sexta-feira, abril 27, 2007

Onde estão minhas luvas?


No terminal, uma trabalhadora limpa o espaço público sem luva. Errado.
Penso que isso se relaciona à saúde pública.
Que a administração do terminal urbano saiba agir.

Resposta a um bloguista

Um bloguista pergunta se eu não gostei dos alunos irem à rua. Penso que a manifestação deve ser muito mais organizada e sedutora. Ocupar as ruas exige uma forma sensível a fim de chamar a atenção das pessoas que andam pela cidade.
Os sindicalistas são péssimos com seus discursos, porque não há no movimento sindical a preocupação com o ato estético. Deveriam ler sobre isso para alterar suas ações empobrecidas. O capital há tempo vem usando a estética para seduzir e alienar.
No dia da passeata, os sindicalistas poderiam, por exemplo, colocar músicas dos Titãs, do Gabriel, do Renato Russo, mas eles se reduziram uma verborréia infecunda. É preciso ironizar, é preciso debochar, é preciso transformar a passeata em um ato estético para sensibilizar os que passam.
O mundo mudou e as passeatas devem mudar e, para tanto, a organização exige outros procedimentos. Os estudantes precisam ser criativos.

Fui de movimento estudantil no Rio de Janeiro, na década de 80 e, na UNE, no Catete, discutíamos isso naquela época. Em outras palavras, alguns defendiam o protesto como ato cultural e estético.

Protestei nas ruas com o companheiro Willam, ligado a Wladimir Palmeira. Mais tarde, esse petista seria secretário de Educação do Rio de Janeiro no governo de Benedita da Silva. Naquela época, ainda que muito jovens, pensávamos sobre o porquê dos sindicatos não seduzirem.

Como diz Fernando Pessoa: "viver não é preciso; criar é preciso."
Deveria haver uma campanha nesta cidade para as pessoas usarem em certos dias úteis somente a bicicleta como forma de protesto. Isso me recorda Martin Luther King. Os negros deixaram de usar os ônibus e andaram a pé como forma de protesto. Deu resultado.

Assim como Gandhi, Martin Luther King leu sobre os anarquistas.
Jovens, rebelem-se contra as injustiças, mas saibam que a revolta deve ter o sabor da criatividade.

quinta-feira, abril 26, 2007

Pensão de ex-governadores

Na época, este blog, pouco visitado, foi o único que publicou o aumento que o ex-governador Jorge Viana deu aos ex-governadores. Voto nele ainda, mas não fecho meus olhos para o que é injusto.

Hoje, uma boa notícia. Leia.
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Donald Fernandes quer acabar com aposentadoria para ex-governadores
Documento apresentado hoje à mesa-diretora da Aleac contém 12 assinaturas

O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Donald Fernandes, apresentou à mesa-diretora na sessão desta quinta-feira proposta de emenda ao artigo 77 da Constituição Estadual, que instituiu pensão vitalícia para os ex-governadores. Com a iniciativa, o parlamentar quer acabar com o privilégio. O documento contém 12 assinaturas de deputados, contando com a do proponente.

“Não é justo que num dos Estados mais pobres do país os ex-governadores recebam aposentadoria depois de quatro anos de serviço, quando a trabalhadora comum precisa de no mínimo 30 anos de contribuição e o trabalhador, 35 anos”, argumentou Donald.

A assessoria do deputado passou a manhã no centro de Rio Branco distribuindo panfletos e colhendo assinaturas dos acreanos que não concordam com o pagamento de pensão a ex-governadores. A meta é reunir o mínimo de dez mil assinaturas em todo o Acre.

Se aprovada, a proposta de emenda à Constituição Estadual revogaria o artigo 77, que trata do subsídio mensal e vitalício correspondente ao vencimento e à representação do cargo de governador.

Donald Fernandes argumentou após a sessão que aposentar governador é um acinte à Constituição Federal e às regras da Previdência Social. Segundo ele, nem mesmo o presidente da República recebe aposentadoria após deixar o cargo.

“São Paulo tem a maior economia do Brasil e os ex-governadores sequer cogitam receber pensão”, declarou.

Justiça pode ser acionada

O deputado tucano falou ainda na possibilidade de se recorrer à Justiça para revogação do artigo 77 da Constituição Estadual. Ele se baseia na informação de que o Supremo Tribunal Federal analisa uma ação direita de inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) à pensão vitalícia para ex-governadores de Mato Grosso do Sul.

Pedido de vista do ministro Eros Grau, do Supremo, adiou o julgamento da ADI, mas a ação já conta com três votos favoráveis à extinção de pensão vitalícia, segundo matéria publicada no site do STF (www.stf.gov.br).

Segundo o site, a OAB afirma que o benefício desrespeita diversos artigos da Constituição Federal. A entidade alega que, ao encerrar seus mandatos, os ex-governadores não exercem mais nenhum ato em nome do ente público e que conceder o subsídio seria “retribuição pecuniária a título gratuito, como se fosse uma espécie de aposentadoria de graça” a quem não presta mais serviços públicos.

“É inadmissível que em um Estado com índices de desemprego tão cruéis os ex-governadores tenham direito à pensão vitalícia”, desabafou Donald.

A um parvo!


Anônimo disse...
Eu acho vc um tremendo babaca...., ver se cresce seu babaca, vc não tem mais 18 anos, tem é quase 50, sebe o que homens como costumam pegar é uma peruca de touro, bem no meio da testa....KKKK, espera só, o que tua namoradinha vai te dar...KKK
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Você deveria saber escrever e deveria tomar conta de tua vida. Tua vulgaridade é típica de um tolo.
Se você me acha ou não me acha babaca, tua opinião mal escrita não tem a menor importância para a minha vida, seu apedeuta.
Fico sensibilizado quando você, meu querido pacóvio, preocupa-se com minha "peruca de touro", gesto de alguém traumatizado por causa da esposa ou da tua mãe.

Por favor, seja homem e assuma teu nome diante de meus olhos. Não se esconda em teu vulgar e atoleimado anonimato.

Agora, contemple o meu rostinho de ofendido e de babaca na foto, mané inculto!!!


quarta-feira, abril 25, 2007

Movimento Parado 5



Pela manhã, os professores da escola Heloísa Mourão Marques, a maioria, votou para não haver aula e assim todos participaram da passeata contra a emenda 3 e o aumento da passagem de ônibus.

Todos? Não. Alguns votaram a favor da paralisação, mas foram para casa mais cedo. Sacanagem. Eu votei contra. Queria lecionar e fiquei até o final da passeata.


Teve professor que disse que a passeata seria uma aula diferente. Pai, perdoai, porque eles não sabem o que dizem.

Nessa foto, perto ainda da escola, alunos do Heloísa caminham para o centro. Foi o maior número. Alunos do Rodrigues Leite permaneceram em sala. O Cerb não foi à rua. Não vi o Acreano.


Movimento Parado 4



A cidade não parou. O que parou há muito tempo foi a inteligência de sindicalistas para (re)criar uma estrutura sindical autêntica.

