partiram do governo federal e, até hoje, a Secretaria de Educação do Acre, administrada pela Frente Popular há quase 12 anos, jamais rascunhou uma possibilidade.

Não temos, por exemplo, uma produção textual de alunos analisada pelo próprio corpo docente da área que leciona na escola, ou seja, o que ocorre na escola não se transforma em material didático.

* Promover nas escolas o "tempo do diálogo", pois a falta disso tem-nos feito emburrecer a cada dia;
O cotidiano escolar permanece congelado com práticas carcomidas pela tristeza de lecionar, pela ausência de reflexões. Uma observação irônica: o emburrecimento também alegra as pessoas.

* Premiar os bons alunos, não de forma esporádica, mas como programa permanente e contínuo;
A escola pública acriana é o lugar perfeito onde não se reconhece o melhor aluno.

* Estabelecer para a escolha dos coordenadores das escolas não o critério político ou do apadrinhamento, mas sim o da inteligência e o da competência.
Há 12 anos na rede pública estadual de ensino, nunca conheci coordenadores de ensino que transpirassem um pouco de inteligência. Peças indicadas por direções arbitrárias e incompetentes, os coordenadores de ensino fazem parte de uma paisagem sem cor, sem vida, sem paixão para transformar o ensino-aprendizagem.

Se a coordenação de ensino deveria ser o cérebro da escola, ela sempre foi anencefálica, fútil, tola, cômoda, preguiçosa. Não me refiro à escola Heloísa Mourão Marques, hoje.

Senhores, não estamos nos céus, isso aqui não é a Suíça, a escola pública não é Assembleia Legislativa e o PT jamais revolucionou a educação pública. As coisas estão apenas em sua enfadonha ordem.