As mulheres no sindicato reproduzem o que homens sindicais já faziam.

Preparem-se para a reforma trabalhista, porque, quando vier, os sindicalistas perderão a noção do novo, se é que tiveram algum dia.

Movimento Parado 3



A CUT contou somente com alunos da escola Heloísa Mourão Marques. Eu andei da escola até o centro com meus alunos e assisti a tudo... a tudo que foi muito pouco.

Josafá, nesta foto, mais uma vez, não há três mil pessoas. Jornalismo não pode ser advinhação.

Menos, por favor, muito menos. Para quem delira muito, indico um repouso no hospital Santa Juliana. Fiquei uma semana, e você nem telefonou para saber como eu estava. Tô puto!!!

Movimento Parado 2



Eu saí do hospital há pouco tempo, mas Sinteac e a ex-APL continuam doentes. O discurso de sincalistas encontra-se enfermo.

Três mil pessoas, Josafá? A matemática é ciência nobre.

Se aqui tem três mil pessoas, Lula tem cinco dedos.

O Movimento Parado 1


Josafá Batista, o movimento sindial acreano há anos precisa ser criticado pelo que ele apresenta enquanto realidade.
O Sinteac e o Sindicato dos Professores Licenciados há anos perderam o mouse da história.
Não é só governo que merece críticas éticas e inteligentes, mas o movimento falido sindical também.

A foto revela o vazio.

Josafá Batista, menos, por favor, menos!!!

Josafá, eu estive no manifesto e ele foi um fiasco. Por que você escreveu o que não existiu? As fotos não negam.
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Rio-branquense vai às ruas contra aumento da passagem de ônibus,
de Josafá Batista

O centro de Rio Branco foi pequeno na manhã de ontem para uma multidão que percorreu as principais ruas depois de se concentrar na Praça da Revolução.
Que multidão!? Eu estive lá e a grande maioria foi de alunos da manhã da escola Heloísa Mourão Marques. Tenho as fotos.

Estudantes, sindicalistas, aposentados e muitos curiosos se aglomeraram em um protesto contra o aumento da passagem de ônibus, a violência e um projeto de lei que extingue vários direitos trabalhistas.

A manifestação mostrou a força do cidadão acreano, revoltado com a tentativa do Congresso de reduzir direitos conquistados há mais de 40 anos. A pressão fez efeito ainda ontem: deputados estaduais e sindicalistas farão uma comissão para obter da bancada federal o compromisso de votar contra a flexibilização das leis trabalhistas.
Força do cidadão acreano!? Só havia acreano? Generalidades não podem caber em uma matéria de jornal.

“Os deputados nos apoiaram na oposição ao projeto que já foi vetado pelo presidente Lula. O problema é que o Congresso está coletando assinaturas para derrubar o veto, o que é possível desde que hajam assinaturas suficientes. É por isso que estamos nos mobilizando. Se o veto cair, o projeto vai vigorar mesmo com a oposição do presidente”, explica o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Manoel Lima.

O protesto reuniu cerca de três mil trabalhadores, estudantes e sindicalistas e ocorreu ao mesmo tempo em vários pontos do centro da cidade. Pela manhã, um grupo de estudantes fechou o terminal urbano. Agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar foram requisitados e em seguida dispensados pela própria direção da PM, o que deixou os manifestantes livres para cruzar os corredores.
Josafá, você sabe contar!? Três mil pessoas!? Vários pontos da cidade? Ocorreu, isso sim, em vários pontos de sua imaginação.

Uniformizados, os alunos aproveitaram para chamar a população a resistir ao aumento da passagem de ônibus para R$ 2,06. Dezenas de transeuntes aproveitaram o incidente para embarcar de graça nos coletivos que tiveram que paralisar a circulação em toda a cidade durante parte da manhã.
Em toda a cidade!? Parece que você escreveu a matéria em um centro espírita. Uma entidade espiritual muito mal informada passou as informações para você.

Cartazes mostrarão traidores

A manifestação contra a derrubada do veto presidencial à Emenda 3 não foi exclusiva de Rio Branco. Os protestos aconteceram nas principais capitais brasileiras e devem se estender até o dia 1º, quando se comemora o Dia do Trabalhador e até depois caso o Congresso utilize a tática de aguardar o fim das comemorações alusivas à data para fazer as mudanças.

Por causa disso, os sindicatos devem fazer uma nova manifestação e também acompanhar de perto o desempenho de cada deputado federal e senador em Brasília (DF).

No Acre, a CUT deve aproveitar a votação para elaborar faixas e cartazes contendo os nomes, as fotografias e o partido de cada parlamentar que apoiar a derrubada do veto.

“O projeto dos cartazes já está pronto, o que falta é a votação sobre a emenda. Independentemente de conseguirmos ou não, os nomes dos responsáveis por essa verdadeira arapuca para o trabalhador serão conhecidos. Os cartazes serão distribuídos nas principais cidades do Acre, farta e abertamente”, garante Lima.

Ainda segundo o presidente estadual da CUT, os documentos terão os seguintes dizeres: “Procura-se um deputado (ou senador) traidor do trabalhador”.

Educação não comparece

Apesar da presença maciça dos principais sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais, além de estudantes e aposentados na manifestação de ontem, poucos servidores da educação estadual compareceram. O ato constrangeu os estudantes, que tiveram que aprender a se mobilizar sem os seus mestres.
Isso é uma verdade. Poucos professores estiveram presentes. Os trabalhadores se ausentaram.

A ausência de servidores da educação foi atribuída pelos próprios manifestantes à pendenga aberta no Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), hoje às voltas com a sucessão da atual presidente, Alcilene Gurgel. A vice, Almerinda Cunha, decidiu apoiar outro candidato à presidência da instituição.

Mesmo com a ausência da maior categoria de servidores públicos do Acre, o ato mostrou a força do movimento sindical e deu um recado claro aos representantes do povo acreano no Congresso Nacional: quem votar contra o povo vai ficar sem eleitor.
Força do movimento sindical!? Tenho as fotos.

Passagem em negociação

A pendenga sobre a passagem de ônibus também deve ganhar um novo rumo a partir do protesto. É que os organizadores do evento se mostraram dispostos a negociar em prol da melhoria da qualidade do transporte público no Acre. Com isso, questões como o excesso de gratuidades no transporte público, por exemplo, devem entrar no debate.

Com a redução do número de gratuidades, que hoje compõe cerca de um terço do preço da passagem de ônibus em Rio Branco, abre-se a possibilidade de manutenção da tarifa nos atuais R$ 1,75.

Outra proposta é reduzir o valor da passagem, com base em planilhas feitas por técnicos independentes a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Para os empresários do setor, no entanto, essa última proposta é inviável.

terça-feira, abril 24, 2007

IMPlanTE denTÁRio 11









As primeiras pisadas deixaram marcas em Tarauacá, no seringal Corcovado, colocação Fogoso, em 1930.







Inconformados com a injustiça, os pés partiram para Rio Branco após quase 30 anos de seringal.

Rodaram o mundo. Pararam em Manaus. Esses pés, tamanho de Sebastião, sustentam um dos homens mais honrados que conheci em minha vida.

O Acre, o autêntico, pulsa na sola desta carne.

IMPLANTE DENTÁRIO 10



Enquanto a morte não sussurra, a enfermeira Elzuíte cuida de Sebastião, de 76 anos.

Entre tantas, suas mãos delicadas amenizavam a dor. Gentil, educada, o corpo enfermo sentia-se bem com sua presença.

Que Deus ilumine ainda mais a sua profissão.

ImplantE DentáriO 9



À noite, a morte cruza o corredor. Seu Raimundo, um senhor com quase 80 anos, jamais será lembrado por muitos. Ele ficará na lembrança da família, nada mais.

Na angústia de querer o ar, sua boca aberta marcou a expressão de sua morte. Um dia, eu sei, o fim quebrará nossos espelhos.

IMplante DEntário 8



De madrugada, às 4 horas, o medicamento intravenal me acordava e alguns deixavam na carne da mão o gosto incômodo da ardência.

Nesse momento, minha Amada acariciava meus pés para enganar a dor.

Uma poesia se ancora em minhas lembranças.






Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Drummond

implantE dentáriO 7

À minha direita, dorme uma eterna amiga, sim, uma amiga, porque o amor, para muito além da carne, granula no íntimo da alma dos que cultivam a amizade.

Em todas as noites, seu caráter não me deixou só. Que ser humano nobre é minha Amada. Faltou às aulas do pré-vestibular para que nas madrugadas suas mãos suaves conduzissem minhas dores ao banheiro.

Simone Brasil de Oliveira, a Mony, terá de mim a eterna gratidão e o meu eterno amor.

Implante Dentário 6



Imobilizado, restaram os olhos para acompanhar o movimento de pessoas no quarto. Minha amada congela o momento no banheiro.

Santa Juliana, elas, as santas, são sagradas, limpas, mas a única santa humana que vi foi santa Fátima, uma funcionária que limpava a privada para eu repousar a minha bunda. O quanto precisamos das pessoas.

Você pode pagar um plano particular de saúde, pode ser desembargador que sai em coluna social, mas chegará o dia em que o "rabo da corte" precisará, mais ainda, de seu semelhante em um hospital para que a merda não suje a toga.

Espero que um juiz injusto fique sem a santa Fátima, porque os serventes, em meus sonhos, farão grave contra as leis que privilegiam magistrados.

Fátima, quanto você recebe por mês? Fátima, onde você mora? Fátima, qual seu grau de instrução? Fátima, que sonhos suas mãos limpas de dignidade têm para seus filhos?

Santa Fátima, obrigado por deixar o banheiro sempre limpo. O quanto preciso do outro...

segunda-feira, abril 23, 2007

ImpLantE DentÁrio 5



No quarto, com quatro leitos, à tarde, umas 14 horas, o ventilador - o único - tentou amenizar o calor. Luta vã.

Simone Brasil de Oliveira, a minha amada, abanou-me e, com um lenço de papel, retirava de minha carne o suor salgado de um "implante".

A dor nos educa. O hospital, por excelência, é lugar em que o corpo se disciplina. Tudo regrado. O almoço, regrado. O café, regrado. A janta, regrada. A sobremesa, regrada. Perdi 6 quilos.

impLanTe denTáRiO 4



É preciso muita calma nessa hora. Com um abscesso tomando o lado direito do rosto, a dor nos educa.

Implante Dentário 3

Essa, a placa não de uma rua, mas de um corredor hospitalar. Pela primeira vez em minha vida, dividi um quarto com mais três homens: Marcos, Clodomir e Sebastião. Meu leito, o 116 (1+1+6=8).

O 8 representa o infinito. Os dias e as noites seriam longos. E foram.

ImplanTe DenTário 2



Depois da santa, o aquário. Meu espaço se reduziu à dor e a um quarto. Senti inveja dos peixes.

ImpLantE DenTáriO 1



... e eu só queria que o dentista fizesse um implante dentário. "Isso dói mais que canal?", perguntei. "Fique tranqüilo, nem se compara".
Dias depois, lá estava eu no hospital Santa Juliana. Jamais passou por minha cabeça grande que ir ao dentista fosse me deixar uma semana no hospital.
Antes de repousar minhas dores no leito, olhei para santa e pedi paciência para não extrair os dentes de meu dentista com um soco.

MariAnA

Mariana, uma bloguista, pediu a mim para eu atualizar o blog. Menina, eu não tenho atualizado o blog porque fiquei uma semana no hospital. Estive muito ruim. Muito. No leito, fotografei bastante e publicarei neste blog.
Antes disso, publico os dez livros para o vestibular:
1 – ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
2 – FERRANTE, Miguel. Seringal.
3 – ANDRADE, Mário de. Macunaíma – o herói sem nenhum caráter.
4 – RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
5 – ESTEVES, Florentina. O Empate.
6 – LISPECTOR, Clarice. Laços de Família.
7 – RODRIGUES, Nelson. Álbum de Família.
8 – ANDRADE, Carlos Drummond de. José.
9 – MELO NETO, João Cabral. Morte e Vida Severina.
10- DOURADO, Autran. Melhores Contos.
Ainda hoje, à noite, colocarei fotos e textos sobre minha vivência no hospital Santa Juliana.

terça-feira, abril 10, 2007

Isso aconteceu

Maria não cortou o “pau” do marido
10 de abril de 2007

Tribunal de Justiça (Brasília) recebeu o seguinte requerimento:

Esmeraldas, 05 de Março de 2002.

Eu, Maria José Pau gostaria de saber da possibilidade de se abolir o sobrenome Pau do meu nome, já que a presença do Pau tem me deixado embaraçada em varias situações. Desde já, antecipo agradecimento e peço deferimento.

Maria José Pau

Em resposta, o Tribunal lhe enviou a seguinte mensagem:

Cara Senhora Pau,

Sobre sua solicitação de remoção do Pau, gostaríamos de lhe dizer que a nova legislação permite a retirada do seu Pau, mas o processo é complicado. Se o Pau tiver sido adquirido após o casamento a retirada é mais fácil, pois, afinal de contas ninguém é obrigado a usar o Pau do marido se não quiser. Se o Pau for de seu pai, se tornaria mais difícil, pois o Pau a quem nos referimos é de família, e vem sendo usado por várias gerações. Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a retirada do Pau a tornaria indiferente pro resto da família. Cortar o Pau do seu pai, pode ser algo que vai chateá-lo. Outro problema, porém, está no fato do seu nome conter apenas nomes próprios e poderá ficar esquisito caso não haja nada para ficar no lugar do Pau. Isso sem falar que, caso tenha sido adquirido com o casamento as demais pessoas estranharão muito ao saber que senhora não possui mais o Pau do seu marido. Uma opção viável seria a troca da ordem dos nomes. Se a senhora colocar o Pau atrás da Maria e na frente do José, o Pau pode ser escondido, porque a senhora poderia assinar o nome como Maria P. José. Nossa opinião é a de que esse preconceito, contra este nome já acabou há muito tempo e que se a senhora já usou o Pau do seu marido por tanto tempo não custa nada usá-lo um pouco mais. Eu mesmo possuo o pinto, sempre o usei, e muito poucas vezes o pinto me causou embaraços.

Atenciosamente,
Geraldo Pinto Soares
Desembargador do TJ de Brasília - DF

Vírgula

1. O aluno, todavia, nada respondeu.

Nesse caso, interrompe-se a ordem direta entre "o aluno" e "nada respondeu".

2. O professor repetiu a explicação, todavia os alunos continuaram com dúvidas.

Não há vírgula depois de "todavia", porque o sujeito "os alunos" inicia a ordem sintática direta, a saber: sujeito + verbo + complemento.

3. O professor repetiu a explicação; todavia, os alunos continuaram com dúvidas.

Essa construção, raríssima entre alunos, pode ser usada.

Nas redações dos alunos, usa-se muito o "mas", que é uma forma fixa na frase-oracional. Usar o "todavia", por exemplo, permite que esse conectivo fique em várias posições na estrutura sintática.

Ensino médio

No teatro da escola, alunos e professor lêem um romance. Após dois encontros, mostrei a eles marcações relacionadas ao uso do pronome oblíquo.
Essa questão gramatical mereceu destaque por causa da produção textual dos alunos, ou seja, eles não usam pronomes oblíquos quando dissertam e tais pronomes são importantes para a organização interna, para a harmonia do texto. A gramática sempre relacionada à construção textual.
Pois bem, hoje, apliquei um teste e, mesmo usando o livro para consulta, repito, usando o romance, muitos erram.
Pedi para escrever o substantivo no lugar do pronome em "desfraldando-o", na página 31. Para isso, precisava ler o texto ou, simplesmente, copiar o que eu já havia marcado nas aulas anterios.
Entre 28 alunos, três acertaram na turma B, mas dois escreveram Pedro com letra minúscula. O resultado, portanto, muito ruim.
Na aula de Redação, quando chegarmos ao desenvolvimento, cobrarei o uso de quatro pronomes oblíquos nos dois desenvolvimentos.
O fato é que retornarei aos pronomes quando lermos o romance Lavoura arcaica. Se a maioria errou, não posso lecionar outro conteúdo gramatical conforme a produção textual. O processo, eu sei, é lento.

segunda-feira, abril 09, 2007

Ex-governadores poderão perder pensão vitalícia

Sindicatos e pessoas da esquerda acreana, como a deputada estadual Naluh, calaram-se sobre pensão vitalícia de ex-governadores. Em outros tempos, esse dinheiro público causava vergonha, mas, quando a esquerda de alguns chega ao poder, o silêncio ignora o passado e permanece indiferente à história da própria esquerda.
Não ser seduzido pelo poder é um dever ético da esquerda, mas o poder, quando oferta o espelho, olhamos só para nós. Receber pensão vitalícia em um país tão pobre para muitos agride a memória dos que deram a vida por uma pátria justa.
A matéria a seguir leva esperança.
Ex-governadores poderão perder pensão vitalícia
No caso específico do Acre, nenhuma ação chegou ainda ao STF. Aqui, todos os ex-governadores ou viúvas de ex-governadores recebem o benefício garantido pela Constituição do Estado. Está no artigo 77 o seguinte teor:
"Cassada a investidura no cargo de governador, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus a uma subsídio mensal e vitalício correspondente aos vencimentos e representação do cargo."
Em relação ao Amazonas, na ação, o procurador-geral afirma que a Constituição Federal não autoriza a instituição do benefício e aponta, no caso, ofensa ao princípio da moralidade administrativa. Diz, ainda, que o subsídio aos ex-governadores contraria o artigo 37, 13, da Constituição Federal, que proíbe a equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público.
STF JÁ DECIDIU
No final do ano passado, a Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul aprovou lei, concedendo pensão a ex-governadores.
Recentemente, o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, enviou ao Supremo Tribunal Federal parecer favorável ao pedido de declaração de inconstitucionalidade, formulado pelo Partido Democrático Trabalhista de dispositivo da Constituição do Estado do Ceará, que confere a ex-governadores e a ex-vice-governadores que tenham exercido cargo de governador em caráter permanente e por período igual ou superior há seis meses, subsídio mensal e vitalício, a título de representação, igual ao percebido pelo governador do Estado.

Desmatamento no Acre

Senhores, um sucolento documento, publicado pelo site www.imazon.org.br, revela números negativos plantados em nossa floresta tropical. Acesse também http://veja.abril.com.br/110407/p_070.shtml
O ex-governador Jorge Viana precisa mostrar que a revista e o documento estão equivocados e, para isso, a Veja precisa publicar outra matéria conforme a análise de seu governo. É preciso agir rápido para apagar o fogo.

Ronda Gramatical

na FOLHAONLINE

"Lula agradece controladores por tranqüilidade em aeroportos".
A regência do verbo "agradecer", segundo a gramática tradicional, é "Lula agradece aos controladores a tranqüilidade em aeroportos". Celso Pedro Luft, no entanto, admite "por".
No jornal, prefiro "agradece (aos) (a)".

quarta-feira, abril 04, 2007

SemaNa SanTa, mAriA
























Nesta semana, no centro de Rio Branco, Maria, de 42 anos, pediu-me dinheiro para comprar arroz.
Não tinha ido ainda ao banco e, na carteira magra como Maria, havia um real.
Mas, antes de dar a ela um Deu seja louvado na cédula, entrevistei-a na praça José de Melo.
________
A senhora conhece o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC?
Não.
A senhora tem o que comer hoje?
Na panela de casa, tem feijão.
Por que pede dinheiro?
Para comprar arroz.
Não vai comer peixe na Semana Santa?
É muito caro, moço.

Dinheiro faz falta, não é?
Faz.
Por falar em dinheiro, a senhora sabia que salário de ex-governadores do Acre, assim como Deus, é eterno?
Não.
A senhora carrega no rosto os traços do povo. Dona Maria, a senhora sabia que o povo acreano fez uma revolução?
Não.

Por que existe pobreza no mundo?
Porque Deus quer assim.

Deus é justo?
Não sei, moço.

Dei-lhe o dinheiro, e, na Semana Santa, Maria partiu.

Do professor Gleidson

Interatividade... pra quê?

Globalização. Tecnologia. Às vezes, a modernidade serve para nos lembrar o quanto estamos “involuindo”. Assistindo à televisão, certo canal interativo local que reserva parte de sua tela para uma janela de bate-papo, ponderei: o uso dos avanços da era da informação está facilitando alguns aspectos de nossas vidas, porém dificultando outros. Como? Vou citar um exemplo: Dando aulas particulares, uma aluna comentou que havia perdido pontos em uma redação por escrever como em chats: “não” grafara como “naum”, e “que” apareceu apenas abreviadamente, “q”.
Não estou propondo aqui um movimento pela escrita correta. A forma rápida como se dá a comunicação em salas de bate-papo exige um léxico próprio. A questão é que nossos pobres alunos implementam tais vocábulos no cotidiano como no exemplo citado, sem se dar conta. E esta problemática puxa outra: a forma como se ensina a língua portuguesa.
Lemos e escrevemos todo o tempo. Deveria então ser comum o enfoque na redação por parte dos profissionais que lecionam a língua pátria. Vários desses, porém, pré-julgam a criatividade de seus alunos como precária, e não a estimulam para serem producentes. Estes, por conseqüência, acreditam que em sua carreira de escolha não terão que se preocupar com essa deficiência. Por isso, não raro encontramos acadêmicos já quase concludentes, mas com um vocabulário tão rico quanto o de alunos de 7ª série.
Outro ponto fundamental é o da interpretação. Cegueira é, no mínimo, o termo a ser utilizado para caracterizar a condição da maioria dos alunos quando têm de obter o sentido de um texto. Precisamos “traduzi-lo” tal qual alguém que sabe ler o faz para um completo analfabeto.
Minha parte nisso? Bem, acredito que qualquer área depende do bom uso do português. Em matemática, o problema maior é justamente a transição do texto de uma questão para o modelo matemático, pois a partir daí fica claro como água. Como conselho, digo aos meus aluno que leiam, leiam, leiam, mesmo que seja uma bula de remédio ou uma revista em quadrinhos (que, aliás, leio desde os quatro anos e não me arrependo, foi fundamental para a compreensão que tenho hoje). Algo que os faça tentar entender o contexto. Isso ajudaria, sobretudo, no avanço do conteúdo, que poderia prosseguir sem o entrave da má interpretação.
Sugiro que se faça um esforço em prol de valorizar a leitura, interpretação e criação de textos, visto serem fundamentais para boa formação do discente não só no português, mas em outras disciplinas e no seu futuro profissional. Do contrário, este será apenas um: o de professor da linguagem de salas de bate-papo, a comunicação dominante no processo “involutivo”.

segunda-feira, abril 02, 2007

Arte Moderna



Essa bela escultura ludibria a lei. Se a arte, nesse caso, copiasse a realidade, causaria aversão e seria proibida.
Mas, em plena praça pública, o ato amoroso entre um homem e uma mulher eleva-se como sexo (implícito) entre os amantes.
Aqui, percebemos que a arte, a autêntica, nega a descrição para que a imaginação emerja em cada "eu" que se sinta incomodado.
E o círculo? Ele indica que o universal e a igualdade atravessam o feminino e o masculino.

Cuidado, escrita à vista




Ronda Gramatical

Existe mulher "pão-dura"? Na verdade, só existe mulher "pão-duro".

sábado, março 31, 2007

A esquerda acreana não tem memória





































Os 43 anos do golpe militar passaram em branco para a Frente Popular. Eu me lembrei.

"Doida é a Glória Perez"






Ontem, a imprensa acreana não noticiou a prisão muito doida do repórter Josafá Batista.

O jornalista foi preso no Projac, Rio de Janeiro, depois de jogar açaí e cupuaçu na autora de Amazônia: de Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez.
"Essa senhora é que é doida, porque a sua minissérie está com audiência muito menor do que JK e Hoje é Dia de Maria", disse Josafá.
Por causa dos números, a autora está sendo chamada por Josafá de Glória Perde.
Filho de seringueiro, o jornalista tem a certeza de que sua mãe nunca traiu seu pai. Para ele, a minissérie só mostra mulher colocando galho em seus maridos. "Eu não sou doido e meu pai, um ex-seringueiro, nunca foi corno."

Prova Diagnóstica

Hoje, houve reunião na escola estadual para buscar rumos sobre os resultados da prova diagnóstica. Em Língua Portuguesa, os professores do primeiro ano, ensino médio, constataram que a maioria dos alunos não sabe usar vírgula.
E agora?
Vírgula é muito importante, porque organiza a construção interna de um texto. A gramática deve orbitar a produção textual. O que fazer?
A área de Língua Portuguesa, reunindo-se aos sábados, precisa criar exercícios com vírgulas e massificá-los em sala de aula. Tais exercícios precisam estar arquivados no computador da escola.
Na leitura de um romance, realizada na escola pelo professor, é preciso explicar aos alunos o por quê das vírgulas. Na aula de Redação, é preciso, por meio da reconstrução textual, cobrar o uso correto da vírgula.
Na reunião de hoje, professores de Língua Portuguesa faltaram, não se escolheu o presidente do Conselho de Disciplina para o semestre, não houve ata, não foi retomado o que foi debatido no ano passado e não fiquei na reunião até o final.
Paciência!

sexta-feira, março 30, 2007

Arte na Praça


Há tempo, estou para escrever sobre essa escultura, localizada na Praça da Revolução, centro de Rio Branco.


Sempre quando compro jornal aos domingo, reservo um tempo para apreciar essa arte moderna.

Ela me atrai por causa de seu mistério, por não ser descritiva.

Hoje, no entanto, ainda não tenho tempo para dissertar sobre ela.

Amanhã... não sei.

Minhas aulas

Nesta semana, na terça-feira, demos continuidade à leitura de Lavoura arcaica. Abrimos dicionários para encontrar o significado mais adequado ao texto. Marcamos alguns aspectos gramaticais que se relacionam à produção de texto, por exemplo, uso do pronome oblíquo.
Percebam o uso no texto, não pedirei classificação.
Na quarta, aula de Literatura, interpretamos uma poesia, sem que eles soubessem período literário, autor. Só o texto. Mais uma vez, fomos ao dicionário a fim de encontrar o significado mais adequado. Vocabulário para ser usado em uma redação. Observamos, também, o uso do pronome oblíquo. Saber abstrair. Imaginar. Interpretar.
Na quinta, toda quinta, aula de gramática: uso da vírgula por meio da Ordem Sintática Direta, prática que elimina 90% dos problemas de vírgula. Para tanto, não frases-oracionais isoladas, desarticuladas, mas a leitura de um texto. Qual o conteúdo? Qualquer um? Ler sobre Lavoura arcaica e, mais uma vez, também, marcações gramaticais relacionadas à organização textual, por exemplo, uso do pronome.
Na sexta, sempre produção textual. Hoje, observamos a seqüência lógica de raciocínio de duas introduções. Para tanto, um exercício muito próprio. Faltam 12 introduções. Sistematização. Massificação. Por que essa construção sintática surge depois dessa? Especificar idéias. Partir do geral para o específico.
Na sexta anterios, reconstruir a introdução. Faz. Refaz. Observação. Erros mais comuns. Escreve-se no quadro-negro. Observa-se. Não quero os verbos ser, estar e ter na introdução. Busque no dicionário outro verbo. Ampliar vocabulário. Abra o dicionário! Falei sobre vírgula, corrija seu texto. Essa palavra não é escrita assim. Vá ao dicionário. Idéia geral, não quero. Especifique-a!
Refazer. Refazer. Refazer. Mais tarde, no desenvolvimento, uso do gerúndio, do particípio regular. Apostos antecipados. Aponto isso no texto, no romance. Antes disso, introdução, modelo. Refazer. Refazimento. Falta o pronome oblíquo. Use-o no texto.
Escrever se aprende escrevendo. Leciono para ser lembrado como um professor que exige, mas, antes, que se exige. Quero ver esses jovens vitoriosos e não há vitória sem esforço, disciplina, sistematização, garra, paixão pelo que faz. Quero, ainda, mudar o mundo, e ele começa em minha sala de aula.

Um detalhe educacional


Hoje, soube que pessoas responsáveis pelo ensino médio não admitem encontros pedagógicos aos sábados como se fossem aulas.
Em um dia da semana, o professor da rede pública estadual não leciona para planejar suas ações pedagógicas com a coordenadora de ensino. Esse encontro, no entanto, não ocorre, porque esse tempo do professor transformou-se em tempo vago ou folga.
Se ainda, entretanto, houvesse tempo para planejamento com a coordenadora, seria um erro, pois a disciplina Língua Portuguesa não depende de ações isoladas, mas articuladas entre os professores dessa área.
Tenho certeza de que não há na rede pública encontros pedagógicos entre as áreas e isso significa, também, não haver qualidade de ensino, porque cada um trabalha isolado.
Depois que o modelo clássico, base da gramática tradicional, foi substituído pela idéia de texto, princípio defendido pelos sofistas, os professores de Língua Portuguesa precisam dialogar a fim de buscar caminhos para uma melhor produção textual. A gramática, já não é de hoje, gira em torno do texto.
Na escola Heloísa Mourão Marques, até hoje, o corpo docente de Língua Portuguesa e de Literatura não possui um trabalho que seja a conseqüência de um diálogo entre os professores da área.
É preciso haver um material de redação criado pelos próprios professores. É preciso selecionar os problemas mais comuns nas redações. É preciso criar exercícios gramaticais e textuais a partir dos problemas redacionais. É preciso haver a reconstrução textual, segundo os parâmetros, nas aulas de Língua Portuguesa. É preciso haver papel adequado para a produção e para a correção de texto. É preciso criar um modo de lecionar produção de texto que obtenha resultado positivo. É preciso organização escolar para a área de Língua Portuguesa pensar, questionar, dialogar, problematizar, solucionar.
É preciso haver encontros aos sábados para que as áreas se reúnam.


quinta-feira, março 29, 2007

Feministas, por que vocês se calam?


Prazer & Morte


O chão acreano deu-me uma filha com uma cor que lembra os nativos desta terra. Por parte da mãe, suas raízes, estas: indígenas.
Educá-la em mundo onde meninas, menores de idade, entram em motéis e, por meio da internete, um endereço, são expostas a orgias que deliciariam marquês de Sade.
Adolescentes, por exemplo, do colégio Meta, entregues aos seus 13 e 14 anos, aparecem com rapazes viris e tolos em motéis. Culto à devassidão. Mais: a devassidão é a exposição.
Uma jovem esqueceu suas fotos em uma lan hause e, sem saber, sua imagem circula pela rede, servindo ao ridículo, à difamação.
A Justiça prende quem estupra. Mas quem prenderá as menores que se expõem, alegres, em um endereço da internete?
Pelas imagens, ninguém usa camisinha. Isso, no entanto, é caso para camisinha? Camisinha protege meninas de Sade? Camisinha as previne contra os excessos?
Exibicionismo do feminino a serviço das regras masculinas: pornografia. O endereço não poderia ser mais apropriado: www.acretinos.vai.la
Senhores, espero nunca ver minha filha, menor ou maior de idade, expondo a deformação de seu caráter. Caráter!? Honra!? Marquês de Sade ri de nós; as ninfetas, também.
Sobre esse modelo de violência, as feministas acreanas se calam, por quê? Pornografia não é violência contra a mulher?

Sociedade dos Poetas Mortos

















Um bom filme. Assista!!!








Educação Pública



Gestão profissional faz Acre e Tocantins avançarem no Saeb

Uma matéria, publicada na edição desta quinta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, confirma os números positivos da educação pública estadual, apresentados pela secretária de Estado de Educação (SEE), Maria Corrêa. O setor, segundo o governo do Estado, avançou, e muito, nos últimos anos.
O texto analisa números divulgados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) do Ministério da Educação. Ele mostra que a gestão profissional do ensino e a criação de metas elevaram em 11% as notas do exame.
A mesma ação aconteceu no Tocantins.

“Criamos um plano estratégico e o governo promulgou uma nova lei para as carreiras. Tudo foi sistematizado para que um modelo descentralizado fosse implantado e a secretaria funcionasse como gestora, acompanhando e monitorando as unidades”, explica Jean Mauro de Abreu Moraes, gerente de Gestão da Secretaria da Educação do Acre.
Leia a matéria na íntegra.
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Desempenho melhora onde há metas

Tocantins e Acre vão na contramão e conseguem aumentar nota no Saeb enquanto média do resto do país cai

Simone Iwasso

No Tocantins, em quatro anos, o salário dos professores aumentou 40%, a evasão escolar caiu de 7,8% para 1,2% e a aprovação no ensino fundamental subiu 20%. No médio, caiu 26% a distorção idade-série e a nota do Sistema Nacional da Avaliação Básica (Saeb), do Ministério da Educação aumentou cerca de 20%. Antes o pior, o Estado é hoje um dos melhores do Norte e Nordeste.
Os números podem parecer pouco significativos, mas se destacam pelo fato de serem positivos numa área que, de maneira geral, teve queda de rendimento - o desempenho dos estudantes em geral no Enem é o pior desde 2002, o número de alunos no ensino médio continua a cair e a média nacional dos estudantes no Saeb também está até 10% abaixo do registrado na edição de 2001.

Nesse cenário, as dados positivos do Tocantins refletem uma mudança que começou com um programa de gestão compartilhada da Secretaria da Educação. Cada diretor teve mais autonomia e maior responsabilidade sobre gastos. Os professores ganharam aumento, mas se submetem a avaliações. As escolas elaboraram plano de metas.

“Tivemos problemas com partidos, sindicatos e até com o Ministério do Trabalho, mas tudo se acertou”, afirma a secretária da Educação, Maria Auxiliadora Seabra Rezende, que está no cargo desde 2000. “Sabemos que falta muito para chegar ao ideal, mas saímos de um patamar baixíssimo e melhoramos.”
As iniciativas refletem uma profissionalização da gestão, com cobrança de resultados.
No Acre, as notas no Saeb subiram até 11% após um gerenciamento semelhante. Minas e Pernambuco caminham nessa direção.

Salário por resultado
Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) anunciou na semana passada que pretende adotar projeto para conceder reajustes salariais diferentes para o funcionalismo público.
A idéia prevê aumento não-linear por área - e começaria com a educação - segundo o desempenho de cada unidade. No ano passado, o Estado começou um sistema de bônus para premiar professores que faltam pouco, uma iniciativa que se repetirá neste ano.
Sobre a experiência de Tocantins, a secretária conta que fez uma opção. “O investimento do Distrito Federal é seis vezes maior que o nosso. Mesmo assim, aumentamos o salário, optamos por pagar um valor decente, até para podermos exigir contrapartida”, diz. Hoje, o professor com ensino superior completo recebe no Estado cerca de R$ 2 mil iniciais. “Queremos mais dinheiro, mas precisa saber onde investir, senão nunca vai ser suficiente.”
No Acre, o salário básico dos professores com ensino superior também subiu de R$ 420 em 2001 para R$ 1.562.
“Criamos um plano estratégico e o governo promulgou uma nova lei para as carreiras. Tudo foi sistematizado para que um modelo descentralizado fosse implantado e a secretaria funcionasse como gestora, acompanhando e monitorando as unidades”, explica Jean Mauro de Abreu Moraes, gerente de Gestão da Secretaria da Educação do Acre.
Na prática, o que as duas secretarias fizeram foi aumentar o salário dos professores, exigindo contrapartida de resultados; decidiram, em vez de fazer as compras de materiais, por exemplo, e gerenciar tudo o que as escolas pediam, enviar um valor mensal para elas mesmas administrarem - o que reduziu gastos.

Plano de aprendizado
Além disso, cada unidade teve de elaborar um projeto para definir o que os alunos devem aprender. Essa última parte, que pode parecer desnecessária, ainda faz falta em muitas redes, pois não há definições específicas para os professores - cada um pode pegar o livro didático e, a partir dele, ensinar o que acha que deve ser ensinado.
“Antes, se eu precisava de um armário, tinha de pedir à secretaria e esperar meses e nunca vinha o que a gente pedia. Hoje, temos nossa verba mensal, e compramos, nós mesmos, no comércio local do que precisamos. Até nossa conta de luz diminuiu, porque sabemos agora quanto gastamos e não se desperdiça mais”, conta Maristélia Alves, diretora do Centro de Atendimento Integrado à Criança de Palmas, escola com cerca de 1,9 mil alunos de ensino fundamental e médio. “Outro fator que nos ajudou foi chamar os pais para discutir as mudanças na escola.”
Fernando Mendes, superintendente-adjunto da Fundação Abrinq, que desenvolve trabalhos de monitoramento da gestão da educação por meio do programa Prefeito Amigo da Criança, lembra a importância da participação da comunidade na definição dos rumos da escola.
“Está clara a importância da gestão para o uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno”, afirma. “E isso também inclui a participação da comunidade, em uma gestão democrática, que é importante para melhorar resultados.”

No último levantamento do programa, dos 2,6 mil municípios participantes, 623 tinham plano municipal de educação e 157 já contavam com conselhos gestores das escolas. “É um esforço para promover mudanças.”

quarta-feira, março 28, 2007

Ainda sobre Pornografia












A imagem pertence ao filme Os contos proibidos de Marques de Sade e, se comparado ao livro A filosofia na alcova, escrito por Sade (1740-1814), é muito inocente.

Eugénie, 15 anos, é a virgem que Saint-Ange apresentará para que seu corpo sirva de objeto. Sob essa condição, a de objeto, a jovem surge descrita por Saint para os olhos de Cavaleiro, outro personagem da peça A filosofia na alcova.

Surpresa, a adolescente fala em decência, mas outro personagem, Dolmancé, diz que "a decência não tem importância nenhuma hoje em dia, e que contraria totalmente a natureza". Dolmancé agarra a jovem e a beija.
"Parai com isso, senhor!... Mais respeito!", ela o censura. Inútil.
Segue-se uma sucessão de cenas "naturalistas". "O destino da mulher é ser como a loba e a cadela", sentencia a personagem Saint.

O corpo, em muitos momentos, surge preso a descrições científicas enquanto, aos poucos, a filosofia racionalista da carne brota das palavras. Na pornografia, mata-se o sensível e despreza-se o semelhante para a violência-prazer esgarçar a carne.

Dolmancé ensina. "Como disse Maquiavel, 'jamais devemos ter cúmplices, ou nos livrar deles tão logo nos tenham servido'. (...). A falsidade nunca é demais. (...)."
Mais? Leia o livro.

terça-feira, março 27, 2007

Pornografia











Certa vez, você me disse que a pornografia é o "excesso de cenas". Em Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, as cenas não existem, não estão expostas, mas a pornografia encontra-se lá.

Excesso que deseja destruir o sagrado, eis a pornografia. Em nenhum século anterior, a pornografia se espalhou como no final do século 20. Não a olhamos mais por meio da fechadura, às escondidas, mas sua exposição depende de um endereço na internete.


Pela webcam, assistimos a casais em posições ao vivo e, se nossa foto agradar, poderemos marcar um encontro de carne e osso para que sejamos filmados, expondo posições, por exemplo, entre casais. Marques de Sade nunca foi tão atual. Sua leitura, obrigatória.
Enquanto escrevo, um vizinho espalha pela rua este excremento auditivo:
Toma gostosa, lapada na rachada! Você pede que eu te dou, Lapada na rachada! E aí? Tá gostoso? Lapada na rachada! Toma! Toma! Toma! (Vamo balançar! Vamo balançar! O balançado mais gostoso do Brasil! Balança, balança, balança neném! - Ô Lene Silva?! Vamos dar uma lapadinha?- Ai Clauber, mas só se for na rachadinha! - Vamos agora! Simbora!) Vi uma menina linda, A danada enlouqueceu, A macharada ficou doida, quando ela apareceu. Sorriso envolvente,jeitinho sensual, Pra acabar de completar, me deu mole no final. Juro não acreditava, no que tava acontecendo, sorria, me olhava, e o clima foi crescendofui direto ao assunto e não pude acreditar, chegou no meu ouvido ecomeçou a falar: Vai! Dá tapinha na bundinha, vai! Que eu sou sua cachorrinha, vai! Fico muito assanhada, se eu pedir você me dá?! Lapada na Rachada!Vai! Dá tapinha na bundinha, vai! vai! Que eu sou sua cachorrinha, vai! Que eu tô muito assanhada, (- Vamos dar uma lapadinha Lene Silva?- Mas só se for de rachadinha!) Toma gostosa, lapada na rachada! Você pede que eu te dou, Lapada na rachada! E aí? Tá gostoso? Lapada na rachada! Toma! Toma! Toma!(2x)(- Dá lapada na rachada vai! - Que forró é esse Lene Silva?- Balança Neném!- Fazendo você gemer!)

A mulher, equiparada a uma "cachorrinha", é instinto, isto é, o prazer não é conseqüência de uma razão, mas uma necessidade física inconsciente. Em Lapada na rachada, o prazer se reduz à vulgaridade do orgânico.
No palco, as mulheres da banda, com seus trajes, assemelham-se a "putas" e o palco, a "cabaré". Um texto de Adorno, O fetichismo na música, afirma que "a música de entretenimento preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências".
"Lapada na rachada" expõe a pornografia velada e inocente
e, dessa forma, a lei não censura. Os promotores calam-se. Licenciada, com alvará de funcionamento, essa pornografia cínica permite que crianças dancem, rebolem e usem calcinhas pretas. Dizem que "é a cultura do forró".


"Porno" significa "cheira mal", "estragado". Lapada na rachada fede.

Ele, o sr. Jaleco














Três colegas de profissão. Da esquerda para a direita, professor Afonso (discipina de Matemática), Gleidson (Matemática) e Maria Célia (Literatura e Língua Portuguesa).
Eles estão aqui para mostrar o quanto o jaleco cai bem para um professor. Penso que uma instituição deve apresentar uma imagem uniforme de seus profissionais, na caso, da educação.
Não se trata de uma questão funcional, mas de postura, boa apresentação. Se os alunos usam uniformes, por que os educadores devem se vestir de qualquer forma?
"Qualquer roupa" não veste o advogado quando entra no fórum. O jaleco deixa um ar de elegância.
Se um cristão não entra com qualquer roupa em uma igreja, se um advogado não usa qualquer roupa diante do juiz, o corpo docente, também, não deve lecionar com qualquer roupa diante de seus alunos.

segunda-feira, março 26, 2007

Livro e, depois, Cinema













Após um ano, retornei com a leitura de Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, na escola Heloísa Mourão Marques.
Pensei em outra temática, mas mantive a leitura sobre ordem e paixão; família e individualidade; tradição e liberdade. Tais conceitos, muito intensos nessa obra literária, serão compreendidos por meio de uma narrativa complexa e poética.
Como digo à minha símpática colega de trabalho, professora Maria Célia, lemos um belo livro não para saber se é romântico ou realista, mas para que percamos a inocência, como escreveu Sartre.
Por meio de seus personagens, desejo repensar a vida. Não só.

Gramática

No primeiro dia, marcamos alguns aspectos gramaticais: pronome, uso do "onde". Além disso, os alunos abriram o dicionário para encontrar o significado mais adequado ao texto. Quanto a outro termo, vou à sua raiz para que o aluno saiba sua importância etimológica.
A gramática que destaco na leitura relaciona-se aos problemas redacionais, os mais comuns, impossível querer pontuar todos. Por isso, seleciono os que são muito úteis à organização interna do textual, por exemplo, vírgula.
Ler não como um burocrata, mas ler para se emocionar com o que é lido. É preciso teatralizar a leitura e, para tanto, o professor se apaixona quando lê.
Mas a leitura nem sempre é aprazível. Há momentos chatos, porque, para ler bem, se faz necessário pensar e pensar - verbo rejeitado por alguns alunos.
Às terças, em um lugar silencioso e confortável na escola, meus alunos lerão, pelo menos, um livro por ano. Educados, atentos às minhas "loucuras", muitos, mesmo com as dificuldades financeiras dos pais, compraram a fotocópia.
No final, passarei o filme para que percebam a imaginação do diretor na tela, o que Luiz Fernando Carvalho realizou com a sua leitura em forma de cinema.
Antes de concluir a leitura de Lavoura Arcaica, mostrarei um filme realista, porque desejo que percebam a diferença entre o poético e o que não tem beleza.

O feminismo de Elisabeth Badinter






















Texto retirado da revista EntreLivros

Depois do feminismo, a guerra dos sexos. Esse é o receio de Elisabeth Badinter expresso em Rumo equivocado, que está sendo lançado neste mês no Brasil. Feminista conhecida, Badinter surpreende seu público ao fazer ressalvas sobre os caminhos do movimento que outrora apoiou. Sua posição é inequívoca a partir do título do livro.

"O feminismo tomou um rumo que nos leva à regressão", diz. "Em vez de se concentrar na igualdade entre homens e mulheres, o feminismo enveredou por um caminho muito influenciado pelos EUA. Esse rumo aponta a mulher não como igual ao homem, mas como sua vítima."

Badinter falou a EntreLivros em Paris, em seu apartamento defronte ao jardim de Luxemburgo. É uma mulher austera que, sexagenária, guarda a beleza da juventude nos grandes olhos azuis e na ardência da defesa de suas idéias.

Mulher de Robert Badinter - ministro da Justiça no governo socialista de Mitterrand nos anos 80 - e herdeira de uma das maiores agências de publicidade do mundo, a Publicis, Elisabeth é mais conhecida como intelectual.

Não se deve deduzir que as críticas de Badinter a colocariam no campo antifeminista. Ela própria ainda se considera uma seguidora de Simone de Beauvoir.

"Eu me tornei feminista em 1960 no ônibus da linha 82, lendo O segundo sexo. Tinha 16 anos, e foi uma revelação", declarou ao L'Express em 2003, quando seu livro foi lançado na França.

Em O segundo sexo, de 1949, Beauvoir fazia a sustentação do que viria a ser o feminismo francês expandido pelo Ocidente: o alerta sobre a necessidade da participação da mulher na sociedade, revendo seu posicionamento sempre secundário em relação aos homens, sobretudo em termos de política.

Pode-se dizer que o mote da obra de Badinter está centrado no problema da maternidade. Longe de ser avessa a crianças - teve três filhos -, ela questiona a idéia de que o amor das mães seja inato. Essa reflexão já causava polêmica há 20 anos, pois se trata de um tema que desenvolveu em L'amour en plus (1981), editado no Brasil sob o título Um amor conquistado - o mito do amor materno, e esgotado em 1998 na 9ª edição.

Pesquisas sobre a gestação e o aleitamento de crianças nos séculos passados mostraram que a maioria delas era completamente negligenciada, entregue a amasde- leite mercenárias. Muitas morriam antes de completar quatro anos de idade. Apoiada em números estarrecedores e no estudo do comportamento social - ela nota que para as mulheres da alta burguesia era desprestigioso ocupar-se da prole, enquanto que para as operárias, dada a jornada de trabalho, era tarefa impossível -, a autora chega ao questionamento de uma "vocação natural" para a maternidade.

Para Badinter, dois fatores estão ligados à formação do "mito do amor materno": a necessidade de assegurar a sobrevivência dos descendentes e a idealização da figura da mãe, a fim de que certa completude se fizesse sentir entre a mãe e a criança. Não se trataria, segundo ela, de "instinto", pois o afeto se formaria da convivência e seria algo "conquistado", como é o caso da paternidade. A pensadora acredita que não haja tanta distinção assim entre o amor paterno e o materno, movimento ao menos no que tange ao aspecto natural.

O simples fato de levantar dúvida sobre algo aparentemente cristalizado na organização social gerou polêmica e levou a críticas e certas generalizações a respeito de suas posições, ao mesmo tempo que despertou a atenção dos especialistas e colocou sua obra no centro dos estudos de psicologia e na defesa do feminismo contemporâneo.